Covid-19: Fiocruz amplia capacidade nacional de testagem

Desde a confirmação dos primeiros casos da Covid-19, a Fiocruz, instituição vinculada ao Ministério da Saúde, vem trabalhando para dar respostas em diversas áreas. Após desenvolver os testes moleculares para detecção da doença e aumentar sua escala de produção progressivamente, a Fundação inicia a operação de mais uma Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19 (clique aqui e faça um tour virtual pela Unidade). A iniciativa se insere na estratégia de apoio aos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen) e ampliação da capacidade nacional de processamento de amostras, ação fundamental para a vigilância epidemiológica do vírus e o enfrentamento da pandemia.

Durante visita à unidade, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, reforçou o compromisso da instituição no combate à pandemia com ações de saúde pública no sentido de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da base científica e tecnológica crucial para esse desenvolvimento. “A testagem é fundamental em todas as etapas do controle da pandemia e o objetivo da Fiocruz é somar e contribuir neste momento tão delicado. Estamos buscando ser parte da resposta à crise humanitária que vivemos desde o início da pandemia. A nossa tradição de 120 anos e a presença em todas as regiões do país nos permitem contribuir com o Ministério da Saúde na estratégia nacional de testagem”, destacou.

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, enfatizou a importância da vigilância em saúde e epidemiologia para o tratamento precoce da Covid-19. “Nós estamos todos os dias revendo os nossos protocolos para procurar o que pode ser melhorado e alterar o que não dá certo. Diagnóstico e testagem são a base do tratamento precoce. É neste viés que a Fiocruz dá mais um passo em sua estrutura interna, que continuará após a pandemia, com a Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19”.

Com potencial para processar diariamente até 15 mil testes moleculares, a nova unidade está localizada na sede da Fundação, no Rio de Janeiro, e teve sua estrutura e equipamentos financiados pela iniciativa Todos pela Saúde. “Sabemos da importância da testagem, da gestão epidemiológica e do contexto desse momento. É um enorme prazer participar desta iniciativa que demonstra o compromisso do Itaú com o país. É importante ressaltar que o projeto constitui um legado que poderá ser utilizado no futuro, não só para essa pandemia mas para outros desafios no âmbito da saúde pública”, afirmou a vice-presidente do Banco Itaú e representante do banco no Comitê Gestor da iniciativa Todos pela Saúde, Claudia Politanski. Toda a operação será custeada pelo Ministério da Saúde.

Com isso, o campus de Manguinhos, que já vinha operando com plataformas implantadas no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) e no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), passa a ter capacidade de liberar cerca de 17,5 mil resultados por dia. Outra Unidade de Apoio, na regional do Ceará, tem previsão para começar a operar ainda em agosto, podendo executar diariamente até 10 mil testes moleculares.

Construídas com base em plantas semelhantes e em regime emergencial, as novas instalações do Rio de Janeiro e do Ceará ocupam uma área de aproximadamente 2,3 mil m2, cada uma. Equipadas com plataformas que utilizam a metodologia de PCR em tempo real, as Unidades têm potencial para funcionar em tempo integral, sete dias por semana. A expectativa é que mais de 350 profissionais, incluindo biologistas e técnicos de laboratório capacitados, se revezem em três turnos de trabalho para processar as amostras que são encaminhadas pelo Ministério da Saúde.

Projeto de expansão

A Fundação começou, em abril, a unir sua expertise adquirida à infraestrutura tecnológica disponível na implantação de Unidades de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19. Além do Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo foram os estados contemplados inicialmente com as plataformas capazes de processar em larga escala as amostras suspeitas da doença. Os equipamentos foram instalados por Bio-Manguinhos, respectivamente, no campus da Fiocruz, no Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e no grupo Dasa, por meio de um acordo feito com o Ministério da Saúde. Com exceção dessas últimas, a operacionalização dos equipamentos é toda gerenciada pela Fiocruz, que atua desde a instalação e treinamento de pessoal, até o fornecimento dos insumos necessários e assistência técnica.

Se até então a mobilização para ampliar a capacidade de testagem era realizada com recursos do Ministério da Saúde, já descentralizados à Fiocruz e a partir de equipamentos disponíveis em Bio-Manguinhos, o projeto das Unidades do Rio de Janeiro e Ceará inaugurou também uma nova fase, marcada pelo apoio da iniciativa privada. Para viabilizar esse segundo momento, além do importante financiamento do MS que será aplicado na operacionalização propriamente dita das duas unidades, incluindo, entre outros aspectos, a contratação de recursos humanos e a aquisição dos insumos necessários, a Fiocruz contou com a doação de cerca de 200 milhões de reais.

A iniciativa Todos pela Saúde, liderada pelo Itaú Unibanco,  destinou mais de 180 milhões para o projeto. O valor foi empregado na compra dos novos equipamentos das duas centrais e na estrutura física da unidade carioca. Já o custeio da obra do Ceará, assim como a aquisição de outros aparelhos, teve a contribuição do Bradesco e do Banco do Brasil, por intermédio da EloPar, e do UnitedHealth Group Brasil (UHG), que doaram, respectivamente, 20 milhões e 5,3 milhões para a causa.

Com a contribuição dessas novas centrais, a quantidade de testes de RT-PCR processados, por mês, pode chegar a um milhão, no pleno funcionamento das Unidades de Apoio. “A capacidade dessas unidades foi planejada tendo em vista a implantação de uma estratégia mais massiva de testagem que está em andamento pelo Ministério da Saúde. Nesse momento, trabalhamos para apoiar a grande demanda dos Lacens”, pontua o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fundação, Marco Krieger.

