Posts

Covid-19: Fiocruz amplia capacidade nacional de testagem

Desde a confirmação dos primeiros casos da Covid-19, a Fiocruz, instituição vinculada ao Ministério da Saúde, vem trabalhando para dar respostas em diversas áreas. Após desenvolver os testes moleculares para detecção da doença e aumentar sua escala de produção progressivamente, a Fundação inicia a operação de mais uma Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19 (clique aqui e faça um tour virtual pela Unidade). A iniciativa se insere na estratégia de apoio aos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen) e ampliação da capacidade nacional de processamento de amostras, ação fundamental para a vigilância epidemiológica do vírus e o enfrentamento da pandemia.

Durante visita à unidade, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, reforçou o compromisso da instituição no combate à pandemia com ações de saúde pública no sentido de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da base científica e tecnológica crucial para esse desenvolvimento. “A testagem é fundamental em todas as etapas do controle da pandemia e o objetivo da Fiocruz é somar e contribuir neste momento tão delicado. Estamos buscando ser parte da resposta à crise humanitária que vivemos desde o início da pandemia. A nossa tradição de 120 anos e a presença em todas as regiões do país nos permitem contribuir com o Ministério da Saúde na estratégia nacional de testagem”, destacou.

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, enfatizou a importância da vigilância em saúde e epidemiologia para o tratamento precoce da Covid-19. “Nós estamos todos os dias revendo os nossos protocolos para procurar o que pode ser melhorado e alterar o que não dá certo. Diagnóstico e testagem são a base do tratamento precoce. É neste viés que a Fiocruz dá mais um passo em sua estrutura interna, que continuará após a pandemia, com a Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19”.

Com potencial para processar diariamente até 15 mil testes moleculares, a nova unidade está localizada na sede da Fundação, no Rio de Janeiro, e teve sua estrutura e equipamentos financiados pela iniciativa Todos pela Saúde. “Sabemos da importância da testagem, da gestão epidemiológica e do contexto desse momento. É um enorme prazer participar desta iniciativa que demonstra o compromisso do Itaú com o país. É importante ressaltar que o projeto constitui um legado que poderá ser utilizado no futuro, não só para essa pandemia mas para outros desafios no âmbito da saúde pública”, afirmou a vice-presidente do Banco Itaú e representante do banco no Comitê Gestor da iniciativa Todos pela Saúde, Claudia Politanski. Toda a operação será custeada pelo Ministério da Saúde.

Com isso, o campus de Manguinhos, que já vinha operando com plataformas implantadas no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) e no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), passa a ter capacidade de liberar cerca de 17,5 mil resultados por dia. Outra Unidade de Apoio, na regional do Ceará, tem previsão para começar a operar ainda em agosto, podendo executar diariamente até 10 mil testes moleculares.

Construídas com base em plantas semelhantes e em regime emergencial, as novas instalações do Rio de Janeiro e do Ceará ocupam uma área de aproximadamente 2,3 mil m2, cada uma. Equipadas com plataformas que utilizam a metodologia de PCR em tempo real, as Unidades têm potencial para funcionar em tempo integral, sete dias por semana. A expectativa é que mais de 350 profissionais, incluindo biologistas e técnicos de laboratório capacitados, se revezem em três turnos de trabalho para processar as amostras que são encaminhadas pelo Ministério da Saúde.

Projeto de expansão

A Fundação começou, em abril, a unir sua expertise adquirida à infraestrutura tecnológica disponível na implantação de Unidades de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19. Além do Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo foram os estados contemplados inicialmente com as plataformas capazes de processar em larga escala as amostras suspeitas da doença. Os equipamentos foram instalados por Bio-Manguinhos, respectivamente, no campus da Fiocruz, no Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e no grupo Dasa, por meio de um acordo feito com o Ministério da Saúde. Com exceção dessas últimas, a operacionalização dos equipamentos é toda gerenciada pela Fiocruz, que atua desde a instalação e treinamento de pessoal, até o fornecimento dos insumos necessários e assistência técnica.

Se até então a mobilização para ampliar a capacidade de testagem era realizada com recursos do Ministério da Saúde, já descentralizados à Fiocruz e a partir de equipamentos disponíveis em Bio-Manguinhos, o projeto das Unidades do Rio de Janeiro e Ceará inaugurou também uma nova fase, marcada pelo apoio da iniciativa privada. Para viabilizar esse segundo momento, além do importante financiamento do MS que será aplicado na operacionalização propriamente dita das duas unidades, incluindo, entre outros aspectos, a contratação de recursos humanos e a aquisição dos insumos necessários, a Fiocruz contou com a doação de cerca de 200 milhões de reais.

A iniciativa Todos pela Saúde, liderada pelo Itaú Unibanco,  destinou mais de 180 milhões para o projeto. O valor foi empregado na compra dos novos equipamentos das duas centrais e na estrutura física da unidade carioca. Já o custeio da obra do Ceará, assim como a aquisição de outros aparelhos, teve a contribuição do Bradesco e do Banco do Brasil, por intermédio da EloPar, e do UnitedHealth Group Brasil (UHG), que doaram, respectivamente, 20 milhões e 5,3 milhões para a causa.

Com a contribuição dessas novas centrais, a quantidade de testes de RT-PCR processados, por mês, pode chegar a um milhão, no pleno funcionamento das Unidades de Apoio. “A capacidade dessas unidades foi planejada tendo em vista a implantação de uma estratégia mais massiva de testagem que está em andamento pelo Ministério da Saúde. Nesse momento, trabalhamos para apoiar a grande demanda dos Lacens”, pontua o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fundação, Marco Krieger.

Além dos testes de diagnóstico por RT-PCR, as novas unidades do Rio de Janeiro e Ceará também foram contempladas, na doação recebida do Todos pela Saúde, com modernas plataformas para execução de testes sorológicos em escala. Baseados na detecção da resposta imunológica após infecção, esses testes são complementares para o enfrentamento da pandemia e já estão sendo realizados para apoiar inquéritos epidemiológicos, avaliações em populações vulneráveis, entre outros. A ação agrega a capacidade nominal de 12 mil testes por dia em cada uma das novas centrais, ofertando apoio adicional ao sistema público de vigilância em saúde.

Ações articuladas

A expansão da capacidade nacional de testagem envolveu na Fiocruz três pilares centrais de atuação que se desencadearam de forma complementar: o desenvolvimento e a produção dos testes em grande escala; o reforço regional dos Lacens e da logística de insumos e amostras em todo o território nacional e a implantação das Unidades de Apoio Diagnóstico da Covid-19. “É importante ressaltar que outras parcerias e arranjos seguem em andamento envolvendo o Ministério da Saúde, a Fiocruz e diversas universidades e instituições de pesquisas com o intuito de ampliar ainda mais a capacidade de testagem nacional”, pontua o coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio.

Durante o mês de março, quando a pandemia avançava bruscamente nos países europeus e fazia as primeiras vítimas no Brasil, a Fiocruz iniciou o processo de escalonamento progressivo da produção de testes diagnósticos. Na última semana de junho, a produção tinha atingido uma capacidade de 2 milhões de testes por mês em Bio-Manguinhos e acumulado um quantitativo superior a 5 milhões de testes entregues pela Fiocruz ao Ministério. O compromisso firmado com o MS, prevê um total de 11,7 milhões de testes. O cronograma de entrega é definido em conjunto com o MS, para melhor atender à sua estratégia de distribuição e às necessidades dos laboratórios da rede pública e das Unidades de Apoio.

Se por um lado a produção seguia a todo vapor, por outro, era preciso reforçar a outra ponta, que envolvia o diagnóstico propriamente dito, para atender a demanda crescente de processamento de amostras. Foi então que as unidades da Fiocruz, presentes em todas as regiões geográficas do país, se mobilizaram para contribuir com os Lacens de suas respectivas localidades. Além desses laboratórios, o Lacen de Santa Catarina, em Florianópolis, assim como os laboratórios de referência, localizados no Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e no Instituto Evandro Chagas, no Pará, foram contemplados com plataformas instaladas por Bio-Manguinhos. Ribeirão Preto, em São Paulo, também ganhou reforço de um equipamento que vem sendo operado por profissionais da Fundação lotados na Plataforma de Medicina Translacional Fiocruz-USP.

Com essas ações, portanto, a Fiocruz contribui decisivamente com o Ministério da Saúde no alcance dos objetivos de testagem, contribuindo com a distribuição de testes moleculares na quantidade necessária, cooperando com a gestão da logística de insumos e a distribuição das amostras aos Lacens e unidades de apoio e, agora, oferecendo uma capacidade expressiva de processamento de amostras suspeitas da doença. O investimento da pasta nas diversas ações da Fiocruz no âmbito da testagem girou em torno de 930 milhões de reais.

Agência Fiocruz de Notícia, por Aline Câmera e Matheus Cruz
Fotos: Peter Ilicciev e Itamar Crispim

Fiocruz amplia ações contra a Covid-19 nos povos indígenas

Pesquisadores da Fiocruz elaboram plano de apoio ao enfrentamento à Covid-19 junto aos povos indígenas. Um dos objetivos é intensificar a vigilância e aprimorar informações acerca dos impactos da pandemia nessas populações, por meio de seis eixos de atuação. A iniciativa mobilizou diferentes unidades e vice-presidências e foi destacada pela presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima. “Essa é uma ação conjunta da Fundação, presente em todo território nacional, para dar suporte ao enfrentamento desta grave crise humanitária que atinge os povos indígenas no Brasil”, alertou.

O avanço do coronavírus na população indígena vem acompanhado de uma série de desafios. Os povos indígenas são um grupo particularmente vulnerável à Covid-19 devido às elevadas prevalências de diferentes doenças e agravos à saúde (desnutrição e anemia em crianças, doenças infecciosas como malária, tuberculose, hepatite B, hipertensão, diabetes, obesidade e doenças renais) e as prévias dificuldades de acesso ao sistema de saúde, particularmente da atenção especializada. Além disso, os indígenas sofrem com o aumento das queimadas e do desmatamento, com baixo saneamento e, em muitas situações, enfrentam uma enorme fragilidade econômica, o que dificulta a manutenção do isolamento social, que é uma medida fundamental no enfrentamento da pandemia.

“O cenário visto nas populações indígenas é dramático, mas ainda há muito que pode ser feito. É a isto que estamos nos dedicando. A Fiocruz atua há mais de 30 anos na saúde indígena. Agora, estamos integrando diversos eixos de ação para olhar com atenção para as necessidades dessas populações historicamente vulnerabilizadas”, afirma a presidente da Fiocruz.

Por seu histórico de atuação na saúde indígena, recentemente, a Fiocruz foi convocada para compor um grupo de trabalho para dar apoio técnico na elaboração de um plano de enfrentamento e monitoramento da Covid-19 em povos indígenas pela União, após determinação do Superior Tribunal Federal (STF). Pesquisadores da Fiocruz e da Abrasco têm se reunido e devem apresentar suas recomendações no início de agosto.

DESAFIOS NA PRODUÇÃO DA INFORMAÇÃO

A disparidade de informações sobre os impactos da pandemia nas populações indígenas também reforça essa vulnerabilidade. De acordo com a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Ana Lúcia Pontes, uma questão central é dimensionar a quantidade de casos e óbitos na população indígena. Isso porque, inclusive por diferenças nos procedimentos de registro e na cobertura, há divergência entre os dados oficiais fornecidos pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e os números divulgados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Os dados da Sesai, por exemplo, se referem somente à população indígena em territórios indígenas, não incluindo, via de regra, os indígenas que vivem em áreas urbanas ou em territórios fora das terras demarcadas.

Até o dia 27 de julho, a Apib contabilizou 581 mortes por Covid-19 na população indígena, com 18.854 casos confirmados, em 143 povos afetados. Enquanto os dados oficiais da Sesai, em 29 de julho, registraram 15.012 casos confirmados, com 276 óbitos no Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). “Acompanhamos a progressão da Covid-19 na população indígena. Os casos suspeitos são muito baixos, e não sabemos se trata-se de um problema da busca ativa ou falta de acesso aos testes diagnósticos. Além disso, os dados poderiam ser desmembrados, pois a distribuição de casos não é homogênea”, explicou Ana, que também coordena o GT de Saúde Indígena da Abrasco e acompanha as atividades da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Povos Indígenas (FPMDPI), que apresentou o projeto de lei 1.142 sancionado com vetos em 8 de julho .

Para a pesquisadora, mais do que as altas taxas de incidência da doença e do número de mortos, é importante olhar para o que isso representa. “Os mais velhos estão morrendo e essa é uma perda imensa. Eles são muitas vezes lideranças que guardam conhecimentos únicos, transmitidos de forma oral intergeracionalmente, e têm papel importante na organização social e luta desses povos”, explica. A médica reforça a necessidade de analisar como diferentes povos estão sendo atingidos, pois alguns grupos podem estar em maior risco. O Brasil possui aproximadamente 300 etnias e 270 línguas faladas, o que representa um dos maiores níveis de sociodiversidade do mundo. “Historicamente os povos indígenas enfrentam epidemias que os colocam em risco de genocídio. Temos uma responsabilidade”, alerta Ana Lúcia Pontes.

APOIO AO DIAGNÓSTICO

Para aprimorar esse aspecto, o eixo de atuação “apoio ao diagnóstico da Fiocruz” propõe diferentes frentes, como o fortalecimento dos laboratórios Fiocruz para apoio ao diagnóstico molecular e distribuição de testes sorológicos. A primeira iniciativa tem o objetivo garantir suprimento adequado e ágil de insumos para os laboratórios das Unidades Fiocruz e para os pesquisadores que estão atuando nas redes de diagnóstico molecular. A ação é conduzida pelas regionais da Fiocruz da Amazônia, Bahia, Rondônia e Mato Grosso do Sul.

A pesquisadora da Fiocruz Amazônia, Luiza Garnelo, lembra que a subnotificação não é um problema exclusivo do subsistema de saúde indígena, e que esses dados são importantes para entender a dinâmica da pandemia, aprimorar ações de vigilância e da atenção primária em saúde, e para reduzir a mortalidade. “Estamos trabalhando na aquisição de equipamentos de proteção individual e testes para profissionais e agentes de saúde que estão nas comunidades. Uma das iniciativas é capilarizar esse recurso de diagnóstico e trabalhar diretamente com as equipes que atuam nas comunidades. É inverter um fluxo. Depois que o processo está instalado e você tem a gravidade da doença, é que o paciente é removido. A tentativa é interiorizar as ações e reforçar a atenção primária”, comentou Luiza.

A Fiocruz irá distribuir 4 mil testes rápidos para diagnóstico da Covid-19 para os povos indígenas do Alto Rio Negro, do Alto Solimões e do Purus. Os testes foram doados pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) a Fiocruz Amazônia, que coordena as ações na região. Em junho, uma equipe da Fiocruz esteve em São Gabriel da Cachoeira realizando treinamento de multiplicadores para manejo dos testes rápidos para Covid-19. Garnelo enfatiza: “a ideia é que se consiga capilarizar o diagnóstico para facilitar o monitoramento e vigilância numa região remota e de difícil acesso, com aldeias pequenas espalhadas num território extenso, o que dificulta o trabalho das equipes no enfrentamento da Covid-19”.

Os multiplicadores estão se deslocando para implantar essas testagens nas localidades. Após essa fase, os resultados serão transmitidos por radiofonia ou orelhões públicos, únicas formas de comunicação disponíveis. “Com isso, estamos cobrindo cerca de 18 milhões de hectares dos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, onde ficam aproximadamente 700 comunidades. Temos o grande desafio de percorrer esses rios para chegar até eles com os devidos cuidados, seguindo os protocolos”, explicou Garnelo.

A proposta é fortalecer a atuação dos Agentes Indígenas de Saúde que atuam em comunidades na região do Alto Rio Negro. A pedido da Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (FOIRN), a Fiocruz Amazônia realizou em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Secretaria de Estado de Educação (Seduc/AM)  e Distrito Sanitário Especial indígena do Alto Rio Negro (DSEIARN) a elevação da escolaridade e profissionalização técnica de 139 Agentes Comunitários Indígenas de Saúde e estão hoje habilitados a atuar nessas comunidades. “Eles serão ponto focal dessa rede para que os profissionais de nível superior possam se deslocar com mais assertividade”, explica a pesquisadora.

OUTROS EIXOS DE ATUAÇÃO

Além do eixo de apoio ao diagnóstico, as ações da Fiocruz contemplam iniciativas de atenção à saúde, pesquisa, educação, apoio emergencial e comunicação e informação. Nos eixos educação e comunicação e informação, um grupo de pesquisadores vem atuando na disseminação de subsídios técnico-científicos e materiais educativos, por meio de podcasts, para os Agentes Indígenas de Saúde (AIS). A iniciativa, conduzida pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), teve uma primeira etapa que resultou em dez programas da rádio Policast sobre o enfrentamento da Covid-19 em contexto indígena, abordando aspectos da prevenção, saneamento, atenção à saúde e a atuação do AIS, que estão disponível na sessão Saúde Indígena da plataforma O SUS em Ação: Agentes de Saúde em tempos de coronavírus.

A segunda etapa da iniciativa tem como ideia central, de acordo com a professora-pesquisadora do Laboratório de Educação Profissional em Vigilância em Saúde da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Ana Claudia Vasconcellos, produzir informações que possam ser utilizadas na reorientação do processo de trabalho dos AIS durante o período da pandemia. “Os podcasts abordam os cuidados que devem ser tomados durante as visitas domiciliares, o acolhimento dos casos leves e graves da Covid-19, as recomendações as gestantes e puérperas, sobre o uso correto das máscaras, sinais e sintomas, formas de contágio e diversos outros temas”, detalhou.

Para que os áudios cheguem até os AIS, foi criada uma rede de disseminação do material informativo via WhatsApp e uma parceria com o Instituto SocioAmbiental (ISA) para transmitir as informações por radiofonia. Ana Lucia Pontes, que participou da concepção e produção dos podcasts na primeira etapa, chama atenção para a importância dessa iniciativa para fazer chegar informações qualificadas e de forma capilarizada nas comunidades indígenas.

INFORMAÇÃO PARA AÇÃO

O Observatório Covid-19 Fiocruz tem o objetivo de desenvolver análises integradas, tecnologias, propostas e soluções para enfrentamento da pandemia por Covid-19 pelo SUS e pela sociedade brasileira. A Ensp, por meio da articulação dos pesquisadores do Departamento de Endemias Samuel Pessoa e em parceria com o GT de saúde indígena da Abrasco, vem contribuindo com o Observatório Covid-19 com subsídios como estudos, notas técnicas e webinares, na temática de saúde indígena.

Ademais, um grupo de pesquisadores da Ensp/Fiocruz participou de nota técnica apontando que a Covid-19 não é a única ameaça à saúde indígena e organizando Centro de Estudos sobre Coronavírus e povos indígenas: vulnerabilidades ambiental e territorial na Amazônia. “O documento alerta para problemas de insegurança alimentar, que ameaçam o estado nutricional principalmente de crianças, casos de malária, tracoma, surtos e epidemias de doença diarreica aguda, tuberculose, infecções respiratórias, doenças sexualmente transmissíveis, dentre outros”, afirmou Paulo Basta.

Já o Núcleo Ecologias, Epistemologias e Promoção Emancipatória da Saúde (Neepes), da Ensp/Fiocruz, desenvolve um trabalho interdisciplinar e um diálogo intercultural com o povo Munduruku, na Região do Tapajós, envolvendo não somente o tema do mercúrio e do garimpo, mas os conflitos ambientais e resistências para preservação das identidades e dos direitos territoriais dessa população. Nesse momento, as iniciativas, coordenadas pelo pesquisador Marcelo Firpo, foram direcionadas para apoiar os povos indígenas no enfrentamento da Covid-19.

Investigadores do Grupo de Pesquisa Saúde, Epidemiologia e Antropologia dos Povos Indígenas da Ensp/Fiocruz, do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (EMAP-FGV) produziram duas edições do relatório Risco de espalhamento da Covid-19 em populações indígenas, com foco em questões de vulnerabilidade geográfica e sociodemográfica. Nas diversas apresentações públicas realizadas sobre esses documentos, os pesquisadores Andrey Cardoso, da Ensp/Fiocruz, e Claudia Codeço, do Procc/Fiocruz, destacaram a importância da produção de análises atualizadas acerca do espalhamento da Covid-19 em populações indígenas. Segundo eles, a iniciativa, integrando diversas bases de dados, busca identificar quais os segmentos da população indígena que apresentam maior vulnerabilidade segundo diferentes recortes populacionais, representados por indígenas residentes em municípios e zonas urbanas e rurais, residentes em Terras Indígenas (TIs) oficialmente reconhecidas e em municípios abrangidos por Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

As análises baseiam-se na exposição geográfica em municípios classificados segundo níveis de probabilidade de epidemia, definida para a população brasileira em geral. Esses relatórios têm tido ampla circulação não somente na comunidade de especialistas em saúde coletiva como na sociedade civil em geral, inclusive nas organizações indígenas e seus parceiros. Para visibilizar essas e outras contribuições, a BVS Saúde dos Povos Indígenas está levantando e disponibilizando documentos, materiais didáticos e webinares sobre a temática da Covid-19 e povos indígenas, que podem ser acessados aqui.

Em um cenário de extrema necessidade de diálogos interculturais, Ana Lúcia Pontes, Ricardo Ventura Santos e Felipe Machado, pesquisadores da Ensp/Fiocruz, em parceria com um coletivo de pesquisadores indígenas de diversas regiões do país, estão desenvolvendo a iniciativa Vozes Indígenas na Produção de Conhecimento. A proposta envolve um comitê editorial formado por pesquisadores indígenas que formularam duas chamadas públicas, com foco na autoria indígena, que visam captar contribuições que deem visibilidade às múltiplas especificidades inerentes às realidades sócio-territoriais de cada povo, com ênfase nas complexas inter-relações sócio-culturais e políticas com a saúde dos povos indígenas, incluindo a questão da Covid-19.

No lançamento público dessas chamadas, que ocorreu durante o webseminário Povos Indígenas na Produção de Conhecimento: Por uma Saúde não Silenciada, no dia 26 de junho, Inara do Nascimento Tavares, do povo indígena Satere-Maué e professora do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, da Universidade Federal de Roraima, enfatizou: “São muito importantes as parcerias institucionais que se colocam de forma simétrica, na forma do diálogo”. Maiores informações sobre essa chamada e o projeto, que inclui uma playlist no canal do YouTube da VideoSaúde com depoimentos de trajetórias indígenas na academia, estão disponíveis aqui.

Julia Dias (Agência Fiocruz de Notícias) e Filipe Leonel (Informe Ensp)

 

Parlamentares apoiam ações da Fiocruz contra a Covid-19

Membros da Comissão Externa do Coronavírus da Câmara dos Deputados estiveram, nesta terça-feira (28/7), no campus Manguinhos para conhecer as atividades da Fiocruz voltadas para o enfrentamento da pandemia, em especial no que diz respeito ao processo de produção da vacina. Recentemente, a Fundação e o Ministério da Saúde anunciaram que vão firmar um acordo com a biofarmacêutica AstraZeneca para compra de lotes e transferência de tecnologia da vacina para Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford. Além de conhecer as instalações do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), onde serão produzidas as doses, a agenda também incluiu uma visita técnica à Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19.

“O processo de desenvolvimento de uma vacina é normalmente longo e precisa ser orientado por preceitos de eficácia, segurança e ética em pesquisa. Temos visto um esforço mundial sem precedentes em acelerar esse processo. Como instituição estratégica do Estado brasileiro, a Fiocruz não poderia ficar de fora dessa mobilização. A Fundação tem 120 anos de história e atuação na saúde pública e buscamos ser parte da resposta à crise humanitária que estamos vivendo desde o início da pandemia”, declarou a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade.

Com a liderança do presidente da Comissão, dr. Luizinho Teixeira (PP-RJ), estiveram presentes os deputados federais Carmen Zanotto (Cidadania-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Chico D’Angelo (PDT-RJ), Alexandre Padilha (PT-SP), Carla Dickson (Pros-RN), Christiano Aureo (PP-RJ), Soraya Manato (PSL-ES), Mariana Carvalho (PSDB-RO), Hiran Gonçalves (PP-RR), Pedro Westphalen (PP-RS), General Peternelli (PSL-SP), Antônio Brito (PSD-BA), Rodrigo Coelho (PSB-SC),  Alexandre Serfiotis (PSD-RJ) e Alessandro Molon (PSB-RJ). A comitiva contou ainda com a participação de Patricia Ferraz (PODE-AP), suplente do deputado Vinicius Gurgel (PL-AP), do vereador Felipe Michel (Progressistas-RJ) e dos assessores Daniela Sholl, Thiago Medeiros e Monique Monteiro.

Para iniciar a agenda da visita, a presidente da Fiocruz apresentou as ações que a Fundação vem realizando de forma articulada com o Ministério da Saúde. Entre os destaques, ações de vigilância, educação, pesquisa, inovação tecnológica, produção de vacinas e medicamentos; a atenção direta aos pacientes contaminados pela doença no Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19 – Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), que foi erguido em regime emergencial no campus e que ficará como um legado para o Sistema Único de Saúde (SUS) pós-pandemia; o papel da Fundação na produção dos testes e na ampliação da capacidade nacional de testagem à população; e o trabalho envolvido na prospecção e fabricação especificamente da vacina contra a doença.

Nísia explicou aos parlamentares os detalhes da negociação para a produção da vacina desenvolvida pela universidade britânica. O acordo prevê a aquisição de 30,4 milhões de doses do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) ainda durante a realização dos estudos clínicos, para processamento final e controle de qualidade, sendo 15,2 milhões de doses em dezembro e 15,2 milhões de doses em janeiro do ano que vem.

Ao término dos estudos e com a eficácia da vacina comprovada, está prevista a aquisição de mais 70 milhões de doses do IFA e a absorção total da tecnologia por Bio-Manguinhos. Para ter as 100 milhões de doses da vacina e a garantia da produção em solo nacional, o Brasil precisará investir cerca de dois bilhões de reais. Durante o encontro, a Comissão se comprometeu a apoiar à Fundação nas negociações, que incluem, entre outros aspectos, uma medida provisória, já chamada de MP da Vacina, que segue em andamento pelo governo federal.

