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Fiocruz Amazônia abre inscrições para o curso Filosofia da Ciência

De 5 a 20 de setembro estão abertas as inscrições para curso de atualização em Filosofia da Ciência, que é promovido pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). O curso é gratuito e destinado a alunos de graduação e pós-graduação. O objetivo da atividade é apresentar a fundamentação teórica (princípios e conceitos) sobre diferentes temas relacionados à filosofia da ciência.

Para o curso estão sendo disponibilizadas 30 vagas e o seu preenchimento obedece às condições dispostas no processo seletivo. A inscrição é feita pelo Campus Virtual da Fiocruz. Vale ressaltar que, ao preencher o formulário de inscrição, o candidato deve inserir o link do seu Currículo Lattes no local indicado.

As aulas acontecem no período de 30 de setembro a 4 de outubro, em horário integral (manhã e tarde), na sede do ILMD/Fiocruz Amazônia, à rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus. O curso será ministrado pelo professor Gilberto Barbosa Domont, docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A atividade é coordenada pela pesquisadora do ILMD/Fiocruz Amazônia, Priscila Aquino. Os alunos que tiverem pelo menos, 75% (setenta e cinco por cento) de frequência no curso, recebem certificado.

Saiba mais sobre o curso Filosofia da Ciência no Campus Virtual da Fiocruz.

 

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Nascimento

 

 

Roda de conversa na Fiocruz Amazônia destaca atuação de mulheres e meninas na ciência

Em comemoração ao dia internacional das mulheres e meninas na ciência, o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promoveu nesta segunda-feira, 11/2, uma roda de conversa sobre a atuação das mulheres no campo científico.

A atividade faz alusão à data instituída pela Assembleia das Nações Unidas em 22 de dezembro de 2015, visando propiciar ações que possam contribuir para a promoção do acesso integral e igualitário da participação de mulheres e meninas na ciência, tecnologia e inovação.

Segundo o diretor da Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz, a roda de conversa oportunizou a aproximação entre escola e Instituição, promovendo relevante reflexão sobre a importância das mulheres no fazer científico. “Nossa ideia foi trazer hoje uma roda de conversa, onde as mulheres que fazem ciência possam esclarecer ao público sobre o fazer científico dentro dos diversos espaços da nossa sociedade. Convidamos também uma escola estadual para estar junto conosco, vendo como isso acontece, no sentido de estimular cada vez mais a presença feminina na carreira científica”, explicou Luz.

Com o objetivo de oportunizar espaços para a discussão sobre gênero, ciência e alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que compõem a Agenda 2030, a Fiocruz Amazônia recebeu os alunos da Escola Estadual Angelo Ramazzotti, localizada no bairro Adrianopolis, em Manaus.

Para a estudante Andressa Souza, aluna do 3º ano do ensino médio, a atividade foi de grande importância, considerando o momento de escolha da carreira que quer seguir, e o ingresso na universidade. “Achei o debate muito bom, pois isso incentiva, principalmente nesse momento de confusão em nossas cabeças, no qual precisamos escolher o curso que iremos seguir. Sabemos que as mulheres ainda são minoria em algumas áreas do conhecimento por puro preconceito, e esse tipo de evento ajudar a esclarecer muitas dúvidas, além de nos encorajar”, explicou ela.

Participaram da roda de conversa as pesquisadoras Tanara Lauschner – professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e coordenadora do Programa Cunhantã Digital, Marne Vasconcellos – pesquisadora, professora da Ufam e diretora técnico-científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Alessandra Nava – professora e pesquisadora da Fiocruz Amazônia, e Heliana Belchior – aluna de Iniciação Cientifica da Fiocruz Amazônia. O debate foi mediado pela jornalista Marlúcia Seixas, assessora de comunicação da Fiocruz Amazônia.

Para a pesquisadora Alessandra Nava, além de promover a aproximação entre escola e Instituição de pesquisa, o evento é relevante também para desconstruir uma possível imagem de ciência inalcançável. “A história da Fiocruz é justamente essa, tentamos cada vez mais trazer a população para perto de nós, para deixar a ciência uma coisa palpável, sem aquele estereótipo que faz muitas pessoas pensarem que a ciência é uma coisa distante”, destacou.

Tanara Lauschner destacou a necessidade de debater mais sobre a resistência que algumas meninas encontram, ao decidirem ingressar em cursos estereotipados como “cursos de homens”. “É muito importante quando temos a oportunidade de encontrar os alunos do ensino médio para convidar os meninos, e principalmente as meninas a conhecerem mais sobre computação e escolherem essa área. Quando as meninas possuem interesse em cursar essas áreas, elas acabam encontrando alguma resistência no próprio meio em que estão inseridas, seja dos pais ou amigos, que acreditam que tais cursos não possuem características femininas.

Marne Vasconcellos abordou a importância de se estabelecer o entendimento do fazer científico. “É extremamente importante mostrar para esses estudantes a atuação das mulheres nos laboratórios, na pesquisa, na gestão da pesquisa, para que eles entendam que o pesquisador é um cidadão comum, que vai sair de casa para trabalhar todos os dias, mas que o trabalho dele nada mais é que tentar trazer respostas a partir de uma observação de algo importante, para trazer a cura de uma doença, para melhorar o ambiente, até mesmo para proporcionar melhor qualidade de vida”, pontuou.

SOBRE A DATA

O Dia foi instituído pela Assembleia das Nações Unidas em 22 de dezembro de 2015, com objetivo de propiciar ações que possam vir a contribuir para a promoção do acesso integral e igualitário da participação de mulheres e meninas na ciência, tecnologia e inovação.

O Dia Internacional de Mulheres e Meninas é um movimento liderado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pela Organização das Nações Unidas (ONU Mulheres). Foi aprovado pela Assembleia das Nações Unidas, em 22 de dezembro de 2015, por meio da Resolução A/RES/70/212.

A data foi celebrada em outras unidades da Fiocruz e confirma o compromisso da Fundação em propiciar espaços para a discussão sobre gênero, ciência e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que compõem a Agenda 2030.

 Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes

Pesquisa avalia eficácia de medicamento para pé diabético

“Avaliação da eficácia e segurança do fator de crescimento epidérmico recombinante (FCEhr) intralesional em participantes com úlcera de pé diabético no Brasil”. Assim foi batizado o protocolo de pesquisa clínica conduzido pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), que deverá envolver 304 participantes ao longo dos próximos seis meses. A iniciativa tem por objetivo avaliar a resposta dos pacientes brasileiros com diabetes e úlcera nos membros inferiores, caracterizando o quadro de pé diabético, ao medicamento cubano Heberprot-P®. Ao longo de oito semanas, metade desses 304 participantes da pesquisa receberá no mínimo 18 aplicações, por três vezes a cada semana, do produto. A outra metade, 152 participantes, receberá placebo.

A presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Hermelinda Pedrosa, será a investigadora principal (PI, na sigla em inglês) do trabalho. De acordo com ela, o pé diabético é uma das complicações crônicas que provoca grande impacto nos custos e na qualidade de vida dos pacientes diabéticos. O recente estudo, Annual Direct Medical Costs of Diabetic Foot Disease in Brazil: A Cost of Illness Study, indica que nos países em desenvolvimento, 25% dos diabéticos desenvolverão pelo menos uma úlcera do pé durante a vida, ou seja, uma pessoa entre quatro terá problema nos pés, desencadeados pela Neuropatia e complicados por Doença Arterial Periférica e Infecção, resultando em amputações.

O trabalho é baseado na população com diabetes em 2014 (9,2 milhões de pessoas), abaixo da atual, cerca de 13 milhões (IDF, 2017), e estima 43.726 pacientes com úlceras no pé, metade com infecção, e 22.244 pacientes com diabetes mellitus foram hospitalizados para procedimentos relacionados a Pé diabético. O custo total com esta complicação totalizou US$ 361 milhões, e o custo médio mais alto foi entre aqueles submetidos a amputação. Em recente publicação da Associação Americana de Diabetes, de maio, as complicações mais onerosas são a doença arterial periférica e as neurológicas.

Úlcera do pé diabético

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), pé diabético é a “situação de infecção, ulceração ou também destruição dos tecidos profundos dos pés, associada a anormalidades neurológicas e vários graus de doença vascular periférica, nos membros inferiores de pacientes com diabetes mellitus”. O comprometimento dos nervos periféricos dos pés e pernas, a Neuropatia diabética, decorre do excesso de glicose circulante no sangue, hiperglicemia, não controlada ao longo dos anos, e provoca perda da sensibilidade dos pés associada a deformidades semelhantes às que ocorrem na Hanseníase. Úlceras em pés de pessoas com diabetes são de difícil cicatrização, principalmente quando se instala  infecção.

Portanto, mesmo pequenos ferimentos nos pés desses pacientes podem se tornar um problema grave, levando– 40 mil por ano, no Brasil – à necessidade de amputação. Daí a importância de opções terapêuticas que colaborem para a cicatrização das úlceras, sobretudo se há neuropatia e má circulação, considerando-se que há aproximadamente 830 mil pessoas com esses problemas, segundo o estudo de 2014.

Hermelinda lembra que a descontinuidade das políticas públicas colabora para estes números, pois projeto iniciado de forma pioneira pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) do Distrito Federal, o “Salvando o Pé Diabético”, foi implementado na década de 1990 e contribuiu para a redução de 78% nas amputações. Os resultados fizeram com que o projeto se estendesse a outros estados, e até 2004 havia mais de 70 ambulatórios de Pé diabético na maioria dos estados brasileiros, após capacitação de médicos e enfermeiros, obtendo ainda reconhecimento internacional.

O Heberprot-P® é uma alternativa para diminuir as internações prolongadas e aos desafios trazidos pela descontinuidade das políticas, com a inexistência de uma linha de tratamento padrão. Criado no Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB), em Havana, Cuba, o medicamento é aplicado no sistema de saúde cubano desde 2007, como parte do programa de assistência primária aos pacientes com úlcera diabética do país caribenho. Lá, seu uso foi aprovado após estudos com mais de quatro mil pacientes participantes. Desde o início de seu uso, os casos de amputação foram reduzidos em mais de 80%.

A pesquisa conduzida por Bio-Manguinhos/Fiocruz poderá confirmar se seu uso realmente acelera a cicatrização de úlceras profundas e complexas, tanto neuropáticas quanto isquêmicas, dos pacientes brasileiros com úlcera do pé diabético.

TRABALHO ABERTO À COLABORAÇÃO

Para pactuar como a pesquisa clínica será conduzida, Bio-Manguinhos/Fiocruz recebeu em meados de junho profissionais do Hospital Regional de Taguatinga (DF), da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia, da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas, do Hospital Universitário Agamenon Magalhães (PE), da Universidade Federal da Paraíba, do Hospital de Servidores do Estado do Rio de Janeiro, do Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) e também do laboratório que desenvolveu o produto, o CIGB cubano.

O diretor do Instituto, Mauricio Zuma, lembrou a todos sobre a importância do estudo, que poderá beneficiar milhares de pessoas, e agradeceu aos profissionais pela parceria na captação e acompanhamento dos participantes do estudo. Coordenadora da Assessoria Clínica de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Maria de Lourdes de Sousa Maia, lembrou que o trabalho junto aos 304 participantes terá de obedecer ao cronograma de seis meses, já que o trabalho está organizado a ter seu início, sustentação e conclusão.

Ela ressaltou ainda a importância de dialogar e esclarecer às associações de pacientes sobre a importância da empreitada. “Eles precisam ter a dimensão de que vamos iniciar este estudo clínico. Fazer a divulgação nos estados, envolver as equipes de Saúde da Família, empoderar, abrir as portas para a colaboração de novos atores”, destacou.

Hermelinda afirma que as atuais opções de tratamento em uso não conseguiram recomendação forte pela qualidade baixa das evidências e o Heberprot® é considerado, na revisão sistemática de 2016 pelo IWGDF (International Working Group on the Diabetic Foot), o qual ela representa no Brasil, “uma medicação promissora mas que requer um estudo de melhor desenho”. Por isso, o protocolo do estudo contou com a participação de experts internacionais do tema, William Jeffcoate e Fran Game, além da equipe brasileira.

“Há expectativa de que este estudo encontre respostas para questões até agora não respondidas nas pesquisas realizadas em Cuba. A perspectiva de ter um produto para acelerar a granulação e também promover o fechamento da úlcera de forma integral pode resultar em ganhos econômicos e sociais, com impactos diretos e indiretos sobre o Sistema Único de Saúde”, aposta Hermelinda.

Segundo o cronograma, os resultados completos podem estar disponíveis em cerca de um ano e meio. “São seis meses para obter os dados de cada participante. No entanto, o estudo tem alta complexidade de inclusão e exclusão de participantes, provenientes de um segmento de pacientes de difícil acompanhamento e o prazo pode ter de ser estendido”, concluiu Hermelinda.

 Bio-Manguinhos/Fiocruz, por Paulo Schueler

Evento debate abertura de dados para pesquisa na Fiocruz

O evento Abertura de dados para pesquisa na Fiocruz: perspectivas de um novo paradigma da Ciência reuniu (15/6) pesquisadores, gestores e estudantes e marcou o início das discussões sobre Ciência Aberta com a comunidade da instituição. Durante o encontro, que aconteceu no auditório do Museu da Vida, no campus Manguinhos, no Rio de Janeiro, foi apresentado o Termo de Referência, documento produzido pelo Grupo de Trabalho em Ciência Aberta (GTCA) com objetivo de subsidiar o debate sobre o tema e orientar o processo que resultará na implementação de uma nova política de abertura de dados para pesquisa na Fiocruz.

“Essa é uma discussão que está na porta e o que temos que fazer é ter uma discussão madura do nosso papel nesse processo”, explicou o vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz), Manoel Barral, que conduziu a abertura do evento a partir da visão estratégica da Fiocruz sobre a abertura de dados para pesquisa.

Coordenadora de Informação e Comunicação da Vpeic/Fiocruz e também do GTCA, Paula Xavier apresentou um panorama da abertura de dados, conceitos, desafios e seus impactos no processo científico. “Alguns estudos comprovam que 80% do tempo da pesquisa é dedicado a organização dos dados. Essa capacidade de reuso em novos contextos e pesquisas futuras é profundamente importante”, apontou Paula, que defendeu ainda que o debate aconteça de forma ampla na Fiocruz.

Paula lembrou que a Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, em vigor na Fiocruz desde 2014, significou um salto na sistematização da produção científica da instituição. “Fomos desafiados a pensar na ampliação do acesso aberto agora também com a abertura de dados”, pontuou, lembrando da realização do Livro Verde, pelo GTCA, publicação que mapeou países protagonistas na discussão e apresenta um amplo panorama sobre o assunto. “A gente não quer se posicionar só por pressões externas, é importantes sermos propositivos. Nenhuma outra instituição no Brasil está pensando numa política como essa”, afirmou Paula, que apresentou ao público as diretrizes presentes no Termo de Referência.

PALESTRAS

O diretor de documentação da Universidade do Minho (Portugal) e referência mundial no assunto, Eloy Rodrigues iniciou as apresentações que tinham como objetivo abordar as dimensões da abertura de dados em saúde. Rodrigues falou sobre dados abertos no Horizonte 2020 e das estratégias da União Européia para o assunto, além de apresentar alguns documentos do contexto europeu para financiamentos. “Não há Ciência Aberta sem acesso aberto universal e sem dados FAIR”, afirmou.

Rodrigues explicou também como funciona o Projeto Foster, iniciativa realizada em Portugal, Holanda, Reino Unido, Espanha, Dinamarca e Alemanha, sob o objetivo de investir em capacitação e contribuir para uma mudança real na prática dos pesquisadores europeus, no sentido de promover uma transformação cultural e tornar a Ciência Aberta uma norma no continente. “É necessário aplicar essa metodologia no dia a dia”, defendeu.

 O potencial do uso de dados administrativos com finalidade de pesquisa, a partir da perspectiva da produção de conhecimento em saúde, foi apresentado pelo coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) Maurício Barreto, que abordou o uso de dados coletados sem finalidade de pesquisa no Sistema de Saúde e a mudança veloz no cenário de investigação. “Hoje grande parte de nossas pesquisas tem etapas de produção de dados muito grande e é comum ver as pesquisadores se sobrepondo em suas pesquisas”, comentou. “Esse novo modelo vai ser cada vez mais intersetorial e compartilhado”, defendeu.

 A abertura de dados no contexto de emergência sanitária foi o tema abordado pela pesquisadora do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde da Fiocruz (INCQS/Fiocruz) e do Grupo de Trabalho em Ciência Aberta, Vanessa Arruda. Ela compartilhou os resultados preliminares do trabalho de Doutorado em Ciência da Informação no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), no qual ouviu pesquisadores atuantes durante a epidemia do vírus zika, uma reflexão sobre a abertura de dados nesse cenário e experiências como a do Reino Unido, com o ebola, em 2014.

 Especialista em proteção de dados e privacidade e assessor jurídico do GTCA, o advogado Danilo Doneda encerrou a programação das palestras do evento. Membro da equipe que incide sobre os marcos regulatórios no contexto da Ciência Aberta, ele falou sobre ausência de leis e princípios que abordem especificamente este tema e mostrou como as normas já existentes ou em andamento (como o PLC 53/2018) sobre a proteção dados pessoais podem influenciar na abertura de dados para pesquisa.

DEBATE

Após as apresentações, o público presente aproveitou o espaço de fala para elogiar a iniciativa do GTCA, trocar experiências, fazer sugestões e tirar dúvidas com os palestrantes.

“Adorei a discussão e o fato da Fiocruz estar se organizando para entrar nessa frente, que é mundial, de compartilhamento de dados de informações para aumentar a capacidade de análise na área científica, para a gente dar respostas melhores para necessidades da humanidade”, elogiou a  pesquisadora da Fiocruz, Maria do Carmo Leal.

“Não é um caminho que a gente vai trilhar de um dia para o outro, nós devemos enfrentar algumas incompreensões de pesquisadores, devemos ter também outro conjunto de pesquisadores que vai aderir facilmente porque já sabem da discussão e já compartilham dessa ideia de democratizar ao máximo todo conhecimento científico. Espero que a gente construa essa condição que vai implicar em uma série de questões de infraestrutura, repositório das pesquisas, por exemplo, e também criar essas condições como se falou hoje, de harmonização institucional em relação a questão, compartilhando o que tem de mais atual e avançado do ponto de vista da ciência em benefício da humanidade”, complementou.

PRÓXIMOS PASSOS

Após a abertura do diálogo firmada nesta sexta, os próximos três meses serão marcados por ampla divulgação e circulação em canais de comunicação. Em seguida, o debate será levado para grupos, Câmaras Técnicas, Fórum das Unidades Regionais, Acervos, Redes de Pesquisa e outros espaços, onde o diálogo será amadurecido e o Termo de Referência aprimorado. No final de agosto, uma consulta pública será realizada para receber contribuições da sociedade. A última etapa é a apreciação do documento pelo Conselho Deliberativo, em novembro.

Na ocasião também foi lançada a página da Ciência Aberta no Portal da Fiocruz. Clique aqui para conferir.

Vpeic/Fiocruz, por Maira Baracho
(foto: Pedro Linger)

Vacinação contra sarampo é essencial para que países mantenham eliminação da doença nas Américas, reitera OPAS

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) adverte que, ante os surtos de sarampo nas Américas, os países devem redobrar esforços para vacinar suas populações, fortalecer a vigilância a fim de detectar possíveis pacientes e implementar medidas para responder rapidamente a qualquer caso suspeito, em uma atualização epidemiológica publicada nesta sexta-feira (16).

A região foi declarada por um Comitê Internacional de Especialistas como livre da rubéola e da síndrome da rubéola congênita, em 2015, e do sarampo, em 2016. A eliminação dessas três doenças foi o ponto culminante de um esforço de 22 anos que incluiu a vacinação em massa contra o sarampo, a caxumba e a rubéola em todo o continente. No entanto, como o vírus do sarampo é altamente contagioso e permanece em circulação no resto do mundo, como o vírus da rubéola, a região corre o risco de surtos dessas doenças.

Nos primeiros meses de 2018, são nove os países que relataram casos confirmados de sarampo: Antígua e Barbuda (1 caso), Brasil (14 casos), Canadá (4 casos), Colômbia (1 caso), Estados Unidos da América (13 casos), Guatemala (1 caso), México (4 casos), Peru (2 casos) e Venezuela (886 casos no total, 159 em 2018), aponta a atualização epidemiológica.

Em 2017, quatro países relataram casos confirmados de sarampo: Argentina, Canadá, Estados Unidos e Venezuela. Além disso, os casos na região europeia quadruplicaram em 2017, o que aumenta o risco de casos de sarampo serem importados para países das Américas. A OPAS/OMS vem alertando sobre esta situação desde maio de 2017 e em sucessivas atualizações epidemiológicas.

Ante esta situação, a OPAS/OMS recomenda a seus países:

1 – Vacinar a população para manter uma cobertura homogênea de 95% com a primeira e a segunda dose da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola em todos os municípios.

