Fiocruz Amazônia articula proposta de qualificação profissional em vigilância e monitoramento da exposição mercurial voltada aos profissionais da Atenção Primária à Saúde do Delta do Tapajós (PA)
O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realizou, entre os dias 15 e 19/06, a primeira Oficina de Planejamento e Execução de Atividades do Componente de Qualificação Profissional voltada para trabalhadores da Atenção Primária à Saúde do município de Santarém, na região do Delta do Tapajós, no Pará. O objetivo da iniciativa foi garantir as condições técnicas, institucionais e operacionais à realização das próximas etapas do projeto: uma oficina ampliada na segunda quinzena de agosto de 2026 e o curso em si, previsto para o último trimestre de 2026.
Segundo o epidemiologista Jesem Orellana, pesquisador da Fiocruz Amazônia e coordenador da iniciativa, este esforço permitiu à equipe técnica do projeto não apenas fazer um detalhado mapeamento da rede de potenciais colaboradores de Santarém-PA, como também delinear uma proposta preliminar do enfoque, características e alcance do curso, a qual será colocada à prova e ajustada durante a oficina ampliada de agosto de 2026. Orellana acredita que esse processo de escuta e reflexão, junto a trabalhadores ligados ao setor Saúde e de Meio Ambiente, gestores, comunitários e lideranças diversas, pode garantir a concepção e a operacionalização de uma qualificação profissional participativa e sensível, levando em conta o complexo contexto ambiental, territorial, social e intercultural do Delta do Tapajós.
“Experiências dialogadas e colaborativas como esta, sem dúvidas, fortalecem o diálogo entre os colaboradores, aproximam instituições e pessoas, além de ampliarem e diversificarem a nossa compreensão sobre o problema do mercúrio na Amazônia, por gente daqui e para gente daqui”, afirma Orellana. Segundo ele, os cursos de qualificação profissional sobre vigilância e monitoramento do mercúrio em humanos evidenciam a vocação e o comprometimento da Fiocruz Amazônia com o entendimento e enfrentamento de históricos e contemporâneos desafios sanitários.
Jesem ressalta que cursos presencias com essa temática já foram ministrados, este ano, em estados como Amazonas e Rondônia, com a participação de docentes e colaboradores de outras instituições vinculadas ao projeto. A oficina de planejamento do Delta do Tapajós aconteceu no Campus Tapajós da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), com a participação de docentes do Instituto de Saúde Coletiva e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o apoio dos laboratórios de Situação de Saúde (Lasis/Ufopa), de Epidemiologia Molecular (Lepimol/Ufopa), de Estudos sobre Comida, Corpo, Cultura e Cuidado (LabCult/Ufes), Escola Superior de Ciências da Saúde (Esa-UEA) e Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (Legepi/Fiocruz Amazônia).
Entre os temas abordados no primeiro dia do evento, estiveram aspectos metodológicos sobre o estudo que visa avaliar a relação entre ancestralidade e susceptibilidade genética à intoxicação por mercúrio no Delta do Tapajós, pela docente Janaína Mota de Vasconcelos; reflexões sobre o problema da exposição mercurial em peixes e animais de caça no Médio Rio Solimões-AM, por Daniel Tregidgo, pesquisador bolsista da Fiocruz/Amazônia; comidas, cultura, produção local e alimentação saudável: possíveis reflexões e diálogos interdisciplinares em contexto amazônico, por Danielle Cabrini, do Laboratório de Cultura da Universidade Federal de Espírito Santo (Labcult/Ufes).
No segundo dia, Jesem Orellana fez um breve relato sobre a experiência com o curso “Mercúrio na Amazônia: aspectos introdutórios sobre vigilância e monitoramento em populações indígenas expostas e potencialmente expostas”. Na sequência, os participantes realizaram um mapeamento de potenciais parceiros à operacionalização do curso introdutório sobre Vigilância do Mercúrio e a primeira definição do público-alvo e objetivos do curso, voltado aos profissionais de APS de Santarém-PA.
Por fim, houve a definição do conteúdo preliminar da ementa e discussão das estratégias pedagógicas à operacionalização do curso introdutório. A oficina foi encerrada com a sistematização das atividades e programação da oficina ampliada em agosto/2026.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Arquivo ILMD Fiocruz Amazônia


