COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD

ILMD/Fiocruz Amazônia

A Coleção Biológica do ILMD

O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.

A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.

A Coleção Biológica do ILMD

Fiocruz Amazônia é homenageada durante sessão especial da ALE-AM pelos 68 anos da Fundação Alfredo da Matta

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) foi uma das instituições homenageadas durante a Sessão Especial pelos 68 anos da Fundação Hospital de Dermatologia e Venereologia Alfredo da Matta (FUHAM), referência nacional no tratamento de infecções sexualmente transmissíveis e doenças como hanseníase. A sessão ocorreu na tarde desta segunda-feira, 28/08, no Auditório do Plenário Ruy Araújo. A diretora do ILMD/Fiocruz Amazônia, Adele Schwartz Benzaken, que foi diretora-presidente da FUHAM, recebeu o certificado em homenagem à parceria entre as duas instituições e á contribuição ao desenvolvimento da FUHAM no Amazonas. O deputado Dr Gomes foi o autor da propositura da sessão especial.

“Tenho profundo orgulho de fazer parte da história desses 68 anos. A FUHAM marcou a minha carreira profissional de forma determinante. Foi lá onde dei os meus primeiros passos enquanto servidora estadual e gestora publica da área de Saúde ao longo de mais de 30 anos”, relembra Adele Benzaken. Junto com Jose Carlos Sardinha, Benzaken foi responsável pela criação do primeiro ambulatório de Doenças Sexualmente Transmissíveis, da instituição, durante sua gestão como diretora-presidente. O ambulatório foi referência estadual e nacional, assim como campanhas e projetos a exemplo dos testes rápidos para sífilis, validados pioneiramente pela FUHAM e incorporados pelo Ministério da Saúde como política pública brasileira.

Para Adele Benzaken, a Fundação Alfredo da Matta continua como referência. “desejo muito sucesso e que possamos voltar a realizar juntos, FUHAM e Fiocruz Amazônia, grandes campanhas e projetos”, afirmou.

Aniversário da Fiocruz Amazônia conta com apresentação do balanço dos dois anos de gestão da diretora Adele Benzaken

Um balanço dos avanços obtidos ao longo dos últimos dois anos da atual gestão do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) foi apresentado, no último dia 15/08, pela diretora da unidade, Adele Schwartz Benzaken, durante a Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo do ILMD/Fiocruz Amazônia. A apresentação fez parte da programação de aniversário de 29 anos da instituição. O relatório trouxe um apanhado das realizações nas áreas de gestão, gestão de pessoas, ações em parceria, melhorias na infraestrutura, articulações interinstitucionais, captação e execução de recursos, aproximação a grupos sociais vulnerabilizados, ensino, pesquisa, desenvolvimento e inovação. O objetivo da apresentação foi o de dar transparência às atividades e aos resultados ao longo do segundo ano de atuação da atual gestão, entre os meses de agosto de 2022 a julho de 2023.

Entre os feitos destacados, estão a aprovação recente do novo Regimento Interno da Fiocruz Amazônia, com mudanças em pontos específicos após discussões e apreciação do Conselho Deliberativo; o aumento do número de colaboradores, sendo mais da metade deles com alguma ação de capacitação realizada (mestrado, doutorado e pós-doutorado); estruturação do Espaço Saúde e Bem-estar do ILMD/Fiocruz Amazônia. Na parte de infraestrutura, a gestão foi responsável pela finalização da planta arquitetônica da nova sede (que ficará localizada na área cedida pelo 1º Batalhão de Infantaria de Selva-BIS), a substituição da infraestrutura hidráulica da Estação de Pesquisa Avançada do Rio Pardo; estacionamento do ILMD; recebimento do trailer adaptado como ambulatório; reformas dos forros e do escritório de projetos, entre outros. A gestão realizou também a atualização do Parque Computacional, com a aquisição de equipamentos.

As articulações interinstitucionais foram um dos pontos fortes da atual gestão. Ao longo de um ano, aconteceram reuniões com autoridades do legislativo, Executivo e organizações nacionais com a finalidade de apresentar portfólio de projetos da Fiocruz Amazônia para possíveis financiamentos. O ILMD/Fiocruz Amazônia recebeu também visitas de comitivas internacionais, a exemplo da Universidade de Pittsburgh (USA), Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Centro de Prevenção de Controle de Doenças (CDC-USA), Cardiff University (Reino Unido), Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e Consulado Geral do Japão em Manaus.

Foram firmados 13 acordos de cooperação e parcerias com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Universidade Federal do Amazonas, Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto (FVSRCP), Associação dos Moradores e Usuários da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (Amurmam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). A atuação do Escritório de Projetos permitiu a captação de R$ 7,7 milhões e R$ 14,1 milhões em projetos em busca de financiamento.

No quesito Ensino, a Fiocruz Amazônia marcou presença com seminários internos, workshops estratégicos de Pós-graduação, elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional da Educação do ILMD/Fiocruz Amazônia (PDIE 2023/2025), oficinas de autoavaliação e planejamento estratégico, processos seletivos (mestrado e doutorado), incluindo o primeiro mestrado indígena em Saúde Pública do Brasil voltado para indígenas do Alto Solimões, região com a terceira maior população indígena do País.

INTERNACIONALIZAÇÃO

A pauta da Saúde Única está no centro dos debates, tendo a Amazônia como um dos principais focos. Nesse quesito, a internacionalização do tema levou a Fiocruz Amazônia a participar ao longo desse período de eventos internacionais, a exemplo das oficinas realizadas pela Organização Mundial da Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para discussão da Vigilância Regional de Patógenos Emergentes; Universidade de Washington para discussão da Vigilância em Saúde na Região da Tríplice Fronteira; Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), com a participação de pesquisadores da Fiocruz Amazônia no Laboratório Misto Internacional Sentinela.

Por fim, as atividades de Extensão e Popularização da Ciência , com a realização de oficinas da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente , Oficina de Videos Digitais, podcasts e rodas de conversa durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), Projeto Meninas e Mulheres na Ciência – Mais Meninas na Fiocruz 2023,capacitação de agentes comunitários de saúde e de profissionais que atuam em laboratórios de saúde pública na Amazônia e oficinas de educação popular e comunicação em saúde para fortalecimento da cobertura vacinação, discussão sobre a inserção de conhecimento e práticas da Medicina Indígena na Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e incentivo à pesquisa e produção local de biofármacos.

Por fim, a diretora destacou a importância da parceria com as instituições e sobretudo do envolvimento do corpo de colaboradores da Fiocruz Amazônia no momento atual vivido pelo Brasil, de reencontro com um país plural e com o Sistema Único de Saúde (SUS).  Confira na íntegra a apresentação.

Protocolo da Fiocruz para detecção do vírus Oropouche é referência para laboratórios brasileiros e de outros países da Américas

O protocolo de diagnóstico por PCR em tempo real desenvolvido no Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) para a detecção do Oropouche, arbovírus emergente que causa sintomas parecidos com a dengue e que foi registrado em quatro estados da Região Norte, em 2023, será utilizado por oito laboratórios públicos brasileiros por decisão da Coordenação Geral de Laboratório de Saúde Pública (CGLAB), do Ministério da Saúde, e, futuramente, em outros países da América, como parte da estratégia de vigilância de vírus emergentes no continente. A adoção desse ensaio visa ampliar a oferta diagnóstica para a prevenção do surgimento de doenças com potencial para se transformar em epidemias ou pandemias.

De acordo com o CGLAB/MS, no Brasil, os laboratórios dos Estados foram selecionados conforme o cenário epidemiológico. A previsão é de que, a partir de 2024, todos os estados do País estejam realizando o diagnóstico. Os oito laboratórios centrais descentralizados são os Lacens Acre (AC), Amazonas (AM), Distrito Federal (DF), Goiás (GO), Maranhão (MA), Pará (PA), Rondônia (RO) e Roraima (RR). O vírus Oropouche é transmitido pela picada do Culicoides paraenses, popularmente conhecido como maruim. Um vetor secundário são os mosquitos do gênero Culex.

O atual surto causado pelo vírus Oropouche no Brasil, assim como a estratégia de diagnóstico e o protocolo para sequenciamento genético (parte da estratégia de Vigilância Genômica) foram apresentados pelo virologista da Fiocruz Felipe Naveca, durante a 14ª Reunião da Rede de Laboratórios de Arboviroses das Américas (RELDA), realizada entre os dias 15 e 17/08, na cidade de Santo Domingo, na República Dominicana, com a participação de diversos países, como Argentina, Estados Unidos, Cuba, México, Haiti, Costa Rica, Suriname e Bolívia, entre outros.

O evento, promovido pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS) – Escritório Regional para as Américas da Organização Mundial da Saúde (OMS), tem como objetivo fortalecer a rede de vigilância molecular e os programas de controle de enfermidades na região das Américas. Felipe Naveca, que chefia o Laboratório de Arbovírus e Vírus Hemorrágico no Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz-RJ), coordena o Núcleo de Vigilância de Vírus Emergentes, Reemergentes ou Negligenciados do ILMD/Fiocruz Amazônia e integra a Rede Genômica da Fiocruz, realizou apresentações em dois painéis, um sobre a “Situação da Vigilância Genômica da Dengue no Brasil” e o outro, “Casos de Surtos do Vírus Oropouche na Região Norte do Brasil”. Segundo o virologista, o Oropouche foi encontrado em quatro estados da Região Norte  em 2023 e pode se tornar, a qualquer momento, um problema mais sério de saúde pública.

“Estamos vigilantes em relação aos novos casos e contamos atualmente com o apoio dos laboratórios centrais de referência estaduais habilitados a fazer a identificação, via PCR em tempo real, nos Estados do Amazonas, Rondônia, Roraima e Acre, onde foram registrados casos esse ano”, explica Naveca. Segundo ele, os primeiros registros do atual surto de Oropouche no Brasil foram feitos no final de 2022 pelo Laboratório Central de Roraima. Na sequência, vieram os estados do Amazonas, Rondônia e Acre. “Para se ter uma ideia, em Roraima temos mais casos confirmados para Oropouche do que para Dengue este ano”.

Naveca ressalta que o Oropouche causa um quadro clínico muito parecido com o da Dengue. “Clinicamente, é muito difícil de se diferenciar de um quadro de dengue, para isso necessita de um exame laboratorial”, observa, acrescentando que 95% dos casos confirmados este ano, no Brasil, foram diagnosticados via PCR em tempo real, utilizando o protocolo desenvolvido no ILMD. O evento, segundo o virologista, foi uma oportunidade de expor os dados resultantes do trabalho desenvolvido pela Fiocruz e os laboratórios de saúde pública do Brasil, que são parceiros da instituição.

“Por meio do nosso trabalho de caracterização genética, utilizando ferramentas de vigilância genômica, foi possível demonstrar que todos esses casos do surto 2022-2023 são de uma mesma linhagem do vírus Oropouche que está circulando em pelo menos 18 municípios dos quatro estados, para os quais nós tivemos amostras investigadas”, afirmou. Para o virologista, a oportunidade também serviu de alerta para os demais países da América que provavelmente já devem ter a circulação de Oropouche, sem um diagnóstico preciso. Iremos ajudar na implementação desse ensaio em todos os países que tiverem interesse”, afirmou.

DENGUE

Sobre a situação da vigilância genômica da dengue no Brasil, Naveca destacou que o cenário é bastante heterogêneo no País. “Temos estados onde predomina o Dengue 2 e em outros, o Dengue 1, porém temos verificado um aumento do Dengue 2 nos últimos anos com uma troca para um novo genótipo recentemente encontrado no Brasil que se chama cosmopolita, que está passando a ser o principal em alguns locais onde o Dengue 2 é o sorotipo predominante”, afirmou. No caso do Amazonas, houve uma mudança de cenário nos últimos anos, sendo hoje o Dengue 2, genótipo cosmopolita, predominante. “Destacamos também que os estudos que fizemos em colaboração com outros pesquisadores da Fiocruz e outras instituições demonstram que esse genótipo do Dengue 2 entrou pelo menos quatro vezes no país, e já está em todas as regiões. Outro destaque foi em relação à reemergência do Dengue 3, detectado pelo Lacen/Roraima, onde nós trabalhamos em conjunto na caracterização de uma nova linhagem para as Américas”, observou.

Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz realiza oficinas em parceria com o Instituto Mamirauá

A Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (OBSMA), por meio da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fundação Oswaldo Cruz, e a Coordenação da Regional Norte, realizará entre os dias 29/08 e 01/09, uma série de oficinas pedagógicas voltadas para professores e alunos da Educação Básica do município de Tefé, a 523 quilômetros de Manaus. A iniciativa conta com a parceria do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Secretaria de Estado de Educação do Amazonas, Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e Prefeitura de Tefé. A OBSMA este ano realiza a décima segunda edição e conta com o apoio dos Ministérios da Saúde e Ciência e Tecnologia e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico  (CNPq).

O objetivo deste evento é a formação continuada de professores e o incentivo aos estudantes a seguirem a carreira científica. As atividades têm foco na temática de saúde e meio Ambiente e acontecerão em dois momentos distintos. No primeiro, são as oficinas pedagógicas com carga horária de oito horas e serão realizadas no Instituto Mamirauá, sendo o primeiro dia destinado à discussão sobre temas transversais de Saúde e Meio Ambiente; segundo dia, Produção de Texto; terceiro dia, Produção Audiovisual e quarto dia, Projeto de Ciências. Todos os professores participarão juntos no primeiro dia e nos subsequentes escolherão uma atividade do seu interesse para participar. No segundo, serão as atividades Alunos em Ação, realizadas nas escolas municipais Mayara Redman Abdel Aziz, Colônia Ventura e Getúlio Vargas, na área rural, e no Instituto Federal do Amazonas.

A Obsma é um programa educativo, bienal, promovido pela Fiocruz para estimular o desenvolvimento de atividades interdisciplinares nas escolas de todo o país. Participam estudantes e professores da Educação Básica, do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental (2º segmento) e do Ensino Médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA). O Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá é uma Organização Social fomentada e supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, que possui 21 anos de atuação. Desde o início, desenvolve suas atividades por meio de programas de pesquisa, manejo de recursos naturais e desenvolvimento social, principalmente na região do Médio Solimões, no Amazonas.

RETOMADA

A coordenadora de Divulgação Científica da Fiocruz, Cristina Araripe, que também é coordenadora nacional da OBSMA, explica a importância da parceria com o Instituto Mamirauá e o significado desse momento de retomada das atividades no interior do Amazonas. “Estamos muito animados e felizes porque a realização de uma oficina pedagógica para professores da rede pública e de atividades com alunos da educação básica nas escolas do município de Tefé é um projeto em construção, desde março de 2020, quando tivemos que cancelar uma expedição científica da Fiocruz em função da pandemia de Covid-19. A parceria com o Instituto Mamirauá para o Desenvolvimento Sustentável, ligado ao MCTI, é um trabalho que muito está nos mobilizando e acreditamos que será fundamental para que a Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz possa ser incorporada aos projetos político-pedagógicas das escolas da região”, salientou.

Sobre as oficinas, Cristina Araripe reforça que são um conjunto de ações educativas e de popularização da ciência consideradas estratégicas para o fortalecimento da aproximação com as escolas da região. “Além da promoção da saúde e da educação ambiental, vamos levar para a discussão com professores e gestores da área da educação, temas transversais que são importantes para a escola como o próprio conceito de desenvolvimento sustentável ligado à Agenda 2030 da ONU, como também apresentaremos o conceito integrado de saúde que percorre os mais diversos assuntos tratados na sala de aula como alimentação saudável, saneamento básico ou ainda doenças negligenciadas”, observou.

A pesquisadora social do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Rita Bacuri, que coordena a Regional Norte da OBSMA, ressalta a expectativa de trabalhar pela primeira vez junto às escolas rurais do município de Tefé, no Médio Solimões. “Até 2019, tínhamos uma atividade intensa de interiorização das ações da OBSMA nos estados da Região Norte porque entendemos a importância da Amazônia para o Brasil, mas com a pandemia foi preciso suspender. Agora estamos retornando com força total, considerando todos os desafios logísticos existentes para atuação na região”, afirma, lembrando que as inscrições estão abertas para todos os professores de Tefé região e municípios próximos.

Fiocruz Amazônia realiza estudo de avaliação do perfil clínico-epidemiológico em pacientes com suspeita de filariose por espécies de Mansonella na Tríplice Fronteira amazônica na região do Alto Solimões

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) está desenvolvendo na região da Triplice Fronteira amazônica, no Alto Solimões, parte de um estudo que pretende caracterizar o perfil epidemiológico da filariose na Amazônia, tendo como público-alvo comunidades ribeirinhas e indígenas de diferentes etnias, presentes em municípios da região e em territórios na Colômbia, próximos da fronteira, onde é frequente a presença de microfilárias no sangue na população. O trabalho é desenvolvido pelo Núcleo de Patógenos, Reservatórios e Vetores na Amazônia – PreV Amazônia, do Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA), da Fiocruz Amazônia, com apoio do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) do Alto Solimões e Secretaria Municipal de Saúde das Prefeituras de Tabatinga e Benjamin Constant. O estudo consiste na realização de coletas de amostras sanguíneas de pacientes com suspeita de filariose, notificados pelo DSEI ARS, coleta de vetores da doença (a exemplo do piuns e maruins) e levantamento do perfil clínico-epidemiológico dos pacientes.

