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Covid-19: Fiocruz envia ventiladores pulmonares para o Amazonas

O programa Unidos Contra a Covid-19 continua apoiando o estado do Amazonas no enfrentamento da Covid-19. O projeto enviou 50 ventiladores pulmonares para os hospitais da capital (Manaus) e interior do estado, com o apoio da Força Aérea Brasileira e o Hospital Sírio Libanês. Os ventiladores serão entregues a Secretaria Estadual de Saúde, que cuidará da distribuição. São 30 ventiladores para transporte de pacientes e mais 20 ventiladores para uso em UTI.

“O programa Unidos Contra a Covid-19 possibilitou a distribuição de 216 ventiladores pulmonares, que foram utilizados pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas [INI/Fiocruz] e a rede assistencial do Sistema Único de Saúde [SUS]. Identificamos que 50 desses ventiladores poderiam ser encaminhados para o Amazonas, possibilitando abertura de mais leitos de UTI”, diz o vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Fiocruz, Mario Moreira. 

Os equipamentos fortalecem a infraestrutura do SUS e ficarão como um legado para o estado, podendo ser utilizados pelos hospitais em emergências futuras.

Aryanne Valenzuela (Escritório de Captação de Recursos da Fiocruz)

Fiocruz Amazônia lamenta a morte de Isaías Fontes Baniwa

A direção do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia)  lamenta a morte do líder indígena Isaías Fontes Baniwa, em decorrência de complicações da Covid-19.

Isaías Fontes Baniwa foi uma liderança que lutou incansavelmente pelos direitos indígenas.  Como diretor executivo Baniwa da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), desenvolveu diversas ações em parceria com o ILMD/Fiocruz Amazônia em projetos de saúde e na  capacitação de agentes indígenas de saúde, além de iniciativas de  combate à Covid-19 nas aldeias indígenas do Alto Rio Negro.

Fiocruz Amazônia publica nota técnica sobre o SARS-CoV-2 e a nova variante que circula no AM

Nota Técnica elaborada pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e Fundação de Vigilância em Saúde do Estado do Amazonas (FVS-AM), por meio do Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM), aponta que neste mês de janeiro, a nova variante de SARS-CoV-2, a P.1, foi identificada em 91%, dos genomas sequenciados no Amazonas, o que a torna hoje a mais prevalente no Estado.

Desde março de 2020, com o surgimento dos primeiros casos de Covid-19 no Amazonas, o monitoramento e caracterização genética do SARS-CoV-2 vem sendo feito pelo Laboratório de Virologia da Fiocruz Amazônia, coordenado pelo pesquisador Felipe Naveca e equipe; além disso, o laboratório contribui com o Estado na realização de diagnóstico molecular da doença e no desenvolvimento de ações de Vigilância Genômica do SARS-CoV-2 circulante no Amazonas.

Acesse aqui a nota técnica na íntegra.

Já foram sequenciados 250 genomas, sendo 177 provenientes de Manaus e os outros 73 de 24 municípios do interior (Anori, Autazes, Barreirinha, Caapiranga,Carauari, Careiro, Iranduba, Itacoatiara, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maués, Nova Olinda do Norte, Parintins, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santa Isabel do Rio Negro, Santo Antônio do Içá, São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga, Tapauá e Urucará).

Foram identificadas 18 linhagens do SARS-CoV-2 no Amazonas, destacam-se em frequência a B.1.1.28 (33,6%), B.1.195 (18,8%), B.1.1.33 (11,6%) e, desde dezembro de 2020 a emergência da linhagem P.1 (nova variante brasileira), que saltou de 51% das amostras sequenciadas em dezembro, para 91% das amostras sequenciadas até a primeira quinzena de janeiro de 2021.

A nota técnica também observa a detecção de dois eventos de substituição das principais linhagens circulantes no Amazonas: B.1.195 para B.1.1.28 e depois para P.1.

Os estudos no campo da virologia realizados pela Fiocruz Amazônia recebem apoio da Fiocruz, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A FVS-AM e o Lacen-AM são parceiros em todas as pesquisas de viroses emergentes.

Acesse  informações sobre a situação epidemiológica do Amazonas.

Ascom-ILMD/Fiocruz Amazônia

Fiocruz Amazônia publica quarta nota técnica sobre situação epidemiológica do AM

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e o Observatório Fiocruz Covid-19  divulgaram hoje, 25/01, a quarta Nota Técnica sobre o  comportamento da epidemia de Covid-19 no Amazonas, com enfoque nas macrorregiões e regionais de saúde do Estado, a partir dos casos notificados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) correlacionados ao SARS-CoV-2, até a segunda semana epidemiológica de 2021.

A cidade de Manaus foi analisada de forma isolada, e foram excluídas das regionais, as notificações que tinham como local de residência a capital. A Nota Técnica apresenta estimativas de tendências a curto e a médio prazos.

O documento foi subdividido em quatro partes: a primeira aborda as associações espaciais entre notificações de SRAG e notificação de casos confirmados de Covid-19; a segunda analisa a notificação da SRAG em regiões do Estado; a terceira aborda a caracterização genética do SARS-CoV-2 circulante no Amazonas; e, a quarta apresenta considerações e reflexões sobre a vacinação no Estado.

Os pesquisadores destacam a importância da vacinação especialmente para os grupos de risco, mas alertam que estratégias de prevenção devem ser mantidas no Estado e em suas fronteiras, diante da ativa circulação viral.

O documento foi elaborado pelos pesquisadores Bernardino Albuquerque, Carlos Machado de Freitas, Christovam Barcellos, Daniel Antunes Maciel Villela, Felipe Gomes Naveca, Fernando Herkrath, José Joaquín Carvajal Cortés, Leonardo Soares Bastos, Marcelo Ferreira da Costa Gomes, Margareth Crisóstomo Portela, Rodrigo Tobias de Sousa Lima, Sérgio Luiz Bessa Luz, e Valcler Rangel Fernandes, do ILMD/Fiocruz Amazônia e do Observatório Fiocruz Covid-19,

Leia a Nota Técnica na íntegra.

Ascom-ILMD/Fiocruz Amazônia

Fiocruz entrega cinco usinas de produção de oxigênio para o AM

O programa Unidos contra a Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), distribuiu, na última semana, cinco usinas de produção de oxigênio ao sistema público de saúde do Amazonas, em resposta à crise de saúde pública enfrentada pelo estado. As usinas foram enviadas à Secretaria de Saúde do Amazonas para distribuição entre os hospitais da capital e do interior do estado.

Cada usina tem capacidade de produzir cerca de 25m³ de oxigênio por hora, quantidade suficiente para suprir uma unidade hospitalar em 12 leitos de terapia intensiva e 80 leitos de internação e pronto atendimento.

“O programa Unidos Contra a Covid-19 procurou, de forma rápida, apoiar a emergência vivida no Amazonas e colaborar com a infraestrutura local do Sistema Único de Saúde (SUS). Os equipamentos ficarão como um legado para o estado e poderão ser utilizados pelos hospitais na produção de oxigênio, em emergências futuras”, afirmou o vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Fiocruz, Mario Moreira.

A doação foi possível mediante o apoio do Todos pela Saúde, Bradesco, B3, MRS Logística, Unitedhealth Group Brasil e Juntos pelo Amazonas (Ambev, BRF, Coca-Cola Brasil, Fundação BNP Paribas, Grupo +Unidos, Magalu, Mercado Livre, Nestlé Brasil, Petrobras, Sesc, SulAmérica, WEG, Whirlpool, XP Inc. e Yamaha).

