Fiocruz Amazônia realiza formação de candidatos ao processo seletivo dos bolsistas de pesquisa do Projeto Diagnóstico Situacional das UBS Fluviais na Amazônia Ocidental
O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) deu início nesta segunda-feira, 23/03, a uma formação voltada aos 28 candidatos selecionados para a etapa final e classificatória do processo seletivo para escolha dos bolsistas de pesquisa que atuarão na Fase 2 do Projeto Diagnóstico Situacional das Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF), desenvolvido pela Fiocruz Amazônia em parceria com o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Nacional de Atenção Primária à Saúde. A formação integra a programação da qualificação de pesquisadores e assistentes de campo que farão parte das equipes, etapa que precede o início das expedições do projeto cuja finalidade é avaliar as condições de funcionamento das UBSF nos estados do Amazonas, Pará e Amapá. No total, o processo seletivo teve 353 inscritos.
As expedições estão previstas para iniciar dia 13/04. De acordo com o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias, coordenador do projeto, o objetivo do processo seletivo é identificar, selecionar e qualificar pessoas com o perfil técnico e ético de interesse da pesquisa adequado para contribuir de forma consistente com a produção de conhecimento científico orientado ao desenvolvimento da Atenção Básica do SUS na Amazônia. “As expedições têm um caráter fundamental para a pesquisa, tendo em vista que fazem parte do processo de coleta das informações referentes ao funcionamento efetivo das UBSF, que devem estar em consonância com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e portarias correlatas às UBS Fluviais”, explica Tobias. Dos 28 participantes da formação, 15 serão selecionados para ocupar as vagas.

Segundo o pesquisador, a partir do diagnóstico, o MS poderá subsidiar ações como reativação de embarcações, ampliação da oferta do serviço e qualificação das equipes de Saúde da Família que atuam nessas unidades. Para esta fase da pesquisa estão previstos mais 43 municípios. O cronograma de viagens poderá sofrer alterações mediante deliberação da coordenação do projeto. Cada equipe de campo será composta por quatro profissionais, sendo dois pesquisadores, um(a) assistente de pesquisa e um(a) engenheiro(a) naval.
Os candidatos(as) às vagas de pesquisador(a) devem ter graduação completa na área de Saúde ou Ciências Humanas, com no mínimo dois anos de experiência efetiva na área específica/objeto do projeto, além de experiência prévia em pesquisa de campo, coleta de dados qualitativos e quantitativos, conhecimento da Política Nacional de Atenção Básica e portarias relativas às UBSF, habilidade de entrevistas com gestores, profissionais e usuários, disponibilidade para viagens a trabalho. Para a vaga de assistente de pesquisa, o candidato deve possuir nível médio completo e experiência com o Processo Seletivo, experiência com organização logística, controle de dados e apoio à equipe de campo.

O projeto visa promover a melhoria da qualidade da assistência básica à saúde, para as populações do campo, floresta e das águas. As UBSF são equipamentos efetivos de assistência e cuidado com a saúde de populações ribeirinhas. A pesquisa é realizada pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (Lahpsa), com apoio do Laboratório de Situação de Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros grupos vulneráveis (Sagespi), ambos da Fiocruz Amazônia, tendo como parceiros institucionais a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amzonas (Cosems-AM). A pesquisa é viabilizada por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED), firmado com o Ministério da Saúde, através da Secretaria de Atenção Primária à Saúde, e visa o fortalecimento das políticas de Saúde Integral das Populações do Campo, das Florestas e das Águas e da estratégia de Atenção Primária à Saúde Fluvial no Brasil.

Ao todo, o projeto do diagnóstico terá dois anos de duração. Na fase 2, que se inicia agora, as expedições que irão avaliar as condições de funcionamento de 43 UBSFs nos estados do Amazonas, Pará e Amapá. No Amazonas, as expedições foram divididas em três rotas: Amazonas I (calhas do Purus/Juruá), Amazonas II (Baixo Solimões/Amazonas) e Amazonas III (Médio Solimões e Madeira). No eixo Pará e Baixo Amazonas, as equipes se dividirão nos polos Santarém (Baixo Amazonas/Tapajós) e Pará (Marajó, Tocantins e Xingu). O trabalho de formação das equipes está sendo acompanhado por representantes da Coordenadoria de Acesso e Equidade da Coordenação Geral de Saúde da Família e Comunidade da SAPS.
A assessora técnica da Coordenadoria de Acesso à Equidade da SAPS, Cibele Lima dos Santos, ressalta que a Política Nacional de Atenção Básica reconhece a singularidade dos territórios amazônicos e a importância das UBS fluviais como equipamentos que garantem o acesso, levando serviços de saúde diretamente a populações ribeirinhas, provendo atendimento médico, ambulatorial, odontológico, saúde da mulher, exames laboratoriais, vacinação e ações de educação em saúde. Além da formação, Cibele acompanhará alguns recortes das expedições.
A formação acontecerá de 23 a 27/03, dividida em: Fundamentos e Contexto; Metodologia e REDCap; Simulação de Instrumentos (Gestão e Profissionais); Usuários, Ética e Visita Técnica, e Logística e Prontidão.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Michell Mello / Especial para Fiocruz Amazônia