Além dos testes de diagnóstico por RT-PCR, as novas unidades do Rio de Janeiro e Ceará também foram contempladas, na doação recebida do Todos pela Saúde, com modernas plataformas para execução de testes sorológicos em escala. Baseados na detecção da resposta imunológica após infecção, esses testes são complementares para o enfrentamento da pandemia e já estão sendo realizados para apoiar inquéritos epidemiológicos, avaliações em populações vulneráveis, entre outros. A ação agrega a capacidade nominal de 12 mil testes por dia em cada uma das novas centrais, ofertando apoio adicional ao sistema público de vigilância em saúde.

Ações articuladas

A expansão da capacidade nacional de testagem envolveu na Fiocruz três pilares centrais de atuação que se desencadearam de forma complementar: o desenvolvimento e a produção dos testes em grande escala; o reforço regional dos Lacens e da logística de insumos e amostras em todo o território nacional e a implantação das Unidades de Apoio Diagnóstico da Covid-19. “É importante ressaltar que outras parcerias e arranjos seguem em andamento envolvendo o Ministério da Saúde, a Fiocruz e diversas universidades e instituições de pesquisas com o intuito de ampliar ainda mais a capacidade de testagem nacional”, pontua o coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio.

Durante o mês de março, quando a pandemia avançava bruscamente nos países europeus e fazia as primeiras vítimas no Brasil, a Fiocruz iniciou o processo de escalonamento progressivo da produção de testes diagnósticos. Na última semana de junho, a produção tinha atingido uma capacidade de 2 milhões de testes por mês em Bio-Manguinhos e acumulado um quantitativo superior a 5 milhões de testes entregues pela Fiocruz ao Ministério. O compromisso firmado com o MS, prevê um total de 11,7 milhões de testes. O cronograma de entrega é definido em conjunto com o MS, para melhor atender à sua estratégia de distribuição e às necessidades dos laboratórios da rede pública e das Unidades de Apoio.

Se por um lado a produção seguia a todo vapor, por outro, era preciso reforçar a outra ponta, que envolvia o diagnóstico propriamente dito, para atender a demanda crescente de processamento de amostras. Foi então que as unidades da Fiocruz, presentes em todas as regiões geográficas do país, se mobilizaram para contribuir com os Lacens de suas respectivas localidades. Além desses laboratórios, o Lacen de Santa Catarina, em Florianópolis, assim como os laboratórios de referência, localizados no Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e no Instituto Evandro Chagas, no Pará, foram contemplados com plataformas instaladas por Bio-Manguinhos. Ribeirão Preto, em São Paulo, também ganhou reforço de um equipamento que vem sendo operado por profissionais da Fundação lotados na Plataforma de Medicina Translacional Fiocruz-USP.

Com essas ações, portanto, a Fiocruz contribui decisivamente com o Ministério da Saúde no alcance dos objetivos de testagem, contribuindo com a distribuição de testes moleculares na quantidade necessária, cooperando com a gestão da logística de insumos e a distribuição das amostras aos Lacens e unidades de apoio e, agora, oferecendo uma capacidade expressiva de processamento de amostras suspeitas da doença. O investimento da pasta nas diversas ações da Fiocruz no âmbito da testagem girou em torno de 930 milhões de reais.

Agência Fiocruz de Notícia, por Aline Câmera e Matheus Cruz
Fotos: Peter Ilicciev e Itamar Crispim

Divulgado resultado dos pedidos de isenção da taxa de inscrição para processo seletivo do curso de Doutorado em Saúde Pública na Amazônia

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Universidade Federal do Amazonas – UFAM e a Universidade do Estado do Amazonas – UEA, instituições associadas que compõem o Curso de Doutorado em Saúde Pública na Amazônia, divulgou nesta sexta-feira, 7/8, o resultado dos pedidos de isenção da taxa de inscrição, do processo de seleção pública de candidatos, para ingresso no curso de Doutorado em Saúde Pública na Amazônia

Confira o resultado aqui

As inscrições iniciam na próxima segunda-feira, 10/8, e encerram às 16h30 (horário Manaus) do dia 21/8/2020. Somente candidatos brasileiros natos, com dupla nacionalidade, ou candidatos estrangeiros com visto permanente podem se candidatar a esta Chamada Pública.

Os documentos exigidos para inscrição estão listados no edital, e deverão ser digitalizados separadamente em formato “pdf”, não podendo exceder 9 megabytes, por arquivo.

Confira aqui o edital

O Curso possui área de concentração em Estudos de Processo Saúde/Doença/Cuidado na Amazônia, e duas linhas de pesquisas: Linha 1 – Dinâmica, diagnóstico, cuidado clínico e controle de doenças infecciosas endêmicas na Amazônia (4 VAGAS), Linha 2 – Vulnerabilidade, Situações de Saúde, Gestão, Organização e Avaliação de Serviços e Cuidados de APS na Amazônia (11 VAGAS).

Poderão participar do processo de seleção, candidatos portadores de diploma de graduação de duração plena, devidamente reconhecido pelo MEC e de diploma de Mestre em Saúde Coletiva ou áreas afins. O Curso será ministrado em regime integral, com duração mínima de 24 meses e máxima de 48 meses, incluindo a realização da defesa de tese.

ETAPAS

A admissão ao Curso de Doutorado, objeto desta Chamada Pública, será composta de 3 etapas: 1ª Etapa – Homologação das inscrições; 2ª Etapa – Pontuação do Currículo Lattes, conforme comprovações e; 3ª Etapa – Prova Oral. Todas as etapas do processo seletivo são eliminatórias.

BOLSAS

O Doutorado em Saúde Pública na Amazônia não garante a concessão de bolsa de estudo para todos os aprovados. As bolsas disponíveis serão distribuídas, respeitando -se a ordem de classificação geral dos candidatos, as normas das agências de fomento e as estabelecidas pela Comissão de Bolsa do Doutorado em Saúde Pública na Amazônia, até o limite das bolsas.

RESULTADO

A publicação dos resultados de todas as etapas do Processo Seletivo e do resultado final, será na Plataforma SIGA no endereço eletrônico ( www.sigass.fiocruz.br ), no site do ILMD/Fiocruz Amazônia, da UFAM e da UEA.

O início das atividades acadêmicas do doutorado em saúde pública na Amazônia estão previstos para o dia 7/10/2020.

ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento

 

Nota de solidariedade a Guilherme Franco Netto

A Asfoc-SN ressalta o princípio da presunção de inocência e do direito à ampla defesa a Guilherme Franco Netto, pesquisador da Fiocruz. Não podemos promover ou apoiar condenações açodadas e sem o respeito ao contraditório. Nosso colega sempre demonstrou transparência e retidão no trato cotidiano com recursos públicos e apreço à justiça. Não temos razão para negar-lhe o nosso apoio nessa hora difícil.

Estamos acompanhando e aguardando a formalização das denúncias, bem como a apresentação de bases concretas que lhes deem sustentação. Vigilantes e ombreados com os ideais de justiça e de republicanismo, manifestamos nossa solidariedade e nossa preocupação com as repercussões negativas sobre a reputação e a saúde de Guilherme e de seus familiares.

Asfoc-SN

Fiocruz amplia ações contra a Covid-19 nos povos indígenas

Pesquisadores da Fiocruz elaboram plano de apoio ao enfrentamento à Covid-19 junto aos povos indígenas. Um dos objetivos é intensificar a vigilância e aprimorar informações acerca dos impactos da pandemia nessas populações, por meio de seis eixos de atuação. A iniciativa mobilizou diferentes unidades e vice-presidências e foi destacada pela presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima. “Essa é uma ação conjunta da Fundação, presente em todo território nacional, para dar suporte ao enfrentamento desta grave crise humanitária que atinge os povos indígenas no Brasil”, alertou.

O avanço do coronavírus na população indígena vem acompanhado de uma série de desafios. Os povos indígenas são um grupo particularmente vulnerável à Covid-19 devido às elevadas prevalências de diferentes doenças e agravos à saúde (desnutrição e anemia em crianças, doenças infecciosas como malária, tuberculose, hepatite B, hipertensão, diabetes, obesidade e doenças renais) e as prévias dificuldades de acesso ao sistema de saúde, particularmente da atenção especializada. Além disso, os indígenas sofrem com o aumento das queimadas e do desmatamento, com baixo saneamento e, em muitas situações, enfrentam uma enorme fragilidade econômica, o que dificulta a manutenção do isolamento social, que é uma medida fundamental no enfrentamento da pandemia.

“O cenário visto nas populações indígenas é dramático, mas ainda há muito que pode ser feito. É a isto que estamos nos dedicando. A Fiocruz atua há mais de 30 anos na saúde indígena. Agora, estamos integrando diversos eixos de ação para olhar com atenção para as necessidades dessas populações historicamente vulnerabilizadas”, afirma a presidente da Fiocruz.

Por seu histórico de atuação na saúde indígena, recentemente, a Fiocruz foi convocada para compor um grupo de trabalho para dar apoio técnico na elaboração de um plano de enfrentamento e monitoramento da Covid-19 em povos indígenas pela União, após determinação do Superior Tribunal Federal (STF). Pesquisadores da Fiocruz e da Abrasco têm se reunido e devem apresentar suas recomendações no início de agosto.

DESAFIOS NA PRODUÇÃO DA INFORMAÇÃO

A disparidade de informações sobre os impactos da pandemia nas populações indígenas também reforça essa vulnerabilidade. De acordo com a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Ana Lúcia Pontes, uma questão central é dimensionar a quantidade de casos e óbitos na população indígena. Isso porque, inclusive por diferenças nos procedimentos de registro e na cobertura, há divergência entre os dados oficiais fornecidos pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e os números divulgados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Os dados da Sesai, por exemplo, se referem somente à população indígena em territórios indígenas, não incluindo, via de regra, os indígenas que vivem em áreas urbanas ou em territórios fora das terras demarcadas.

Até o dia 27 de julho, a Apib contabilizou 581 mortes por Covid-19 na população indígena, com 18.854 casos confirmados, em 143 povos afetados. Enquanto os dados oficiais da Sesai, em 29 de julho, registraram 15.012 casos confirmados, com 276 óbitos no Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). “Acompanhamos a progressão da Covid-19 na população indígena. Os casos suspeitos são muito baixos, e não sabemos se trata-se de um problema da busca ativa ou falta de acesso aos testes diagnósticos. Além disso, os dados poderiam ser desmembrados, pois a distribuição de casos não é homogênea”, explicou Ana, que também coordena o GT de Saúde Indígena da Abrasco e acompanha as atividades da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Povos Indígenas (FPMDPI), que apresentou o projeto de lei 1.142 sancionado com vetos em 8 de julho .

Para a pesquisadora, mais do que as altas taxas de incidência da doença e do número de mortos, é importante olhar para o que isso representa. “Os mais velhos estão morrendo e essa é uma perda imensa. Eles são muitas vezes lideranças que guardam conhecimentos únicos, transmitidos de forma oral intergeracionalmente, e têm papel importante na organização social e luta desses povos”, explica. A médica reforça a necessidade de analisar como diferentes povos estão sendo atingidos, pois alguns grupos podem estar em maior risco. O Brasil possui aproximadamente 300 etnias e 270 línguas faladas, o que representa um dos maiores níveis de sociodiversidade do mundo. “Historicamente os povos indígenas enfrentam epidemias que os colocam em risco de genocídio. Temos uma responsabilidade”, alerta Ana Lúcia Pontes.

APOIO AO DIAGNÓSTICO

Para aprimorar esse aspecto, o eixo de atuação “apoio ao diagnóstico da Fiocruz” propõe diferentes frentes, como o fortalecimento dos laboratórios Fiocruz para apoio ao diagnóstico molecular e distribuição de testes sorológicos. A primeira iniciativa tem o objetivo garantir suprimento adequado e ágil de insumos para os laboratórios das Unidades Fiocruz e para os pesquisadores que estão atuando nas redes de diagnóstico molecular. A ação é conduzida pelas regionais da Fiocruz da Amazônia, Bahia, Rondônia e Mato Grosso do Sul.

A pesquisadora da Fiocruz Amazônia, Luiza Garnelo, lembra que a subnotificação não é um problema exclusivo do subsistema de saúde indígena, e que esses dados são importantes para entender a dinâmica da pandemia, aprimorar ações de vigilância e da atenção primária em saúde, e para reduzir a mortalidade. “Estamos trabalhando na aquisição de equipamentos de proteção individual e testes para profissionais e agentes de saúde que estão nas comunidades. Uma das iniciativas é capilarizar esse recurso de diagnóstico e trabalhar diretamente com as equipes que atuam nas comunidades. É inverter um fluxo. Depois que o processo está instalado e você tem a gravidade da doença, é que o paciente é removido. A tentativa é interiorizar as ações e reforçar a atenção primária”, comentou Luiza.

A Fiocruz irá distribuir 4 mil testes rápidos para diagnóstico da Covid-19 para os povos indígenas do Alto Rio Negro, do Alto Solimões e do Purus. Os testes foram doados pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) a Fiocruz Amazônia, que coordena as ações na região. Em junho, uma equipe da Fiocruz esteve em São Gabriel da Cachoeira realizando treinamento de multiplicadores para manejo dos testes rápidos para Covid-19. Garnelo enfatiza: “a ideia é que se consiga capilarizar o diagnóstico para facilitar o monitoramento e vigilância numa região remota e de difícil acesso, com aldeias pequenas espalhadas num território extenso, o que dificulta o trabalho das equipes no enfrentamento da Covid-19”.

Os multiplicadores estão se deslocando para implantar essas testagens nas localidades. Após essa fase, os resultados serão transmitidos por radiofonia ou orelhões públicos, únicas formas de comunicação disponíveis. “Com isso, estamos cobrindo cerca de 18 milhões de hectares dos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, onde ficam aproximadamente 700 comunidades. Temos o grande desafio de percorrer esses rios para chegar até eles com os devidos cuidados, seguindo os protocolos”, explicou Garnelo.

A proposta é fortalecer a atuação dos Agentes Indígenas de Saúde que atuam em comunidades na região do Alto Rio Negro. A pedido da Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (FOIRN), a Fiocruz Amazônia realizou em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Secretaria de Estado de Educação (Seduc/AM)  e Distrito Sanitário Especial indígena do Alto Rio Negro (DSEIARN) a elevação da escolaridade e profissionalização técnica de 139 Agentes Comunitários Indígenas de Saúde e estão hoje habilitados a atuar nessas comunidades. “Eles serão ponto focal dessa rede para que os profissionais de nível superior possam se deslocar com mais assertividade”, explica a pesquisadora.

OUTROS EIXOS DE ATUAÇÃO

Além do eixo de apoio ao diagnóstico, as ações da Fiocruz contemplam iniciativas de atenção à saúde, pesquisa, educação, apoio emergencial e comunicação e informação. Nos eixos educação e comunicação e informação, um grupo de pesquisadores vem atuando na disseminação de subsídios técnico-científicos e materiais educativos, por meio de podcasts, para os Agentes Indígenas de Saúde (AIS). A iniciativa, conduzida pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), teve uma primeira etapa que resultou em dez programas da rádio Policast sobre o enfrentamento da Covid-19 em contexto indígena, abordando aspectos da prevenção, saneamento, atenção à saúde e a atuação do AIS, que estão disponível na sessão Saúde Indígena da plataforma O SUS em Ação: Agentes de Saúde em tempos de coronavírus.

A segunda etapa da iniciativa tem como ideia central, de acordo com a professora-pesquisadora do Laboratório de Educação Profissional em Vigilância em Saúde da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Ana Claudia Vasconcellos, produzir informações que possam ser utilizadas na reorientação do processo de trabalho dos AIS durante o período da pandemia. “Os podcasts abordam os cuidados que devem ser tomados durante as visitas domiciliares, o acolhimento dos casos leves e graves da Covid-19, as recomendações as gestantes e puérperas, sobre o uso correto das máscaras, sinais e sintomas, formas de contágio e diversos outros temas”, detalhou.

Para que os áudios cheguem até os AIS, foi criada uma rede de disseminação do material informativo via WhatsApp e uma parceria com o Instituto SocioAmbiental (ISA) para transmitir as informações por radiofonia. Ana Lucia Pontes, que participou da concepção e produção dos podcasts na primeira etapa, chama atenção para a importância dessa iniciativa para fazer chegar informações qualificadas e de forma capilarizada nas comunidades indígenas.

INFORMAÇÃO PARA AÇÃO

O Observatório Covid-19 Fiocruz tem o objetivo de desenvolver análises integradas, tecnologias, propostas e soluções para enfrentamento da pandemia por Covid-19 pelo SUS e pela sociedade brasileira. A Ensp, por meio da articulação dos pesquisadores do Departamento de Endemias Samuel Pessoa e em parceria com o GT de saúde indígena da Abrasco, vem contribuindo com o Observatório Covid-19 com subsídios como estudos, notas técnicas e webinares, na temática de saúde indígena.

Ademais, um grupo de pesquisadores da Ensp/Fiocruz participou de nota técnica apontando que a Covid-19 não é a única ameaça à saúde indígena e organizando Centro de Estudos sobre Coronavírus e povos indígenas: vulnerabilidades ambiental e territorial na Amazônia. “O documento alerta para problemas de insegurança alimentar, que ameaçam o estado nutricional principalmente de crianças, casos de malária, tracoma, surtos e epidemias de doença diarreica aguda, tuberculose, infecções respiratórias, doenças sexualmente transmissíveis, dentre outros”, afirmou Paulo Basta.

Já o Núcleo Ecologias, Epistemologias e Promoção Emancipatória da Saúde (Neepes), da Ensp/Fiocruz, desenvolve um trabalho interdisciplinar e um diálogo intercultural com o povo Munduruku, na Região do Tapajós, envolvendo não somente o tema do mercúrio e do garimpo, mas os conflitos ambientais e resistências para preservação das identidades e dos direitos territoriais dessa população. Nesse momento, as iniciativas, coordenadas pelo pesquisador Marcelo Firpo, foram direcionadas para apoiar os povos indígenas no enfrentamento da Covid-19.

Investigadores do Grupo de Pesquisa Saúde, Epidemiologia e Antropologia dos Povos Indígenas da Ensp/Fiocruz, do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (EMAP-FGV) produziram duas edições do relatório Risco de espalhamento da Covid-19 em populações indígenas, com foco em questões de vulnerabilidade geográfica e sociodemográfica. Nas diversas apresentações públicas realizadas sobre esses documentos, os pesquisadores Andrey Cardoso, da Ensp/Fiocruz, e Claudia Codeço, do Procc/Fiocruz, destacaram a importância da produção de análises atualizadas acerca do espalhamento da Covid-19 em populações indígenas. Segundo eles, a iniciativa, integrando diversas bases de dados, busca identificar quais os segmentos da população indígena que apresentam maior vulnerabilidade segundo diferentes recortes populacionais, representados por indígenas residentes em municípios e zonas urbanas e rurais, residentes em Terras Indígenas (TIs) oficialmente reconhecidas e em municípios abrangidos por Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

As análises baseiam-se na exposição geográfica em municípios classificados segundo níveis de probabilidade de epidemia, definida para a população brasileira em geral. Esses relatórios têm tido ampla circulação não somente na comunidade de especialistas em saúde coletiva como na sociedade civil em geral, inclusive nas organizações indígenas e seus parceiros. Para visibilizar essas e outras contribuições, a BVS Saúde dos Povos Indígenas está levantando e disponibilizando documentos, materiais didáticos e webinares sobre a temática da Covid-19 e povos indígenas, que podem ser acessados aqui.

Em um cenário de extrema necessidade de diálogos interculturais, Ana Lúcia Pontes, Ricardo Ventura Santos e Felipe Machado, pesquisadores da Ensp/Fiocruz, em parceria com um coletivo de pesquisadores indígenas de diversas regiões do país, estão desenvolvendo a iniciativa Vozes Indígenas na Produção de Conhecimento. A proposta envolve um comitê editorial formado por pesquisadores indígenas que formularam duas chamadas públicas, com foco na autoria indígena, que visam captar contribuições que deem visibilidade às múltiplas especificidades inerentes às realidades sócio-territoriais de cada povo, com ênfase nas complexas inter-relações sócio-culturais e políticas com a saúde dos povos indígenas, incluindo a questão da Covid-19.

No lançamento público dessas chamadas, que ocorreu durante o webseminário Povos Indígenas na Produção de Conhecimento: Por uma Saúde não Silenciada, no dia 26 de junho, Inara do Nascimento Tavares, do povo indígena Satere-Maué e professora do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, da Universidade Federal de Roraima, enfatizou: “São muito importantes as parcerias institucionais que se colocam de forma simétrica, na forma do diálogo”. Maiores informações sobre essa chamada e o projeto, que inclui uma playlist no canal do YouTube da VideoSaúde com depoimentos de trajetórias indígenas na academia, estão disponíveis aqui.

Julia Dias (Agência Fiocruz de Notícias) e Filipe Leonel (Informe Ensp)

 

Fiocruz Amazônia vai atuar no controle de Aedes em sete bairros de Manaus

As ações de controle de mosquitos não podem ser esquecidas nem tão pouco negligenciadas, mesmo em tempo de pandemia. Neste sentido, projeto de pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) para controle de Aedes volta a ser implantado em Manaus nos próximos dias.

Trata-se do projeto que utiliza como estratégia a instalação de Estações Disseminadoras de Larvicida (EDs) como alternativa no controle de mosquitos Aedes aegypti e Ae. albopictus, transmissores dos vírus da dengue, zika e chikungunya.

A ação é realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e tem como objetivo instalar cerca de 200 EDs em pontos estratégicos, reconhecidos como focos de proliferação de mosquitos Aedes.

“Não é a primeira vez que trabalhamos com as EDs em Manaus. Nosso estudo iniciou no Amazonas, mas precisamente em Manacapuru e em Manaus,  onde os resultados alcançados foram muito bons, o que favoreceu, com o apoio do Ministério da Saúde, a aplicação da mesma estratégia, em outras cidades brasileiras”, explica Sérgio Luz, pesquisador e diretor da Fiocruz Amazônia.

 

 

Nessa nova etapa, as estações serão implementadas nos bairros da Compensa, Redenção, Novo Aleixo, Cidade Nova, Flores, Aleixo e Jorge Teixeira.

As atividades em Manaus seguem as recomendações da Nota Informativa nº 8/2020-CGARB/DEIDT/SVS/MS, para os trabalhos de controle de vetores durante a epidemia da Covid-19

TÁTICA

Sérgio Luz explica que a tática do projeto é usar os mosquitos para disseminarem larvicida em seus próprios criadouros e assim eliminar suas larvas e pupas. Uma das vantagens do uso dos mosquitos na disseminação do produto é que eles podem encontrar quaisquer possíveis criadouros, mesmo os que estão em locais de difícil acesso como em calhas de telhados, em terrenos baldios, em  casas abandonadas etc.

As EDs são baldes plásticos, cobertos com pano preto impregnados de larvicida. Para funcionarem, as estações precisam de certa quantidade de água no pote, é a água que atrai os mosquitos.

Ao pousarem na superfície da ED, partículas do larvicida são aderidas às pernas e corpos dos mosquitos, que levam esse produto para outros criadouros e, com isso, conseguem matar larvas e pupas, que estejam nesses locais.

SOBRE O PROJETO

O estudo iniciou em 2014 com experimentos feitos nas cidades de Manaus e em Manacapuru. O resultado inicial foi bastante animador, o que levou, com apoio do Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia, e do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis (Decit & Devit/MS), da Organização Pan-Americana da Saúde-Organização Mundial da Saúde (Opas-OMS), e das secretarias municipais e estaduais de Saúde, o projeto para outras cidades, para que os ensaios ocorressem em diferentes regiões do Brasil, visando avaliar a eficácia da tática do uso das Estações Disseminadoras de Larvicida para o controle do Aedes aegypti e A. albopictus, em diferentes paisagens geográficas e escalas.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Eduardo Gomes
Infográfico: Mackesy Nascimento

Parlamentares apoiam ações da Fiocruz contra a Covid-19

Membros da Comissão Externa do Coronavírus da Câmara dos Deputados estiveram, nesta terça-feira (28/7), no campus Manguinhos para conhecer as atividades da Fiocruz voltadas para o enfrentamento da pandemia, em especial no que diz respeito ao processo de produção da vacina. Recentemente, a Fundação e o Ministério da Saúde anunciaram que vão firmar um acordo com a biofarmacêutica AstraZeneca para compra de lotes e transferência de tecnologia da vacina para Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford. Além de conhecer as instalações do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), onde serão produzidas as doses, a agenda também incluiu uma visita técnica à Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19.

“O processo de desenvolvimento de uma vacina é normalmente longo e precisa ser orientado por preceitos de eficácia, segurança e ética em pesquisa. Temos visto um esforço mundial sem precedentes em acelerar esse processo. Como instituição estratégica do Estado brasileiro, a Fiocruz não poderia ficar de fora dessa mobilização. A Fundação tem 120 anos de história e atuação na saúde pública e buscamos ser parte da resposta à crise humanitária que estamos vivendo desde o início da pandemia”, declarou a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade.

Com a liderança do presidente da Comissão, dr. Luizinho Teixeira (PP-RJ), estiveram presentes os deputados federais Carmen Zanotto (Cidadania-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Chico D’Angelo (PDT-RJ), Alexandre Padilha (PT-SP), Carla Dickson (Pros-RN), Christiano Aureo (PP-RJ), Soraya Manato (PSL-ES), Mariana Carvalho (PSDB-RO), Hiran Gonçalves (PP-RR), Pedro Westphalen (PP-RS), General Peternelli (PSL-SP), Antônio Brito (PSD-BA), Rodrigo Coelho (PSB-SC),  Alexandre Serfiotis (PSD-RJ) e Alessandro Molon (PSB-RJ). A comitiva contou ainda com a participação de Patricia Ferraz (PODE-AP), suplente do deputado Vinicius Gurgel (PL-AP), do vereador Felipe Michel (Progressistas-RJ) e dos assessores Daniela Sholl, Thiago Medeiros e Monique Monteiro.

Para iniciar a agenda da visita, a presidente da Fiocruz apresentou as ações que a Fundação vem realizando de forma articulada com o Ministério da Saúde. Entre os destaques, ações de vigilância, educação, pesquisa, inovação tecnológica, produção de vacinas e medicamentos; a atenção direta aos pacientes contaminados pela doença no Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19 – Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), que foi erguido em regime emergencial no campus e que ficará como um legado para o Sistema Único de Saúde (SUS) pós-pandemia; o papel da Fundação na produção dos testes e na ampliação da capacidade nacional de testagem à população; e o trabalho envolvido na prospecção e fabricação especificamente da vacina contra a doença.

Nísia explicou aos parlamentares os detalhes da negociação para a produção da vacina desenvolvida pela universidade britânica. O acordo prevê a aquisição de 30,4 milhões de doses do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) ainda durante a realização dos estudos clínicos, para processamento final e controle de qualidade, sendo 15,2 milhões de doses em dezembro e 15,2 milhões de doses em janeiro do ano que vem.

Ao término dos estudos e com a eficácia da vacina comprovada, está prevista a aquisição de mais 70 milhões de doses do IFA e a absorção total da tecnologia por Bio-Manguinhos. Para ter as 100 milhões de doses da vacina e a garantia da produção em solo nacional, o Brasil precisará investir cerca de dois bilhões de reais. Durante o encontro, a Comissão se comprometeu a apoiar à Fundação nas negociações, que incluem, entre outros aspectos, uma medida provisória, já chamada de MP da Vacina, que segue em andamento pelo governo federal.

“Aqui na Fiocruz se faz educação, se faz ensino, produção de medicamentos. Nós precisamos mais do que nunca, como Congresso, apontar para as autoridades  a importância da independência da produção de certos insumos e vacinas no Brasil. É fundamental investir em tecnologia, inovação e principalmente em pesquisa. A Fiocruz tem todas as condições de fazer isso. Portanto, vamos empregar esforços para que não falte orçamento, de forma que os brasileiros tenham a qualidade da Fiocruz à disposição da sua saúde”, ressaltou o presidente da Frente Parlamentar de Imunização, Pedro Westphalen.

Com os resultados positivos dos testes feitos até agora, a vacina de Oxford é umas das mais promissoras no cenário mundial, inclusive do ponto de vista econômico. Considerando a taxa cambial atual, cada unidade da vacina sairia a menos de R$ 15. “Os Estados Unidos estão sugerindo uma vacina de U$ 40 (R$ 260) a dose. Só aí, temos uma economia de R$ 22 bilhões de reais. Nosso SUS, que tem a Fiocruz e tem capilaridade, vai conseguir entregar à população brasileira uma vacina de qualidade, provavelmente antes do que a maioria dos países do mundo. Se agirmos com antecedência, teremos condições tecnológicas para abastecer o mercado interno e ainda vender a vacina para o exterior”, afirmou o deputado Luizinho Teixeira.

“É importante ressaltar que estamos trabalhando na ampliação de nossa capacidade de produção para que possamos a atender a essa demanda e ao nosso fluxo regular de produção de diversas vacinas. Neste campo temos desafios para um futuro que esperamos possa se concretizar: o Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (Cibs), em Santa Cruz, o maior investimento do país em biotecnologia e que aumentará a capacidade atual de 20 milhões para 120 milhões de frascos de vacinas e biofármacos por ano”, destacou a presidente da Fundação.

Após a recepção no Castelo Mourisco, a comitiva se dividiu em dois grupos para visitar as instalações do complexo de Bio-Manguinhos e da Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19. Os parlamentares puderam conferir de perto o passo a passo que envolve a fabricação de uma vacina e a tecnologia empregada no processamento das amostras suspeitas da doença que seguem para análise na Fiocruz.

“Na condição de relatora da Comissão Externa e parlamentar da área da saúde, só temos o que agradecer a história da Fiocruz nesses 120 anos e mais ainda agora no momento da pandemia. O Brasil precisa se fortalecer e a Fiocruz é, sim, uma das instituições que precisa ser reconhecida, não só no momento da pandemia, mas com a garantia dos orçamentos necessários”, finalizou a deputada Carmen Zanotto.

Agência Fiocruz de Notícias, por Aline Câmera.
Foto externa: CCS/Fiocruz
Foto interna: Peter Ilicciev 

 

Divulgado o resultado dos recursos das inscrições não homologadas do PPGVIDA

Ontem (23/7) a Comissão de Recursos do Processo Seletivo do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), divulgou o resultado dos recursos das inscrições não homologadas.

O resultado está disponível na Plataforma Siga-Fiocruz em em: http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120

ASCOM- ILMD/Fiocruz Amazônia

InfoGripe mostra sinais de “segunda onda” de SRAG

Dados do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostram que, enquanto diversos estados ainda enfrentam a fase de crescimento da primeira onda de novos casos semanais de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) – situação de todos os da região Sul, além de Sergipe e Mato Grosso do Sul –, alguns já dão sinais do início da chamada “segunda onda”. A análise é referente à Semana Epidemiológica 29 (12/7 a 18/7).

É o caso do Amapá, Maranhão, Ceará e Rio de Janeiro. Nestes estados, o número de novos casos semanais, depois de ter atingido um pico e iniciado o processo de queda, voltou a subir. O coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, observa que em Alagoas o número de casos voltou a crescer, sem nunca ter iniciado o processo de queda. “Os dados de SRAG continuam sendo fortemente associados à Covid-19, uma vez que, entre os casos com resultado positivo para os vírus respiratório testados, 96,7% dos casos e 99,1% dos óbitos retornaram positivo para o novo coronavírus”, ressalta Gomes.

CENÁRIO NACIONAL

Até o momento já foram reportados, este ano, um total de 289.946 casos de SRAG, sendo 145.020 (50,1%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 83.572 (28,8%) negativos, e cerca de 41.750 (14,4%) aguardando resultado laboratorial. Entre os positivos, 0,8% apresentavam influenza A, 0,4% influenza B, 0,7% vírus sincicial respiratório (VSR) e 96,7% Sars-CoV-2 (Covid-19).

No cenário nacional os dados indicam manutenção do número de crescimento de novos casos semanais, após leve queda observada no mês de maio. Os valores ainda encontram-se muito acima do nível de casos considerado muito alto. Estima-se que já ocorreram 76.934 óbitos de SRAG, podendo variar entre 74.888 e 79.792 até o término da semana 29.

“Como sinalizado nos boletins anteriores, a situação nas regiões e estados do país é bastante heterogênea. Portanto, o dado nacional não é um bom indicador para definição de ações locais”, comenta Gomes.

ESTADOS COM ALTERAÇÃO DE TENDÊNCIA

O sinal de possível estabilização no Rio Grande do Sul não se confirmou. O estado apresenta manutenção da tendência de crescimento. A tendência de possível início de queda na Bahia também não foi confirmada, sendo mantido sinal de estabilização. Já o Tocantins mostra estabilização após período de crescimento. Entre os estados que apresentavam queda nos boletins anteriores, Pernambuco e Espírito Santo apontam para um cenário de estabilização.

Paraíba, Distrito Federal, Amapá e Minas Gerais apresentam estabilização após período de crescimento, atingindo um platô. Embora tenha registrado leve queda durante o mês de maio, São Paulo mantém sinal de estabilização em valores semanais ainda próximos ao valor máximo observado neste ano. Em Rondônia e Goiás observa-se confirmação de possível início de queda, após atingir um primeiro pico no número de novos casos semanais.

Nas demais estados não foram observadas alterações em relação às tendências anteriores, com manutenção do sinal de queda na maioria das unidades federativas do Norte, sinal de crescimento em todas do Sul e situações heterogêneas nas demais regiões. Todos os estados continuam apresentando número de novos casos semanais acima dos valores considerados muito alto.

Regina Castro (CCS/Fiocruz)

Divulgado o resultado da homologação das inscrições do curso de mestrado do PPGVIDA

Divulgado hoje (20/7), o resultado da primeira etapa do processo seletivo do curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

O resultado refere-se à homologação das inscrições. O período para interposição de recursos das inscrições não homologadas ocorre nos dias 21 e 22/7, conforme descrito no edital.

A lista da homologação das inscrições está disponível no sistema Sigass em: http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120

SOBRE O CURSO

O PPGVIDA – ILMD/Fiocruz Amazônia é um programa de pós-graduação que tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

O curso é em regime integral e as aulas estão previstas para iniciar dia 5 de agosto deste ano. Ao final do mestrado, o egresso do curso receberá diploma de Mestre em Saúde Pública.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Covid-19: Pesquisa avalia segurança do profissional da saúde

O Ministério da Saúde, em seu último boletim (Boletim Epidemiológico Especial nº 21) sobre a Covid-19, destaca que 173.440 profissionais de saúde foram diagnosticados com a doença. Desses, 697 foram internados e 138 vieram a óbito. Devido ao alto risco de infecção a que esses profissionais estão expostos em seu dia a dia de trabalho durante a pandemia, o Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Proqualis) do Institudo de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (Icict/Fiocruz), está realizando a pesquisa Segurança do profissional da área de saúde durante o enfrentamento da infecção pelo novo coronavírus (Covid-19). A iniciativa tem o objetivo de avaliar o risco a que os profissionais de saúde estão submetidos e as medidas que estão sendo tomadas nos estabelecimentos para a proteção desses profissionais e seus pacientes.

Segundo a pesquisadora do Proqualis e coordenadora do estudo, Ana Luiza Pavão, “essa pesquisa visa a contribuir para mapear as características relacionadas ao processo de trabalho desses profissionais em meio à pandemia de Covid-19, bem como as iniciativas que estão sendo realizadas pelos gestores nos estabelecimentos de saúde pelo Brasil”.

A pesquisa enfoca dois aspectos: a adoção de medidas de segurança pelo profissional da área da saúde, em seus processos de trabalho, com foco principalmente no uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPI); e a organização do estabelecimento de saúde em relação à oferta de equipamentos e insumos, limpeza e desinfecção dos ambientes, bem como indicadores de capacitação e acompanhamento dos seus funcionários.

Disponível via Google Forms para facilitar o acesso on-line por meio de celular, tablet ou computador com acesso à internet, o inquérito é composto do ‘Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)’, que o profissional assinala a opção do concordância, as perguntas da pesquisa. Todo o processo dura no máximo, 15 minutos.

Para acessar os formulários para os profissionais e gestores:

Questionário para profissionais da área de Saúde;

Questionário para gestores de estabelecimentos de Saúde.

Fonte: Icict/Fiocruz