Por Erika Farias (CCS/Fiocruz)

Fiocruz Amazônia confirma reinfecção por nova variante do SARS-CoV-2

Pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD /Fiocruz Amazônia), em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) confirmaram o segundo caso de reinfecção no Brasil pelo SARS-CoV-2. A reinfecção se deu em Manaus, pela nova variante identificada no Amazonas, designada B.1.1.28.1 ou P.1. O caso foi confirmado pelo virologista e pesquisador Felipe Naveca.

“A confirmação do caso de reinfecção se deu ao concluirmos o sequenciamento genético das amostras, compararmos a primeira infecção e a segunda, o que mostrou se tratarem de linhagens diferentes. Esse era o último critério que estava faltando para confirmar o caso de reinfecção”, comentou Naveca.

Esse primeiro caso documentado de reinfecção pela nova linhagem P.1 emergente se deu em uma mulher de 29 anos de idade do Amazonas. A primeira infecção pelo SARS-CoV-2 nessa paciente ocorreu em março, e a segunda em dezembro. Ambos os resultados positivos para SARS-CoV-2 foram feitos por exame de RT-PCR.

Desde o surgimento da Covid-19, alguns casos de reinfecção com variantes filogeneticamente distintas de SARS-CoV-2 foram relatados. O pesquisador revela que os casos de reinfecção tanto podem ser a consequência de uma imunidade protetora limitada e transitória induzida pela primeira infecção, quanto podem refletir a capacidade do vírus da reinfecção evadir a resposta  imunológica  anterior.

A nova variante SARS-CoV-2 tem origem na linhagem B.1.1.28, que circula no Amazonas. A nova cepa também foi detectada em viajantes japoneses que tinham passado pelo Amazonas, um estado severamente atingido pela Covid-19 na primeira onda epidêmica, ocorrida entre março e julho do ano passado, e que atualmente enfrenta um aumento vertiginoso de mortes.

Leia AQUI o artigo sobre a nova variante.

Para acessar o artigo sobre o caso de reinfecção, CLIQUE.

Felipe Naveca alerta que outras variantes do SARS-CoV-2 circulam no Brasil e outras devem surgir ao longo do tempo, daí a necessidade constante de vigilância de cepas do novo coronavírus para apoiar a saúde no enfrentamento da Covid-19.

“Ainda não podemos afirmar qual o papel dessa variante na explosão de casos recentes em Manaus, precisamos sequenciar muitas outras amostras para ver a frequência dela atualmente, mas eu acredito sim que ela seja um dos fatores”, comenta.

O pesquisador lembra ainda que outros fatores podem ter contribuído para o aumento de casos de Covid-19 no Amazonas: o período de chuvas na região, que favorece o crescimento de infecções por vírus respiratórios, mas principalmente a baixa adesão da população às recomendações de uso de máscaras, manutenção de distanciamento social e lavagem frequente das mãos.

Os estudos no campo da virologia realizados pela Fiocruz Amazônia recebem apoio da Fiocruz, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A FVS-AM e o Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM) são parceiros em todas as pesquisas de viroses emergentes.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Eduardo Gomes

Anvisa autoriza uso emergencial da vacina da Fiocruz

Ao final 1ª Reunião Extraordinária Pública da Diretoria Colegiada, realizada na manhã deste domingo (17/1), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso emergencial de duas vacinas contra a Covid-19: a Oxford-AstraZeneca, da Fiocruz, e a Coronavac, do Instituto Butantan. Um dia histórico para a Anvisa e também para o Brasil, marcando o início da vacinação no país.

O pedido emergencial submetido pela Fiocruz se refere às 2 milhões de vacinas prontas que serão importadas do Instituto Serum, um dos centros capacitados pela AstraZeneca para a produção da vacina na Índia. A logística e execução do transporte dessas vacinas junto ao governo indiano está sendo conduzida pelo Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde (MS), Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Casa Civil. A Fiocruz tem se mantido em interlocução permanente junto aos órgãos do Governo Federal para a atualização de informações.

