Um estudo desenvolvido a partir dos dados de internações e óbitos de idosos, entre 2020 e 2021, avaliou a cobertura vacinal, na cidade de Manaus e sua relação com mudanças no padrão tanto de internações como de óbitos, diante da adoção de dois regimes de vacinação associados a significativo efeito protetor. A pesquisa buscou avaliar como esse padrão se comportou, em cenários sem e com as vacinas contra a Covid-19, em pessoas acima dos 59 anos.

Desenvolvido pelos pesquisadores Jesem Orellana, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia); Geraldo Marcelo da Cunha e Iuri da Costa Leite, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/ Fiocruz); Lihsieh Marrero, da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Bernardo Lessa Horta, da Universidade Federal de Pelotas, (UFPel); e Carla Magda Allan Santos Domingues, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, o artigo “Mudanças no padrão de internações e óbitos por Covid-19 após substancial vacinação de idosos em Manaus, Brasil”, foi aceito para publicação, e em breve estará disponível na íntegra, na revista Cadernos de Saúde Pública da ENSP/ Fiocruz, que debate políticas públicas e fatores que afetam as condições de vida das populações e os cuidados de saúde.

O estudo aponta mudança nos padrões de internações e óbitos por Covid-19, com aumento no risco de internação e óbito nos mais jovens não vacinados e, importante redução desses indicadores nos idosos vacinados, sobretudo naqueles entre 60 e 69 anos. A redução geral nas taxas de internação e óbito por Covid-19 foi expressiva, com 62% e 63%, respectivamente.

Os padrões de internação e óbito por Covid-19 foram avaliados, comparativamente, em idosos entre 60 e 69 e, de 70 anos ou mais, em dois grupos de Semanas Epidemiológicas (SE) de 2020 (não vacinados) e 2021 (vacinados), a partir da data dos primeiros sintomas. A equipe utilizou para estimar as taxas de internação e óbitos o modelo Poisson.

Perante os dados coletados, o estudo pontuou que os idosos, entre 60 e 69 anos e naqueles com 70 anos ou mais, a cobertura por vacina foi de 41,8% e 54,8%, bem como 53,5% e 90,1% nos grupos das semanas epidemiológicas (18-20) de 2021 e (21-23) de 2021, respectivamente. Os resultados reforçam a importância da vacinação, especialmente em contexto epidêmico como o de Manaus, marcado por elevada circulação da variante Gama (P.1).

“Estes resultados reforçam a importância da vacinação em idosos e, é o primeiro no nível populacional em Manaus. Também permitem extrapolações para pessoas mais jovens, incluindo crianças, já que as vacinas comumente são mais eficazes no sistema imunológico dessas pessoas, em comparação aos idosos. Estes resultados se revestem de importância ainda maior, em tempos de variantes altamente contagiosas e que parecem burlar parte da resposta imunológica, seja de pessoas previamente infectadas pelo Sars-Cov-2 ou com esquema vacinal incompleto, como parece ser o caso da Variante de Preocupação (VOC) Ômicron”, explicou o epidemiologista, Jesem Orellana.

Em relação às internações e mortes de idosos vacinados observadas neste estudo, os pesquisadores sugerem que vacinas não são infalíveis e, por isso alertam para o fato de que outras medidas, como uso correto de máscaras, distanciamento físico e higienização das mãos precisam ser combinados à vacinação contra a Covid-19.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos – Ingrid Anne / Divulgação -ILMD/Fiocruz Amazônia