Merck apresenta técnica de edição gênica no ILMD/ Fiocruz Amazônia

Merck apresenta técnica de edição gênica no ILMD/ Fiocruz Amazônia

Na última quinta-feira (16/02), pesquisadores, servidores e bolsistas do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) participaram das palestras técnicas “CRISPR: ferramenta de edição gênica” e “Sistema Luminex – tecnologia multiparamétrica na determinação de biomarcadores”, ministradas pelo Gerente de Produtos e responsável pelas plataformas de biotecnologia da empresa Merck, Misael Silva.

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Na ocasião, o palestrante divulgou uma técnica de edição gênica, intitulada CRISPR, que segundo ele, “é uma das promessas científicas para a cura de doenças genéticas, que até o momento representam grande desafio para a pesquisa”. O Objetivo das palestras foi apresentar algumas atualizações tecnológicas e possibilitar uma troca de experiências com o público.

O CRISPR é uma nova metodologia que permite adicionar ou retirar sequências específicas do genoma celular. A ação permite apagar um gene defeituoso ou adicionar um gene ausente em uma célula defectiva. “Esse tipo de abordagem permite que você possa corrigir problemas genéticos, seja pela deleção da mutação desse gene durante o desenvolvimento do organismo, ou para corrigir e adicionar um gene inexistente”, explicou.

Outra tecnologia apresentada foi o Sitema Luminex, uma técnica multiparamétrica, que possibilita constituir vários indicadores e informações ao mesmo tempo. A tecnologia permite ao pesquisador “agilizar o andamento do projeto, pois se consegue mais informações em menos tempo, economizando recursos, diminuindo a quantidade de insumos laboratoriais, sejam eles reagentes, pessoas ou tempo para obter a mesma quantidade de informações dos métodos tradicionais”, disse Misael.

Para Felipe Naveca, vice-diretor de Pesquisa do ILMD, o momento possibilita ao público uma aproximação maior com novos temas e técnicas, que futuramente podem ser usados. “Algumas técnicas que você ouve falar, mas não tem a oportunidade de ver detalhado por um especialista no assunto ou na tecnologia, que pode te ajudar a tirar dúvidas. Acredito que hoje, muitas pessoas já saíram da palestra pensando em como utilizar essas tecnologias em seus projetos”.

SOBRE A MERCK

A Merck é uma empresa Alemã, líder em ciência e tecnologia nos setores de cuidados com a Saúde. A empresa atua no desenvolvimento de tecnologias que melhorem e prolonguem a vida, produzindo desde terapias com biofarmacêuticos para tratar o câncer ou esclerose múltipla, sistemas de ponta para a pesquisa científica e de produção, a cristais líquidos para smartphones e televisores LCD.

Após a apresentação, Misael avaliou a segunda experiência da empresa no Instituto. “A experiência é bastante enriquecedora, pois nos permite essa troca com o público, avaliar como as diferentes regiões do país estão em relação a aplicação de novas ferramentas. É possível perceber que a Fiocruz está sempre na vanguarda quando você compara com outros institutos que trabalham com o mesmo tema, então isso é muito interesse, pois para nós a Fundação funciona como um ponto de referência”.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Foto: Eduardo Gomes

 

Palestra no ILMD vai abordar risco cardiovascular e biomarcadores metabólicos

Nos últimos anos foram identificados fatores de risco importantes para o risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes mellitus, tabagismo e hipercolesterolemia. Pensando em debater estes temas, o Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) apresenta na próxima sexta-feira (17/02), às 9h, no Salão Canoas, auditório da Instituição, a palestra “Risco cardiovascular e biomarcadores metabólicos”, que será ministrada pelo Dr. Pritesh Lalwani, pesquisador do ILMD.

Na ocasião, o pesquisador vai abordar estudos científicos em andamento sobre moléculas metabólicas, o estado atual da pesquisa e a força da evidência que apoia esses biomarcadores emergentes. Segundo Pritesh, “embora esses fatores de risco padrão sejam importantes, existe uma grande oportunidade para aproveitar as pesquisas científicas em andamento, visando estratificar os indivíduos e identificar novas metas de tratamento”.

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ensino para a promoção da saúde. A entrada é gratuita e podem participar estudantes de graduação e pós graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

SOBRE O PALESTRANTE

Pritesh é Graduado em Ciências e Biotecnologia pela Faculdade Moderna de Artes, Ciência e Comércio, da Universidade de Pune (Índia), Mestre em Virologia pelo Instituto Nacional de Virologia, da Universidade de Pune. É também doutor em Imunologia pelo Instituto de Virologia Médica, Charite (Berlim).
 
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.
Foto: Divulgação

Fiocruz lembra centenário da morte de seu fundador

O médico Oswaldo Cruz encabeça a lista de cientistas brasileiros importantes da enquete promovida em 2010 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil. Graças ao empenho e visão do médico e sanitarista, uma geração de importantes cientistas foi formada no Instituto de Manguinhos, que ganhou projeção internacional. Cruz deixou um rico legado para a história biomédica nacional e o Castelo da Fiocruz é um símbolo de produção de conhecimento científico, inovação e tecnologia em saúde. No centenário de sua morte, lembrado em 11 de fevereiro de 2017, o Brasil tem sim motivo para comemorar a vida e a obra de Oswaldo Cruz. Em sua trajetória, a instituição manteve seu compromisso com a saúde pública para todos, mantendo sua origem dedicada à produção, à pesquisa, ao ensino e à defesa dos valores democráticos.

O sanitarista é lembrado pela contribuição decisiva no combate a doenças como febre amarela – que, atualmente, causa temor e registra surtos em algumas regiões do país -, peste bubônica e varíola, que assolavam no Rio de Janeiro e em outras cidades brasileiras desde a segunda metade do século 19. As ações do médico reduziram as mortes por febre amarela e as demais doenças. Em 1903, houve 584 óbitos causados pela doença no Rio de Janeiro; em 1908, apenas quatro pessoas morreram vítimas da enfermidade.

Ao trazer ao país diversas inovações no campo da microbiologia e da pesquisa experimental aprendidas na França, onde se especializou no Instituto Pasteur no final do século 19, Oswaldo Cruz se destacou em sua área. As dificuldades que encontrou no combate às doenças na capital federal, prejudicando inclusive a relação comercial do Brasil com o mundo, não foram poucas. O jovem médico precisou adotar medidas duras de saneamento na cidade, que passou por grande transformação urbana conduzida pelo prefeito Pereira Passos durante a presidência de Rodrigues Alves.

Dirigido pelo Barão de Pedro Afonso, que era também proprietário do Instituto Vacínico Municipal do Rio de Janeiro, o Instituto Soroterápico Federal tinha a missão de produzir o soro e a vacina antipestosos. Para coordenar esta tarefa, Oswaldo Cruz foi designado como seu diretor técnico. Em 1902, após o afastamento do Barão de Pedro Afonso, Oswaldo Cruz tornou-se diretor geral do ISF. Também à frente da Diretoria Geral de Saúde Pública, entre 1903 e 1909, promoveria uma verdadeira batalha contra a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. Para isso foi necessário elaborar e aprovar um novo código sanitário, que instituía, entre outras medidas, a obrigatoriedade da vacinação antivariólica. Este fato foi o estopim do levante popular que sacudiu as ruas do Rio de Janeiro em novembro de 1904, e que ficaria conhecido como Revolta da Vacina.

No entanto, apesar de críticas por parte da imprensa, de médicos, políticos e da rebelião popular, Oswaldo Cruz obteve êxito em suas campanhas sanitárias e foi consagrado com várias homenagens. Em 1907 recebeu a medalha de ouro em nome da seção brasileira presente no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim. De volta ao Brasil em 1908, foi recepcionado como herói nacional. A ocasião também marcou o fim das críticas por sua conduta frente às campanhas sanitárias. Em 1913 Oswaldo Cruzou ingressou na Academia Brasileira de Letras, e um ano depois foi agraciado com o título de oficial da Ordem Nacional da Legião de Honra da França.

Ele realizou o levantamento das condições sanitárias do interior do país promovendo expedições científicas com pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, como em 1910, quando, ao lado de Belisário Penna, combateu a malária durante a construção da Ferrovia Madeira-Mamoré, na Região Amazônica.

A Casa de Oswaldo Cruz, instituto da Fiocruz dedicado à história e à memória da instituição, preserva acervos que revelam a trajetória do sanitarista, por meio de documentos, imagens, livros e objetos. O público também encontra reportagens, programas especiais e documentários dedicados a Oswaldo Cruz.

Confira o especial da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz).

Fonte: COC/ Fiocruz

Estimador de máxima verossimilhança é usado para calcular taxas de infecção em ‘pools’ de diferentes tamanhos

O Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) apresentou nesta sexta-feira (10/02), a palestra An approximate likelihood estimator for the prevalence of infection in vectors using pools of varying size, ministrada pelo pesquisador, James Dean, professor do Departamento de Estatística e do Programa de Pós-graduação em Matemática da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O estudo sugere um estimador de verossimilhança aproximado para calcular taxas de infecção em vetores, usando pools de diferentes tamanhos quando a variabilidade do tamanho for pequena e a taxa de infecção baixa.

De acordo com o pesquisador, existem vários artrópodes que podem transmitir doenças aos seres humanos. No intuito de fazer inferências sobre a taxa de infecção desses artrópodes, é comum coletar uma grande amostra de vetores, dividi-los em grupos (chamados pools) e aplicar um teste para detectar a infecção.

Os vetores são agrupados em um pool. Em seguida, é aplicado um teste para verificar se existe contaminação no conjunto (por exemplo, análise por PCR). O desempenho do estimador foi avaliado em quatro cenários simulados, criados a partir de experimentos reais selecionados na literatura.

Segundo Dean, a demanda de criação de um novo estimador deu-se pela necessidade de chegar a um cálculo mais próximo sobre as taxas de infecções de vetores, corrigindo erros encontrados em estimadores usados em métodos tradicionais. “Os estimadores que haviam na literatura, tinham um problema de serem muito viciados. Como não havia uma alternativa de correção de viés, pela complexidade numérica da obtenção dos estimadores usuais, fizemos uma aproximação para possibilitar essa correção de vício. Nosso estimador tem essa propriedade que em média está mais próximo da verdadeira taxa de infecção”.

O novo estimador apresentou bom desempenho em três desses cenários. Além disso, apresentou um fraco desempenho no cenário com grande variabilidade no tamanho dos pools para alguns valores do espaço de parâmetros. A pesquisa recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), e parceria da extinta Secretaria de Estado de Ciência Tecnologia e Inovação (SECTI).

Para o mestrando do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), Jordan Pereira, “uma das maiores complicações que a gente encontra é estar acostumado a trabalhar com amostras individuais, onde calculamos a taxa de infecção, através do número de indivíduos infectados pelo número de indivíduos testados. Como calcular a taxa de infecção em grupos maiores? A equações apresentadas pelo palestrante conseguem dar exatamente os resultados que nós precisamos, e isso pode ser aplicado inclusive na pesquisa que estou desenvolvendo”.

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ensino para a promoção da saúde. A entrada é gratuita e podem participar estudantes de graduação e pós graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

SOBRE O PALESTRANTE

James Dean é graduado em estatística pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), mestre em estatística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente é professor da UFAM. Tem experiência na área de Probabilidade e Estatística, com ênfase em Inferência Bayesiana, atuando principalmente nos seguintes temas: modelos lineares dinâmicos, eficiência técnica produtiva, fronteira de produção, inferência bayesiana e aglomerados.

ILMD/ Fiocruz Amazônia
Texto e Fotos: Eduardo Gomes

Transmissão de cargo de presidente da Fiocruz ocorre nesta sexta (10/2)

A cerimônia de transmissão de cargo de presidente da Fiocruz de Paulo Gadelha (2009 a 2016) para Nísia Trindade Lima acontece, nesta sexta-feira (10/2), a partir das 9h30, na Praça Pasteur, ao lado do Castelo Mourisco. A solenidade contará com a presença de diversas autoridades da ciência, saúde e política brasileira. Doutora em Sociologia e servidora da Fiocruz desde 1987, a pesquisadora, professora e gestora Nísia Trindade Lima será a primeira mulher a comandar a Fundação, em 116 anos de história.

No evento, também estarão presentes o governador do estado do Ceará, Camilo Santana; o presidente da Firjan, Eduardo Vieira, como representante do Conselho Superior da Fiocruz; a presidente da Asfoc Sindical, Justa Helena Franco; a coordenadora do Projeto Marias, Norma Maria de Souza; e a representante da Associação de Pós-Graduandos (APG), Maria Fantinatti. Outras autoridades ainda estão com presença a serem confirmadas, como o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. A cerimônica também contará com atividades culturais, como a participação do Coral Fiocruz, um ato ecumênico e apresentações da Bateria da Mangueira e do Bloco Discípulos de Oswaldo.

Nomeada pelo presidente da República, Michel Temer, em decreto publicado no Diário Oficial da União do dia 4 de janeiro, para a gestão 2017-2020, Nísia Trindade Lima foi a candidata mais votada nas eleições internas da Fiocruz, realizadas em novembro de 2016, com 59,7% dos votos em primeira opção. De 2011 a 2016, Nísia esteve à frente da Vice-Presidência de Ensino, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz). Em 2015, recebeu o prêmio Nise da Silveira, na categoria Mulher Cientista, pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Clique aqui e confira a programação oficial da cerimônia de transmissão de cargo.

CCS/Fiocruz
Fonte: Portal Fiocruz

Com fotos de pesquisadores, livro apresenta aspectos da Comunidade de Rio Pardo, Presidente Figueiredo (AM)

Estabelecer um diálogo através da fotografia entre pesquisadores e moradores da Comunidade do Rio Pardo, Zona Rural do Município de Presidente Figueiredo (AM) é o objetivo central do livro “Visão PARDO”, organizado pelos pesquisadores e fotógrafos Ricardo Agum, do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), Sávio Stoco, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e Leandro Giatti, da Faculdade de Saúde Pública (FSP/USP). A obra é um ensaio fotográfico idealizado com a proposta de narrar aspectos da realidade da Comunidade, distante aproximadamente 200 km de Manaus.
Segundo Agum, trata-se de um diálogo com a comunidade, um livro que trabalha com fotografias contemporâneas, resultado de uma experiência com pesquisadores que já faziam fotos em comunidades para suas pesquisas, relatando através das imagens o que perceberam nas suas coletas de dados.
As pesquisas realizadas pelos fotógrafos/pesquisadores aconteciam em comunidades dos mais variados tipos: comunidades ribeirinhas, comunidades quilombolas, assentamentos rurais, “populações que podem ser consideradas como vulneráveis, que estão a margem de alguns processos políticos, decisórios, de implementações de políticas públicas, e os pesquisadores já transitavam por essas áreas”. O trabalho de imersão feito em Rio Pardo, possibilitou a percepção sobre a forma de vida dessas pessoas, elaborando um paralelo com o trabalho de pesquisa que os mesmos já desenvolviam.
Parte do projeto foi desenvolvido com recursos do Fundo Nacional de Cultura, investimento do Edital Amazônia Cultural, do Ministério da Cultura (MinC), destinado aos projetos que estimulam, capacitam e difundam ações da cultura brasileira na Região Norte. O projeto foi também contemplado no Edital de popularização da ciência, Pop C&T, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

 

 

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Agum explicou que as fotografias narram os lugares, paisagens, pessoas, movimentos, trabalhos e ações que representam a comunidade, por esse motivo existe uma transação entre as imagens selecionadas, que compõem o catálogo. “As fotos foram feitas por diferentes pesquisadores, que possuem olhares diferenciados, em momentos distintos. Nos debruçamos em cima da seleção dessas fotos para que existisse uma linha narrativa sobre elas”.
As fotos e textos publicados em Visão PARDO são de autoria dos pesquisadores Ricardo Agum, Sávio Stoco, Leandro Giatti, Alessandra Nava, Rodrigo Mexas, Sérgio de Souza, Danielle Ferreira, Márcio Miranda, Sully Sampaio e Alexandre Sequeira. Publicado pela Editora Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, o catálogo recebeu o apoio institucional do Programa de Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA), Laboratório de Situação de Saúde e Gestão do Cuidado às Populações em Situação de Vulnerabilidade (SAGESC) do ILMD, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Federal do Pará (UFPA), Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) e Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT).
Entre os desafios, Agum destacou a importância de ter sensibilidade, entendimento e engajamento de que a publicação é um trabalho feito para o outro. “É preciso criar um diálogo de entendimento daquilo que você pretende fazer e aquilo que eles esperam do trabalho, ser o mais objetivo possível, além de executar uma obra que se torne atraente para a comunidade e não só para quem fez o trabalho”, disse.
Um dos destaques da publicação é o ensaio “Pinhole PARDO”, composto por fotografias das oficinas de pinhole, também conhecida como fotografia artesanal. As fotos foram feitas por estudantes do 8º e 9º da escola Municipal Zita Gomes, que participaram de oficinas sobre fotografia, enfocando desde a fabricação das câmeras até a revelação química das imagens. A obra tem distribuição gratuita e foi entregue para os alunos e professores de Rio Pardo, além de terem sido distribuídas para algumas bibliotecas do Amazonas, Rondônia, Pará e Roraima.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes

Aplicativo da Fiocruz colabora na prevenção da febre amarela

Um aplicativo desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz que transforma cidadãos comuns em agentes ativos para prevenir febre amarela e outras doenças de origem animal foi um dos destaques da segunda metade do painel de Febre Amarela, na última terça-feira (31/1), no campus da Fiocruz em Manguinhos. A bióloga Márcia Chame, coordenadora do Centro de Informação em Saúde Silvestre e do Programa Institucional Biodiversidade & Saúde apresentou o aplicativo SISS-Geo, do Sistema de Informação em Saúde Silvestre (SISS), discorrendo sobre como o programa pode se tornar uma ferramenta útil no enfrentamento a doenças silvestres.

Segundo a pesquisadora, o principal trunfo do SISS-GEo é estimular a participação da sociedade no monitoramento de epizootias (termo usado para definir eventos de doenças em animais não humanos, análogo ao conceito de epidemia em pessoas). O aplicativo trabalha com a perspectiva de “ciência cidadã”, que entende que qualquer pessoa pode contribuir com a ciência.

Sua proposta é bastante simples: cada vez que alguém se deparar com um animal silvestre, deve reportá-lo no aplicativo, informando o tipo de animal observado, suas características, localização, características do ambiente e fotos. O aplicativo é gratuito, muito leve – tem menos de 3 MB – e simples de usar, possibilitando vasta implementação. “Apostamos que qualquer pessoa é capaz de gerar informação sobre a saúde dos animais, estando onde estiverem, mesmo com nível de alfabetização muito baixa. Com o celular, qualquer um pode prevenir doenças e ajudar a monitorar a situação de saúde dos animais”, disse Márcia.

Após o registro, os dados são disponibilizados em um banco de dados, e então cruzados com 2.600 parâmetros, distribuídos em 39 camadas temáticas. Eles podem ser relacionados com outras bases de dados, permitindo que se estude, por exemplo, como doenças em animais se relacionam a eventos climáticos, ou então que se monitore a dinâmica de animais reintroduzidos em ambiente silvestre, ou ainda que se emitam alertas de moléstias que atingem determinadas espécies.

A pesquisadora explicou que a iniciativa objetiva responder o desafio de “um país de dimensões continentais, com vasta diversidade de parasitas, vetores e hospedeiros”. Somam-se a este cenário difícil a alta complexidade da ecologia das doenças, a capacidade limitada de ir a campo e a deficiência de infraestrutura em Big Data. Para se contrapor a isso, o sistema procura gerar, em tempo real, “informações digitalizadas que permitam explorar esses dados com grande potência”.

Como exemplo, o sistema permitiu saber que, nos últimos 70 dias, houve o registro de 24 indivíduos mortos de tartarugas marinhas, com intervalo médio espacial de 19km entre cada indivíduo, e de 4,33 dias entre o registro de cada óbito.

Para que o sucesso do SISS-Geo seja pleno, entretanto, é crucial a expansão da participação social. No momento da apresentação, o sistema contava com 1.109 colaboradores, com 1.404 registros válidos. A título de comparação, uma iniciativa semelhante para monitoramento de pássaros nos Estados Unidos conta com 80 mil participantes. Márcia confia que o aplicativo da Fiocruz pode chegar lá: “Podemos e queremos também ter 80 mil colaboradores”, afirmou.

Saiba mais em: https://goo.gl/m7ReOF

Fonte: AFN, por André Costa
Foto: Eduardo Gomes, ILMD/ Fiocruz Amazônia

Palestra sobre Imunidade inata e doença de Alzheimer será apresentada no ILMD

O Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) convida para a palestra “Innate immunity and Alzheimer disease”, a ser ministrada pelo Dr. Douglas Golenbock, professor adjunto da Boston University School of Medicine, e chefe da Division of Infectious Diseases and Immunology, U Mass Medical School. A palestra será apresentada em inglês, e mostrará os recentes resultados sobre a resposta imune inata e suas implicações na patogenia e tratamento da doença de Alzheimer.

Data: 03 de Fevereiro de 2017

Hora: 9h

Local: Salão Canoas, auditório da Instituição, situada na Rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.

Saiba mais em: https://goo.gl/26KkJi

Foto: Divulgação

Fiocruz coordena estudo sobre Profilaxia Pré-Exposição ao HIV

A implementação do estudo sobre Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) na América Latina é objeto da mais nova parceria coordenada pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), através do Laboratório de Pesquisa Clínica em DST/Aids (LaPClin-Aids). O projeto reúne instituições de saúde do Brasil, do México e do Peru e estuda o uso da truvada – combinação dos medicamentos tenofovir e emtricitabina em um único comprimido – como forma de prevenir a infecção por HIV em populações com risco considerável, como os homens que fazem sexo com homens (MSM), travestis e mulheres transexuais (TGW).

O estudo é fruto de um esforço conjunto do Ministério da Saúde brasileiro e da Fiocruz e prevê o desenvolvimento de políticas públicas e posterior disponibilização do medicamento visando reduzir o contágio pelo vírus HIV nos respectivos países. A iniciativa conta com financiamento da Unitaid, e apoio técnico da Fiotec.

O projeto foi apresentado e discutido durante um encontro de quatro dias realizado no INI/Fiocruz, de 23 a 26 de janeiro, onde diversos pesquisadores e profissionais envolvidos com estudos sobre HIV/Aids acertaram os pontos finais da parceria. No primeiro dia de atividades, no Auditório do Pavilhão de Ensino do Instituto, a pesquisadora do LaPClin-Aids, Valdiléa Veloso, coordenou a reunião onde foram apresentados os objetivos e metas da parceria tríplice entre Brasil, México e Peru.

Para o gerente geral da Fiotec, Adilson Gomes dos Santos, é positivo para todos reunir os agentes envolvidos no estudo que estão preocupados em resolver problemas de Saúde Pública nos seus respectivos países, comprovando assim o comprometimento de todos na luta contra o HIV. Já a representante da Unitaid, Judith Polzky, destacou o pioneirismo brasileiro em adotar a PrEP através dos estudos desenvolvidos no INI, auxiliando assim a Organização Mundial de Saúde na multiplicação dos resultados obtidos a outros países.

Já Giovanni Ravasi, da Organização Pan-americana de Saúde, afirmou que a parceria é fundamental para as novas estratégias de adoção da PrEP no combate a essa doença crítica para a saúde pública. Por fim, a diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, citou o Brasil como exemplo no tratamento para todos os pacientes com HIV/aids e lembrou que o MS está trabalhando intensamente para a implementação efetiva da PrEP, aguardando apenas os trâmites técnicos para tal, o que deve ocorrer ainda esse ano.

Desenvolvimento do projeto

Coube a Valdiléa Veloso, pesquisadora do INI/Fiocruz, apresentar os objetivos e a estrutura do projeto, explicando os determinantes estruturais, programáticos e individuais que contribuem para as altas taxas de prevalência do HIV entre homens que fazem sexo com homens (MSM) e travestis e mulheres transexuais (TGW). Nos países que integram o estudo a prevalência de HIV é: MSM – Brasil (14,2%), México (16,9%) e Peru (12,4%). No caso das TGW – Brasil (33,1%), México (20%) e Peru (30%).

“O projeto abordará áreas estratégicas, visando fornecer as informações identificadas nos programas públicos desses países para sanar brechas estratégicas que dificultam o escalonamento dos planos, servindo como um catalisador para a preparação da implantação efetiva da PrEP”, explicou Valdiléa. A pesquisadora lembrou ainda que até dezembro de 2016, nenhum país da América Latina havia implementado a PrEP como uma política pública de saúde.
Ao todo, 19 cidades foram incluídas no estudo: oito no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba. Florianópolis, Recife, Manaus e Brasília), cinco no México (Cidade do México, Guadalajara, Puerto Vallarta, Oaxzaca e Juchitan) e seis no Peru (Lima/Callao – província que concentra 71% dos casos de Aids do país), Iquitos, Pucallpa, Tarapoto, Chiclayo e Trujillo.

“Nosso principal objetivo é contribuir para reduzir a incidência de HIV nessas populações específicas através da PrEP como um componente do serviço de saúde local”, disse. A expectativa é que participem do estudo 7.500 pessoas dos três países ao longo de três anos.

Perspectivas para Peru e México

O Peru enfrenta uma série de questões quanto à prevenção do HIV, relatou Carlos Cáceres, da Universidad Peruana Cayetano Heredia (UPCH), entre elas a queda no uso do preservativo, a pouca frequência na realização de exames de HIV/Aids, a barreira no acesso ao início do tratamento e o alto estigma da doença. O fortalecimento da estratégia geral de prevenção e incremento da cobertura PrEP, a partir da incorporação de novas tecnologias, o desenvolvimento do conceito de prevenção combinada, o maior potencial para abordar, de forma efetiva, a epidemia nessas populações (MSM e TGW), e a identificação de critérios para fortalecer o conhecimento e a capacidade das equipes de saúde em sua relação com a prevenção combinada e a PrEP são algumas das metas esperadas pelo representante peruano com essa parceria.

Já Hamid Vegas, da Clínica Especializada Condesa, do México, espera aproveitar as evidencias positivas do uso da PrEP no Brasil para incorpora-las no sistema de saúde mexicano, além de mudar o conceito e as propriedades de investimentos nessa área e promover a integração das diretrizes nacionais de diagnóstico e tratamento do HIV. O representante mexicano lembrou que no país a utilização da medicação é feita apenas para tratamento, não para prevenção da doença, e espera mudar esse conceito com o estudo.

Sobre a medicação da PrEP

O medicamento deve ser tomado diariamente fazendo com que o usuário desenvolva uma espécie de “barreia imunológica” contra o vírus HIV, oferecendo proteção ao manter relações sexuais. Entretanto, quem adotar a medicação não deverá abrir mão do uso da camisinha. A PrEP é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) mas é adotada apenas para o tratamento e não prevenção à doença em diversos países.

INI/Fiocruz, por Antonio Fuchs
Fonte: AFN

Pesquisa destaca centros de referência no combate à hanseníase

Um estudo que analisou mais de 1,8 mil casos suspeitos de hanseníase atendidos durante cinco anos no Ambulatório Souza Araújo, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), aponta para a importância dos centros de referência na atual estratégia para controle da doença. Publicada na revista científica Plos Neglected Tropical Diaseases, a pesquisa investigou o perfil de pacientes recebidos pela unidade em um contexto de mudança no modelo de atenção à hanseníase no Rio de Janeiro, no qual a doença deixou de ser prioritariamente diagnosticada e tratada por especialistas e passou a ser contemplada diretamente pelos médicos da atenção básica.

O trabalho revelou que o Ambulatório Souza Araújo tem expandido seu papel no esclarecimento de casos suspeitos, em apoio às unidades básicas de saúde. Os dados levantados durante o estudo também chamaram atenção para um desafio no combate ao agravo: apesar das medidas para ampliar o acesso ao tratamento, 14% dos pacientes recebidos no Ambulatório durante o período apresentavam lesões avançadas no momento do diagnóstico, prejudicando a função dos olhos, mãos ou pés.

A pesquisa contemplou casos atendidos entre 2010 e 2014, incluindo pacientes encaminhados pelas redes pública e privada e pessoas que procuraram espontaneamente a unidade por suspeita de hanseníase. Entre mais de 1,8 mil pacientes, apenas 465 – um quarto do total – foram confirmados com infecção pelo Mycobacterium leprae, causador da hanseníase. Nos demais casos, os médicos identificaram que outras doenças de pele, incluindo micoses, psoríase e dermatite eczematosa, assim como agravos do sistema nervoso eram a causa das lesões que tinham originado a suspeita de hanseníase.

“Os dados indicam que os médicos da atenção básica, que não são especialistas, estão suspeitando de hanseníase, o que é importante para ampliar o acesso ao tratamento da doença. Porém, em alguns casos, eles não têm certeza do diagnóstico, o que é esperado. Nesta situação, é importante ter um centro de referência, onde essa dúvida pode ser resolvida”, afirma a médica Euzenir Sarno, pesquisadora do Laboratório de Hanseníase do IOC/Fiocruz, unidade responsável pelo Ambulatório Souza Araújo, e coordenadora do estudo. A unidade atua como Serviço de Referência Nacional em Hanseníase junto ao Ministério da Saúde e, nesse contexto, mantém o Ambulatório Souza Araújo, promovendo a integração entre pesquisa e assistência.

A mudança no modelo de atenção à hanseníase no Rio de Janeiro é resultado da expansão da Estratégia de Saúde da Família no estado, com ênfase para a capital. Até 2009, o programa alcançava cerca de 30% da população fluminense, percentual que subiu progressivamente, chegando a quase 50% em 2014. Neste período, o crescimento foi ainda mais acentuado na capital. Até 2009, menos de 10% dos cariocas eram atendidos pelo Saúde da Família.
Em 2014, esse índice chegava a 45%. “No modelo anterior, os pacientes eram encaminhados para serviços especializados de dermatologia, que eram responsáveis pelo diagnóstico e tratamento da hanseníase. Já na Estratégia de Saúde da Família, a doença pode ser diagnosticada e tratada pelos clínicos gerais que fazem o atendimento da população. O objetivo é ampliar o acesso à terapia, uma vez que esses profissionais têm contato frequente com os pacientes e podem identificar o agravo em consultas de rotina”, esclarece Raquel Barbireri, médica do Ambulatório Souza Araújo e primeira autora do estudo.

Com a mudança no modelo de atenção, o perfil de pacientes atendidos no Ambulatório Souza Araújo também passou a apresentar diferenças. Entre 2005 e 2009, apenas 20% dos pacientes tinham passado por apenas uma consulta antes de serem encaminhados para o centro de referência, enquanto 80% tinham sido atendidos previamente em duas ou mais unidades de saúde. Já no período de 2010 a 2014, o percentual de pacientes encaminhados logo após o primeiro atendimento dobrou, alcançando 40%. Ao mesmo tempo, houve um aumento de 16% no encaminhamento de pacientes que, de fato, não apresentavam hanseníase, mas sim outras doenças de pele.

“Na maioria dos casos, os dermatologistas do Ambulatório Souza Araújo não precisaram realizar biópsias das lesões para identificar os casos de outras doenças dermatológicas. Porém, o diagnóstico diferencial da hanseníase, pelo exame visual, pode ser difícil para um profissional de saúde que não é especializado no tema. Nesse contexto, o papel do centro de referência se torna ainda mais importante, uma vez que atua inserido no Sistema Único de Saúde”, ressalta Euzenir.

Como referência, o Ambulatório Souza Araújo desempenha atividades de diagnóstico, tratamento e prevenção da hanseníase. O atendimento é feito por uma equipe multiprofissional e pode incluir a realização de biópsias e outros procedimentos. Após o diagnóstico, os pacientes com casos simples podem ser encaminhados para tratamento em unidades básicas de saúde, próximas de suas residências.

O Ambulatório segue com os atendimentos de maior complexidade, incluindo casos de recidiva, quando a doença retorna após o tratamento, e reações inflamatórias, complicação que pode afetar os pacientes antes, durante ou após o tratamento. Em 2014, a unidade recebeu o Certificado de Acreditação Internacional pela Joint Commission International (JCI), maior e mais antiga comissão acreditadora dos Estados Unidos. O documento atesta o alinhamento com padrões de excelência internacional em qualidade e segurança no atendimento aos pacientes.

DIAGNÓSTICO TARDIO

Apesar do grande número de unidades de saúde no Rio de Janeiro, o estudo detectou atraso no diagnóstico da hanseníase, o que foi considerado surpreendente pelas pesquisadoras. Entre 262 pacientes que tiveram o grau de incapacidade física avaliado no momento do diagnóstico, 40% apresentavam algum nível de perda de sensibilidade ou de movimento. Em 14% dos casos, foram identificadas lesões avançadas, que prejudicavam a função dos olhos, das mãos ou dos pés, classificadas como incapacidade física de grau 2. O resultado foi pior do que o observado em um levantamento anterior, realizado no Ambulatório Souza Araújo entre 2003 e 2007, no qual 32% dos pacientes apresentaram algum nível de redução da sensibilidade ou de movimentos e 12% revelaram grau 2 de incapacidade física.

“Apesar da expansão no acesso aos serviços de saúde, continua existindo demora no diagnóstico da hanseníase. Isso é um problema grave porque as deformidades e incapacidades físicas, que são associadas ao forte estigma da hanseníase, podem ser prevenidas com o tratamento precoce”, diz Euzenir, lembrando que o índice de lesões avançadas detectadas no Rio de Janeiro é classificado com alto pelo Ministério da Saúde. Em 2014, 11% dos pacientes diagnosticados com hanseníase no estado e na capital fluminense apresentaram incapacidade física de grau 2.

De acordo com os cientistas, é comum que o percentual de quadros graves diagnosticados aumente quando o total de casos da doença se reduz, o que contribui para explicar o resultado observado na pesquisa. No estado do Rio, o número de novos casos de hanseníase detectados caiu aproximadamente pela metade entre 2005 e 2014, passando de mais de 2,5 mil para menos de 1,5 mil. Nesse cenário, na medida em que os casos mais simples são tratados com facilidade, restam os pacientes com apresentações complexas, que podem ser difíceis de diagnosticar durante os atendimentos por profissionais de saúde que não são especializados. Por outro lado, uma vez que o agravo se torna menos frequente, os médicos podem deixar de considerar a infecção como uma opção de diagnóstico ao avaliar lesões dermatológicas, o que também pode contribuir para o diagnóstico em momento tardio da evolução da doença.

Considerando que o resultado reflete as dificuldades para o diagnóstico da hanseníase, as pesquisadoras enfatizam a necessidade de investimentos no desenvolvimento de ferramentas que possam facilitar a detecção da doença. “Além de realizar o atendimento, o centro de referência realiza pesquisas e, no Laboratório de Hanseníase, temos projetos para desenvolvimento de métodos de diagnóstico que poderiam auxiliar os profissionais de saúde no objetivo de detectar precocemente a doença. O investimento nesse tipo de iniciativa é muito importante para continuarmos avançando no enfrentamento da hanseníase”, completa Raquel.

Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)
Fonte: AFN