Projeto desenvolvidos pela Fiocruz Amazônia são apresentados durante simpósio de pesquisadores em saúde da tríplice fronteira

O instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em parceria com a Universidade Nacional da Colômbia (UN) – Sede Amazônia – Letícia (COL), promoveu entre os dias 27 e 29/11, o I Simpósio de Pesquisadores em Saúde da Tríplice Fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. O evento visou promover o encontro científico e interinstitucional, direcionado aos pesquisadores e profissionais da saúde, alunos de graduação e pós-graduação, para divulgar as pesquisas científicas em saúde realizadas na fronteira e incentivar a criação de uma rede de pesquisadores em saúde da tríplice fronteira.

A atividade é resultados de debates, promovidos durante um encontro, realizado em junho de 2019, entre pesquisadores do ILMD/Fiocruz Amazônia, Instituto Oswaldo Cruz – IOC/Fiocruz, Institut de Recherche Pour le Développement (IRD) e pesquisadores da Universidade Nacional da Colômbia – Sede Amazônia (UN), em Letícia (COL), para compartilhar informações sobre ações institucionais e possíveis estratégias para a saúde na fronteira.

Participaram da mesa de abertura do evento, o diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz, o diretor da Universidade Nacional da Colômbia – Sede Amazônia (UNAL), Germán I. Ochoa, o coordenador de pesquisa da UNAL, Carlos Zarate, e o secretário de saúde Departamental do Amazonas da Colômbia, Jose Hernan Espejo.

Para Sérgio Luz, o intercâmbio de informações sobre as pesquisas na área da saúde, realizadas na tríplice fronteira entre Brasil Colômbia e Peru, é de grande relevância para a colaboração entre os países. “Hoje estamos aqui para discutir temas de saúde importantes para esses países. A intenção é que esse simpósio retroalimente a ideia inicial da colaboração. Tivemos importantes falas sobre os problemas de saúde durante o evento, para que esse entendimento comece a crescer, e a gente consiga alcançar um objetivo maior de construir conhecimento e relações nesse território, que precisa ser visto como um território único”, disse.

 

No primeiro dia de evento, a vice-diretora de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz Amazônia, Claudia Rios, realizou uma apresentação institucional sobre a Unidade da Fiocruz em Manaus, destacando a importância da formação, e apresentando os programas de pós-graduação e cursos de especialização. Na ocasião, foi abordada também a promoção do Curso de Especialização em Vigilância em Saúde na Rede de Atenção Primária à Saúde, oferecido pela Fiocruz Amazônia, em formato presencial em Tabatinga (AM).

O Vice-Diretor de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, apresentou o projeto “Vigilância genômica de vírus emergentes e reemergentes na Amazônia ocidental brasileira”. Já o pesquisador Lee Crainey, apresentou o projeto “Doenças filariais na Amazônia brasileira”.

Representando Sérgio Luz, coordenador do projeto “Controle de Aedes Spp. Com Estações Disseminadoras de Larvicida em Tabatinga (Brasil) e Leticia (Colombia)”, o pesquisador José Joaquim, abordou a implantação do projeto na tríplice fronteira. O estudo iniciou em 2014 nas cidades de Manaus e Manacapuru, no Amazonas. Atualmente, está sendo testado em outras cidades brasileiras e tem apresentado resultados animadores mesmo em diferentes paisagens geográficas e escalas.

Confira a programação do evento

Durante o evento, outros pesquisadores apresentaram trabalhos, representando a Fiocruz Amazônia: Sully Sampaio, do Laboratório de Situação de Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros grupos vulneráveis (SAGESPI), apresentou o projeto “Atenção diferenciada: a formação técnica de agentes Indígenas de saúde do alto rio negro”. Bernardino Albuquerque, coordenador do curso de Especialização em “Vigilância em Saúde na Atenção Básica”, em Tefé, abordou “A importância da implantação de uma sala de situação em Saúde na tríplice fronteira”.

SALA DE SITUAÇÃO EM SAÚDE

Representando a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), José Juan Cortez, apresentou as “Experiência da Organização Pan-americana de Saúde com sala de situação”.  A Sala de Situação em Saúde do Ministério da Saúde, tem por objetivo disponibilizar informações, de forma executiva e gerencial, para subsidiar a tomada de decisão, a gestão, a prática profissional e a geração de conhecimento. Além disso, demonstra a atuação governamental no âmbito do SUS, fornece referencial para projeções e inferências setoriais, além de contribuir para a transparência acerca das ações desenvolvidas na área da saúde.

A sala é dividida em quatro módulos: O socioeconômico apresenta aspectos socioeconômicos, demográficos e territoriais que permitem identificar a situação conjuntural brasileira. Reúne dados políticos de estados e municípios, bem como as representações no poder Legislativo e sua atuação na área da saúde, por meio de emendas e convênios. Já o módulo “Ações em saúde”, possibilita o acompanhamento das metas físicas, coberturas e repasses financeiros relacionados às principais ações e programas do Ministério da Saúde.

“Situação de saúde” é o módulo que disponibiliza indicadores epidemiológicos e operacionais relacionados a doenças e agravos caracterizados como problema de saúde pública, além de auxiliar na elaboração de análises contextuais, utilizadas na formulação de políticas e na avaliação de intervenções específicas no campo da saúde.

Outro setor importante é o de “Gestão em saúde”, que aborda a execução orçamentária do Ministério da Saúde, por unidade orçamentária, programas e ações. Informa os limites financeiros por empenho e por fontes de recurso. Detalha a situação de convênios e apresenta as transferências fundo a fundo, particularizando os repasses financeiros. Exibe informações sobre estabelecimentos e profissionais de saúde em atuação no SUS. Através da sala é possível mostrar indicadores de processo e resultados do monitoramento do Pacto pela Saúde.

“Participamos com muito agrado deste simpósio, para podermos conhecer e apoiar em todas as políticas que estão sendo planejadas e desenvolvidas, a partir de uma experiência que temos vivenciado em outros cenários, também de fronteira. Esperamos estar contribuindo, para fortalecermos dessas políticas através de nossas experiências”, destacou Juan José Cortez Escalante, representante da OPAS.

Ascom – ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes

Potencial de plantas amazônicas é abordado durante palestra na Fiocruz Amazônia

Na manhã desta segunda-feira, 21/10, o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promoveu a palestra “Histórico de uso das plantas amazônicas”, ministrada por Fabiana Frickmann, gestora das RedesFito Amazônia. A atividade faz parte da programação da 16a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), cujo tema na Instituição é “Fiocruz Amazônia e você na semana de C&T (2ª edição): Bioeconomia: Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável”.

A palestra ocorreu na sede da Fiocruz Amazônia e contou, na abertura, com a presença da coordenadora do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica (PIC), Priscila Aquino, da assessora da diretoria, Maria Olívia Simão, e da vice-diretora de Ensino, Informação e Comunicação, Claudia Ríos.

Na abertura do evento, Maria Olívia falou da importância da divulgação científica para o esclarecimento da sociedade sobre assuntos relacionados a ciência e tecnologia, e pediu aos participantes que falem mais sobre ciência com as pessoas no seu entorno, com a finalidade de disseminar a importância da pesquisa para a obtenção de novos saberes. Como convite aos presentes, Dra. Claudia María Ríos Velásquez, ressaltou a intensa agenda de atividades da SNTC da Fiocruz Amazônia.

Pesquisadores, técnicos e bolsistas de iniciação científica participaram da atividade, que teve como principal objetivo capacitar e disseminar informações sobre o histórico da Bioeconomia na Região Amazônica, bem como as possibilidades de plantas medicinais como potenciais fármacos, propriedades industriais e intelectuais.

“Quando se desenvolve uma tecnologia, não se deve ficar guardada. Estratégias de políticas públicas podem ser usadas para isso. O processo evolutivo como se deu e, a partir disso, aprender e fazer de uma forma melhor e mais inovadora. Toda ciência deve ser feita para saúde e prosperidade, correndo o risco de ser utilizada para fins negativos. Mas por isso ninguém mais vai inventar? Não. Mesmo que possa ser utilizada para o mal, o pesquisador tem que estar focado no bem social dessa inovação”, afirmou a pesquisadora.

Durante a palestra, uma linha cronológica foi apresentada, começando em 1835, com as plantas produtoras de látex extraídas da Amazônia para a Malásia, até 2019, com novos produtos com indicação geográfica amazônica, selos de comprovação com o intuito de proteger a natureza das espécies, como a farinha do Vale do Juruá e o abacaxi do Novo Remanso.

Além disso, foram apresentados exemplos de potenciais consolidados de Bioecomia na região, como o caso da Borracha (Hevea brasiliensis), Guaraná de Maués (Paullinia cupana) e Pau-rosa (Aniba rosaeodora). Fabiana ressaltou a importância de engajamento dos estudantes como possíveis pesquisadores do assunto, focando em estudos sobre manejo e pesquisa, a fim de evitar a extração desenfreada e o risco de extinção das espécies.

SOBRE A PALESTRANTE

Fabiana é professora Visitante do Programa de Pós Graduação em Biotecnologia (PPG-BIOTEC/BIONORTE) da Universidade Federal do Amazonas, Doutora em Biotectologia Vegetal (UFRJ), 2012. Atuou como Coordenadora das RedesFito, Professora e orientadora da Pós-Graduação do Curso de “Gestão em Inovação de Fitomedicamentos”. Desenvolve projetos nas áreas de: prospecção biotecnológica, etnoecologia, sustentabilidade socioambiental e gestão nas áreas de Ciência, Tecnologia, Inovação & Saúde. 

Atualmente trabalha na área de Gestão da inovação de produtos de origem natural, ecologia e biotecnologia Vegetal da RedesFito Amazônia.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Diovana Rodrigues
Fotos: Marlúcia Seixas

Fiocruz Amazônia oferece curso de atualização em Organização de Ações de Vigilância, Prevenção e Controle de Agravos Notificáveis para agentes de saúde de Manaus

A primeira turma do curso de atualização em Organização de Ações de Vigilância, Prevenção e Controle de Agravos Notificáveis promovida pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) iniciou as aulas nesta segunda-feira, 30/9, e vai até sexta-feira, 4/10. O curso acontece na sede da Fiocruz no Amazonas, no Salão Canoas, bairro de Adrianópolis, de 8h às 17h.

Participam desta primeira turma Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate a Endemias (ACE) de Manaus. O curso é desenvolvido no âmbito do QualificaSUS, projeto do ILMD/Fiocruz Amazônia para qualificar trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), visando a prestação de um serviço de melhor qualidade e efetividade aos usuários do SUS,.

Durante a abertura do curso, o diretor da Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz, falou do desafio de se promover capacitação para todo o Amazonas. “O QualificaSUS surge com a perspectiva de oferecer cursos na área de saúde para todo o Amazonas. Esta é uma turma piloto que contará com os facilitadores, que são nossos apoiadores e que foram selecionados entre mais de 700 pessoas, para ministrar este curso. Eles foram treinados e capacitados para nos ajudar nesse grande desafio: qualificar os profissionais de saúde dos municípios do estado do Amazonas”.

Na oportunidade, Luciana Fabrício, gerente do Distrito de Saúde Rural da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) disse estar muito feliz com a parceria com a Fiocruz Amazônia e com a oportunidade da capacitação das equipes do Distrito Rural, que são os primeiros a receberem essa qualificação. “Receber esse curso como os primeiros é uma honra e uma grande satisfação. Eu quero agradecer por essa oportunidade, sabemos que não é fácil trazer todos para este curso, mas as nossas ações não param e não podemos relaxar com relação ao nosso trabalho na  endemia. Conseguimos trazer o máximo de agentes para participar do curso”.

Para o pesquisador visitante sênior da Fiocruz Amazônia, Bernardino Albuquerque, a proposta do QualificaSUS, de abrangência dos 62 municípios do estado do Amazonas não é fácil, principalmente para quem conhece o interior. “No entanto, nós vamos ter o apoio e participação efetiva dos nossos facilitadores nesse curso; são profissionais que realmente já estão preparados para desenvolver essa missão. Exatamente eles que vão passar três semanas no interior e uma semana aqui em Manaus e voltar novamente para o interior. Vai ser um trabalho muito duro”, concluiu.

O curso está sendo ministrado por profissionais selecionados na Chamada Pública Nº 006/2019, para atuarem como facilitadores do curso de atualização em Organização de Ações de Vigilância, Prevenção e Controle de Agravos Notificáveis, que será ministrado em todo o Amazonas, para agentes de saúde do SUS.

VAGAS ABERTAS PARA OS MUNICÍPIOS

O ILMD/Fiocruz Amazônia está com inscrições abertas desde o dia 19/9 para o curso de atualização em Organização de Ações de Vigilância, Prevenção e Controle de Agravos Notificáveis, a ser realizado em municípios do Amazonas.

O curso é dirigido aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate a Endemias (ACE), vinculados às secretarias municipais de saúde dos municípios, e que desempenham suas funções e/ou atividades no cuidado primário à saúde da população.

Confira o Edital Aqui

O curso possui os seguintes objetivos: Conhecer tópicos da dinâmica de transmissão passíveis de intervenções pela atenção básica; Sensibilizar a atenção básica à incorporação de estratégias e ações destinadas à prevenção e controle das doenças de transmissão vetorial; Conhecer ferramentas utilizadas pela educação em saúde para a prevenção e controle das doenças de transmissão vetorial; e, Construir plano de trabalho frente às diferentes realidades na esfera municipal.

As inscrições são gratuitas.

SOBRE O QUALIFICASUS

O Projeto QualificaSUS  é uma iniciativa do ILMD/Fiocruz Amazônia  que tem como objetivo qualificar o corpo de trabalhadores no nível da gestão e do serviço das Secretarias Municipais de Saúde do Estado do Amazonas e órgãos parceiros, a fim de proporcionar um serviço de melhor qualidade e efetividade aos usuários do SUS.

São cursos de atualização, especialização e mestrado que adotam modelo pedagógico pautado na integração ensino-serviço, na problematização da realidade local, na valorização do conhecimento e experiência do aluno trabalhador, entendido como sujeito das práticas de gestão e sanitárias desenvolvidas nas unidades de saúde.

Os cursos estão sendo ofertados em todos os 61 municípios, além da capital Manaus. A iniciativa conta com apoio da bancada parlamentar do Amazonas e parceria do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM).

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Marlúcia Seixas 

Palestra abordará importância da Iniciação Científica na vida acadêmica, durante abertura da 16ª Raic da Fiocruz Amazônia

Entre os dias 17 e 19 de junho, o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realizará a 16ª Reunião Anual de Iniciação Científica (Raic), no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIC) da Fiocruz Amazônia de 2018/2019, com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A abertura do evento será realizada na próxima segunda-feira, 17/6, às 9h, com a palestra “Importância da Iniciação Científica na vida acadêmica: Cientista ou pesquisador?”, que será ministrada pela Dra. Maria das Graças Vale Barbosa, pesquisadora da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), e professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). As apresentações ocorrem no Salão Canoas, auditório da Instituição, situado à Rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.

Durante a programação, serão apresentados 27 trabalhos de graduandos de diferentes Instituições de Ensino de Manaus, divididos nas seguintes sessões temáticas: Microbiologia, Biotecnologia e Bioprospecção, Parasitologia, Entomologia, Saúde Coletiva e Epidemiologia.

SOBRE A PALESTRANTE

Maria das Graças é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Amazonas, mestre e doutora em Ciências Biológicas (Entomologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). É pesquisadora da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), e professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Atuou como Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical da UEA/FMT-HVD, Pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação da UEA, Coordenadora do Departamento de Pesquisa da FMT-HVD.

Atua na área de Zoologia, com ênfase em Entomologia Médica especialmente sobre insetos vetores de parasitos causadores de doença de chagas, Leishmaniose, malária e dengue e reservatórios silvestres de Trypanosoma cruzi e Leishmania spp.

EDUCAÇÃO NA FIOCRUZ

Na terça-feira, 18/6, às 9h, o evento contará com a palestra “Desafios e perspectivas de educação na Fiocruz”, a ser ministrada pela Dra. Cristiani Vieira Machado, Vice-Presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo a coordenadora do PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, o objetivo da reunião é divulgar e avaliar os 27 projetos de pesquisa. “Isso é parte do processo de formação, uma experiência única que o aluno possui durante a graduação, muitas vezes é o desenvolvimento do seu primeiro projeto de pesquisa. A RAIC é um momento próprio para o desenvolvimento do aluno”, explicou.

SOBRE O PIC

O Programa de Iniciação Científica (PIC) do ILMD/Fiocruz Amazônia é desenvolvido em parceria com o CNPq e Fapeam, com o objetivo de despertar a vocação científica e incentivar novos potenciais entre estudantes de graduação, além de estimular pesquisadores a envolverem os estudantes em suas atividades científicas, tecnológicas e profissionais. “A ideia é apresentar o mundo científico para os estudantes de graduação de diferentes cursos, no âmbito da Fiocruz, por meio do desenvolvimento de projetos de pesquisa que possuem atuação frente ao Sistema Único de Saúde (SUS)”, explicou Stefanie Lopes.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Pinheiro

 

 

Seminário Alusivo ao Dia Mundial de Luta Contra a Malária

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) realiza amanhã e quinta-feira (24 e 25/4) o IV Seminário Estadual Alusivo ao Dia Mundial de Luta Contra a Malária, no auditório do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), localizado na avenida Pedro Teixeira, nº 2354, Dom Pedro, Manaus.

Durante o evento, especialistas compartilham suas experiências no combate, controle e tratamento da malária no Estado. O Dia Mundial de Luta Contra a Malária,   25 de abril,  foi  instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2007, com a finalidade de reconhecer o esforço global para o controle efetivo da doença.

Quando? 24 e 25 de abril

Hora?   8h às 18h

Local?  Dia 24/4 – Pré-evento: Oficinas – Local: Sede do Governo (Av. Brasil, 513 – Compensa) e Cetam (Av. Pedro Teixeira, nº 2354, Dom Pedro.

             Dia 25/04 –  Evento: IV Seminário Alusivo ao Dia Mundial de Luta contra a Malária – Local: Auditório Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) à  Av. Pedro Teixeira, nº 2354, Dom Pedro, Manaus – AM.

Confira a programação aqui.

Ascom-ILMD/Fiocruz Amazônia, com informações da FVS-AM
Imagem: Fiocruz Imagens, por Rodrigo Mexas

 

2ª Republicação de Chamada Pública: mestrado acadêmico em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) anuncia a 2ª Republicação da Chamada Pública Nº 002/2019, com alterações no anexo III, referentes ao cronograma do processo seletivo para o curso de mestrado acadêmico do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA).

Para a republicação acesse http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120

O curso é em regime integral e as aulas estão previstas para iniciar dia 9 de setembro deste ano. Ao final do mestrado, o egresso do curso receberá diploma de Mestre em Saúde Pública.

SOBRE O PPGVIDA

O Programa tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

Além disso, o PPGVIDA também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fiocruz Amazônia sedia primeira reunião do conselho administrativo da Abio

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) deu início na última quarta-feira, 27/2, ao ciclo de reuniões do conselho administrativo da Aliança para a Bioeconomia da Amazônia (ABio), grupo formado por Instituições do Amazonas voltadas à Bioeconomia no Estado. Um dos objetivos centrais da reunião foi a posse dos membros do conselho administrativo da aliança.

Durante o encontro, conselheiros e representantes das instituições abordaram estratégias conjuntas, visando a importância da formação de alianças regionais para o desenvolvimento do Estado. A iniciativa tem o desafio de contribuir para a diversificação da economia regional, com foco na valorização dos ativos da biodiversidade do Amazonas, geração de emprego e renda na zona rural e urbana, melhoria da qualidade de vida das populações tradicionais e indígenas e conservação ambiental, tendo como pano de fundo os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para o diretor da Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz, “é muito importante que a Fiocruz esteja alinhada com as outras instituições e com os programas prioritários de desenvolvimento para a bioeconomia, tentando apresentar soluções e produtos vindos da diversidade Amazônica para a sociedade, que possam atingir o Sistema Único de Saúde”, destacou.

SOBRE A ABio

A ABio é formada por um conjunto de instituições voltadas à bioeconomia no Estado do Amazonas, habilitada em primeiro lugar no processo seletivo do Edital de Chamada Pública nº 2/2018 do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) para gerir o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA).

O CBA foi criado há 15 anos, administrado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), e tem por objetivo fomentar a pesquisa, desenvolvimento e a inovação (PD&I) em biotecnologia, voltada para o uso sustentável da biodiversidade amazônica.

Compõe a formação do Conselho Administrativo:

Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Ministério da Economia (ME), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Instituo Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Centro de Educação Tecnológica do Estado do Amazonas (CETAM), Confederação Nacional da Indústria (CNI/FIEAM), Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI), Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEPLANCTI), Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Conselho Nacional de Saúde (CNS), Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), Fundação Paulo Feitoza (FPF), Universidade Nilton Lins (UniNiltonlins), Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Rede de Inovação e Empreendedorismo da Amazônia (RAMI), Associação BioTec-Amazônia, Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM), e Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia legal (BIONORTE), Fundação CERTI.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Eduardo Gomes

Cursos de mestrado da Fiocruz Amazônia oferecem vagas para candidatos externos

Os cursos de mestrado dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), e em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) estão oferecendo vagas para interessados em cursar disciplinas como aluno especial.

As inscrições podem ser feitas nos dias 14 e 15 de janeiro, por meio da plataforma SIGA, tanto para o PPGVIDA quanto para o PPGBIO-Interação . Vale lembrar que a plataforma SIGA só pode ser acessada através do navegador lnternet Explorer.

QUEM PODE SE INSCREVER?

  • Alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu da Fiocruz;
  • Alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu de outras instituições públicas e/ou privadas;
  • Alunos de curso de pós-graduação lato sensu da Fiocruz;
  • Alunos de outros cursos de pós-graduação lato sensu de outras instituições públicas e/ou privadas;
  • Candidatos com curso de pós-graduação lato sensu concluído, que não estejam no momento da inscrição fazendo outro curso lato sensu ou cursando stricto sensu.

Para mais informações sobre disciplinas oferecidas, documentação e inscrição acesse o edital.

A lista dos candidatos selecionados será divulgada no dia 25 de janeiro de 2018, na Plataforma SIGA e no site da Fiocruz Amazônia.

SOBRE O PPGVIDA

O programa disponibiliza 25 vagas para alunos especiais, divididas nas seguintes disciplinas: Microbiologia em saúde pública, Epidemiologia molecular em saúde pública, e APS e redes de saúde em cenários amazônicos. confira o edital em: http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120

O curso de mestrado em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos, capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

O PPGVIDA também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.

SOBRE O PPGBIO-INTERAÇÃO

O PPGBIO-Interação oferece 14 vagas, distribuidas nas disciplinas: The art of reading a paper, Introdução à análise proteômica, e Interação da relação patógeno hospedeiro II. confira o edital em: http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=127

O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro é curso strictu sensu que tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro no âmbito da maior biodiversidade mundial.

O curso se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na eco-epidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.

Estes diversos aspectos são os principais delineadores para escolha da área de concentração da Ciências Biológicas III, por esta ser uma área multidisciplinar e baseada no eixo bioquímica, genética, biológico, celular e molecular. Os alunos recebem uma formação em áreas estratégicas por sua importância e que precisam ser desenvolvidas no Estado.

LMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento

Premiação da 9ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente emociona professores e alunos

A 9ª. edição da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz (Obsma) chegou ao fim com o anúncio dos trabalhos destaques em nível nacional e do vencedor do prêmio especial Ano Oswaldo Cruz, além da premiação de professores e alunos cujos trabalhos foram selecionados na etapa regional. O evento aconteceu na presença de professores, estudantes, pesquisadores e presidência da Fiocruz, no auditório do Museu da Vida, no Rio de Janeiro.

Inscreveram-se nesta edição 1.228 trabalhos de todo o Brasil, desenvolvidos por 4.270 professores e 67.179 estudantes dos ensinos fundamental e médio. A equipe que coordena a Obsma ofereceu 20 Oficinas Pedagógicas a professores de 13 estados com foco nas modalidades Projeto de Ciências, Produção de Texto e Produção Audiovisual, incentivando professores e alunos foram a abordarem de forma crítica e criativa as metas globais da Agenda 2030, de acordo com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

PREMIADOS DA REGIONAL NORTE

DESTAQUES NACIONAIS

 

Clique e confira a lista  completa de trabalhos regionais premiados na 9ª Obsma.

MOMENTOS INESQUECÍVEIS

Uma semana memorável com uma programação cuidadosamente pensada, capaz de superar as expectativas de professores e alunos e que vai ficar eternamente em suas memorias, pela criatividade e zelo com os participantes, foi assim que os premiados definiram os dias passados na cidade maravilhosa.

Opinião compartilhada pela professora do ensino médio Mary Bucher, da Escola Estadual Professor Nilton Balieiro Machado, de Macapá (AP), premiada da Regional Norte, que concorreu com o trabalho Banco de Mudas de Plantas do Continente Americano no Bairro do Marabaixo, e seu aluno John Carlos Jr.

“É a segunda vez que participo da Olimpíada e ela sempre nos proporciona uma experiência, muito bacana”, disse a professora. “É um privilégio estar aqui e não vou esquecer dos dias que passamos e nem da programação com oficinas e visitas que fizemos”, comentou John Carlos.

Para o professor Paulo Roberto de Sousa, da Escola Estadual Padre José Schneider, de Santa Isabel do Rio Negro (AM), “participar da Olimpíada é uma experiência sensacional. No interior do Amazonas, não temos noção da dimensão da olimpíada. Além do prêmio, que é conhecer o Rio de Janeiro e os pontos culturais, a Olimpíada ainda nos disponibiliza ferramentas importantes para trabalharmos com as comunidades locais sobre temas relevantes como saúde e meio ambiente”.

ILUSTRAÇÃO BOTÂNICA

Dentre tantos momentos marcantes, foi oferecida aos professores e alunos uma Oficina de ilustração Botânica, ministrada pela artista Rejane Marques, do Amazonas.

A aula pratica consistiu na orientação aos participantes quanto ao uso da técnica de aquarela para ilustrar folhas e flores, de forma realista, respeitando seus detalhes, luminosidade e cores.

Ao final, com as ilustrações  finalizadas, todos ficaram satisfeitos com os resultados. Uma experiência que emocionou não só a artista, mas todos os participantes.

ATRAÇÃO À PARTE

A cerimônia de premiação da 9ª Obsma foi aberta ao público e para convidar estudantes, trabalhadores da Fiocruz e transeuntes, o boneco do cientista Oswaldo Cruz, circulou por Manguinhos, pelo Castelo da Fundação, salas e restaurantes chamando todos para o evento.

O mascote, que por onde passa faz sucesso, atraiu olhares, interagiu com o público e posou para fotos.

A Semana de Premiação da 9ª Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente foi realizada de 26 a 28 de novembro, e finalizou com uma avaliação positiva feita pela coordenadora do evento, Cristina Araripe, que, na oportunidade, anunciou a realização da 10ª. edição, para 2019.

A Obsma é um projeto educativo bienal promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para estimular o desenvolvimento de atividades interdisciplinares nas escolas públicas e privadas de todo o país. O projeto tem como principais objetivos reconhecer o trabalho desenvolvido por professores e alunos nas escolas e a cooperação com a divulgação de ações governamentais criadas em prol da educação, da saúde e do meio ambiente.

Ascom-ILMD/Fiocurz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Peter Ilicciev e Marlúcia Seixas

Fundação Bill and Melinda Gates anuncia na Fiocruz financiamento para eliminar malária

“Uma possibilidade de cura radical para a malária, através da combinação de um novo medicamento em uma única dose, com um diagnóstico que garante que o tratamento é adequado para a pessoa”, foi assim que a CEO da Fundação Bill and Melinda Gates, Sue Desmond-Hellmann, definiu o tratamento que está sendo testado pelo Instituto Elimina, um consórcio de cerca de trinta organizações – que incluem o Ministério da Saúde, a Fiocruz e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “É medicina de precisão sendo usada para populações mais pobres”, destacou.

Sue esteve pela primeira vez no Brasil como CEO da Gates e visitou a Fiocruz, na última terça-feira (19/6), para anunciar um investimento de US$ 600 mil (cerca de R$ 2,2 milhões) para acelerar os esforços para eliminação da malária no Brasil. Além disso, Sue e sua equipe participaram de reuniões e visitas a projetos da Fiocruz já apoiados pela Fundação.

A tafenoquina é a primeira nova droga em 60 anos contra a malária causada por P. vivax, tipo prevalente em 90% dos casos no Brasil, e reduz o tratamento contra recaídas para um único dia. Atualmente, o tratamento dura de 7 a 14 dias. No entanto, tanto o atual quanto o novo tratamento apresentam riscos para cerca de 5% da população, uma vez que sua interação com a a enzima G6PD, uma condição genética, pode causar efeitos colaterais nestes pacientes, como anemia e até morte. Por isso, o diagnóstico preciso sobre a presença da enzima é essencial para determinar qual tratamento é adequado para cada paciente.

A dose única, por outro lado, tem um papel importante nos esforços para a eliminação. A redução facilita que as pessoas completem o tratamento, evitando a recaída. Como a recaída é a principal forma de contaminação na Amazônia, onde a malária é endêmica no Brasil, é prioritário preveni-la. Além disso, a incidência da doença tem um histórico de altos e baixos, e um único caso incubado é potencialmente responsável pela ressurgência da epidemia, explica Marcus Lacerda, pesquisador chefe do Instituto Elimina.

É o que estamos vivendo agora nas Américas, uma ressurgência após uma década de queda. Toda a região registrou aumentos da malária no último ano – no Brasil, os casos cresceram 50%. A atual crise de saúde pública na Venezuela resultou num grande aumento de casos dentro do país, o que gera mais preocupações para as fronteiras de toda a América Latina. De acordo com os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registrados 216 milhões de casos de malária no mundo e 445 mil mortes em 2016.

Lacerda esclarece que as causas do retorno da doença não são totalmente claras e podem ser influenciadas por muitos fatores. No entanto, o desinvestimento e o desmantelamento de programas após o controle da doença são citados como fatores que contribuem para que ela retorne ainda pior. “Por isso, precisamos entender a importância de eliminar a malária”, defendeu Cássio Peterka, representante do Ministério da Saúde e do Programa Nacional contra Malária.

O pesquisador também defende que se passe do controle à eliminação como meta. Apesar de parecer inalcançável, ele acredita que este objetivo pode ser atingido em alguns anos, com esforços e investimentos para tal. “Já reduzimos muito o mapa da malária”, lembrou o pesquisador, ao demonstrar que em 1950 a doença era endêmica em quase todo território nacional e agora está concentrada apenas na região amazônica. Na semana passada, o Paraguai foi declarado um país livre de malária pela OMS. É o segundo país do continente a conseguir esse reconhecimento. Cuba está livre da doença desde 1973.

“O Brasil está em uma excelente posição para liderar outros países nos esforços para eliminar a malária”, ressaltou a CEO da Fundação Gates. “Trabalhando em colaboração com o Ministério da Saúde, a Fiocruz e outros parceiros importantes, nosso objetivo é encurtar substancialmente o tempo necessário para disponibilizar novos tratamentos e testes para a malária”, afirmou ainda. A expectativa é que o tratamento esteja aprovado para ser utilizado já em 2019.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima também comemorou a parceria entre as duas instituições, que já dura mais de uma década, e destacou a importância do nosso Sistema de Saúde (SUS) na luta contra a malária e outros problemas de saúde. “É importante pensar o SUS como a principal inovação em saúde, tanto na dimensão tecnológica como social”, afirmou Nísia. Para a presidente, a medicina personalizada abre novas perspectivas de tratamento, mas também traz o risco de gerar novas desigualdades. Por isso, iniciativas em saúde pública são importantes. “Quando falamos de malária, não se trata mais de uma doença negligenciada, mas sim de uma população negligenciada”, definiu Nísia.