“A Fiocruz e todo o seu corpo técnico tem se dedicado incansavelmente para disponibilizar vacinas para o SUS e para a população brasileira. A autorização do uso emergencial concedida hoje reflete a seriedade do trabalho que vem sendo feito pela instituição. A Fiocruz tem realizado todas as ações possíveis em sua esfera de competência para que essas vacinas cheguem ao seu destino o mais rapidamente possível”, destaca a presidente da Fundação, Nísia Trindade Lima.

Para o diretor do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Maurício Zuma, o processo de submissão do pedido de uso emergencial foi um trabalho árduo, que envolveu uma gama enorme de informações e muita dedicação. “A aprovação pela Anvisa comprova que temos uma vacina segura e eficaz para disponibilizar para a população; e nós não estamos medindo esforços para que isto aconteça o mais rapidamente possível”, garante Zuma.

A Fiocruz, com o apoio do Ministério da Saúde, tem estado em contato permanente com a AstraZeneca para liberação e exportação do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) da China, que tem protocolos específicos para exportação da carga, e aguarda informações mais precisas para confirmar a data de chegada dos primeiros insumos necessários para a produção da vacina no Brasil.

Fonte: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Fiocruz publica Nota Técnica sobre nova variante do Sars-CoV-2 no Amazonas

Pesquisador do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia) confirma a identificação da origem da nova variante da linhagem Sars-CoV-2 B.1.1.28 no Amazonas. A nova variante foi designada provisoriamente de B.1.1.28 (K417N / E484K / N501Y). Liderado por Felipe Naveca, o estudo sugere que as cepas, detectadas em viajantes japoneses que tinham passado pela região amazônica, evoluíram de uma linhagem viral no Brasil, que circula no Amazonas.

Os achados apontam ainda que a mutação detectada na variante B.1.1.28 (K417N / E484K / N501Y) é um fenômeno recente, provavelmente ocorrido entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021. De acordo com a nota, o surgimento de novas variantes do Sars-CoV-2 que abrigam um número maior de mutações em proteína chamada Spike tem trazido preocupação em todo o mundo, sobretudo, após a recente identificação de duas cepas, uma no Reino Unido e outra na África do Sul. No Brasil, a epidemia de Sars-Cov-2 ocorreu a partir de duas linhagens, denominadas B.1.1.28 e B.1.1.33, que, provavelmente, surgiram no país em fevereiro de 2020.

O pesquisador informa que, em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS/AM) e o com o Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM), está conduzindo um levantamento genômico de indivíduos recentemente infectados com Sars-CoV-2 no Amazonas, com o objetivo de detectar a circulação dessa linhagem no Estado.

“Nossa análise preliminar também confirma que as linhagens brasileiras emergentes B.1.1.28 (E484k) e B.1.1.28 (K417N / E484k / N501Y) surgiram independentemente durante a diversificação da linhagem B.1.1.28 no Brasil. O surgimento simultâneo de diferentes linhagens B1.1 virais que carregam mutações K417N / E484K / N501Y no domínio de ligação do receptor da proteína Spike em diferentes países ao redor do mundo durante a segunda metade de 2020 sugere mudanças seletivas convergentes na evolução de Sars-CoV-2 devido a similar pressão evolutiva durante o processo de infecção de milhões de pessoas”, destaca a Nota. “Se essas mutações conferem alguma vantagem seletiva para a transmissibilidade viral, devemos esperar um aumento da frequência dessas linhagens virais no Brasil e no mundo nos próximos meses”.

Leia a Nota Técnica na íntegra.

Os estudos realizados pela Fiocruz Amazônia recebem apoio da Fiocruz, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

ILMD Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Fiocruz lança material com orientações para o fim de ano

Neste momento, o Brasil vive um expressivo aumento no número de casos e de óbitos por Covid-19, com possível agravamento da pandemia, e isso ocorre justamente quando se aproximam as festas de fim de ano. Para orientar sobre como diminuir os riscos de transmissão da Covid-19 durante este período, a Fiocruz sistematizou um conjunto de recomendações que orientam sobre formas mais seguras de passar o Natal e o réveillon. As recomendações, que estão em uma cartilha, podem ser acessadas aqui.

