Rede Solidária da Fiocruz vai enviar doações ao Amazonas para enfretamento da Covid-19

Quase R$ 6 milhões em testes para Covid-19, equipamentos de proteção individual (EPI’s) e dispositivos para testes serão doados ao Amazonas para enfrentamento ao novo coronavírus. O repasse do material será feito pelo Programa Unidos Contra a Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A distribuição dos produtos será acompanhada pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), explica o pesquisador e gestor da Unidade da Fiocruz no Amazonas, Sérgio Luz. Segundo ele, serão destinados 3 mil kits de testes rápidos e R$ 1.200.000,00 em Epi’s para os povos indígenas do Alto Rio Negro, Alto Solimões e Vale do Javari; R$ 1.552.000,00 em Epi’s para os hospitais de Manaus, além de R$ 1.500.000,00 em equipamentos para a Fiocruz Amazônia triplicar sua capacidade de testagem para Covid-19.

As doações foram feitas ao Programa Unidos Contra a Covid-19, pela Vivo (R$ 3.000.000,00),  pelo Fundo Emergencial da Saúde/Movimento Bem Maior (R$ 1.200.000,00), Fundação Banco do Brasil ( R$ 52.000,00)  e o restante pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos), especificamente para o Amazonas.

Os produtos estão em fase de aquisição e assim que chegarem a Manaus serão encaminhados às instituições e povos indígenas.

UNIDOS CONTRA COVID-19

O Programa Unidos Contra a Covid-19 é uma iniciativa da Fiocruz, lançado em 2/4, com o objetivo de potencializar as ações da Fundação Oswaldo Cruz frente à pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), por meio da união de esforços dos setores público e privado, tornando-se um canal onde empresas, organizações e indivíduos interessados formam uma rede de apoiadores de ações desenvolvidas pela Instituição para o enfrentamento da emergência sanitária.

Para saber mais sobre o Unidos contra a Covid-19 e como apoiar, clique.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Bernardo Portella/Fiocruz

Fiocruz produz 54 milhões de unidades farmacêuticas em três meses de pandemia

O novo coronavírus chegou e parou o mundo. Esvaziou as ruas e isolou as pessoas. Em meio a esta pandemia, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) reitera seu compromisso com a saúde pública brasileira e segue na produção de medicamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Em quase três meses, a instituição fabricou mais de 54 milhões de unidades farmacêuticas de 14 diferentes produtos estratégicos para o SUS.

Segundo o diretor Jorge Mendonça, foi necessário alterar o planejamento anual de produção a fim de antecipar alguns medicamentos em função da pandemia. “Temos trabalhado ininterruptamente para garantir o abastecimento do SUS e, consequentemente, a continuidade do tratamento de milhares de pacientes que utilizam nossos medicamentos em todo o Brasil. Essas demandas são direcionadas principalmente às pessoas incluídas no grupo de risco, como os indivíduos que vivem com HIV/Aids, pacientes com tuberculose, malária, além daqueles submetidos a transplantes renais e que, por esta razão, necessitam de imunossupressor, e tantas outras pessoas assistidas na rede pública de saúde”, explica o diretor Jorge Mendonça.

PRODUÇÃO MULTIDISCIPLINAR

Graças à sua moderna estrutura fabril, no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM), Farmanguinhos pôde variar suas linhas produtivas, o que refletiu diretamente na performance apresentada nos últimos meses. Desde o início da pandemia, o Instituto produziu mais de 15 milhões de cápsulas do imunossupressor tacrolimo, utilizado para evitar rejeição de órgão transplantado.

A unidade fabricou ainda os antivirais Ribavirina, para hepatite C; e Oseltamivir, para Influenza A (H1N1); e proveu o tratamento de malária, antecipando todo o fornecimento do ano do medicamento a Cloroquina. A instituição entregou também Isoniazida de 300 mg, usada por pacientes com tuberculose; Praziquantel, para tratamento de esquistossomose; e Vitamina A, para suplementação mineral.

ASSISTÊNCIA A HIV/AIDS

Farmanguinhos tem conferido uma atenção especial à produção de antirretrovirais. Essa categoria de medicamentos é extremamente importante no tratamento de outra parcela da população vulnerável a Covid-19: as pessoas que vivem com HIV/Aids. Ao todo, foram produzidas quase 32 milhões de unidades farmacêuticas de Lamivudina, Efavirenz, Nevirapina e Zidovudina, além das Doses Fixas Combinadas: Lamivudina+Zidovudina e Tenofovir+Lamivudina.

Jorge Mendonça destaca todo o esforço institucional para superar os desafios e transmitir aos pacientes a confiança e garantia da continuidade dos tratamentos. “Desde o início do isolamento social no Brasil, Farmanguinhos se organizou e criou um plano de contingência institucional, que estabelece as orientações e medidas para resguardar a saúde dos nossos profissionais a fim de manter as atividades essenciais. Criamos condições seguras de trabalho, da saída ao retorno do profissional a sua respectiva residência”, ressalta o diretor.

Mesmo com todos os esforços e medidas internas de prevenção, o vírus se espalha rapidamente e espera o mínimo descuido para agir. Sob esse aspecto, a chefe do Departamento de Produção, Beatriz da Silva, explica a dinâmica para suprir a ausência de profissionais afetados pela doença. “Tivemos alguns casos suspeitos de Covid e, para que os afastamentos não afetassem as demandas, reprogramamos alguns lotes para nos adequar. Organizamos plantões extras aos sábados, colaboradores de atividades administrativas passaram a dar suporte e conseguimos nos desdobrar para manter processos produtivos sem interrupções”, observa Beatriz.

Outras importantes áreas, que fazem parte do processo, mantiveram os profissionais em atuação para que o medicamento seja produzido e chegue às mãos dos pacientes. Para se ter uma ideia da alta performance institucional, além dos medicamentos enviados para o SUS, foi concluída a produção de lotes-piloto do Atazanavir, com vistas à inclusão de Farmanguinhos como local de fabricação deste importante antirretroviral.

Farmanguinhos/Fiocruz, Viviane Oliveira
Imagem: Farmanguinhos/Fiocruz

Jogo online da Fiocruz ensina a lavar as mãos corretamente

Uma das principais estratégias para a prevenir a infecção pelo novo coronavírus é a lavagem correta das mãos. A medida simples e eficiente também contribui para o combate a diversas doenças provocadas por microrganismos, como gripe, diarreia e hepatite A.

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) alertam que descuidar do hábito, que deveria ser instintivo, pode causar danos à saúde. A higienização adequada inclui, além do uso de água e sabão, uma série de movimentos que tem por objetivo cobrir todas as partes das mãos.

Os pesquisadores Tânia Zaverucha do Valle, do Laboratório de Imunomodulação e Protozoologia, e Gabriel Limaverde Sousa, do Laboratório de Esquistossomose Experimental do IOC, idealizaram um jogo que tem como objetivo promover a conscientização sobre a prática.

Chamada Hiji Sushi, a atividade simula o cenário de um restaurante de culinária japonesa. Para quem joga, o desafio é preparar refeições com rapidez e eficiência e, ao mesmo tempo, ter atenção à lavagem das mãos. O personagem só consegue avançar na pontuação quando segue corretamente o passo a passo da higienização adequada.

“Desenvolvemos um jogo eletrônico que reúne diversão e informação em saúde. A ideia é estimular não somente a lavagem correta das mãos, mas lembrar que o hábito de higienização deve ser regular”, explicou Tânia. “O jogo mostra que para preparar as refeições de maneira contínua e sem causar mal a ninguém é necessário higienizar bem as mãos, uma das consequências ao esquecer disso, por exemplo, é a intoxicação dos ‘clientes’ do restaurante”, complementou Gabriel. O jogo também contou com a colaboração de Thiago Santos Magalhães, responsável pelo design e programação, Rafael Augusto Ribeiro e Beatriz de Lima Furtado, responsáveis pela arte.

O material pode ser acessado online, na página do IOC/Fiocruz, e está disponível para download gratuito.

EDUCAÇÃO EM SAÚDE

O material educativo foi desenvolvido ao longo de 2019 com o apoio do edital para Recursos Comunicacionais e Educacionais Abertos (REA) da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz. Livros, jogos e produtos informativos abordam temas importantes para a saúde pública, como a conscientização sobre os impactos do uso de drogas, juventude e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Os conteúdos estão disponíveis para download gratuito na plataforma Educare, um espaço para a educação aberta criado pela Fiocruz.

IOC/Fiocruz, por Lucas Rocha (IOC/Fiocruz
Imagem: Reprodução

 

Fiocruz lança módulo de atenção hospitalar do curso Covid-19

A Covid-19 nos impõe números cada vez mais alarmantes. O Brasil bateu novamente seu recorde de mortes por complicações pela doença nesta quarta-feira (3/6), registrando 1.349 óbitos em um dia, segundo dados do Ministério da Saúde (MS). Em um esforço para contribuir com a formação de profissionais de saúde, o Campus Virtual Fiocruz lança mais um módulo do curso online Covid-19: manejo da infecção causada pelo novo coronavírus. Independente, como os dois primeiros módulos, ele trata de questões específicas voltadas à atenção hospitalar, além de trazer uma aula sobre manejo clínico de gestantes ou puérperas suspeitas ou confirmadas para Covid-19, que inicialmente não estava prevista. Em função da pandemia, para responder à demanda dos profissionais que estão na linha de frente do atendimento, o conteúdo foi produzido e publicado em caráter de urgência, ratificando o aspecto inovador, dinâmico e responsável da formação.

O curso, que já conta com 36 mil inscritos em todo o país e até fora dele, é aberto, gratuito, autoinstrucional e oferecido à distância (EAD), permitindo que qualquer pessoa interessada se inscreva. A qualificação é dirigida especialmente a trabalhadores de Unidades Básicas de Saúde (UBS), redes hospitalares, clínicas e consultórios.

Ele foi elaborado por pesquisadores e especialistas da Fiocruz envolvidos nas ações de vigilância e assistência e apresenta estratégias para conter a curva epidêmica da doença, instrumentalizando os profissionais que estão na linha de frente do combate ao coronavírus com a experiência de tantos profissionais da Fundação.

A coordenadora geral do curso e do Campus Virtual Fiocruz (CVF), Ana Furniel, destaca que o Módulo 3, foi o mais complexo na produção. Tal fato se deu especialmente em função das discussões em torno de suportes farmacológicos. “Durante seu desenvolvimento, tivemos muitas vezes que rever o conteúdo em função da divulgação de notas técnicas dos órgãos responsáveis, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e o Ministério da Saúde (MS) – MS, ou ainda em função de atualizações na literatura científica”, explicou.

Confira todos os temas abordados no terceiro módulo aqui. O módulo Manejo clínico da Covid-19 na atenção hospitalar é composto de 7 aulas, totalizando 30 horas de formação. Os especialistas contribuíram com textos, videoaulas e com a revisão técnica de todo o material — que é apresentado com uma linguagem simples e num formato dinâmico, interativo e atraente.

MANEJO CLÍNICO DA GESTANTE E PUÉRPERA

Um desafio muito específico sobre a temática da aula 6 é a interface entre os campos do manejo obstétrico, clínico e da terapia intensiva. Essa questão foi destacada por Maria Mendes Gomes, responsável pelo conteúdo Manejo clínico da gestante e puérpera no contexto da Covid-19. Ela – que é pesquisadora e docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e da Mulher do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e consultora das Coordenações de Saúde da Mulher e da Criança e de Aleitamento Materno do Ministério da Saúde -, divide a autoria do conteúdo com outros dois pesquisadores também do IFF: Maria Teresa Massari e Marcos Dias.

“As gestantes e mulheres no ciclo gravídico-puerperal têm especificidades em relação às questões hemodinâmicas, ventilatórias e do controle da fisiopatologia da Covid-19. Entendemos que é nosso papel institucional superar os desafio para a qualificação profissional neste momento em que vivemos um contexto de pandemia. Transpor essas adversidades é importante para a definição da prática clínica, mas a Fiocruz e, particularmente, o IFF não se omitiram e atuaram nacionalmente na disseminação das melhores evidências disponíveis. O Portal de Boas Práticas, coordenado pelo IFF, e a nossa participação neste módulo do curso são bons exemplos”, detalhou Maria.

Sobre as questões de detecção precoce e manejo clínico inicial da Covid-19, o responsável pelo conteúdo das aulas 1 e 2 do módulo 3, Victor Grabois, que é pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e coordenador-executivo do Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Proqualis/Icict/Fiocruz), destacou que o grande desafio desta empreitada é acompanhar o ritmo de produção, inovações científicas e novidades que surgiram ao longo do processo. “É um permanente trabalho de atualização e decisão sobre o que considerar como conteúdo relevante para os profissionais. Mas acredito que conseguimos, coletivamente, ser bem sucedidos nesta tarefa”, comentou.

CURSO COVID-19: MANEJO DA INFECÇÃO CAUSADA PELO NOVO CORONAVÍRUS

A iniciativa foi lançada pelo Campus Virtual Fiocruz (CVF) em 15 de abril e é composta de três módulos independentes: um sobre conceitos básicos e dois sobre o manejo clínico. Cada aluno pode escolher quais módulos quer cursar e em que ordem. Os conhecimentos são avaliados ao fim de cada módulo. Quem obtiver nota maior ou igual a 70, recebe um micro certificado com a carga horária correspondente. O aluno que acessar todos os módulos e concluir todas as avaliações com sucesso receberá um certificado com a carga horária total do curso (45h).

Esta formação é uma realização do Campus Virtual Fiocruz, vinculado à Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, mas tem o apoio de diferentes unidades da Fundação: Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), Fiocruz Brasília, Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), e ainda do Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Proqualis/Icict) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS).

Clique aqui e inscreva-se no curso Covid-19: manejo da infecção causada pelo novo coronavírus.

Campus Virtual Fiocruz, por Isabela Schincariol.
Foto: Divulgação

Fiocruz lança Guia de Recursos Educacionais Abertos

O que é educação aberta? Para o que serve? Como utilizar recursos educacionais abertos? Como empregá-los na área de educação? Essas e muitas outras questões são abordadas e debatidas no Guia de Recursos Educacionais Abertos: Conceitos e Práticas, que acaba de ser lançado pelo Campus Virtual Fiocruz. No contexto da pandemia, está cada vez mais necessário e urgente a utilização de materiais didáticos digitais. O Guia tem como finalidade apresentar conceitos, princípios e práticas sobre REA, ou Open Educational Resources (OER, na sigla em inglês), e contou com a contribuição de parceiros da Rede REA/OER – um projeto da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), do Campus Virtual de Saúde Pública/Opas e da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).

O material é dividido em duas grandes partes. A primeira aborda os conceitos, princípios e práticas sobre REA, o cenário internacional dos Recursos Educacionais Abertos, seus formatos e padrões. A segunda seção trata de questões de criação, avaliação da qualidade dos REA, seus aspectos legais e um glossário com os principais termos utilizados.

O Guia conta com uma versão navegável online, mas também pode ser baixado em pfd para impressão na Plataforma Educare.

A coordenadora do Campus Virtual Fiocruz, Ana Furniel, ressalta que o Guia estabelece alguns padrões e formatos comuns, sendo um dos componentes da Plataforma Educare, cuja ideia é disseminar a importância do uso e o desenvolvimento dos recursos educacionais aberto em suas diferentes utilizações”. Ela aponta ainda que o conteúdo do guia integrará também, de forma diferenciada, o próximo módulo do Curso de Ciência Aberta da Fiocruz, específico sobre Educação Aberta e REA, com lançamento previsto para o mês de agosto.

A publicação adota o conceito de REA da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que considera REA cursos completos, partes de cursos, módulos, livros didáticos, vídeos, testes, software, e qualquer outra ferramenta, material ou técnica que possa ampliar o acesso ao conhecimento e apoiar as atividades de ensino. A coordenadora adjunta do CVF, Rosane Mendes, salienta que o Guia traz informações importantes para o processo de desenvolvimento de um recurso do ponto de vista tecnológico. Segundo ela, “o uso de formatos técnicos abertos facilita o acesso e reuso potencial dos recursos publicados digitalmente”, detalha Rosane.

A coordenação do Guia, assim como seu conteúdo, foi elaborado por Ana Furniel, Ana Paula Mendonça e Rosane Mendes, do Campus Virtual Fiocruz, ligado à Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz).

RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS NA FIOCRUZ

Em 2014, a Fundação Oswaldo Cruz, instituiu sua Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, visando garantir à sociedade o acesso gratuito, público e aberto ao conteúdo integral de toda sua obra intelectual. No mesmo ano, criou um Grupo de Trabalho para discutir e propor um conjunto de diretrizes para o desenvolvimento e a adoção de REA na Fiocruz, em conjunto com parceiros, como o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme/Opas), o CVSP/Opas e a Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS/MS).

Nesse movimento de ampliação de cursos virtuais e adoção e construção de plataformas abertas que incentivem a construção colaborativa e o compartilhamento de conhecimentos, em 2016, criou o Campus Virtual Fiocruz, cujo objetivo é integrar as iniciativas da Fiocruz na área de Ensino, e disponibilizar Ferramentas Educacionais que colaborem com os princípios do acesso aberto, tais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem Moodle, um ambiente para os seus cursos online aberto e massivo (Mooc – Massive Open Online Course, na sigla em inglês), e o Educare – Ecossistema de Recursos Educacionais.

Isabela Schincariol (Campus Virtual Fiocruz)
Imagem: Divulgação

Pesquisa revela que desigualdades sociais contribuíram para o aumento explosivo de mortes em Manaus

Estudo aponta que a gravidade da epidemia de Covid-19 em Manaus e o elevado número de mortalidade têm suas raízes na grande desigualdade social, fraca efetividade de políticas públicas e fragilidade dos serviços de saúde na cidade.

Para a investigação foram usados dados de mortalidade oriundos da Central de Informações do Registro Civil (CRC) Nacional e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), durante a 11ª e a 16ª semana epidemiológica (período de 15 de março a 25 de abril de 2020), revela o pesquisador Jesem Orellana, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Ele adianta que apesar das incertezas sobre mortalidade específica por Covid-19 é possível estimar o impacto da epidemia indiretamente, mediante o indicador de mortalidade geral, que avalia o excesso de óbitos ou o número de mortes não esperadas na população.

Jesem Orellana

“Normalmente, o indicador de mortalidade geral, varia pouco ou quase nada em curto espaço de tempo. Somente em situações excepcionais como desastres naturais, guerras ou de crise sociossanitária pode haver repentina e sustentada variação no padrão de mortalidade da população. Portanto, em tempos de ampla disseminação do novo coronavírus, especialmente em contexto sociossanitário desfavorável, espera-se não só maciço contágio e adoecimento, como também elevado e atípico número de óbitos”, comenta o pesquisador.

Além da Covid-19, outras possíveis causas de mortes foram consideradas pela CRC, como síndrome respiratória aguda grave (SRAG); pneumonia; septicemia; e insuficiência respiratória. Os óbitos não classificados em nenhuma dessas condições foram incluídos na categoria “demais causas”. Por fim, as mortes “indeterminadas” (causas de mortes ligadas a doenças respiratórias, mas não conclusivas) que representaram menos de 1% da amostra avaliada e não foram apresentadas separadamente.

A análise mostrou uma similaridade entre o total de óbitos registrados em 2019 e 2018, ao longo das semanas selecionadas em março e abril. Porém, ao se fazer uma comparação entre o total de óbitos de 2020 e 2019, observou-se um excesso de mortalidade, a partir da 14ª semana epidemiológica de 2020 e uma explosão na 16ª semana na qual o número de óbitos foi 200% maior do que o observado em 2019.

O expressivo aumento de mortes a partir da 14ª semana, deu-se aproximadamente 15 dias após a confirmação dos 30 primeiros casos de Covid-19 em Manaus. Já o alarmante e inédito aumento do número de mortes na 16ª semana, coincidiu com o colapso da rede pública hospitalar, gerando um aumento três vezes maior de sepultamentos diários.

Nesse período, as mortes em casa e em via pública também aumentaram, bem como os casos de Covid-19 nos municípios vizinhos. Esse conjunto de acontecimentos resultou, provavelmente, de uma grande aceleração da epidemia em Manaus nas semanas anteriores, contribuindo para a consolidação de uma crise sociossanitária sem precedentes.

“Variações no indicador de mortalidade geral, em cenário de crise sociossanitária, não estão restritas  a países de baixa e média renda, pois um número excessivo de mortes, também foi observado em Nova York e outras cidades da Europa, especialmente na Itália e Espanha, reforçando que a subnotificação na mortalidade específica por Covid-19 tem ocorrido nos mais diferentes contextos e regiões do planeta”, observa o pesquisador.

O estudo também aponta ainda que em Manaus quase 70% das mortes ocorreram em pessoas com 60 anos ou mais, um dado semelhante aos mostrados em estudos realizados em outros países, e que confirmam que nesse segmento populacional, as comorbidades têm sido associadas com um prognóstico pior em casos de internação por Covid-19.

Outro dado que corrobora com outros estudos, diz respeito aos diferenciais por sexo, com risco de mortalidade maior entre os homens, e um aumento explosivo de mortalidade por problemas respiratórios, que são complicações comuns da Covid-19.

Para o pesquisador, “reforços devem ser envidados rapidamente por gestores das três esferas de governo de modo a conter ou minorar o efeito deletério da Covid-19 em Manaus, sobretudo em áreas mais precárias, onde o impacto da pandemia sobre a mortalidade tende a ser mais acentuado”, conclui Orellana.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Eduardo Gomes-ILMD/Fiocruz Amazônia
Imagem: Mackesy Nascimento

Vice-presidente de Educação da Fiocruz fala sobre formação de profissionais de saúde na pandemia

Formar profissionais para o Sistema Único de Saúde (SUS) é missão da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – e um dos pilares para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Para marcar os 120 anos da instituição, celebrados neste 25 de maio, o Campus Virtual Fiocruz conversou com a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado. Em entrevista, ela compartilha desafios, estratégias e ações para superar a crise sanitária.

Cristiani trata das ações voltadas à formação dos profissionais de saúde em todo o país, da integração entre as diversas unidades, de alternativas pensadas durante a pandemia e para depois da crise, além da importância do financiamento para as áreas sob sua gestão. “As ações na área de educação mostram que a comunidade acadêmico-científica está muito mobilizada, refletem nossa diversidade e o quanto a Fiocruz. Seus pesquisadores, professores e alunos estão interessados em desenvolver projetos para enfrentar essa crise sanitária e outras doenças infecciosas importantes em saúde pública para o Brasil”, afirma a vice-presidente. Leia a entrevista completa a seguir.

CVF: Como a área de educação está lidando com as urgentes mudanças impostas pela pandemia de Covid-19?

Cristiani Vieira Machado: As ações de educação frente à pandemia estão estruturadas em três grandes vertentes: formação profissional para o Sistema Único de Saúde (SUS), adaptação das atividades educacionais em face da suspensão das aulas presenciais e investimentos em novos cursos e recursos para a educação.

A primeira contempla o desenvolvimento de cursos, materiais didáticos, cartilhas, podcasts e uma série de protocolos, guias e informações para os profissionais de saúde, em especial os que estão na linha de frente de atendimento nos serviços de saúde.

A segunda vertente é de adaptação das atividades educacionais da Fiocruz, devido à suspensão das atividades presenciais. A Fundação está presente em 11 estados, e todos apresentaram transmissão comunitária do coronavírus e aumento progressivo de casos da doença. Enquanto esses números de casos e de óbitos continuarem a crescer, as atividades presenciais nas unidades não poderão ser retomadas. Destaco que, aliadas ao Plano de Contingência da Fiocruz, incorporamos Orientações complementares para pós-graduação, que se traduzem em 11 diretrizes.

A terceira dimensão diz respeito aos investimentos em disciplinas e cursos, principalmente e com utilização de material de base na modalidade à distância (EAD), sobre temas estratégicos e transversais, assim como em recursos educacionais. Com as ofertas, fortalecemos o SUS, o sistema de Ciência e Tecnologia (C&T) e a atuação de profissionais de saúde, pesquisadores e professores. Já temos trabalhado nessa lógica de disciplinas transversais sobre temas estratégicos para a formação de alunos de diferentes programas e cursos de pós-graduação da Fiocruz, como: divulgação científica, metodologia científica, ciência aberta, biossegurança. Outras disciplinas transversais já foram propostas e ainda serão desenvolvidas, como sobre integridade e ética em pesquisa, história da saúde públicae o SUS, entre outros temas.

Dessa forma, os materiais que elaboramos ganham abrangência, podendo ser apropriados pelos programas Stricto e Lato sensu. Por exemplo, a disciplina Introdução à Divulgação Científica, que faz parte do Programa de Pós-graduação em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da Casa de Oswaldo Cruz, em 2019 foi cursada por mais de 100 alunos, de 14 programas stricto sensu da Fundação, em diferentes estados, com base em um material EAD, complementada por atividades interativas. Neste caso, é uma disciplina eletiva, desenvolvida num modelo híbrido, que permite interações dos alunos com o professor e o coordenador, ao incluir componentes como fóruns de debates ou oficinas presenciais e uma avaliação final. Essa mesma disciplina também está disponível sob a forma de curso online, autoinstrucional e aberto ao público externo, que teve 15.400 alunos.

CVF: Quais são as principais iniciativas na área de educação para formar, capacitar e informar profissionais de saúde neste contexto de crise?

Cristiani Vieira Machado: As unidades têm desenvolvido inúmeras iniciativas importantes nesse sentido, há também muitos alunos inseridos em ações de apoio ao enfrentamento da Covid-19, e desenvolvemos algumas propostas na vice-presidência.

A Escola Politécnica em Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) preparou cartilhas muito interessantes voltadas à capacitação de agentes comunitários de saúde, agentes de combate a endemias e cuidadores de idosos, profissionais que lidam com  grupos diretamente afetados pela Covid-19. Já a Fiocruz Brasília lançou o curso de atualização em Saúde Mental e Atenção Psicossocial na Covid-19, oferecido na modalidade à distância, que se integra à produção de uma série de materiais sobre este tema. Isso inclui a colaboração com pós-graduandos de outras unidades, como a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). A Fiocruz Brasília também organizou, junto à Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS), um hotsite para profissionais de saúde e afins.

Uma iniciativa importante para alcançar milhares de profissionais de saúde é o curso Covid-19: manejo da infecção causada pelo novo coronavírus, desenvolvido pelo Campus Virtual Fiocruz. A formação à distância é aberta, mas especialmente voltada a trabalhadores de saúde da linha de frente. Em pouco mais de um mês chegamos a 34 mil pessoas em todo o Brasil e mais de 20 países. O curso mobilizou especialmente o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) e a Ensp, mas contou com a colaboração de várias unidades da Fiocruz – Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), por meio da VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, Fiocruz Brasília e Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF).

O primeiro e o segundo módulos do curso – Introdução ao novo coronavírus e Manejo Clínico na Atenção Básica já foram lançados. Nesta semana do aniversário de 120 anos da Fiocruz, abriremos as inscrições para terceira parte da formação, que trata do manejo clínico na atenção especializada da Covid-19. O curso, que a princípio estava organizado em três módulos,  tem a previsão de ganhar ao menos mais duas disciplinas que serão eletivas para os já inscritos: uma, sobre saúde das populações indígenas; e outra, voltada à saúde nas prisões, temas de grande invisibilidade no contexto brasileiro, que são estratégicos no enfrentamento da doença. Além de ser elaborado por especialistas da Fiocruz, traz um conjunto de referências, protocolos e links para sites confiáveis sobre a Covid-19, que são fontes para os participantes se manterem sempre atualizados sobre o tema. Esse é um compromisso nosso: na medida em que novas informações forem descobertas, buscaremos atualizar os principais aspectos do curso. Ressalto que foi extremamente desafiador lidar com uma condição tão nova, sobre a qual ainda estamos aprendendo e existe uma série de incertezas, principalmente no que se refere ao manejo da doença. Tem sido uma experiência muito positiva.