Apoio à inovação

Outro foco da visita da Sue Hellmann à Fiocruz foi o acompanhamento de projetos co-financiados pela Fundação. A cooperação entre as duas instituições teve início em 2008 e incluiu temas como tuberculose, vacinas e outros temas de saúde pública. Ela também aproveitou para conhecer o campus de Manguinhos e o Castelo da Fiocruz, pelo qual se encantou. “Estou muito impressionada com a Fiocruz e com a história de Oswaldo Cruz. Como cientista, eu amo a ciência e nada melhor do que um castelo para celebra-la”, afirmou Sue.

Na parte da manhã, a equipe da Fundação Gates teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criadouro de mosquitos Aedes aegypti com o método Wolbachia e alguns resultados da iniciativa World Mosquito Project (WMP) no Brasil. O programa está presente em 12 países e é financiado pela Fundação Gates.

O método permite a redução da incidência de doenças cujo transmissor é o Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, através da introdução de mosquitos com a bactéria Wolbachia em ambientes com alta prevalência de mosquitos. Foi comprovado que, quando a bactéria está presente no mosquito, estes vírus não se desenvolvem bem, reduzindo a sua transmissão. Além disso, o método tem sustentabilidade comprovada, já que a bactéria é transmitida naturalmente da fêmea para seus descendentes.

No Brasil, o método ganhou escala após uma fase piloto devido à necessidade de resposta rápida as crises de zika, chikungunya e dengue no Rio de Janeiro e em Niterói. Em novembro de 2016 teve início a expansão em larga escala para 28 bairros de Niterói, que abrangem 270 mil pessoas. Atualmente, em Niterói, 13 bairros recebem a segunda rodada de liberação de mosquitos. No Rio de Janeiro, a liberação em larga escala começou em de agosto de 2017, com a previsão de atingir 90 bairros, nos quais vivem 2,5 milhões de habitantes. Na etapa atual, 28 bairros do Rio de Janeiro, com 886 mil habitantes, recebem os mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia.

Alguns projetos contemplados pelo Grand Challenges, co-financiado pela Fundação Gates, também forma apresentados. O Grand Challenges é uma série de iniciativas que promovem a inovação para resolver os principais problemas globais de saúde e desenvolvimento. No Brasil, foram lançadas duas chamadas para o desafio, em 2013 e 2014, com o tema saúde materno-infantil e 21 projetos foram contemplados. Em 2018, duas novas chamadas foram lançadas e os projetos estão em análise.

Na parte da manhã, a equipe da Fundação Gates teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criadouro de mosquitos Aedes aegypti com o método Wolbachia

Selecionado na primeira chamada, o projeto de José Simon, professor e pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), busca desenvolver um leite humano enriquecido com o próprio leite humano. Para isso, criou-se um leite humano congelado e desidratado (liofilizado) que pode melhorar a nutrição de recém-nascidos com muito baixo peso, ou seja, bebês que nascem com menos de 1500g. O projeto deve lançar seus primeiros resultados em breve na revista Plos. As evidências indicam que o método é seguro, de baixo custo e fácil de ser implementado em na rede de bancos de leite do Brasil. A partir de agora, a pesquisa deve iniciar sua fase de testes clínicos.

Outro projeto apresentado foi a coorte dos 100 milhões de brasileiros, do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz). A pesquisa trabalha com grandes bases de dados, como o Cadastro Único para programas sociais, para analisar como políticas públicas sociais, como o Bolsa Família, podem interferir em variáveis de saúde, como mortalidade infantil. A importância desse projeto é que ele provê uma escala muito maior para pesquisas, além de possibilitar recortes em subpopulações e múltiplas interações.

O Cidacs/Fiocruz participou de uma chamada do Grand Challenges Brasil como provedor de dados, disponibilizando a Coorte de 100M Sinasc-SIM. Além disso, ele é um exemplo de boas práticas de proteção de dados para pesquisas em saúde no país, podendo se tornar referência após a aprovação de uma legislação de dados pessoais no país. Atualmente, estão em discussão no país dois projetos de lei para regular esse tema, que se encontra em um vazio legal. “A Fiocruz tem a possibilidade de assumir esse papel de guardiã e curadora de um patrimônio de dados em saúde”, explicou Maurício Barreto, pesquisador do projeto.

Agência Fiocruz de Notícias, por Julia Dias.
Fotos: Pedro Linger