Centro de Estudos vai abordar publicação de artigos em revistas internacionais

A palestra desta semana do Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), traz em seu título o questionamento “Como escrever e publicar artigos em revistas internacionais?”

O tema será abordado pela pesquisadora do Instituto Superior de Agronomia, da Universidade de Lisboa, doutora Marina Temudo. O encontro acontece na sexta-feira, 11/8, às 9h, no Salão Canoas, na sede do ILMD/Fiocruz Amazônia, à rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.

Segundo Claudia Ríos, Coordenadora do Centro de Estudos, e Vice-Diretora de Ensino, Comunicação e Informação do Instituto, “a palestrante falará sobre sua experiência como pesquisadora e sobre o processo contínuo de aprendizagem de escrita e publicação de artigos em revistas internacionais de alto impacto”.

Na ocasião, Marina Temudo abordará também temas relacionados a suas pesquisas, desenvolvidas no campo da agronomia política e ecologia política e humana, com abordagem interdisciplinar que inclui técnicas qualitativas e quantitativas. Seus trabalhos abrangem desde o uso da terra e mudanças na paisagem, até seguridade alimentar, conservação de agrobiodiversidade e conservação de recursos naturais indígenas.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.

ILMD/ Fiocruz Amazônia

Novos membros do Conselho Deliberativo do ILMD/Fiocruz Amazônia são apresentados

Foram apresentados nessa segunda-feira (7/8), os novos membros do Conselho Deliberativo (CD) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), durante reunião ordinária do Conselho.

A Comissão Eleitoral apresentou os titulares e suplentes, representantes das áreas de Pesquisa, Ensino e Gestão da Fiocruz Amazônia, eleitos para o biênio 2017-2019.

A eleição ocorreu na última sexta-feira (4/8), e a apuração foi feita em seguida pela Comissão Eleitoral. A Comissão da eleição foi instituída e homologada pelo Conselho Deliberativo do ILMD/ Fiocruz Amazônia, por meio da Portaria número 018, de 19/6/2017, para organizar e coordenar os trabalhos relativos às eleições.

Foram eleitos na área da pesquisa: Priscila Aquino e Pritesh Lalwani, com 67,65% dos votos; Rodrigo Tobias e Fernando Herkrath, com 70,51%; Stefanie Lopes e Amandia Souza, com 58,82%; Ani Beatriz Matsuura e Maria Jacirema, com 79,41% dos votos válidos. Na área da gestão foram eleitos Helena Coutinho e Carlos Fabrício da Silva, com 91% dos votos; e no Ensino foram nomeados Aldemir Maquiné e Anízia Aguiar, com 100% dos votos válidos.

Ascom ILMD/ Fiocruz Amazônia

Pesquisa avalia o processo de trabalho das equipes de saúde no Brasil

Começaram as defesas da primeira turma de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

“Avaliação da atenção básica com foco no processo de trabalho das equipes de saúde através do Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB – ciclo II)”, é o título da dissertação defendida por Bárbara Castro, sob a orientação da professora doutora, Rosana Parente.

O estudo avaliou a adequação do processo de trabalho das equipes de saúde do Brasil, através do PMAQ-AB, com base nos dados do segundo ciclo de avaliação do Programa, realizado no segundo semestre de 2014. Participaram da pesquisa 29.777 equipes de saúde distribuídas em 4.826 municípios brasileiros.

Segundo Bárbara Castro, seu interesse por estudos avaliativos na área da saúde foi despertado durante a vivência na Atenção Básica, enquanto participava de um programa de residência em saúde. “Essa experiência foi essencial neste processo de formação, para compreensão de como eram oferecidos os serviços de atenção à saúde da mulher, e como se articulavam com o sistema de saúde, de modo mais amplo”, explicou.

METODOLOGIA

O estudo pretende contribuir com a valorização da pesquisa, como ferramenta para fomentar a cultura da avaliação nos serviços de saúde e consequentemente subsidiar a tomada de decisões por parte dos trabalhadores, gestores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), além de fortalecer a Atenção Básica como modelo de atenção à saúde e auxiliar na realização de novas pesquisas avaliativas no Brasil, com foco no trabalho das equipes de atenção básica. “Essa pesquisa poderá contribuir com as autoridades sanitárias, os profissionais de saúde, a sociedade, o meio acadêmico e, em especial, os usuários que poderão exigir qualidade no atendimento integral à sua saúde”, comenta Bárbara.

Para analisar a adequação do processo de trabalho das equipes foram consideradas características demográficas e indicadores de saúde dos municípios do país, como: região geopolítica, porte populacional, índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e Cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF); e, posteriormente, foram realizadas associações dessas variáveis com a adequação do processo de trabalho das equipes.

RESULTADOS

Os resultados da pesquisa revelaram grandes desigualdades no processo de trabalho das equipes de saúde entre as regiões brasileiras, com impactos significativos no acesso e na qualidade da atenção à saúde na Atenção Básica. “A estas desigualdades pode-se atribuir as especificidades locais, assim como também a forte influência do IDHM, porte populacional e cobertura da ESF. No que tange às regiões geopolíticas o Sudeste e o Nordeste apresentaram o melhor perfil de equipes adequadas, em contrapartida a região Norte e o Centro-Oeste apresentaram os piores resultados de adequação do processo de trabalho das equipes de atenção básica. As equipes com a maior proporção de adequação foram encontradas em municípios de elevado porte populacional”, destacou a pesquisadora.

A análise aponta que o processo de trabalho das Equipes de Atenção Básica (EAB) é incipiente, fragmentado, desarticulado e que os entraves para a consolidação da Atenção Básica estão impregnados no contexto de saúde brasileiro. Embora o PMAQ-AB tenha sido instituído com o intuito de garantir um padrão de qualidade assistencial a nível local, regional e nacional, trata-se de uma pesquisa cuja avaliação é realizada com base num padrão de assistência defina pelas políticas nacionais do Ministério da Saúde (MS), sendo reproduzida nos mais diversos contextos de saúde do país.

“No cotidiano do serviço de uma unidade básica de saúde da família pude observar algumas condições estruturais, assistenciais, e inclusive o processo de trabalho da equipe, que comprometiam a continuidade do cuidado e a qualidade da assistência. O serviço contava com a atuação de uma equipe multiprofissional, mas pouco se visualizava a integração destes profissionais no cuidado a saúde dos indivíduos. Era intensa a hegemonia médica nas ações em saúde que deveriam ser em equipe, além das amplas relações de poder”, conclui Bárbara Castro.

SOBRE O PPGVIDA

O PPGVIDA é um programa de mestrado do ILMD/Fiocruz Amazônia, que tem por objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia;  planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.

As defesas ocorridas no âmbito dos programas do ILMD/Fiocruz Amazônia são abertas ao público. Outras defesas do PPGVIDA devem ocorrer ao longo deste segundo semestre.

Acompanhe programação de defesas aqui.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

 

 

Doação de leite humano auxilia desenvolvimento de prematuros

O bebê prematuro é aquele que nasceu antes de completar 37 semanas de gestação e a amamentação para ele é essencial pois, oferecida de forma exclusiva, diminui significativamente a incidência e a gravidade de algumas doenças específicas, que só ocorrem nessa fase da vida do bebê. O leite materno nutre, auxilia no crescimento e desenvolvimento, além de facilitar a formação do vínculo entre mãe e bebê – um dos aspectos mais importantes para o recém-nascido prematuro.

Geralmente, o bebê prematuro permanece algum tempo internado até ganhar peso para poder ir para casa (a partir de 1.800g) e a alimentação é feita de acordo com esse peso, as condições clínicas e o grau de prematuridade. A pediatra do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Marlene Roque Assumpção explica que, quanto maior a idade do bebê, mais esperto ele será. “Nestes casos, o bebê poderá mamar diretamente no seio materno, mas quando for muito prematuro, o início da alimentação será pela sonda gástrica ou pelo uso do copinho, que é indicado quando a mãe não está presente no momento da mamada, ou quando o bebê cansa e não consegue extrair todo o leite que necessita”, explicou.

O prematuro é um bebê sonolento e, por isso, precisa ser acordado e estimulado nos horários das mamadas. Inicialmente, se houver muita dificuldade para sugar, a mãe deve ordenhar o leite e oferecer a ele em um copinho. “A frequência das mamadas vai depender de quantas vezes o bebê solicita o peito, tanto de dia quanto de noite, sendo indicado sempre a livre demanda. À medida que crescem vão se acomodando a um ritmo próprio de frequência e duração”, enfatizou Marlene Roque.

Para facilitar a interação, que pode ser mais difícil por conta da rotina da unidade de terapia intensiva neonatal (UTI neo), os pais podem falar com o bebê antes de tocá-lo. A voz suave da mãe o acalma e o toque carinhoso dá segurança e tranquilidade ao bebê. “Realizar o contato pele a pele com o bebê mantém a temperatura corporal, auxiliando na função pulmonar e cardíaca dele. Além disso, amamentar e fazer o método canguru também auxiliam bastante na recuperação do peso do bebê, bem como proporcionam o desenvolvimento”, aconselha a pediatra.

CUIDADOS PARA UTILIZAR O COPINHO:

1 – Lave as mãos antes de oferecer leite no copinho para o bebê;

2 – Observe a temperatura do leite (se não for o leite da mãe retirado no mesmo momento);

3 – Coloque o bebê em posição semi-sentada;

4 – Apoie a borda do copo no lábio inferior do bebê para evitar que ele empurre o copo para fora com a língua;

5 – Espere que o bebê sugue o leite e não o obrigue a engolir.

Não é recomendado oferecer o leite em mamadeira, pois o bebê se acostuma ao bico que é oferecido. “Quando o bebê mama no peito, realiza uma ordenha, que trabalha toda a musculatura facial. Na mamadeira, ao contrário, ele chupa o leite como chupamos um canudinho, não usando adequadamente os músculos faciais, podendo apresentar mais tarde, problemas dentários, respiratórios e de linguagem”, alerta a pediatra.

Há casos em que, por conta da prematuridade, a mãe não consegue produzir leite suficiente para alimentar o filho, neste momento o BLH local se faz essencial, pois é o leite doado a esse local que irá alimentar o bebê. “O leite doado aos BLHs e postos de coleta passa por um rigoroso processo de seleção, classificação e pasteurização até que esteja pronto para ser distribuído com qualidade certificada a bebês internados em unidades de terapia intensiva neonatais. Todas as mulheres em fase de amamentação e que produzam um volume de leite que excede a necessidade de seu filho podem doar. As lactantes também devem ser saudáveis e não podem fazer uso de medicamentos que impeçam a doação. Diferente da doação de sangue que necessita de coleta presencial, a doação de leite humano pode ser feita em casa e aos poucos, conforme orientações de higienização e armazenamento adequados”, esclareceu a pediatra.

Para se tornar doadora, basta entrar em contato com o BLH mais próximo e realizar um cadastro mediante apresentação dos últimos exames de sangue. A equipe irá orientar sobre a forma correta de coletar o leite. O leite humano a ser doado pode permanecer congelado por 15 dias. Antes deste período, a nutriz deve entrar em contato para providenciar a coleta em seu domicílio. Para esclarecer dúvidas, consulte o site da rBLH ou ligue gratuitamente para 0800 026 8877.

IFF/Fiocruz, por Juliana Xavier

Foto: Aline Câmera (IFF/Fiocruz).

Eleições para o CD/ ILMD: conheça as chapas

Neste ano, servidores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) elegem seus representantes no Conselho Deliberativo (CD) do Instituto.

A Comissão Eleitoral promoveu nesta terça-feira (1/8) encontros para a apresentação das chapas inscritas para o processo de escolha dos membros do conselho para o biênio 2017-2019.

A eleição será realizada na próxima sexta-feira (4/8), no período de 8h às 17h, a ocorrer na sala de reunião da Biblioteca. O servidor que não puder comparecer à urna no dia da eleição, poderá votar por e-mail:  comissaoeleitoral.ilmd@fiocruz.br .

A Comissão desta eleição foi instituída e homologada pelo Conselho Deliberativo do ILMD/ Fiocruz Amazônia, por meio da Portaria 018/2017, de 19/6/2017, para organizar e coordenar os trabalhos relativos às eleições.

A apuração dos votos será feita pela Comissão Eleitoral, imediatamente após o término da votação, nas dependências do ILMD.

Confira as chapas inscritas e cartas-compromisso

ENSINO

TITULAR: Aldemir Maquiné

SUPLENTE: Anízia Aguiar

 

GESTÃO

TITULAR: Helena Guedes Coutinho

SUPLENTE: Carlos Fabrício da Silva

 

PESQUISA

TITULAR: Priscila Aquino

SUPLENTE: Pritesh Lalwani

 

PESQUISA

TITULAR: Rodrigo Tobias Lima

SUPLENTE: Fernando Herkrath

 

PESQUISA

TITULAR: Stefanie Lopes

SUPLENTE: Amandia Souza

 

PESQUISA

TITULAR: Ani Beatriz Matsuura

SUPLENTE: Maria Jacirema Gonçalves

 

Concluído o maior mapeamento da diversidade genética do vírus da hepatite B

O mais completo levantamento da diversidade genética dos vírus da hepatite B já realizado no Brasil mostra que a pluralidade de origens da população brasileira se reflete também nos microrganismos que circulam no país. Liderado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o estudo é resultado da parceria entre onze laboratórios e instituições de pesquisa de todas as regiões, com apoio do Ministério da Saúde. Mais de mil amostras foram analisadas, referentes a casos crônicos de hepatite B registrados em mais de cem cidades de 24 estados e no Distrito Federal. Os resultados apontam que os casos brasileiros estão relacionados a sete dos dez genótipos do vírus da hepatite B identificados no mundo. A distribuição das variantes virais muda significativamente de uma região para outra e, até mesmo, de um estado para o outro. Os resultados foram publicados na revista científica Journal of General Virology.

Coordenadora do estudo, a chefe do Laboratório de Hepatites Virais do IOC, Elisabeth Lampe, explica que os vírus da hepatite B evoluíram junto com as populações humanas. Dessa forma, a distribuição geográfica das diferentes variantes genéticas – nomeadas por letras de A até J – está relacionada às origens das populações, sendo impactada pelas migrações e pelos deslocamentos populacionais. “O Brasil apresenta um cenário muito diferente dos outros países da América do Sul, onde o genótipo F do vírus da hepatite B – mais associado às populações americanas nativas – é predominante. No território brasileiro, vemos grande presença de genótipos associados com populações europeias e africanas, e chama atenção a ampla variação regional”, ressalta a pesquisadora.

Na literatura científica, apenas um trabalho, realizado no Canadá, apontou a presença de oito genótipos do vírus da hepatite B circulando em um mesmo país – um a mais do que o que acaba de ser verificado no Brasil. “Em comum, temos dois países continentais, com populações formadas por imigrantes de diferentes nacionalidades”, comenta Francisco Mello, pesquisador do Laboratório de Hepatites Virais do IOC e coautor do estudo. “No Brasil, conseguimos observar a presença de sete genótipos virais em um único estado: São Paulo, que além de ser o estado mais populoso da federação é formado por diversas comunidades de imigrantes e atrai um grande fluxo de visitantes internacionais”, completa.

O Laboratório de Hepatites Virais do IOC atua como referência nacional em Hepatites Virais junto ao Ministério da Saúde, e o esforço para traçar o mapa da diversidade genética do vírus da hepatite B no país foi realizado em resposta a uma demanda do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), Aids e Hepatites Virais. Estudos anteriores traziam dados limitados a algumas regiões do país e o trabalho mais abrangente produzido até então continha amostras de apenas nove estados – agora apenas Piauí e Rio Grande do Norte não foram incluídos na pesquisa. Para realizar o levantamento, os cientistas estabeleceram uma rede chamada de Grupo Brasileiro de Pesquisa em Hepatite B, com a participação de nove laboratórios públicos, com representação das cinco regiões do Brasil. Com financiamento do Ministério da Saúde, as unidades foram equipadas e receberam treinamento para realizar os testes de genotipagem que permitiram construir o mapa nacional de circulação do vírus. Em sete estados, esta é a primeira vez que os genótipos do vírus da hepatite B passam a ser conhecidos: no Amapá, Roraima, Ceará, Paraíba, Sergipe e Espírito Santo este tipo de investigação nunca havia sido realizado.

“Com essa grande colaboração, conseguimos obter e analisar mais de mil amostras, não apenas das capitais, mas também de dezenas de cidades do interior. Em grande medida, a origem das amostras reflete a distribuição da população brasileira no território nacional. Por isso, obtivemos um mapeamento abrangente e representativo da distribuição geográfica dos vírus da hepatite B”, destaca Elisabeth.

GENÓTIPOS PREDOMINANTES

Identificado em quase 59% dos casos analisados, o genótipo A do vírus da hepatite B foi o mais frequente no Brasil. Com perfil de distribuição considerado global, essa variante viral é encontrada com mais frequência no Norte da Europa, América do Norte e África Subsaariana, e foi predominante na maioria dos estados do Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Em segundo lugar, o genótipo D foi detectado em 23% dos casos no país. No entanto, essa variante viral – que também apresenta distribuição global, mas é associada principalmente com populações da Europa, Mediterrâneo e Oriente Médio – foi majoritária na região Sul, respondendo por cerca de 80% dos registros. Ligado às populações indígenas americanas, o genótipo F foi o terceiro mais frequente no levantamento nacional, com 11% dos casos. Porém, observando apenas o Nordeste, ficou em segundo lugar (cerca de 23% dos registros na região).

Com distribuição geográfica internacional conhecidamente mais restrita, os vírus B, C, E e G foram encontrados em baixo número de ocorrências. Associado à África Ocidental, o genótipo E respondeu por 1,8% das infecções, enquanto o genótipo G – identificado em alguns países das Américas e Europa – foi identificado em 1,3%. Ambos ligados a populações asiáticas, os genótipos B e C alcançaram apenas 1% dos casos analisados. “É interessante notar que, em São Paulo, esses genótipos raros no país responderam por 12% das amostras, refletindo o caráter cosmopolita do estado”, pontua Francisco. Um dos estados que tiveram o perfil genético dos vírus mapeados pela primeira vez, o Ceará apresentou um resultado surpreendente: foi o único do país a apresentar predominância do genótipo F, identificado em aproximadamente 53% das infecções. “Historicamente, moradores do Ceará se deslocam para áreas isoladas da região amazônica em busca de trabalho, o que pode explicar um contato mais frequente com populações indígenas e a maior presença dessa variante viral no estado”, acrescenta o pesquisador.

CONTRIBUIÇÃO PARA A VIGILÂNCIA

Segundo os cientistas, o mapeamento dos perfis genéticos dos vírus da hepatite B no Brasil deve contribuir para o controle da doença no país. “Esses dados são importantes para a chamada vigilância molecular, que é baseada na análise do genoma viral. Por exemplo, a detecção da introdução ou da maior disseminação de determinada variante viral em uma região pode indicar a necessidade de reforço nas medidas de prevenção da doença, especialmente a vacinação”, explica Elisabeth. Ela afirma também que a relação da variabilidade genética dos vírus com a progressão da doença tem sido investigada em diversos estudos. “Algumas pesquisas apontam que o genótipo viral pode influenciar no desenvolvimento de formas crônicas da hepatite B e na resposta ao tratamento. Até o momento, os dados não são suficientes para justificar alterações nas condutas terapêuticas, mas o conhecimento sobre a diversidade genética dos vírus no Brasil pode ter ainda mais aplicações no futuro”, completa.

O vírus da hepatite B é transmitido principalmente em relações sexuais. Além disso, o contágio pode ocorrer por via sanguínea, incluindo compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos que furam ou cortam. A infecção também pode ser passada da mãe para o filho, durante a gestação, o parto ou a amamentação. O vírus afeta principalmente o fígado e a maioria dos pacientes apresenta quadros agudos, que podem ser assintomáticos ou ter sintomas como enjôo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados. No entanto, 5% a 10% das pessoas infectadas evoluem para formas crônicas da doença, com duração maior do que seis meses e possibilidade de complicações como cirrose e câncer no fígado.

DIA MUNDIAL DE LUTA

A data de 28 de julho é declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, com o objetivo de aumentar a conscientização entre a população e o engajamento dos países no enfrentamento destas doenças. Segundo o Ministério da Saúde, no ano passado, foram diagnosticados 42,8 mil novos casos de hepatites virais no Brasil, sendo aproximadamente 14 mil casos de hepatite B. Elisabeth destaca que o diagnóstico tardio é um dos desafios no enfrentamento do agravo. “Na maioria dos casos, a hepatite B é uma doença silenciosa, que não apresenta sintomas antes do desenvolvimento das complicações crônicas. Por isso, é fundamental realizar o teste, que é oferecido gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS)”, enfatiza Elisabeth.

Os cientistas ressaltam que a infectividade do vírus da hepatite B é maior que a do HIV, mas é possível evitar a doença com a vacinação e outras medidas de proteção. “Atualmente, a vacina contra hepatite B faz parte do calendário de imunização infantil e está disponível para toda a população até 49 anos nos postos de saúde. Portanto, é fundamental que todos procurem se vacinar”, afirma Francisco. Usar camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, seringas e agulhas são outras ações importantes para prevenir o contágio. Os exames para detectar a infecção também devem ser realizados no pré-natal e, em caso positivo, há recomendações médicas especiais para o parto e a amamentação com objetivo de evitar a transmissão para o bebê.

Artigo: Lampe et al. Nationwide overview of the distribution of hepatitis B virus genotypes in Brazil: a 1000-sample multicentre study. Journal of General Virology 2017; 98: 1389-1398

 

 IOC/Fiocruz, por: Maíra Menezes

*Edição: Raquel Aguiar

Plataforma Zika apresenta seus primeiros resultados

A Plataforma Zika – Plataforma de vigilância de longo prazo para a Zika e suas consequências, no âmbito do SUS, projeto do Centro de Integração de Dados em Conhecimento para a Saúde (Cidacs/ Fiocruz), apresenta seus primeiros resultados com a realização das Feiras de Soluções para a Saúde – Zika, série de cinco – uma em cada região do País, a primeira será realizada em Salvador, entre os dias 8 e 10 de agosto de 2017.

O objetivo geral da plataforma é a integração de conhecimentos da coorte epidemiológica com diferentes bases de dados da saúde e de políticas de desenvolvimento social (CadÚnico/PBC), para acompanhamento de longo prazo das condições de vida de crianças nascidas entre 2001 e 2015, acometidas pelo vírus.

“A Plataforma foi proposta como uma contribuição da Fiocruz em resposta à emergência decorrente da epidemia de zika e da identificação das anomalias congênitas decorrentes da infecção na gestação, durante o primeiro semestre de 2016”, conta Wanderson Oliveira, membro da plataforma que conta com outros cerca de 50 pesquisadores, apoiadores e instituições participantes no Brasil e no exterior.

O estudo atuará em cinco eixos: Epidemiologia, Pesquisas, Redes, Segurança e Ciência aberta.  Cada eixo possui um responsável pela coordenação e gestão de projetos e subprojetos. Apesar de serem integrados, os mesmos possuem independência e agenda própria de atividades. A Feira de Soluções é um dos produtos esperados no desenvolvimento do Eixo 3.

O evento, promovido pela Fiocruz Brasília em parceria com o Centro, receberá centenas de expositores que apresentarão um importante conjunto de soluções para as arboviroses que acometem o Brasil.

Nos dois primeiros dias da Feira, a programação contempla também o Seminário Internacional da resposta brasileira ao zika vírus, organizado pelo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e parceiros.

Outro destaque será o Hackathon, maratona tecnológica em que os participantes serão desafiados a propor o desenvolvimento de softwares ou aplicativos que facilitem a prevenção e o combate às arboviroses como zika, dengue e chikungunya.

Ondas de infecções

Uma pesquisa sobre as duplas epidemias da infecção do vírus foi realizada por Wanderson Oliveira, resultado de sua tese de doutorado em epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em conjunto com estudiosos vinculados ao Ministério da Saúde e da UFGRS, o pesquisador utilizou dados obtidos através dos sistemas de informação de saúde, coordenados pelo Ministério da Saúde, de janeiro de 2015 até novembro de 2016, e analisou o agrupamento espacial da infecção durante a gravidez e da microcefalia no país, para obter a estimativa da densidade.

Os achados deste estudo foram publicados no periódico científico The Lancet, em 22 de junho, no artigo Infection-related microcephaly after the 2015 and 2016 Zika virus outbreaks in Brazil: a surveillance-based analysis. A pesquisa identificou duas ondas distintas de possíveis infecções pelo vírus zika que se estenderam em todas as regiões brasileiras no período analisado. Dados apontam que a distribuição da microcefalia relacionada à infecção após os surtos do vírus variou ao longo do tempo e nas regiões brasileiras. As razões para essas aparentes diferenças ainda não estão totalmente esclarecidas.

A maioria dos casos (70,4%) de microcefalia ocorreu na região nordeste após a primeira onda de infecções, com o pico de ocorrência mensal estimado em 49,9 casos por 10 000 nascimentos vivos. Após uma grande e bem documentada segunda onda de infecção pelo vírus em todas as regiões do Brasil, de setembro de 2015 a setembro de 2016, a ocorrência de microcefalia foi muito menor do que a primeira, atingindo níveis de epidemia em todas as regiões brasileiras, exceto no Sul, com picos mensais estimados variando de 3,2 a 15 casos por 10 000 nascimentos vivos.

Fonte: IGM/Fiocruz Bahia

Fiocruz Amazônia promove oficina de sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente

A Comissão Institucional de Biossegurança do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) promove de 2 a 4 de agosto, no laboratório de informática da Unidade, a “Oficina de Sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente” (QBA-online). A atividade será ministrada pela Drª Mônica Jandira dos Santos, coordenadora do curso QBA-online, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

O evento segue orientações da política de biossegurança da Instituição e da Comissão Técnica de Biossegurança da Fiocruz (CTBio-Fiocruz).

Segundo Sônia Oliveira, coordenadora da Comissão Institucional de Biossegurança (CIBio), do ILMD/Fiocruz Amazônia, “essas ações visam melhor atender às recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e otimizar um conjunto de ações para prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente”, explicou.

No dia 2/8, às 14h, serão capacitados os novos alunos do Programa de Iniciação Científica 2017-2018 (PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia) e do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-INTERAÇÃO).

Nos dias 3 e 4/8, as atividades continuam pela manhã e pela tarde  para os alunos dos seguintes programas: Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA/2016), Programa de Doutorado em Ciências – Cooperação (IOC/ILMD), servidores e funcionários da Unidade. Serão capacitados inicialmente 80 usuários.

QBA/ON-LINE

O QBA/On-line é uma ferramenta de ensino que oferece orientações básicas sobre a condução de atividades de trabalho no que se refere à qualidade, biossegurança e gestão da qualidade. A sensibilização dos novos alunos será de fluxo contínuo e deverão ser realizadas através do envio de e-mails.

A COMISSÃO

A biossegurança é uma orientação prioritária no ILMD/Fiocruz Amazônia, uma vez que há o desenvolvimento de atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, realizadas no Laboratório Multiusuários e nas cinco Plataformas Tecnológicas.

Para orientar e incentivar as boas práticas e ações de biossegurança foi instituída por meio da Portaria N. 003/2016-GAB/ILMD, a Comissão Interna de Biossegurança do Instituto (CIBio/ILMD Fiocruz Amazônia), que é subordinada à Vice-Diretoria de Pesquisa e Inovação (VDPI-ILMD/Fiocruz Amazônia).

A CIBio promove cursos e treinamentos que capacitem os profissionais  da Unidade e disseminem os princípios da biossegurança no ILMD/Fiocruz Amazônia  e nas instituições parceiras.

SOBRE A PALESTRANTE

Mônica Jandira dos Santos é graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO-1999), Especialista em Desenvolvimento de Recursos Humanos para a Saúde, mestre e doutora em Ensino em Biociências e Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Atualmente, coordena o ‘QBA/On-line – Sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente”, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Atua na área de Administração, com ênfase em Administração de Pessoal, trabalhando especialmente com os seguintes temas: Capacitação Profissional, Gestão e Ensino de Biossegurança.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes

Fiocruz cria diagnóstico personalizado para o câncer

A Fundação Oswaldo Cruz, por meio do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), criou uma metodologia inovadora e inédita no mundo para o diagnóstico molecular no tratamento personalizado do câncer. Ao identificar, através de análises genéticas, o perfil molecular do tumor e do tecido saudável de cada indivíduo, poderá ser indicado o coquetel de medicamentos mais relevante para cada paciente, minimizando os efeitos colaterais.

O projeto tem patente depositada e não existe concorrente no mercado para esse tipo específico de diagnóstico. O potencial da iniciativa foi reconhecido pelo edital Apoio ao Empreendedorismo e Formação de Start-ups em Saúde Humana do Estado do Rio de Janeiro, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), e ganhou o investimento inicial para que chegue à população.

“A proposta da Fiocruz permite a indicação de uma terapia mais precisa, o que significa, em termos de benefícios diretos, mais chance de cura, menos efeitos colaterais e melhor sobrevida para os pacientes. As terapias atuais são altamente agressivas. Além disso, a economia representada pela escolha adequada do medicamento pode ser revertida para ampliar o acesso da população ao tratamento”, afirmou o especialista em Bioinformática do CDTS/Fiocruz, Nicolas Carels.

O método foi desenvolvido para ser aplicado a pacientes com qualquer tipo de câncer e está validado, ou seja, testado em linhagens celulares tumorais e não-tumorais com resultados de máxima eficiência para o câncer de mama, reiterou Tatiana Tilli, especialista do CDTS/Fiocruz, que divide o desenvolvimento da metodologia com Carels. “Indiretamente, representa uma economia financeira substancial para o gestor hospitalar em termos de despesas com efeitos colaterais, novas internações e ciclos longos de tratamento. Isso é parte da inovação em saúde que estamos propondo”, observou.

A metodologia poderá beneficiar pacientes, médicos, equipe médica, gestores e laboratórios farmacêuticos. “Temos que comemorar a mudança de paradigma com esse primeiro edital da Faperj para o investimento em inovação e start-ups. A tecnologia é objeto de empreendedorismo, de investimentos e parcerias públicas e privadas. O CDTS/Fiocruz tem como missão levar o novo conhecimento gerado pela pesquisa e desenvolvimento tecnológico até a população”, ressalta Carlos Medicis Morel, coordenador-geral do CDTS/Fiocruz.

INOVAÇÃO EM SAÚDE

O CDTS/Fiocruz é responsável pela catalisação e aceleração de processos de inovação na área, ou seja, pela geração de produtos ou serviços que resultem em melhores intervenções – tais como vacinas, fármacos, biofármacos, métodos e reagentes para diagnóstico – para as populações que delas necessitam, onde quer que estejam.

CÂNCER

O câncer é uma doença grave cujo impacto global estimado é de 27 milhões de casos no mundo até 2030, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O câncer de mama é o mais comum em mulheres (atinge uma proporção de 25% de todos os cânceres). No Brasil, cerca de 70% do tratamento realizado para todos os tipos de câncer é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

CCS/Fiocruz, por Regina Castro.

 

Mulheres transexuais e travestis são foco de nova pesquisa

Cerca de 120 mulheres transexuais e travestis farão parte do projeto PrEParadas, que pretende avaliar a aceitabilidade (desejo de usar) e a adesão à Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP), uma estratégia de prevenção que envolve a utilização diária de um medicamento antirretroviral (ARV), por pessoas não infectadas, para reduzir o risco de aquisição do HIV através de relações sexuais. A pesquisa, com duração de um ano, terá início no mês de julho e será conduzida pela equipe do Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

Restrita à região metropolitana do Rio de Janeiro, a pesquisa pretende descobrir a melhor forma de ajudar essas populações. O estudo terá esse foco “analisando como os hormônios interagem com o medicamento da PrEP, já que as especificidades dessas mulheres são diferentes das de outros grupos, como no caso homens que fazem sexo com homens”, informou a chefe do LapClin-Aids, Beatriz Grinsztejn.

A pesquisadora Emília Jalil detalhou que o estudo vai avaliar melhor a interação entre PrEP oral e a terapia feminizante utilizada pelas mulheres travestis e transexuais, bem como os efeitos na saúde óssea delas. A medicação adotada será o truvada (combinação de dois medicamentos em um comprimido: o tenofovir disoproxil e a emtricitabina), uma vez ao dia, além de valerato de estradiol (2mg) associado à espironolactona (100mg). “Para entender melhor os resultados, nós dividiremos as participantes em dois grupos. Parte delas receberá apenas a PrEP e outra a PrEP com o hormônio. Desta forma, poderemos compreender melhor as possíveis reações ao truvada”, explicou Emília.

Profissionais da Fiocruz apresentaram o projeto PrEParadas para um grupo de mulheres transexuais e travestis em Manguinhos (Foto: Antonio Fuchs – INI/Fiocruz)

Desenhado exclusivamente para as mulheres travestis e transexuais, o PrEParadas vai além do campo da prevenção, uma vez que as participantes devem ser soronegativas, mas ter o risco de contrair o HIV. “Há muito preconceito com essas mulheres, suas práticas sexuais e o risco aumentado proveniente do sexo anal. Temos que trabalhar para desmistificar esse grupo de risco, principalmente com as profissionais do sexo. O PrEParadas é um excelente projeto que pode colaborar para isso. A Fiocruz é um centro de assistência ao HIV desde a década de 80 e nos últimos anos temos nos dedicado à prevenção para a população trans e travestis. Essa pesquisa é mais uma forma que encontramos para seguir atuando nessa área”, lembrou Beatriz Grinsztejn.

A equipe do PrEParadas contará com educadoras comunitárias, psicólogos e aconselhadores, médicos, farmacêuticos, técnicos de laboratório, além de pessoal administrativo. Tudo para deixar as participantes mais seguras e sem nenhuma dúvida durante a realização do estudo.

SOBRE A PrEP

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é uma estratégia de prevenção que consiste no uso diário de um medicamento que funciona como uma “barreira química” contra o vírus HIV. A PrEP faz parte da estratégia combinada, ou seja, quem adota a PrEP não deve abrir mão do uso de preservativos. Ela é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) mas é adotada apenas para o tratamento e não prevenção à doença em diversos países. O Brasil foi pioneiro na América Latina ao adotar a PrEP como política de saúde em 29 de maio deste ano.

APRESENTAÇÃO NO INI

No último dia 18 de julho, as profissionais do LapClin-Aids apresentaram o projeto PrEParadas para um grupo de mulheres transexuais e travestis. A atividade foi coordenada pelas educadoras comunitárias Laylla Monteiro, Kakau Ferreira e Biancka Fernandes. Entre as participantes estavam a defensora dos direitos igualitários, Laura Mendes, e a supervisora de Projetos Sociais na área da Empregabilidade, da Prefeitura do Rio de Janeiro, Rafaella Antunes. Após a exposição sobre a PrEP, a cargo da pesquisadora Brenda Hoagland, e a apresentação do PrEParadas, com Emília Jalil, foi reforçada a importância de conscientizar as mulheres transexuais e travestis quanto à busca de uma vida segura e protegida com a adoção da Profilaxia Pré-Exposição.

Para saber mais sobre o projeto PrEParadas, basta entrar em contato com o Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids (LapClin-Aids) do INI, através dos telefones (21) 9090 2260-6700 / 3865-9659 (ligação gratuita).

 INI/Fiocruz, por Antonio Fuchs