Centro de Estudos vai abordar efeitos da ivermectina na biologia de vetor da malária

A palestra desta semana do Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) tem como título “Efeitos da ivermectina na biologia de Anopheles aquasalis: implicações no controle e eliminação da malária”. O tema será abordado pelo pesquisador da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Vanderson Sampaio, na sexta-feira, 7/7, às 9h, no Salão Canoas, na sede do Instituto, à rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.

O objetivo é apresentar à ​comunidade científica as descobertas mais recentes sobre os efeitos da Ivermectina, em um dos vetores de malária da América Latina, e as implicações no controle de malária na região. A Ivermectina é uma droga conhecida como endectocida, ou seja, possui efeitos em parasitos internos e externos, é indicada para o​ tratamento de oncocercose, escabiose, pediculose, helmintoses etc.

De acordo com Sampaio, “o principal mecanismo de ação da Ivermectina é nos canais de cloro mediados pelo glutamato. A droga se liga nesses lugares, promovendo desequilíbrio eletrolítico e causando paralisia muscular, levando o organismo-alvo à morte”. O pesquisador destaca que trata-se de um medicamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), que não é exatamente novo, mas que um novo uso foi dado para ele.

ANOPHELES AQUASALIS

O Anopheles aquasalis é um mosquito, hospedeiro e transmissor da malária, encontrado geralmente no litoral, devido a sua preferência por águas com alguma salinidade, preferência esta que deu origem a seu nome.

Sua distribuição é limitada pelo fator salinidade, pois é mais favorável para o desenvolvimento de suas larvas em ambientes com teor elevado de cloreto de sódio, preferindo águas paradas e salobras, como terrenos temporariamente inundados pelas águas do mar.

SOBRE O PALESTRANTE

Vanderson Sampaio é doutor em Medicina Tropical pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), mestre em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Pará (UFPA), especialista em Bioinformática pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e graduado em Biologia também pela UFPA.

É biólogo da FVS-AM desde 2006. Atua principalmente nas áreas de Epidemiologia, bioestatística e análise de dados, entomologia, controle vetorial, georreferenciamento, uso de sistemas de informação geográfica e desenvolvimento de softwares e scripts para análise de bancos de dados computacionais.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Foto: divulgação

Infectologista alerta para os riscos da meningite

A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, e pode ser desencadeada por vários tipos de agentes, sendo os principais, vírus e bactérias. No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica, ou seja, casos do problema são esperados ao longo de todo o ano, sendo mais comum a ocorrência das meningites bacterianas no inverno e das virais, no verão. A vacinação é a principal ferramenta na prevenção da doença bacteriana. Para falar sobre os principais tipos de meningite, suas causas, sintomas e tratamento, o infectologista pediátrico do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Leonardo Menezes responde às principais dúvidas sobre a doença.

Quais são os sintomas?

Os sintomas variam de acordo com a faixa etária. As crianças maiores de dois anos de idade apresentam, na maioria das vezes, cefaleia (dor de cabeça), vômitos, febre, dor, rigidez de nuca com ou sem manchas na pele. Nas crianças menores, os sintomas se apresentam de uma forma mais inespecífica, como: sonolência ou irritabilidade intensa, choro inconsolável, recusa em mamar, febre alta, abaulamento de fontanela (moleira alta).

Como se transmite?

Em geral, a transmissão é de pessoa para pessoa, através das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. A transmissão fecal-oral (ingestão de água e alimentos contaminados e contato com fezes) é de grande importância para a meningite viral, em infecções por enterovírus.

Como é feito o diagnóstico da doença? E o tratamento?

O diagnóstico da doença é feito a partir da suspeita clínica e confirmado através da análise do líquido cefalorraquidiano obtido, na maioria das vezes, por meio de uma punção lombar. O tratamento das formas virais se dá apenas com medidas de suporte e sintomáticos, enquanto, que a doença bacteriana necessita do uso de antibióticos, além das medidas adotadas nas formas virais. Destaca-se que o uso dos antibióticos deve acontecer, idealmente, o mais precoce possível.

Existe alguma forma de prevenção?

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção. O calendário vacinal oficial brasileiro oferece vacinas contra meningococo do tipo C, Haemophilus Influenzae do tipo B, Pneumococo e Tuberculose. O serviço público oferece também a vacina para meningococo do tipo A, porém, essa opção só é utilizada em casos de surtos e epidemias por esse sorotipo. Existem as vacinas para meningococo dos tipos A, B, Y e W 135, contudo, só estão disponíveis na rede privada.

Existe também a possibilidade de prevenção com uso de antibióticos para os contactantes de casos de meningite por meningococo e por Haemophilus Influenzae. No entanto, esse tipo de abordagem deve ser dirigida e realizada pelas autoridades de saúde ou pelos serviços de saúde responsáveis pelos casos de meningite. Para as meningites virais, ainda não existem formas eficazes de prevenção.

Existe algum grupo que esteja mais vulnerável à doença, ou qualquer pessoa, em qualquer idade está sujeita a contrair a doença?

Qualquer pessoa está sujeita a ter a doença, porém, as pessoas que não foram vacinas, crianças menores de um ano de vida, os adolescentes e os idosos apresentam maiores chances de contraírem a doença.

A meningite pode ter relação com algum quadro de infecção, como gastroenterite ou otite?

A meningite infecciosa está relacionada a qualquer infecção que possa acarretar uma invasão da corrente sanguínea por agentes infecciosos. Normalmente, o agente infeccioso ganha a corrente sanguínea e atinge o sistema nervoso central, causando a inflamação das membranas meníngeas.

Crianças de creches, berçários e escolas estão mais suscetíveis à doença?

Crianças de creches ou em fase de escolaridade são mais acometidas do ponto de vista epidemiológico. Isso pode se dar por vários motivos, desde um sistema imunológico ainda em formação e exposto aos novos agentes infecciosos de maneira mais prevalente do que o resto da população, até a convivência com outras crianças com as mesmas características em locais fechados e aglomerados.

Em estações como outono e inverno, em que os ambientes tendem a ficar fechados, a incidência de contaminação é ainda maior. Medidas simples, como lavar as mãos, não compartilhar talheres e alimentos, manter o ambiente limpo e os brinquedos higienizados, podem evitar o contágio, não só da meningite, mas também de outras doenças. Outra orientação importante é manter o cartão de vacinação das crianças atualizado.

O diagnóstico precoce reduz o agravamento da doença? Explique.

Sim, sobretudo nas formas bacterianas, onde a administração do antibiótico de forma precoce pode diminuir as complicações e a mortalidade. Além dos antibióticos, a adoção de medidas de suporte (controle de dor, febre, náuseas/vômitos e suporte das condições vitais), de maneira precoce e intensa também atuam em conjunto com os antibióticos para o mesmo objetivo. A doença causada por vírus, habitualmente, possui um melhor prognóstico e menos complicações.

Por: Suely Amarante (IFF/Fiocruz)

Saúde lança Plano Nacional pelo fim da tuberculose

O Ministério da Saúde lançou, na última quinta-feira (29/6), durante a 15ª Edição da Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi), o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose. O plano ratifica o compromisso com a Organização Mundial da Saúde (OMS) de reduzir a incidência da doença na população mundial, que hoje é de 33,7 casos para cada 100 mil habitantes. A meta é chegar a menos de 10 casos por 100 mil habitantes até o ano de 2035. O Brasil também assume o compromisso de reduzir o coeficiente de mortalidade para menos de 1 óbito por 100 mil habitantes.

O documento traça as estratégias para acabar com a doença como problema de saúde pública no país dentro deste prazo e define os indicadores prioritários que devem ser utilizados para o monitoramento das ações empregadas por estados e municípios. Entre eles, a redução do coeficiente de abandono de tratamento e melhoras no percentual de cura da doença. Os indicadores operacionais, para o monitoramento do controle da tuberculose, refletem o desempenho dos serviços de saúde na qualidade do cuidado à pessoa com a doença.

“Esse plano foi elaborado com o objetivo de subsidiar os coordenadores dos programas locais no cumprimento das metas que estão em consonância com o plano da OMS. O documento está alinhado com as políticas do SUS e é um grande avanço para mudar os paradigmas do Programa Nacional de Controle da Tuberculose”, destacou a coordenadora do Programa Nacional de combate à tuberculose, Denise Arakaki, durante o seu lançamento.

O Plano Nacional está baseado em três pilares. O primeiro se refere à prevenção e cuidado integrado centrado no paciente, determinando melhorias no diagnóstico precoce, tratamento adequado e intensificação da prevenção. O segundo eixo é sobre políticas arrojadas e sistema de apoio, estabelecendo o fortalecimento da participação da sociedade civil nas estratégias de enfrentamento e a melhoria dos sistemas informatizados de registro, entre outros. O último pilar trata da intensificação da pesquisa e inovação, com a proposta de parcerias para realização de pesquisas públicas e incorporação de iniciativas inovadoras.

ESTRATÉGIAS PRIORITÁRIAS

Outro aspecto importante do Plano Nacional é a divisão dos municípios brasileiros em dois grupos e oito subgrupos, para que seja possível direcionar, mais objetivamente, as estratégias prioritárias a serem trabalhadas nos próximos anos, contemplando as diferenças locais de todo o país. Essa divisão foi realizada a partir dos indicadores socioeconômicos das cidades, associados aos índices de tuberculose. “É um desafio para o Brasil a elevada disparidade socioeconômica e operacional dos municípios. A definição dos grupos deve apoiar os coordenadores de programas na compreensão da realidade local e na elaboração de planos de trabalho, além da otimização dos recursos disponíveis”, explicou Denise. Segundo ela, o apoio de outros serviços – não específicos da área da saúde e da sociedade civil organizada – é de fundamental importância para a redução dos casos de tuberculose.

As ações colaborativas para as pessoas com tuberculose associada ao HIV também são destaque no plano nacional, uma vez que a doença é uma das principais causas de óbitos em pacientes com HIV. Entre as estratégias que devem ser fortalecidas estão a testagem de HIV para todas as pessoas diagnosticadas com tuberculose, o início do tratamento para todos os resultados positivos, entre outros, além da criação de grupos de trabalho para planejar outras ações em conjunto. Para o monitoramento do Plano Nacional, foram selecionados alguns indicadores relacionados à detecção, ao diagnóstico, à coinfecção tuberculose-HIV, ao desfecho e aos casos de tuberculose drogarresistente. Em 2015, em todo o país, 6,8 mil pessoas vivendo com HIV desenvolveram tuberculose.

CASOS

O Brasil conseguiu atingir as metas dos Objetivos do Milênio (ODM) de combate à tuberculose com três anos de antecedência. Em 2015, aderiu ao compromisso global de redução de 95% dos óbitos e 90% do coeficiente de incidência da doença até 2035.

Em 2016, foram registrados 69,5 mil casos novos de tuberculose no Brasil. No período de 2007 a 2016, o coeficiente de incidência da doença apresentou uma variação média anual de 1,2%, passando de 37,9/100 mil habitantes, em 2007, para 33,7/100 mil habitantes em 2016. Os maiores coeficientes de incidências de tuberculose estão nos estados do Amazonas e Rio de Janeiro, com 68,2 e 63,8 casos novos por 100 mil habitantes. Já os estados do Tocantins e Distrito Federal – com 11,0 e 11,2 casos novos por 100 mil habitantes, respectivamente – são os que estão com os menores coeficientes de incidência no ano de 2016.

O coeficiente de mortalidade por tuberculose apresentou redução de 11,5%, passando de 2,6/100 mil habitantes, em 2006, para 2,3/100 mil habitantes em 2015. O Brasil registrou 4,6 mil óbitos por tuberculose em 2015. Os estados do Rio de Janeiro (5,0/100 mil habitantes) e Pernambuco (4,5/100 mil habitantes) foram os estados com maior coeficiente de mortalidade do Brasil no ano de 2015. O Brasil registrou 4,6 mil óbitos por tuberculose em 2015. No mundo, no mesmo ano, a tuberculose foi a doença infecciosa que mais causou mortes.

O principal sintoma da tuberculose é a tosse por mais de três semanas, com ou sem catarro. Qualquer pessoa com esse sintoma deve procurar uma unidade de saúde para fazer o diagnóstico. São mais vulneráveis à doença as populações indígenas; as populações privadas de liberdade, os que vivem em situação de rua – estes devido à dificuldade de acesso aos serviços de saúde e às condições específicas de vida -; além das pessoas vivendo com o HIV. Dentre as pessoas com diagnóstico confirmado de tuberculose, 9,4% apresentaram coinfecção por HIV em 2016.

CAMPANHA

Para estimular a adesão ao tratamento da doença e destacar a importância do diagnóstico da tuberculose, foi realizada em março deste ano campanha publicitária com o slogan Todos juntos contra a tuberculose, com foco voltado para a realização do tratamento durante o período mínimo, que é de seis meses de duração.

Por Camila Bogaz (Agência Saúde)

Fonte: AFN

Pesquisadores condenam produção e venda de inibidores de apetite

A Lei 13.454, de 23 de junho de 2017, que autoriza a produção, a comercialização e o consumo, sob prescrição médica, dos anorexígenos sibutramina, anfepramona, femproporex e mazindol, derrubou uma medida da Agência Nacional de Vigilância Sanitária de 2011, que havia proibido a comercialização de medicamentos desse tipo, e transformou em “decisão política” uma resolução que deveria ser estritamente técnica e baseada em evidências científicas. Em termos gerais, essa é a visão dos pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz). Os especialistas vão além, afirmam que o Estado tem o dever de proteger a saúde, e que cabe à Anvisa determinar, ou não, o uso de qualquer medicamento.

O Informe ENSP ouviu especialistas da área de toxicologia, epidemiologia, vigilância sanitária, assistência farmacêutica e segurança do paciente sobre a questionável decisão do Congresso Nacional. Todos os pesquisadores refutaram a sanção da lei, lembraram que esse tipo de aprovação pelo congresso brasileiro é única no mundo e questionaram os possíveis interessados na liberação dos inibidores de apetite.

UMA DECISÃO POLÍTICA E ÚNICA

Chefe do Laboratório de Toxicologia da ENSP, o pesquisador Francisco Paumgartten questiona a dimensão política do assunto em detrimento às evidências científicas do uso dos anorexígenos. Para ele, além da gravidade de contrariar uma decisão do órgão regulador, o Congresso Nacional não está preparado e não tem a competência necessária para realizar análise técnica das evidências de segurança eficácia dos inibidores de apetite. “A Lei de iniciativa parlamentar, do deputado Felipe Bornier, sancionada sem vetos pelo Executivo, transformou em decisão política a autorização para produção e comercialização de determinado medicamento no país”. (ouça no Podcast da ENSP o depoimento na íntegra)

Pamgartten afirma que trata-se um caso único – sem precedentes no cenário internacional – um Parlamento assumir a função de órgão nacional de regulação de medicamentos. “Não se tem notícia de que o Congresso Americano tenha deliberado sobre o registro de determinado medicamento e tenha revogado decisão da agência de drogas e alimentos (FDA). Não há registro de que o Parlamento Europeu tenha decidido sobre medicamentos específicos e desautorizado a Agência Europeia de Medicamentos. O mesmo pode ser dito dos parlamentos da Alemanha, França, Reino Unido, Japão, Austrália, e respectivas agências nacionais de regulação. Infelizmente, o Congresso Brasileiro não só foi único no mundo a assumir o papel da agência reguladora e ceder ao lobby de grupos de pressão política, como foi reincidente. No ano passado, contra a recomendação da Anvisa, o Congresso aprovou lei (também sancionada pela então Presidente da República sem vetos) autorizando o uso e dispensação da fosfoetanolamina, cujas alegadas propriedades anticâncer não haviam sido estudadas e demonstradas por ensaios clínicos”.

Segundo Paumgartten , o Congresso Nacional não está preparado e não tem a competência necessária para realizar a análise técnica das evidências de segurança e eficácia dos inibidores de apetite. “O mais grave no caso foi contrariar uma decisão do órgão (Anvisa) que tem as competências técnica e legal (Lei 9782/99 que cria a ANVISA) para decidir se este ou aquele medicamento é eficaz e seguro (Lei 6360/1976, Art 16, inciso II). Somente a Anvisa pode autorizar o acesso ao mercado consumidor e determinar em que condições o medicamento pode ser dispensado e utilizado com segurança”.

REAÇÕES ADVERSAS E INSTABILIDADE POLÍTICA

Suely Rosenfeld, pesquisadora do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da ENSP, chama atenção para três aspectos sobre a aprovação da Lei: as reações adversas dos inibidores de apetite, o modelo de sociedade presente no país e a quem interessa essa aprovação. “A decisão de autorizar a comercialização desses medicamentos pelo Congresso Nacional é muito preocupante para os profissionais de saúde”. Suely destaca que a Anvisa, depois de muito debate, cancelou três dos quatro produtos liberados agora pela ineficácia e periculosidade. São ineficazes porque provocam uma perda de peso miúda e reversível e perigosos porque podem provocar fibrilação atrial, resultar em hipertensão arterial, nefrite intersticial e alguns outros efeitos adversos graves e não graves. “A lei reverte uma decisão correta da Anvisa, de anos atrás, que obteve amplo apoio dos profissionais de saúde”.

Outra análise feita pela pesquisadora diz respeito ao modelo de sociedade almejado. “Essa atitude se insere em um modelo de sociedade que não queremos, ou seja, uma sociedade de Estado mínimo, na qual o mercado ‘resolve’ todos os problemas. Há pessoas que defendem abertamente essa linha, mas ela não é a da saúde pública. É preciso ter Estado, ter regulação e ter proteção por parte dos órgãos de governo para que a população possa se sentir segura em relação à tecnologia da qual é usuária”.

PAPEL DA ANVISA É CONSTITUCIONAL

Vera Pepe, pesquisadora do Departamento de Administração e Planejamento e Saúde e do Centro Colaborador em Vigilância Sanitária da ENSP, lembra que não é a primeira vez que o Congresso Nacional delibera sobre questões exclusivas da saúde. Para ela, a Anvisa cumpre um papel, previsto na Constituição, de proteger a saúde da população. E a Lei contraria essa medida. “Há um certo perigo quando o Legislativo delibera sobre questões de saúde. Ocorreu o mesmo com a fosfoetanolamina, quando o congresso aprovou uma Lei que o próprio Supremo Tribunal Federal, por uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, suspendeu. O STF alegou, na ocasião, necessidade de comprovação cientifica e afirmou que existe uma atribuição legal da Anvisa para controle dos medicamentos no país”.

Alguns autores consideram a aprovação da Lei 13.454 uma grave contrariedade a uma legitima decisão da Anvisa, que possui relatório técnico sobre o tema, recebeu orientação da Câmara Técnica de Medicamentos, promoveu consultas e audiências públicas. Portanto, a proibição de 2011 passou por processo democrático de consulta à sociedade. Se o legislativo passar a fazer aquilo que não é de sua competência, e pior, contrariando o que é de competência do órgão que, por lei, deveria fazer isso, cria-se um problema para democracia direta. Por isso, Abrasco e Idec pensam em uma Adin.

O Sistema Nacional de Vigilância Sanitária tem o dever constitucional de proteger a saúde da população. No SUS, essa ação cabe à Anvisa e, frente às evidencias cientificas que não corroboram a existência de uma boa relação benefício x risco desses medicamentos e à retirada desses medicamentos no mercados de países Europeus e dos EUA, ela tem a obrigação de proteger a saúde da população. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária cumpre o dever constitucional de proteção da saúde.”

A SEGURANÇA DO PACIENTE

Victor Grabois, do Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Proqualis), afirma que a liberação desses produtos afeta diretamente a segurança do paciente o Brasil. “Esse assunto diz respeito à segurança do paciente. Não somente pela ausência de efetividade desses produtos, mas também pelos danos que provocam à saúde. Se sabemos, de antemão, da ineficácia de um medicamento, é claro que isso afeta a segurança do paciente. Várias dessas medicações contidas na lei não foram aprovadas ou tiveram sua venda proibida nos EUA e Europa.

Outro aspecto é que não diz respeito ao Congresso Nacional, e sim à Anvisa, definir sobre aquilo que deve ser introduzido no mercado. São aspectos de natureza técnica. É absurdo que algo que não possa ser usado nos EUA e Europa sirva para a população brasileira. Somos cidadãos que merecem usar produtos danosos à saúde?

Fonte: Ensp

 

PPGVIDA abre inscrições para aluno especial

Interessados em participar como aluno especial do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto de Pesquisa Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) devem realizar as inscrições no período de 03 a 05 de julho de 2017.

Podem se inscrever candidatos que sejam: alunos de outros cursos de pós-graduação stricto e lato sensu da Fiocruz e de outras instituições públicas e/ou privadas; e candidatos com curso de pós-graduação lato sensu concluído, que não estejam no momento da inscrição fazendo outro curso de lato sensu ou cursando stricto sensu.

INSCRIÇÃO

Para o segundo semestre de 2017, o PPGVIDA oferece as seguintes disciplinas: Saúde coletiva, História da Saúde pública, e Bioética em saúde coletiva.

Os interessados poderão se inscrever por meio de formulário, disponível na Plataforma Siga, no endereço eletrônico: http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120, observando os seguintes passos: primeiro clicar em Inscrição; em seguida, em Programa Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia; depois, preencher o formulário de inscrição; salvar em pdf, imprimir e assinar.

Para se inscrever são necessários os seguintes documentos: Carteira de Identidade Civil ou Militar (frente e verso), ou Carteira do Conselho de Classe; CPF; Declaração de matrícula em outro Programa de Pós-graduação lato sensu ou stricto sensu, ou certificado de pós-graduação lato sensu.

O formulário e demais documentos de inscrição devem ser encaminhados digitalizados, em “formato pdf”, para o endereço eletrônico selecaoalunoespecial.ilmd@fiocruz.br, até 21h59min (hora de Manaus), do dia 5 de julho. No assunto da mensagem a ser enviada, o candidato deverá digitar: “lNSCRlÇÃO DE (NOME COMPLETO DO CANDIDATO) PARA ALUNO ESPECIAL PPGVIDA 2º SEM/2017”.

Informações detalhadas sobre a inscrição podem ser obtidas na Plataforma SIGA. Vale ressaltar que a plataforma só pode ser acessada através do navegador Internet Explorer. A seleção dos candidatos ocorrerá no período de 10 a 17 de Julho 2017.

RESULTADO

A Divulgação da lista dos candidatos selecionados ocorrerá no dia 20 de julho, na Plataforma SIGA no endereço eletrônico http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120 .

Os candidatos selecionados devem confirmar sua participação nas disciplinas as quais foi selecionado, através de mensagem eletrônica para selecaoalunoespecial.ilmd@fiocruz.br nos dias 25 e 26 de julho de 2017. Os candidatos que não confirmarem sua participação, dentro do período definido serão considerados desistentes, e estarão automaticamente excluídos da(s) disciplina(s).

Acesse a plataforma SIGA em: http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120

 

LMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Foto: Banco de Imagens ILMD/Fiocruz Amazônia

Palestra no ILMD sensibiliza pós-graduandos sobre divulgação e popularização científica

Com o tema: “Divulgação científica e popularização da ciência: responsabilidade social”, estudantes de pós-graduação, iniciação científica, bolsistas, pesquisadores e servidores do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), discutiram na última sexta-feira, 23/6, sobre os principais cenários, dificuldades e oportunidades, alternativas de como pode ser feito o trabalho de divulgação científica e popularização da ciência, a partir das mídias existentes e do papel social que as instituições de pesquisa devem exercer.

O tema foi pauta do Centro de Estudos do Instituto, abordado pelas pesquisadoras, Maria Olívia Simão, professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pela jornalista, Cristiane Barbosa, doutoranda em Ciências da Informação pela Universidade Fernando Pessoa (UFP/Portugal).

Para Maria Olívia Simão, “a comunicação e a necessidade de socializar informações é hoje um desafio mundial. Na Europa, existe pesquisas e dados que mostram como a sociedade está enxergando a ciência nos diversos países”, destacou.

Cristiane Barbosa salientou a importância da discussão sobre divulgação científica no processo de formação dos estudantes. “Esse é um momento de formação, em que esses estudantes vão começar a interagir dentro dessa perspectiva da ciência e verificar que levar o conhecimento à sociedade é crucial dentro do processo de formação de um pesquisador. Essa oportunidade que a Fiocruz Amazônia traz para os seus mestrandos, bolsistas, alunos de iniciação científica é fantástica, pois a sensibilização desses futuros e presentes pesquisadores vai fomentar uma cultura de divulgação científica mais fortalecida daqui pra frente”.

O mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências do Ambiente Sustentabilidade na Amazônia (PPG-CASA), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Pedro Mariosa, relatou que a palestra o ajudou a entender melhor sobre o novo papel do pesquisador-divulgador. “O conhecimento adquirido aqui, me deixou um pouco mais seguro, pois eu tenho o hábito de produzir algumas coisas sobre as pesquisas que eu desenvolvo, e ainda tenho aquele medo de estar jogando fora a minha produção acadêmica, ou de ter que me preocupar também com essa aproximação com a sociedade, através desses meios. A palestra me deixou claro o meu papel enquanto pesquisador, e esse novo papel que eu tenho que desempenhar, que é o de divulgador científico”.

SOBRE AS PALESTRANTES

Maria Olívia Simão é doutora em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, e mestre em Entomologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), graduada em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Foi Secretária Executiva Adjunta de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Amazonas, Diretora Técnico Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – FAPEAM e Diretora Presidente da FAPEAM.

Cristiane Barbosa é doutoranda em Ciências da Informação pela Universidade Fernando Pessoa (UFP/Portugal), Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela UFAM, especialista em Jornalismo Científico e Divulgação Científica em Saúde da Amazônia pelo (ILMD/Fiocruz Amazônia) e em Marketing Empresarial pela UFAM.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.

PPGBIO-INTERAÇÃO abre inscrições para aluno especial

Interessados em participar como aluno especial do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-INTERAÇÃO), do Instituto de Pesquisa Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) devem realizar as inscrições no período de 03 a 05 de julho de 2017.

Podem se inscrever candidatos que sejam: alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu da Fiocruz; alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu de outras instituições públicas e/ou privadas; alunos de curso de pós-graduação lato sensu da Fiocruz; alunos de outros cursos de pós-graduação lato sensu de outras instituições públicas e/ou privadas; e Candidatos com curso de pós-graduação lato sensu concluído, que não estejam no momento da inscrição fazendo outro curso de lato sensu ou cursando stricto sensu.

INSCRIÇÃO

Para o segundo semestre de 2017, o PPGBIO-INTERAÇÃO oferece as seguintes disciplinas: Fisiopatologia e aspectos da resposta imune inata e adaptativa das doenças infecciosas, Introdução à analise proteômica, e Bioecologia de insetos vetores e variabilidade genética e evolução.

Os interessados poderão se inscrever por meio de formulário, disponível na Plataforma Siga, no endereço eletrônico: http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=127, observando os seguintes passos: primeiro clicar em Inscrição; em seguida, em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro; depois, preencher o formulário de inscrição; salvar em pdf, imprimir e assinar.

Para se inscrever são necessários os seguintes documentos: Carteira de Identidade Civil ou Militar (frente e verso), ou Carteira do Conselho de Classe; CPF; Declaração de matrícula em outro Programa de Pós-graduação lato sensu ou stricto sensu, ou certificado de pós-graduação lato sensu.

O formulário e demais documentos de inscrição devem ser encaminhados digitalizados, em “formato pdf”, para o endereço eletrônico selecaoalunoespecial.ilmd@fiocruz.br, até 21h59min (hora de Manaus) do dia 5 de julho. No assunto da mensagem a ser enviada, o candidato deverá digitar: “INSCRIÇÃO DE (NOME COMPLETO DO CANDIDATO) PARA ALUNO ESPECIAL PPGBIO 2017/2.

Informações detalhadas sobre a inscrição podem ser obtidas na Plataforma SIGA. Vale ressaltar que a plataforma só pode ser acessada através do navegador Internet Explorer. A seleção dos candidatos ocorrerá no período de 10 a 17 de Julho 2017.

RESULTADO

A Divulgação da lista dos candidatos selecionados ocorrerá no dia 20 de julho, na Plataforma SIGA no endereço eletrônico http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=127.

Os candidatos selecionados devem confirmar sua participação nas disciplinas as quais foi selecionado, através de mensagem eletrônica para selecaoalunoespecial.ilmd@fiocruz.br nos dias 25 e 26 de julho de 2017. Os candidatos que não confirmarem sua participação, dentro do período definido serão considerados desistentes, e estarão automaticamente excluídos da(s) disciplina(s).

Acesse a plataforma SIGA em: http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=127

 

LMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Foto: Banco de Imagens ILMD/Fiocruz Amazônia

Centro de Estudos do ILMD promove palestra sobre divulgação científica e popularização da ciência

Com o objetivo de mostrar os principais cenários, diálogos de dificuldades e oportunidades, e como pode ser feito o trabalho de divulgação científica e popularização da ciência, a partir das mídias existentes e do papel social que as instituições de pesquisa devem exercer, a palestra desta semana do Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), terá como tema: “Divulgação científica e popularização da ciência: responsabilidade social”.

O assunto será abordado pelas pesquisadoras, Maria Olívia Simão, professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pela jornalista, Cristiane Barbosa, doutoranda em Ciências da Informação pela Universidade Fernando Pessoa (UFP/Portugal), nesta sexta-feira, 23/6, às 9h, no Salão Canoas, na sede do ILMD/Fiocruz Amazônia, à rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.

Para Maria Olívia, a comunicação do que se faz nos laboratórios precisa chegar até a comunidade. Ela destaca que a sociedade é quem subsidias as pesquisas com o pagamento de impostos, principalmente na área da saúde que é um dos temas que mais desperta interesse da população.

Sobre a oportunidade de falar a respeito desta temática na programação do Centro de Estudos, a pesquisadora ressalta a importância desta sensibilização como parte da formação acadêmica. “Esse espaço tem como público prioritário os alunos de pós-graduação e iniciação científica, então é importante que eles recebam na formação essa sensibilização, para que cheguem no mercado como profissionais mais aptos a lidar com essa realidade”, enfatizou Simão.

PIONEIRISMO

Visando oferecer formação profissional e acadêmica na área de divulgação e jornalismo científico em saúde na Amazônia, capacitar para os processos gerais e técnicas, e aprofundar a reflexão sobre divulgação e jornalismo científico em saúde, com ênfase no contexto Amazônico, o ILMD/Fiocruz Amazônia, já formou duas turmas do curso de especialização em Divulgação e Jornalismo Científico em Saúde na Amazônia.

O curso foi realizado pela Fiocruz Amazônia e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz RJ), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (SECTI-AM).

Participaram da especialização aproximadamente 60 profissionais com formação em comunicação social e áreas afins, atuantes na mídia local e assessores de comunicação das Instituições de Ensino e Pesquisa; bem como profissionais de outras áreas com experiência na temática da Divulgação Científica na Amazônia.

SOBRE AS PALESTRANTES

Maria Olívia Simão é doutora em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, e mestre em Entomologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), graduada em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Foi Secretária Executiva Adjunta de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Amazonas, Diretora Técnico Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – FAPEAM e Diretora Presidente da FAPEAM.

Cristiane Barbosa é doutoranda em Ciências da Informação pela Universidade Fernando Pessoa (UFP/Portugal), Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela UFAM, especialista em Jornalismo Científico e Divulgação Científica em Saúde da Amazônia pelo (ILMD/Fiocruz Amazônia) e em Marketing Empresarial pela UFAM.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.

 

 

Supervisores recebem treinamento para o 3º ciclo do PMAQ

Entre os dias 12 e 16 de junho, o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ) realizou na cidade de Manaus (AM), o treinamento de supervisores que irão atuar no 3º ciclo de atividades do programa. O encontro realizado na Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), reuniu pesquisadores e pós-graduandos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), professores da Universidade e profissionais da Rede de Atenção à Saúde (RAS), que atuam como supervisores do PMAQ.

O treinamento faz parte das atividades prévias à entrada em campo do terceiro ciclo. Até o momento, o programa já realizou o mapeamento das localidades, construção do cronograma de viagens que serão realizadas aos municípios, e reuniões com os gestores para discutir como será feito o processo deste novo ciclo.

Entre os conteúdos ministrados no treinamento, foram selecionados: apresentação sobre os objetivos do programa e as características de cada ciclo; apresentação de um sistema que a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec) criou para o gerenciamento das despesas; e um mapeamento do conteúdo existente no Portal da Saúde relativo ao programa (relatórios, situações dos municípios, avaliações feitas nos ciclos anteriores, manuais de orientação e manual do PMAQ).

Durante o treinamento, foram apresentadas também algumas produções de análises sobre as avaliações. “São pesquisas acadêmicas feitas a partir de dados do PMAQ e outras feitas no próprio serviço. A gente se preocupou em qualificar os supervisores para o entendimento global desse processo, não só para coletar dados, mas também para entender os fundamentos da pesquisa, os princípios, objetivos e os conceitos que estão embutidos em cada pergunta”, destacou uma das coordenadoras do programa no Amazonas, a pesquisadora Luiza Garnelo.

AVALIAÇÂO EXTERNA

A avaliação externa corresponde à terceira fase do PMAQ, em que se realiza um conjunto de ações para averiguar as condições de acesso e de qualidade da totalidade de municípios e equipes participantes do programa. É nessa fase que participam as instituições de ensino e pesquisa, coletando os dados para a certificação das equipes. No Amazonas, o programa é coordenado pelos pesquisadores Luiza Garnelo, do ILMD/ Fiocruz Amazônia, e Esron Rocha, da UFAM.