“Aqui na Fiocruz se faz educação, se faz ensino, produção de medicamentos. Nós precisamos mais do que nunca, como Congresso, apontar para as autoridades  a importância da independência da produção de certos insumos e vacinas no Brasil. É fundamental investir em tecnologia, inovação e principalmente em pesquisa. A Fiocruz tem todas as condições de fazer isso. Portanto, vamos empregar esforços para que não falte orçamento, de forma que os brasileiros tenham a qualidade da Fiocruz à disposição da sua saúde”, ressaltou o presidente da Frente Parlamentar de Imunização, Pedro Westphalen.

Com os resultados positivos dos testes feitos até agora, a vacina de Oxford é umas das mais promissoras no cenário mundial, inclusive do ponto de vista econômico. Considerando a taxa cambial atual, cada unidade da vacina sairia a menos de R$ 15. “Os Estados Unidos estão sugerindo uma vacina de U$ 40 (R$ 260) a dose. Só aí, temos uma economia de R$ 22 bilhões de reais. Nosso SUS, que tem a Fiocruz e tem capilaridade, vai conseguir entregar à população brasileira uma vacina de qualidade, provavelmente antes do que a maioria dos países do mundo. Se agirmos com antecedência, teremos condições tecnológicas para abastecer o mercado interno e ainda vender a vacina para o exterior”, afirmou o deputado Luizinho Teixeira.

“É importante ressaltar que estamos trabalhando na ampliação de nossa capacidade de produção para que possamos a atender a essa demanda e ao nosso fluxo regular de produção de diversas vacinas. Neste campo temos desafios para um futuro que esperamos possa se concretizar: o Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (Cibs), em Santa Cruz, o maior investimento do país em biotecnologia e que aumentará a capacidade atual de 20 milhões para 120 milhões de frascos de vacinas e biofármacos por ano”, destacou a presidente da Fundação.

Após a recepção no Castelo Mourisco, a comitiva se dividiu em dois grupos para visitar as instalações do complexo de Bio-Manguinhos e da Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19. Os parlamentares puderam conferir de perto o passo a passo que envolve a fabricação de uma vacina e a tecnologia empregada no processamento das amostras suspeitas da doença que seguem para análise na Fiocruz.

“Na condição de relatora da Comissão Externa e parlamentar da área da saúde, só temos o que agradecer a história da Fiocruz nesses 120 anos e mais ainda agora no momento da pandemia. O Brasil precisa se fortalecer e a Fiocruz é, sim, uma das instituições que precisa ser reconhecida, não só no momento da pandemia, mas com a garantia dos orçamentos necessários”, finalizou a deputada Carmen Zanotto.

Agência Fiocruz de Notícias, por Aline Câmera.
Foto externa: CCS/Fiocruz
Foto interna: Peter Ilicciev 

 

Covid-19: Pesquisa avalia segurança do profissional da saúde

O Ministério da Saúde, em seu último boletim (Boletim Epidemiológico Especial nº 21) sobre a Covid-19, destaca que 173.440 profissionais de saúde foram diagnosticados com a doença. Desses, 697 foram internados e 138 vieram a óbito. Devido ao alto risco de infecção a que esses profissionais estão expostos em seu dia a dia de trabalho durante a pandemia, o Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Proqualis) do Institudo de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (Icict/Fiocruz), está realizando a pesquisa Segurança do profissional da área de saúde durante o enfrentamento da infecção pelo novo coronavírus (Covid-19). A iniciativa tem o objetivo de avaliar o risco a que os profissionais de saúde estão submetidos e as medidas que estão sendo tomadas nos estabelecimentos para a proteção desses profissionais e seus pacientes.

Segundo a pesquisadora do Proqualis e coordenadora do estudo, Ana Luiza Pavão, “essa pesquisa visa a contribuir para mapear as características relacionadas ao processo de trabalho desses profissionais em meio à pandemia de Covid-19, bem como as iniciativas que estão sendo realizadas pelos gestores nos estabelecimentos de saúde pelo Brasil”.

A pesquisa enfoca dois aspectos: a adoção de medidas de segurança pelo profissional da área da saúde, em seus processos de trabalho, com foco principalmente no uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPI); e a organização do estabelecimento de saúde em relação à oferta de equipamentos e insumos, limpeza e desinfecção dos ambientes, bem como indicadores de capacitação e acompanhamento dos seus funcionários.

Disponível via Google Forms para facilitar o acesso on-line por meio de celular, tablet ou computador com acesso à internet, o inquérito é composto do ‘Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)’, que o profissional assinala a opção do concordância, as perguntas da pesquisa. Todo o processo dura no máximo, 15 minutos.

Para acessar os formulários para os profissionais e gestores:

Questionário para profissionais da área de Saúde;

Questionário para gestores de estabelecimentos de Saúde.

Fonte: Icict/Fiocruz

Estudo aponta que quatro cidades brasileiras somam mais de 22 mil mortes acima do esperado

As notificações diretamente atribuíveis à Covid-19  informam a ocorrência de mais de 74 mil mortes no Brasil. Em quase 5 meses após o surgimento dos primeiros casos no país, ainda é difícil apontar números precisos da mortalidade específica pela doença, diante das falhas da cobertura da vigilância laboratorial e epidemiológica.

Estudo feito por pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA)  adotou modelo matemático para analisar o período de 23 de fevereiro a 13 de junho de 2020, tendo como base os anos de 2015 a 2019, para estimar as mortes esperadas.

Segundo a investigação, houve uma somatória de mais de 22 mil mortes excedentes durante a epidemia, em 4 capitais brasileiras: Rio de Janeiro,  São Paulo, Fortaleza e Manaus. Para a análise, foram utilizados dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde e da Central de Informações do Registro Civil (CRC) Nacional, bem como relatórios epidemiológicos de secretarias de saúde.

Os pesquisadores observaram que o número de mortes excedentes variou ao longo do tempo, mas, em geral, os picos mais proeminentes de mortalidade ocorreram nos meses de abril e maio, especialmente em Manaus e Fortaleza. Embora, esse número tenha sido proporcionalmente menor em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

“Avaliar o excesso de mortes pode ser a única e mais viável forma de se mensurar rapidamente os impactos ou a severidade da crise sanitária e sua possível relação com a capacidade de resposta ao problema”, explica pesquisador da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana.

Segundo o pesquisador, o indicador de mortalidade por causas naturais, utilizado na análise, representa o total de óbitos ocorridos em cada cidade, em certo intervalo de tempo e em indivíduos com 20 anos ou mais, excluindo as mortes não-naturais ou violentas, como acidentes de trânsito, suicídios e homicídios.

As cidades investigadas foram selecionadas especialmente porque concentravam nesse período, em torno de 35% de todas as mortes por Covid-19 notificadas no Brasil, e aproximadamente 67% de todas as mortes por Covid-19 notificadas pelas  27 capitais, até o fim da semana epidemiológica 24 (7 a 13 de junho).

MORTES EM MANAUS

Em estudo publicado em junho, os pesquisadores  analisaram a mortalidade em Manaus, no período entre a  11ª e a 16ª semana epidemiológica (de 15 de março a 25 de abril de 2020). Essa investigação apontou um  número explosivo de mortes na cidade em relação à anos anteriores, o que poderia indicar mortes causadas pela Covid-19, além de revelar a fragilidade dos serviços de saúde na cidade.

Saiba mais aqui.

Agora, os pesquisadores ampliaram a investigação para outras três capitais (Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo) para estimar quantas mortes excedentes aconteceram nessas cidades, sejam elas diretamente atribuídas à Covid-19 ou indiretamente.

“Em São Paulo, por exemplo, em torno de 28% das mortes excedentes não foram direta e oficialmente associadas à Covid-19. Neste caso, é possível que a proporção de subnotificações relativas à doença seja menor do que nas demais cidades. Por outro lado, em Manaus, o número de mortes excedentes pode ter sido 108% maior do que a quantidade atribuída direta e oficialmente à Covid-19. Em outras palavras, a chance de ampla subnotificação de mortes por Covid-19 parece ser bastante real, principalmente se lembrarmos que Manaus, entre as capitais com mais de 1,5 milhões de habitantes, é a única sem Serviço de Verificação de Óbito e, historicamente, com precária estrutura de vigilância epidemiológica. Não por acaso, a proporção de mortes no domicílio ou via pública em Manaus foi aproximadamente 100% maior em 2020, quando comparado a 2019. Um quantitativo aproximadamente três vezes maior do que o observado em São Paulo, no mesmo período. Em cidades como Rio de Janeiro e Fortaleza essa proporção também foi bastante elevada, sugerindo não só ampla subnotificação, como graves falhas no enfrentamento da epidemia”, revela o Jesem Orellana.

Ele alerta ainda que a análise das quatro capitais representa menos de 15% da população brasileira, e que se o estudo considerasse outras metrópoles e municípios, o excedente de mortes seria muito maior

“Na verdade, se a gente for pensar em Brasil, com 5000 e poucos municípios, esse número de mortes excedentes pode facilmente passar dos 100 mil e, nesses 100 mil, provavelmente, vamos ter muitos casos de Covid-19 que foram mal classificados. Essa estatística que estamos vendo hoje, de aproximadamente 74 mil mortes,  está aquém da realidade, o número de mortes do Brasil, pode ser muito maior”, comenta.

O pesquisador informa que seu grupo continua os estudos sobre essa temática e, em breve, serão publicadas novas análises.

 Acesse aqui o estudo Explosão da mortalidade no epicentro amazônico da epidemia de COVID-19

 ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Nascimento

Propostas de pesquisadores da Fiocruz Amazônia são aprovadas em Chamada do CNPq para enfrentamento da Covid-19

Os pesquisadores Felipe Naveca e Marcus Lacerda, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) tiveram propostas aprovadas na Chamada MCTIC/CNPq/FNDCT/MS/SCTIE/Decit Nº 07/2020 – Pesquisas para enfrentamento da Covid-19, suas consequências e outras síndromes respiratórias agudas graves, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A chamada recebeu propostas de todas as regiões do País, totalizando 2.219 projetos submetidos e 90 aprovados.

O objetivo da chamada Nº 07/2020 é apoiar financeiramente pesquisas científicas e/ou tecnológicas relacionadas à Covid-19 e outras síndromes respiratórias agudas graves, de modo a contribuir para o avanço do conhecimento, formação de recursos humanos, geração de produtos, formulação, implementação e avaliação de ações públicas voltadas para a melhoria das condições de saúde da população brasileira.

Serão investidos cerca de R$ 45 milhões em 90 projetos de pesquisas. Os recursos são oriundos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e do Ministério da Saúde.

Pesquisador Felipe Naveca

Felipe Naveca destaca que a aprovação dos dois projetos da Fiocruz Amazônia demonstra o amadurecimento da pesquisa desenvolvida no Amazonas, em especial na Unidade da Fiocruz Amazônia.

“Esse apoio do edital do CNPq vai contribuir para a formação de muitos novos pesquisadores aqui, além de consolidar nosso grupo de pesquisa. A gente tem trabalhado com viroses emergentes no Amazonas e em outros estados da Região Norte”, disse ao explicar que seu projeto envolve a parceria com várias instituições do Amazonas, representadas por meio da Rede Genômica de Vigilância em Saúde, assim como instituições de pesquisa de outros estados, como a Fiocruz de Rondônia, os Laboratórios de Referências (Lacens) de Rondônia e de Roraima, e o Instituto Tecnológico da Vale, em Belém (PA).

SOBRE OS PROJETOS

Avaliação de fatores clínicos, imunológicos e virológicos em pacientes infectados pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) de diferentes estados da Região Norte do Brasil – Rede COVIDNORTE é o titulo do projeto de Felipe Naveca. Seus objetivos são realizar a caracterização evolutiva do genoma total de SARS-CoV-2 e descrever o perfil de resposta imune e características imunogenéticas de pacientes oriundos da Região Norte do país, com diferentes padrões clínicos de infecção

“Com a rede formada por representantes de diferentes estados da Amazônia brasileira, queremos entender melhor como foi que se deram as características da Covid-19 aqui, tanto estudando o genoma do vírus, quanto estudando também marcadores imunogenéticos nos pacientes desses estados, para saber se eles tiveram a doença, se a gente consegue descobrir um marcador que seja associado com resistência ou com susceptibilidade à forma mais grave da Covid-19”, explicou o pesquisador.

Pesquisador: Marcus Lacerda

A outra proposta da Fiocruz Amazônia aprovada na chamada pública do CNPq  é a  do pesquisador Marcus Lacerda, que também atua na Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

Sob o título Estudo de fase IIb para avaliar eficácia e segurança de succinato sódico de metilprednisolona injetável no tratamento de pacientes com sinais de síndrome respiratória aguda grave, no âmbito do novo coronavírus (SARS-CoV2): um ensaio clínico, duplo-cego, randomizado, controlado com placebo – MetCovid, o projeto busca avaliar a eficácia e segurança do corticoide metilprednisolona em pacientes com sinais de síndrome respiratória aguda grave, no âmbito do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Trata-se de um ensaio clínico, duplo-cego, randomizado e controlado com placebo. Os participantes do MetCovid são acompanhados pela equipe de pesquisa por 120 dias após início da participação.

De acordo com Lacerda, o apoio do Ministério da Saúde e do MCTIC, através da chamada pública do CNPq, “é fundamental para o desenvolvimento da pesquisa clínica, pois possibilita a aquisição dos equipamentos necessários, treinamento dos alunos de pós-graduação, entre outros, especialmente, no cenário vivido da pandemia de Covid-19”.

