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Divulgado resultado dos pedidos de isenção da taxa de inscrição para processo seletivo do curso de Doutorado em Saúde Pública na Amazônia

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Universidade Federal do Amazonas – UFAM e a Universidade do Estado do Amazonas – UEA, instituições associadas que compõem o Curso de Doutorado em Saúde Pública na Amazônia, divulgou nesta sexta-feira, 7/8, o resultado dos pedidos de isenção da taxa de inscrição, do processo de seleção pública de candidatos, para ingresso no curso de Doutorado em Saúde Pública na Amazônia

Confira o resultado aqui

As inscrições iniciam na próxima segunda-feira, 10/8, e encerram às 16h30 (horário Manaus) do dia 21/8/2020. Somente candidatos brasileiros natos, com dupla nacionalidade, ou candidatos estrangeiros com visto permanente podem se candidatar a esta Chamada Pública.

Os documentos exigidos para inscrição estão listados no edital, e deverão ser digitalizados separadamente em formato “pdf”, não podendo exceder 9 megabytes, por arquivo.

Confira aqui o edital

O Curso possui área de concentração em Estudos de Processo Saúde/Doença/Cuidado na Amazônia, e duas linhas de pesquisas: Linha 1 – Dinâmica, diagnóstico, cuidado clínico e controle de doenças infecciosas endêmicas na Amazônia (4 VAGAS), Linha 2 – Vulnerabilidade, Situações de Saúde, Gestão, Organização e Avaliação de Serviços e Cuidados de APS na Amazônia (11 VAGAS).

Poderão participar do processo de seleção, candidatos portadores de diploma de graduação de duração plena, devidamente reconhecido pelo MEC e de diploma de Mestre em Saúde Coletiva ou áreas afins. O Curso será ministrado em regime integral, com duração mínima de 24 meses e máxima de 48 meses, incluindo a realização da defesa de tese.

ETAPAS

A admissão ao Curso de Doutorado, objeto desta Chamada Pública, será composta de 3 etapas: 1ª Etapa – Homologação das inscrições; 2ª Etapa – Pontuação do Currículo Lattes, conforme comprovações e; 3ª Etapa – Prova Oral. Todas as etapas do processo seletivo são eliminatórias.

BOLSAS

O Doutorado em Saúde Pública na Amazônia não garante a concessão de bolsa de estudo para todos os aprovados. As bolsas disponíveis serão distribuídas, respeitando -se a ordem de classificação geral dos candidatos, as normas das agências de fomento e as estabelecidas pela Comissão de Bolsa do Doutorado em Saúde Pública na Amazônia, até o limite das bolsas.

RESULTADO

A publicação dos resultados de todas as etapas do Processo Seletivo e do resultado final, será na Plataforma SIGA no endereço eletrônico ( www.sigass.fiocruz.br ), no site do ILMD/Fiocruz Amazônia, da UFAM e da UEA.

O início das atividades acadêmicas do doutorado em saúde pública na Amazônia estão previstos para o dia 7/10/2020.

ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento

 

Fiocruz amplia ações contra a Covid-19 nos povos indígenas

Pesquisadores da Fiocruz elaboram plano de apoio ao enfrentamento à Covid-19 junto aos povos indígenas. Um dos objetivos é intensificar a vigilância e aprimorar informações acerca dos impactos da pandemia nessas populações, por meio de seis eixos de atuação. A iniciativa mobilizou diferentes unidades e vice-presidências e foi destacada pela presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima. “Essa é uma ação conjunta da Fundação, presente em todo território nacional, para dar suporte ao enfrentamento desta grave crise humanitária que atinge os povos indígenas no Brasil”, alertou.

O avanço do coronavírus na população indígena vem acompanhado de uma série de desafios. Os povos indígenas são um grupo particularmente vulnerável à Covid-19 devido às elevadas prevalências de diferentes doenças e agravos à saúde (desnutrição e anemia em crianças, doenças infecciosas como malária, tuberculose, hepatite B, hipertensão, diabetes, obesidade e doenças renais) e as prévias dificuldades de acesso ao sistema de saúde, particularmente da atenção especializada. Além disso, os indígenas sofrem com o aumento das queimadas e do desmatamento, com baixo saneamento e, em muitas situações, enfrentam uma enorme fragilidade econômica, o que dificulta a manutenção do isolamento social, que é uma medida fundamental no enfrentamento da pandemia.

“O cenário visto nas populações indígenas é dramático, mas ainda há muito que pode ser feito. É a isto que estamos nos dedicando. A Fiocruz atua há mais de 30 anos na saúde indígena. Agora, estamos integrando diversos eixos de ação para olhar com atenção para as necessidades dessas populações historicamente vulnerabilizadas”, afirma a presidente da Fiocruz.

Por seu histórico de atuação na saúde indígena, recentemente, a Fiocruz foi convocada para compor um grupo de trabalho para dar apoio técnico na elaboração de um plano de enfrentamento e monitoramento da Covid-19 em povos indígenas pela União, após determinação do Superior Tribunal Federal (STF). Pesquisadores da Fiocruz e da Abrasco têm se reunido e devem apresentar suas recomendações no início de agosto.

DESAFIOS NA PRODUÇÃO DA INFORMAÇÃO

A disparidade de informações sobre os impactos da pandemia nas populações indígenas também reforça essa vulnerabilidade. De acordo com a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Ana Lúcia Pontes, uma questão central é dimensionar a quantidade de casos e óbitos na população indígena. Isso porque, inclusive por diferenças nos procedimentos de registro e na cobertura, há divergência entre os dados oficiais fornecidos pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e os números divulgados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Os dados da Sesai, por exemplo, se referem somente à população indígena em territórios indígenas, não incluindo, via de regra, os indígenas que vivem em áreas urbanas ou em territórios fora das terras demarcadas.

Até o dia 27 de julho, a Apib contabilizou 581 mortes por Covid-19 na população indígena, com 18.854 casos confirmados, em 143 povos afetados. Enquanto os dados oficiais da Sesai, em 29 de julho, registraram 15.012 casos confirmados, com 276 óbitos no Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). “Acompanhamos a progressão da Covid-19 na população indígena. Os casos suspeitos são muito baixos, e não sabemos se trata-se de um problema da busca ativa ou falta de acesso aos testes diagnósticos. Além disso, os dados poderiam ser desmembrados, pois a distribuição de casos não é homogênea”, explicou Ana, que também coordena o GT de Saúde Indígena da Abrasco e acompanha as atividades da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Povos Indígenas (FPMDPI), que apresentou o projeto de lei 1.142 sancionado com vetos em 8 de julho .

Para a pesquisadora, mais do que as altas taxas de incidência da doença e do número de mortos, é importante olhar para o que isso representa. “Os mais velhos estão morrendo e essa é uma perda imensa. Eles são muitas vezes lideranças que guardam conhecimentos únicos, transmitidos de forma oral intergeracionalmente, e têm papel importante na organização social e luta desses povos”, explica. A médica reforça a necessidade de analisar como diferentes povos estão sendo atingidos, pois alguns grupos podem estar em maior risco. O Brasil possui aproximadamente 300 etnias e 270 línguas faladas, o que representa um dos maiores níveis de sociodiversidade do mundo. “Historicamente os povos indígenas enfrentam epidemias que os colocam em risco de genocídio. Temos uma responsabilidade”, alerta Ana Lúcia Pontes.

APOIO AO DIAGNÓSTICO

Para aprimorar esse aspecto, o eixo de atuação “apoio ao diagnóstico da Fiocruz” propõe diferentes frentes, como o fortalecimento dos laboratórios Fiocruz para apoio ao diagnóstico molecular e distribuição de testes sorológicos. A primeira iniciativa tem o objetivo garantir suprimento adequado e ágil de insumos para os laboratórios das Unidades Fiocruz e para os pesquisadores que estão atuando nas redes de diagnóstico molecular. A ação é conduzida pelas regionais da Fiocruz da Amazônia, Bahia, Rondônia e Mato Grosso do Sul.

A pesquisadora da Fiocruz Amazônia, Luiza Garnelo, lembra que a subnotificação não é um problema exclusivo do subsistema de saúde indígena, e que esses dados são importantes para entender a dinâmica da pandemia, aprimorar ações de vigilância e da atenção primária em saúde, e para reduzir a mortalidade. “Estamos trabalhando na aquisição de equipamentos de proteção individual e testes para profissionais e agentes de saúde que estão nas comunidades. Uma das iniciativas é capilarizar esse recurso de diagnóstico e trabalhar diretamente com as equipes que atuam nas comunidades. É inverter um fluxo. Depois que o processo está instalado e você tem a gravidade da doença, é que o paciente é removido. A tentativa é interiorizar as ações e reforçar a atenção primária”, comentou Luiza.

A Fiocruz irá distribuir 4 mil testes rápidos para diagnóstico da Covid-19 para os povos indígenas do Alto Rio Negro, do Alto Solimões e do Purus. Os testes foram doados pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) a Fiocruz Amazônia, que coordena as ações na região. Em junho, uma equipe da Fiocruz esteve em São Gabriel da Cachoeira realizando treinamento de multiplicadores para manejo dos testes rápidos para Covid-19. Garnelo enfatiza: “a ideia é que se consiga capilarizar o diagnóstico para facilitar o monitoramento e vigilância numa região remota e de difícil acesso, com aldeias pequenas espalhadas num território extenso, o que dificulta o trabalho das equipes no enfrentamento da Covid-19”.

Os multiplicadores estão se deslocando para implantar essas testagens nas localidades. Após essa fase, os resultados serão transmitidos por radiofonia ou orelhões públicos, únicas formas de comunicação disponíveis. “Com isso, estamos cobrindo cerca de 18 milhões de hectares dos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, onde ficam aproximadamente 700 comunidades. Temos o grande desafio de percorrer esses rios para chegar até eles com os devidos cuidados, seguindo os protocolos”, explicou Garnelo.

A proposta é fortalecer a atuação dos Agentes Indígenas de Saúde que atuam em comunidades na região do Alto Rio Negro. A pedido da Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (FOIRN), a Fiocruz Amazônia realizou em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Secretaria de Estado de Educação (Seduc/AM)  e Distrito Sanitário Especial indígena do Alto Rio Negro (DSEIARN) a elevação da escolaridade e profissionalização técnica de 139 Agentes Comunitários Indígenas de Saúde e estão hoje habilitados a atuar nessas comunidades. “Eles serão ponto focal dessa rede para que os profissionais de nível superior possam se deslocar com mais assertividade”, explica a pesquisadora.

OUTROS EIXOS DE ATUAÇÃO

Além do eixo de apoio ao diagnóstico, as ações da Fiocruz contemplam iniciativas de atenção à saúde, pesquisa, educação, apoio emergencial e comunicação e informação. Nos eixos educação e comunicação e informação, um grupo de pesquisadores vem atuando na disseminação de subsídios técnico-científicos e materiais educativos, por meio de podcasts, para os Agentes Indígenas de Saúde (AIS). A iniciativa, conduzida pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), teve uma primeira etapa que resultou em dez programas da rádio Policast sobre o enfrentamento da Covid-19 em contexto indígena, abordando aspectos da prevenção, saneamento, atenção à saúde e a atuação do AIS, que estão disponível na sessão Saúde Indígena da plataforma O SUS em Ação: Agentes de Saúde em tempos de coronavírus.

A segunda etapa da iniciativa tem como ideia central, de acordo com a professora-pesquisadora do Laboratório de Educação Profissional em Vigilância em Saúde da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Ana Claudia Vasconcellos, produzir informações que possam ser utilizadas na reorientação do processo de trabalho dos AIS durante o período da pandemia. “Os podcasts abordam os cuidados que devem ser tomados durante as visitas domiciliares, o acolhimento dos casos leves e graves da Covid-19, as recomendações as gestantes e puérperas, sobre o uso correto das máscaras, sinais e sintomas, formas de contágio e diversos outros temas”, detalhou.

Para que os áudios cheguem até os AIS, foi criada uma rede de disseminação do material informativo via WhatsApp e uma parceria com o Instituto SocioAmbiental (ISA) para transmitir as informações por radiofonia. Ana Lucia Pontes, que participou da concepção e produção dos podcasts na primeira etapa, chama atenção para a importância dessa iniciativa para fazer chegar informações qualificadas e de forma capilarizada nas comunidades indígenas.

INFORMAÇÃO PARA AÇÃO

O Observatório Covid-19 Fiocruz tem o objetivo de desenvolver análises integradas, tecnologias, propostas e soluções para enfrentamento da pandemia por Covid-19 pelo SUS e pela sociedade brasileira. A Ensp, por meio da articulação dos pesquisadores do Departamento de Endemias Samuel Pessoa e em parceria com o GT de saúde indígena da Abrasco, vem contribuindo com o Observatório Covid-19 com subsídios como estudos, notas técnicas e webinares, na temática de saúde indígena.

Ademais, um grupo de pesquisadores da Ensp/Fiocruz participou de nota técnica apontando que a Covid-19 não é a única ameaça à saúde indígena e organizando Centro de Estudos sobre Coronavírus e povos indígenas: vulnerabilidades ambiental e territorial na Amazônia. “O documento alerta para problemas de insegurança alimentar, que ameaçam o estado nutricional principalmente de crianças, casos de malária, tracoma, surtos e epidemias de doença diarreica aguda, tuberculose, infecções respiratórias, doenças sexualmente transmissíveis, dentre outros”, afirmou Paulo Basta.

Já o Núcleo Ecologias, Epistemologias e Promoção Emancipatória da Saúde (Neepes), da Ensp/Fiocruz, desenvolve um trabalho interdisciplinar e um diálogo intercultural com o povo Munduruku, na Região do Tapajós, envolvendo não somente o tema do mercúrio e do garimpo, mas os conflitos ambientais e resistências para preservação das identidades e dos direitos territoriais dessa população. Nesse momento, as iniciativas, coordenadas pelo pesquisador Marcelo Firpo, foram direcionadas para apoiar os povos indígenas no enfrentamento da Covid-19.

Investigadores do Grupo de Pesquisa Saúde, Epidemiologia e Antropologia dos Povos Indígenas da Ensp/Fiocruz, do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (EMAP-FGV) produziram duas edições do relatório Risco de espalhamento da Covid-19 em populações indígenas, com foco em questões de vulnerabilidade geográfica e sociodemográfica. Nas diversas apresentações públicas realizadas sobre esses documentos, os pesquisadores Andrey Cardoso, da Ensp/Fiocruz, e Claudia Codeço, do Procc/Fiocruz, destacaram a importância da produção de análises atualizadas acerca do espalhamento da Covid-19 em populações indígenas. Segundo eles, a iniciativa, integrando diversas bases de dados, busca identificar quais os segmentos da população indígena que apresentam maior vulnerabilidade segundo diferentes recortes populacionais, representados por indígenas residentes em municípios e zonas urbanas e rurais, residentes em Terras Indígenas (TIs) oficialmente reconhecidas e em municípios abrangidos por Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

As análises baseiam-se na exposição geográfica em municípios classificados segundo níveis de probabilidade de epidemia, definida para a população brasileira em geral. Esses relatórios têm tido ampla circulação não somente na comunidade de especialistas em saúde coletiva como na sociedade civil em geral, inclusive nas organizações indígenas e seus parceiros. Para visibilizar essas e outras contribuições, a BVS Saúde dos Povos Indígenas está levantando e disponibilizando documentos, materiais didáticos e webinares sobre a temática da Covid-19 e povos indígenas, que podem ser acessados aqui.

Em um cenário de extrema necessidade de diálogos interculturais, Ana Lúcia Pontes, Ricardo Ventura Santos e Felipe Machado, pesquisadores da Ensp/Fiocruz, em parceria com um coletivo de pesquisadores indígenas de diversas regiões do país, estão desenvolvendo a iniciativa Vozes Indígenas na Produção de Conhecimento. A proposta envolve um comitê editorial formado por pesquisadores indígenas que formularam duas chamadas públicas, com foco na autoria indígena, que visam captar contribuições que deem visibilidade às múltiplas especificidades inerentes às realidades sócio-territoriais de cada povo, com ênfase nas complexas inter-relações sócio-culturais e políticas com a saúde dos povos indígenas, incluindo a questão da Covid-19.

No lançamento público dessas chamadas, que ocorreu durante o webseminário Povos Indígenas na Produção de Conhecimento: Por uma Saúde não Silenciada, no dia 26 de junho, Inara do Nascimento Tavares, do povo indígena Satere-Maué e professora do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, da Universidade Federal de Roraima, enfatizou: “São muito importantes as parcerias institucionais que se colocam de forma simétrica, na forma do diálogo”. Maiores informações sobre essa chamada e o projeto, que inclui uma playlist no canal do YouTube da VideoSaúde com depoimentos de trajetórias indígenas na academia, estão disponíveis aqui.

Julia Dias (Agência Fiocruz de Notícias) e Filipe Leonel (Informe Ensp)

 

Parlamentares apoiam ações da Fiocruz contra a Covid-19

Membros da Comissão Externa do Coronavírus da Câmara dos Deputados estiveram, nesta terça-feira (28/7), no campus Manguinhos para conhecer as atividades da Fiocruz voltadas para o enfrentamento da pandemia, em especial no que diz respeito ao processo de produção da vacina. Recentemente, a Fundação e o Ministério da Saúde anunciaram que vão firmar um acordo com a biofarmacêutica AstraZeneca para compra de lotes e transferência de tecnologia da vacina para Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford. Além de conhecer as instalações do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), onde serão produzidas as doses, a agenda também incluiu uma visita técnica à Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19.

“O processo de desenvolvimento de uma vacina é normalmente longo e precisa ser orientado por preceitos de eficácia, segurança e ética em pesquisa. Temos visto um esforço mundial sem precedentes em acelerar esse processo. Como instituição estratégica do Estado brasileiro, a Fiocruz não poderia ficar de fora dessa mobilização. A Fundação tem 120 anos de história e atuação na saúde pública e buscamos ser parte da resposta à crise humanitária que estamos vivendo desde o início da pandemia”, declarou a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade.

Com a liderança do presidente da Comissão, dr. Luizinho Teixeira (PP-RJ), estiveram presentes os deputados federais Carmen Zanotto (Cidadania-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Chico D’Angelo (PDT-RJ), Alexandre Padilha (PT-SP), Carla Dickson (Pros-RN), Christiano Aureo (PP-RJ), Soraya Manato (PSL-ES), Mariana Carvalho (PSDB-RO), Hiran Gonçalves (PP-RR), Pedro Westphalen (PP-RS), General Peternelli (PSL-SP), Antônio Brito (PSD-BA), Rodrigo Coelho (PSB-SC),  Alexandre Serfiotis (PSD-RJ) e Alessandro Molon (PSB-RJ). A comitiva contou ainda com a participação de Patricia Ferraz (PODE-AP), suplente do deputado Vinicius Gurgel (PL-AP), do vereador Felipe Michel (Progressistas-RJ) e dos assessores Daniela Sholl, Thiago Medeiros e Monique Monteiro.

Para iniciar a agenda da visita, a presidente da Fiocruz apresentou as ações que a Fundação vem realizando de forma articulada com o Ministério da Saúde. Entre os destaques, ações de vigilância, educação, pesquisa, inovação tecnológica, produção de vacinas e medicamentos; a atenção direta aos pacientes contaminados pela doença no Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19 – Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), que foi erguido em regime emergencial no campus e que ficará como um legado para o Sistema Único de Saúde (SUS) pós-pandemia; o papel da Fundação na produção dos testes e na ampliação da capacidade nacional de testagem à população; e o trabalho envolvido na prospecção e fabricação especificamente da vacina contra a doença.

Nísia explicou aos parlamentares os detalhes da negociação para a produção da vacina desenvolvida pela universidade britânica. O acordo prevê a aquisição de 30,4 milhões de doses do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) ainda durante a realização dos estudos clínicos, para processamento final e controle de qualidade, sendo 15,2 milhões de doses em dezembro e 15,2 milhões de doses em janeiro do ano que vem.

Ao término dos estudos e com a eficácia da vacina comprovada, está prevista a aquisição de mais 70 milhões de doses do IFA e a absorção total da tecnologia por Bio-Manguinhos. Para ter as 100 milhões de doses da vacina e a garantia da produção em solo nacional, o Brasil precisará investir cerca de dois bilhões de reais. Durante o encontro, a Comissão se comprometeu a apoiar à Fundação nas negociações, que incluem, entre outros aspectos, uma medida provisória, já chamada de MP da Vacina, que segue em andamento pelo governo federal.

“Aqui na Fiocruz se faz educação, se faz ensino, produção de medicamentos. Nós precisamos mais do que nunca, como Congresso, apontar para as autoridades  a importância da independência da produção de certos insumos e vacinas no Brasil. É fundamental investir em tecnologia, inovação e principalmente em pesquisa. A Fiocruz tem todas as condições de fazer isso. Portanto, vamos empregar esforços para que não falte orçamento, de forma que os brasileiros tenham a qualidade da Fiocruz à disposição da sua saúde”, ressaltou o presidente da Frente Parlamentar de Imunização, Pedro Westphalen.

Com os resultados positivos dos testes feitos até agora, a vacina de Oxford é umas das mais promissoras no cenário mundial, inclusive do ponto de vista econômico. Considerando a taxa cambial atual, cada unidade da vacina sairia a menos de R$ 15. “Os Estados Unidos estão sugerindo uma vacina de U$ 40 (R$ 260) a dose. Só aí, temos uma economia de R$ 22 bilhões de reais. Nosso SUS, que tem a Fiocruz e tem capilaridade, vai conseguir entregar à população brasileira uma vacina de qualidade, provavelmente antes do que a maioria dos países do mundo. Se agirmos com antecedência, teremos condições tecnológicas para abastecer o mercado interno e ainda vender a vacina para o exterior”, afirmou o deputado Luizinho Teixeira.

“É importante ressaltar que estamos trabalhando na ampliação de nossa capacidade de produção para que possamos a atender a essa demanda e ao nosso fluxo regular de produção de diversas vacinas. Neste campo temos desafios para um futuro que esperamos possa se concretizar: o Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (Cibs), em Santa Cruz, o maior investimento do país em biotecnologia e que aumentará a capacidade atual de 20 milhões para 120 milhões de frascos de vacinas e biofármacos por ano”, destacou a presidente da Fundação.

Após a recepção no Castelo Mourisco, a comitiva se dividiu em dois grupos para visitar as instalações do complexo de Bio-Manguinhos e da Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19. Os parlamentares puderam conferir de perto o passo a passo que envolve a fabricação de uma vacina e a tecnologia empregada no processamento das amostras suspeitas da doença que seguem para análise na Fiocruz.

“Na condição de relatora da Comissão Externa e parlamentar da área da saúde, só temos o que agradecer a história da Fiocruz nesses 120 anos e mais ainda agora no momento da pandemia. O Brasil precisa se fortalecer e a Fiocruz é, sim, uma das instituições que precisa ser reconhecida, não só no momento da pandemia, mas com a garantia dos orçamentos necessários”, finalizou a deputada Carmen Zanotto.

Agência Fiocruz de Notícias, por Aline Câmera.
Foto externa: CCS/Fiocruz
Foto interna: Peter Ilicciev 

 

InfoGripe mostra sinais de “segunda onda” de SRAG

Dados do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostram que, enquanto diversos estados ainda enfrentam a fase de crescimento da primeira onda de novos casos semanais de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) – situação de todos os da região Sul, além de Sergipe e Mato Grosso do Sul –, alguns já dão sinais do início da chamada “segunda onda”. A análise é referente à Semana Epidemiológica 29 (12/7 a 18/7).

É o caso do Amapá, Maranhão, Ceará e Rio de Janeiro. Nestes estados, o número de novos casos semanais, depois de ter atingido um pico e iniciado o processo de queda, voltou a subir. O coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, observa que em Alagoas o número de casos voltou a crescer, sem nunca ter iniciado o processo de queda. “Os dados de SRAG continuam sendo fortemente associados à Covid-19, uma vez que, entre os casos com resultado positivo para os vírus respiratório testados, 96,7% dos casos e 99,1% dos óbitos retornaram positivo para o novo coronavírus”, ressalta Gomes.

CENÁRIO NACIONAL

Até o momento já foram reportados, este ano, um total de 289.946 casos de SRAG, sendo 145.020 (50,1%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 83.572 (28,8%) negativos, e cerca de 41.750 (14,4%) aguardando resultado laboratorial. Entre os positivos, 0,8% apresentavam influenza A, 0,4% influenza B, 0,7% vírus sincicial respiratório (VSR) e 96,7% Sars-CoV-2 (Covid-19).

No cenário nacional os dados indicam manutenção do número de crescimento de novos casos semanais, após leve queda observada no mês de maio. Os valores ainda encontram-se muito acima do nível de casos considerado muito alto. Estima-se que já ocorreram 76.934 óbitos de SRAG, podendo variar entre 74.888 e 79.792 até o término da semana 29.

“Como sinalizado nos boletins anteriores, a situação nas regiões e estados do país é bastante heterogênea. Portanto, o dado nacional não é um bom indicador para definição de ações locais”, comenta Gomes.

ESTADOS COM ALTERAÇÃO DE TENDÊNCIA

O sinal de possível estabilização no Rio Grande do Sul não se confirmou. O estado apresenta manutenção da tendência de crescimento. A tendência de possível início de queda na Bahia também não foi confirmada, sendo mantido sinal de estabilização. Já o Tocantins mostra estabilização após período de crescimento. Entre os estados que apresentavam queda nos boletins anteriores, Pernambuco e Espírito Santo apontam para um cenário de estabilização.

Paraíba, Distrito Federal, Amapá e Minas Gerais apresentam estabilização após período de crescimento, atingindo um platô. Embora tenha registrado leve queda durante o mês de maio, São Paulo mantém sinal de estabilização em valores semanais ainda próximos ao valor máximo observado neste ano. Em Rondônia e Goiás observa-se confirmação de possível início de queda, após atingir um primeiro pico no número de novos casos semanais.

Nas demais estados não foram observadas alterações em relação às tendências anteriores, com manutenção do sinal de queda na maioria das unidades federativas do Norte, sinal de crescimento em todas do Sul e situações heterogêneas nas demais regiões. Todos os estados continuam apresentando número de novos casos semanais acima dos valores considerados muito alto.

Regina Castro (CCS/Fiocruz)

Divulgado o resultado da homologação das inscrições do curso de mestrado do PPGVIDA

Divulgado hoje (20/7), o resultado da primeira etapa do processo seletivo do curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

O resultado refere-se à homologação das inscrições. O período para interposição de recursos das inscrições não homologadas ocorre nos dias 21 e 22/7, conforme descrito no edital.

A lista da homologação das inscrições está disponível no sistema Sigass em: http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120

SOBRE O CURSO

O PPGVIDA – ILMD/Fiocruz Amazônia é um programa de pós-graduação que tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

O curso é em regime integral e as aulas estão previstas para iniciar dia 5 de agosto deste ano. Ao final do mestrado, o egresso do curso receberá diploma de Mestre em Saúde Pública.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Covid-19: Pesquisa avalia segurança do profissional da saúde

O Ministério da Saúde, em seu último boletim (Boletim Epidemiológico Especial nº 21) sobre a Covid-19, destaca que 173.440 profissionais de saúde foram diagnosticados com a doença. Desses, 697 foram internados e 138 vieram a óbito. Devido ao alto risco de infecção a que esses profissionais estão expostos em seu dia a dia de trabalho durante a pandemia, o Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Proqualis) do Institudo de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (Icict/Fiocruz), está realizando a pesquisa Segurança do profissional da área de saúde durante o enfrentamento da infecção pelo novo coronavírus (Covid-19). A iniciativa tem o objetivo de avaliar o risco a que os profissionais de saúde estão submetidos e as medidas que estão sendo tomadas nos estabelecimentos para a proteção desses profissionais e seus pacientes.

Segundo a pesquisadora do Proqualis e coordenadora do estudo, Ana Luiza Pavão, “essa pesquisa visa a contribuir para mapear as características relacionadas ao processo de trabalho desses profissionais em meio à pandemia de Covid-19, bem como as iniciativas que estão sendo realizadas pelos gestores nos estabelecimentos de saúde pelo Brasil”.

A pesquisa enfoca dois aspectos: a adoção de medidas de segurança pelo profissional da área da saúde, em seus processos de trabalho, com foco principalmente no uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPI); e a organização do estabelecimento de saúde em relação à oferta de equipamentos e insumos, limpeza e desinfecção dos ambientes, bem como indicadores de capacitação e acompanhamento dos seus funcionários.

Disponível via Google Forms para facilitar o acesso on-line por meio de celular, tablet ou computador com acesso à internet, o inquérito é composto do ‘Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)’, que o profissional assinala a opção do concordância, as perguntas da pesquisa. Todo o processo dura no máximo, 15 minutos.

Para acessar os formulários para os profissionais e gestores:

Questionário para profissionais da área de Saúde;

Questionário para gestores de estabelecimentos de Saúde.

Fonte: Icict/Fiocruz

Fiocruz Amazônia abre inscrições para Curso de Doutorado em Saúde Pública na Amazônia

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Universidade Federal do Amazonas – UFAM e a Universidade do Estado do Amazonas – UEA, instituições associadas que compõem o Curso de Doutorado em Saúde Pública na Amazônia, tornam pública a abertura de inscrições para o processo de seleção pública de candidatos, para ingresso no curso de doutorado.

As inscrições iniciam no dia 10/8, e encerram às 16h30 (horário Manaus) do dia 21/8/2020. Somente candidatos brasileiros natos, com dupla nacionalidade, ou candidatos estrangeiros com visto permanente podem se candidatar a esta Chamada Pública.

Os documentos exigidos para inscrição estão listados no edital, e deverão ser digitalizados separadamente em formato “pdf”, não podendo exceder 9 megabytes, por arquivo.

Confira aqui o edital.

O Curso possui área de concentração em Estudos de Processo Saúde/Doença/Cuidado na Amazônia, e duas linhas de pesquisas: Linha 1 – Dinâmica, diagnóstico, cuidado clínico e controle de doenças infecciosas endêmicas na Amazônia (4 VAGAS), Linha 2 – Vulnerabilidade, Situações de Saúde, Gestão, Organização e Avaliação de Serviços e Cuidados de APS na Amazônia (11 VAGAS).

Poderão participar do processo de seleção, candidatos portadores de diploma de graduação de duração plena, devidamente reconhecido pelo MEC e de diploma de Mestre em Saúde Coletiva ou áreas afins. O Curso será ministrado em regime integral, com duração mínima de 24 meses e máxima de 48 meses, incluindo a realização da defesa de tese.

ETAPAS

A admissão ao Curso de Doutorado, objeto desta Chamada Pública, será composta de 3 etapas: 1ª Etapa – Homologação das inscrições; 2ª Etapa – Pontuação do Currículo Lattes, conforme comprovações e; 3ª Etapa – Prova Oral. Todas as etapas do processo seletivo são eliminatórias.

BOLSAS

O Doutorado em Saúde Pública na Amazônia não garante a concessão de bolsa de estudo para todos os aprovados. As bolsas disponíveis serão distribuídas, respeitando -se a ordem de classificação geral dos candidatos, as normas das agências de fomento e as estabelecidas pela Comissão de Bolsa do Doutorado em Saúde Pública na Amazônia, até o limite das bolsas.

RESULTADO

A publicação dos resultados de todas as etapas do Processo Seletivo e do resultado final, será na Plataforma SIGA no endereço eletrônico ( www.sigass.fiocruz.br ), no site do ILMD/Fiocruz Amazônia, da UFAM e da UEA.

O início das atividades acadêmicas do doutorado em saúde pública na Amazônia estão previstos para o dia 7/10/2020.

ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento

Fiocruz identifica nova variante do vírus influenza no Brasil

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) identificaram uma nova variante do vírus influenza, causador da gripe, em uma paciente da cidade de Ibiporã, no Paraná. As análises apontaram a presença do vírus influenza A(H1N2)v, que provoca infecção em porcos. O caso foi informado ao Ministério da Saúde, que notificou a Organização Mundial da Saúde (OMS), seguindo o regulamento sanitário internacional. Todos os registros de infecção humana por novos subtipos virais precisam ser notificados já que mutações nestes microrganismos podem levar à disseminação de pessoa a pessoa, com potencial pandêmico.

Um alerta emitido pela OMS informa que 26 casos de infecção por vírus influenza A(H1N2)v foram registrados desde 2005, e a maioria dos pacientes apresentou quadros leves. No Brasil, um registro já tinha sido realizado em 2016. Não há evidências de transmissão dessas variantes virais entre pessoas. A virologista Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC, referência para vírus respiratórios no Brasil e responsável pela identificação das variantes do influenza no país, afirma que o novo achado não é motivo de preocupação. “Essas detecções ocorrem, ao longo dos anos, em diversos países. Não significa que isso vai se transformar em uma pandemia. As medidas de controle são as mesmas para infecções de transmissão respiratória em geral, como lavar as mãos e, em caso de sintomas respiratórios, procurar atendimento médico para fazer análise melhor do quadro clínico”, esclarece a pesquisadora.

A paciente de Ibiporã, que já está recuperada e não precisou ser hospitalizada, apresentou sintomas de gripe em meados de abril. Ao procurar atendimento médico, ela teve uma amostra do trato respiratório coletada como parte das ações de rotina do sistema nacional de vigilância da influenza. O Laboratório Central de Saúde Pública do Paraná (Lacen-PR) identificou um vírus influenza A de subtipo desconhecido e encaminhou a amostra ao Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC, onde a caracterização do microrganismo foi realizada. Marilda destaca que o achado realizado em meio à pandemia de Covid-19, que sobrecarrega os serviços de saúde e a rede de laboratórios do país, demonstra a capacidade de resposta brasileira.

“No meio de uma pandemia de coronavírus, que está impactando todos os níveis de atenção à saúde, trabalhamos dentro dos protocolos e fomos capazes de identificar uma nova variante do vírus influenza. Isso mostra a capacidade de resposta rápida que o nosso país, através de um esforço grande do Ministério da Saúde, das Secretarias de Saúde, dos Laboratórios Centrais de Saúde Pública(Lacens) e de institutos como IOC/Fiocruz, Instituto Evandro Chagas (IEC) e Instituto Adolfo Lutz (IAL), é capaz de dar para o controle da influenza”, avalia Marilda.

Uma vez que os vírus influenza ocorrem em diversas espécies de animais, o surgimento de novas variantes pode ocorrer tanto por mutações do genoma viral quanto pela recombinação entre microrganismos de diferentes espécies. Através do sequenciamento genético, os pesquisadores identificaram que a nova variante viral apresentava segmentos do RNA associados a vírus detectados em porcos e humanos.

“O vírus identificado no Paraná é caracterizado como uma nova variante porque apresenta configurações genéticas diferentes de outros vírus influenza A (H1N2), incluindo a cepa detectada no Brasil em 2016. Realizando o sequenciamento genômico, observamos que os segmentos H e N da nova variante viral estavam associadas a vírus que circularam anteriormente em humanos e suínos. Além disso, detectamos genes internos associados ao vírus influenza A (H1N1), que circulam desde 2009”, relata Paola Cristina Resende, pesquisadora do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do IOC.

Segundo a OMS, as infecções humanas por vírus de gripe de suínos ocorrem principalmente pelo contato com animais infectados ou ambientes contaminados. No caso de Ibiporã, as investigações ainda estão em curso, mas é possível que a paciente tenha sido infectada no frigorífico de suínos onde trabalha. No mesmo período, outro funcionário do local apresentou sintomas de gripe, mas não foram coletadas amostras na ocasião. A investigação epidemiológica e laboratorial em andamento não encontrou indícios de outros casos de infecção. “Vamos continuar as análises, mas, até o momento, não há evidências de que tenha acontecido transmissão”, reforça Marilda.

Por: Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

 

Debate da Fiocruz reúne intelectuais indígenas e lança chamadas públicas

Por meio do Observatório Covid-19, a Fiocruz promoveu o debate virtual Povos indígenas na produção de conhecimento: por uma saúde não silenciada. O encontro, que pode ser assistido no canal da Fundação no YouTube, reuniu pesquisadores da Fiocruz e intelectuais indígenas. Estes apresentaram suas trajetórias acadêmicas e no mundo da pesquisa e comentaram os muitos percalços que ainda precisam superar. A atividade teve o apoio da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz) e integra o projeto Vozes Indígenas na Produção do Conhecimento, que se originou a partir de um diálogo entre intelectuais indígenas de diversas regiões do Brasil e pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). O objetivo é dar visibilidade ao conhecimento produzido por pesquisadoras e pesquisadores indígenas, envolvê-los nos eventos tecno-científicos, estimular trabalhos conjuntos e a circulação de ideias e reflexões.

O evento marcou o lançamento de duas chamadas públicas voltadas para pesquisadores indígenas de toda a América Latina que sejam autores principais dos trabalhos. Co-autores podem ser não-indígenas. As chamadas também buscam contribuições que versem sobre a vivência dos povos indígenas no contexto da Covid-19. O objetivo das chamadas é reunir contribuições que deem visibilidade às múltiplas especificidades inerentes às realidades sócio-territoriais de cada povo, com ênfase nas complexas inter-relações sócio-culturais e políticas com a saúde dos povos indígenas.

Em ambas as chamadas podem ser enviadas contribuições em português e línguas indígenas (maternas, nativas ou originárias), desde que contem com a tradução para o português. Além das chamadas, durante o evento houve ainda o lançamento de uma série de curtas sob o título Vozes indígenas do território à academia, produzido em uma parceria da VideoSaúde/Fiocruz com a Canoa Produções que apresenta as trajetórias de indígenas acadêmicos e suas carreiras na universidade e na docência.

A pesquisadora da Ensp e coordenadora do GT de Saúde Indígena da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) Ana Lúcia Pontes, que faz parte da coordenação da iniciativa, abriu o evento virtual lembrando que o projeto surgiu entre pesquisadores da Fiocruz e da Abrasco, em articulação com profissionais de outras instituições que também atuam nas áreas de antropologia e saúde indígena. O intuito é valorizar e dar visibilidade à produção do conhecimento de pesquisadores indígenas e abrir caminhos para que participem de eventos científicos na área de saúde coletiva.

Em seguida ela apresentou o primeiro dos vídeos exibidos durante o debate, no qual a pesquisadora Braulina Aurora Baniwa conta a sua trajetória no mestrado na UnB e na produção de conhecimento. Ela narrou os muitos obstáculos que os indígenas precisam superar para chegar (e permanecer) na academia. “Ainda somos vistos por muitos como inúteis. Não reconhecem o nosso potencial. Também não somos apenas uma sociedade indígena, mas várias. Somos 300 povos e 380 línguas. Apesar das dificuldades, estamos abrindo portas”.

O pesquisador Ricardo Ventura Santos, da Ensp e do Museu Nacional/UFRJ, disse em seguida que é importante amplificar as vozes dos povos indígenas. Ele louvou a iniciativa, que permitiu pensar em chamadas que terão a participação de intelectuais indígenas, algo improvável até poucos anos atrás. Segundo ele, na última década houve um importante avanço, no ensino superior, de alunos vindos de povos indígenas, o que agora começa a se refletir em dissertações de mestrado e teses de doutorado. “Diante desse avanço podemos começar a olhar para o futuro com altivez e esperança”.

A vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado, afirmou em sua intervenção que “o tema é necessário e relevante e reúne pesquisadores de variadas unidades da Fundação que trabalham em articulação com os povos indígenas”. Ela elogiou a qualidade dos vídeos produzidos e disse que “esses povos precisam ser sujeitos e vocalizar seus direitos, além de manifestar suas especificidades, como o direito ao território, a defesa da natureza, a luta pelas florestas e pela preservação da sua história e da sua memória. Sem dúvida eles têm muito a nos ensinar, sobretudo neste momento de crise sanitária e humanitária sem precedentes pelo qual o planeta vem passando”.

Logo após a participação da vice-presidente houve a exibição de um novo vídeo, com a mestranda em sociologia Urawive Suruí. Segundo ela, seu projeto acadêmico tem como proposta contar a experiência dos suruí para as próximas gerações, refletindo o conhecimento social desse povo. Após o vídeo, Inara do Nascimento Tavares, do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, disse em sua intervenção que a universidade, para os indígenas, é mais um espaço de luta, para o qual os povos indígenas levam seus corpos, seus sonhos e suas cores.

O doutorando em direito Dinamam Tuxá, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, observou que reunir as lideranças intelectuais indígenas é fundamental para que alcancem o objetivo de democratizar o espaço acadêmico. “E nossas pesquisas também contribuem para a divulgação e maior disseminação dos saberes tradicionais. É necessário quebrar o paradigma de que apenas o conhecimento europeu é válido e científico. No mundo de hoje é inadmissível que se duvide da capacidade intelectual dos nossos povos. Infelizmente, mesmo na universidade, que deveria ser mais aberta e inclusiva, ainda percebemos esse preconceito”.

A psicóloga Nita Tuxá, da Articulação Brasileiras dos (as) Psicólogos (as) Indígenas, disse que a discriminação aos povos indígenas “gera sofrimento e nos faz lutar diariamente por nossos direitos”. Para ela, “a escolarização é uma arma de luta, visando transformar uma ciência colonizadora e abrir espaço para a diversidade de conhecimento. Precisamos de uma ciência acolhedora e inclusiva. E o nosso desafio é também o de traduzir para os nossos povos o conhecimento que adquirimos”. Nita listou alguns dos problemas enfrentados pelos indígenas, como a violação de direitos, a invasão de terras, o garimpo e o desmatamento ilegal. “Os indígenas passaram muito tempo silenciados. Não mais. Esse tempo ficou para trás”.

Mário Nicácio, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), afirmou estar havendo uma contaminação em massa de indígenas pela Covid-19. “E esse cenário desolador está destruindo grande parte de nossas enciclopédias vivas, os anciãos indígenas. É uma perda incalculável e irreparável”. Segundo Nicácio, os povos indígenas buscam não ser mais identificados como objetos, e sim autores, sujeitos soberanos que pensam, refletem, criam, pesquisam, lecionam.

A última intervenção foi de Joziléia Daniza Kaigang, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina. Ela disse que o evento representa “nós falando por nós”. A professora afirmou que tem aumentado significativamente a qualidade da pesquisa feita por indígenas, que muitas vezes está ligada à ancestralidade e à conexão com o território. “Somos diversidade e pluralidade e temos múltiplas possibilidades para caminhar na produção de conhecimento”, disse. Junto com a intervenção de Joziléia ocorreu a exibição do vídeo da advogada Simone Terena, pesquisadora na área de violência contra a mulher indígena.

CHAMADAS

Para participar das chamadas, os autores indígenas precisam submeter os trabalhos até 30 de agosto, pelo e-mail vozes.indigenas.fiocruz@gmail.com, seguindo as orientações dos editais:

Chamada 1: “Corpo, Território, Saúde e Existência/Resistência dos Povos indígenas da América Latina”

Chamada 2: “Diversidade de Vozes dos Territórios Indígenas: Saúde Silenciada”

Agência Fiocruz de Notícias, por Ricardo Valverde

Divulgado resultado preliminar do processo seletivo para o Programa de Iniciação Científica

A coordenação do Programa de Iniciação Científica (PIC) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) divulgou nesta quinta-feira, 2/7, o resultado preliminar do processo seletivo para bolsas de iniciação científica, edição 2020-2021.

Os candidatos que tiveram projetos enquadrados foram encaminhados para análise técnica com os avaliadores ad-hoc. Candidatos e orientadores tem o prazo de 48 horas (até o dia 4 de julho) para encaminhar o recurso de forma virtual ao email do PIC ( pic.ilmd@fiocruz.br ), conforme descrito no item 9 do edital.

Foram enquadrados 32 estudantes de cursos de graduação de instituições de ensino superior reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC).

Acesse aqui o resultado preliminar.

O PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia é desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), e com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

SOBRE O PIC

O Programa de Iniciação Científica da Fiocruz Amazônia tem como objetivos despertar a vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação; contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa e inovação tecnológica nos Determinantes Socioculturais, Ambientais e Biológicos do Processo Saúde-Doença-Cuidado para a melhoria das condições sociossanitárias na Amazônia.

O PIC visa ainda estimular pesquisadores produtivos a envolverem estudantes de graduação em suas atividades científicas, tecnológicas e profissionais; e proporcionar ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de técnicas e métodos de pesquisa, bem como estimular o desenvolvimento do pensamento científico e da criatividade, decorrentes das condições criadas pelo confronto direto com os problemas estudados ou alvo da pesquisa.

ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes