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Medicamento aprovado pela Anvisa trata malária tipo vivax em dose única

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente medicamento que reduz o tempo de tratamento de pacientes acometidos por malária causado pelo Plasmodium vivax. Trata-se da Tafenoquina, que possibilita que o tratamento seja feito com dose única.

Hoje, o tratamento é feito em 7 dias e com dois antimaláricos (Cloroquina e a Primaquina) o que acaba contribuindo para que não seja feito de forma correta. A não conclusão desse tratamento aumenta as chances de recaída da doença. Com a Tafenoquina o tratamento passa a ser feito com apenas um comprimido, que pode ser tomado na unidade de saúde, com o devido acompanhamento profissional.

Marcus Lacerda, pesquisador do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), um dos responsáveis pelo estudo, explica que a Tafenoquina é uma modificação química da Primaquina. Portanto, “o paciente toma uma dose única, ou seja, já no primeiro dia de tratamento e, a partir daí, não tem mais que ficar repetindo a medicação. Então, consideramos um imenso avanço, que vai permitir que as pessoas façam o tratamento adequado”.

Sobre o Plasmodium vivax, o  pesquisador alerta que muitas pessoas não sabem  que o parasito pode ficar no fígado, dormindo, por dois ou três meses, e o paciente pode voltar e ter uma nova malária se não fizer o tratamento completo. “Se a pessoa depois do terceiro dia para de tomar o medicamento, pois fica sem febre, vai voltar a ter recaídas depois de alguns meses”, comenta Lacerda.

Vale ressaltar que a Tafenoquina é a primeira droga aprovada em 60 anos para tratamento da Malária do tipo vivax. Até sua aprovação pela Anvisa, o novo medicamento também  passou por ensaios na Indonésia, Tanzânia, Peru e Tailândia. No Brasil, os testes foram feitos em Manaus (AM) e Porto Velho (RO), sob a coordenação de pesquisadores da Fiocruz Amazônia e da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

O estudo da nova droga contou com apoio das seguintes instituições: Medicines for Malaria Venture (MMV) e Glaxo Smith Kline (GSK), e financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates.

Com a aprovação do registro pela Anvisa, “no ano que vem,  2020, dois municípios vão começar a implementação do medicamento na prática, Manaus e Porto Velho, que participaram dos ensaios clínicos para o desenvolvimento da medicação”, explica Lacerda. Depois dos resultados finais, a expectativa é que droga seja disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em suas unidades de saúde.

SOBRE A TAFENOQUINA

O pesquisador observa que a Tafenoquina dá muito conforto ao paciente, a medicação está registrada apenas para pessoas acima dos 16 anos. É necessário  fazer um teste rápido antes de se administrar o medicamento para detectar a existência de uma enzima no organismo, pois se a pessoa tiver essa enzima, ela não pode usar a Tafenoquina. Além disso, pacientes grávidas também não podem usar essa medicação .

 A MALÁRIA

A Malária é uma doença infecciosa, causada por protozoários transmitidos pela fêmea infectada do mosquito Anopheles. Os principais sintomas da doença são: febre alta, calafrios, tremores, sudorese, dor de cabeça e outras manifestações como náuseas, vômitos, cansaço e falta de apetite.

Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos de malária no Brasil se concentra na Amazônia nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: (1) Michel Melo/Secom e (2) Eduardo Gomes (ILMD/Fiocruz Amazônia)