COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Mestrado do PPGBIO-Interação alerta para final das inscrições ao processo seletivo na segunda-feira, 25.05
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) informa que o prazo de inscrições para o processo seletivo do curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação). Os interessados têm até a próxima segunda-feira, 25/05, para se inscrever. O processo seletivo é referente à Chamada Pública Nº 006/2026. Nesta quinta-feira, 21/05, foi divulgada a 1ª Republicação do edital, com a alteração referente à inclusão de docentes orientadores no programa. No total, estão sendo oferecidas 10 (dez) vagas
Confira AQUI a 1ª Republicação
O curso é oferecido em Manaus, em regime integral, com duração mínima de 12 meses e máxima de 24 meses. O processo seletivo é composto por 4 (quatro) etapas., incluindo a realização da defesa de dissertação. O objetivo é formar pesquisadores qualificados para o estudo das interações biológicas, ecológicas e fisiopatológicas de endemias de relevância na Amazônia, contribuindo para o desenvolvimento científico e tecnológico regional, o fortalecimento da produção acadêmica e a redução das desigualdades na formação de recursos humanos na região.
SOBRE O PPGBIO-INTERAÇÃO
O Programa tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro no âmbito da maior biodiversidade mundial.
O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na eco-epidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.
Estes diversos aspectos são os principais delineadores para escolha da área de concentração da Ciências Biológicas III, por esta ser uma área multidisciplinar e baseada no eixo bioquímica, genética, biológico, celular e molecular. Os alunos recebem uma formação em áreas estratégicas por sua importância e que precisam ser desenvolvidas no Estado.
ILMD/Fiocruz Amazònia, por Júlio Pedrosa
Imagem: Mackesy Nascimento / Fiocruz Amazônia
Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia discute saúde da pessoa idosa no território ribeirinho da Amazônia
/em Notícias /por Julio OliveiraO Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) vai realizar nesta sexta-feira, 22/04, a partir das 10h, a palestra “Saúde da Pessoa Idosa: Realidades e Desafios dos Ribeirinhos da Amazônia”, a ser ministrada pelo professor doutor Luís Marcelo Aranha Camargo, médico e pesquisador da Universidade de São Paulo. A coordenação do encontro é do Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis (EDTA), da Fiocruz Amazônia, e terá como mediador o pesquisador em Saúde Publica, Felipe Pessoa. Na palestra, Luis Marcelo irá compartilhar sua vasta experiência em pesquisa e assistência em contextos desafiadores do Brasil.
A atividade será transmitida via plataforma Teams, por meio do link: https://teams.microsoft.com/meet/26085369626892?p=HiErBn6nhUsH3p3yTf, utilizando ID da Reunião: 260 853 696 268 92 e senha de acesso: TH9Ay99.
O professor Luís Marcelo Aranha Camargo possui graduação em Medicina – Abc Fundação, mestrado em Microbiologia e Imunologia pela Universidade Federal de São Paulo e doutorado em Ciências (Biologia da Relação Patógeno-Hospedeiro) pela Universidade de São Paulo. Sub-coordenador do INCT EPIAMO 2019-2025, é professor assistente do Instituto de Ciências Biomedias 5 da Universidade de São Paulo (USP) desde 1990 e colaborador do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).
Atua como consultor no Centro Universitário Faema (Unifaema), é professor colaborador do curso de pós-graduação da Fundação de Medicina Veterinária e médico concursado do Centro de Medicina Tropical de Rondônia. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Medicina Tropical, atuando principalmente nos seguintes temas: Rondônia, Amazônia, epidemiologia, malária e telessaúde.
Camargo atua há 31 anos em Rondônia. Ele foi um dos dois médicos contratados para ajudar nas pesquisas iniciais sobre a malária no Estado. Depois de finalizado o trabalho, se fixou em Monte Negro, onde auxiliou à prefeitura a montar um “modelo amazônico” de atenção e promoção da saúde. Além de participar ativamente da implantação e da evolução do ICB-5, Camargo dedicou seus estudos a outras doenças críticas na região, como leishmaniose, hanseníase e micoses.
O palestrante conta que vem trabalhando com populações tradicionais vulneráveis na Amazônia, entre quilombolas e ribeirinhos da área rural, e no ano passado esteve na Reserva Extrativista do Guajará Mirim (RO), realizando uma expedição juntamente com professores, alunos e profissionais da saúde do Centro Universitário Faema, em parceria com a USP Em Guajará, encontramos as doenças infecto parasitárias, como tuberculose, malária, ocorrendo na área em 20% da população e 50% com doenças crônicas não transmissíveis como doenças renais crônicas, hipertensão, diabetes, decorrentes dos hábitos alimentares da população idosa. Nosso propósito foi entender como administrar essa carga de doenças estando distante e com o sistema de saúde ausente”, relata o médico, em um documentário da Unifaema.
SOBRE O CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Imagem: Mackesy Nascimento / Fiocruz Amazônia
Amazonas elege delegados e define propostas para representar o Estado na Conferência Nacional dos ODS em Brasília
/em Notícias /por Julio OliveiraA 1a Conferência ODS Amazonas, realizada ontem, no auditório Sumaúma, da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), encerrou a etapa de conferências estaduais preparatórias no país, cumprindo seu papel ao eleger 21 delegados e definir as seis propostas que irão representar o Estado no processo de consolidação da Conferência Nacional dos ODS, que ocorrerá em Brasília, entre os dias 30/06 e 2/07. Sob a coordenação da Fiocruz, que integra a Comissão Nacional para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (CNODS), da Secretaria Geral da Presidência da República, o evento conseguiu promover a articulação interinstitucional que permitiu reunir representantes de instituições públicas, sociedade civil, setor privado e comunidade científica para a discussão de temas pertinentes aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), sob a ótica do povo amazônida, num espaço estratégico de participação social e governança colaborativa.
A conferência foi realizada em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEDECTI), do Governo do Estado, Rede de Trabalho Amazônico (GTA), Caixa Econômica Federal (CEF) e Secretaria Geral da Presidência da República. Os debates foram organizados em 06 (seis) eixos temáticos com os participantes inscritos para cada eixo: Democracia e instituições fortes; Sustentabilidade ambiental; Promoção da inclusão social e o combate às desigualdades; Inovação tecnológica para o desenvolvimento sustentável; Governança participativa; Colaboração multissetorial e o financiamento da Agenda 2030.
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável constituem um apelo global à ação para erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas, garantindo melhores condições de vida para as populações. A Agenda 2030 reúne metas relacionadas a áreas como saúde, educação, igualdade de gênero, trabalho digno, redução das desigualdades, cidades sustentáveis, consumo responsável, preservação ambiental e fortalecimento das instituições democráticas. No Brasil, foi incorporado ainda o 18º ODS, voltado à promoção da igualdade étnico-racial.
O secretário executivo do CNODS, Lavito Bacarissa, destaca que essa articulação territorial promovida pela Fiocruz foi essencial para o avanço da discussão da agenda do desenvolvimento sustentável nos estados. “O Brasil tem uma importância fundamental para a agenda de desenvolvimento sustentável no Mundo e o Estado do Amazonas, no que diz respeito à biodiversidade, às cadeias produtivas e riquezas nacionais, tem importância fundamental para o Brasil. De modo que se o Amazonas não realiza a etapa conferencial seria, com certeza, uma conferência nacional menos qualificada, porque a importância desse território para o Brasil é fundamental, e se o Brasil é importante para o Mundo, o Amazonas também é importante para o Mundo”, reforçou.
A diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, ressaltou a importância da conferência enquanto espaço democrático de discussão e ressaltou que a incorporação do ODS nacional, o de número 18 (Igualdade Etnico-Racial), é fundamental na sustentação dos demais ODS. “Como podemos garantir o atingimento de todas as metas sem eliminarmos o racismo e a discriminação étnico-racial contra povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos?”, questionou. Segundo Stefanie, aceitar o desafio de coordenar a conferência foi, antes de tudo, a oportunidade de reforçar o papel da Fiocruz na Agenda 2030.
“A Fiocruz é uma instituição centenária que, desde 2017, entendeu que a Agenda 2030 é sua história, é seu futuro, é seu olhar para a vanguarda e trouxe a discussão para dentro do arcabouço estratégico institucional, levando essa agenda para todas as unidades da Fiocruz”, enfatiza Stefanie. “Estamos ocupando esse espaço, escutando essas vozes, para que tenhamos o nosso território falando e protagonizando a discussão da Agenda 2030”, frisou.
