Manaus sedia primeiro Congresso Brasileiro de Diversidade Microbiana
Com o tema “Diversidade Microbiana: Perspectivas e desafios frente às mudanças climáticas” o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Federal do Amazonas (IFAM), Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e Embrapa Amazônia Ocidental, realizaram entre os dias 22 e 26 de junho, o 1º Congresso Brasileiro de Diversidade Microbiana. O evento aconteceu no centro de convenções do Manaus Plaza Shopping, o encontro coloca a Amazônia no centro do debate científico nacional.
O Congresso visa estimular a interação entre pesquisadores e estudantes, em âmbito nacional e internacional, que desenvolvem atividades relacionadas à diversidade microbiana. O intuito é despertar a comunidade científica e empresarial para os desafios impostos pelas mudanças climáticas à diversidade microbiana e consolidar conhecimentos científicos que gerem oportunidades de obtenção de produtos e aplicações biotecnológicas. A ideia central é promover a melhoria da qualidade de vida da população e a preservação do patrimônio relacionado à megadiversidade microbiana brasileira.

A cerimônia de abertura contou com uma mesa solene composta por grandes lideranças da ciência regional e nacional. Representando a Fiocruz Amazônia, a diretora Stefanie Lopes, reforçou o compromisso da instituição com o fortalecimento da pesquisa científica na região norte e a importância do trabalho colaborativo com outras entidades de fomento e ensino. “Esse evento agora ganha uma proporção nacional, para discutir temas sobre a diversidade microbiana, aqui na Amazônia, tão vasta de diversidade, que vai avaliar tanto a questão de prospecção dessa biodiversidade, como aspectos da saúde, que é o que interessa em grande parte a Fiocruz. Temos diversos pesquisadores da Fiocruz Amazônia, quanto da Fiocruz nacional participando. É um evento muito rico de integração, ciência e comunicação científica”, explica.
O 1º CBDMicro ofereceu uma programação técnico-científica abrangente, com oito eixos temáticos relevantes e atuais da microbiologia. O foco da Comissão Organizadora é promover a difusão de novos conhecimentos e a inovação científica, discutindo o que há de mais moderno no estudo da diversidade microbiana brasileira aplicada às diferentes áreas de atuação humana.

Membro da comissão, o pesquisador da Fiocruz Amazônia Dr. Elerson Matos Rocha, enfatizou a relevância do evento para a região. “A Fiocruz Amazônia está ativamente participando desse congresso, que reúne pesquisadores do Brasil e pesquisadores internacionais, que contribuem com o conhecimento sobre a microbiota bacteriana, fúngica e virômica dos ambientes amazônicos. Esse é um momento enriquecedor para toda a comunidade científica, sobretudo para engrandecer a pesquisa científica na região amazônica do Brasil”, pontua.
PAINÉIS CIENTÍFICOS
A programação do congresso conta com uma contribuição do corpo científico da Fiocruz Amazônia. Pesquisadores da instituição foram escalados para coordenar mesas, ministrar palestras e simpósios temáticos, enriquecendo o debate com a experiência acumulada no monitoramento e estudo de patógenos na região, entre eles: Simone Silveira, Felipe Naveca, Ormezinda Fernandes, Anni Beatriz Matsuura.
Simone Silveira, pesquisadora do Laboratório de Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA) ministrou a palestra “Diversidade viral na Amazônia sob o impacto das mudanças climáticas”, destacando possíveis consequências dessa diversidade viral. “Abordamos na apresentação sobre aquilo que conhecemos em relação a diversidade viral na região amazônica, que é tão rica em biodiversidade, assim como em macro e micro diversidade. Então, falamos um pouco sobre quais serão as possíveis consequências dessa diversidade viral, devido as mudanças climáticas que estão acontecendo. Precisamos compartilhar esse conhecimento para nos prepararmos e cuidarmos melhor da saúde pública, da saúde animal, ambiental, no contexto de uma só saúde”, explica.
EXPOSIÇÃO
Além da presença nos palcos e debates, a Fiocruz Amazônia levou para o Manaus Plaza uma exposição dedicada às coleções biológicas do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia (DMAIS), que integra o grupo de Divulgação Científica das Coleções Biológicas da Fiocruz. O espaço permite que os participantes do congresso vejam de perto amostras e acervos que servem de base para a preservação da memória científica e o desenvolvimento de insumos para pesquisas no país inteiro. A mostra destaca a dedicação da fundação em catalogar, manter viável e proteger a diversidade fúngica, bacteriana e parasitária local.
As coleções biológicas da Fiocruz Amazônia funcionam como um banco de dados vivo, essencial para o desenvolvimento científico. Elas abrigam milhares de cepas de bactérias e fungos amazônicos, preservando a biodiversidade e servindo de base para a inovação em saúde e biotecnologia. Esses materiais ficam disponíveis para pesquisadores e integram uma rede estratégica que busca mapear e conservar a riqueza microbiana de regiões pouco exploradas da Amazônia.
A Coleção de Bactérias da Amazônia (CBAM), fundada em 2001, conta com cerca de 350 isolados bacterianos (como Escherichia coli, Staphylococcus aureus e Salmonella spp.). Essas linhagens são provenientes de isolados clínicos, ambiente (rios e igarapés) e animais, representando um valioso patrimônio para pesquisas de vigilância epidemiológica e saúde pública. Já a Coleção de Microrganismos (Fungos), ontém mais de 1.400 amostras identificadas de fungos filamentosos e leveduras. Parte do acervo é focada na prospecção biotecnológica, estudando a capacidade desses microrganismos de produzir antibióticos e enzimas industriais.

Para a curadora da Coleção de Fungos da Amazônia (CFAM – ILMD Fiocruz Amazônia), Ormezinda Fernandes, a participação da Instituição no CBD Micro visa o fortalecimento das pesquisas na região. “Hoje participamos desse congresso, com uma amplitude bem maior, e a Fiocruz Amazônia não poderia ficar isenta desse processo, que vem ao longo dos anos sempre participando. É com muita satisfação que nos empenhamos para fortalecer cada vez mais a ciência dentro do nosso Estado, visando a Saúde, melhoria de qualidades para o SUS, mas sempre buscando e enfatizando a melhoria da pesquisa na Amazônia”, declara.
DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Na oportunidade, o “Estudo ecoepidemiológico sobre a esporotricose humana e animal no Amazonas” foi apresentado ao público no estande da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), nesta quinta-feira (25/6). A pesquisa é coordenada pela doutora Ani Beatriz Jackisch Matsuura, do ILMD/Fiocruz Amazônia, e apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Fixação de Jovens Doutores no Brasil, da Chamada Pública nº 003/2022, realizado em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Durante o congresso, a pesquisadora apresentou os principais resultados do estudo, destacando o perfil epidemiológico das pessoas acometidas pela esporotricose em Manaus, além da ocorrência e da distribuição da doença em animais no Amazonas. “Esse foi o primeiro trabalho que conseguiu reunir dados epidemiológicos que estavam muito fragmentados. Cada órgão possuía seu próprio banco de dados, mas não havia uma integração dessas informações. Conseguimos reunir esses registros e publicar um panorama da evolução da esporotricose desde os primeiros casos registrados no estado”, destacou.

O espaço de divulgação Científica da Fapeam no CBDMicro, reforça a importância da popularização de pesquisas financiadas pela Fundação nas áreas de biodiversidade amazônica, microbiologia, biotecnologia, inovação e desenvolvimento sustentável. A iniciativa aproxima a produção científica da sociedade ao apresentar tecnologias, produtos e resultados desenvolvidos com recursos públicos, contribuindo para a valorização dos investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I).
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes (ILMD Fiocruz Amazônia) e Ayton Lopes (FAPEAM)