CVF: Qual o papel dos residentes, da formação em serviços no cenário da pandemia? Por favor, comente as ações desenvolvidas para esses profissionais?

Cristiani Vieira Machado: Os residentes estão trabalhando intensamente no enfrentamento da crise, com uma contribuição absolutamente relevante e decisiva para os seus campos de prática, que muitas vezes são unidades assistenciais de Atenção Primária à Saúde, localizadas em territórios vulnerabilizados. É o caso de Manguinhos, no Rio de Janeiro, por meio do Projeto Teias, ou das unidades de saúde da rede no Mato Grosso do Sul, por exemplo. Atualmente, há 30 programas de residência nas unidades da Fiocruz, alguns começaram a funcionar neste ano. Temos também residências em hospitais, no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) e no Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF).

No que diz respeito a esse grupo, que envolve as residências médica, de enfermagem e multidisciplinar buscamos formular orientações complementares específicas para orientar o exercício de suas atividades nos campos de práticas.

Nossa principal preocupação é assegurar as condições mínimas de trabalho e segurança aos que estão atuando de forma tão dedicada. Esses pontos estão entre as nossas 11 orientações complementares ao Plano de Contingência da Fiocruz e visam salvaguardar as condições de trabalho dos residentes, o respeito à carga horária, o fornecimento e uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPI) – que, vale ressaltar, deve ser garantido a todos os profissionais de saúde –, a compatibilidade entre atividades teóricas e práticas/assistenciais, de acordo com o momento da trajetória do residente, entre outras. Houve reuniões das equipes de coordenação com nossos residentes para verificar e assegurar as melhores condições de trabalho possíveis. Também atuamos no sentido de oferecer suporte psicológico e emocional a eles.

CVF: Conte-nos sobre as iniciativas da Vice-Presidência de Educação e Comunicação para dar continuidade às ações neste momento em que a recomendação é o distanciamento social?

Cristiani Vieira Machado: Como comentei, além de seguir as orientações gerais e elaborar orientações complementares, temos pensado um conjunto de medidas para incentivar que as unidades da Fiocruz, nossos programas e cursos continuem a desenvolvê-las, sempre respeitando a diversidade entre territórios, cursos, modalidades de ensino, grades curriculares, trajetórias formativas, itinerários de formação e também o perfil dos alunos.

Temos uma série de desafios pedagógicos, tecnológicos, culturais e de acesso que não são resolvidos da noite para o dia. Somente no Stricto sensu, temos 43 programas de pós-graduação em áreas de conhecimento que vão desde a pesquisa laboratorial básica até as ciências sociais e humanas em saúde, passando pela saúde pública e programas interdisciplinares. Os discentes dos cursos de saúde pública e de medicina muitas vezes estão inseridos no sistema de saúde, na ponta do serviço, e agora, por exemplo, estão trabalhando fortemente na pandemia, sem dedicação exclusiva aos cursos. Caso diferente dos alunos da área da pesquisa básica e das ciências sociais e humanas em saúde, que, em sua maioria, são alunos dedicados exclusivamente à pós-graduação.

Devemos respeitar essa diversidade. Na medida do possível, as unidades devem adotar atividades educacionais remotas, sempre considerando as especificidades já citadas, bem como as condições socioeconômicas dos alunos, pois é necessário também assegurar o acesso deles às tecnologias etc. É ponto pacífico de nossas discussões que não há como substituir atividade presencial por remota, automaticamente. Da mesma forma que atividade virtual não é sinônimo de educação à distância. Temos tradição em formações concebidas em EAD, principalmente voltadas à qualificação profissional — caso do novo curso sobre manejo da Covid-19. Mas os cursos online têm desenhos diferentes das formações presenciais. Adotar formas de atividade e interação virtual num curso originalmente presencial é uma mudança complexa, com processo de adaptação lento. Não basta o professor, de uma hora para outra, estar na frente do computador falando para vários alunos ao mesmo tempo.

Começamos a nos preparar e oferecer ferramentas de interação virtual para os cursos e programas de forma célere. O Campus Virtual Fiocruz preparou o Guia de Tecnologias Educacionais, com diversas soluções tecnológicas que pudessem ser incorporadas aos poucos pela comunidade acadêmica. Também oferecemos informações e tutoriais para o uso de ferramentas já disponíveis na Fiocruz: as salas virtuais da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e o Microsoft Teams; além de adquirirmos licença para o uso da plataforma de videoconferências Zoom. Nossa ideia é ter, pelo menos neste primeiro momento, três diferentes possibilidades para as atividades educacionais.

Oferecemos treinamentos e elaboramos materiais, particularmente voltados às diretrizes para educação, dirigidos à comunidade de professores e às Secretarias Acadêmicas. E abrimos um processo de debate com as diferentes unidades da Fiocruz. Cerca de um mês depois da suspensão das atividades presenciais não essenciais, elaboramos um questionário para avaliar como cada unidade estava se adaptando e que atividades estão realizando. As respostas ao questionário têm ajudado a traçar um diagnóstico e analisar a situação como um todo.

Debatemos essa temática no Fórum de Stricto sensu e na Câmara Técnica de Educação (CTE). Em nosso mais recente encontro da Câmara (nos dias 20 e 21/5), realizado remotamente, tivemos mais de 130 participantes e foi muito rico. Houve relatos de experiências dos diferentes cursos, como cada um está lidando com as novas necessidades e que tipos de atividades estão desenvolvendo. Alguns programas passaram a oferecer disciplinas ou parte delas de forma virtual. Outros, estão organizando seminários em torno de temas relacionados à Covid-19. E, ainda, tem aqueles que estão desenvolvendo materiais educacionais para seus alunos e fazendo orientações virtuais. O interessante é observar que todos, de alguma forma, passaram por algum tipo de adaptação das atividades. Para o segundo semestre, já de forma mais planejada e organizada, tentaremos maior dinamização das nossas atividades. Mas isso ainda requer o diagnóstico mais detalhado sobre a situação dos alunos, preparação pedagógica, replanejamento dos cursos, enfim, requer muito diálogo e preparação interna. Além disso, há questões tecnológicas e de conectividade que precisam ser equacionadas para não ampliar as desigualdades.

CVF: Já estão sendo pensadas novas alternativas em relação à educação para o cenário pós-pandemia?

