Estudo relaciona malformações congênitas ao uso de agrotóxicos

Com os dados levantados para o artigo Associação entre malformações congênitas e a utilização de agrotóxicos em monoculturas do Paraná, Brasil, os pesquisadores Lidiane Dutra e Aldo Pacheco Ferreira, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), trouxeram evidências de que o uso indiscriminado de agrotóxicos vem causando não só sérios danos à saúde do brasileiro, mas também sinalizando um grave problema de saúde pública.

PRODUÇÃO AGRÍCOLA

Para entender melhor o estudo feito pelos pesquisadores, é importante destacar que o Paraná é o terceiro estado em produção agrícola no país, com 12,7%, ficando atrás do maior produtor, que é São Paulo, com seus 14,9%, e do Mato Grosso, com 13,9%, conforme dados de 2015 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O estudo levou em consideração a produção de commodities agrícolas – produtos básicos como soja, trigo, milho, café, farelo de soja e etc., de grande consumo, cujo os preços são negociados na bolsa de valores e sua variação depende de oferta e demanda pelo produto. Em termos de produção agrícola no Brasil, ainda conforme os dados do IBGE, o Paraná é líder na produção de feijão (726 toneladas) e trigo (3,330 milhões de toneladas); é o segundo maior produtor de soja (17,2 milhões de toneladas) e milho (15,7 milhões de toneladas); é o quarto na produção de laranja (903 toneladas) e de cana de açúcar (47,3 milhões de toneladas).

USO DE AGROTÓXICOS

Segundo o estudo, das 20 unidades regionais (UR) do Paraná apresentadas, onze tiveram consumo de agrotóxicos acima de uma tonelada. Números que já seriam bastante preocupantes. Mas, os pesquisadores levantaram que a média de consumo dos agrotóxicos no estado da região Sul, entre 2014 e 2015, aponta Cascavel, com 5.107,46 toneladas; Ponta Grossa, com 3.526,73 toneladas, e Toledo, com 3.336,95 toneladas. Na seção Para saber mais, no site do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), podem ser encontrados dados como o consumo de agrotóxicos no Paraná por hectare e quilos.

Os pesquisadores decidiram, então, considerar duas URs para efeito de comparação: a da Cascavel (que abrange os municípios de Anahy, Boa Vista da Aparecida, Braganey, Cafelândia, Campo Bonito, Capitão Leônidas Marques, Cascavel,  Catanduvas, Céu Azul, Corbélia, Diamante d’Oeste, Foz do Iguaçu, Ibema, Iguatu, Itaipulândia, Lindoeste, Matelândia, Medianeira, Missal, Nova Aurora, Ramilândia, Santa Lúcia, Santa Tereza do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Serranópolis do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Vera Cruz do Oeste) e tem um alto consumo de agrotóxicos, e Francisco Beltrão (que compreende as cidades de Ampére, Barracão, Bela Vista da Caroba, Boa Esperança do Iguaçu, Bom Jesus do Sul, Capanema, Cruzeiro do Iguaçu, Dois Vizinhos, Enéas Marques, Flor da Serra do Sul, Francisco Beltrão, Manfrinópolis, Marmeleiro, Nova Esperança do Sudoeste, Nova Prata do Iguaçu, Pérola d’Oeste, Pinhal de São Bento, Planalto, Pranchita, Realeza, Renascença, Salgado Filho, Salto do Lontra, Santa Izabel do Oeste, Santo Antônio do Sudoeste, São Jorge d’Oeste e Verê), com baixo consumo.

O período escolhido para a pesquisa foi de 1994 a 2014. Eles também consultaram o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde, para o mesmo intervalo de anos. As unidades regionais foram comparadas quanto ao número de nascimentos com malformações congênitas (MC). Destacamos, abaixo, alguns dados da tabela original elaborada pelos autores do artigo:

SEM FRONTEIRAS

Coordenadora do Sistema Nacional de Informação Tóxico-Farmacológica (Sinitox), Rosany Bochner comentou o estudo realizado pelos pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e comemorou: “utilizar malformações congênitas como um indicador desses efeitos foi uma ideia bastante interessante, ainda mais quando temos carência de informação sobre o impacto real dos agrotóxicos sobre a saúde e o meio ambiente”.

Além das malformações congênitas, o artigo de Lidiane Dutra e Aldo Pacheco Ferreira, que foi originalmente publicado na revista Saúde em Debate (volume 41 número especial | junho de 2017, uma publicação do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde – Cebes), aponta para vieses importantes da pesquisa causados pela exposição a agrotóxicos. A partir de estudos feitos na Espanha e na Itália, em comparação ao que foi produzido por eles, os autores deduzem que “muitos casos de malformação congênita resultaram em óbitos fetais e abortos espontâneos, o que tornaria os números relacionados com o desfecho estudado ainda maiores”. Para isso, eles sugerem que análises mais “aprofundadas acerca das causas das MC, como investigação genética, ajudariam a estabelecer com maior precisão os fatores ambientais envolvidos”.

Para Rosany Bochner, uma das observações do estudo que mais chamaram a sua atenção foi a que conclui que a exposição aos agrotóxicos e seus efeitos não se limita às regiões rurais. “Com o avanço do agronegócio, independentemente de regiões mais ou menos agrárias, a contaminação da população aumenta como um todo, de forma que as fronteiras agrícolas e os desdobramentos referentes a ela estão cada vez mais próximos dos centros urbanos, seja por meio de uma aproximação literalmente física ou dos contaminantes existentes na água, no ar ou nos alimentos ingeridos por essa população”, afirma. Mas, se isto é realidade, por que os números dos sistemas de saúde não refletem isto, ao contrário, apontam para uma redução?

CARÊNCIA DE DADOS

Para Lidiane Dutra e Aldo Ferreira, “o controle efetivo da exposição a esses pesticidas é muito pequeno e escasso no cenário brasileiro. Os dados referentes ao uso dos produtos não são sistematizados em bancos de dados informatizados para a grande maioria dos estados do país. Isso dificulta a mensuração do impacto da exposição ambiental desses produtos sofrida pela população”. Rosany Bochner concorda e é enfática ao afirmar que “há carência de dados sobre o consumo de agrotóxicos nos estados e os sistemas nacionais de informação não conseguem dar conta das intoxicações por agrotóxicos. O Sinitox vem apresentando uma queda importante na participação dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica em suas estatísticas, onde o decréscimo no número de casos não representa a realidade do impacto dos agrotóxicos sobre a saúde”, argumenta.

Ela também analisa os dados encontrados nos sistemas públicos de informação – o de Agravos de Notificação (Sinan) e o sobre Mortalidade (SIM). “Se o Sinan traz um número crescente de casos, há problemas quanto à classificação, uma vez que, por exemplo, se observa várias tentativas de suicídio em crianças de 0 a 4 anos! Já o Sistema de Informação sobre Mortalidade mostra o decréscimo no número de óbitos decorrentes de intoxicação por agrotóxicos no período de 2010 a 2015 (897; 891; 694; 672; 607 e 620 casos, respectivamente) – porém, o que mais do que indicar uma queda, sinaliza problemas no registro da causa básica do óbito. Um exemplo disso foi o caso do trabalhador VMS, do Ceará, que apesar de se tratar de uma morte por intoxicação causada pela exposição ocupacional ao agrotóxico, em sua declaração de óbito constava apenas os efeitos decorrentes desse agravo”, observa. O caso a que a coordenadora do Sinitox se refere foi analisado em seu artigo intitulado Óbito ocupacional por exposição a agrotóxicos utilizado como evento sentinela: quando pouco significa muito, publicado na revista eletrônica Visa em debate, do Institto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz). Neste artigo, Bochner afirma que “segundo o sistema, VMS seria mais uma vítima do agronegócio, que morre sem deixar vestígios da relação causal entre a exposição a agrotóxicos e o agravo à saúde”.

Leia entrevista sobre o estudo no site do Icict/Fiocruz.

Icict/Fiocruz, por Graça Portela

 

Ministério da Saúde declara fim do surto de febre amarela

O Brasil não registra casos de febre amarela desde junho, quando foi confirmado o último caso da doença no Espírito Santo. O anúncio do fim do surto foi feito nesta quarta-feira (6/9) pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante a apresentação do novo boletim epidemiológico sobre a situação da doença no país. Mesmo com a interrupção da transmissão, o Ministério da Saúde ressalta a importância de manter as ações de prevenção e ampliar a cobertura vacinal para a febre amarela para prevenir novos casos da doença no próximo verão, período com maior probabilidade de ocorrência.

“A situação, hoje, está sob controle, mas é fundamental que os estados e municípios se esforcem para aumentar as coberturas vacinais nas áreas com recomendação, seja com a busca ativa de pessoas não vacinadas ou por meio de campanhas específicas, envolvendo também as escolas. Além disso, é necessário manter as ações de prevenção, como o controle de vetor, capacitação de profissionais de saúde e intensificação das ações de vigilância de epizootias”, afirmou o ministro Ricardo Barros.

Desde o início do surto, em 1º de dezembro do ano passado, até 1º de agosto deste ano, foram confirmados 777 casos e 261 óbitos por febre amarela. Outros 2.270 casos foram descartados e 213 permanecem em investigação. Além disso, 304 casos foram considerados inconclusivos, pois não foi possível produzir evidências da infecção por febre amarela ou não se encaixavam na definição de caso. No total, foram 3.564 notificações. A região Sudeste concentrou a grande maioria dos casos. Foram 764 casos confirmados, seguida das regiões Norte (10 casos confirmados) e Centro-Oeste (3 casos). As regiões Sul e Nordeste não tiveram confirmações.

Para o diretor de vigilância das doenças transmissíveis do Ministério da Saúde, João Paulo Toledo, o fim do surto se dá pelo fim da sazonalidade da doença e pelo sucesso das ações de vigilância. “Além do fim do período de maior número de casos, que é o verão, todo o empenho do Ministério da Saúde, em conjunto com estados e municípios, resultaram no controle do surto. Mas isso não significa que devemos encerrar as ações. A vacina está disponível para todos que moram ou viajam para as áreas com recomendação de vacinação”, explicou o diretor.

Para conter a transmissão do vírus e proteger a população, o Ministério da Saúde enviou aos estados brasileiros 36,7 milhões de doses da vacina ao longo deste ano, tanto para a rotina de vacinação como para o reforço nos estados afetados pelo surto. Somente para os estados de MG, RJ, SP, ES e BA foram distribuídas 27,8 milhões de doses extras.

O Ministério da Saúde intensificou a vacinação em 1.121 municípios desses cinco estados. Do total, apenas 205 cidades estão com a cobertura vacinal ideal (igual ou superior a 95%). Atualmente, a média da cobertura vacinal nessas localidades está em 60,3%. A pasta considera atingir a meta fundamental para evitar nova expansão da doença.

AÇÕES

Além da intensificação da vacinação, foram liberados R$ 66,7 milhões aos estados para controlar o surto e reforçar a assistência. Entre as medidas adotadas estão o envio de profissionais da Força Nacional do SUS a Minas Gerais e equipes para investigação de campo no Espírito Santo e Minas Gerais. Também foram realizadas videoconferências semanais para monitoramento dos registros em MG, ES, RJ, BA e SP e ações para eliminação do Aedes aegypti, reduzindo o risco de urbanização nos municípios com registro de epizootias.

A investigação e a notificação de morte e adoecimento de macacos são consideradas a mais importante forma de detectar precocemente a circulação do vírus em determinada região, o que permite que as medidas de prevenção de casos em humanos sejam antecipadas e aplicadas com mais eficácia pelos estados e municípios. Durante o período do surto, foram notificadas ao Ministério da Saúde 5.364 epizootias, das quais 1.412 foram confirmadas para febre amarela.

AMPLIAÇÃO

Em 2018, a vacina para febre amarela será incluída no calendário de vacinação para crianças a partir dos nove meses. Além disso, o Ministério da Saúde estuda a inclusão de outros municípios – que atualmente não fazem parte da área de recomendação -, na vacinação de rotina, para a população de todas as faixas etárias.

“Todas essas mudanças serão discutidas com grupos de especialistas, além de estados e municípios, para que sejam definidas quais cidades serão incluídas e em qual momento isso será possível. A forma como as ampliações serão feitas, a lista de quais cidades terão vacinação e quando isso vai ocorrer será definido até o fim deste ano”, esclareceu a coordenadora geral do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues.

DOSE ÚNICA

Desde abril deste ano, o Brasil adota o esquema vacinal de apenas uma dose durante toda a vida, medida que está de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Atualmente, nenhum país utiliza mais o esquema de duas doses. Isso significa que quem já foi vacinado – em qualquer momento da vida – não precisa de dose de reforço.

A vacinação para febre amarela é ofertada na rotina em 20 estados: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Além das áreas com recomendação, neste momento, também está sendo vacinada a população do Espírito Santo.

A vacina de febre amarela é a medida mais importante para prevenção e controle da doença e apresenta eficácia de 95% a 99%. Entretanto, assim como qualquer vacina ou medicamento, pode causar eventos adversos como febre, dor local, dor de cabeça, dor no corpo. Ela é contraindicada para crianças menores de seis meses, pessoas imunossuprimidas e pessoas com reação alérgica grave a ovo. Idosos acima dos 60 anos, gestantes, pessoas vivendo com HIV/AIDS ou com doenças hematológicas devem ser avaliadas por um médico antes de se vacinar.