O pesquisador da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias, responsável pela coordenação executiva do evento, explica que o diferencial da conferência foi o de permitir um maior espaço da sociedade e escuta dos territórios. “Com muita alegria, recebemos todos e todas, seja do segmento do poder público, seja também da sociedade civil na primeira conferencia estadual dos ODS no Amazonas, no momento em que o Amazonas se coloca como protagonista na realização do evento e, sobretudo, de propostas que têm a ver com o cotidiano de vida das pessoas e na relação com as políticas públicas e setoriais, nos seis eixos que compuseram a conferencia, mas sobretudo trazendo e focalizando o cotidiano das pessoas, as florestas, os rios, os seres humanos e não-humanos, com a necessidade de propormos uma Agenda Pós-2030”, afirmou.
Um dos pontos altos da programação, a sociedade civil teve espaço garantido e ampliado na conferência, com a realização da mesa “Vozes que convergem”, reunindo representantes da Associação de Crioulas do Quilombo Urbano de São Benedito (Rafaela Fonseca da Silva), Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus (Marcivânia Saterê Maué) e as presenças da professora e pesquisadora emérita do CNPq Marilene Correia, e o diretor presidente do Grupo Bemol e embaixador da COP 30 pelo setor privado, Denis Benchimol Minev.
“Precisamos pensar no presente para garantir o futuro. Não vamos ter futuro se não combatermos a pobreza, o racismo e o preconceito. É preciso priorizar a inclusão a partir da Agenda 2030. Este espaço é elemento de afirmação porque dialoga com vários saberes”, afirmou Sila Mesquita, coordenadora da Rede GTA, com atuação nos nove estados da Amazônia Brasileira. “Precisamos valorizar as identidades étnicas, povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas, ribeirinhos, povos enfrentam o racismo, a pobreza e a discriminação todos os dias. Essa conferência é um espaço de construção e afirmação, e de firmarmos o compromisso do combate à pobreza e o enfrentamento ao racismo. Não haverá desenvolvimento sustentável se não incluirmos mulheres e povos tradicionais na pauta climática”, frisou.
PROPOSTAS AMAZONAS
Os debates estão organizados em 06 (seis) eixos temáticos: Democracia e instituições fortes; Sustentabilidade ambiental; Promoção da inclusão social e o combate às desigualdades; Inovação tecnológica para o desenvolvimento sustentável; Governança participativa; Colaboração multissetorial e o financiamento da Agenda 2030. A Conferência deverá observar os seguintes momentos: Cada eixo correspondera a um Grupo de Trabalho (GT) para elaboração de propostas. A Plenária Final deve resultar na aprovação das propostas, por cada eixo, para envio à Etapa Nacional.
A Plenária Final aprovou as seguintes propostas, por cada eixo: Fortalecer a democracia territorial na Amazônia por meio das Organizações da Sociedade Civil através da aplicação do MROSC e da ampliação da presença qualificada do Estado em comunidades quilombolas, rurais, ribeirinhas, indígenas, periferias urbanas (Eixo 1); Ampliação de Políticas Públicas que garantam o preço justo dos produtos da sociobiodiversidade, a partir da capacitação dos produtores, otimização da logística e escoamento das cadeias produtivas (Eixo 2); Reconhecer a autonomia dos povos e comunidades tradicionais por meio da integração intercultural entre o serviço público e privado em seus sistemas próprios de cuidado (Eixo 3); Garantir a conectividade sustentável, inclusiva e de qualidade em todo o estado do Amazonas (Eixo 4); Instituir o Pacto Amazonense ou Amazônico de Governança de Dados com estrutura (Eixo 5); Criar um fundo nacional desburocratizado para o financiamento de ações da agenda 2030, garantindo que parte dos recursos oriundos dos créditos de carbono e dos serviços ambientais, em todos os setores, seja direcionados ao fortalecimento de projetos de implementação dos ODS, com acesso simplificado, transparência, controle social, prioridade para comunidades, organizações e iniciativas de impacto sustentável permanente por lei, integrando governo, academia e sociedade civil (Eixo 6).
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia, UNFPA e Embaixada da França fortalecem autonomia reprodutiva para mulheres atendidas na rede pública de Manicoré
/em Notícias /por Julio OliveiraA Fiocruz Amazônia e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em parceria com a Embaixada da França e o Programa Poderosas da Amazônia, realizam, entre os dias 18 e 22/05, mais uma etapa da agenda formativa do Programa de Formação Profissional em Obstetrícia: Contracepção, Pré-natal e Manejo Clínico em Emergências, desta vez voltada a profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) que atuam na área de planejamento reprodutivo na rede pública de saúde do município de Manicoré, distante 390 quilômetros de Manaus. O programa é coordenado pela pesquisadora em Saúde Pública Michele Rocha de Araújo El Kadri, vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia. e integra uma estratégia de fortalecimento da saúde da mulher e da Atenção Primária à Saúde em territórios prioritários da Amazônia, promovendo qualificação profissional, ampliação do acesso aos métodos contraceptivos e fortalecimento da assistência nos municípios do interior.
