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Fiocruz Amazônia Revista aborda desafios e perspectivas inovadoras para o fortalecimento da pós-graduação

Na 3ª Edição da Fiocruz Amazônia Revista, Vice Diretoria de Ensino da Fiocruz Amazônia destaca como pesquisadores e docentes estão trabalhando para contribuir com a formação de recursos humanos de qualidade na Amazônia.

CONFIRA A REPORTAGEM: 

O fortalecimento dos programas de pós-graduação, a internacionalização e a integração intra e interinstitucional são pontos chaves para o trabalho por área de Ensino do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) ao longo de 2018. Em relação ao primeiro ponto, a vice-diretora da área, Claudia María Ríos Velásquez, destaca que houve um grande avanço desde 2015, no Ensino do ILMD/ Fiocruz Amazônia, com a abertura de dois Programas de Pós-graduação Stricto Sensu: um na área de Saúde Coletiva, o PPG em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), e o segundo na área de Ciências Biológicas III, denominado PPG em Biologia da Interação Patógeno – Hospedeiro (PPGBIO-Interação), ambos no nível de mestrado. O mestrado PPGVIDA já formou a primeira turma com 23 mestres e está com a terceira turma em andamento.

“O grande diferencial da Pós-Graduação da instituição é a garra com que os pesquisadores e docentes estão trabalhando para contribuir com a formação de recursos humanos de qualidade na Amazônia”, frisou a vice-diretora de Ensino, Informação e Comunicação do ILMD/Fiocruz Amazônia. Há também o Mestrado Profissional em Saúde da Família (ProfSaúde), realizado em rede entre Ministério da Saúde, Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e ILMD/Fiocruz Amazônia, que tem por finalidade formar profissionais de saúde que atuam na Saúde da Família/Atenção Básica.

Além disso, o ProfSaúde pretende fomentar a produção de novos conhecimentos e inovações na área da atenção básica no País, respeitando a diversidade regional e integrando instituições acadêmicas e gestores da saúde pública. Segundo Claudia Velásquez, há a expectativa de implementar o doutorado nessa área. Seguindo as diretrizes institucionais quanto à internacionalização das ações em Educação e visando a inserção estratégica do ILMD/Fiocruz Amazônia como instituição de pesquisa em saúde na Pan-Amazônia, duas ações do Ensino revelam esforços da instituição neste sentido.

A primeira está relacionada à parceria do ILMD/Fiocruz Amazônia com Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Ministério da Saúde (MS) e IFAM Tabatinga para realização do curso de especialização Lato Sensu em Vigilância em Saúde em Rede de Atenção Primária em Saúde na Tríplice Fronteira do Alto Solimões.

A ampliação do foco de seleção aos profissionais e serviços de saúde de países vizinhos se justifica pelo entendimento de que o controle de endemias na região só se efetivará na plenitude ao se levarem em conta as características do território vivo em que se inscreve a dinâmica de movimentação da população que ali habita, e ao incluir tais características no planejamento e operacionalização de ações de controle das endemias que se entrecruzam e se interligam nos espaços transfronteiriços.

“Nosso pesquisador Antônio Levino, já falecido, estava estudando sistema de saúde na tríplice fronteira e a partir disso foi realizado o levantamento da ocorrência do fluxo permanente. As pessoas de diferentes países usam sistema de saúde dos outros países, mas esses dados não são notificados. As pessoas têm dengue no Peru, mas vêm se consultar no Brasil, ficando o registro no país onde foram atendidos e não no país de origem. Essa fronteira é um conglomerado de pessoas e cidadezinhas muito próximas onde está circulando tudo, mas não há sistema compartilhado de informações em saúde”, pontuou Claudia

A segunda iniciativa do ILMD/ Fiocruz Amazônia na direção da internacionalização da pós-graduação foi a realização do Seminário Internacional de Doenças Infecciosas Negligenciadas da Amazônia no âmbito do PPGBIO – Interação, que, sob a coordenação do mesmas áreas de pesquisa, promovendo a internacionalização dos cursos de pós-graduação do ILMD/Fiocruz Amazônia.

Essa integração se deu por meio de discussões em torno de doenças que têm impacto na saúde da Pan – Amazônia. “A política de internacionalização é muito importante. A segunda versão desse seminário será realizada no segundo semestre e já estamos planejando expandir as fronteiras para outros países”, pontuou Claudia Velásquez.

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Fiocruz Amazônia Revista, por Cristiane Barbosa
Foto: Eduardo Gomes

Presidente da SBPC concede entrevista à Fiocruz Amazônia

Em entrevista à Fiocruz Amazônia Revista, Ildeu Moreira de Castro, presidente da SBPC, falou sobre a redução e contingenciamentos de recursos que atingem a área de Ciência, Tecnologia e Inovação. O gestor falou ainda sobre o papel da ciência, sobre questões da Amazônia e as estratégias da entidade para fortalecer a Divulgação Científica no Brasil.

CONFIRA A ENTREVISTA:

Professor e pesquisador do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ildeu Moreira de Castro assumiu em julho de 2017 mais um desafio importante em sua extensa carreira: comandar a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

A entidade foi criada em 1948 e se dedica ao avanço científico, tecnológico, do desenvolvimento educacional e cultural do País, agregando 127 sociedades científicas associadas de todas as áreas do conhecimento. Em entrevista exclusiva à Fiocruz Amazônia Revista, Ildeu falou sobre a trajetória de sete décadas da SBPC e os principais desafios que a comunidade científica enfrenta.

Nesse sentido, ele manifestou preocupação com a redução e contingenciamentos de recursos que atingem a área de Ciência, Tecnologia e Inovação. “O corte atinge a sociedade em vários aspectos. Primeiro, porque hoje a ciência e tecnologia é cada vez mais um elemento fundamental para as nações”, pontuou.

O gestor falou também sobre os seminários temáticos promovidos por todo o País com assuntos voltados para o desenvolvimento social, educacional e científico. Tratou ainda do papel da ciência sobre questões da Amazônia e as estratégias da entidade para fortalecer a Divulgação Científica no País.

Fiocruz Amazônia Revista – A SBPC completou 70 anos, em 2018. Foram muitos desafios, dificuldades e também conquistas e vitórias em prol da ciência e da sociedade. Como o senhor avalia a atuação da instituição para o avanço das discussões e políticas científicas no País e, sobretudo, quais as perspectivas para o futuro considerando a crise política e institucional que enfrentamos?

Ildeu Castro – Em primeiro lugar, a SBPC tem sete décadas de atuação muito intensa na ciência, na educação e na democracia do País e essa história, de certa maneira, é paralela ao crescimento da ciência brasileira nas últimas décadas. A entidade, desde seu início, batalhou muito pela criação das instituições de pesquisa e das agências de fomento e ainda na sua criação ela estava batalhando pela continuidade das pesquisas de São Paulo.

Ela já nasceu sob esse simbolismo pela ciência brasileira. Logo no início participou da luta pela criação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), de Anísio Teixeira, grande criador da Capes que foi presidente da SBPC.

Atualmente, estamos vivendo um momento de resistência, de desmonte, portanto muito difícil do ponto de vista de uma política que não valoriza a ciência e tecnologia e tem reduzido muito os recursos para o investimento, atingindo profundamente agências fundamentais como o CNPq, a Capes, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), as agências de inovação. Por isso temos feito inúmeras manifestações junto ao governo, junto ao Congresso Nacional, fizemos abaixo assinado, Marcha pela Ciência, para colocar isso para a população. Fomos ao Congresso Nacional várias vezes.

Nesses últimos anos, passamos a ter atuação ativa no Legislativo, acompanhamos projetos de lei. A entidade tem se posicionado em várias situações junto ao Legislativo. O segundo ponto é essa questão dos recursos que foram diminuídos drasticamente, temos discutido com os presidenciáveis, alguns deles já se comprometeram com esses pontos e estamos insistindo com outros, inclusive deputados e senadores para que haja uma reversão de redução drástica para ciência e tecnologia.

Vínhamos numa ascensão de 2013, depois começou cair de uma maneira muito abrupta. De fundo temos uma bandeira da SBPC de mais de 20 anos que é 2% no mínimo do PIB para Pesquisa & Desenvolvimento. Na Europa já está chegando em 3% em média, a Coréia está nos 4%, China nos 3%, Estados Unidos e Alemanha também. E no Brasil está patinando no 1% há muitos anos então a gente está insistindo que essa é uma meta importante para os próximos governos e isso significa envolver muito mais a iniciativa privada em recurso para P&D, como acontece em outros países do mundo.

No Brasil, não, pois é o recurso público que arca fundamentalmente com boa parte dos gastos com ciência, inovação pesquisa e desenvolvimento. Esse é um desafio. O terceiro é a questão da burocracia, vivemos num país com burocracia excessiva, regras demais, os gestores, pesquisadores são considerados culpados, a priori, parece que você é culpado, então você tem que provar que não é. Enquanto que no mundo inteiro, como exemplo a Coréia e China, que estão crescendo rapidamente isso não acontece. Também outros países, como Alemanha, França, EUA, Inglaterra, que tem uma condição mais livre de ciência, de troca, de compra de equipamentos, muito menos restrições o comportamento em relação aos pesquisadores é diferente do Brasil.

A falta de ambiente para desenvolver empresas inovadoras no país é um problema e a burocracia é evidentemente um entrave muito grande, a educação básica de qualidade, formação de técnicos, pessoal qualificado é outro problema, já mencionei inclusive, então, esses são desafios. Talvez um desafio maior é a falta no país de um projeto que faça com que a comunidade científica trabalhe em um nicho, claro que a ciência é importante, que ela tem liberdade e pesquisa em várias áreas, mas compete ao estado definir linhas mobilizadoras prioritárias para alocar recursos de ciência e tecnologia.

Todos os países do mundo fazem isso, colocam prioridades, fazem planos. EUA, China fazem planos décadas a frente. Poderia te elencar meia dúzia de desafios pela frente. Um deles é melhorar a educação pública do Brasil, a educação básica e em particular a educação científica. Tem uma proposta sendo discutida no CNE (Conselho Nacional de Educação) de Base Comum Curricular que é muito deficiente do ponto de vista da ciência.

Então nós estamos lá, discutindo, criticando, brigando para que jovens tenham acesso a ciência de uma maneira interessante, temos que melhorar muito a educação que está muito ruim em relação ao ensino médio, na educação científica que não pode fazer de uma maneira apressada que joga fora a criança do colo da mãe, é o desenho que está colocado lá, então esse é um desafio muito grande: melhorar a educação básica brasileira, isso é importante para a ciência para a tecnologia e para o país como um todo.

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Fiocruz Amazônia Revista, por Cristiane Barbosa
Foto: Divulgação.

Pesquisa de novas substâncias para tratamento da malária

O número de mortes por causa da malária é impressionante: 500 mil por ano. A doença chega a 200 milhões de casos anuais em todo mundo, sendo uma das principais formas de morbidade e mortalidade nas áreas tropicais e subtropicais. Um agravante é a inexistência de uma vacina e os remédios e os tratamentos a base de remédios são a principal medida de tratamento da doença. Por outro lado, há o surgimento e a expansão da resistência do parasito aos antimaláricos (remédios que combatem a malária) utilizados, e, assim, é necessário desenvolver novos tratamentos.

O agricultor Lazaro Souza, 65 anos, é um exemplo de vítima dessa doença. Já pegou pelo menos três vezes a malária, provavelmente em seu sítio, localizado na comunidade do Puru Puru, no município de Careiro da Várzea, a 88 quilômetros de ManausAM. Os sintomas de tremor e febre com calafrios já são velhos conhecidos dele. “Começa com uma indisposição e vai avançando para calafrios e febre, me deixando de cama”, disse.

O tratamento utilizado por ele foi o convencional à base dos medicamentos já conhecidos e indicados pelos médicos para a malária. A descoberta e o desenvolvimento de novos fármacos no contexto das doenças infecciosas são desafiadores e muitas vezes estão associados às inovações científicas e tecnológicas.

Nesse contexto, no Instituto Leônidas & Maria Deane/Fiocruz Amazônia, é realizado um estudo comandado pela doutora em Genética e Biologia Molecular Stefanie Lopes, que coordena investigações de substâncias capazes de inibir o ciclo de desenvolvimento do parasito que transmite a Malária do tipo causado por Plasmodium vivax e orienta alunos de graduação na iniciação cientifica.

A pesquisa de iniciação científica denominada ‘Avaliação da atividade antimalárica de compostos inibidores de quinases identificados por triagem virtual sobre estágios assexuados de Plasmodium vivax é desenvolvida pela graduanda de Farmácia do Centro Universitário do Norte (Uninorte), Macejane Souza, que é bolsista da Fiocruz Amazônia por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

O trabalho, por seu caráter inovador, recebeu a 3ª colocação na categoria Jovem Pesquisador – Graduação do 54º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (Medtrop), que aconteceu em Recife, no mês de setembro de 2018. Além disso, também foi premiado na Reunião Anual de Iniciação Científica da Fiocruz Amazônia como “Projeto Inovador”.

 “Acredito que ideias e projetos inovadores devem ser estimulados desde a Iniciação Científica, pois a formação de pessoas com capacidade de inovar em Ciência e Tecnologia permite vislumbrar um futuro com pesquisadores que apresentem melhor capacidade de empreender e gerar resultados capazes de impactar de maneira mais célere e visível a sociedade”, frisou Stefanie.

Segundo Macejane, no Brasil, o Plasmodium vivax é a espécie responsável por aproximadamente 85% dos casos e relatos de complicações clínicas associadas a esta espécie vêm sendo observados. “Na ausência de uma vacina efetiva, o tratamento imediato constitui a principal medida de combate à doença. Entretanto, com a recorrente evolução de resistência do parasito aos antimaláricos empregados, torna-se evidente a necessidade de desenvolver novos tratamentos”, explicou ela.

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Fiocruz Amazônia Revista, por Cristiane Barbosa
Foto: Eduardo Gomes

Lançada a segunda edição da Fiocruz Amazônia Revista

Foi lançada durante o 13º. Congresso Internacional da Rede Unida, realizado de 30/5 a 2/6, a segunda edição da “Fiocruz Amazônia Revista”, uma publicação semestral, em formato digital, produzida pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Assim como na edição anterior, a divulgação da “Fiocruz Amazônia Revista”, se deu por meio da distribuição de cartões com QRCode  (código de barras bidimensional)  que pode  ser lido e identificado pela câmera de smartphones, a partir do uso de aplicativos específicos para leitura desses códigos. A publicação também está disponível para download no site Fiocruz Amazônia.

A nova edição busca relacionar seus assuntos aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), portanto, no topo de cada matéria encontra-se um ícone de ODS, estabelecendo um elo entre a temática do artigo e o Objetivo. A revista conta com 72 páginas com sessões e reportagens sobre pesquisas, ações e atividades desenvolvidas na Amazônia.

Clique aqui e acesse a segunda edição da revista.

SOBRE A REVISTA

Criada com a missão de divulgar à sociedade os frutos de esforços científicos desenvolvidos por pesquisadores da Fiocruz, a “Fiocruz Amazônia Revista” é um veículo de popularização da ciência que adota o jornalismo científico para divulgar pesquisas, cursos, ações e eventos que possam contribuir para a melhoria das condições de vida e saúde das populações amazônicas e para o desenvolvimento científico e tecnológico regional.

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SOBRE OS ODS

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são uma agenda mundial adotada durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, realizada em 2015. A agenda 2030 é composta por 17 objetivos e 169 metas a serem atingidos no seu período de vigência.

Nessa agenda estão previstas ações mundiais nas áreas de erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, redução das desigualdades, energia, água e saneamento, padrões sustentáveis de produção e de consumo, mudança do clima, cidades sustentáveis, proteção e uso sustentável dos oceanos e dos ecossistemas terrestres, crescimento econômico inclusivo, infraestrutura, industrialização, entre outros.

Saiba mais sobre a Agenda 2030.

Para mais informações sobre o 13º. Congresso Internacional da Rede Unida, clique 

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: divulgação