INFLUENZA

Em 2017, foi registrada uma baixa circulação da gripe no país. O número de casos teve redução de 81% em relação ao ano passado, com 2.070 casos e 361 óbitos até 28 de agosto. No mesmo período de 2016, foram 11.062 casos e 2.007 mortes por influenza. Além disso, neste ano o vírus com maior circulação até o momento é o H3N2, quando no ano anterior predominou o H1N1.

Na campanha de vacinação deste ano, foram vacinadas 51,8 milhões de pessoas, uma cobertura de 87,5% do público-alvo definido pelo Ministério da Saúde. A campanha foi realizada entre os dias 17 de abril e 26 de maio, e prorrogada até 9 de junho. Devido à baixa procura dos públicos prioritários, o Ministério da Saúde autorizou estados e municípios a ampliar a vacinação para toda a população. O objetivo foi evitar o desperdício de doses, uma vez que a vacinação é mais efetiva antes do início do inverno, época de maior sazonalidade da influenza.

Camila Bogaz (Agência Saúde)

Fiocruz Amazônia debate sobre arboviroses em evento da ABC

Com o tema “Arboviroses no Estado do Amazonas”, Sérgio Luiz Bessa Luz, pesquisador e diretor do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), ministrou palestra no simpósio e diplomação de novos membros afiliados da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da Região Norte –  2017/2021, evento realizado na última quinta-feira (31/8), no Auditório da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

A exposição fez parte da sessão “Arboviroses emergentes no Brasil: situação atual e perspectivas”, apresentada pelos pesquisadores Pedro Vasconcelos, Jannifer Chiang, Lívia Carício e Raimunda Azevedo, do Instituto Evandro Chagas (IEC), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Sérgio Luz agradeceu o convite e destacou o estímulo em ver jovens pesquisadores sendo diplomados. “Agradeço a academia pelo convite, é uma honra participar de um evento desse porte, representando os trabalhos da Fiocruz Amazônia. É muito satisfatório ver esses colegas novos já sendo afiliados pela academia, isso é muito estimulante para a ciência e pesquisa na Amazônia e no Brasil.

“A Academia Brasileira de Ciências e o desenvolvimento científico e tecnológico nacional” foi o tema da conferência ministrada por Luiz Davidovich, presidente da ABC. A Academia é uma entidade que atua como sociedade científica honorífica e contribui para o estudo de temas de primeira importância para a sociedade, visando dar subsídios científicos para a formulação de políticas públicas, com foco no desenvolvimento científico do País, na interação entre os cientistas brasileiros com pesquisadores de outras nações.

Desde 2007, a academia criou uma nova categoria de membros, para jovens cientistas. Cada vice-presidência regional da ABC elege, a cada ano, até cinco pesquisadores de excelência, com menos de 40 anos, para que se tornem membros afiliados por cinco anos.

Wuelton Marcelo Monteiro, docente do curso de mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro, do ILMD/Fiocruz Amazônia.

Foram diplomados os pesquisadores: Fernanda de Pinho Werneck, do INPA; José Júlio de Toledo, da Universidade Federal do Amapá (Unifap); José Nazareno Vieira Gomes, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM); Joyce Kelly do Rosário da Silva, da Universidade Federal do Pará (UFPA), e Wuelton Marcelo Monteiro, pesquisador da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), professor adjunto da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA), docente do curso de mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro, do ILMD/Fiocruz Amazônia.

Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.

 

 

Estudantes do 6º CMPM recebem palestras e exposições do ILMD/ Fiocruz Amazônia

Com a proposta de incentivar, fomentar e apoiar o ensino e a pesquisa no âmbito escolar, o 6º Colégio Militar da Policia Militar do Amazonas (CMPM) – Escola Estadual Senador Evandro das Neves Carreira, realizou entre os dias 29 e 31 de agosto, a I Semana de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, com o tema: “Educação em Saúde para viver melhor”.

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) participou do evento, por meio de apresentações de palestras e exposições. Um dos destaques entre as atividades apresentadas pela equipe da Fiocruz Amazônia, foi a exposição entomológica, bacteriana e de fungos, realizada pelos Laboratórios de Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS), e de Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA) do ILMD.

“Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)” foi o tema da palestra ministrada pela pesquisadora Rita Bacuri. Já a palestra ministrada por Layssa do Carmo, mestranda do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), abordou a temática “micoses e doenças de pele”.

Os alunos puderam conferir ainda uma exposição de banners sobre a vida e obra do biólogo, médico sanitarista, cientista e bacteriologista brasileiro, Carlos Chagas, que trabalhou como clínico e pesquisador. Atuante na saúde pública do Brasil, o pesquisador iniciou sua carreira no combate à malária.

O 6º CMPM fica situado à Avenida Felicidade s/n, no Conjunto Viver Melhor, Bairro Lago Azul, Zona Norte de Manaus, e segue o modelo de administração dos demais Colégios sob Gestão da Policia Militar do Amazonas.

A ação visa potencializar as pesquisas realizadas no Instituto, por meio da divulgação dos resultados científicos e tecnológicos para além da academia, por meio de estratégias que alcancem a sociedade, realizando, assim, a popularização da ciência.

Ascom ILMD/ Fiocruz Amazônia

Foto: Edmilson Bibiani

Estudo avalia adequação da assistência farmacêutica no Brasil

A assistência farmacêutica faz parte das ações e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e busca garantir o acesso da população a medicamentos de forma qualificada. Um estudo realizado por Orácio Carvalho Ribeiro Júnior, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), avaliou a adequação da assistência farmacêutica em unidades básicas de saúde (UBS) do Brasil, com foco nos aspectos da infraestrutura dos ambientes de farmácia e na disponibilidade de medicamentos componentes da farmácia básica.

“Avaliação da assistência farmacêutica na atenção básica da saúde no brasil com base no Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB)” é o título da dissertação defendida por Orácio, sob a orientação da professora doutora, Ana Cyra dos Santos Lucas e coorientação da professora doutora, Rosana Cristina Pereira Parente.

METODOLOGIA

“Foi realizado um estudo transversal, do tipo avaliação normativa com os dados da avaliação externa do segundo ciclo da Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB), coletados em 2014. Para a análise foram selecionadas 17.902 (74,4%) das 24.055 UBS que participaram do segundo ciclo do PMAQ-AB, 3.758 (67,5%) dos 5.570 municípios do Brasil, distribuídos nos 26 Estados e o Distrito Federal. O critério de inclusão para a composição da amostra estudada, foi a unidade possuir dispensação de medicamentos descentralizada”, explicou o mestrando.

Como critério de adequabilidade para a infraestrutura foram estabelecidos os critérios presentes nas diretrizes para estruturação das farmácias no SUS. Já para a disponibilidade de medicamentos utilizou-se o padrão estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que preconiza uma disponibilidade maior ou igual a 80% como ideal para atender as necessidades de saúde da população

Para analisar a adequação, foram consideradas características demográficas e indicadores de saúde dos municípios do país, como: região geopolítica, porte populacional, índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e Cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF); e, posteriormente, foram realizadas associações dessas variáveis com a adequação da assistência farmacêutica das unidades básicas.

RESULTADOS

Os resultados mostram que tanto na infraestrutura, quanto na disponibilidade de medicamentos, com exceção de alguns itens e algumas classes de medicamentos, os percentuais de UBS brasileiras adequadas foram baixos. Segundo o estudo, no Brasil, apenas 0,28% das UBS foram classificadas como adequadas na avaliação global.

Quanto a infraestrutura dos serviços de farmácia e disponibilidade de medicamentos, os percentuais de adequação no país foram de 1,8% e 5,0% respectivamente. Na análise por regiões geopolíticas foram observadas grandes desigualdades quanto aos perfis de adequação, com os melhores desempenhos para as regiões sul e sudeste do Brasil.

A pesquisa encontrou os melhores desempenhos nas unidades situadas em municípios de alto porte populacional, exceto a infraestrutura que foi melhor em municípios de pequeno porte, e alto IDHM, e baixa cobertura de estratégia de saúde da família.

 “Foram evidenciadas importantes disparidades entre as regiões geopolíticas quanto à disponibilidade da infraestrutura e de medicamentos, mostrando iniquidades quanto à distribuição das ações e serviços relacionados a assistência farmacêutica, com penalização das regiões mais pobres do país, contrariando o princípio da equidade estabelecido na lei orgânica da saúde, sendo necessário repensar a gestão da assistência, de forma a garantir o acesso qualificado ao medicamento com capilaridade para todas as UBS brasileiras, a partir da execução correta dos mecanismos previstos para a implementação da assistência farmacêutica no SUS”, enfatizou Orácio Carvalho.

Outro aspecto importante do estudo foram os altos percentuais de adequação da assistência farmacêutica em municípios com baixa cobertura da Estratégia Saúde da Família, revelando que a presença dessa estratégia nos municípios não se traduz necessariamente em melhor assistência para a população, contrariando uma das finalidades essenciais, que é melhorar a oferta dos serviços de saúde para as regiões mais vulneráveis do país, incluindo o acesso ao medicamento.

Segundo Orácio, a assistência farmacêutica no Brasil apresenta fragilidades em seu desempenho. “Percebe-se que a assistência farmacêutica na atenção básica da saúde no Brasil é permeada por importantes fragilidades em pontos estratégicos de sua execução, principalmente em municípios pequenos e situados em regiões pobres do país, inferindo a necessidade de qualificação da gestão da assistência farmacêutica com o intuito de capilarizar com qualidade a disponibilidade de medicamentos nos serviços de atenção básica, garantindo dessa forma, o acesso da população aos medicamentos básicos, reduzindo iniquidades sociais”.

Orácio relata que a proximidade com pesquisas avaliativas na área de saúde surgiu desde a universidade. “Desde a graduação, sempre tive interesse por estudos que avaliassem a eficiência das ações e serviços de saúde na atenção básica. Ainda durante os anos de formação superior, tive a oportunidade de realizar dois ensaios descritivos que avaliaram a qualidade de ações programáticas no contexto da atenção básica. Na especialização, tive a oportunidade de desenvolver um estudo sobre avaliação de conhecimentos de profissionais de saúde sobre reanimação neonatal. Nesse sentido, é perceptível a minha aproximação para com estudos de natureza avaliativa no contexto da saúde”.

SOBRE O PPGVIDA

O PPGVIDA é um programa de mestrado do ILMD/Fiocruz Amazônia, que tem por objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia;  planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.

As defesas ocorridas no âmbito dos programas do ILMD/Fiocruz Amazônia são abertas ao público. Outras defesas do PPGVIDA devem ocorrer ao longo deste segundo semestre.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Aula inaugural do PPGVIDA aborda relevância das pesquisas em saúde

“Por que fazer pesquisa em saúde?” foi o questionamento trazido no tema da aula inaugural do curso de mestrado acadêmico do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), ocorrida nesta segunda-feira, 28/8.

O tema foi apresentado pelo Dr. Bernardo Lessa Horta, pesquisador visitante sênior do Instituto, professor associado da Universidade Federal de Pelotas e bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico nível 1A.

Para Horta, a temática proporciona uma ampla reflexão sobre temas que merecem ser pesquisados no campo da saúde. “A ideia dessa apresentação foi discutir um pouco sobre qual a relevância da gente fazer pesquisa na área da saúde, principalmente na saúde pública, quais diferentes aspectos podemos abordar em uma pesquisa e também como identificar temas importantes de serem pesquisados, explicou.

Esta é a terceira turma do mestrado PPGVIDA, o curso tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

Horta destacou a importância de ao término do curso os alunos apresentarem produtos de relevância para a ciência e também para a sociedade. “Nossa expectativa é que futuramente os alunos possam gerar bons produtos, que sejam relevantes do ponto de vista científico e também para a comunidade, abordando perguntas que mereçam respostas”.

Compuseram a mesa de abertura da aula inaugural, o pesquisador e palestrante Bernardo Lessa Horta, a coordenadora do PPGVIDA, Maria Luiza Garnelo, e a chefe do serviço de pós-graduação do ILMD, Rosana Parente.

A coordenadora do PPGVIDA, Dra. Luiza Garnello, parabenizou os alunos pela seleção no mestrado. “É um grande prazer receber essa nova turma de mestrandos. Quero parabeniza-los pelo sucesso da aprovação na seleção, foi um processo bastante concorrido, com bastante dificuldades pra que eles chegassem onde estão, e lembrar que esse é o primeiro degrau, existe uma rota longa pela frente, muito trabalhosa, mas certamente muito prazerosa”, disse.

Compõem o corpo docente permanente do curso os pesquisadores doutores Ana Cyra dos Santos Lucas, Ana Lúcia de Moura Pontes, Ani Beatriz Jackish Matsuura, Cláudia Maria Rios Velasquez, Evelyne Marie Therese Mainbourg, Felipe Arley Costa Pessoa, Felipe Rangel de Souza Machado, Flor Ernestina Martinez Espinosa, Jaime Larry Benchimol, James Lee Crainey, Julio César Schweickardt, Maria Jacirema Ferreira Gonçalves, Maria Luiza Garnelo Pereira, Maximiliano Loiola de Ponte Souza, Ormezinda Celeste Cristo Fernandes, Raquel Paiva Dias Scopel, Rodrigo Tobias de Sousa Lima, Rosana Cristina Pereira Parente, Sérgio Luiz Bessa Luz.

O curso conta ainda com a colaboração dos professores Adenilda Teixeira Arruda, Arlete Batista de Lima, Elsia Nascimento Belo, Evangeline Maria Cardoso e Karla Geovanna Moraes Crispim.

SOBRE O PPGVIDA

O programa visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica

A aula inaugural ocorreu no Salão Canoas, no ILMD/Fiocruz Amazônia. Durante a manhã, os alunos participaram de uma recepção realizada pela equipe do ensino, onde foram apresentados o regulamento do Ensino, regimento do PPGVIDA, manual do aluno e calendário acadêmico.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes/ ILMD/ Fiocruz Amazônia

 

Concurso Super Chef ILMD estimula habilidades culinárias e alimentação saudável

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) por meio do Núcleo de Saúde do Trabalhador (Nust-ILMD) promoveu na última quarta-feira (23/8) a primeira edição do concurso Super Chef ILMD.

O evento voltado ao público interno do ILMD/Fiocruz Amazônia foi realizado em parceria com o Programa Circuito Saudável, da Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST), vinculada à Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas (Cogepe) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As 10 melhores receitas do concurso serão publicadas no “Cantinho Saudável: Guia de receitas autorais, voltadas para a Saúde do Trabalhador”, uma publicação eletrônica que será produzida pelo Nust.

O Super Chef ILMD teve como objetivos estimular, exercitar e partilhar habilidades culinárias dos trabalhadores; promover a integração dos trabalhadores do ILMD; iIncentivar a prática de hábitos alimentares saudáveis; e valorizar e motivar o ato de cozinhar como atividade da vida prática

Segundo Rafael Petersen, coordenador do Nust-ILMD/Fiocruz Amazônia, a atividade foi pensada com base nos seguintes aspectos: estimular produções gastronômicas saudáveis, desenvolvidas por servidores, terceirizados, bolsistas e estagiários do ILMD.

Na primeira etapa da atividade os participantes gravaram vídeos de até 5 minutos, mostrando as etapas do preparo da receita, e fotografando o prato ou bebida saudável para validar a participação. Na etapa final, as 31 receitas selecionadas foram degustadas pela banca avaliadora, que escolheu as 10 melhores receitas.

Para a bolsista Bárbara Salgado, vencedora do “Super Chef ILMD”, a atividade motivou algumas adaptações em sua alimentação. “A ideia da Gincana promovida pelo Nust está sendo, de fato, uma grande reviravolta na mudança de hábitos de todas as pessoas envolvidas nesta Instituição de pesquisa. Um dos benefícios do Circuito Saudável é justamente as adaptações com foco na promoção da saúde”, destacou.

Bárbara contou ainda que foi um desafio pessoal pensar, criar e realizar um prato saudável. “Ouvi conselhos e sugestões do meu orientador e da minha família e, ao final, alberguei todas as dicas e tentei colocar no meu prato. Sou fã de hambúrguer, então, como desafio pessoal, decidi preparar um hambúrguer com elementos que eu não estava acostumar a cozinhar nem a consumir diariamente”.

A comissão julgadora foi formada pela nutricionista e coordenadora do Programa Circuito Saudável da CST-Cogepe/Fiocruz, Wanessa Natividade; pela coordenadora de Saúde do Trabalhador da Fiocruz, Fátima Rangel; pelo Vice-diretor de Gestão e Desenvolvimento Institucional do ILMD/Fiocruz Amazônia, Carlos Henrique Carvalho; pelo diretor de Esportes do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc), Roberto Lopes. A atividade contou ainda com a participação e julgamento do chef do restaurante Banzeiro Cozinha Amazônica, Felipe Schaedler, eleito chef do ano por três anos consecutivos.

Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Brasileiros formados no exterior disputam 1.410 vagas do Programa Mais Médicos

Profissionais brasileiros formados no exterior terão nova chance de ingressar no Mais Médicos. As 1.410 vagas remanescentes do atual edital de reposição do Programa estão sendo disputadas por 1.985 médicos com diplomas obtidos fora do país que tiveram a inscrição validada. Os profissionais têm até esta terça-feira (22) para escolher, por meio do site do sistema do Programa, as localidades de preferência entre as vagas disponíveis em 829 municípios e 9 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

Confira a lista dos municípios com vagas de reposição

As oportunidades foram disponibilizadas pelo Ministério da Saúde após ofertar as vagas em três chamadas aos médicos brasileiros com registro no país, que têm prioridade em todos os editais. Ao todo, o edital lançado em abril deste ano trouxe 2.394 vagas. As localidades em aberto são oriundas de desistências e de encerramentos de atividades de profissionais.

Além disso, também está incluído nesse quantitativo o processo de substituição de médicos cubanos da cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde, que encerraram a participação no Programa. A expectativa é realizar quatro mil substituições de médicos cooperados por brasileiros em três anos.

“O Ministério da Saúde reafirma o compromisso pela manutenção do acesso da população aos médicos do Programa, principalmente nas periferias das regiões metropolitanas e interior do país. O objetivo da reposição é justamente garantir que não haja desassistência nos municípios, dando continuidade ao atendimento prestado aos mais de 63 milhões de brasileiros beneficiados com esta ação”, destaca o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

O resultado com a alocação dos profissionais está previsto para esta sexta-feira (25/08). Após a seleção, os profissionais passarão por um módulo de acolhimento, que consiste em um período de três semanas de treinamento e avaliação. O objetivo é assegurar que os profissionais sejam qualificados para atuar no Programa Mais Médicos. O início das atividades desses profissionais está previsto para 9 de outubro.

O PROGRAMA

Criado em 2013, o Programa Mais Médicos ampliou à assistência na Atenção Básica fixando médicos nas regiões com carência de profissionais. O programa conta com 18.240 vagas em mais de 4 mil municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), levando assistência para cerca de 63 milhões de brasileiros.

Por Murilo Caldas, da Agência Saúde

Palestra discute sobre alimentação consciente no ambiente de trabalho

O Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) promoveu na última terça-feira (22/8), a palestra “Alimentação consciente no ambiente de trabalho”, ministrada pela nutricionista Wanessa Natividade, Tecnologista em Saúde Pública e coordenadora do programa “Circuito Saudável” da Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O objetivo da atividade foi despertar nos trabalhadores um nível de consciência em relação à alimentação que surge quando estamos atentos a todos os sentidos, pois, segundo a nutricionista, além da fome biológica temos a fome dos olhos, nariz, ouvidos, boca, mente e coração.

Em sua palestra, a nutricionista falou sobre o tema alimentação Saudável, abordando alimentação consciente, doenças crônicas não transmissíveis, a questão da obesidade e a política de nutrição saudável brasileira. “Quando passamos a observar a alimentação por um prisma mais ampliado, conseguimos observar que a partir dela, podemos prevenir diversas doenças crônicas como a obesidade, diabetes, hipertensão arterial e outras”, alertou Wanessa Natividade.

A ingestão adequada de líquidos foi outro tema destacado durante a apresentação. “A ingestão hídrica é fundamental, pois se o indivíduo não faz uma ingestão adequada compromete outros mecanismos, ou seja, o seu intestino não funciona bem, pode ocorrer uma desidratação, ou até mesmo casos de cefaleia, explicou.

CIRCUITO SAUDÁVEL

O Programa Circuito Saudável busca conscientizar a comunidade Fiocruz sobre a adoção de hábitos alimentares balanceados e de prática esportiva, visando a prevenção de doenças crônicas como o diabetes. O projeto tem coordenação da equipe de Nutrição do Núcleo de Saúde do Trabalhador (Nust/CST) e parceria com a Caixa de Assistência Oswaldo Cruz (FioSaúde) e Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN).

O programa visa transmitir conhecimentos sobre alimentação saudável e formar agentes multiplicadores, contribuir para o equilíbrio da alimentação individual e para mudanças dos hábitos alimentares, melhorar a qualidade da saúde, controle das doenças crônicas não transmissíveis e melhorar o perfil de sobrepeso e obesidade na instituição.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Cientistas da Fiocruz PE descobrem substância capaz de bloquear vírus zika

A descoberta de uma substância capaz de bloquear a produção do vírus zika em células epiteliais e neurais, realizada por pesquisadores do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, foi divulgada recentemente, na revista International Jornal of Antimicrobial Agents. O estudo mostra a atividade antiviral da substância 6-metilmercaptopurina ribosídica (6MMPr) contra o tipo de vírus Zika que circula no Brasil.

O pesquisador Lindomar Pena, que coordena o estudo, explicou como aconteceram os testes in vitro. Utilizando em todos os ensaios células epiteliais e neurais, os cientistas introduziram o 6MMPr, experimentando diferentes tempos e dosagens.

O resultado foi a diminuição da produção de vírus zika em mais de 99%, em ambas as linhas celulares. O estudo também constatou que a 6MMPr se mostrou menos tóxica para as células neurais, o que é um bom indicativo para futuros tratamentos de infecções no sistema nervoso. “Diante das manifestações neurológicas associadas ao zika vírus e os defeitos congênitos provocados pelo mesmo, o desenvolvimento de antivirais seguros e efetivos são de extrema urgência e importância”, afirma o pesquisador.

Tendo a 6MMPr se mostrado como promissor candidato antiviral contra o vírus zika, a pesquisa segue agora para uma avaliação in vivo adicional. O estudo, que teve duração de 1 ano, contou com recursos financeiros do CNPq e da Facepe.

Para acessar o artigo The thiopurine nucleoside analogue 6-methylmercaptopurine riboside (6MMPr) effectively blocks zika virus replication, clique aqui.

Fonte: Fiocruz PB