“Uma das várias frentes de atuação da Fiocruz no enfrentamento à pandemia vem sendo a produção de boletins, notas técnicas e outros materiais para fornecer informação segura e qualificada para a população. Este será um fim de ano muito diferente daquele que todos gostaríamos de ter, mas é preciso encontrar um equilíbrio entre o desejo de estarmos todos juntos e a necessidade de medidas protetivas que a pandemia e, especialmente, o aumento do número de novos casos no país, nos coloca. Por isso, é muito importante que as pessoas tenham informações corretas e sigam as recomendações”, alerta a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.

O material, divulgado tanto por meio de uma cartilha, como a partir de cards informativos que possam ser compartilhados pelo WhatsApp e demais redes sociais, contem orientações sobre o modo de preparar e servir os alimentos, a organização do ambiente e medidas gerais de proteção tanto para quem vai receber outras pessoas em sua casa, como quem vai para algum evento.

“Após um ano tão difícil, mais do que nunca as pessoas querem encontrar e festejar com seus familiares e amigos. No entanto, entendemos que preservar a vida é o melhor presente para compartilhar neste final de ano. Por isso, apesar da cartilha oferecer orientações considerando diversos cenários, é importante frisar que a principal recomendação é celebrar em casa, apenas com as pessoas que já vivem juntas, sem aglomeração e sem convidados externos”, destaca o coordenador do Observatório Covid-19 da Fiocruz, Carlos Machado.

A produção do material contou apoio e colaboração do Observatório Covid-19 da Fiocruz, bem como de outros especialistas da Fundação.

CCS/Fiocruz, por Claudia Lima

Pesquisa aponta impactos da pandemia na rotina dos adolescentes

Durante a pandemia, 48,7% dos adolescentes do país têm sentido preocupação, nervosismo ou mau humor, na maioria das vezes ou sempre. Houve aumento no consumo de doces e congelados, bem como no sedentarismo: o percentual de jovens que não faziam 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana antes da pandemia era de 20,9%, e passou a ser de 43,4%. Setenta por cento dos brasileiros de 16 a 17 anos passaram a ficar mais de 4 horas por dia em frente ao computador, tablet ou celular, além do tempo das aulas online. Além disso, 23,9% daqueles entre 12 e 17 anos começaram a ter problemas no sono e 59% sentiram dificuldades para se concentrar nas aulas a distância. Estes são alguns dos resultados da ConVid Adolescentes – Pesquisa de Comportamentos, realizada com jovens do Brasil todo, de junho a setembro de 2020.


O trabalho investigou as mudanças na rotina, nos estilos de vida, nas relações com familiares e amigos, nas atividades escolares, nos cuidados à saúde e no estado de ânimo dos adolescentes entre 12 a 17 anos. Foi coordenado pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e realizado de forma online: 9.470 adolescentes responderam a um questionário virtual, entre os dias 27 de junho e 17 de setembro. Esta é a segunda etapa da ConVid, que em abril e maio abordou os estilos de vida dos adultos durante a pandemia.

“A falta de atividade física entre os adolescentes foi um dos resultados que mais se destacou. Em geral, os jovens brasileiros praticam mais atividades coletivas, como aulas de danças e jogos com bola. Com as medidas de restrição social, tornou-se mais difícil para eles manterem a prática de exercícios”, aponta a pesquisadora do Icict, Celia Landmann Szwarcwald, coordenadora do trabalho. “Chama muita atenção também o estado de ânimo desses jovens, que relataram tristeza, ansiedade e a ausência de amigos”.