Para mais informações sobre a chamada do CNPq e seu resultado, clique.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Nascimento
Fotos: Eduardo Gomes

Fiocruz Amazônia abre espaço para publicações sobre Covid-19 na Amazônia

Com o objetivo de armazenar registros produzidos por especialistas em diversas áreas do conhecimento, no contexto da pandemia de Covid-19 na Amazônia, o site do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) abriu um novo espaço de divulgação, os Repositórios de Percepções (Humanidades) e de Epidemiologia.

Os Repositórios abrigam um conjunto de dados, artigos, documentos, informações e documentos sobre diferentes olhares, percepções e ações de prevenção e intervenção para o enfrentamento do Covid-19 no Amazonas, desde a capital às populações indígenas e comunidades rurais da fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

Idealizados pelos pesquisadores  Fabiane Vinente e José Joaquín Carvajal  com a finalidade de disponibilizar um espaço para pesquisadores e especialistas de diferentes áreas e instituições poderem publicar os mais diversos registros desse momento em que o novo coronavírus  atinge a Amazônia, os Repositórios instituíram comissões distintas de análise e validação dos documentos para publicação.

Fabiane explica que o Repositório de Percepções “nasce numa perspectiva de horizontalidade dos saberes e das percepções, valorizando a singularidade das vivências que os relatos descrevem e servindo de apoio para pensar essa diversidade em um processo global”, portanto sua expectativa é de que ele alcance um público mais amplo e diverso.

 “Não se trata de apenas colecionar relatos, mas de pensar a experiência da pandemia como algo que por estar sendo experienciado por todo o mundo, pode ser refletido e construído como conhecimento por todo o mundo também, independente de ser um cientista ou profissional de saúde”, comenta.

Interessados em publicar textos, poesias, fotos ou áudios no Repositório de Percepções (Humanidades) podem enviar o material para o e-mail fabiane.vinente@fiocruz.br. A Comissão  de Validação é formada pelas pesquisadoras do ILMD/Fiocruz Amazônia Evelyne Mainbourg  e Amandia Braga (Laboratório de Situação de Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros grupos vulneráveis – Sagespi), Kátia Lima (Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia – LAHPSA ) e Fabiane Vinente (Laboratório Território, Ambiente, Saúde e Sustentabilidade – TASS).

Para mais informações sobre o Repositório Percepções (Humanidades), clique e acesse ao material já publicado.

EPIDEMIOLOGIA

Sobre o Repositório de Epidemiologia, José Joaquín explica que ele surgiu a partir de uma demanda da Rede Transfronteiriça Covid-19, que é uma iniciativa colaborativa entre instituições e profissionais da saúde para enfrentamento do novo coronavírus , na região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

“A Rede Transfronteiriça Covid-19 busca contribuir com ferramentas e informações técnicas, científicas e acadêmicas, úteis para agilizar o fluxo de informação aos povos indígenas e para a tomada de decisões dos diferentes atores e a sociedade civil, nos diferentes níveis de organização, para o enfrentamento da Covid-19 nos seus territórios, visando melhorar as condições de vida e saúde das populações amazônicas”, comenta o pesquisador.

A Comissão de Validação do Repositório de Epidemiologia também é constituída por  pesquisadores da Fiocruz Amazônia, do Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia – (EDTA) e tem como membros Claudia María Velásquez, Alessandra Nava e José Joaquín Carvajal. Os interessados em publicar neste repositório podem entrar em contato com seus membros ou enviar e-mail para jose.carvajal@fiocruz.br.

Clique e saiba mais sobre o Repositório de Epidemiologia.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Nascimento

Fiocruz Amazônia envia testes rápidos para Covid-19 aos povos indígenas do Alto Rio Negro

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) inicia o envio de testes rápidos para Covid-19 aos povos indígenas do Amazonas. Os testes foram doados pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz). Inicialmente, recebem os testes os povos indígenas do Alto Rio Negro, depois os do Alto Solimões e Vale do Javari.

Além dos testes, outras doações foram feitas ao Amazonas, por meio do Programa Unidos Contra a Covid-19, da Fiocruz. O pesquisador e diretor da Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz, explica que outros produtos, equipamentos e aparelhos estão sendo adquiridos  para enfrentamento ao novo coronavírus na área indígena, em Manaus e para aumentar  a capacidade de testagem  da Fiocruz Amazônia.

Segundo Luiza Garnelo, pesquisadora da Fiocruz Amazônia, que está à frente da distribuição das doações para a saúde indígena, à medida em que as doações chegam à Manaus, estão sendo levadas às localidades beneficiadas.

Na oportunidade, a Fiocruz Amazônia deslocou para o município de São Gabriel da Cachoeira uma equipe profissional para treinar os trabalhadores da saúde indígena em relação ao manejo dos testes nas comunidades,  com o objetivo de descentralizar e capilarizar as ações de controle da epidemia de Covid-19.

Outra ação dessa equipe será a coleta de amostras para a realização de exames PCR para a detecção do SARS-CoV-2, em profissionais de saúde. O material coletado será analisado no laboratório do ILMD/Fiocruz Amazônia, em Manaus.

RECURSOS

Ao Amazonas, foram destinados quase R$ 6 milhões para aquisições  de testes rápidos para Covid-19, equipamentos de proteção individual (EPI’s) e outros dispositivos para testes, visando o enfrentamento ao novo coronavírus.

As doações foram feitas ao Programa Unidos Contra a Covid-19, pela Vivo (R$ 3.000.000,00), pelo Fundo Emergencial da Saúde/Movimento Bem Maior (R$ 1.200.000,00), Fundação Banco do Brasil ( R$ 52.000,00)  e o restante por Bio-Manguinhos/Fiocruz.

UNIDOS CONTRA COVID-19

O Programa Unidos Contra a Covid-19 é uma iniciativa da Fiocruz que tem como objetivo potencializar as ações da Fundação Oswaldo Cruz frente à pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), por meio da união de esforços dos setores público e privado, tornando-se um canal onde empresas, organizações e indivíduos interessados formam uma rede de apoiadores de ações desenvolvidas pela Fundação para o enfrentamento da emergência sanitária.

Para saber mais sobre o Unidos contra a Covid-19 e como apoiar, clique.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Sully Sampaio e Eduardo Gomes

Projeto Fiocruz contra a Covid-19 contempla iniciativas solidárias que irão beneficiar populações vulneráveis na Amazônia

O projeto Fiocruz contra a Covid-19 vai beneficiar iniciativas solidárias em todo Brasil, por meio da Chamada Pública para apoio a ações emergenciais de enfrentamento à Covid-19, voltada para populações vulneráveis. A ação alcança mais de 80 municípios de todos os estados brasileiros. Entre os projetos aprovados, 19 foram da Região Norte, sendo três do Amazonas.