2 – Fortalecer a vigilância epidemiológica do sarampo para detectar casos suspeitos nos serviços de saúde públicos e privados.

3 – Dar uma resposta rápida ao detectar casos importados de sarampo, com o objetivo de evitar o restabelecimento da transmissão endêmica do vírus (ou seja, que existe de forma contínua e constante dentro de uma determinada região), incluindo a ativação de equipes que deem seguimento aos casos e seus contatos.

4 – Manter uma reserva de vacina sarampo-rubéola para ações de controle de casos importados em cada país da região.

Em 2017, os países das Américas se comprometeram a tomar medidas para manter a eliminação do sarampo, rubéola e síndrome da rubéola congênita, ao aprovar um plano de ação com esse objetivo. O plano enfatiza que, para manter a eliminação, os níveis de cobertura vacinal da população devem ser de 95% ou mais. Nos últimos cinco anos, a cobertura regional com a primeira dose da vacina contra o sarampo, a rubéola e a caxumba variou entre 92% e 94%.

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas e afeta principalmente as crianças. É transmitida por gotas no ar ou contato direto com secreções do nariz, boca e garganta de indivíduos infectados. Os sintomas consistem em febre alta, erupção cutânea generalizada em todo o corpo, nariz entupido e olhos avermelhados. Pode causar complicações graves, como cegueira, encefalite, diarreia grave, infecções de ouvido e pneumonia, especialmente em crianças com problemas nutricionais e pacientes imunodeprimidos.

Fonte: OPAS

Movimento cultural, roda de conversa, e homenagens marcam mês da mulher na Fiocruz Amazônia

O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, marca a luta contra o machismo, pelos direitos das mulheres e pelo fim das desigualdades de gênero. Em alusão ao mês da mulher, o Sindicado dos Trabalhadores da Fiocruz no Amazonas (ASFOC/AM) promoveu na última quinta-feira, 15/3, o evento “Entre Mulheres”, reunindo pesquisadoras, bolsistas, técnicas e colaboradoras do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

A programação teve início com a apresentação do grupo Maracatu Baque Mulher, um grupo de Maracatu de baque Virado, formado somente por mulheres batuqueiras. Fundado em 2016, o grupo ressalta o empoderamento de mulheres cis e trans, prezando pela sororidade, afirmando que as mulheres exibem perfeita condições instrumentais para tocar tambores, e que o fazem com maestria.

O Maracatu Baque Mulher está empenhado com a difusão da cultura afro-brasileira, manutenção e preservação dos saberes tradicionais, igualdade social, igualdade de gênero e racial. Durante a apresentação, Carla De Paula, integrante do grupo e bolsista da Instituição, relembrou a frase de sua autoria, vencedora do concurso cultural que selecionou mensagens sobre empoderamento, para compor a Homenagem da Presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) pelo Dia Internacional da Mulher.

A seleção foi feita pela Campanha do Dia Internacional da Mulher, promovida pela Coordenação de Comunicação Social da Presidência (CCS), com apoio da Editora Fiocruz. A campanha lançou a seguinte pergunta: O que você faz para se empoderar ou empoderar as mulheres ao seu redor? “Acolho as outras mulheres como irmãs, amigas e companheiras. Empoderar-se e empoderar é fortalecer o protagonismo feminino perante à sociedade. Empoderamento é autoconhecimento”, enfatizou Carla.

HOMENAGEM

Na oportunidade, as mulheres da Fiocruz Amazônia juntamente ao diretor, Sérgio Luz, prestaram homenagens à vereadora Marielle Franco, assassinada em seu carro, com o motorista Anderson Pedro Gomes, na quarta-feira (14), na Zona Norte do Rio de Janeiro. “Nos unimos a essas manifestações que estão ocorrendo, devido ao assassinato da Marielle, uma pessoa que tinha ligação direta com a área de ensino da Fiocruz. É com muito pesar que hoje estamos prestando essa homenagem, tentando nos unir aos diversos atos que estão acontecendo pelo Brasil inteiro e pelo mundo”, pontuou Sérgio Luz.

Vereadora do PSOL, mulher, negra, nascida e criada na Maré, ativista dos Direitos Humanos, Marielle era grande parceira e colaboradora da Fiocruz. No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, durante a abertura do ano letivo da Fundação, com o tema Olhares femininos no cárcere, Marielle falou sobre a garantia dos direitos, especialmente das mulheres negras, na sociedade brasileira.

RODA DE CONVERSA

Mediada pela pesquisadora Muriel Saragoussi, socioambientalista e bolsista do Instituto, a roda de conversa: “O empoderamento feminino na sociedade contemporânea” trouxe para o centro do debate o empoderamento das mulheres e suas jornadas nas diversas áreas de atuação profissional, incluindo o campo da pesquisa científica.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes

 

 

 

 

Fiocruz desenvolve molécula para tratamento de leucemia

Os resultados de uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Carlos Chagas (ICC/ Fiocruz Paraná) abrem novas perspectivas para o tratamento de câncer, em especial da Leucemia Linfóide Aguda (LLA). Tratada desde 1970 com terapia que inclui a enzima asparaginase extraída de bactérias, a doença atinge com mais frequência crianças e jovens. No Brasil, cerca de 4 mil pacientes dependem deste tipo de medicamento, importado e utilizado pelos serviços de oncologia do Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo desenvolveu uma versão inovadora da asparaginase humana, que passou a ter maior atividade bioquímica após mudanças em sua estrutura, o que confere a ela um potencial terapêutico. A descoberta feita pelos inventores Stephanie Bath de Morais, Nilson Zanchin e Tatiana Brasil, com pedido de patente já depositada, abre perspectivas para o tratamento com uma enzima mais especifica e menos tóxica, uma contribuição importante para o tratamento da leucemia infantil.

 “A enzima obtida a partir de bactérias, embora efetiva no tratamento, provoca uma reação forte do sistema imunológico, causando diversos efeitos colaterais no paciente. A vantagem de se utilizar no tratamento uma proteína de origem humana seria a diminuição dos efeitos colaterais decorrentes do reconhecimento de uma molécula estranha. As células humanas produzem a asparaginase, porém a proteína nativa não apresenta atividade suficiente para utilização como medicamento. Utilizando a expertise do nosso grupo, nosso objetivo foi o de investigar a estrutura dessa molécula. Então, foram realizadas mudanças na sua estrutura que resultaram em atividade compatível com potencial uso terapêutico”, explica a pesquisadora do Laboratório de Proteômica e Engenharia de Proteínas, Tatiana Brasil. “Em quatro anos de pesquisa, identificamos as mudanças necessárias na estrutura da asparaginase humana e produzimos uma molécula inovadora no laboratório”, comemora.

Além da diminuição dos efeitos colaterais causados pelo medicamento disponível hoje no mercado, a descoberta pode abrir a possibilidade de produção nacional de um biofármaco com utilização essencial no tratamento da leucemia. “Hoje, o Brasil importa a asparaginase bacteriana que é utilizada nos serviços de oncologia cadastrados pelo SUS. Com a produção nacional dessa molécula humana inovadora, teríamos a possibilidade de melhorar o tratamento, baratear o custo e reduzir a dependência das importações”, ressalta Tatiana.

Os resultados também reforçam a característica de inovação das pesquisas desenvolvidas nos laboratórios da Fiocruz Paraná. O grupo foi orientado, durante todo o processo de proteção patentária, pelo Núcleo de Inovação Tecnológica da Fiocruz Paraná. “Passamos por duas avaliações e nossa descoberta está com o pedido de patente depositada. Não encontramos dificuldade no processo de proteção, pois os profissionais da Fiocruz nesta área estiveram presentes desde o início do projeto”, lembra a pesquisadora. “Nosso próximo passo é otimizar o processo de produção, e produzirmos a molécula humana modificada em quantidade suficiente para que possamos realizar os testes pré-clínicos a fim confirmar o potencial farmacológico dessa enzima”, finaliza Tatiana.

Conheça a atuação do Laboratório de Proteômica e Engenharia de Proteínas da Fiocruz Paraná aqui.

Fiocruz Paraná, por Renata Fontoura
Fonte: AFN Notícias
Foto: Fiocruz Paraná

1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde vai debater fortalecimento do SUS

Tem início nesta terça-feira (27), em Brasília, a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde. Organizada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), o objetivo é propor diretrizes para a formulação da Política Nacional de Vigilância em Saúde e o fortalecimento de ações de Promoção e Proteção à saúde.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, participa da abertura da Conferência, ocasião em que fará um balanço das ações de vigilância em saúde. O fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a democracia, a importância do olhar para o território, as responsabilidades do poder público e o lugar da Vigilância em Saúde no SUS, estão entre os temas que serão discutidos com acadêmicos, especialistas, conselheiros de saúde, trabalhadores, usuários e gestores.

A abertura terá como tema Vigilância em Saúde: Direito, Conquistas e Defesa de um Sistema Único de Saúde (SUS) Público de Qualidade. O evento deverá reunir cerca de 2 mil pessoas de várias partes do Brasil que participaram de centenas de conferências, realizadas em 2017 em todo o país, tanto municipais quanto estaduais, distrital, macrorregionais, livres e plenária. Ao todo 170 propostas consolidadas nas etapas preparatórias serão levadas para a Conferência Nacional.

Para discutir questões nos eixos de Vigilância em Saúde: Direito, Conquista e Defesa de um SUS Público de Qualidade; O Lugar da Vigilância em Saúde no SUS e Saberes, Práticas, Processos de trabalhos e Tecnologias na Vigilância em Saúde; e Responsabilidades do Estado com a Vigilância em Saúde e Vigilância Participativa e Democrática para o Enfrentamento das Iniquidades Sociais em Saúde, a Conferência Nacional vai reunir palestrantes como: o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa; a procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de SP, Élida Graziane; o professor do Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Norberto Rech; e o ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo.

A 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde surgiu a partir dos resultados da 15ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 2015, e em decorrência de diversos debates ocorridos no Conselho Nacional de Saúde em torno de variadas agendas. O evento será realizado, até o dia 02 de março, no Centro de Eventos da Ascade (SCES Trecho 2, Conjunto 10, Lote 18, Asa Sul, Brasília). A abertura oficial será as 18 horas.

Para saber mais:

Conheça a programação e os palestrantes da 1ª CNVS

Conheça o Caderno das Propostas Consolidadas para a 1ª CNVS

Agência Saúde, Por Ana Cláudia Amorim
Fonte: Minstério da Saúde

Projeto busca vírus que possam causar pandemias globais

A revista Science publicou, nesta sexta-feira (23/2), um artigo que descreve um projeto que quer fazer diferente usando um velho conselho: é melhor prevenir que remediar. O artigo trata do Projeto Viroma Global (PVG), iniciativa internacional que propõe uma estratégia absolutamente diversa da que tem sido adotada ao combate dos riscos virais. A proposta do PVG é identificar e caracterizar os vírus com potencial de risco, gerando conhecimento que possibilite antever as próximas epidemias e mitigar seus danos. Os cientistas do PVG estimam que há aproximadamente 1,6 milhão de vírus desconhecidos no mundo. Entre eles, de 600 a 800 mil deles podem infectar o homem. Os cientistas do PVG querem saber quem são eles e qual caminho podem seguir. O grupo de cientistas pretende caracterizar os patógenos emergentes, identificar práticas e comportamentos que levam a propagação e ampliação da doença e propor conjunto de medidas para caso de emergências.

A proposta, embora audaciosa, está sustentada em evidências robustas coletadas pelo Predict – um projeto piloto, conduzido pela Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (USAIDS) com foco no fortalecimento de competências e estruturas laboratoriais para detectar e prever pandemias a partir de vírus que são transmitidos da relação entre animais e humanos. Para alcançar seu objetivo, o PVG pretende ampliar e fortalecer laboratórios de virologia existentes e criar uma base de dados de larga escala em ecologia e genética de vírus de alto risco propondo transformar a ciência básica em virologia em uma área de conhecimento baseada em big data.

O Predict, em oito anos, com U$ 170 milhões e mais de 30 países parceiros, conseguiu coletar aproximadamente 250 mil amostras de mais de 90 mil origens e identificou aproximadamente mil novos vírus. Capacitou mais de 4 mil profissionais e tem 50 laboratórios em plena atividade. Os números demonstram o acerto na abordagem OneHealth, que considera a intrínseca relação entre a população, animais e o meio ambiente para o mapeamento de vírus que representam perigo para a saúde.

De fato, 75% dos patógenos emergentes é transmitido por animais. De acordo com o artigo publicado na Science, o PVG estima que a maioria da diversidade viral de nossos reservatórios zoonóticos podem ser descobertos, caracterizados e avaliados em um prazo de dez anos. De acordo com o artigo, a iniciativa dependerá da adoção de tecnologias de ponta para sequenciamento além da colaboração entre virologistas, epidemiologistas e modeladores, novas estratégias para avaliar as relações entre vírus e hospedeiros, e conhecimento nas áreas de biologia evolutiva, modelagem de biodiversidade, veterinária, entre outras.

O Brasil faz parte dessa iniciativa. O coordenador do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias em Saúde (CDTS/Fiocruz), Carlos Morel, é co-autor do artigo da Science e participa da governança do projeto ao lado do diretor da Unidade de Desenvolvimento e Segurança da Saúde Global da Agência Americana para Ajuda Internacional, Dennis Carroll. O Brasil é um hotspot para pesquisas e coleta de amostras dada a alta probabilidade de extrapolação dos vírus de seus reservatórios para o ser humano.  Além disso, o país tem cientistas com importantes contribuições para a compreensão e prevenção de doenças emergentes virais, como o especialista em virologia do CDTS Thiago Moreno, que a partir do sequenciamento e análise do comportamento do vírus da zika identificou a trajetória da epidemia e testa medicamentos já aprovados para tratar a doença e evitar que a transmissão do vírus para o feto. O Brasil tem biodiversidade, liderança, ciência e experiência em alianças internacionais.

Os organizadores do PVG estão estabelecendo um desenho de gestão transparente e com participação equitativa de cada país envolvido. Questões éticas, sociais, legais pautam as atividades científicas. Na prática, isso representa um esforço para construir protocolos de acesso a biodiversidade e patrimônio genético em conformidade com Protocolo de Nagoya e as regras dos países envolvidos, acordos para o compartilhamento de amostras, dados e potenciais benefícios na hipótese de desenvolvimento e comercialização de produtos e serviços, além de políticas de proteção da propriedade intelectual e compliance que estabelecem, de antemão, os valores e princípios que os parceiros devem observar, garantindo a proteção das populações e o meio ambiente e a primazia do interesse público e o bem comum. A estratégia de vigilância orientada e baseada no risco, voltada para a detecção de vírus no seu ambiente natural pode conduzir a intervenções eficientes antes do contágio de pessoas ou animais alimentares.

O custo da empreitada foi avaliado em US$ 1,2 bilhão, para aumentar a capacidade de identificação de patógenos, fortalecer capacidades e laboratórios existentes, colher dados e gerar conhecimento. Entre os benefícios, mais conhecimento pode oferecer respostas mais eficientes e rápidas aos surtos, nortear o desenvolvimento e aprimoramento de diagnósticos, medicamentos e vacinas. Entendendo como o vírus se comporta, é possível, inclusive, evitar que se espalhe e criar consciência global e regional e informar políticas para evitar ou mitigar a disseminação dos vírus.

Para fins de comparação, um recente estudo na área da economia da saúde avaliou que o Brasil gastou R$ 2,3 bilhões com dengue, chikungunya e zika, apenas em 2016. Considerado conservador pelos próprios autores, o estudo calculou custos diretos, como atendimento e medicamentos e ausência no trabalho, e indiretos, como o combate ao mosquito vetor, mas excluiu, por exemplo, despesas com tratamento da microcefalia e anos de vida perdidos. Pode-se dizer que o Brasil pagou o preço alto pela inação.

O Boletim Epidemiológico 3/2018 do Ministério da Saúde divulgou que mais de 3 mil crianças nasceram com malformação em virtude do vírus zika entre os anos de 2015 e 2017. Por malformação compreende-se microcefalia, comprometimento do sistema nervoso central, epilepsia, deficiências auditivas e visuais, dificuldade de desenvolvimento psicomotor, além de prejuízos nos ossos e articulações. Entre mais de 15 mil notificações de suspeitas de zika, 507 crianças morreram, desconsiderando abortos e natimortos.

Esse número ganha corpo com a história de Henrique, de 2 anos. Diagnosticado com microcefalia causada pela zika, tem dificuldades de se manter de pé, sentar ou sustentar a cabeça. Pouco fala e mal enxerga. As atividades de fisioterapia, fonoaudiologia, estimulação visual e terapia ocupacional que o menino faz desde o nascimento não têm promovido melhoras expressivas e a mãe de Henrique, apesar da esperança, pouco sabe sobre seu futuro.

Cientistas vêm descobrindo e descrevendo os efeitos das epidemias virais na medida em que seus danos ocorrem. Do mesmo modo que autoridades administrativas na área da saúde tomam decisões no auge dessas emergências. A fragilidade das ações em saúde pública que reagem a propagação de vírus novos e reemergentes não é exclusividade do Brasil. Agora mesmo, assistimos os EUA definindo como lidar com o H3N2, um tipo de influenza A, no meio da crise.

Há muito ainda para ser desenvolvido em termos de tecnologias para diagnósticos e tratamentos. Medicamentos e vacinas levam de 10 a 20 para seu desenvolvimento completo. É um processo longo, complexo, custoso e de alto risco. Por outro lado, aproximadamente três novas doenças virais surgem a cada ano. De acordo com o Ministério da Saúde, em apenas dois anos o número de mortos pelo chikungunya subiu de 14 (2015) para 173 pessoas (2017).

As tecnologias disponíveis não dão conta dos efeitos causados pelas doenças virais emergentes, seja porque pensadas para um grupo limitado de pacientes ou por falta de capacidade de produção e distribuição que garanta o acesso imediato de alto volume de tratamento ou vacinas. O vírus H1N1, por exemplo, foi detectado em 2009 e infectou quase 2 bilhões de pessoas em 73 países. Nesse mesmo prazo, como resposta sanitária, apenas 17% da população global foi imunizada.

Pensar em política públicas de saúde e desenvolver medidas de reparação após a dispersão do vírus expõe a população a danos trágicos, como os de Henrique. Estudos recentes estimam que o mundo conhece apenas 1% dos vírus que podem causar doenças. Mudanças demográficas e ambientais, além do mercado global e trânsito internacional de pessoas, contribuem para o aumento e propagação de vírus novos e reemergentes, como HIV, ebola, Mers, síndrome respiratória aguda grave (SARS), dengue, chikungunya, zika etc.

Detecção precoce é elemento imprescindível para combater as doenças virais emergentes. Nossa capacidade de lidar com as próximas epidemias está limitada pelo desconhecimento sobre essas ameaças. O PVG pretende abastecer a comunidade global com informações necessárias para detectar, prevenir e agir de maneira proativa às epidemias emergentes, mitigando o risco de futuras epidemias reduzindo o impacto das doenças como a zika, que afetou Henrique e sua família. Se o objetivo for alcançado, o preço é insignificante.

CDTS/Fiocruz, por Renata Curi Hauegen
Fonte: AFN

Projeto propõe alternativa para diagnóstico de meningites

Um projeto para diagnóstico e caracterização das principais bactérias causadoras de meningites, elaborado por Ivano de Filippis, biólogo do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), foi aceito em outubro no InovaBio. O programa é uma iniciativa de Bio-Manguinhos que irá disponibilizar recursos para pesquisas ligadas a inovações na área de biotecnologia. “Estamos desenvolvendo não só a parte do diagnóstico, nosso estudo também pretende identificar qual o tipo de agente etiológico. Assim, saberemos se é necessário vacinar a população e se novas bactérias estão circulando, o que tornaria necessária a produção de uma nova vacina”.

O estudo ainda está na fase inicial e pretende ser uma alternativa rápida, econômica e eficaz aos métodos de diagnóstico convencionais vigentes. O kit, de fácil uso, utilizará uma pequena quantidade de material clínico. O projeto irá adaptar uma técnica de PCR normalmente empregada para diagnóstico de certos tipos de câncer. “Continua tendo a mesma sensibilidade e especificidade do método anterior, porém é muito mais barato e pode ser realizado em hospital público”, enfatiza o biólogo.

Para a produção do futuro kit em escala, é necessário seu aperfeiçoamento e uma empresa disposta a fabricá-lo. “O nosso objetivo é atender às necessidades do SUS, conforme proposta de Bio-Manguinhos”, conclui.

O QUE É MENINGITE?

A causa mais comum das meningites é a infecção por bactérias, fungos, vírus ou protozoários. A doença é uma inflamação das meninges – membranas que envolvem o cérebro – e pode causar lesões como cegueira, surdez e, dependendo da gravidade, até a morte.

Por: Gabrielle Araujo (INCQS/Fiocruz)