Fiocruz Amazônia tem startup premiada por inovação em diagnóstico rápido

A Fiocruz Amazônia ampliou sua atuação no campo da inovação em saúde com a conquista do segundo lugar no 12º Startup Day (Amazonas) pela startup BioTrace, originada de atividades de pesquisa desenvolvidas no Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). O evento ocorreu neste último sábado, 21/03, por uma iniciativa nacional do Sebrae Startups voltada ao fortalecimento do ecossistema de inovação no país.

Desenvolvida por alunos e servidores vinculados ao Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia (DCDIA), Laboratório de Ecologia de doenças transmissíveis na Amazônia (EDTA) e Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS), a BioTrace tem como base uma tecnologia patenteada pelo ILMD/Fiocruz Amazônia, em parceria com o SENAI, voltada à detecção de material genético de patógenos em amostras biológicas. O principal produto da startup é o dispositivo CEL (Colorimetric Endpoint LAMP), um equipamento portátil que realiza amplificação isotérmica e permite a leitura dos resultados por mudança de cor, dispensando infraestrutura laboratorial complexa. Essa característica torna a tecnologia especialmente adequada para regiões com acesso limitado a serviços diagnósticos, como áreas remotas da Amazônia.

A tecnologia foi desenvolvida no âmbito da Fiocruz Amazônia pelo pesquisador Felipe Gomes Naveca, com apoio do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), coordenado pelo pesquisador Luis André M. Mariúba, evidenciando o potencial de transformação do conhecimento científico em soluções aplicadas. A trajetória da BioTrace inclui a participação na incubadora InBiota (Universidade Nilton Lins) e no primeiro edital de pré-incubação vinculado à FioBiz, incubadora em estruturação na Fiocruz Amazônia, coordenada pelos analistas Analice Pereira e Carlos Henrique Carvalho, fomentada pelo Programa de Apoio à Incubadoras – Pró-Incubadoras da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e atualmente em organização, conforme as diretrizes do modelo CERNE.

Nesse processo, a startup avançou no desenvolvimento do produto e na estruturação do modelo de negócio, culminando na apresentação no Startup Day. “Retomamos o desenvolvimento da tecnologia com foco em diagnósticos rápidos e avançamos ao longo do processo de pré-incubação na Fiobiz e na Inbiota, o que nos permitiu apresentar uma solução mais estruturada no evento”, afirma a CEO da BioTrace, Maria Gabriella Santos de Vasconcelos, discente de Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação), da Fiocruz Amazônia. Como reconhecimento, a representante da startup participará do Startup Summit 2026, um dos principais eventos de inovação da América Latina, que ocorrerá em agosto em Florianópolis – SC.

DOENÇAS-ALVO

A tecnologia será aplicada inicialmente ao diagnóstico da esporotricose no Amazonas, doença que vem se consolidando como um problema endêmico no Estado. Dados recentes do Amazonas indicam cerca de 2 mil casos humanos confirmados e mais de 4.900 casos em animais, com forte concentração em Manaus e expansão para outros municípios. A doença apresenta transmissão zoonótica e impacto relevante na saúde pública, incluindo risco ocupacional, abandono de animais e sobrecarga dos serviços. Nesse contexto, o dispositivo CEL pode reduzir o tempo de diagnóstico e apoiar respostas mais rápidas e eficientes por parte dos serviços de saúde.

Além da esporotricose, a tecnologia foi padronizada para outros agravos relevantes na região, como malária, tuberculose, mayaro e oropouche. O modelo é estruturado como uma plataforma escalável, que integra equipamento, kits diagnósticos, protocolos e treinamento, com potencial de inserção em diferentes níveis do sistema de saúde.

Para a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, o reconhecimento da BioTrace evidencia o amadurecimento institucional na área de inovação. “A trajetória da BioTrace também reflete o esforço da Fiocruz Amazônia em estimular jovens pesquisadores a pensar o empreendedorismo científico como caminho para transformar conhecimento em soluções aplicadas à saúde pública. Entendemos como fundamental ampliar a inserção da instituição acadêmica no ecossistema de inovação, especialmente na área da saúde, considerando o potencial do ambiente local no Amazonas, que reúne iniciativas de fomento, investimentos e oportunidades associadas, por exemplo, à Zona Franca de Manaus”, destacou.

Luis André M. Mariúba destaca que a conquista da BioTrace, em uma competição com startups do Amazonas, reforça o potencial da região como polo de inovação. “Essa é a primeira iniciativa do instituto voltada à transformação de uma tecnologia própria em uma startup com coordenação pelo Núcleo de Inovação Tecnológica, contando com a participação de alunos do Programa de Vocação Científica (Provoc), da Iniciação Científica e do Doutorado, tanto da área administrativa quanto biológica”, afirma, acrescentando que o desenvolvimento do equipamento levou cerca de três anos de pesquisa, desde a concepção até o protótipo.

“Seguimos avançando na validação da tecnologia para aplicação prática. A premiação, além do reconhecimento, nos garante a participação no SUMMIT 2026, ampliando a visibilidade da tecnologia e as oportunidades de parceria”, salientou o pesquisador. Além de Gabriella, compõem a equipe Fausto Ramos (PIBIC-ILMD), Raquel Stefanni Silva (PIBIC-ILMD), Victor Calebe (PPGBIO-Interação), Débora Soares (PIBIC-ILMD), Maria Chrysfane (PROVOC-ILMD).

DEMO DAY FIOBIZ

No dia 17 de março, a FioBiz promoveu o Demo Day 2025, etapa final do processo de pré-incubação, no qual cinco startups — Eterna, BioTrace, Mov Health, Startgo e Simetry.AI— apresentaram seus produtos mínimos viáveis (MVPs) e modelos de negócio a uma banca avaliadora. A iniciativa integra os esforços da Fiocruz Amazônia para consolidar um ambiente estruturado de inovação em saúde, voltado ao desenvolvimento de soluções tecnológicas alinhadas às demandas da região.

ILMD/Fiocruz Amazônia

Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia