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Fiocruz Amazônia vai atuar no controle de Aedes em sete bairros de Manaus

As ações de controle de mosquitos não podem ser esquecidas nem tão pouco negligenciadas, mesmo em tempo de pandemia. Neste sentido, projeto de pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) para controle de Aedes volta a ser implantado em Manaus nos próximos dias.

Trata-se do projeto que utiliza como estratégia a instalação de Estações Disseminadoras de Larvicida (EDs) como alternativa no controle de mosquitos Aedes aegypti e Ae. albopictus, transmissores dos vírus da dengue, zika e chikungunya.

A ação é realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e tem como objetivo instalar cerca de 200 EDs em pontos estratégicos, reconhecidos como focos de proliferação de mosquitos Aedes.

“Não é a primeira vez que trabalhamos com as EDs em Manaus. Nosso estudo iniciou no Amazonas, mas precisamente em Manacapuru e em Manaus,  onde os resultados alcançados foram muito bons, o que favoreceu, com o apoio do Ministério da Saúde, a aplicação da mesma estratégia, em outras cidades brasileiras”, explica Sérgio Luz, pesquisador e diretor da Fiocruz Amazônia.

 

 

Nessa nova etapa, as estações serão implementadas nos bairros da Compensa, Redenção, Novo Aleixo, Cidade Nova, Flores, Aleixo e Jorge Teixeira.

As atividades em Manaus seguem as recomendações da Nota Informativa nº 8/2020-CGARB/DEIDT/SVS/MS, para os trabalhos de controle de vetores durante a epidemia da Covid-19

TÁTICA

Sérgio Luz explica que a tática do projeto é usar os mosquitos para disseminarem larvicida em seus próprios criadouros e assim eliminar suas larvas e pupas. Uma das vantagens do uso dos mosquitos na disseminação do produto é que eles podem encontrar quaisquer possíveis criadouros, mesmo os que estão em locais de difícil acesso como em calhas de telhados, em terrenos baldios, em  casas abandonadas etc.

As EDs são baldes plásticos, cobertos com pano preto impregnados de larvicida. Para funcionarem, as estações precisam de certa quantidade de água no pote, é a água que atrai os mosquitos.

Ao pousarem na superfície da ED, partículas do larvicida são aderidas às pernas e corpos dos mosquitos, que levam esse produto para outros criadouros e, com isso, conseguem matar larvas e pupas, que estejam nesses locais.

SOBRE O PROJETO

O estudo iniciou em 2014 com experimentos feitos nas cidades de Manaus e em Manacapuru. O resultado inicial foi bastante animador, o que levou, com apoio do Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia, e do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis (Decit & Devit/MS), da Organização Pan-Americana da Saúde-Organização Mundial da Saúde (Opas-OMS), e das secretarias municipais e estaduais de Saúde, o projeto para outras cidades, para que os ensaios ocorressem em diferentes regiões do Brasil, visando avaliar a eficácia da tática do uso das Estações Disseminadoras de Larvicida para o controle do Aedes aegypti e A. albopictus, em diferentes paisagens geográficas e escalas.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Eduardo Gomes
Infográfico: Mackesy Nascimento

InfoGripe mostra sinais de “segunda onda” de SRAG

Dados do Boletim InfoGripe da Fiocruz mostram que, enquanto diversos estados ainda enfrentam a fase de crescimento da primeira onda de novos casos semanais de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) – situação de todos os da região Sul, além de Sergipe e Mato Grosso do Sul –, alguns já dão sinais do início da chamada “segunda onda”. A análise é referente à Semana Epidemiológica 29 (12/7 a 18/7).

É o caso do Amapá, Maranhão, Ceará e Rio de Janeiro. Nestes estados, o número de novos casos semanais, depois de ter atingido um pico e iniciado o processo de queda, voltou a subir. O coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, observa que em Alagoas o número de casos voltou a crescer, sem nunca ter iniciado o processo de queda. “Os dados de SRAG continuam sendo fortemente associados à Covid-19, uma vez que, entre os casos com resultado positivo para os vírus respiratório testados, 96,7% dos casos e 99,1% dos óbitos retornaram positivo para o novo coronavírus”, ressalta Gomes.

CENÁRIO NACIONAL

Até o momento já foram reportados, este ano, um total de 289.946 casos de SRAG, sendo 145.020 (50,1%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 83.572 (28,8%) negativos, e cerca de 41.750 (14,4%) aguardando resultado laboratorial. Entre os positivos, 0,8% apresentavam influenza A, 0,4% influenza B, 0,7% vírus sincicial respiratório (VSR) e 96,7% Sars-CoV-2 (Covid-19).

No cenário nacional os dados indicam manutenção do número de crescimento de novos casos semanais, após leve queda observada no mês de maio. Os valores ainda encontram-se muito acima do nível de casos considerado muito alto. Estima-se que já ocorreram 76.934 óbitos de SRAG, podendo variar entre 74.888 e 79.792 até o término da semana 29.

“Como sinalizado nos boletins anteriores, a situação nas regiões e estados do país é bastante heterogênea. Portanto, o dado nacional não é um bom indicador para definição de ações locais”, comenta Gomes.

ESTADOS COM ALTERAÇÃO DE TENDÊNCIA

O sinal de possível estabilização no Rio Grande do Sul não se confirmou. O estado apresenta manutenção da tendência de crescimento. A tendência de possível início de queda na Bahia também não foi confirmada, sendo mantido sinal de estabilização. Já o Tocantins mostra estabilização após período de crescimento. Entre os estados que apresentavam queda nos boletins anteriores, Pernambuco e Espírito Santo apontam para um cenário de estabilização.

Paraíba, Distrito Federal, Amapá e Minas Gerais apresentam estabilização após período de crescimento, atingindo um platô. Embora tenha registrado leve queda durante o mês de maio, São Paulo mantém sinal de estabilização em valores semanais ainda próximos ao valor máximo observado neste ano. Em Rondônia e Goiás observa-se confirmação de possível início de queda, após atingir um primeiro pico no número de novos casos semanais.

Nas demais estados não foram observadas alterações em relação às tendências anteriores, com manutenção do sinal de queda na maioria das unidades federativas do Norte, sinal de crescimento em todas do Sul e situações heterogêneas nas demais regiões. Todos os estados continuam apresentando número de novos casos semanais acima dos valores considerados muito alto.

Regina Castro (CCS/Fiocruz)

Covid-19: Pesquisa avalia segurança do profissional da saúde

O Ministério da Saúde, em seu último boletim (Boletim Epidemiológico Especial nº 21) sobre a Covid-19, destaca que 173.440 profissionais de saúde foram diagnosticados com a doença. Desses, 697 foram internados e 138 vieram a óbito. Devido ao alto risco de infecção a que esses profissionais estão expostos em seu dia a dia de trabalho durante a pandemia, o Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Proqualis) do Institudo de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (Icict/Fiocruz), está realizando a pesquisa Segurança do profissional da área de saúde durante o enfrentamento da infecção pelo novo coronavírus (Covid-19). A iniciativa tem o objetivo de avaliar o risco a que os profissionais de saúde estão submetidos e as medidas que estão sendo tomadas nos estabelecimentos para a proteção desses profissionais e seus pacientes.

Segundo a pesquisadora do Proqualis e coordenadora do estudo, Ana Luiza Pavão, “essa pesquisa visa a contribuir para mapear as características relacionadas ao processo de trabalho desses profissionais em meio à pandemia de Covid-19, bem como as iniciativas que estão sendo realizadas pelos gestores nos estabelecimentos de saúde pelo Brasil”.

A pesquisa enfoca dois aspectos: a adoção de medidas de segurança pelo profissional da área da saúde, em seus processos de trabalho, com foco principalmente no uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPI); e a organização do estabelecimento de saúde em relação à oferta de equipamentos e insumos, limpeza e desinfecção dos ambientes, bem como indicadores de capacitação e acompanhamento dos seus funcionários.

Disponível via Google Forms para facilitar o acesso on-line por meio de celular, tablet ou computador com acesso à internet, o inquérito é composto do ‘Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)’, que o profissional assinala a opção do concordância, as perguntas da pesquisa. Todo o processo dura no máximo, 15 minutos.

Para acessar os formulários para os profissionais e gestores:

Questionário para profissionais da área de Saúde;

Questionário para gestores de estabelecimentos de Saúde.

Fonte: Icict/Fiocruz

Estudo aponta que quatro cidades brasileiras somam mais de 22 mil mortes acima do esperado

As notificações diretamente atribuíveis à Covid-19  informam a ocorrência de mais de 74 mil mortes no Brasil. Em quase 5 meses após o surgimento dos primeiros casos no país, ainda é difícil apontar números precisos da mortalidade específica pela doença, diante das falhas da cobertura da vigilância laboratorial e epidemiológica.

Estudo feito por pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA)  adotou modelo matemático para analisar o período de 23 de fevereiro a 13 de junho de 2020, tendo como base os anos de 2015 a 2019, para estimar as mortes esperadas.

Segundo a investigação, houve uma somatória de mais de 22 mil mortes excedentes durante a epidemia, em 4 capitais brasileiras: Rio de Janeiro,  São Paulo, Fortaleza e Manaus. Para a análise, foram utilizados dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde e da Central de Informações do Registro Civil (CRC) Nacional, bem como relatórios epidemiológicos de secretarias de saúde.

Os pesquisadores observaram que o número de mortes excedentes variou ao longo do tempo, mas, em geral, os picos mais proeminentes de mortalidade ocorreram nos meses de abril e maio, especialmente em Manaus e Fortaleza. Embora, esse número tenha sido proporcionalmente menor em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

“Avaliar o excesso de mortes pode ser a única e mais viável forma de se mensurar rapidamente os impactos ou a severidade da crise sanitária e sua possível relação com a capacidade de resposta ao problema”, explica pesquisador da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana.

Segundo o pesquisador, o indicador de mortalidade por causas naturais, utilizado na análise, representa o total de óbitos ocorridos em cada cidade, em certo intervalo de tempo e em indivíduos com 20 anos ou mais, excluindo as mortes não-naturais ou violentas, como acidentes de trânsito, suicídios e homicídios.

As cidades investigadas foram selecionadas especialmente porque concentravam nesse período, em torno de 35% de todas as mortes por Covid-19 notificadas no Brasil, e aproximadamente 67% de todas as mortes por Covid-19 notificadas pelas  27 capitais, até o fim da semana epidemiológica 24 (7 a 13 de junho).

MORTES EM MANAUS

Em estudo publicado em junho, os pesquisadores  analisaram a mortalidade em Manaus, no período entre a  11ª e a 16ª semana epidemiológica (de 15 de março a 25 de abril de 2020). Essa investigação apontou um  número explosivo de mortes na cidade em relação à anos anteriores, o que poderia indicar mortes causadas pela Covid-19, além de revelar a fragilidade dos serviços de saúde na cidade.

Saiba mais aqui.

Agora, os pesquisadores ampliaram a investigação para outras três capitais (Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo) para estimar quantas mortes excedentes aconteceram nessas cidades, sejam elas diretamente atribuídas à Covid-19 ou indiretamente.

“Em São Paulo, por exemplo, em torno de 28% das mortes excedentes não foram direta e oficialmente associadas à Covid-19. Neste caso, é possível que a proporção de subnotificações relativas à doença seja menor do que nas demais cidades. Por outro lado, em Manaus, o número de mortes excedentes pode ter sido 108% maior do que a quantidade atribuída direta e oficialmente à Covid-19. Em outras palavras, a chance de ampla subnotificação de mortes por Covid-19 parece ser bastante real, principalmente se lembrarmos que Manaus, entre as capitais com mais de 1,5 milhões de habitantes, é a única sem Serviço de Verificação de Óbito e, historicamente, com precária estrutura de vigilância epidemiológica. Não por acaso, a proporção de mortes no domicílio ou via pública em Manaus foi aproximadamente 100% maior em 2020, quando comparado a 2019. Um quantitativo aproximadamente três vezes maior do que o observado em São Paulo, no mesmo período. Em cidades como Rio de Janeiro e Fortaleza essa proporção também foi bastante elevada, sugerindo não só ampla subnotificação, como graves falhas no enfrentamento da epidemia”, revela o Jesem Orellana.

Ele alerta ainda que a análise das quatro capitais representa menos de 15% da população brasileira, e que se o estudo considerasse outras metrópoles e municípios, o excedente de mortes seria muito maior

“Na verdade, se a gente for pensar em Brasil, com 5000 e poucos municípios, esse número de mortes excedentes pode facilmente passar dos 100 mil e, nesses 100 mil, provavelmente, vamos ter muitos casos de Covid-19 que foram mal classificados. Essa estatística que estamos vendo hoje, de aproximadamente 74 mil mortes,  está aquém da realidade, o número de mortes do Brasil, pode ser muito maior”, comenta.

O pesquisador informa que seu grupo continua os estudos sobre essa temática e, em breve, serão publicadas novas análises.

 Acesse aqui o estudo Explosão da mortalidade no epicentro amazônico da epidemia de COVID-19

 ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Nascimento

Fiocruz identifica nova variante do vírus influenza no Brasil

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) identificaram uma nova variante do vírus influenza, causador da gripe, em uma paciente da cidade de Ibiporã, no Paraná. As análises apontaram a presença do vírus influenza A(H1N2)v, que provoca infecção em porcos. O caso foi informado ao Ministério da Saúde, que notificou a Organização Mundial da Saúde (OMS), seguindo o regulamento sanitário internacional. Todos os registros de infecção humana por novos subtipos virais precisam ser notificados já que mutações nestes microrganismos podem levar à disseminação de pessoa a pessoa, com potencial pandêmico.

Um alerta emitido pela OMS informa que 26 casos de infecção por vírus influenza A(H1N2)v foram registrados desde 2005, e a maioria dos pacientes apresentou quadros leves. No Brasil, um registro já tinha sido realizado em 2016. Não há evidências de transmissão dessas variantes virais entre pessoas. A virologista Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC, referência para vírus respiratórios no Brasil e responsável pela identificação das variantes do influenza no país, afirma que o novo achado não é motivo de preocupação. “Essas detecções ocorrem, ao longo dos anos, em diversos países. Não significa que isso vai se transformar em uma pandemia. As medidas de controle são as mesmas para infecções de transmissão respiratória em geral, como lavar as mãos e, em caso de sintomas respiratórios, procurar atendimento médico para fazer análise melhor do quadro clínico”, esclarece a pesquisadora.

A paciente de Ibiporã, que já está recuperada e não precisou ser hospitalizada, apresentou sintomas de gripe em meados de abril. Ao procurar atendimento médico, ela teve uma amostra do trato respiratório coletada como parte das ações de rotina do sistema nacional de vigilância da influenza. O Laboratório Central de Saúde Pública do Paraná (Lacen-PR) identificou um vírus influenza A de subtipo desconhecido e encaminhou a amostra ao Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC, onde a caracterização do microrganismo foi realizada. Marilda destaca que o achado realizado em meio à pandemia de Covid-19, que sobrecarrega os serviços de saúde e a rede de laboratórios do país, demonstra a capacidade de resposta brasileira.

“No meio de uma pandemia de coronavírus, que está impactando todos os níveis de atenção à saúde, trabalhamos dentro dos protocolos e fomos capazes de identificar uma nova variante do vírus influenza. Isso mostra a capacidade de resposta rápida que o nosso país, através de um esforço grande do Ministério da Saúde, das Secretarias de Saúde, dos Laboratórios Centrais de Saúde Pública(Lacens) e de institutos como IOC/Fiocruz, Instituto Evandro Chagas (IEC) e Instituto Adolfo Lutz (IAL), é capaz de dar para o controle da influenza”, avalia Marilda.

Uma vez que os vírus influenza ocorrem em diversas espécies de animais, o surgimento de novas variantes pode ocorrer tanto por mutações do genoma viral quanto pela recombinação entre microrganismos de diferentes espécies. Através do sequenciamento genético, os pesquisadores identificaram que a nova variante viral apresentava segmentos do RNA associados a vírus detectados em porcos e humanos.

“O vírus identificado no Paraná é caracterizado como uma nova variante porque apresenta configurações genéticas diferentes de outros vírus influenza A (H1N2), incluindo a cepa detectada no Brasil em 2016. Realizando o sequenciamento genômico, observamos que os segmentos H e N da nova variante viral estavam associadas a vírus que circularam anteriormente em humanos e suínos. Além disso, detectamos genes internos associados ao vírus influenza A (H1N1), que circulam desde 2009”, relata Paola Cristina Resende, pesquisadora do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do IOC.

Segundo a OMS, as infecções humanas por vírus de gripe de suínos ocorrem principalmente pelo contato com animais infectados ou ambientes contaminados. No caso de Ibiporã, as investigações ainda estão em curso, mas é possível que a paciente tenha sido infectada no frigorífico de suínos onde trabalha. No mesmo período, outro funcionário do local apresentou sintomas de gripe, mas não foram coletadas amostras na ocasião. A investigação epidemiológica e laboratorial em andamento não encontrou indícios de outros casos de infecção. “Vamos continuar as análises, mas, até o momento, não há evidências de que tenha acontecido transmissão”, reforça Marilda.

Por: Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

 

Propostas de pesquisadores da Fiocruz Amazônia são aprovadas em Chamada do CNPq para enfrentamento da Covid-19

Os pesquisadores Felipe Naveca e Marcus Lacerda, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) tiveram propostas aprovadas na Chamada MCTIC/CNPq/FNDCT/MS/SCTIE/Decit Nº 07/2020 – Pesquisas para enfrentamento da Covid-19, suas consequências e outras síndromes respiratórias agudas graves, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A chamada recebeu propostas de todas as regiões do País, totalizando 2.219 projetos submetidos e 90 aprovados.

O objetivo da chamada Nº 07/2020 é apoiar financeiramente pesquisas científicas e/ou tecnológicas relacionadas à Covid-19 e outras síndromes respiratórias agudas graves, de modo a contribuir para o avanço do conhecimento, formação de recursos humanos, geração de produtos, formulação, implementação e avaliação de ações públicas voltadas para a melhoria das condições de saúde da população brasileira.

Serão investidos cerca de R$ 45 milhões em 90 projetos de pesquisas. Os recursos são oriundos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e do Ministério da Saúde.

Pesquisador Felipe Naveca

Felipe Naveca destaca que a aprovação dos dois projetos da Fiocruz Amazônia demonstra o amadurecimento da pesquisa desenvolvida no Amazonas, em especial na Unidade da Fiocruz Amazônia.

“Esse apoio do edital do CNPq vai contribuir para a formação de muitos novos pesquisadores aqui, além de consolidar nosso grupo de pesquisa. A gente tem trabalhado com viroses emergentes no Amazonas e em outros estados da Região Norte”, disse ao explicar que seu projeto envolve a parceria com várias instituições do Amazonas, representadas por meio da Rede Genômica de Vigilância em Saúde, assim como instituições de pesquisa de outros estados, como a Fiocruz de Rondônia, os Laboratórios de Referências (Lacens) de Rondônia e de Roraima, e o Instituto Tecnológico da Vale, em Belém (PA).

SOBRE OS PROJETOS

Avaliação de fatores clínicos, imunológicos e virológicos em pacientes infectados pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) de diferentes estados da Região Norte do Brasil – Rede COVIDNORTE é o titulo do projeto de Felipe Naveca. Seus objetivos são realizar a caracterização evolutiva do genoma total de SARS-CoV-2 e descrever o perfil de resposta imune e características imunogenéticas de pacientes oriundos da Região Norte do país, com diferentes padrões clínicos de infecção

“Com a rede formada por representantes de diferentes estados da Amazônia brasileira, queremos entender melhor como foi que se deram as características da Covid-19 aqui, tanto estudando o genoma do vírus, quanto estudando também marcadores imunogenéticos nos pacientes desses estados, para saber se eles tiveram a doença, se a gente consegue descobrir um marcador que seja associado com resistência ou com susceptibilidade à forma mais grave da Covid-19”, explicou o pesquisador.

Pesquisador: Marcus Lacerda

A outra proposta da Fiocruz Amazônia aprovada na chamada pública do CNPq  é a  do pesquisador Marcus Lacerda, que também atua na Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

Sob o título Estudo de fase IIb para avaliar eficácia e segurança de succinato sódico de metilprednisolona injetável no tratamento de pacientes com sinais de síndrome respiratória aguda grave, no âmbito do novo coronavírus (SARS-CoV2): um ensaio clínico, duplo-cego, randomizado, controlado com placebo – MetCovid, o projeto busca avaliar a eficácia e segurança do corticoide metilprednisolona em pacientes com sinais de síndrome respiratória aguda grave, no âmbito do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Trata-se de um ensaio clínico, duplo-cego, randomizado e controlado com placebo. Os participantes do MetCovid são acompanhados pela equipe de pesquisa por 120 dias após início da participação.

De acordo com Lacerda, o apoio do Ministério da Saúde e do MCTIC, através da chamada pública do CNPq, “é fundamental para o desenvolvimento da pesquisa clínica, pois possibilita a aquisição dos equipamentos necessários, treinamento dos alunos de pós-graduação, entre outros, especialmente, no cenário vivido da pandemia de Covid-19”.

Para mais informações sobre a chamada do CNPq e seu resultado, clique.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Nascimento
Fotos: Eduardo Gomes

Estudo identifica diferentes linhagens do novo coronavírus circulando no Amazonas

Três linhagens do novo coronavírus foram introduzidas no Amazonas, é o que aponta estudo do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) que investigou amostras dos municípios de Manacapuru, Autazes, Careiro e Manaquiri (Região Metropolitana), Santa Isabel do Rio Negro (Rio Negro), Tabatinga e Santo Antônio do Içá (Alto Solimões), e Manicoré (Rio Madeira), além da capital Manaus.

A investigação foi realizada pela equipe do pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca. Segundo ele, a existência das 3 linhagens  do SARS-CoV-2: A2; B1.1; B1, sugere ao menos 3 introduções do vírus no Estado.

Em Manaus foram identificadas as três linhagens. Em Manacapuru, Manaquiri e Manicoré a pesquisa encontrou 2 linhagens circulando, e nos demais municípios uma linhagem.

As linhagens achadas no Amazonas são frequentemente encontradas em amostras da Austrália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

37 GENOMAS SEQUENCIADOS

O estudo de Epidemiologia Molecular do SARS-CoV-2 no Amazonas sequenciou 37 genomas do novo coronavírus. Felipe Naveca alerta para a importância desses dados, especialmente diante da escassez de informações sobre os vírus que causam síndromes respiratórias na população do Estado.

Em março deste ano Naveca concluiu o primeiro genoma SARS-CoV-2 do Norte do país. Agora, foram mais 36 sequenciamentos.

O sequenciamento dos genomas de amostras do SARS-CoV-2 contribuem para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos contra o vírus. Os genomas identificados no Amazonas agora podem ser comparados a outros que circulam no Brasil e no mundo.

O estudo é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio da Rede Genômica em Saúde do Estado do Amazonas (Regesam).

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Nascimento

Pesquisa revela que desigualdades sociais contribuíram para o aumento explosivo de mortes em Manaus

Estudo aponta que a gravidade da epidemia de Covid-19 em Manaus e o elevado número de mortalidade têm suas raízes na grande desigualdade social, fraca efetividade de políticas públicas e fragilidade dos serviços de saúde na cidade.

Para a investigação foram usados dados de mortalidade oriundos da Central de Informações do Registro Civil (CRC) Nacional e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), durante a 11ª e a 16ª semana epidemiológica (período de 15 de março a 25 de abril de 2020), revela o pesquisador Jesem Orellana, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Ele adianta que apesar das incertezas sobre mortalidade específica por Covid-19 é possível estimar o impacto da epidemia indiretamente, mediante o indicador de mortalidade geral, que avalia o excesso de óbitos ou o número de mortes não esperadas na população.

Jesem Orellana

“Normalmente, o indicador de mortalidade geral, varia pouco ou quase nada em curto espaço de tempo. Somente em situações excepcionais como desastres naturais, guerras ou de crise sociossanitária pode haver repentina e sustentada variação no padrão de mortalidade da população. Portanto, em tempos de ampla disseminação do novo coronavírus, especialmente em contexto sociossanitário desfavorável, espera-se não só maciço contágio e adoecimento, como também elevado e atípico número de óbitos”, comenta o pesquisador.

Além da Covid-19, outras possíveis causas de mortes foram consideradas pela CRC, como síndrome respiratória aguda grave (SRAG); pneumonia; septicemia; e insuficiência respiratória. Os óbitos não classificados em nenhuma dessas condições foram incluídos na categoria “demais causas”. Por fim, as mortes “indeterminadas” (causas de mortes ligadas a doenças respiratórias, mas não conclusivas) que representaram menos de 1% da amostra avaliada e não foram apresentadas separadamente.

A análise mostrou uma similaridade entre o total de óbitos registrados em 2019 e 2018, ao longo das semanas selecionadas em março e abril. Porém, ao se fazer uma comparação entre o total de óbitos de 2020 e 2019, observou-se um excesso de mortalidade, a partir da 14ª semana epidemiológica de 2020 e uma explosão na 16ª semana na qual o número de óbitos foi 200% maior do que o observado em 2019.

O expressivo aumento de mortes a partir da 14ª semana, deu-se aproximadamente 15 dias após a confirmação dos 30 primeiros casos de Covid-19 em Manaus. Já o alarmante e inédito aumento do número de mortes na 16ª semana, coincidiu com o colapso da rede pública hospitalar, gerando um aumento três vezes maior de sepultamentos diários.

Nesse período, as mortes em casa e em via pública também aumentaram, bem como os casos de Covid-19 nos municípios vizinhos. Esse conjunto de acontecimentos resultou, provavelmente, de uma grande aceleração da epidemia em Manaus nas semanas anteriores, contribuindo para a consolidação de uma crise sociossanitária sem precedentes.

“Variações no indicador de mortalidade geral, em cenário de crise sociossanitária, não estão restritas  a países de baixa e média renda, pois um número excessivo de mortes, também foi observado em Nova York e outras cidades da Europa, especialmente na Itália e Espanha, reforçando que a subnotificação na mortalidade específica por Covid-19 tem ocorrido nos mais diferentes contextos e regiões do planeta”, observa o pesquisador.

O estudo também aponta ainda que em Manaus quase 70% das mortes ocorreram em pessoas com 60 anos ou mais, um dado semelhante aos mostrados em estudos realizados em outros países, e que confirmam que nesse segmento populacional, as comorbidades têm sido associadas com um prognóstico pior em casos de internação por Covid-19.

Outro dado que corrobora com outros estudos, diz respeito aos diferenciais por sexo, com risco de mortalidade maior entre os homens, e um aumento explosivo de mortalidade por problemas respiratórios, que são complicações comuns da Covid-19.

Para o pesquisador, “reforços devem ser envidados rapidamente por gestores das três esferas de governo de modo a conter ou minorar o efeito deletério da Covid-19 em Manaus, sobretudo em áreas mais precárias, onde o impacto da pandemia sobre a mortalidade tende a ser mais acentuado”, conclui Orellana.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Eduardo Gomes-ILMD/Fiocruz Amazônia
Imagem: Mackesy Nascimento

Fiocruz Amazônia lança edital do Programa de Iniciação Científica

Amanhã, 15/5, iniciam as inscrições para o Programa de Iniciação Científica do Instituto Leônidas & Maria Deane (PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia). O processo de inscrição é todo online, através do envio da documentação obrigatória descrita no edital, para o e-mail pic.ilmd@fiocruz.br.

Podem participar estudantes de cursos de graduação de instituições de ensino superior públicas ou privadas reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC). O candidato deve estar regularmente matriculado e ter Coeficiente de Rendimento Acumulado (CRA) com valor igual ou maior que 7,0 (no caso de bolsa nova) e não ter reprovação em disciplinas afins às atividades do projeto de pesquisa que pretende desenvolver, além de outras condições, descritas no edital. No caso de renovação de bolsa, a nota deve ser maior ou igual a 6,0.

Acesse aqui ao edital do PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia.

Os candidatos têm até o dia 12 de junho para fazerem suas inscrições. O PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia é desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O resultado será divulgado no dia 6 de julho de 2020.

“Este ano foi lançado o Banco de Currículo para os alunos que tenham interesse em realizar iniciação científica no ILMD/Fiocruz Amazônia”, comenta Priscila Aquino, coordenadora do PIC. Ela explica ainda que o Banco vai facilitar o acesso dos pesquisadores aos currículos dos alunos.

Para mais informações sobre o Banco de Currículo, clique.

O início das atividades está previsto para o dia 1º.  de agosto deste ano. As bolsas serão concedidas por um período de 12 meses, podendo ser renovadas.

SOBRE O PIC

A Iniciação Científica é um instrumento de formação de recursos humanos que permite colocar o estudante de graduação em contato direto com as atividades de pesquisa e o pensar científico, despertar a vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação.

O Programa de Iniciação Científica da Fiocruz Amazônia tem como objetivos despertar a vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação.

Saiba mais sobre PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia.

Acesse ao Banco de Currículo.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Nascimento

NOTA EM DEFESA DA CIÊNCIA E DOS PESQUISADORES DA FIOCRUZ

O Conselho Deliberativo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vem a público manifestar seu apoio aos pesquisadores responsáveis pelo estudo CloroCovid-19, que vem sendo realizado por mais de 70 pesquisadores, estudantes de pós-graduação e colaboradores de instituições com tradição em pesquisa, como Fiocruz, Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, Universidade do Estado do Amazonas e Universidade de São Paulo.

A instituição considera inaceitáveis os ataques que alguns de seus pesquisadores vem sofrendo nas redes sociais, após a divulgação de resultados preliminares com o uso da cloroquina em pacientes graves com a Covid-19. Estudos como esse são parte do esforço da ciência na busca por medicamentos e terapêuticas que possam contribuir para superar as incertezas da pandemia de Covid-19. A pesquisa CloroCovid-19 permanece em andamento e foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

A Fiocruz tem trabalhado incansavelmente em diversas frentes de atuação e vem a público clamar pela tranquilidade e segurança de seus pesquisadores, requisitos essenciais para o desenvolvimento de seus estudos. É fundamental alertar que a busca por soluções não pode prescindir do rigor científico e do tempo exigido para obtenção de resultados seguros e que as pesquisas devem se manter, portanto, fora do campo narrativo que constrói esperanças em cima de respostas rápidas e ainda inconclusivas.

A Fundação apoia incondicionalmente seu corpo de pesquisadores, que estão absolutamente comprometidos com a ciência e com a busca de soluções para o enfrentamento dessa pandemia, e reafirma seu compromisso com a missão de produzir, disseminar e compartilhar conhecimentos e tecnologias voltados para o fortalecimento e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e para a promoção da saúde e da qualidade de vida da população brasileira.