Cristiani Vieira Machado: Iniciamos durante a reunião da Câmara Técnica de Educação uma discussão de planejamento mais estruturado para o segundo semestre de 2020, cientes de que vai ser muito difícil retomar as aulas presenciais neste momento. Nosso foco é buscar condições para garantir a preparação dos docentes e alunos, garantindo acesso à conexão e outras condições para que possam realizar suas atividades, na medida do possível. Não podemos esquecer que não se trata de uma conversão automática do que já se tinha e vivia. É, na verdade, um processo de adaptação dos nossos cursos para uma nova realidade.  Pode ser inclusive necessário assegurar eventualmente a possibilidade de ida aos campi da Fiocruz, para quem precisar — como para atividades laboratoriais, uso de equipamentos de informática em caso dificuldades de acesso, entre outras situações específicas.

O cenário pós-pandemia ainda é incerto, a depender da evolução da doença no país, o que nos leva a um processo de revisão permanente do nosso planejamento. Trabalhando nessa perspectiva, estamos intensificando o diálogo com as unidades num movimento de preparação coletiva. Já agendamos as reuniões da CTE em junho e julho para avaliarmos a situação e avançarmos nessas questões. Para além disso, cada unidade fará uma oficina interna de planejamento, discutindo suas atividades educacionais. Na sequência, apoiaremos esse debate em diálogo com as unidades da Fiocruz. O objetivo é ajudá-las em seus planejamentos à luz das especificidades dos cursos de cada uma.

Sabemos que não teremos condições iguais às de antes. Falam em “novo normal” e isso implica diretamente reorganizar algumas nossas atividades e nossos ambientes educacionais para oferecer mais segurança a todos. Sem falar na aposta em novas formas de interação virtual, outros ambientes, outras adequações… Portanto, nós já começamos a traçar esse planejamento, que será construído em diálogo com as unidades nos próximos meses.

CVF: Qual a importância dos editais emergenciais que foram lançados recentemente?

Cristiani Vieira Machado: A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) lançou recentemente o Programa Estratégico Emergencial de Combate a Surtos, Endemias, Epidemias e Pandemias, que tem o objetivo de apoiar projetos de pesquisa e formação de recursos humanos altamente qualificados, no âmbito dos programas de pós-graduação Stricto sensu, voltados ao enfrentamento da Covid-19 e em temas relacionados a endemias e epidemias típicas do país. São voltados a docentes e discentes com pesquisas relacionadas ao tema. Com isso, vários programas nossos das áreas de infectologia, saúde pública, pesquisa básica relacionada a doenças infecciosas e outros foram contemplados.

As Ações Estratégicas Emergenciais Imediatas consistem na concessão emergencial de bolsas de mestrado e doutorado para programas de pós-graduação Stricto sensu com notas 5, 6 e 7. Algumas unidades já tinham alunos estudando essas temáticas correlatas, outros abriram processos seletivos, como o curso de Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e os cursos da Ensp.

Outra iniciativa importante foi o edital para projetos em áreas específicas: Epidemias; Fármacos e Imunologia; e Telemedicina e Análise de Dados Médicos, para ao qual a Fiocruz submeteu oito projetos… As ações na área de educação mostram que a comunidade acadêmico-científica está muito mobilizada, refletem nossa diversidade e o quanto a Fiocruz, seus pesquisadores, professores e alunos estão interessados em desenvolver projetos para enfrentar essa crise sanitária e outros problemas de saúde relevantes no Brasil, fortalecendo o SUS.

Por: Isabela Schincariol (Campus Virtual Fiocruz) / Colaboração: Flávia Lobato
Fotos: Divugação (Foto 1) / Érico Xavier (Foto 2)

Inscrições prorrogadas para a Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente

Em função dos impactos causados pelo isolamento social para o enfrentamento da pandemia do Coronavírus, a Coordenação da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma) anunciou a prorrogação das inscrições da 10ª edição, que estavam previstas até o dia 30 de junho.

A partir de agora, professores da educação básica de todo o país terão até o dia 13 de dezembro, para inscrever os trabalhos de seus alunos do Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) e Ensino Médio (incluindo a Educação de Jovens e Adultos – EJA), desenvolvidos entre 2019 e 2020, nas modalidades  Produção Audiovisual, Produção de Textos e Projeto de Ciências.

A medida foi adotada para que professores e alunos tenham tempo hábil para a idealização e desenvolvimento dos trabalhos. Além disso, a decisão reforça o Plano de Contingência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para o enfrentamento ao Covid-19 em todo o território nacional.

Os trabalhos inscritos devem ser originais e abordar obrigatoriamente as temáticas relacionadas à saúde e o meio ambiente. O processo de avaliação será dividido em duas etapas: regional e nacional, sendo que os premiados na etapa regional estarão aptos a concorrer à etapa nacional.

A iniciativa premiará os 36 melhores trabalhos sobre saúde e meio ambiente com uma viagem ao Rio de Janeiro, para que alunos e professores participem de atividades científicas e culturais na cidade. Além da premiação nacional, também será oferecido o Prêmio “Menina Hoje, Cientista Amanhã” a um trabalho desenvolvido especificamente por grupos de alunas e professoras do gênero feminino.

As inscrições para a 10ª Obsma, devem ser realizadas exclusivamente pelo site oficial www.olimpiada.fiocruz.br. Também é de fundamental importância que os professores leiam o regulamento completo e se atentem ao envio dos trabalhos de acordo com a sua região. Para facilitar a organização, a Olimpíada está dividida em seis Coordenações Regionais: Centro Oeste, Minas-Sul, Nordeste I, Nordeste II, Norte e Sudeste (os endereços estão disponíveis no site).

Para acompanhar todas as novidades sobre a Obsma, fique atento às nossas redes sociais: Facebook e Instagram. Por meio desses canais, são compartilhados diariamente conteúdos e informações de grande relevância e, em breve, também serão divulgados novas ações e projetos voltados aos professores.

Em caso de dúvidas, o professor deve entrar em contato com a Coordenação da Olimpíada pelo e-mail: olimpiada@fiocruz.br ou o telefone (21) 3882-9291.

 ICC/Fiocruz Paraná, por Samantha Mahara Martynowicz

Fiocruz faz 120 anos diante do maior desafio do século 21

A Fiocruz completa 120 anos nesta segunda-feira (25/5). A data chega no momento em que o Brasil e o mundo enfrentam o maior desafio sanitário, econômico, social, humanitário e político do século 21, a pandemia da Covid-19. Com o nome de Instituto Soroterápico Federal, a instituição foi criada com o objetivo de combater epidemias como a da peste bubônica, da febre amarela e da varíola, que ameaçavam a então capital da República, o Rio de Janeiro. Mais de um século depois, agora na pandemia do novo coronavírus, a atual Fundação Oswaldo Cruz, maior instituição de pesquisa biomédica da América Latina, continua na linha de frente do enfrentamento das doenças.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, afirma que “a Fundação, presente em todas as regiões brasileiras, vem se dedicando diuturnamente a apresentar propostas e soluções, a elaborar pesquisas que respondam a perguntas ainda sem resposta, a formular e implantar ações estratégicas de atenção e promoção da saúde, como a construção do Centro Hospitalar para a Pandemia Covid-19, uma ação de referência com o Ministério da Saúde, entre muitas outras iniciativas”.

