COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Ormezinda Celeste Cristo Fernandes
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Fiocruz Amazônia realiza evento de acolhida e apresenta nova coordenação do Programa de Iniciação Científica
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realizou nesta quarta-feira, 16/8, o evento de acolhida para novos bolsistas e veteranos do Programa de Iniciação Científica (PIC). Na oportunidade, Yury Oliveira Chaves, pesquisador no laboratório de Diagnóstico e Controle e Doenças Infecciosas da Amazônia (DCDIA) foi apresentado como o novo Coordenador do programa institucional, que visa a formação de recursos humanos para a pesquisa em saúde e, o desenvolvimento científico de jovens estudantes de graduação de Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e privadas reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC), instaladas em Manaus.
A Vice-Diretora de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Stefanie Costa Pinto Lopes, falou sobre as expectativas para mais uma edição do programa, e comentou sobre os impactos positivos da chegada de uma nova coordenação. “Temos uma ótima expectativa para esse ano, afinal são 25 anos de programa que demonstram o quanto a iniciação científica andou junto com a instituição, que está fazendo 29 anos. É um recorde de alunos, temos 45 bolsistas no programa, estamos passando agora para o nosso sexto coordenador. Considero que sejam importantes essas mudanças, afinal são novos olhares, é um jovem doutor, com uma proximidade maior com esses bolsistas de iniciação científica e, estamos falando de um egresso da casa, um exemplo de caso de sucesso, o que motiva ainda mais os estudantes. Estamos bastante contentes com esse momento, vislumbrando um ano de muito sucesso com essa coordenação, e nova turma”.
O evento que marca o início das atividades dos novos integrantes do Programa, contou com a palestra inaugural “Conhecendo as oportunidades: Algumas Lições científicas importantes”, ministrada pelo novo coordenador, que abordou sobre como as oportunidades podem surgir de várias fontes, como colaborações, avanços tecnológicos, necessidades sociais e experiências pessoais. Durante a apresentação, Yury Chaves, trouxe exemplos para os estudantes, de nomes representativos no universo científico, como Isaac Newton, Marie Curie, Albert Einstein, Alexander Fleming e, Maria Deane, que tiveram em suas descobertas, importantes contribuições para a ciência, criadas a partir das oportunidades.
Desenvolvendo atividades na Fiocruz Amazônia desde 2008, o novo coordenador passou por diversas experiências e, escolheu falar nesse primeiro momento sobre oportunidades, como uma estratégia de incentivar os alunos que estão dando os primeiros passos no universo científico, dentro da instituição. “Inicialmente é desafiador gerenciar um programa de iniciação científica que já vem sendo muito bem gerenciado ao longo de todas as edições. Acredito que com essa nova coordenação, a Fiocruz abre perspectivas para novos rostos, para novas pessoas e, a gente espera que nessas novas edições, outras pessoas, outros ilustres desconhecidos comecem a aparecer, claro que com a ajuda do comitê gestor, das pessoas que possuem maturidade e que tem muita experiência com as edições anteriores”, explica.
Segundo o Coordenador, a palestra teve o intuito de estimular os alunos a pensarem fora da caixa e encontrarem soluções inovadoras para os problemas que possivelmente encontrarão ao decorrer de suas trajetórias científicas. Entre os pontos abordados na apresentação, Yuri destacou a importância da construção de redes de relacionamento que podem levar a novas oportunidades, visando expandir o círculo de influência no campo científico para aumentar as chances de sucesso no universo acadêmico. O evento contou ainda com a apresentação da pesquisadora, Priscila Aquino, ex-coordenadora do Programa, que durante a solenidade foi homenageada por sua contribuição na gestão da iniciação científica.
De acordo com a bolsista, Isabele Praxedes, aluna do curso de farmácia da Faculdade Estácio do Amazonas, a oportunidade de ter a bolsa renovada, representa a possibilidade de continuar o trabalho já desenvolvido na Fiocruz Amazônia, na busca por novos resultados. “É uma ótima oportunidade poder dar continuidade para um projeto que eu já estou participando há algum tempo. Minhas expectativas são em relação aos nossos futuros resultados, para que possamos continuar fazendo mais experimentos, trabalhando para termos novos resultados, que possamos apresentar na RAIC do próximo ano”, destaca.
Pela primeira vez no Programa de Iniciação Científica, Beatrice Praciano, estudante do curso de medicina da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), explica que escolheu a Fiocruz Amazônia para desenvolver seu primeiro projeto de pesquisa, pois acredita que a instituição oferece o suporte necessário para que os estudantes trilhem um caminho de sucesso no campo da prática científica. “Essa é minha primeira iniciação científica, estou muito animada com isso. Esse é meu primeiro contato com o universo da pesquisa, está sendo completamente novo, emocionante, estou muito animada de estar aqui na Fiocruz, que pelo que já pude perceber é a instituição que pode me proporcionar um melhor caminho, pois aqui temos um suporte que eu não vejo em outros lugares”, pontua.
QUALIDADE E BIOSSEGURANÇA
Ainda pela manhã, os estudantes puderam assistir uma palestra sobre o acesso as áreas de Laboratórios e Plataformas Tecnológicas, que somente podem ser acessados por pessoas que necessitem do acesso para o exercício de suas legitimas atribuições, previamente autorizados pelo gestor responsável pela área, mediante comprovação de curso de biossegurança e carteira de vacinação atualizada.
O curso é obrigatório para a iniciação científica, alunos, bolsistas, terceirizados e servidores que atuam ou não nos laboratórios da Fiocruz Amazônia e, visa apresentar a política institucional da Qualidade, Biossegurança e Ambiente e, as recomendações mínimas, necessárias para o desenvolvimento de um trabalho com segurança e confiabilidade dos resultados. Os bolsistas do programa, participaram ainda de uma visita guiada pelos laboratórios da Instituição.
NOVA COORDENAÇÃO
Yuri é licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mestre em Imunologia Básica e Aplicada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Doutor em Biologia Parasitária pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Desde 2013, atua como responsável técnico em Citometria de Fluxo (RPT08J) pela Plataformas Tecnológicas do Programa de Desenvolvimento Tecnológico em Insumos para Saúde (PDTIS) Fiocruz, realizando serviços de análises em citometria de fluxo, consultoria experimental, treinamento técnico em citometria de fluxo envolvendo imunologia e biotecnologia além de acompanhar e gerenciar processos operacionais e administrativos na Fiocruz Amazônia.
O pesquisador integra o quadro de pesquisadores no laboratório de Diagnóstico e Controle e Doenças Infecciosas da Amazônia (DCDIA), e desenvolve projetos nas seguintes áreas: malária, Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum, resposta imune celular, Biologia celular e molecular, cultivo celular e ELISA, diversidade genética do HIV-1 e mutações de resistência.
INICIAÇÃO CIENTÍFICA
A iniciação científica é um instrumento de formação de recursos humanos que permite colocar o estudante de graduação em contato direto com as atividades de pesquisa e o pensar científico, despertar a vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação.
Saiba mais sobre a iniciação científica no ILMD/Fiocruz Amazônia.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Ingrid Anne / ILMD Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia e Associação dos Venezuelanos no Amazonas articulam parceria em prol da saúde de mulheres migrantes
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) realizou na última quarta-feira, 9/8, uma visita à sede da Associação dos Venezuelanos no Estado do Amazonas (ASOVEAM), para tratar sobre futuras parcerias, visando a construção de novos conhecimentos e evidências sobre os desafios relacionados aos direitos à saúde sexual e reprodutiva enfrentados por mulheres e adolescentes, em situações de deslocamento forçado prolongado, na América Central e do Sul.
A visita foi marcada também pela entrega de doações, arrecadadas na Fiocruz Amazônia, durante a realização da campanha “Dignidade Menstrual”, destinada à arrecadação de absorventes femininos para doação a mulheres e adolescentes refugiadas. Uma pesquisa realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) com mulheres que menstruam, apontou que 62% já deixaram de ir à escola ou a algum outro lugar por causa da menstruação, e 73% sentiram constrangimento nesses ambientes.
A campanha pretende reforçar a mensagem de que todas as pessoas que menstruam têm direito à dignidade menstrual, o que significa ter acesso a produtos e condições de higiene adequados. “A entrega do material de higiene íntima, representa mais um gesto de consolidação da parceria entre ILMD/Fiocruz Amazônia e a Asoveam. A associação tem sido parceira e, já estamos construindo novas ações de pesquisa e intervenção em defesa dos direitos da mulher e da adolescente venezuelana radicadas em Manaus. Vimos de forma saudável o encontro de novos saberes e culturas”, destaca Rita Bacuri, pesquisadora social do ILMD/ Fiocruz Amazônia.
SOBRE A ASOVEAM
A Associação dos Venezuelanos no Estado do Amazonas possui o objetivo de fornecer ajuda para integrá-los à sociedade, promovendo ações, desenvolvendo programas, organizando cursos especiais e treinamentos com o objetivo de capacitá-los e qualificá-los para poder inseri-los no mercado laboral, assim como incentivar qualquer movimento enriquecedor que dignifique seu trabalho e qualidade de vida.
A ASOVEAM busca encontrar soluções de longo prazo para favorecer ao máximo sua autonomia, seja com um emprego digno ou autogerido, buscando o desenvolvimento de habilidades e crescimento profissional e, portanto, pessoal. Todas as atividades e serviços promovidos são centrados na pessoa e sua inclusão social e trabalhista para seu progresso social, econômico e cultural.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes
Palestra do Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia vai abordar “Epidemiologia da leptospirose urbana”
/em Notícias /por Carlos GomesO Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia) apresenta na próxima sexta-feira, 18/8, às 10h (horário Manaus), a palestra “Epidemiologia da leptospirose urbana”, a ser ministrada por Federico Costa, professor adjunto da Universidade Federal da Bahia, no Instituto de Saúde Coletiva. A palestra será moderada pela pesquisadora da Fiocruz Amazônia, Luciete Almeida, e será transmitida via Plataforma Zoom, através do link: https://us06web.zoom.us/j/84398667330?pwd=QlZHc2xxSlJuczRmekxsdXFieU5vQT09 , ID da Reunião: (843 9866 7330) e, Senha de acesso: (891139).
Na oportunidade, serão apresentados estudos ecoepidemiológicos dos reservatórios de ratos e do meio ambiente, juntamente com estudos prospectivos de longo prazo de uma coorte de moradores de favelas da cidade de Salvador, no Brasil, a qual a equipe de cientistas tem acompanhado para estudar a leptospirose. “Esse trabalho é importante não apenas no combate à leptospirose, mas também no estudo das zoonoses em geral, ao integrar a compreensão da dinâmica da infecção no reservatório natural, que determinará a “risco inerente” para os humanos, com a compreensão dos fatores na interface reservatório-humano – climáticos, sociais, comportamentais humanos – que traduzem isso em risco real e, portanto, em padrões de infecção humana”, explica.
Segundo explica Costa, as infecções emergentes e reemergentes são amplamente reconhecidas como uma ameaça urgente e crescente à saúde humana em escala global. “Isso é especialmente relevante nas favelas urbanas, onde as pessoas geralmente vivem aglomeradas, são frequentemente vulneráveis por natureza e convivem em estreita proximidade com reservatórios de infecção de animais e meio ambiente. A leptospirose, uma doença zoonótica causada por um agente espiroqueta transmitido por ratos, tem se tornado um importante problema de saúde à medida que os assentamentos precários se expandem rapidamente em todo o mundo”, destaca.
O palestrante destaca ainda, que em países como o Brasil, grandes epidemias ocorrem anualmente nas comunidades de favelas durante períodos sazonais de chuvas intensas. “Esses surtos estão associados a manifestações potencialmente fatais, como a síndrome de hemorragia pulmonar (LPHS), com uma taxa de letalidade superior a 50%. O peso da leptospirose continuará aumentando à medida que a população mundial de favelas dobrar para dois bilhões até 2025. Portanto, é necessário abordar lacunas críticas em nossa compreensão da dinâmica de transmissão da leptospirose para identificar estratégias inovadoras e informadas de prevenção que possam ser implementadas de forma eficaz nessas comunidades”, enfatiza.
SOBRE O PALESTRANTE
Bacharel em Ciências Biológicas, formado pela Universidade Nacional de Rio Cuarto, Federico Costa é mestre em Controle de Pragas e Impacto Ambiental pela Universidade Nacional de San Martín, em Buenos Aires, Argentina; Doutor em Biotecnologia e Medicina Investigativa pelo Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz.
Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal da Bahia no Instituto de Saúde Coletiva, onde também atua como professor permanente da Pós-Graduação em Saúde Coletiva. É também professor permanente da Pós-Graduação em Ecologia: Teoria, Aplicação e Valores. É professor colaborador do Programa de Pós-graduação em Microbiologia da UFBA.
Frederico é pesquisador visitante da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e da Universidade de Liverpool. Desenvolve-se como conselheiro da Organização Mundial da Saúde na estimação de carga mundial da leptospirose. Tem experiência interdisciplinar em determinantes Ecológicos e Sociais da saúde, Epidemiologia, Biotecnologia, Microbiologia, Revisão Sistemática de Literatura e Estratégias de prevenção de doenças.
SOBRE O CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia realiza Aula Inaugural do Mestrado em Saúde Coletiva para indígenas do Alto Solimões
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realiza na próxima segunda-feira, 14/08, no Auditório da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Tabatinga, a Aula Magna de abertura do primeiro curso de Mestrado em Saúde Coletiva, na modalidade Sala Estendida (realizado fora da sede da instituição) voltado exclusivamente para indígenas do Alto Solimões. No total, 52 candidatos de diferentes etnias e municípios da região se submeteram ao processo seletivo do curso, que resultou no preenchimento das 15 vagas oferecidas nesta iniciativa inédita de formação strictu senso fora da sede do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA). A aula magna será proferida pela diretora da Fiocruz Amazônia, Adele Schwartz Benzaken. A matrícula dos aprovados ocorrerá nos dias 14 e 15/08, na sede da UEA em Tabatinga. O processo seletivo reuniu tikunas, kambebas, kaikanas, marubos, kokamas e kanamaris, dos municipios de Tabatinga, Benjamim Constant, Atalaia do Norte, Amaturá e Santo Antônio do Içá.
A coordenadora geral de educação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC| Fiocruz), Cristina Guilam, afirma que o mestrado tem o objetivo de fortalecer o Sistema Único de Saúde da Amazônia e oferecer ao discente a formação necessária para o desenvolvimento de pesquisas de interesse para a região. “Embora tenhamos ações afirmativas em todos os níveis e modalidades de educação na Fiocruz, essa turma voltada especificamente para os povos indígenas, visa reduzir as desigualdades do ponto de vista de formação educacional, com a oferta de disciplinas de relevância a este grupo populacional”, comenta Guilam.
O curso é resultado de um esforço conjunto desenvolvido entre instituições de ensino e de fomento à pesquisa, tendo como coordenadora a docente e pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Luiza Garnelo. O objetivo é qualificar indígenas graduados em diversas áreas de conhecimento para que possam atuar no campo da saúde coletiva e desenvolver atividades, atuando nas instituições que existem na região e contribuindo para melhoria da prestação dos serviços em saúde indígena e na própria atenção primária do município. “Como sanitarista indígena, os profissionais podem atuar de forma qualificada na implantação de atividades de monitoramento, avaliação, vigilância em saúde e processos investigativos que são necessários para subsidiar e melhorar a qualidade das ações de Saúde”, explica Luiza Garnelo.
A iniciativa é do Instituto ILMD/Fiocruz Amazônia e conta com apoio da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que concedeu 15 bolsas mais recursos para auxilio em pesquisa para os indígenas aprovados, e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), por meio de projeto aprovado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Será a primeira vez que serão oferecidas vagas exclusivas para formação de sanitaristas indígenas, de forma presencial e na modalidade sala estendida, pelo PPGVIDA. Para Adele Benzaken, o Mestrado é um marco na história do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) – que neste mês de agosto completa 29 anos de existência – e no processo de interiorização da formação continuada, concretizando um desejo antigo de vencer os desafios logísticos para oferecer essa oportunidade de qualificação em áreas remotas do Estado do Amazonas.
Adele Benzaken destaca o ineditismo e a relevância do curso no processo de valorização do conhecimento tradicional. indígena e na abertura de oportunidades para a formação de sanitaristas indígenas, compromisso assumido dede que assumiu a direção do ILMD/Fiocruz Amazônia e tomou conhecimento da iniciativa, se empenhando em viabilizar as parcerias necessárias para a concretização do mestrado, com dois anos de duração. “Sem o apoio fundamental de parceiros como a Fapeam, o CNPQ e as universidades, não seria possível alcançar esse objetivo”, salienta.
Rosana Parente, vice-diretora de Ensino, Informaçao e Comunicação do ILMD/Fiocruz Amazônia, afirma que, para oferecer o curso, foram necessárias adaptações específicas para atender às singularidades culturais e sociais dos povos indígenas que vivem na Amazônia. “Chegamos a realizar o Curso de Aperfeiçoamento e Etnicidade, Sustentabilidade e Saúde Coletiva na Tríplice Fronteira da Amazônia, que foi uma etapa preparatória ao Mestrado do Programa de Pós-Graduação em condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), com carga horária de 200 horas”, lembrou Rosana.
Luiza Garnelo destaca que a expectativa da Fiocruz Amazônia, enquanto entidade formadora, em relação à primeira turma de mestrado, é da consolidação do projeto de interiorização das ações de pós-graduação na área de saúde coletiva. “Tivemos ao longo da última década o grande desafio de implantar cursos de saúde coletiva. O primeiro curso de Saúde Coletiva na Amazônia Ocidental foi o nosso (PPGVIDA), depois conseguimos caminhar para o Doutorado e agora estamos dando um passo ousado de interiorizar as ações de pós-graduação strictu senso em saúde coletiva em áreas de difícil acesso, regiões remotas de fronteira”, explica.
Em relação ao desempenho dos estudantes, de acordo com a pesquisadora, a expectativa é de que eles consigam se qualificar para desenvolver atividades de saúde coletiva e atuar nas instituições que existem na região. “Tivemos candidatos de todas as áreas de conhecimento, de ciências humanas, ciências naturais, ciências biológicas, ciências exatas, área da saúde, pessoas que fizeram um grande esforço de ordem pessoal, para participarem do processo seletivo. Vimos uma grande adesão dos candidatos aos problemas de saúde concretos existentes em suas localidades de origem, o que tornou o processo seletivo extremamente instigante. São pessoas que valorizam muito a iniciativa da nossa instituição, de interiorizar a pós-graduação”, observou.
Na opinião de Garnelo, além de instigante, o processo seletivo ao Mestrado Indígena foi desafiador e gratificante. “Foi desafiador porque não é uma tarefa tão simples fazer um processo seletivo com essa heterogeneidade de candidatos e propostas que surgiram aqui em Tabatinga, e gratificante porque nós vimos numa grande adesão dos candidatos aos problemas de saúde concretos que têm em suas localidades. São pessoas profundamente motivadas em fazer uma capacitação para auxiliar na resolução dos problemas, para tornar a vida das pessoas um pouco melhor, na aplicação das suas habilidades em prol do bem-estar coletivo”.
Segundo a pesquisadora, a qualificação proporcionada pelo curso tem a potencialidade de aprimorar bastante a organização do trabalho em saúde, monitoramento, vigilância epidemiológica, melhoria dos processos de gestão e administração dos serviços de saúde, cumprimento de metas, geração de indicadores que permitem monitorar a qualidade e efetividade das ações. “Esse é o tipo de conteúdo que vai gerar aprendizado no curso de Saúde Coletiva”, finalizou.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Estudo da Fiocruz confirma excesso de suicídios durante a pandemia de Covid-19 no Brasil
/em Notícias /por Carlos GomesEstudo realizado pela Fiocruz amplia e atualiza o número de suicídios ocorridos durante os dois primeiros anos de pandemia no Brasil. Foram cerca de 30 mil suicídios entre março/2020 e fevereiro/2022, coincidindo com o número esperado para o período e em nível nacional, mas com impacto negativo nas faixas de idade de 30-59 anos e naqueles de 60 anos e mais, sobretudo em mulheres das regiões Norte e Nordeste.
Às vésperas do setembro amarelo (mês de prevenção ao suicídio), o epidemiologista e chefe do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI), Jesem Orellana, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), o médico psiquiatra Maximiliano Ponte, da Fiocruz Ceará e o pesquisador sênior da Fiocruz Amazônia, Bernardo Lessa Horta, confirmaram parte dos efeitos indiretos associados à pandemia de COVID-19 sobre a mortalidade por suicídio no Brasil, nas regiões Norte e Nordeste, ambas historicamente mais vulneráveis de um ponto de vista socioeconômico, além de terem sido mais fortemente afetadas pelos efeitos diretos da pandemia sobre a mortalidade específica por COVID-19.
De acordo com o estudo, que foi aceito para publicação na “International Journal of Social Psychiatry”, tradicional periódico no campo da psiquiatria social, o segundo ano da pandemia (março/2021 a fevereiro/2022) foi o mais crítico, com 28% de suicídios além do esperado em mulheres com 60 anos e mais da região Sudeste, bem como 32% e 61% de suicídios além do esperado em mulheres com 30-59 anos das regiões Norte e Nordeste, respectivamente. Ademais, entre os meses de julho e outubro de 2021, registrou-se o alarmante excesso de suicídios de 83% em mulheres com 60 anos e mais do Nordeste.
A fonte de dados do estudo foi o banco de dados oficial de mortalidade do Ministério da Saúde do Brasil e teve como objetivo estimar o excesso de suicídios no Brasil e avaliar diferenças dentro e entre subgrupos durante os dois primeiros anos da pandemia de COVID-19. O estudo reforça que países severamente atingidos pelos efeitos diretos da pandemia como o Brasil, foram mais propensos aos seus efeitos indiretos sobre outras causas de morte, como o suicídio e as mortes maternas, por exemplo.
No artigo intitulado “Excess suicides in Brazil during the first two years of the COVID-19 pandemic: gender, regional and age group inequalities” (“Excesso de suicídios no Brasil nos dois primeiros anos da pandemia de COVID-19: desigualdades de gênero, regionais e de faixas etárias), os pesquisadores apresentam ao leitor uma análise abrangente e atual acerca dos possíveis efeitos indiretos da pandemia de COVID-19 sobre os suicídios no Brasil. “Bem possível que seja o primeiro estudo avaliado por pares do planeta que analisa os dados dos dois primeiros anos da pandemia, em nível de país”, explica Jesem Orellana.
Os autores finalizam o artigo destacando o substancial excesso de suicídios em mulheres de 30 a 59 anos das regiões Norte e Nordeste, bem como o padrão consistente de suicídios excedentes em homens idosos de diferentes regiões do Brasil. Orellana salienta que o suicídio já era um desafiador e crescente problema de saúde pública no Brasil, antes da pandemia, pois, de acordo com o Ministério da Saúde, haviam indícios de aumento em suas taxas, especialmente entre homens e de 2016 em diante. “Infelizmente, nosso estudo mostrou um agravamento do problema, sobretudo entre as mulheres. No entanto, entre os mais jovens ou naqueles entre 10-29 anos, o número de suicídios foi menor do que o esperado ao longo dos dois primeiros anos de pandemia no Brasil, tanto em homens como em mulheres”, afirma.
Para o epidemiologista, considerando o preocupante cenário dos suicídios no Brasil, antes e durante a pandemia de COVID-19, análises como esta seguem sendo cruciais para explorarmos não somente para compararmos o número de suicídios observados em relação ao número esperado, como também, sua distribuição geográfica em um país com dimensões continentais e marcado por históricas desigualdades. “É importante destacar que a ocorrência dos suicídios variou amplamente entre as regiões, sexos e faixas etárias, sugerindo que a dinâmica social, econômica, sanitária e de coesão social, podem ser importantes determinantes, sobretudo em crises sanitárias como a pandemia de Covid-19”, avalia.
Embora a pandemia de COVID-19 esteja praticamente esgotada, não se deve esquecer seus efeitos diretos devastadores, representados pelos cerca de 705 mil mortos pela doença no Brasil, bem como seus efeitos indiretos, como os mostrados no estudo sobre a ocorrência de suicídios além do esperado.
“Por este motivo, é fundamental que trabalhadores de saúde, pesquisadores, população em geral, gestores e tomadores de decisão, não apenas sigam monitorando os possíveis efeitos residuais da pandemia de COVID-19 sobre os suicídios e se preparando para novas emergências sanitárias, como também promovam o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial, tal como, de forma bastante oportuna, anunciou, no início de julho de 2023, a Ministra da Saúde, Nísia Trindade. Sem dúvida, este é um momento oportuno à discussão do problema, pois estamos não apenas sob a gestão de um Ministério pró-ciência, como também, às vésperas do tradicional setembro amarelo e do icônico 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio”, comenta.
Orellana sugere que, pensando no que cada um de nós pode fazer para contribuir na prevenção desta que é uma das mais antigas tragédias da humanidade, o suicídio, estejamos vigilantes e prontos para acolher, escutar e conversar com pessoas que apresentam sinais de tristeza, solidão ou evidente sofrimento físico e mental, buscando alternativas para situações adversas ou mesmo sugerindo à busca imediata por atenção especializada. “Não podemos simplesmente normalizar o sofrimento humano ou dar às costas, temos sim é que valorizar esses episódios e, com isso, contribuir à prevenção do suicídio”, observa. Ao demonstrar a substancial ocorrência de suicídios além do esperado em mulheres de 30-59 anos e homens idosos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, o estudo contribui para o planejamento mais realista de ações voltadas para mitigação dos efeitos da epidemia de COVID-19, especialmente em subgrupos e regiões mais vulneráveis, além de confirmar os efeitos indiretos da pandemia, especialmente no segundo ano, o qual coincidiu com o momento de pior gerenciamento da epidemia de COVID-19 no país
CD homenageia pesquisadores condecorados com a Ordem Nacional do Mérito Científico
/em Notícias /por Carlos GomesO Conselho Deliberativo da Fiocruz homenageou, durante reunião realizada nesta quarta-feira (2/8), os pesquisadores da Fundação que foram condecorados com a Ordem Nacional do Mérito Científico no mês passado. A sanitarista e diretora da Fiocruz Amazônia, Adele Benzaken, o infectologista Marcus Vinícius de Lacerda, da mesma unidade, o pesquisador emérito Renato Cordeiro, do Instituto Oswaldo Cruz, o coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para a Saúde, Maurício Barreto, e o especialista em leishmaniose Edgar Marcelino, ambos da Fiocruz Bahia, receberam ex-libris personalizados com a frase “Saúde é democracia. Democracia é saúde” e uma carta assinada pelos membros do Conselho.
Em 2021, Benzaken e Lacerda haviam sido indicados para receberem a Ordem Nacional do Mérito Científico, mas tiveram a condecoração revogada pelo então presidente Jair Bolsonaro, sem nenhuma justificativa, menos de 48h depois de assinada. Em protesto, outros 21 cientistas que seriam agraciados redigiram uma carta renunciando à homenagem. Em julho deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou a medalha aos pesquisadores, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto.
A ideia de homenagear os cientistas durante a reunião do CD partiu do presidente da Fundação, Mario Moreira. “Esta é uma reparação histórica à desonra cometida contra nossos pesquisadores”, destacou. “A entrega da Ordem Nacional do Mérito Científico tem uma dimensão muito simbólica em relação à valorização da ciência no nosso país. A saúde e a ciência venceram. A resiliência da nossa base científica nos levou a um ponto de reconstrução e de avanço em relação ao que tínhamos no passado.”
Criada em 1993, a Ordem Nacional do Mérito Científico reconhece contribuições científicas e técnicas de pesquisadores brasileiros e estrangeiros. A indicação é feita por uma comissão formada por nove integrantes, designados de forma paritária pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
“Nesse momento, passa um filme na sua cabeça e você revive 40 anos de pesquisa”, afirmou Adele Benzaken, que, antes de ser eleita diretora da Fiocruz Amazônia, dirigiu o Departamento de HIV/Aids do Ministério da Saúde, mas foi exonerada no início da gestão de Jair Bolsonaro. “Queria dizer da minha emoção de estar aqui nesse momento tão importante e tão memorável das nossas vidas. À Fiocruz eu devo a minha formação e essa vivência dos últimos dois anos como diretora da Fiocruz Amazônia, que é um novo aprendizado. Quando a gente envelhece, é importante ter esse estímulo de novas experiências. É o que nos mantém vivos.”
Alvo de ameaças de morte após liderar, em 2020, o primeiro estudo que confirmou a ineficácia da cloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19, Marcus Lacerda ressaltou a emoção de ser homenageado pelo Conselho Deliberativo. “Esse momento é diferente do que vivemos no Palácio do Planalto, num sentido ainda melhor. Aqui estamos falando com pessoas que vivenciaram a nossa experiência. Menos de 24h depois de um tweet que pôs em risco a vida da minha família, esse mesmo CD se reuniu e divulgou uma nota para a imprensa. Nenhuma medalha tem o poder que esse Conselho teve ao defender os seus. Isso é família.”
Co-fundador e atual diretor do Cidacs, Maurício Barreto lembrou o histórico de resistência da Fiocruz diante de ataques à ciência. “Receber essa medalha no momento em que o Brasil sai de um obscurantismo terrível tem um lado simbólico que nos alimenta. A história da Fiocruz é uma história de resistência. É uma instituição que viveu momentos difíceis, mas que não se dobrou facilmente quando a democracia foi violada em nosso país”.
Considerado um dos maiores especialistas em leishmaniose cutânea do mundo, Edgar Marcelino participou do encontro por videochamada e reforçou o incentivo que as homenagens representam para o trabalho científico. “As premiações representam para nós não somente satisfação, mas também mais trabalho. Me sinto disposto a trabalhar ainda mais.”
Ex-vice-presidente de Pesquisa e Ensino e ex-diretor do Instituto Oswaldo Cruz, Renato Cordeiro dedicou a homenagem do CD ao seu “pai científico”, o médico Haity Moussatché, um dos dez cientistas cujos direitos foram cassados pelo regime militar em 1970, no episódio conhecido como Massacre de Manguinhos. “Entrei na Fiocruz como estagiário na década de 1960 e logo depois fomos ‘presenteados’ por aquela ditadura maldita. É importante que todos nós nos mantenhamos unidos e que tenhamos noção do risco que ainda corremos”, reforçou.
Fonte: Portal Fiocruz, por David Barbosa (CCS)
Fotos: Peter Ilicciev (CCS)
Servidores aprovam novo Regimento Interno da Fiocruz Amazônia
/em Notícias /por Carlos GomesEm assembleia geral realizada na manhã desta segunda-feira, 7/08, os servidores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) aprovaram, por unanimidade, os destaques feitos ao novo Regimento Interno da unidade, concluindo assim o processo de discussão e aprovação do documento. Entre as alterações propostas, estão a criação de núcleos e coordenações que acompanham a evolução da Ciência e passam a atender às demandas de diversas áreas da pesquisa, a implantação e coordenação da política de comunicação da unidade e o controle interno de atividades junto à diretoria. A assembleia foi presidida pela diretora do ILMD/Fiocruz Amazônia, Adele Benzaken, e contou com representantes de todos os setores da instituição.
A extinção do Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) foi um dos pontos discutidos durante a reunião. Com a alteração, o setor cresce e passa a funcionar como Serviço de Apoio à Pesquisa e Inovação, composto por três núcleos (de Inovação Tecnológica, de Serviços e Referência e de Programas Institucionais). “A mudança acompanha a evolução da Ciência e a ampliação dos quadros do ILMD/Fiocruz Amazônia”, afirmou a vice-diretora de Pesquisa e Inovação, Stefanie Lopes. Concordando com Stefanie, o chefe do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI), Jesem Orellana, observou que o NAP teve sua relevância histórica e atendeu ao propósito de sua criação.
“No entanto, a unidade cresceu, ampliou seu escopo de atuação e a capacidade de trabalhar em rede, impondo a superação de novos desafios, como o reordenamento de atuação do seu quadro de servidores e colaboradores. Ao fim, ganham o ILMD, a sociedade e o SUS”, destacou Orellana. A metodologia utilizada na condução da assembleia permitiu que que todos os destaques feitos durante três reuniões do Conselho Deliberativo do ILMD/Fiocruz Amazônia fossem aprovados, de forma ágil e democrática.
Uma versão atualizada contendo mudanças em pontos específicos do Regimento Interno foi elaborada pela Diretoria com apoio de sua Assessoria e em consulta aos colaboradores do ILMD/Fiocruz Amazônia de todos os setores. Esta nova versão foi discutida e apreciada pelo Conselho Deliberativo nos dias 24/04/2023, 08/05/2023 e 15/05/2023. Durante a assembleia, os participantes com direito a voto poderiam apreciar, alterar, suprimir ou aprovar os artigos com proposta de mudança (destacados em vermelho na minuta do Regimento Interno encaminhada a todos os servidores da instituição).
Participaram da assembleia com direito a voto os servidores ativos da Fiocruz lotados na unidade, os servidores cedidos oficialmente de outras instituições públicas, com mais de um ano de atividades na unidade, servidores ocupantes de cargos de confiança (também com mais de um ano na unidade), assim como pesquisadores visitantes de órgãos públicos nacionais ou internacionais, de órgão de fomento ou outras formas de cooperação, um representante do corpo discente da cada programa de pós-graduação Stricto Sensu, devidamente matriculado e com mais de um ano na instituição, e um representante do conjunto de profissionais prestadores de serviços, também com mais de um ano na unidade, vinculado à empresa contratada.
A diretora do ILMD/Fiocruz Amazônia agradeceu a presença e o envolvimento de todos ao longo do processo de discussão das pautas do Regimento Interno. “Devemos ser ousados, se necessário criar, sim, novos serviços porque, ao fazermos isso, nos obrigamos de alguma forma a termos instrumentos para requerer mais profissionais para ocupar determinadas funções”, afirmou, agradecendo a todos.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Eduardo Gomes
Fiocruz Amazônia faz pré-lançamento de livro sobre Saúde Indígena nas Cidades no Diálogos Amazônicos com base na experiência do Projeto Manaós
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) marcou presença na manhã deste sábado, 5/08, no evento Diálogos Amazônicos, em Belém (PA), com o pré-lançamento do livro “A saúde indígena nas cidades: redes de atenção, cuidado tradicional e intercultural”, obra desenvolvida a partir de trabalhos e incursões junto aos povos indígenas no Brasil, com especial atenção aos que vivem em contextos urbanizados. Entre as experiências abordadas, está o Projeto Manaós: Saúde Indígena no Contexto Urbano, coordenado pelo pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias. Rodrigo apresentou o trabalho durante painel sobre Plano de Saúde da Amazônia Legal, numa iniciativa da Presidência da Fiocruz. O Diálogos Amazônicos é evento prévio da Cúpula da Amazônia, que acontecerá entre os dias 8 e 9/08, na capital paraense.
O Projeto Manaós, desenvolvido por meio do Programa Inova Fiocruz, realiza uma série de atividades voltadas para as 750 famílias de 35 etnias que vivem no Parque das Tribos, primeiro bairro indígena de Manaus, no Amazonas. O objetivo é reunir informações sobre a saúde dessas populações, para que se invista em políticas públicas que atendam a esse público em específico. Na primeira fase do projeto, foi feito um levantamento dos principais agravos de saúde que acometem essa população. Na segunda fase, que ainda está em andamento, a finalidade é investigar a prevalência de fatores de risco associados a doenças cardiovasculares.
Para Tobias, o pré-lançamento do livro num evento do porte do Diálogos Amazônicos é uma oportunidade de evidenciar projetos, iniciativas sociais, programas políticos e projetos de pesquisa que têm como enfoque a saúde de populações em situação de vulnerabilidade, nos grandes centros urbanos, entre eles populações e etnias indígenas. A edição é da Rede Unidas.
“Acreditamos que o livro possa ser um instrumento que vocaliza a necessidade e as bandeiras de luta e resistência dos movimentos indígenas, mas sobretudo conversa com as instâncias do Governo Federal, uma vez que pensamos em revisitar a política pública do subsistema de saúde indígena que não ampara a saúde dos indígenas não aldeados, e assim revisitarmos a política nacional de atenção básica, que tenha um enfoque de produzir vínculo e o cuidado com populações indígenas na perspectiva da interculturalidade”, afirmou o pesquisador.
Na oportunidade, estavam presentes o secretário Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Vanderson Brito, e o assessor especial da ministra da Saúde, Nísia Trindade, Valcler Rangel Fernandes, além de representantes da Fiocruz Amazônia, Fiocruz Rondônia, Universidade Federal do Pará, Universidade do Estado do Pará, Instituto Emilio Goeldi e Instituto Evandro Chagas.
Além de Rodrigo Tobias, atuam como organizadores da obra Noeli das Neves Toledo, Camila Carlos Bezerra, Raniele Alana Lima Alves e Tais Rangel Cruz Andrade. O livro aborda experiências na atenção básica e especializada com populações indígenas, o trabalho em saúde indígena, promoção e educação em saúde indígena, vigilância de agravos com populações indígenas, cuidado tradicional e intercultural, ações de enfrentamento da Covid-19 nos territórios na relação com as redes de atenção instituídas nos centros urbanos de cidades situadas nos estados do Amazonas, Tocantins, São Paulo, Mato Grosso, Santa Catarina.
MULTICULTURALIDADE
A obra concentra um conjunto de relatos e resultados de pesquisas, bem como reflexões fundamentadas sobre processos, estruturas e contextos diferenciados de produção de cuidado, na perspectiva da multiculturalidade, representativos das populações indígenas que acessam os serviços de saúde de quatro das cinco regiões brasileiras. Assim, a obra colabora com a realização de um mundo melhor, quando apresenta dispositivos, arranjos e agenciamentos para a produção do cuidado junto a populações vulneráveis socioambientalmente, contrariando um sistema social discriminatório para indígenas que gera desigualdades sociais, principalmente nos centros urbanos.