Doutorado em Saúde Pública na Amazônia realiza reunião do colegiado para autoavaliação e elege nova coordenação para o quadriênio 2024-2028

O Programa de Doutorado Acadêmico em Saúde Pública na Amazônia (DASPAM), oferecido em consórcio pela Fiocruz Amazônia, Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA), reuniu o colegiado formado por docentes, discentes e corpo técnico, nesta terça-feira, 23/01, na sede da Escola Superior de Ciências da Saúde, da UEA, para a realização do 2º Encontro de Autoavaliação e Planejamento Estratégico. Na oportunidade, foi eleita a nova coordenação do programa, formada agora pelos professores-doutores Júlio César Schweickardt, da Fiocruz Amazônia; Tiótrefes Gomes Fernandes, da UFAM, e Sâmia Miguez, da UEA. O encontro teve como objetivo também avaliar o desempenho do DASPAM, nos seus primeiros quatro anos de atuação, com a apresentação de um diagnóstico situacional baseado nas fichas de avaliação da CAPES, pelo professor doutor João Simão de Melo Neto, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Sociedade, da Universidade Federal do Pará (UFPA), e a discussão sobre os desafios e ações estratégicas a serem adotadas para o próximo quadriênio.

Na oportunidade, a pesquisadora da Fiocruz Amazônia, Luiza Garnelo, que atuou como coordenadora do DASPAM de 2021 a 2024, apresentou um relatório de gestão com os avanços obtidos pela primeira coordenação do curso, que contabiliza atualmente 32 alunos matriculados, três processos seletivos realizados e uma expressiva produção acadêmica (231 artigos), apresentações de trabalhos em congressos (20) e artigos publicados em periódicos (19). O relatório apresentou ainda o volume de recursos captados junto a agências de fomento para ofertas de bolsas e outras atividades de rotina do programa (R$ 167,5 mil), oferta de disciplinas para a terceira turma (sete disciplinas ofertadas, o equivalente a 225 horas/aula ministradas), total de bolsistas (16), número de demandas atendidas (90) e de estudantes apoiados para ida a congressos com apresentação de trabalhos (11) e deslocamentos para pesquisa de campo (5).

Presente ao encontro, a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, deu as boas-vindas à nova coordenação e destacou a importância das reuniões de autoavaliação e planejamento para o processo de consolidação do curso. “No ano passado, ocorreu reunião de avaliação e planejamento, mais focada em pesquisa, e agora estamos aqui cientes da importância das três instituições se juntarem para formar pessoas para trabalharem em Saúde Pública na Amazônia. Essa união é o primeiro ponto que o programa traz como uma fortaleza, depois a necessidade de formar uma nova geração de sanitaristas, profissão que recentemente foi regulamentada pelo Ministério do Trabalho”, afirmou Stefanie. Segundo ela, o encontro é uma oportunidade importante porque está um novo quadriênio está começando e o programa precisa ser avaliado e melhorado. “Esse é um processo constante que precisa ser feito por todos, discentes e docentes, das três instituições”, afirmou.

A vice-diretora de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz Amazônia, Rosana Parente, pontuou o compromisso dos cursos em identificar potencialidades e fragilidades para obtenção de um conceito maior junto à CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), do Ministério da Educação. “O encontro sinaliza os primeiros passos que deverão ser dados pela nova coordenação, do ponto de vista da gestão pedagógica do curso. Como nosso objetivo é subir de conceito, faz-se necessário agora trabalhar as fragilidades, lembrando sempre de agradecer à coordenação que finaliza seu mandato pela disponibilidade e dedicação ao processo de implantação do programa. Que façamos desse momento um momento para crescimento e interação docente/discente, para que possamos deixar o DASPAM o mais sedimentado possível”, afirmou Rosana Parente.

Novo coordenador do DASPAM, o pesquisador em Saúde Pública Júlio Schweickardt, afirma que a expectativa da nova gestão é a de que o DASPAM se torne referência em Saúde Coletiva na Amazônia. “Queremos buscar uma excelência na formação de doutores e uma formação de qualidade, para que, de fato, possamos contribuir com o Sistema Único de Saúde (SUS), com o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia na Amazônia e interferir nas políticas públicas. Esperamos qualificar o programa de modo com que ele possa estar contribuindo nessas áreas, buscando sempre dar mais visibilidade ao programa em toda a região amazônica e no Mundo, bem como uma relação dialógica e humanizada entre docentes e discentes para que possamos ter um ambiente de trabalho, de estudo, publicação e formação respeitoso e igualitário, reforçando como parte dos princípios que precisamos defender”, comentou Schweickardt.

O diagnóstico situacional do programa orienta a coordenação a repensar as linhas de pesquisa, bem como checar se todos os docentes permanentes ministram as disciplinas, realizam atividade de orientação e apresentam projetos registrados na Plataforma Sucupira e no Lattes vinculado ao DASPAM. O professor doutor João Simão de Melo Neto, pesquisador visitante do programa e responsável pelo diagnóstico, apontou a necessidade de discussão acerca do desequilíbrio da produção/pontuação científica/posição de destaque, abertura de vagas para orientação e reforço da produção discente junto aos docentes.

LINHAS DE PESQUISA

São duas as linhas de pesquisa do curso de Doutorado em Saúde Pública na Amazônia: “Dinâmica, Diagnóstico, Cuidado Clínico e Controle de Doenças Infecciosas Endêmicas na Amazônia” e “Vulnerabilidade, Situações de Saúde, Gestão, Organização e Avaliação de Serviços e Cuidados de APS na Amazônia”. O egresso deve estar habilitado a planejar e desenvolver estudos em doenças endêmicas utilizando, de forma integrada, conceitos e recursos metodológicos da epidemiologia, biologia parasitária e vetorial, ciências sociais e geografias aplicadas à saúde e outras áreas conexas; produzir conhecimentos e informações sobre organização, produção e consumo de serviços de saúde, com ênfase em estudos de acessibilidade por populações vulneráveis e/ou residentes em regiões remotas e suas interfaces com especificidades regionais e com os modelos de proteção social; contribuir em processos participativos voltados para planejamento, implantação e avaliação de planos, programas e práticas de saúde, oriundas dos diversos níveis do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como de organizações representativas da sociedade civil regional.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa