COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Ormezinda Celeste Cristo Fernandes
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Pesquisadores da Fiocruz Amazônia abordam avanços e perspectivas no enfrentamento à dengue, em colóquio do Ministério da Saúde
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), representado pelos pesquisadores, Felipe Naveca, Coordenador do Núcleo de Vigilância de Vírus Emergentes, Reemergentes ou Negligenciados, e Sérgio Luz, Coordenador do Núcleo de Patógenos Reservatórios e Vetores na Amazônia (PReV-Amazônia), vinculado ao Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA), esteve presente no colóquio “Avanços e Perspectivas no Enfrentamento à Dengue”, ocorrido na última quarta-feira,17/4, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em Brasília.
O evento reuniu, especialistas brasileiros em arboviroses e representantes da OPAS e Organização Mundial da Saúde (OMS). O colóquio foi dividido em mesas e painéis que discutiram o cenário epidemiológico da dengue no mundo, nas Américas e no Brasil, ações de enfrentamento da epidemia de dengue, desafios da assistência e da vigilância, além de prevenção e resposta a emergências em saúde.
Compondo a mesa temática “Desafios da assistência e da vigilância”, o virologista e pesquisador da Fiocruz, Felipe Naveca, destacou que vê como aspecto positivo a aproximação entre a ponta e os laboratórios de referência dos institutos de pesquisa. O pesquisador pontuou ainda que os aprendizados adquiridos nos Laboratórios Centrais de Saúde Pública têm sido de grande importância para as expertises acumuladas, que podem ser utilizadas no enfretamento a emergências.
“Gostaria de ressaltar que vejo na melhoria de diagnóstico, nos últimos anos, muitas vezes se deu por uma maior aproximação entre a ponta e nós que estamos nos laboratórios de referência ou nos institutos de pesquisa. Cito especialmente a experiência que tive em alguns LACENs, como por exemplo o de Roraima, que já trabalha conosco há mais de 15 anos, e no final de 2022, percebeu que tinha alguma coisa errada com a baixa positividade nos testes ZDC . Era justamente o começo de subida de casos de Oropouche, o surto atual, mas que desde o final de 2022, temos a mesma linhagem circulando. Assim como a detecção dos primeiros casos de Dengue 3 no Brasil, que também chamaram atenção por ser algo que a gente não via há algum tempo. Essa proximidade tem sido algo muito interessante na experiência que a gente tem acumulado”, explica Naveca.
Sérgio Luz, falou sobre os resultados positivos dos estudos com o uso das estações disseminadoras de larvicida. “Venho desenvolvendo estudos com estações disseminadoras de larvicidas, que usa o princípio da disseminação, onde nós testamos em larga escala. Fizemos em um bairro da cidade de Manaus, e depois repetimos isso em toda uma cidade isolada, onde tivemos resultados muito surpreendentes e, de lá pra cá, com o advento da Zika em 2016, estamos desenvolvendo isso juntamente com o Ministério, no sentido de tentarmos colocar essa estratégia nas outras cidades, para conhecer como essa ação pode ser avaliada em diferentes paisagens, locais, e principalmente avaliar as intercorrências dessa estratégia dentro da realidade do serviço”, explica Luz.
Durante a fala, Sérgio também compartilhou relatos de experiência com a coleta de vetores e, ponderou a necessidade de mais estudos para que seja possível a compreensão de grandes epidemias e infecções de arbovírus no Brasil e no mundo. “O Oropouche sempre esteve rondando as infecções de arbovírus no Brasil e no mundo, sendo considerado inclusive o segundo maior arbovírus até chegar o Chikungunya e o Zika. Nós enfrentamos uma epidemia, estamos ainda enfrentando uma epidemia com mais de dois mil casos detectados de Oropouche, e eu gostaria de chamar atenção nesse sentido, para o seguinte: Eu trabalhei coletando os vetores para vermos quem realmente está infectado, pois existem poucos estudos que acompanham a transmissão do Oropouche. Tradicionalmente, o que se existe mais antigo na literatura é que ele é transmitido pelo Culicoides paraensis, e existem outros mosquitos envolvidos na transmissão como o Culex quinquefasciatus, existem alguns mosquitos silvestres como Aedes serratus e Coquillettidia, que foram pegos infectados, mas há uma diferença bem grande entre os que foram detectados infectados e os que realmente estão transmitindo e mantendo a circulação do vírus. A gente precisa conhecer melhor isso”, pontuou.
Na ocasião, a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel, atualizou o cenário epidemiológico da dengue no país e apresentou as principais ações para prevenção e controle da doença. Ao final do encontro, representantes da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), responsável pela organização do colóquio, informaram que ele deverá ser repetido no próximo mês para condensar as experiências trocadas sobre o momento em que o mundo passa com as mudanças climática e o fenômeno do El Niño, bem como a possibilidade de que as vacinas sejam amplamente produzidas para atender a população em médio e longo prazo. O evento foi realizado de forma híbrida, e contou com participação de também de especialistas e pesquisadores de fora do Brasil.
ILMD Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.
*Com informações do Ministério da Saúde.
Pesquisador da Fiocruz Amazônia ministra Aula Inaugural do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva na Universidade Federal do Acre
/em Notícias /por Julio OliveiraO epidemiologista Jesem Orellana, chefe do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI), da Fiocruz Amazônia, ministrou a Aula Inaugural do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da Universidade Federal do Acre (UFAC), o qual abriga o primeiro mestrado acadêmico em Saúde Coletiva da Região Norte, aprovado em 2008 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Ministério da Educação.
Atualmente, o PPGSC da UFAC é o único programa com mestrado e doutorado na modalidade acadêmico da região Norte. Na manhã do dia 18 de abril, a Aula Magna abordou o tema “Feminicídio no Brasil: a construção de um projeto multicêntrico”. A programação de abertura do ano letivo se estendeu para o turno vespertino, com a palestra “Desafios das arboviroses na Amazônia: o papel da Saúde Coletiva”, também ministrada por Orellana. As atividades vespertinas foram finalizadas com uma descontraída roda de conversa, abordando o tema “Produção do conhecimento na Amazônia: lacunas e oportunidades na Pós-Graduação em Saúde Coletiva”, moderada pelo professor doutor Alanderson Alves Ramalho, docente permanente do PPGSC da UFAC, e pelo epidemiologista Jesem Orellana.
De acordo com a coordenadora do PPGSC, Andréia Moreira de Andrade, a intuito de realizar uma aula inaugural com um convidado de outro Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva foi simbólico. “A intenção é sempre motivar e oferecer aos ingressantes uma visão externa do processo formativo, e a atividade cumpriu com esse propósito de uma forma agradável e exitosa. Foi um momento rico de troca, motivação, de despertar crítico com responsabilidade social. Esperamos manter uma relação de fortalecimento do Norte com o Norte”, avalia Andreia.
Para Jesem Orellana, a participação foi oportuna e bastante produtiva pela possibilidade de intercâmbio de conhecimentos e de dar início às tratativas para levar ao Estado do Acre a proposta de implantação de um observatório do feminicídio em Rio Branco, tal como já existe em Manaus (AM) e Porto Velho (RO), ampliando assim a intenção de formação de uma rede de monitoramento da violência contra as mulheres na Região Norte.
“Fortalecer essa iniciativa de criação de observatórios do feminicídio é uma das atividades do Programa Institucional de Articulação Intersetorial Violência e Saúde (PI-AIVS) da Fiocruz, que apoia a realização de oficinas e seminários para discussão acerca do tema, reunindo os diversos atores da sociedade envolvidos com a questão da violência e saúde”, destaca Orellana.
O pesquisador entende que iniciativas como esta precisam ser valorizadas, cultivadas e multiplicadas, uma vez que o fortalecimento da Saúde Coletiva na Amazônia brasileira é estratégico não apenas de um ponto de vista técnico-científico, mas também para a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), constantemente desafiado por doenças endêmico-epidêmicas, por doenças emergentes e, mais recentemente, pelos impactos negativos da crise climática, especialmente sobre os mais vulneráveis.
Orellana está confiante com o estreitamento de laços entre o LEGEPI e o PPGSC da UFAC, pois entende que o protagonismo de atores da região amazônica é crucial para o efetivo gerenciamento dos desafiadores problemas sanitários do Norte do país, o que inclui sua vasta franja fronteiriça internacional.
SOBRE O PROGRAMA
O Programa Institucional de Articulação Intersetorial Violência e Saúde (PI) foi constituído por meio da Portaria 260/2017 da presidência da Fundação Oswaldo Cruz, em fevereiro de 2017. É coordenado pelo Departamento de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (CLAVES) e vem atuando através de um grupo de trabalho (GT) que reúne participantes de diversas unidades da Fundação, a partir de um plano de trabalho debatido e aprovado anualmente.
O objetivo geral do PI é ampliar e articular a reflexão e as ações sobre violência e saúde entre as diversas unidades da Fiocruz. São seus objetivos específicos: debater o tema internamente à Fiocruz; ampliar a compreensão da relação entre a violência e a saúde através de sua análise pela lógica da determinação social da saúde, dos processos de desenvolvimento econômico e dos conflitos territoriais e ambientais; mapear as demandas, ações e pautas das diferentes unidades, a fim de formar uma rede de atuação, agregando experiências de pesquisa, ensino, ação, assistência e advocacy; e dar subsidio à definição de posicionamentos institucionais acerca de temas chave aos quais a Fiocruz é chamada a se pronunciar.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação / UFAC
Projeto Amazônia Solidária lança e-book com relatos sobre desafios da comunicação em saúde em territórios ribeirinhos, quilombolas e de migrantes na Amazônia
/em Notícias /por Julio OliveiraO Projeto Amazônia Solidária, desenvolvido pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e Fiocruz Amazônia, visando reforçar as estratégias de comunicação sobre a vacina de Covid-19 e outras, em áreas remotas dos estados do Amazonas e Acre, acaba de lançar o e-book “Amazônia Solidária: educação popular e comunicação em saúde para o fortalecimento da vacinação nos territórios quilombolas, migrantes e ribeirinhos. O livro, editado pela Rede Unida, pertence à Série Saúde & Amazônia, e é de acesso livre universal. A obra reúne relatos pessoais de apoiadores locais, coordenadores dos eixos, facilitadores e bolsistas do Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (LAHPSA), da Fiocruz Amazônia, sobre as experiências vividas nas atividades de campo do projeto.
Coordenador do projeto e um dos organizadores do livro, o pesquisador da Fiocruz Amazônia Júlio César Schweickardt, afirma que a obra é mais um produto do projeto que resulta de um processo coletivo. “Foi uma construção bem participativa, de uma escrita coletiva, quando cada participante teve a oportunidade de relatar que atividades desenvolveu, sobre o território em que trabalhou, a metodologia utilizada e os produtos gerados. O livro é uma referência para discussão de abordagens que sejam feitas em comunidades, especialmente quando se trata da área de comunicação, que é um desafio, por exemplo, para gestores e coordenadores da área de imunização”, explica Schweickardt.
Também atuaram como organizadoras do livro Thalita Renata das Neves Guedes, Gercicley Rodrigues dos Santos, Adriana Lopes Elias, Vanessa Ramos Cardoso e Joana Maria Borges de Freitas. O projeto foi executado ao longo de 2023, tendo como coordenadoras de eixos as pesquisadoras em Saúde Pública Fabiane Vinente (eixo migrantes), Adriana Lopes Elias (eixo ribeirinho) e Joana Freitas (eixo quilombola), que atuaram também como facilitadoras do projeto, por meio do Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (LAHPSA), da Fiocruz Amazônia, juntamente com apoiadores locais.
De acordo com Schweickardt, o caminho utilizado pelo projeto foi o da Educação Permanente nos territórios do Amazonas e do Acre. “Construindo com as comunidades e grupos os modos e as linguagens da comunicação de uma política tão maltratada na última gestão governamental. Vimos a potência criativa das comunidades que simplesmente precisou ser ouvida e apoiada na construção dos seus materiais”, descreve o pesquisador na apresentação do livro.
E continua: “O projeto nos permitiu amazonizar o pensamento e as estratégias da saúde, significando um estar nos territórios ribeirinhos, quilombolas e dos migrantes na cidade como um modo de refletir sobre uma dimensão diferente da vida. O encontro com outros, com modos diferentes de ser e estar no mundo, numa outra relação entre os humanos e não humanos, na relação com o território das águas e da cidade, nos traz outras formas de viver na Amazônia”.
Ao longo das 350 páginas, o livro resgata os encontros nos territórios das pessoas, que vivem as relações com as águas, as memórias, os encantados, a ancestralidade. O livro, na primeira parte, começa com a “Palavra das coordenadoras, facilitadores e apoiadores”, seguindo depois para a “Narrativa dos Territórios” e a “Arte nas comunidades”, encerrando com uma apresentação “Sobre as autoras e os autores”.
“Trata-se de um rico material que traz uma experiência que pode ser replicada, divulgada e reproduzida em outros contextos da Amazônia, mas também fora daqui. Vale a pena as pessoas olharem para essa obra como uma forma de poder pensar nas estratégias que sejam mais participativas, dialogadas e que possam estar mais perto das pessoas”, recomenda o pesquisador.
SÉRIE SAÚDE & AMAZÔNIA
A Série Saúde & Amazônia, que é de acesso livre e qualquer pessoa pode baixar e adquirir gratuitamente, é organizada pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (LAHPSA), da Fiocruz Amazônia) e publicada pela Associação Brasileira Rede Unida. Os manuscritos – um total de 30 títulos – compõem as áreas de antropologia da saúde, gestão e planejamento, vigilância em saúde, atenção e cuidado em saúde, políticas públicas em saúde, educação permanente, educação popular, promoção em saúde, participação e controle social, história da saúde, saúde indígena, medicina indígena, movimentos sociais em saúde e outros temas de interesse para a Região Amazônica.
A série tem o compromisso ético-político de contribuir com a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) como uma política universal, integral e equitativa e tem coordenação editorial dos pesquisadores doutores Júlio Cesar Schweickardt (Fiocruz Amazônia), Alcindo Antônio Ferla (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira (Universidade Federal do Pará).
SOBRE OS PARCEIROS
No Brasil, a USAID, a NPI Expand e a SITAWI Finanças do Bem se uniram para criar uma parceria para apoiar a Resposta à COVID-19 na Amazônia. Entre 2020 e 2021, a primeira fase do projeto do NPI EXPAND Resposta à COVID-19 na Amazônia distribuiu mais de 23 mil cestas básicas e kits de higiene, capacitou mais de 500 agentes comunitários de saúde, doou mais de 1,4 milhão de máscaras feitas por costureiras locais e divulgou mensagens educativas de prevenção para mais de 875 mil pessoas na região. A Fase está promovendo maior resiliência das comunidades amazônicas através do apoio amplo a vacinação contra a COVID-19, campanhas de informação e combate à fake News, e apoiando os sistemas locais de saúde na região com equipamentos e insumos para detectar, prevenir e controlar a transmissão de Covid-19, bem como realizar o acompanhamento de casos agudos de COVID-19 e tratar as sequelas de síndrome pós-COVID-19.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Arquivo / Júlio Pedrosa
Saúde do trabalhador, calendário de reuniões e novo regulamento da biblioteca são destaques na reunião do CD Fiocruz Amazônia
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realizou nesta terça-feira, 16/4, em formato híbrido (presencial e remoto), a primeira reunião do Conselho Deliberativo (CD) com a nova composição de conselheiros, recém-eleitos para biênio 2024/2026. A reunião teve como pautas a apresentação do resultado preliminar de pesquisa aplicada sobre saúde do trabalhador da unidade; o regulamento da biblioteca; e o novo calendário de reuniões do CD/ILMD. A diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, abriu o encontro fazendo um balanço das atividades realizadas pela diretoria da instituição, no decorrer deste semestre.
Entre as atividades apresentadas, uma agenda extensa de reuniões, eventos e visitas técnicas cumpridas junto a instituições como Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado e Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Amazonas (IPEM-AM), visando o estabelecimento de articulações para a retomada de acordos de cooperação e parcerias importantes para a instituição.
Entre as visitas, Stefanie destacou a realizada ao Comando Militar da Amazônia (CMA), que poderá resultar na assinatura de uma carta de interesses mútuos, voltada à pesquisa e ao ensino. O “Seminário Saúde e Meio Ambiente na Amazônia – Integração para cenários futuros”, organizado pela Fiocruz Amazônia, também foi citado, assim como as articulações para uma pesquisa conjunta entre a Fiocruz Amazônia, Universidade de Sorbonne e o Instituto Pasteur da Guiana. Houve informes também sobre a participação do ILMD na 5ª Conferência Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e os preparativos para a celebração dos 30 anos da Fiocruz Amazônia.
PESQUISA
Durante a reunião, foram apresentados os resultados preliminares da pesquisa Diagnóstico Institucional – Escala de Indicadores de Prazer e Sofrimento no Trabalho (EIPST), desenvolvida pela psicóloga Ester dos Anjos, sob a coordenação da Vice-Diretoria de Gestão e Desenvolvimento Institucional (VDGDI). Em um aspecto geral, a média satisfatória dos servidores da Fiocruz Amazônia, com o local de trabalho, é de 4,2 – acima da marca utilizada pelo método avaliativo de prazer e sofrimento, adotado pelo estudo.
Conforme a avaliação preliminar, 67% dos participantes da pesquisa apresentaram uma avaliação positiva (prazerosa) do trabalho, com destaque para cinco itens – orgulho pelo que faz (5,54%); liberdade com a chefia para negociar o que precisa (5,44%); liberdade para falar sobre o trabalho com os colegas (5.38); liberdade para falar sobre o trabalho com as chefias (5.36%); solidariedade entre os colegas (5,35%).
Em relação ao sofrimento, 24% dos entrevistados apresentaram uma avaliação negativa, considerada grave, o equivalente a uma média de 2,0, em relação ao local de trabalho. Entre os cinco fatores que contribuem para esta percepção estão: frustração (5,48%); desvalorização (5,45%); injustiça (5,45%); insegurança (5,33); e sobrecarga (5,30).
A pesquisa foi elaborada no período de 20 a 30 de novembro de 2023, com servidores, terceirizados, bolsistas e estagiários da Fiocruz Amazônia. Ester dos Anjos destacou que um quadro de cronograma de propostas para os trabalhadores do ILMD foi apresentado, mas ficará em branco, uma vez que serão marcadas datas para que os participantes contribuam com sugestões, para amenizar os seus sofrimentos, além de manter o ambiente de trabalho prazeroso. No ILMD, 64% dos trabalhadores são mulheres; 52% são terceirizados; 93% cumprem carga de oito horas de trabalho; e 40% estão na área de pesquisa.
“A partir da apresentação destes dados preliminares haverá um encaminhamento para a próxima etapa do estudo que serão sugestões para a melhoria da saúde do trabalhador”, pontuou o vice-diretor de Gestão e Desenvolvimento Institucional, Aldemir Maquiné. “Abrimos os dados desta pesquisa, com o objetivo de mapear a instituição, e também para servir de base para Núcleo de Saúde do Trabalhador”, comentou Ester.
APROVAÇÕES
Os conselheiros aprovaram o novo calendário de reuniões ordinárias do CD, que a partir de agora acontecerão a cada dois meses, antecedendo a reunião do CD no Rio de Janeiro. De acordo com Stefanie Lopes, a ideia do calendário apresentado é a de facilitar o diálogo e proposta de pauta, com direito a reserva de data, caso seja necessário.
O CD aprovou também a nova versão do regulamento da Biblioteca Dr. Antônio Levino da Silva Neto, apresentado pelo coordenador do espaço, o bibliotecário Ycaro Verçosa. O novo regulamento estabelece a criação de uma comissão para a seleção e aquisição de obras para o acervo da biblioteca. A comissão será composta pelo responsável pela biblioteca, um pesquisador de cada laboratório do ILMD, um docente e um discente dos cursos de lato e stricto sensu, além de um representante da área administrativa, ligado ao Setor de Compras. O documento também prevê novas sanções para os casos de empréstimos de obras, entregues fora do prazo estabelecido para a devolução.
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ILMD/Fiocruz Amazônia, por Síntia Maciel
Fotos – Eduardo Gomes (IMLD/Fiocruz Amazônia)
Centro de Estudos abordará o tema “Amazônia, Bioeconomia e Biotecnologia: atuação do laboratório de Micologia do INPA”
/em Notícias /por Julio OliveiraO Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promoverá na próxima sexta-feira, 19/04, às 10h, a palestra “Amazônia, Bioeconomia e Biotecnologia: atuação do laboratório de Micologia do INPA”, a ser ministrada pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) João Vicente Braga de Souza, com experiência em biotecnologia e micologia. A palestra abrangerá as potencialidades da biotecnologia no desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Com formação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), além de pós-doutorado pela Universidade de Cranfield no Reino Unido, Souza tem dedicado sua carreira ao estudo da biodiversidade dos fungos da Amazônia e ao seu potencial biotecnológico em ciências farmacêuticas. A palestra terá transmissão realizada via plataforma Zoom, através do link https://us06web.zoom.us/j/83376686417?pwd=21h95yQvpuhpRDus0L3wS3EHRYO5nZ.1 (ID da reunião 833 7668 6417 e senha de acesso 501879).
O pesquisador explica que, inicialmente, a apresentação abordará a rica biodiversidade da Amazônia, destacando que a região abriga uma significativa porção das espécies mundiais de plantas, animais e insetos, o que a torna um campo fértil para a bioprospecção e a valorização de recursos biológicos. “Serão discutidos casos de sucesso e desafios na valorização da biodiversidade para aplicações em medicina, agricultura eco-intensiva, biorefinarias e indústrias como a de mineração e alimentos, além de serviços ecossistêmicos”, resume.
A palestra será moderada pela pesquisadora Priscila Ferreira de Aquino (ILMD/Fiocruz Amazônia) e enfatizará a importância de uma bioeconomia consciente, que integre o conhecimento tradicional e moderno para a promoção de uma economia baseada no conhecimento e na sustentabilidade. Serão apresentados exemplos de como o INPA tem liderado iniciativas, sob coordenação de Souza, para explorar e preservar esses recursos, destacando o papel vital da região na bioindústria global.
SOBRE O PALESTRANTE
João Vicente Braga de Souza possui graduação em Farmácia pela Universidade do Amazonas (2000), Especialização em Biotecnologia pela Universidade Federal de Lavras (2005), Doutorado em Biotecnologia Industrial pela USP-Escola de Engenharia de Lorena (2004) e Pós-Doutorado em Biotecnologia pela Cranfield University-UK (2014). Trabalha como Biotecnólogo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (2009-atual). Tem pesquisado a produção fúngica de bioativos de interesse farmacêutico (antifúngicos, biosurfactantes e colorantes) e também o desenvolvimento de ferramentas moleculares, aplicadas ao diagnóstico e caracterização de agentes causadores de micoses invasivas.
É professor permanente do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas (UFAM) e do Programa de Pós-Graduação de Biodiversidade e Biotecnologia da Bionorte. Quanto à contribuição científica e tecnológica para inovação, Souza participou do desenvolvimento de quatro processos biotecnológicos. Além disso, é responsável pelo Laboratório de Micologia do INPA. Quanto aos prêmios e honras, em 2009, foi convidado a ser membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências e recebeu menção honrosa do Senado Brasileiro. Em 2014, recebeu o Prêmio Sebastião Ferreira Marinho do CRF-AM e, em 2019, menção honrosa da Câmara de Vereadores da Cidade de Belém.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Júlio Pedrosa
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia abre vagas de estágio para cursos das áreas de TI, Biológicas e Saúde
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) está com inscrições abertas para a seleção de estagiários, na modalidade estágio não-obrigatório para nível superior, nos cursos de Administração, Ciências da Computação, Processamento de Dados, Gerenciamento de Redes, Ciências Biológicas e Farmácia. O total de cinco vagas está sendo oferecido, e os interessados podem se candidatar até as 12h (horário Brasília) do dia 30/4. Não há taxa de inscrição.
O edital para a modalidade de estágio não-obrigatório pode ser acessado no site do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), no endereço https://pp.ciee.org.br/vitrine/12153/detalhe, onde pode ser conferido o cronograma de seleção, documentação exigida, tabela de benefícios, entre outros itens.
Podem se inscrever alunos que estiverem cursando a partir do 3° período. O valor da bolsa-auxílio varia de R$ 787,98 (4h) a R$ 1.125,69 (6h), além do auxílio-transporte. Após a inscrição, os candidatos passarão pela fase de análise de documentação e posteriormente por uma entrevista, prova ou dinâmicas de grupos, que serão realizadas e aplicadas pela Fiocruz Amazônia.
RESERVAS
No último dia 9/04, a Fiocruz lançou dois editais, com um total de 239 vagas, distribuídas para todas as unidades da instituição espalhadas pelo país, nas modalidades estágio não-obrigatório e estágio obrigatório. Do total de vagas disponibilizadas, 216 são na modalidade de estágio não obrigatório e 23 para realização de estágio obrigatório, e haverá reserva para pessoas com deficiência (10%), para estudantes negros (30%), para indígenas (5%) e para pessoas trans (5).
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Síntia Maciel
Foto: Arquivo
PROFSAÚDE divulga lista final de inscrições homologadas e local de prova
/em Notícias /por Carlos GomesA Comissão de Seleção do Mestrado Profissional em Saúde da Família – PROFSAÚDE, polo Fiocruz Amazônia, torna pública a relação final, após recursos, das inscrições homologadas, conforme Edital nº 01/2023, bem como informar o local onde será aplicada a prova da primeira etapa do Processo Seletivo do PROFSAÚDE, a ser realizada nesta segunda-feira, 15 de abril de 2024, das 9h às 13h, horário de Brasília.
Confira aqui o resultado.
As provas serão aplicadas, no Salão Canoas, área Rio Amazonas (térreo), do Instituto Leônidas & Maria Deane/ ILMD Fiocruz Amazônia; Rua Teresina, 476, Adrianópolis, Manaus/AM.
SOBRE O PROFSAÚDE
O ProfSaúde/ MPSF é um programa de pós-graduação stricto sensu em Saúde da Família, reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação.
O curso visa formar profissionais aptos a atuarem como preceptores para graduação e residência médica em Saúde da Família, com o intuito de contribuir para a melhoria do atendimento dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), fortalecer as atividades educacionais de produção do conhecimento e de gestão na Saúde da Família nas diversas regiões do país e estabelecer uma relação integradora entre o serviço de saúde, os trabalhadores, os estudantes na área de saúde e os usuários.
O ProfSaúde/ MPSF é semipresencial, com oferta nacional, realizado na modalidade de ensino a distância com previsão de 9 encontros presenciais. As instituições de Ensino Superior (IES) que integram a Rede Nacional do ProfSaúde/ MPSF são denominadas Instituições Associadas, e são responsáveis pela execução do curso.
ILMD Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia participa de workshop sobre Política de Dados Abertos e Processos de Intercâmbio de Dados entre Países da Tríplice Fronteira
/em Notícias /por Julio OliveiraA Fiocruz Amazônia e a Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto participam na cidade de Letícia, na Colômbia, do “Workshop: Políticas de Dados Abertos e Processos de Intercâmbio de Dados entre Países”, realizado pelo Projeto INSIGHT -Tríplice Fronteira do Brasil, Colômbia e Peru. O projeto é fruto de acordo de cooperação entre o Centro Internacional de Formação e Educação para Saúde da Universidade de Washington (UWI-TECH), Fiocruz Amazônia, Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (Cidacs-Fiocruz) e Universidade Peruana Cayetano Heredia, com financiamiento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC-EUA). O evento, realizado entre os dias 8 e 12/04, teve como objetivo identificar as políticas de dados abertos que se aplicam à saúde em cada país e propor um processo de intercâmbio de indicadores para a vigilância epidemiológica na Tríplice Fronteira.
O pesquisador da Fiocruz Amazônia, Fernando Herkrath, chefe do Laboratório de Situação de Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros Grupos Vulneráveis (SAGESPI), responsável pela coordenação do projeto, na Fiocruz, explica que o workshop dá prosseguimento aos trabalhos iniciados em junho de 2023, quando foram implantadas as bases para a implementação do projeto. A finalidade da iniciativa é contribuir para o fortalecimento da vigilância em saúde na região de frontera, somando-se a outras iniciativas institucionais em andamento na região.
“Este projeto almeja contribuir como aprimoramento dos processos e a capacidade integrada para detectar, monitorar, investigar e responder eficazmente às ameaças em saúde pública na região da Tríplice Fronteira do Alto Solimões. Ao longo dessa semana, foi ofertada uma capacitação aos profissionais da vigilância local e também realizada a oficina com a participação de autoridades de diversas esferas dos três países”, afirma Fernando Herkrath.
A capacitação abordou uma introdução ao uso do software livre R, com foco na visualização e análise de dados para a implementação de um Dashboard com dados da região de fronteira dos três países, a partir de protótipo desenvolvido pela equipe do projeto que poderá ser aprimorado de forma independente pelos profissionais que atuam na vigilância local.
O workshop teve por objetivo identificar as políticas de compartilhamento de dados abertos, discutir os processos de trabalho integrados e formas para o aprimoramento no uso das ferramentas disponíveis (incluindo o Dashboard) para auxiliar a tomada de decisões e o planejamento de ações de vigilância epidemiológica na Tríplice Fronteira do Alto Solimões.
INFECÇÕES ENDÊMICAS
O Projeto INSIGHT tem como finalidade promover o fortalecimento da vigilância em saúde, na região da Tríplice Fronteira (Brasil, Peru e Colômbia), com atenção voltada para infecções endêmicas , como malária, tuberculose, dengue, infecções sexualmente transmissíveis (IST’s), doenças de veiculação hídrica e febres de origem desconhecida – todos agravos emergentes que acometem as populações mais vulnerabilizadas dos três países. O projeto conta com financiamento do CDC, para o desenvolvimento de ações conjuntas entre os países, com apoio da Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto (FVS-AM), Secretarias de Saúde de Letícia e Tabatinga, além de representações das localidades de Santa Rosa e Iquitos, no Peru.
Em junho do ano passado, representantes de instituições de saúde, ensino e pesquisa dos três países estiveram reunidos na sede da Universidade Nacional da Colômbia, na cidade de Letícia (fronteira com Tabatinga), para apresentação do projeto e diagnóstico situacional da saúde na região da Tríplice Fronteira.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação/FVSRCP