Diferenças regionais

A pesquisa também abordou aspectos mais diretamente ligados à pandemia, como medidas de prevenção e diagnóstico. O percentual de adolescentes que se declarou como tendo recebido o diagnóstico de Covid-19 foi de 3,9%. Enquanto a Região Sul registrou a menor proporção de jovens com Covid-19, com um percentual de 2,1%, a Região Norte registrou 6,1%.

A grande maioria dos adolescentes (71,5%) aderiu às medidas de restrição social, com 25,9% em restrição total e 45,6% em restrição intensa, ou seja, saindo só para supermercados, farmácias ou casa de familiares. Considerando a restrição intensa e a total restrição de contatos com outras pessoas, a maior proporção ocorreu na Região Sul, de 74,1%, enquanto o menor percentual ocorreu no Norte (66,1%).

“A Região Norte se destacou em ter maior número de adolescentes diagnosticados com a Covid-19 e menor adesão às medidas de restrição social. Foi um padrão que se repetiu entre os adultos também, como apontado na primeira etapa da pesquisa”, compara Celia.

Piora na saúde física e mental

A piora da saúde na pandemia é outro ponto de destaque: foi apontada por 30% dos jovens. Diferenças foram encontradas por sexo e faixa de idade, com as meninas relatando maior proporção de piora do estado de saúde (33,8%) do que os meninos (25,8%), e os adolescentes mais velhos (37,0%) do que os mais novos (26,4%).

O percentual de adolescentes que relataram piora na qualidade do sono durante a pandemia foi de 36%, sendo que 23,9% começaram a ter problemas com o sono e 12,1% relataram que tinham problemas e eles pioraram. A qualidade do sono foi mais afetada entre as meninas, e nos adolescentes com 16 a 17 anos, em relação aos mais novos.

Sentir-se preocupado, nervoso ou mal-humorado foi descrito por 48,7% dos adolescentes, na maioria das vezes ou sempre. Entre as meninas, o percentual foi de 61,6%. Os adolescentes de 16-17 anos de idade relataram esse sentimento mais frequentemente (55,3%) do que os de 12-15 anos (45,5%).

“Também é importante destacar a piora na qualidade de sono e os problemas no estado de ânimo. Há um conjunto de fatores como sentimento de tristeza, nervosismo, isolamento, insegurança, medo por familiares, que está afetando diretamente a saúde dos jovens. Não é à toa que 30% deles identificam uma piora em seu estado de saúde”, salienta a pesquisadora.

Mudanças de hábitos alimentares e mais sedentarismo

O consumo de alimentos não saudáveis em dois dias ou mais por semana aumentou: 4% para pratos congelados e 4% para os chocolates e doces. Mais de 40% dos adolescentes não praticaram atividade física por 60 minutos em nenhum dia da semana durante a pandemia. O percentual de jovens que não faziam 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana antes da pandemia era de 20,9%, e passou a ser de 43,4%.

No período, mais de 60% dos adolescentes relataram ficar por mais de 4 horas em frente às telas de computador, tablet ou celular como lazer, além do tempo para as aulas a distância. Entre os adolescentes de 16-17 anos, o percentual alcança 70%. “Esses dispositivos tornaram-se um meio de eles se conectaram com os amigos via redes sociais ou jogando, mas esse excesso de tempo em frente às telas é preocupante”, aponta Celia.

Muita dificuldade em acompanhar as aulas de ensino a distância foram citadas pelos adolescentes: 59% relataram falta de concentração, 38,3% falta de interação com os professores, 31,3% falta de interação com amigos. Em relação ao entendimento do conteúdo das aulas de ensino a distância, 47,8% dos adolescentes relataram estar entendendo pouco, e 15,8% disseram não estar entendendo nada. Apenas 1 em cada 4 adolescentes de 16-17 anos relatou estar entendendo tudo ou quase tudo das aulas presenciais.

Veja os resultados completos da pesquisa aqui.

Fonte: Icict/Fiocruz
Imagem: divulgação