Segundo Juliana Gagno, mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), que apoia o grupo de coordenação geral do PMAQ, “o próximo passo é a seleção e treinamento de entrevistadores. Nesse momento estaremos trabalhando os instrumentos que serão aplicados em um tablet, iremos falar também sobre a responsabilidade desses profissionais que aplicam as entrevistas, desde padrões éticos até a qualidade dessa coleta de dados”.

SOBRE O PMAQ

O PMAQ tem como objetivo incentivar os gestores e as equipes a melhorar a qualidade dos serviços de saúde oferecidos aos cidadãos do território. Para isso, propõe um conjunto de estratégias de qualificação, acompanhamento e avaliação do trabalho das equipes de saúde.

O programa eleva o repasse de recursos do incentivo federal para os municípios participantes que atingirem melhora no padrão de qualidade no atendimento. O programa foi lançado em 2011, e conta com a participação de todas as equipes de saúde da Atenção Básica (Saúde da Família e Parametrizada), incluindo as equipes de Saúde Bucal, Núcleos de Apoio à Saúde da Família e Centros de Especialidades Odontológicas que se encontrem em conformidade com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB).

A ação é uma iniciativa do Governo Federal, que prevê a realização de um censo da infraestrutura das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e a avaliação das condições de acesso e de qualidade das Equipes de Saúde da Família (ESF) participantes do programa.

As equipes de avaliação são formadas por um supervisor e três entrevistadores, que percorrerão as UBS aplicando questionários avaliativos a gestores, trabalhadores e usuários atendidos pelas equipes de saúde da família.

ILMD/Fiocruz Amazônia

Texto e fotos por Eduardo Gomes

 

Ministério elabora diretrizes para saúde ocular na infância

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem aproximadamente 1,4 milhão de crianças com deficiência visual no mundo, sendo que cerca de 90% vivem em países em desenvolvimento ou muito pobres. Com o objetivo de oferecer orientações às equipes multiprofissionais para o cuidado da saúde ocular da criança e identificação dos fatores de risco abrangendo o pré-natal, neonatal, até o final da infância, a Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) do Ministério da Saúde (MS), com colaboração da Área Técnica Saúde da Criança e Aleitamento Materno/Dapes/SAS/MS, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) elaboraram as Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância: detecção e intervenção precoce para a prevenção de deficiências visuais.

O trabalho contou com a colaboração de Andrea Araújo Zin, pesquisadora do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Célia Regina Nakanami, membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), Enia Maluf Amui e Ione Maria Fonseca de Melo do MS, Liana Oliveira Ventura, da Fundação Altino Ventura e Nicole Gianini da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMSRJ). “A visão é um dos mais importantes sentidos no desenvolvimento físico e cognitivo normal da criança, por isso é importante destacar que o cuidado com a saúde visual deve começar no pré-natal, identificando infecções congênitas, como toxoplasmose, herpes, citomegalovírus, sífilis e outros. O desenvolvimento motor e a capacidade de comunicação são prejudicados na criança com deficiência visual porque gestos e condutas sociais são aprendidos pelo feedback visual. O diagnóstico precoce de doenças, um tratamento efetivo e um programa de estimulação visual precoce podem permitir que a criança tenha uma integração maior com seu meio”, explicou Andrea Araújo Zin.

A OMS classifica a deficiência visual em categorias que incluem desde a perda visual leve até a ausência total de visão e baseia-se em valores quantitativos de acuidade visual e/ou do campo visual para definir clinicamente a cegueira e a baixa visão. “Já se sabe que a pessoa com deficiência visual, cegueira ou baixa visão, tem prejuízo da sua função visual mesmo após tratamentos clínicos e/ou cirúrgicos e uso de correção óptica. Além disso, a sua capacidade para realizar atividades e tarefas diárias com a visão funcional, também é comprometida”, esclareceu a pesquisadora.

Andrea Zin enfatiza que a deficiência visual na infância e suas consequências provocam grande impacto quando se calcula o número de anos vividos com cegueira ou baixa visão, com maiores chances de atraso no desenvolvimento físico, neuropsicomotor, educacional, econômico e na qualidade de vida. “Como a visão é uma função neurológica e a criança a desenvolve rapidamente nos primeiros anos de vida, o diagnóstico e intervenção precoces para os casos que possuem tratamento, tais como, catarata, glaucoma, erro refrativo e para os que precisam de habilitação aumentam as chances de a criança aperfeiçoar as habilidades motoras e o desenvolvimento cognitivo. Para que isso seja possível, é preciso um cuidado multidisciplinar com todos os profissionais que acompanham a mulher desde antes do nascimento até os primeiros anos de vida do bebê”, finaliza.

Confira as diretrizes do Ministério da Saúde.

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

IFF/Fiocruz, por Juliana Xavier