O coordenador do PReV Amazônia da Fiocruz Amazônia, o pesquisador da Fiocruz Amazônia Sérgio Luiz Bessa Luz e o pesquisador José Joaquín Carvajal Cortés, explicam que desenvolvem as atividades junto com o pesquisador Marcelo Urbano, da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho conta com o apoio de profissionais de saúde dos municípios envolvidos e um grupo de estudantes e egressos do mestrado do programa PPGVIDA e PPGBIO e uma estudante do Vigifronteiras da Colômbia, onde estão sendo desenvolvidas também atividades de campo. “A finalidade é demonstrar que existe alta prevalência da filariose nestas regiões muito embora o Governo Federal ainda não a inclua na lista das doenças de notificação obrigatória e, como doença negligenciada, ela tem a sua importância, mas se desconhecem muitos aspectos, sem que haja respostas em relação a tratamento efetivo, transmissão, diagnóstico e genética dos parasitas e vetores que a causam”, afirmam Sérgio Luz.

Os municípios de Tabatinga, Lábrea e São Gabriel da Cachoeira são os que mais registram casos de filariose por Mansonella no Amazonas. No Peru e na Colômbia, a doença está sendo prevalente também em cidades como Caballococha (Loreto, Peru) e Puerto Narino (Amazonas, Colômbia). “Somente na região do Alto Solimões, desde 2015, já foram registrados 7.500 casos, um número bastante alto e que preocupa”, enfatiza Joaquin Cortés, justificando ter sido este o motivo pelo qual a pesquisa selecionou as áreas de fronteira do Alto Solimões para realizar o trabalho. “Selecionamos as áreas, as equipes e o DSEI nos disponibilizou logística e vamos numa equipe grande percorrer todas essas áreas”, explicou. Nas comunidades indígenas Umariaçu 1 e 2, Belem de Solimões, Vendaval e Campo Alegre, em Tabatinga, foram colhidas até o momento, aproximadamente, 250 amostras. O trabalho também se estenderá à comunidade Feijoal, pertencente ao Alto Solimões.

O componente entomológico do projeto visa identificar as espécies de insetos com presença de filárias. A parte clínica, desenvolvida pelo médico Marcelo Urbano, da USP, se encarregará do estudo clínico que ainda tem suas lacunas, mas ainda quando se desconhece a localização das filárias adultas no organismo humano (onde estão, como se reproduzem e período de incubação), bem como realizará aplicação de questionários para verificar possíveis associações entre conhecimentos e práticas da população que possam oferecer indícios sobre o comportamento da filariose por Mansonelose na Amazônia. Serão realizados também atendimentos com pacientes positivos. “Nas comunidades ribeirinhas indígenas e não indigenas, as pessoas adoecem e como é difícil identificar a espécie da filária por microscopia, não recebem o tratamento efetivo, razão pela qual podem se apresentar pessoas que visitam várias vezes o serviço de saúde na região”, afirmou Cortés.

Oficinas levam comunidades a pensar produtos de comunicação em favor da saúde pública

A comunidade ribeirinha de Novo Paraíso, localizada na zona rural do município de Tabatinga, no Alto Solimões, sofre há tempos com o isolamento e as condições precárias de mobilidade. Os ramais intrafegáveis que levam até a localidade dão a exata dimensão do que é viver e sobreviver num lugar onde a agricultura familiar é a principal fonte de economia e o acesso aos serviços de saúde é limitado. Para essa população ribeirinha, as oficinas do Projeto Amazônia Solidária, foram mais do que encontros de capacitação. As atividades são desenvolvidas pela Fiocruz Amazônia e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), com apoio da NPI Expand, Fiotec, SITAWI Finanças para o Bem e Conselho de Secretários de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) com o objetivo de identificar fatores que impactam no aumento da cobertura vacinal nos territórios, e permitir a formulação de estratégias por meio da participação social e metodologias da Educação Popular em Saúde para melhorar a comunicação e divulgação cientificas a partir dos atores sociais da comunidade.

Denise Amorim, publicitária e mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz, explica que pensar comunicação é importante, porque a população não tem atendido ao chamado das campanhas de vacinação oficiais, seja por preconceito, seja por conta das fakenews. “Com o projeto conseguimos trazer essa temática para dentro de uma comunidade rural ribeirinha no interior do Amazonas, com produtos de comunicação que nasceram a partir das estratégias e das necessidades do território”, afirma.

As atividades representaram oportunidades de superação e descobertas para comunitários como o agricultor Arlindo Ribeiro dos Santos, 72, que, pela primeira vez na vida, atuou como um apresentador entrevistando o estudante de Medicina, Lucas Matheus Correia, 23, sobre os benefícios e dúvidas acerca das vacinas. Assim como Arlindo, que venceu a timidez e conseguiu realizar sua entrevista, o projeto revelou o talento do agricultor Francisco Sales Barbosa, 76, para a arte do repente. Expert na arte do improviso com os versos, Francisco vive do que planta em seu pedaço de chão. Apesar de analfabeto, é um mestre no uso das palavras que brotam de sua poesia. “Nasci com esse dom e gosto de cantar para ver as pessoas felizes”, resume Francisco, que foi responsável pela elaboração de um roteiro de vídeo com repente sobre vacinação, junto com grupo da oficina.

“Seja um podcast, seja um vídeo mais simples, seja uma roda de conversa, atividade educativa, estamos falando das linguagens da comunicação que transversalizam com a linguagem da educação, então essa é a importância, a gente não consegue mobilizar o território se a gente não fizer uma efetiva comunicação para além do oficial governamental, daí a importância do projeto em estimular as comunidades e as equipes de saúde a produzirem esses conteúdos”, avalia Denise.

Segundo ela, o projeto foi uma oportunidade de resgate da Política Nacional de Educação Popular em Saúde, que preconiza metodologias participativas que inserem a comunidade e os atores sociais. “Construímos o termo de referência dessa oficina por meio dos círculos de cultura, que são os passos agregadores de diálogo e de construção participativa, de aprendizado coletivo. Com o Amazônia Solidária, foi possível experimentar essa metodologia nos municípios, atendendo plenamente aos propósitos do projeto”, salienta a facilitadora.

Ela complementa: “O projeto conseguiu promover a aproximação entre as equipes de saúde e as comunidades, seja no contexto urbano, contexto rural, ribeirinho, quilombola, com resultados excelentes tanto para oficina 1 quanto para a oficina 2. Foi fantástico vê-los desenhando e pensando seus territórios, lendo e discutindo informações sobre vacinação e o que foi a COVID-19, o medo, os preconceitos, as fakenews, e depois disso promover, na oficina 2, os produtos de comunicação, que foi um exercício novo, tanto para a comunidade, quanto para as equipes de saúde do município, que não estão preparadas para pensar a comunicação sob esse ponto de vista que nós trouxemos”, observa Amorim.

Para o enfermeiro Jackson Miller Moreira, 26, da equipe de Atenção Básica, da Secretaria Municipal de Saúde de Tabatinga, participar da oficina foi um exercício inédito. “Foi muito interessante pensar roteiros, pensar em pequenas gravações de podcasts para utilizar nos grupos de whatsapp na comunidade”, afirma. O enfermeiro diz colocar em prática algumas estratégias de comunicação, a exemplo de faixas e cartazes explicativos, mas não imaginava que poderia ir muito mais além com dramatizações, panfletos, grupos de whatsapp, entre outros recursos que motivam tanto os profissionais de saúde quanto o público-alvo, que são os comunitários.

A oficina 2 encerrou o projeto, mas o legado ficará com resultados que poderão ser observados a longo prazo. O estudante de Medicina da UEA, Lucas Correia, é um dos que acreditam na eficiência da comunicação em Saúde. Ele participou da oficina durante o seu estágio rural em Saúde Coletiva, em Tabatinga, para conhecer a realidade do município. “Estar aqui é uma experiência muito transformadora. O conhecimento vai muito além do que a medicina nos ensina. Estamos aqui para unir esse conhecimento que a Medicina nos traz de dentro da universidade para as pessoas que precisam desse atendimento e o processo de educação em saúde é muito importante porque ele é o pilar de tudo na Atenção Primária”, destacou.

Lucas participou ativamente da oficina na comunidade Novo Paraíso e considerou a atividade uma oportunidade a mais para falar sobre prevenção. “Vacina é excelente para que possamos evitar complicações futuras e todos nós precisamos falar sobre isso, sempre. Essa ação que está ocorrendo aqui é muito importante. O ato de se comunicar hoje em dia é a base de tudo, toda vez que pudermos divulgar uma ação em saúde contem conosco, principalmente se for para melhorar o atendimento vacinal nas áreas mais distantes e remotas do interior do Amazonas”, disse.

SOBRE OS PARCEIROS 

No Brasil, a USAID, a NPI EXPAND e a SITAWI Finanças do Bem se uniram para criar uma parceria para apoiar a Resposta à COVID-19 na Amazônia. Entre 2020 e 2021, a primeira fase do projeto do NPI EXPAND Resposta à COVID-19 na Amazônia  distribuiu mais de 23 mil cestas básicas e kits de higiene, capacitou mais de 500 agentes comunitários de saúde, doou mais de 1,4 milhão de máscaras feitas por costureiras locais e divulgou mensagens educativas de prevenção para mais de 875 mil pessoas na região. A Fase está promovendo maior resiliência das comunidades amazônicas através do apoio amplo a vacinação contra a COVID-19, campanhas de informação e combate à fake News, e apoiando os sistemas locais de saúde na região com equipamentos e insumos para detectar, prevenir e controlar a transmissão de Covid-19, bem como realizar o acompanhamento de casos agudos de COVID-19 e tratar as sequelas de síndrome pós-COVID-19.

Projeto de educação ambiental da Fiocruz Amazônia monitora qualidade da água em comunidades rurais de municípios amazonenses

O Projeto de Educação Ambiental em Comunidades Rurais do Estado do Amazonas: Um proposta de pesquisa-ação para o monitoramento da qualidade da água, desenvolvido pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), está entrando na reta final das análises de amostras de água consumida em comunidades rurais de 12 municípios amazonenses, o que permitirá, por amostragem, identificar as diferentes formas de contaminação da água consumida por populações de localidades, que utilizam o rio como fonte de abastecimento, ou ainda poços sem manutenção e funcionamento precário. O trabalho é coordenado pela bióloga e pesquisadora-tecnóloga da Fiocruz Amazônia, Luciete Almeira, chefe do Núcleo de Bacteriologia do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS), em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

De acordo com Luciete Almeida, ao longo de 18 meses, o projeto já percorreu 11 dos 12 municípios contemplados e gerou laudos de análises realizadas na água coletada nas comunidades e um conjunto de recomendações relativas a medidas sanitárias e profiláticas a serem adotadas tanto pelas autoridades municipais como estaduais no sentido de melhorar a qualidade da água consumida naqueles locais e identificar os fatores de risco que podem estar influenciando no adoecimento dos comunitários. “Nosso objetivo é promover a Educação Ambiental das comunidades e demonstrar, de forma comprovada, que a água que as populações desses locais distantes estão ingerindo pode estar contaminada por matéria orgânica, como fezes de animais e humanos, além de outras partículas poluentes, podendo comprometer gravemente a saúde das famílias”, explica a bióloga.

Na semana de 31/07 a 04/08, foi a vez do município de Silves, no Médio Amazonas, receber o trabalho. Lá, além das comunidades rurais, com acesso apenas fluvial – a exemplo da Divino Espírito Santo do Paraná do Pai Tomás, Santa Maria do Rebojão, São Raimundo do Bacabaí e São José do Pampulha, situadas a cerca de uma hora de voadeira da sede do município – foram realizadas também coletas dos poços artesianos que abastecem a área urbana da cidade. “Essa atividade da Fiocruz é de extrema importância para nosso município uma vez que precisamos saber que tipo de água estamos consumindo e o que podemos fazer para melhorar a situação, em caso de necessidade de medidas emergenciais”, reconheceu o secretário de Meio Ambiente de Silves, Janderlei Grana Gadelha, que acompanhou a equipe durante as coletas.

No total, Silves possui 32 comunidades rurais distribuídas ao longo do seu território, formada por ilhas, muitas delas completamente isoladas no período da vazante dos rios da região. O município é banhado pelos rios Urubu (afluente do Negro) e Amazonas, e faz fronteira com Itacoatiara e Urucurituba. As famílias sobrevivem da agricultura e pequenas criações de gado e suínos, cuja carne é consumida nas próprias comunidades. No trajeto, é possível avistar pequenas plantações e currais com o gado solto no pasto alagado. “A presença de coliformes fecais se intensifica com a pastagem dos animais que defecam nas áreas onde circulam e muitas vezes o ribeirinho utiliza da água captada do rio para os afazeres domésticos e até consumo”, explica Luciete.

Outro fator que influencia diretamente na qualidade da água é o clima. A seca e cheia dos rios e lagos da região, entre os meses de junho (topo da cheia) e outubro (vazante), altera significativamente a rotina do abastecimento d’água para quem reside em localidades. Nas quatro comunidades de Silves visitadas pela equipe da Fiocruz Amazônia e Funasa, as dificuldades relatadas são as mesmas. “Às vezes é necessário caminhar por mais de uma hora para alcançar a margem dos rios”, afirma Janderlei. Os poços artesianos, implantados em alguns locais, são a única alternativa dos moradores, mas sem garantia de estarem fornecendo água potável.

A pesquisa está sendo desenvolvida em comunidades rurais ribeirinhas dos municípios de Parintins, Manaquiri, Silves, Borba, Iranduba, Careiro da Várzea, Careiro Castanho, Rio Preto da Eva, Urucará, Barreirinha, Manacapuru, Novo Airão. Em cada um desses municípios, pelo menos quatro comunidades foram visitadas e tiveram as águas coletadas tanto dos poços artesianos quanto de rios, igarapés e  sistemas Salta Z – criado pela Funasa como alternativa para a melhoria da qualidade da água consumida em localidades ribeirinhas.

Por esta razão, um técnico da Funasa acompanha a equipe nas viagens e realiza análises físico-químicas do material que ele também coleta. Em Silves, além das comunidades localizadas às margens do Lago do Canaçari e dos rios Amazonas e Urubu, foram realizadas também coletas da água captada dos cinco poços artesianos que abastecem a área urbana. Para o coordenador da Vigilância em Saúde do município, Juciê Neves, os laudos fornecerão as informações necessárias para embasar as demandas de implantação de novos sistemas Salta Z em comunidades que ainda não dispõem e a manutenção dos sistemas onde ele já existe, bem como na sede da cidade.

Luciete Almeida destaca a importância da parceria com a Funasa para o êxito do projeto. “Além da questão da sensibilização da comunidade, com as palestras sobre a importância da água potável para nossa saúde e os procedimentos que devemos adotar para reduzir os riscos de contaminação pela água, o projeto também contribui para a implementação de políticas públicas voltadas para a questão do fornecimento de água de qualidade às populações”, afirma. Segundo Luciete, assim que ficam prontos, os laudos são enviados às secretarias municipais de saúde dos 12 municípios contemplados.

Em Silves, o resultado das análises é esperado com expectativa. Das 32 comunidades existentes, apenas duas possuem o sistema Salta Z. Nas demais, não se tem uma noção exata da qualidade da água que está sendo consumida. O sistema Salta Z (Solução Alternativa de Tratamento de Água) é capaz de filtrar a água barrenta e contaminada dos rios e lagos, tornando-a potável para o consumo humano em poucos minutos. A tecnologia, implementada pela Funasa, faz a diferença na vida das comunidades ribeirinhas. Simplifica as etapas de tratamento de água convencionais, numa estrutura tubular com filtros potentes e adequados, para tornar a água potável, na proximidades de poços e rios onde é feita a captação.

Aglomerados de comunidades, algumas isoladas, crescem nas áreas de várzea do município. “Com o sistema Salta Z, as comunidades passam a ter água potável, mas é preciso ter os cuidados necessários de manutenção dos poços artesianos”, explica o técnico em Saneamento da Funasa, José Moura dos Santos, que acompanha as viagens junto com a equipe da Fiocruz Amazônia.  Na comunidade Paraná do Pai Tomás, também conhecida como Paranazinho, o poço instalado há mais de 20 anos, passou a contar com o Salta Z há menos de um ano. “Durante as visitas, observamos também as condições do poço artesiano, que precisa estar em área limpa, sem a presença de animais, e ser feito com o método construtivo correto”, afirma Moura.

No Paranazinho, o sistema foi bem-recebido pelas 21 famílias residentes na comunidade. “Antes do Salta-Z, tínhamos muitas dificuldades e doenças. A maioria das famílias utilizava a água do poço, sem qualquer tratamento, para fazer comida e beber. Hoje, melhorou bastante”, afirma a professora Kiane Neves, da Escola Municipal Antonio Graciano de Farias, que atende as crianças do Paranazinho e Santa Maria do Rebojão. Na escola, a pesquisadora Luciete Almeida fez uma palestra para os alunos e professores, além de distribuir cartilhas sobre saúde e ambiente e aplicar questionários, que são utilizados para traçar o perfil das comunidades visitadas. “Por meio das perguntas, procuramos obter informações sobre o número de famílias, principais fontes de renda das comunidades, como é feita a coleta e o descarte do lixo, quais as mudanças ocorridas com a implantação do Salta Z, sobretudo em relação à incidência de doenças de veiculação hídrica, entre outras informações”, explica Luciete. “As crianças ajudam a propagar as informações, são elas que fazem a diferença”, afirma a bióloga.

Apesar de transparente, a água do Salta Z também pode apresentar variações de qualidade se não houver a devida manutenção no sistema nem nos poços que o abastecem. É o exemplo da comunidade Paranazinho, onde o poço nunca passou por manutenção desde que foi implantado e está situado numa área de massapê, com a presença de fezes de animais, água servida e esgoto (oriunda do banho e pia) contaminando o solo. “Nesse caso, é possível que tenhamos alterações na água fornecida pelo sistema porque todo o processo requer cuidados de manutenção, mas somente após os resultados das análises é possível confirmar”, explica o técnico da Funasa.

Dos oito poços que abastecem os bairros da Silves, cinco tiveram amostras da água coletada pelos pesquisadores da Fiocruz e da Funasa. O poço mais antigo fica situado no Centro. Na sequência, foram realizadas coletas nos bairros Mucajatuba, Panorama, Plínio Coelho e Curaçá. Todos, poços artesianos com mais 100 metros de profundidade e responsáveis pelo abastecimento de mais de 80% da cidade. “Será muito importante termos conhecimento acerca da água que é consumida, pois somente assim poderemos melhorar a qualidade do produto oferecido à população”, reforça Juciê.

LABORATÓRIO

A bióloga Dandara Brandão, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), acompanha o projeto que faz parte da sua dissertação de mestrado. Ela trabalha na coleção de bactérias da Fiocruz Amazônia e explica que, tão logo chegam do campo, as amostras são submetidas a testes de colimetria (para identificação de coliformes total e fecal); métodos de fenotipagem (isolamento e identificação) por análises bioquímica; e métodos de genotipagem (PCR e sequenciamento genético) para identificação dos patógenos encontrados na água.

“Importante destacar que as oficinas e coletas são feitas em todos os municípios contemplados com oficinas de educação ambiental; conscientização para ingestão de água de qualidade, coletadas dos sistemas Salta Z, bem como outras fontes destinadas ao consumo das comunidades”, salienta. O técnico da Funasa explica que, na atividade de campo, é possível avaliar in loco aspectos como temperatura, condutividade, sólidos totais e presença de matéria orgânica e fazemos um estudo situacional para possível implantação do sistema Salta Z”, afirma Moura.

CURSO

Como parte do financiamento da Fapeam, o Núcleo de Bacteriologia do Laboratório DMAIS, da Fiocruz Amazônia, promoverá de 21 a 25 de agosto, o curso de aperfeiçoamento em monitoramento da qualidade microbiológica da água, destinado para técnicos de laboratórios dos municípios contemplados com a pesquisa. “Para configuração do projeto, planejamos atividades com os técnicos e participantes das comunidades, pactuando um conteúdo programático abordando temas como recursos hídricos, fontes de contaminação, legislação, procedimentos e normas de biossegurança, principais métodos para avaliação de qualidade microbiológica da água, medidas de prevenção e promoção à saúde, vigilância ambiental, microbiologia de fungos isolados na água, entre outros”, explica Luciete, que coordena o curso. As aulas serão ministradas por pesquisadores da Fiocruz Amazônia e convidados de outras instituições. O curso será oferecido nos formatos on line e presencial, com aulas práticas e teóricas. Foram disponibilizadas duas vagas para cada município e todas foram preenchidas.

ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa

Fotos: Júlio Pedrosa

Projeto da Fiocruz Amazônia e USAID incentiva a comunicação em saúde e fortalece cobertura vacinal em Barcelos

O Projeto Amazõnia: Ciência e Solidariedade no Enfrentamento à COVID-19, desenvolvido pela Fiocruz Amazônia e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), em parceria com a Fiotec, NPI Expand e SITAWI Finanças para o Bem e Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM), finalizou a segunda etapa das oficinas de educação popular e comunicação em Saúde, em Barcelos, no Alto Rio Negro, ao mesmo tempo em que o município registou o aumento do índice de cobertura vacinal em comunidades rurais do município. O projeto contou com o apoio da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Barcelos, e teve como finalidade definir e executar estratégias de comunicação a partir das propostas elaboradas durante uma primeira oficina ocorrida em janeiro deste ano, com a presença maciça de comunitários do Marará, zona rural do município. Dados do Previne Brasil 2023 apontam que, no primeiro quadrimestre deste ano, mais de 80% dos moradores da comunidade onde ocorreram as duas oficinas se vacinaram.

Na segunda oficina, o público-alvo foram os agentes comunitários de saúde (ACS) e profissionais que atuam nas 42 comunidades do município, além de moradores. A secretária de Saúde de Barcelos, Patricia Leite, reconheceu a importância do projeto e a parceria com a Fiocruz Amazônia, apoiando a execução das ações e a adesão dos ACS à oficina. “É muito importante aderir a eventos como esse da Fiocruz porque, como sempre digo, os agentes comunitários de saúde são os nossos olhos onde não conseguimos estar, na casa dos comunitários, e esse contato necessita de uma comunicação efetiva e eficaz”, afirmou. Patrícia destacou a melhoria dos indicadores de cobertura vacinal também como efeito do trabalho.

Barcelos tem hoje 86 agentes comunitários de saúde, distribuídos em oito equipes que atuam nas zonas urbana e rural do município. No total, 64 profissionais participaram da oficina e elaboraram produtos de comunicação capazes de multiplicar informações, divulgar ações da Saúde e sensibilizar a comunidade. Entre as peças de comunicação criadas, estão roteiros de podcast, com entrevistas feitas pelos comunitários e agentes e ACS, captação de imagens para produção de um VT publicitário com o recurso da dramatização, um flyer que tire dúvidas sobre vacinação e uma sugestão de pauta para envio à rádio local (único veículo de comunicação existente na cidade e com grande alcance junto aos 27 mil moradores do município), além de carros de propaganda volante, serviços de alto-falantes (bocas de ferro) e grupos de WhatsApp. O trabalho foi realizado em grupos e, ao final, foram sorteados kits contendo mochila, álcool em gel para higienização das mãos e equipamentos de proteção individual.

A mestre em Saúde Pública e publicitária, Denise Amorim, que atuou como facilitadora do projeto em território ribeirinho, explica que os aprendizados da oficina sobre comunicação e educação popular são importantes para que as equipes se empoderem nos diálogos com as comunidades e ações nos territórios. “Não só em relação às temáticas de vacinação, mas também, de outros temas de promoção da saúde, foi maravilhoso vê-los produzindo outras formas de pensar e divulgar temáticas da saúde coletiva”, afirmou.

Rodrigo da Silva Macedo, enfermeiro e coordenador do Programa Municipal de Imunização (PMI) da Secretaria de Saúde de Barcelos, afirma que os desafios à frente do PMI são inúmeros e a comunicação é uma ferramenta de mobilização eficaz para se atingir o maior índice de cobertura possível. “Temos um município em que trabalhamos tanto com zona urbana quanto rural, em áreas muito distantes. Para que possamos fazer a cobertura e traçar metas, precisamos fazer um planejamento para uma viagem às áreas ribeirinhas e é um custo muito alto, além de termos que mobilizar os comunitários para que não saiam de casa.

A Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Programa Municipal de Imunização, criou o Vacina Visual, um quadro onde é possível acompanhar a vacinação das crianças até 2 anos do município. “Verificamos quando a criança tem que retornar e se a mãe não traz, nós a acionamos para que ela traga a criança para ser vacinada. Este ano, depois que implementamos essas ações, tivemos uma boa aceitação. O caminho ainda é muito longo, mas quando recebemos uma capacitação como essa para os agentes de Barcelos, temos a percepção de outras ideias de como trabalhar com a população, todas as capacitações que vêm são superimportantes para alcançar a população de um modo geral. Assim conseguimos melhorar a nossa meta”, explicou Rodrigo.

SOBRE OS PARCEIROS

No Brasil, a USAID, a NPI EXPAND e a SITAWI Finanças do Bem se uniram para criar uma parceria para apoiar a Resposta à COVID-19 na Amazônia. Entre 2020 e 2021, a primeira fase do projeto do NPI EXPAND Resposta à COVID-19 na Amazônia distribuiu mais de 23 mil cestas básicas e kits de higiene, capacitou mais de 500 agentes comunitários de saúde, doou mais de 1,4 milhão de máscaras feitas por costureiras locais e divulgou mensagens educativas de prevenção para mais de 875 mil pessoas na região. A Fase está promovendo maior resiliência das comunidades amazônicas através do apoio amplo a vacinação contra a COVID-19, campanhas de informação e combate à fake News, e apoiando os sistemas locais de saúde na região com equipamentos e insumos para detectar, prevenir e controlar a transmissão de Covid-19, bem como realizar o acompanhamento de casos agudos de COVID-19 e tratar as sequelas de síndrome pós-COVID-19.

ILMD/Fiocruz Amazônia
Fotos: Divulgação / ILMD Fiocruz Amazônia

Dados registrados

Número de registro, nome da espécie, autor, variedade, observação taxonômica, anamorfo, teleomorfo, número da coleção, data de entrada, doador, data e local de isolamento, identificação segundo o doador, nome antigo, coleções onde está depositada, substrato, hospedeiro, categoria do tipo, sexualidade, modo de preservação, fotos e imagens macro e microscópicas, aplicações e outras informações.

Público alvo

Pesquisadores, empresas privadas, instituições de pesquisa e outras coleções de cultura.

Serviços oferecidos

Aquisição, depósito, distribuição, preservação de bactérias, fungos filamentosos, leveduras e plasmídeos;

Caracterização de microrganismos, pesquisa e treinamento;

Realiza cursos sobre sistemática em fungos filamentosos, presta serviço de consultoria, emitindo laudos técnicos a terceiros. Orientação de teses de mestrado, doutorado e pessoal técnico especializado.

Coleção de Bactérias
Coleção de Fungos

Curadora

Ormezinda Celeste Cristo Fernandes

Contato

E-mail – ofernandes@amazonia.fiocruz.br
Endereço para correspondência – Rua Teresina, 476 – Adrianópolis – CEP – 69057-070

Fone: (92) 3621-2337 Fax: (92) 3621-2399