Ela acrescenta que “ao completar 120 anos a Fiocruz reafirma o seu compromisso com o SUS, a grande fortaleza que o Brasil tem neste momento, e que precisa ser fortalecido, e reafirma seu compromisso com ações que se voltem para a defesa da vida e da população”. Nesta segunda-feira, às, 10h, a presidente participou de um debate virtual sobre os 120 anos da Fiocruz e a defesa da vida no canal da Fundação no YouTube, com a presença de representantes de instituições da saúde e da sociedade civil.

Nísia recorda que “desde o início do século 20 e da grande obra de Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e tantos outros cientistas, que enfrentaram as epidemias da época e as então chamadas Doenças do Sertão, que eram as enfermidades do Brasil profundo, como a doença de Chagas, nossa instituição é um patrimônio do país porque revela o valor da ciência dedicada a resolver as grandes questões da vida dos brasileiros. E hoje não só dos brasileiros, uma vez que nossas contribuições, incluindo aquelas relacionadas à pandemia do novo coronavírus, têm uma abrangência internacional”.

Nísia ressalta que a doença não será a mesma em todos os lugares. “No Brasil, o maior desafio consiste na desigualdade social expressa nos mais diferentes indicadores: alta taxa de desemprego e trabalho informal e condições precárias de moradia, com habitações sem acesso ao saneamento. Acrescente-se a alta prevalência de doenças crônicas entre os maiores de 18 anos, o que implica a presença de fatores de risco para um terço da população e o consequente rejuvenescimento da Covid-19. Não menos importantes são as desigualdades regionais, especialmente no que se refere ao acesso a leitos de UTI”. Para Nísia, “o momento requer solidariedade, participação ativa da sociedade e forte presença do Estado. Salvar vidas, fortalecer o SUS e, como parte dele, o Complexo Econômico e Industrial da Saúde, são os desafios que se impõem à instituição e à sociedade brasileira’’.

A presidente observa que o enfrentamento da emergência reforça o compromisso da Fiocruz com as orientações máximas de seu VIII Congresso Interno. Entre elas, ser uma Instituição Pública Estratégica de Estado para a Saúde, voltada para o fortalecimento do sistema de vigilância nacional; que põe sua capacidade de desenvolvimento tecnológico e inovação para a sustentabilidade e a efetividade do SUS no enfrentamento dos desafios do Complexo Econômico-Industrial da Saúde; e atua baseada nos conceitos de diplomacia da saúde e ciência e tecnologia em saúde no contexto da saúde global. “Essa capacidade de desenvolvimento tecnológico e inovação é que nos permite ter, por exemplo, uma base científica em testes moleculares para diagnóstico, que dará condições à Fiocruz de produzir 11,6 milhões de testes moleculares até setembro, contribuindo para maior velocidade no processamento de análises de amostras através de centrais analíticas, em apoio aos laboratórios centrais dos estados”.

Entre as ações da Fundação no enfrentamento ao novo coronavírus está o já citado Centro Hospitalar para a Pandemia Covid-19, integrado ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), que terá 195 leitos hospitalares, sendo 120 de unidade de terapia intensiva (UTI) e 75 de semi-intensivo, para atendimento de pacientes graves acometidos pela Sars-CoV-2 no Rio de Janeiro. Outra ação importante é o ensaio clínico mundial Solidariedade, da OMS, coordenado pela Fiocruz no Brasil com apoio do Ministério da Saúde. O estudo prevê uma redução em 80% do tempo para geração de evidências sobre os tratamentos e será realizado em 18 hospitais de 12 estados. O objetivo do estudo é dar uma resposta rápida sobre quais medicamentos são eficazes no tratamento da Covid-19 e quais são ineficazes e não devem ser utilizados.

Além dessas, outras iniciativas importantes diante da pandemia são projetos na área de vacinas, já que o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) vem fazendo a prospecção de potenciais parcerias, tendo como base as competências tecnológicas destes candidatos a parceiros (hoje existem 106 estudos em curso). Há também outra frente, na qual pesquisadores da Fiocruz Minas integram uma rede do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vacinas para o desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus. O estudo terá como base uma técnica elaborada na Fiocruz Minas que utiliza o vírus da influenza para gerar resposta uma imunológica.

Em relação à integração de dados, foram criados o Observatório Covid-19, que desenvolve análises integradas (cenários epidemiológicos; impactos sociais da pandemia; medidas de controle e serviços de saúde; qualidade do cuidado e segurança); a Rede Covida – Ciência, Informação e Solidariedade para o monitoramento e produção de sínteses de evidências científicas; o Infogripe, que acompanha os níveis de alerta para os casos reportados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG); e o MonitoraCovid-19, um painel com estimativa da situação do Brasil e unidades federativas baseada no número de casos e óbitos notificados – e em cenários de outros países.

A presidente diz que todas essas ações dos dias de hoje se conectam com o robusto legado de Oswaldo Cruz, que foi a formatação de uma instituição que alia ciência, tecnologia (na fabricação de produtos biológicos, como vacinas e fármacos), educação, saúde e projetos nacionais. “Uma marca histórica da Fiocruz, e por isso muito forte, tem origem nessa matriz institucional desenhada pela primeira geração de cientistas que Oswaldo Cruz reuniu em Manguinhos, ou seja, o nosso compromisso com a apropriação dos conhecimentos aqui gerados para a formulação de políticas públicas de saúde”.

Nísia comenta que o Instituto Soroterápico Federal, fundado em 1900, e transformado em 1908 em Instituto Oswaldo Cruz, foi criado como resposta a uma grande emergência sanitária: a necessidade de produzir soro contra a peste bubônica que havia chegado a Santos e ameaçava a então capital federal, o Rio de Janeiro. Oswaldo Cruz, como diretor do Instituto Oswaldo Cruz e diretor-geral de Saúde Pública, ampliou a agenda de pesquisa institucional e induziu produção de conhecimento em áreas diversas, como a microbiologia e a medicina tropical, tornando a instituição capaz de atuar também no controle à epidemia de febre amarela que assolava o Rio de Janeiro no início do século 20.

Nísia diz que o Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), que agora incorpora o Centro Hospitalar para a Pandemia Covid-19, faz lembrar que a instituição esteve à frente do combate à gripe espanhola, com Carlos Chagas liderando o esforço. Como na pandemia de hoje, a gripe espanhola também tinha na quarentena e no isolamento a sua principal forma de combate. E foi durante a epidemia que ocorreu a fundação do hospital que se tornou o INI.

A matriz institucional criada por Oswaldo Cruz, de acordo com a presidente, não se revela apenas na trajetória contínua que chega aos nossos dias nas diversas atribuições institucionais em pesquisa, produção e ensino, ou nos episódios de epidemias, na capacidade de responder a uma emergência sanitária. Outro traço histórico muito relevante e fruto dessa matriz é a presença nacional da Fiocruz. Hoje existem unidades da Fundação em todas as regiões do Brasil. Mas a presença da instituição no território brasileiro começou com expedições científicas, também nas primeiras décadas do século 20, que acompanharam a expansão do Estado nacional em obras para a modernização de sua infraestrutura, ou seja, construção de ferrovias, projetos de desenvolvimento regional na Amazônia, obras contra as secas no Nordeste etc. A base institucional permitiu a conjugação entre pesquisa de laboratório, trabalho clínico e expertise para trabalho de campo feito nos canteiros de obras.

“O papel da instituição nessas expedições foi fundamental para consolidar a medicina tropical como disciplina científica, mas também para fortalecer o seu protagonismo nos debates referentes à saúde pública, como no movimento sanitarista dos anos 1920, que buscava a implementação de políticas federais de saúde, como a criação de um Ministério da Saúde, e na formulação de projetos nacionais de desenvolvimento. Em suma, essa é a matriz que nos orgulha, inspira e desafia a aprimorar a instituição e suas diferentes áreas de atuação, para a promoção da saúde da população, o fortalecimento do SUS e de políticas de C&T&I e do desenvolvimento autônomo do país”, salienta Nísia.

“Mais de um século depois, a Fiocruz continua empenhada e capacitada a dar respostas à sociedade brasileira, na forma de conhecimento científico, insumos e atenção primária à saúde e nas situações de emergência sanitária, como vimos há poucos anos no caso gravíssimo da tríplice epidemia de dengue, zika e chicungunya e na reemergência da febre amarela. E vemos hoje na pandemia de Covid-19”. Para a presidente, “a lição maior de Oswaldo Cruz e de nossos grandes fundadores é o olhar para frente como base para a nossa ação no presente. É tratar esta diversidade do país como riqueza. É aproveitar a pulsão inovadora de nosso povo excluído, mas ao qual não faltam luta e criatividade”.

FIOCRUZ HOJE

Desde as suas origens, a Fiocruz constituiu-se como centro de conhecimento da realidade do país e de valorização da medicina experimental. Hoje vinculada ao Ministério da Saúde, abriga atividades que incluem pesquisas; prestação de serviços hospitalares e ambulatoriais de referência em saúde; fabricação de vacinas, medicamentos, reagentes e kits de diagnóstico; ensino e formação de recursos humanos; informação e comunicação em saúde, ciência e tecnologia; controle da qualidade de produtos e serviços; e implementação de programas sociais. Tudo feito por uma força de trabalho de 12 mil pessoas.

A Fiocruz tem sua base fincada num campus de 800 mil metros quadrados no bairro de Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Em torno dos três históricos prédios do antigo Instituto Soroterápico Federal – o Pavilhão Mourisco (o famoso Castelo da Fiocruz), o Pavilhão do Relógio e a Cavalariça –, funcionam a maior parte de suas unidades técnico-científicas e todas as unidades de apoio técnico-administrativas.

A Fundação está instalada em 10 estados e conta com um escritório em Maputo, capital de Moçambique, na África. Além dos institutos sediados no Rio de Janeiro, a Fiocruz tem unidades nas regiões Nordeste (Pernambuco e Bahia), Norte (Amazonas), Sudeste (Minas Gerais), Centro-Oeste (Distrito Federal) e Sul (Paraná). Mantém escritórios no Ceará, Mato Grosso do Sul, Piauí e Rondônia. Ao todo, são 16 unidades técnico-científicas, voltadas para ensino, pesquisa, inovação, assistência e desenvolvimento tecnológico. Há ainda uma unidade descentralizada, em Brasília. E 4 unidades técnico-administrativas dedicadas ao gerenciamento físico da Fundação, às suas operações comerciais e à gestão econômico-financeira e de recursos humanos. Mas a Fiocruz está em todo o território brasileiro, por meio do suporte ao SUS, na formulação de estratégias de saúde pública, nas atividades de seus pesquisadores, nas expedições científicas e no alcance de seus serviços e produtos.

Fiocruz em números

A Fiocruz é hoje a instituição pública brasileira com o maior número de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) e conta com 50 laboratórios de referência e departamentos articulados em redes internacionais para a solução de problemas de saúde pública. É também a maior produtora mundial da vacina contra a febre amarela, mantém parcerias com instituições de pesquisa de 50 países e coordena a maior rede mundial de bancos de leite humano, que reúne também outros países. A Fiocruz é ainda a maior instituição não-universitária de capacitação e formação de recursos humanos para o SUS.

A Fiocruz produziu, em 2019, 129 milhões de doses de vacinas e 116 milhões de unidades farmacêuticas. Forneceu 243 milhões de unidades farmacêuticas, 9 milhões de frascos e seringas de biofármacos e 6 milhões de reativos para diagnóstico. Fez também 5 mil análises de qualidade de produtos de saúde, 82 mil pacientes tratados, 312 mil testes de referência laboratoriais.

A Fundação tem 43 programas de mestrado e doutorado (stricto sensu) e 46 cursos presenciais de especialização (lato sensu), mais de 7 mil egressos de pós-graduação (stricto sensu e lato sensu) e mais de 3,5 mil egressos de educação profissional. São 29 linhas de pesquisa, mais de 2 mil artigos científicos publicados e mais de 2,5 mil projetos de pesquisa e desenvolvimento.

Ricardo Valverde (Agência Fiocruz de Notícias)

Projetos de pesquisadores da Fiocruz Amazônia são aprovados no PCTI-EmergeSaúde/AM

Duas propostas submetidas ao Programa Ciência, Tecnologia e Inovação nas Emergências de Saúde Pública no Amazonas Covid-19 (PCTI-EmergeSaúde/AM) por pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) foram contempladas pelo Edital N°005/2020 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Os projetos aprovados são da linha temática 2: Pesquisa, serviço e desenvolvimento de protocolos de análises moleculares e/ou imunológicas para o enfrentamento da pandemia de Covid-19 no Estado do Amazonas. As propostas foram submetidas por Priscila Aquino e Felipe Naveca.

Para o pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação do ILMD/Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, o apoio da Fapeam “representa a oportunidade de contribuir para a vigilância de vírus respiratórios, no contexto epidemiológico do estado do Amazonas, desenvolvendo ensaios que atendam à necessidade regional e não importando soluções já prontas, as quais nem sempre nos atendem”, comentou.

Da mesma forma, Priscila Aquino considera fundamental o apoio da Fapeam para a execução de seu projeto. “Dada a urgência e rápida propagação de Covid-19 em nosso estado, nosso grupo se propôs a utilizar uma metodologia inovadora para convergir a um painel de proteínas correlacionadas à gravidade clínica dos pacientes. Além disso, esse financiamento também irá contribuir para a compreensão dessa doença em nível proteico, fornecendo dados inclusive para a coalisão internacional de espectrometria de massas aplicada à Covid-19”.

O investimento estadual é de R$ 1.618.912,00, provenientes do orçamento da Fapeam, conforme Plano Plurianual 2020-2023, do Governo do Amazonas. O recurso vai apoiar seis projetos aprovados.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Josue Damacena/Fiocruz