Mais de 800 organizações não governamentais se inscreveram. Entre as iniciativas aprovadas, 110 incluem ações de segurança alimentar, 101 preveem atividades de comunicação, 95 trabalham os protocolos de higiene coletiva e individual (com distribuição de produtos de limpeza, por exemplo), 73 dedicam-se à assistência de grupos de risco e 28 voltam-se ao tema da saúde mental.

Acesse AQUI a lista de projetos contemplados.

A Fiocruz deve investir 4,5 milhões de reais, provenientes de doações feitas à instituição para aplicação em ações humanitárias. As propostas se encaixam em três faixas de financiamento, segundo o orçamento apresentado: até R$10 mil; até R$25 mil e até R$50 mil.

Além dos recursos financeiros, todos as organizações selecionadas terão apoio técnico da Fiocruz. Para isso foi estruturada uma equipe de 70 profissionais, que farão o acompanhamento dos projetos. Eles serão responsáveis por validar os conteúdos informativos produzidos e distribuídos no âmbito dos projetos, além de orientar as organizações para a execução segura das atividades previstas.

PROJETOS

Entre os projetos selecionados está o “Programa Emergencial para o enfrentamento da crise do Coronavírus com foco especial para populações ribeirinhas no Amazonas”, desenvolvido na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga da Conquista, localizada à margem direita do Rio Negro (distante 65 quilômetros da capital), que abrange 15 comunidades rurais e indígenas. A ação tem como objetivo auxiliar populações de comunidades remotas do interior do Amazonas, especialmente povos tradicionais, no enfrentamento do Coronavírus.

Com a aprovação, a primeira medida será o lançamento de uma campanha de comunicação intitulada “Comunidades Ribeirinhas contra o Coronavírus”, voltada para conscientização das pessoas sobre as medidas de prevenção, a importância do isolamento social e os sintomas recorrentes da doença. Além disso, o projeto também prevê a doação de cestas de produtos básicos, como alimentos não produzidos localmente e artigos de higiene. A ideia central é assegurar o acesso das famílias a produtos essenciais, oferecer condições para higienização adequada, e evitar o deslocamento de pessoas para as cidades, para compra destes artigos, reduzindo assim, o risco de contágio e de disseminação do vírus.

Proposto pelo Centro Social Roger Cunha Rodrigues, em Manaus (AM), o projeto “3C contra o Covid-19: Comunicação, Consciência e Caridade”, também foi selecionado. O projeto visa mobilizar a população através da difusão de informações nas ruas, com orientações de combate, em linguagem direta e acessível, medidas de afastamento, formas de disseminação, higiene, conduta frente aos sintomas da doença, cuidados e riscos de auto medicação.

A ação também pretende garantir alimentação básica, com a compra e distribuição de alimentos às famílias; oferecer material de higiene e orientações de combate do Covid-19, além da produção voluntária de máscaras de tecido (EPI), possibilitando a distribuição de máscaras à comunidade. Outro destaque entre os projetos do Amazonas é a iniciativa da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC).

A iniciativa busca viabilizar as medidas de distanciamento social entre comunidades agroextrativistas do Médio rio Juruá, sudoeste do Amazonas. Em virtude da escassez sazonal de recursos pesqueiros e das recomendações para que as comunidades restrinjam o acesso às áreas urbanas do município, impossibilitando a aquisição na cidade de outros gêneros alimentícios que compõem a cesta básica das famílias, a ação busca contribuir para a segurança alimentar das comunidades agroextrativistas durante o período de distanciamento social por meio do acompanhamento remoto e permanente da situação de segurança alimentar e distribuição segura de cestas básicas.

Entre os projetos selecionados com orçamento de até R$50mil, está a “Ação Emergencial a Famílias em Vulnerabilidade Social do Bairro Periférico Tarumã”, desenvolvido em Manaus, sob coordenação do Instituto DELFOS, também denominado Instituto Restaura. O projeto tem como objetivo levar produtos alimentícios, material de higiene e limpeza a 60 famílias em situação de extrema pobreza do bairro Tarumã, assim como também ofertar serviços de atendimento psicossocial e socioassistencial, com o intuito de minimizar os impactos sociais, econômicos e psicológicos que a pandemia vem causando na população.

O campeão na faixa de R$25 mil foi a Associação Indígena Krãnhmenti, localizada no muncípio de Banach, interior do Pará. Eles vão usar o recurso obtido para realizar uma campanha bilíngue (português e Mebêngôkre-Kayapó) de esclarecimento sobre o enfrentamento da pandemia. Também vão produzir máscaras e distribuí-las, junto com cestas básicas, a 50 famílias da etnia kayapó na região.

A chamada pública viabiliza o financiamento de projetos em todo território nacional, que contribuem para prevenir o contágio entre esses grupos sociais, garantindo condições mínimas de sobrevivência a famílias impactadas economicamente pelas medidas de isolamento social em vigência.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento

Rede Solidária da Fiocruz vai enviar doações ao Amazonas para enfretamento da Covid-19

Quase R$ 6 milhões em testes para Covid-19, equipamentos de proteção individual (EPI’s) e dispositivos para testes serão doados ao Amazonas para enfrentamento ao novo coronavírus. O repasse do material será feito pelo Programa Unidos Contra a Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A distribuição dos produtos será acompanhada pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), explica o pesquisador e gestor da Unidade da Fiocruz no Amazonas, Sérgio Luz. Segundo ele, serão destinados 3 mil kits de testes rápidos e R$ 1.200.000,00 em Epi’s para os povos indígenas do Alto Rio Negro, Alto Solimões e Vale do Javari; R$ 1.552.000,00 em Epi’s para os hospitais de Manaus, além de R$ 1.500.000,00 em equipamentos para a Fiocruz Amazônia triplicar sua capacidade de testagem para Covid-19.

As doações foram feitas ao Programa Unidos Contra a Covid-19, pela Vivo (R$ 3.000.000,00),  pelo Fundo Emergencial da Saúde/Movimento Bem Maior (R$ 1.200.000,00), Fundação Banco do Brasil ( R$ 52.000,00)  e o restante pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos), especificamente para o Amazonas.

Os produtos estão em fase de aquisição e assim que chegarem a Manaus serão encaminhados às instituições e povos indígenas.

UNIDOS CONTRA COVID-19

O Programa Unidos Contra a Covid-19 é uma iniciativa da Fiocruz, lançado em 2/4, com o objetivo de potencializar as ações da Fundação Oswaldo Cruz frente à pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), por meio da união de esforços dos setores público e privado, tornando-se um canal onde empresas, organizações e indivíduos interessados formam uma rede de apoiadores de ações desenvolvidas pela Instituição para o enfrentamento da emergência sanitária.

Para saber mais sobre o Unidos contra a Covid-19 e como apoiar, clique.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Bernardo Portella/Fiocruz