Fiocruz Amazônia realiza evento visando reunir contribuições para discussão sobre Saúde e Ambiente na COP-30

Pesquisadores da Fiocruz Amazônia estiveram reunidos, durante dois dias, 18 e 19/01, na sede da instituição, para participar da primeira oficina de delineamento de ações estratégicas voltadas a contribuir com as discussões sobre Saúde e Ambiente para a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-30), que acontecerá em 2025, na cidade de Belém (PA) e para eventos preparatórios que antecedem a conferência. O propósito da oficina foi o de estruturar um conjunto de ações para a promoção de territórios saudáveis nas comunidades amazônicas, além de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) local e expandir a atuação da Fiocruz na Amazônia Legal. A oficina, denominada Fiocruz Amazônia Rumo à COP-30, foi dividida em quatro eixos temáticos – Vigilância em Saúde, Biotecnologia, Valorização do Conhecimento Tradicional e Desenvolvimento com Comunidades ou Grupos Vulnerabilizados e Gestão dos Serviços de Saúde – por meio dos quais os pesquisadores participantes puderam tecer suas contribuições, a partir das atividades já desenvolvidas em laboratórios e grupos de pesquisa.

A diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, destaca a importância do protagonismo amazônico nesse processo de discussão e o papel da Fiocruz Amazônia em termos de pesquisas e estudos na área da saúde. “O tema Saúde é prioritário e estamos alinhados com essa pauta, razão pela qual esperamos poder contribuir com o Grupo de Trabalho criado pelo Ministério da Saúde para a formulação de um documento sobre a Amazônia, estabelecendo um programa alinhado com as nossas propostas”, explicou. Stefanie observa que a discussão preparatória acontece um ano antes da realização do evento mundial do Clima para que seja possível identificar a melhor estratégia de contribuição a partir do que o ILMD/Fiocruz Amazônia está desenvolvendo.

“Um dos eixos importantes da COP-30 será a relação saúde e ambiente, o que pode ser feito e como melhor contribuir para esse processo. Convidamos todos os pesquisadores para, numa dinâmica, discutir essa temática a partir das principais linhas de ação que o instituto tem. O resultado será sistematizado e vai subsidiar a estruturação de plano de fortalecimento de projetos estratégicos e captação de parcerias e recursos para o que se entender como prioritário em termos de ações futuras, este ano e no próximo”, pontua a vice-diretora de Pesquisa e Inovação do ILMD/Fiocruz Amazônia, Michele Rocha El Kadri.

Ela explica que a oficina foi proposta também para permitir o atendimento de demandas internas da Fiocruz e de agentes externos, dada a mobilização em torno dos eventos pré-COP  em 2024 e  2025. “Somos atores importantes nesse processo por sermos Fiocruz e estarmos na Amazônia e a proposta de construção de um plano estratégico para os próximos dois anos visa exatamente responder essas demandas de forma propositiva, a partir de nossas capacidades e desejos daqui para frente”, salienta El Kadri, lembrando que o momento é de planejamento institucional.

EIXOS

A escolha dos eixos temáticos foi feita a partir das atividades desenvolvidas no ILMD/Fiocruz Amazônia. A Vigilância em Saúde, na abordagem integrada saúde humana, ambiental e animal, compreende ações de monitoramento de doenças na população, monitoramento do ambiente para identificar potenciais ameaças à saúde humana (presença de vetores de doenças, qualidade da água, desmatamento e mudanças climáticas), monitoramento de zoonoses (doenças em animais) que podem representar risco para a saúde humana, engajamento ativo das comunidades na vigilância em saúde, integração de dados e sistemas de informação geográfica.

No eixo de Biotecnologia, a produção de fitofármacos ou outros medicamentos a partir de fontes naturais da Amazônia, aprimoramento ou desenvolvimento de  novos testes diagnósticos eficientes para doenças prevalentes na região, desenvolvimento de vacinas para agentes patogênicos encontrados na região, Engenharia Genética para criar organismos resistentes a doenças (por exemplo, mosquitos para reduzir transmissão de doenças), desenvolvimento de terapias imunomoduladoras para controle de doenças ou sintomas, plataformas de testes rápidos e portáteis para diagnóstico de infecções, identificação e validação de biomarcadores (que são indicadores mensuráveis de processos biológicos normais ou patológicos), monitoramento epidemiológico como genotipagem e sequenciamento genético de agentes patogênicos.

No tocante ao eixo Desenvolvimento Comunitário, ações voltadas para valorização de conhecimentos e práticas das comunidades amazônicas ou outros grupos vulnerabilizados na promoção de territórios saudáveis, incluindo-se ai ações voltadas à preparação das comunidades para compreensão e atuação em emergências sanitárias e climáticas, desenvolvimento comunitário, educação popular em saúde, medicina indígena, entre outros. No eixo Gestão dos Serviços de Saúde, a abordagem é em tono do apoio à gestão municipal, estadual e federal no uso de recursos, com planejamento, gestão de custo, monitoramento e avaliação dos programas, políticas e serviços de saúde, avaliação econômica, uso de tecnologias de comunicação aplicadas à saúde, qualificação dos profissionais e gestores, entre outros.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa