Fiocruz Amazônia apresenta startups de saúde na Campus Party

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) marcou presença no Campus Party Amazônia (CPA) – festival voltado para o intercâmbio de experiências na área de inovação tecnológica –, apresentando três startups criadas pelo Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia (DCDIA), sob a coordenação do pesquisador em Saúde Pública, Pritesh Lawani. É a primeira vez que a Fiocruz Amazônia submete ao CPA projetos de plataformas desenvolvidos com a finalidade de contribuir para a melhoria da Saúde Pública, integrada ao universo da tecnologia e do empreendedorismo digital. Durante dois dias, alunos do Mestrado e Doutorado dos Programas de Pós-Graduação do DCDIA e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) estiveram reunidos no estande da Fiocruz Amazônia, no Campus Future do CPA.

As plataformas apresentadas no sábado, 14/10, foram a Prodoner, de estímulo à doação de leite materno, e a Rainbow destinada à detecção multiplex de vírus. No domingo, foi a vez da BVDX, voltada para a implantação de teste rápido para doença causada por roedores. Em visita ao estande, a diretora interina do ILMD/Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, considerou excelente a oportunidade, através do DCDIA e do Laboratório de Imunologia, de apresentar três potenciais startups do grupo, com produtos distintos, numa feira tecnológica do porte da CPA. “Saúde também é tecnologia e percebemos que hoje em dia precisamos estar antenados num contexto tanto de saúde digital quanto das novas tecnologias para detecção de vírus e doenças. O mundo hoje é conectado e integrado a um ambiente extremamente jovem, de negócios, integração e network, daí a importância de estarmos presentes nesses espaços”, afirmou.

Pritesh Lawani explica que o objetivo principal da participação do laboratório na Campus Party foi incentivar o lado empreendedor dos alunos que participam dos projetos e mostrar à sociedade as pesquisas de ponta realizadas pela Fiocruz Amazônia, gerando produtos que podem ser lançados no mercado e contribuir com o Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Pritesh, três propostas foram submetidas e duas foram classificadas no Campus Future. “No Prodoner, a ideia é conectar as mães que querem doar leite junto com banco de leite, que hoje atende de forma efetiva às mulheres que utilizam as maternidades da rede pública estadual, deixando uma lacuna no serviço privado”, explica. A plataforma visa exatamente aproximar essa fatia da população ao serviço, aumentando a oferta de leite materno, além de orientar as mães sobre a importância da amamentação com informações de qualidade.

O projeto é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e o Hospital Universitário Getúlio Vargas. A médica mastologista Conceição Maria Guedes Crozara, do HUGV, uma das coordenadoras da iniciativa, explica que o  Prodoner foi idealizado diante da dificuldade observada pelas pacientes dela que querem doar leite materno e não sabem como. “Elas (as pacientes) reclamam muito que ligam e não tem retorno, querem saber se podem doar ou não podem, qual tipo de frasco devem utilizar para coletar o leite, enfim, nosso aplicativo visa facilitar a comunicação entre o banco de leite e as possíveis doadoras”, explicou.

Segundo Pritesh, a plataforma encontra-se em construção. “Primeiro estamos gerando os dados que estarão contidos no aplicativo. Estamos num momento da pesquisa de levantamento das demandas das mulheres”, afirma. A mastologista Conceição Guedes salienta a importância da parceria com a Fiocruz. “A Fiocruz abraçou a nossa ideia e está nos ajudando na criação do aplicativo. Agora estamos na fase de brainstorms, que é a pesquisa de campo, levantando as necessidades tanto do banco de leite quanto das unidades de terapia intensiva neonatal. Depois dessa fase, queremos colocar o conteúdo no aplicativo”, afirmou.

FLAVIVÍRUS

A Plataforma Rainbow surgiu da necessidade de testagem multiplex que permita diagnósticos mais completos, ao invés de uma lâmina para cada tipo de teste. “A ideia do multiplex é possibilitar que doenças que são prevalentes na região amazônica, sejam testadas num único exame. Dengue, zika, febre amarela e virus do Oeste do Nilo. Isso ajudaria a reduzir custos. Usar uma mesma amostra para testar quatro doenças também aumenta o número de pessoas diagnosticadas corretamente e fortalece a vigilância dessas doenças”, explana Pritesh. O estudo conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Pós-doutora pelo ILMD/Fiocruz Amazônia, a farmacêutica Bárbara Salgado integra a equipe da plataforma Rainbow Multilplex. Ela reforça que o objetivo principal do projeto  é construir uma plataforma única para conseguir diagnosticar e identificar múltiplas doenças com um único dispositivo. “A ideia é viabilizar a construção de uma plataforma de baixo custo viável e que seja acessível a população, uma vez que estamos na região amazônica e existe alta prevalência de dengue, entretanto muitas pessoas que são negativas para dengue, podem estar com outro tipo de doença causada por flavivírus”, lembrou. No domingo, a equipe do DCDIA apresentou o projeto BVDX de diagnóstico do muniavírus, que pertence à família do hantavírus transmitidos por roedores.

“Desenvolvemos um ensaio para diagnóstico de pacientes com hantavírus, fizemos um depósito de patente e agora estamos querendo melhorar para trazer num teste rápido que possa ser usado nas unidades básicas de saúde”, definiu Pritesh, acrescentando que o projeto também foi classificado no INOVALABS.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa