PPGVIDA convoca aprovados para matrícula acadêmica

O Instituto Leônidas & Maria Deane/ILMD Fiocruz Amazônia, por intermédio da Vice-Diretoria de Ensino, Informação e Comunicação em Saúde, considerando o que estabelece a Chamada Pública nº 006/2020 e republicações, convoca os candidatos classificados no Processo Seletivo/2020, para ingresso no Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) – 1º semestre de 2021.

Os aprovados deverão apresentar-se para efetivação da Matrícula Institucional, observando os dias, horários e os documentos necessários especificados nesta Chamada, publicada no endereço eletrônico: https://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120 . Os classificados deverão enviar para o e-mail posgradvida.ilmd@fiocruz.br , nos dias 22 e 23 de fevereiro de 2021, cópia de cada um dos documentos listados no item 1. 4 desta chamada. No nome da mensagem deve ser escrito o (Nome do candidato classificado – Matrícula Institucional).

Mais informações clique AQUI.

SOBRE O PPGVIDA

O curso de Mestrado de Condições de vida e situações de saúde na Amazônia tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos, capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

O programa também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.

Ascom/ILMD Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento

Fiocruz Amazônia publica quarta nota técnica sobre situação epidemiológica do AM

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e o Observatório Fiocruz Covid-19  divulgaram hoje, 25/01, a quarta Nota Técnica sobre o  comportamento da epidemia de Covid-19 no Amazonas, com enfoque nas macrorregiões e regionais de saúde do Estado, a partir dos casos notificados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) correlacionados ao SARS-CoV-2, até a segunda semana epidemiológica de 2021.

A cidade de Manaus foi analisada de forma isolada, e foram excluídas das regionais, as notificações que tinham como local de residência a capital. A Nota Técnica apresenta estimativas de tendências a curto e a médio prazos.

O documento foi subdividido em quatro partes: a primeira aborda as associações espaciais entre notificações de SRAG e notificação de casos confirmados de Covid-19; a segunda analisa a notificação da SRAG em regiões do Estado; a terceira aborda a caracterização genética do SARS-CoV-2 circulante no Amazonas; e, a quarta apresenta considerações e reflexões sobre a vacinação no Estado.

Os pesquisadores destacam a importância da vacinação especialmente para os grupos de risco, mas alertam que estratégias de prevenção devem ser mantidas no Estado e em suas fronteiras, diante da ativa circulação viral.

O documento foi elaborado pelos pesquisadores Bernardino Albuquerque, Carlos Machado de Freitas, Christovam Barcellos, Daniel Antunes Maciel Villela, Felipe Gomes Naveca, Fernando Herkrath, José Joaquín Carvajal Cortés, Leonardo Soares Bastos, Marcelo Ferreira da Costa Gomes, Margareth Crisóstomo Portela, Rodrigo Tobias de Sousa Lima, Sérgio Luiz Bessa Luz, e Valcler Rangel Fernandes, do ILMD/Fiocruz Amazônia e do Observatório Fiocruz Covid-19,

Leia a Nota Técnica na íntegra.

Ascom-ILMD/Fiocruz Amazônia

Fiocruz entrega cinco usinas de produção de oxigênio para o AM

O programa Unidos contra a Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), distribuiu, na última semana, cinco usinas de produção de oxigênio ao sistema público de saúde do Amazonas, em resposta à crise de saúde pública enfrentada pelo estado. As usinas foram enviadas à Secretaria de Saúde do Amazonas para distribuição entre os hospitais da capital e do interior do estado.

Cada usina tem capacidade de produzir cerca de 25m³ de oxigênio por hora, quantidade suficiente para suprir uma unidade hospitalar em 12 leitos de terapia intensiva e 80 leitos de internação e pronto atendimento.

“O programa Unidos Contra a Covid-19 procurou, de forma rápida, apoiar a emergência vivida no Amazonas e colaborar com a infraestrutura local do Sistema Único de Saúde (SUS). Os equipamentos ficarão como um legado para o estado e poderão ser utilizados pelos hospitais na produção de oxigênio, em emergências futuras”, afirmou o vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Fiocruz, Mario Moreira.

A doação foi possível mediante o apoio do Todos pela Saúde, Bradesco, B3, MRS Logística, Unitedhealth Group Brasil e Juntos pelo Amazonas (Ambev, BRF, Coca-Cola Brasil, Fundação BNP Paribas, Grupo +Unidos, Magalu, Mercado Livre, Nestlé Brasil, Petrobras, Sesc, SulAmérica, WEG, Whirlpool, XP Inc. e Yamaha).

Por Erika Farias (CCS/Fiocruz)

Fiocruz Amazônia lamenta morte de Rosemary Costa Pinto

A direção do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) lamenta profundamente a morte da farmacêutica bioquímica, Rosemary Costa Pinto, diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), ocorrido hoje, 22/01, por complicações decorrentes da Covid-19.

Rosemary Costa Pinto atuou incansavelmente no enfrentamento ao SARS-CoV-2 no Amazonas,  contribuiu para as relações  de parcerias institucionais com a Fiocruz Amazônia, sendo seu profissionalismo e sensibilidade marcas importantes do seu trabalho.

Fiocruz Amazônia confirma reinfecção por nova variante do SARS-CoV-2

Pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD /Fiocruz Amazônia), em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) confirmaram o segundo caso de reinfecção no Brasil pelo SARS-CoV-2. A reinfecção se deu em Manaus, pela nova variante identificada no Amazonas, designada B.1.1.28.1 ou P.1. O caso foi confirmado pelo virologista e pesquisador Felipe Naveca.

“A confirmação do caso de reinfecção se deu ao concluirmos o sequenciamento genético das amostras, compararmos a primeira infecção e a segunda, o que mostrou se tratarem de linhagens diferentes. Esse era o último critério que estava faltando para confirmar o caso de reinfecção”, comentou Naveca.

Esse primeiro caso documentado de reinfecção pela nova linhagem P.1 emergente se deu em uma mulher de 29 anos de idade do Amazonas. A primeira infecção pelo SARS-CoV-2 nessa paciente ocorreu em março, e a segunda em dezembro. Ambos os resultados positivos para SARS-CoV-2 foram feitos por exame de RT-PCR.

Desde o surgimento da Covid-19, alguns casos de reinfecção com variantes filogeneticamente distintas de SARS-CoV-2 foram relatados. O pesquisador revela que os casos de reinfecção tanto podem ser a consequência de uma imunidade protetora limitada e transitória induzida pela primeira infecção, quanto podem refletir a capacidade do vírus da reinfecção evadir a resposta  imunológica  anterior.

A nova variante SARS-CoV-2 tem origem na linhagem B.1.1.28, que circula no Amazonas. A nova cepa também foi detectada em viajantes japoneses que tinham passado pelo Amazonas, um estado severamente atingido pela Covid-19 na primeira onda epidêmica, ocorrida entre março e julho do ano passado, e que atualmente enfrenta um aumento vertiginoso de mortes.

Leia AQUI o artigo sobre a nova variante.

Para acessar o artigo sobre o caso de reinfecção, CLIQUE.

Felipe Naveca alerta que outras variantes do SARS-CoV-2 circulam no Brasil e outras devem surgir ao longo do tempo, daí a necessidade constante de vigilância de cepas do novo coronavírus para apoiar a saúde no enfrentamento da Covid-19.

“Ainda não podemos afirmar qual o papel dessa variante na explosão de casos recentes em Manaus, precisamos sequenciar muitas outras amostras para ver a frequência dela atualmente, mas eu acredito sim que ela seja um dos fatores”, comenta.

O pesquisador lembra ainda que outros fatores podem ter contribuído para o aumento de casos de Covid-19 no Amazonas: o período de chuvas na região, que favorece o crescimento de infecções por vírus respiratórios, mas principalmente a baixa adesão da população às recomendações de uso de máscaras, manutenção de distanciamento social e lavagem frequente das mãos.

Os estudos no campo da virologia realizados pela Fiocruz Amazônia recebem apoio da Fiocruz, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A FVS-AM e o Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM) são parceiros em todas as pesquisas de viroses emergentes.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Eduardo Gomes

Anvisa autoriza uso emergencial da vacina da Fiocruz

Ao final 1ª Reunião Extraordinária Pública da Diretoria Colegiada, realizada na manhã deste domingo (17/1), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso emergencial de duas vacinas contra a Covid-19: a Oxford-AstraZeneca, da Fiocruz, e a Coronavac, do Instituto Butantan. Um dia histórico para a Anvisa e também para o Brasil, marcando o início da vacinação no país.

O pedido emergencial submetido pela Fiocruz se refere às 2 milhões de vacinas prontas que serão importadas do Instituto Serum, um dos centros capacitados pela AstraZeneca para a produção da vacina na Índia. A logística e execução do transporte dessas vacinas junto ao governo indiano está sendo conduzida pelo Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde (MS), Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Casa Civil. A Fiocruz tem se mantido em interlocução permanente junto aos órgãos do Governo Federal para a atualização de informações.

“A Fiocruz e todo o seu corpo técnico tem se dedicado incansavelmente para disponibilizar vacinas para o SUS e para a população brasileira. A autorização do uso emergencial concedida hoje reflete a seriedade do trabalho que vem sendo feito pela instituição. A Fiocruz tem realizado todas as ações possíveis em sua esfera de competência para que essas vacinas cheguem ao seu destino o mais rapidamente possível”, destaca a presidente da Fundação, Nísia Trindade Lima.

Para o diretor do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Maurício Zuma, o processo de submissão do pedido de uso emergencial foi um trabalho árduo, que envolveu uma gama enorme de informações e muita dedicação. “A aprovação pela Anvisa comprova que temos uma vacina segura e eficaz para disponibilizar para a população; e nós não estamos medindo esforços para que isto aconteça o mais rapidamente possível”, garante Zuma.

A Fiocruz, com o apoio do Ministério da Saúde, tem estado em contato permanente com a AstraZeneca para liberação e exportação do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) da China, que tem protocolos específicos para exportação da carga, e aguarda informações mais precisas para confirmar a data de chegada dos primeiros insumos necessários para a produção da vacina no Brasil.

Fonte: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Fiocruz publica Nota Técnica sobre nova variante do Sars-CoV-2 no Amazonas

Pesquisador do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia) confirma a identificação da origem da nova variante da linhagem Sars-CoV-2 B.1.1.28 no Amazonas. A nova variante foi designada provisoriamente de B.1.1.28 (K417N / E484K / N501Y). Liderado por Felipe Naveca, o estudo sugere que as cepas, detectadas em viajantes japoneses que tinham passado pela região amazônica, evoluíram de uma linhagem viral no Brasil, que circula no Amazonas.

Os achados apontam ainda que a mutação detectada na variante B.1.1.28 (K417N / E484K / N501Y) é um fenômeno recente, provavelmente ocorrido entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021. De acordo com a nota, o surgimento de novas variantes do Sars-CoV-2 que abrigam um número maior de mutações em proteína chamada Spike tem trazido preocupação em todo o mundo, sobretudo, após a recente identificação de duas cepas, uma no Reino Unido e outra na África do Sul. No Brasil, a epidemia de Sars-Cov-2 ocorreu a partir de duas linhagens, denominadas B.1.1.28 e B.1.1.33, que, provavelmente, surgiram no país em fevereiro de 2020.

O pesquisador informa que, em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS/AM) e o com o Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM), está conduzindo um levantamento genômico de indivíduos recentemente infectados com Sars-CoV-2 no Amazonas, com o objetivo de detectar a circulação dessa linhagem no Estado.

“Nossa análise preliminar também confirma que as linhagens brasileiras emergentes B.1.1.28 (E484k) e B.1.1.28 (K417N / E484k / N501Y) surgiram independentemente durante a diversificação da linhagem B.1.1.28 no Brasil. O surgimento simultâneo de diferentes linhagens B1.1 virais que carregam mutações K417N / E484K / N501Y no domínio de ligação do receptor da proteína Spike em diferentes países ao redor do mundo durante a segunda metade de 2020 sugere mudanças seletivas convergentes na evolução de Sars-CoV-2 devido a similar pressão evolutiva durante o processo de infecção de milhões de pessoas”, destaca a Nota. “Se essas mutações conferem alguma vantagem seletiva para a transmissibilidade viral, devemos esperar um aumento da frequência dessas linhagens virais no Brasil e no mundo nos próximos meses”.

Leia a Nota Técnica na íntegra.

Os estudos realizados pela Fiocruz Amazônia recebem apoio da Fiocruz, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

ILMD Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Inscrições abertas para Curso de Formação voltado a profissionais da saúde, educação, proteção social, jovens e lideranças indígenas

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) iniciou nesta segunda-feira, 4 de janeiro de 2021, as inscrições para o Curso “Bem-Viver: Saúde Mental Indígena”, que atuará na formação de profissionais que estão diretamente envolvidos na assistência das populações indígenas.

A ação faz parte do projeto “Juntos contra a COVID-19 e na proteção de crianças e adolescentes indígenas na Amazônia Brasileira”, do qual fazem parte, além da Fiocruz, o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

Acesse: https://campusvirtual.fiocruz.br/gestordecursos/hotsite/bemviversaudeindigena

O Curso de formação é completamente virtual e terá cinco módulos, abrangendo aspectos relacionados à saúde mental e fatores psicossociais que já eram enfrentados pelas populações, mas que se intensificaram no período da COVID-19. O conteúdo poderá ser acessado a partir de 15 de janeiro via plataforma EAD da Fiocruz. A interação entre alunos e professores acontecerá por meio da rede social WhatsApp.

Indígenas, profissionais ligados à saúde, à educação, sistemas de proteção social (conselheiros tutelares, professores) e à assistência social são o público-alvo da formação. A ideia é construir uma rede de apoio psicossocial que possa atingir mil pessoas, pelo menos.

Resumo do conteúdo programático:

Contexto da COVID-19 e populações indígenas. Bem viver e saúde mental indígena. Autoatenção e estratégias comunitárias. Pertencimento e identidade. A criança, o jovem e os idosos nas populações indígenas. Proteção, cuidados e tradições orais. Estratégias SMAPS no cuidado indígena. Descolonizando o conceito de violência. Direitos Humanos e Violência contra indígenas. Mulheres indígenas e os Estudos de Gênero. O consumo de bebidas alcoólicas na população indígena. Fatores de risco para suicídio em populações indígenas. Ações de prevenção e intervenção e pósvenção em equipes de saúde/educação. Estratégias de cuidado e luto.

Serviço:

O quê: Curso “Bem-Viver: Saúde Mental Indígena”

Período de inscrições: 04/01 à 18/02/2021.

Início do curso: 15/01/2021.

Onde: https://campusvirtual.fiocruz.br/gestordecursos/hotsite/bemviversaudeindigena

Lahpsa-ILMD/Fiocruz Amazônia, por Grace Soares

Pesquisadoras da Fiocruz Amazônia alertam sobre a necessidade de prevenção à esporotricose

“O Brasil é o país com o maior número de casos de esporotricose felina no mundo. A doença ocorre no sul e sudeste do país há 21 anos e na região nordeste há 5 anos. É uma doença negligenciada e somente de notificação compulsória em alguns municípios específicos”, o alerta é da pesquisadora em Saúde Pública  e membro do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde – (Dmais) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Ani Beatriz Matsuura.

A recente confirmação de casos de esporotricose em Manaus preocupa pesquisadores, médicos veterinários e autoridades diante da necessidade de  adoção de medidas de prevenção e cuidados que a população deve ter para evitar o avanço da doença.

Sobre o assunto conversamos com Ani Beatriz Matsuura e com a pesquisadora e médica veterinária Alessandra Nava, do Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA-Fiocruz Amazônia).

  1. O que é a esporotricose e o nome do fungo que a causa?

Ani Beatriz Matsuura – A esporotricose é uma infecção fúngica subcutânea causada pelo fungo Sporothrix. A forma clínica mais frequente é caracterizada por múltiplas lesões cutâneas tanto no ser humano como em animais, principalmente em gatos.

Antigamente o agente causador era o Sporothrix schenckii. Essa espécie é considerada um fungo patogênico de baixa virulência. Em 2007, foi descrita uma nova espécie, o Sporothrix brasiliensis, que atualmente é responsável por mais de 90% dos casos de esporotricose humana e felina no Brasil. S. brasiliensis é considerada uma espécie mais adaptada ao parasitismo em mamíferos do que S. schenckii.

  1. Quais as características desse fungo e onde ele pode ser encontrado?

ABM – Por mais de um século, a esporotricose foi descrita como uma doença ligada a atividade ocupacional, como agricultura ou jardinagem. O fungo está na natureza, no solo, em plantas ou madeira, principlamente a espécie S. schenckii. Mas os pesquisadores ainda não encontraram S. brasiliensis em solo. No entanto, essa espécie é a mais envolvida na transmissão da doença de gato para gato e também do gato para a pessoa. Ainda não se sabe porque os gatos tem uma alta susceptibilidade a infecção de Sporothrix brasiliensis.

O fungo Sporothrix é dimórfico, que quer dizer que ele se apresenta de duas formas. Quando ele está na natureza ou quando é cultivado em laboratório a temperatura ambiente (de 25C a 30C) ele apresenta filamentos, mas quando é colocado a 37C ou está infectando o animal ou a pessoa, ele passa para a forma de levedura (forma unicelular).

A colônia na temperatura ambiente é numa cor acinzentada e apresenta crescimento lento. Quando é feito o cultivo para ver se o fungo está na amostra biológica coletada é necessário aguardar pelo menos 5 dias até se observar o crescimento. Mas esse tempo pode ser maior. Em geral se acompanha o cultivo até 30 dias. Só depois desse tempo, se não houver crescimento, que a cultura é considerada negativa. Microscopicamente se observa filamentos e estruturas reprodutivas (conidióforos com conídios) em forma de flor (margarida).

  1. Como se dá o contágio?

ABM  – O contágio ocorre por inoculação do fungo através de um ferimento causado por um espinho, solo ou material orgânico em decomposição contaminados, ou por arranhões e mordidas de gatos doentes com o fungo. Raramente o contágio pode ser por inalação dos esporos do fungo.

Os gatos desempenham um papel fundamental como fonte de infecção porque tem uma grande quantidade de células de levedura nas lesões cutâneas e foi verificado a presença do fungo nas garras e na cavidade oral de animais doentes.

  1. O humano pode transmitir a esporotricose ao animal?

 ABM – Na teoria poderia. Mas não é o que tem acontecido. Caso a pessoa tenha uma lesão não tratada e se o gato arranhar essa lesão, o animal poderia ficar com as células do fungo nas suas garras e assim se infectar. Mas a quantidade de células do fungo em lesões de humanos é em menor quantidade do que nos gatos, o que diminui essa possibilidade.

O que se tem observado é a transmissão do animal doente para o humano.

  1. Quais cuidados se deve ter para evitar a transmissão da doença?

ABM – Quem tem animal com lesões precisa tomar muito cuidado quando for manipular o gato para não acontecer arranhões ou mordidas e nem tocar as lesões cutâneas sem a mão estar protegida com luvas. Caso a pessoa seja arranhada é importante lavar a região com sabão e procurar assistência médica.

Precisa separar animal doente dos animais saudáveis.

A caixa de transporte precisa ser limpa com água sanitária, assim como qualquer ambiente onde o animal fique.

Manter os animais em casa.

Fazer o tratamento seguindo as recomendações do veterinário até o animal ser considerado curado.

Caso o animal morra ele precisa ser incinerado e não jogar em qualquer lugar. O fungo que está no animal morto doente vai ficar no solo e deixar o ambiente contaminado e poderá infectar outros animais.

  1. A esporotricose tem cura?

ABM – Sim. Existe tratamento para a esporotricose e cura. Tanto para o animal quanto para os humanos. O importante é procurar um médico ou veterinário assim que aparecer qualquer lesão e não deixar progredir.

O abandono de animais preocupa Alessandra Nava, que chama a atenção para a necessidade de diagnóstico correto e tratamento adequado para o animal acometido pela esporotricose.

  1. No Amazonas não havia incidência da esporotricose, o que pode ter acontecido para o surgimento da doença em Manaus?

Alessandra Nava – É um fungo de distribuição mundial que está no ambiente de ocorrência em climas tropicais. Ele não surgiu em Manaus, já estava no ambiente e as condições que colaboraram com o surto é o grande abandono de animais e a desinformação da população quanto à urgência em castrar absolutamente os animais.

  1. Quais animais podem ser atingidos por esse fungo?

AL  – Todos animais, porém os gatos desenvolvem formas mais virulentas e de maior infectividade.

  1. Ele se manifesta somente em ambiente urbano e em animais domésticos?

AL – Tem relatos de caçadores adquirirem esporotricose ao se arranharem com tatu durante a caça.

  1. O que fazer ao se suspeitar da doença em um animal doméstico?

AL – Levar o animal para o médico veterinário diagnosticar. O diagnóstico correto, o tratamento adequado e o cuidado ao tratar esse animal acometido, mantendo-o dentro de casa, bem nutrido e isolado dos outros animais durante tratamento, resolvem o problema.

  1. Qual a media de tempo do tratamento da doença nos animais? 

AL – 2 meses a 1 ano .

Em Nota Técnica a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) disponibiliza os telefones 0800 280 8 280 (de segunda a sexta-feira, no  horário comercial) ou (92) 98842-8359/98842-8484 e e-mail cczcidadao@pmm.am.gov.br, para orientações aos donos de animais com suspeita da doença.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Fiocruz Imagens, por Raquel Portugal

Fiocruz Amazônia divulga alteração no cronograma do processo seletivo para o curso de mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio da Comissão de Seleção do Processo Seletivo do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO), divulga 4ª Republicação da Chamada Pública 008/2020 , com alteração do Anexo I, referente ao cronograma do processo seletivo do Curso de Mestrado.

Confira AQUI para conferir a republicação.

Todas as informações sobre o processo seletivo do PPGBIO podem ser acessadas na Plataforma Siga-Fiocruz de Gestão Acadêmica em https://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=127

Ascom-ILMD/Fiocruz Amazônia
Imagem: Mackesy Nascimento