No total, participam da formação 31 profissionais, sendo 14 médicos e 17 enfermeiros, que tiveram formação prévia, como etapa de formação teórica, por meio do Campus Virtual Fiocruz, e agora cumprem a agenda de atividades práticas nas áreas de planejamento reprodutivo, inserção de DIU, inserção de Implanon e manejo clínico em saúde da mulher. A estimativa é de que mais de 180 mulheres do município sejam beneficiadas com atendimento especializado, orientação em planejamento reprodutivo e acesso aos métodos contraceptivos de longa duração. O Implanon, por exemplo, é considerado um dos métodos mais eficazes do Mundo. De acordo com Michele El Kadri, os profissionais participantes conteúdo teórico disponibilizado pelo Campus Virtual Fiocruz, fortalecendo o processo de educação permanente em saúde e permitindo maior integração entre teoria e prática durante as atividades presenciais desenvolvidas no município. A ação conta com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Manicoré e conta com financiamento da Embaixada da França.
A equipe técnica responsável pela formação é composta pela médica Gabriela Barros Bessa e pela enfermeira Alexandra Pereira Amazonas, profissionais vinculadas à Secretaria Municipal de Saúde de Parintins, parceira da Fiocruz Amazônia nas ações de educação permanente em saúde e fortalecimento das redes de atenção na região amazônica. O apoio técnico-operacional da agenda é realizado pela colaboradora da Fiocruz Amazônia, Jessica Albuquerque Araújo.
As atividades tiveram início na manhã desta segunda-feira (18/05), no Auditório Anélio Ferreira Duarte, da Câmara Municipal de Manicoré. Durante a manhã, os profissionais participaram das orientações teóricas e das primeiras práticas supervisionadas da capacitação. De acordo com Jéssica Araújo, a programação seguiu com participação ativa dos profissionais do município, envolvendo médicos e enfermeiros nas atividades de qualificação em planejamento reprodutivo, inserção de DIU e Implanon. Ainda no primeiro dia, a equipe iniciou as práticas supervisionadas em Unidade Básica de Saúde do município, com acompanhamento de enfermeiros participantes da capacitação.
A programação prática da tarde ocorreu na UBS Emily Tássia, envolvendo atendimentos supervisionados e preparação dos profissionais para atuação qualificada na rede municipal de saúde. “Além da formação teórica, a iniciativa possui forte componente prático supervisionado. Para que os profissionais sejam considerados aptos na formação em inserção de DIU, existe uma meta mínima de procedimentos supervisionados, estimada em cerca de 10 inserções por médico participante”, explica Michele El Kadri.
Para a coordenadora, mais do que números, a ação representa oportunidade concreta para mulheres amazônidas que historicamente enfrentam dificuldades de acesso aos serviços especializados de saúde, especialmente em regiões de difícil acesso geográfico. “A ampliação da oferta de DIU e Implanon no município fortalece a autonomia reprodutiva, amplia o acesso à informação e contribui diretamente para a redução das desigualdades em saúde no território amazônico”, reforça. A estudante Kezia Maria da Silva dos Reis, 21, conta que primeiro buscou informações sobre os métodos de contracepção existentes antes de aceitar colocar o Implanon. “Busquei informações no posto de saúde e quando soube que haveria a colocação do implante aqui, aproveitei a oportunidade. Sem dúvida, é a forma mais eficaz de proteção e prevenção”, comentou.
A agenda em Manicoré integra a segunda fase do projeto e terá continuidade em outros municípios da Amazônia Legal, incluindo Tefé (AM) e Rorainópolis (RR), ao longo do mês de junho. O objetivo é ampliar o alcance das ações e fortalecer a interiorização da assistência à saúde da mulher na região. “A iniciativa evidencia a importância das estratégias colaborativas entre Fiocruz Amazônia, UNFPA, Embaixada da França, programa Poderosas da Amazônia, Secretarias Municipais de Saúde e profissionais do SUS, fortalecendo redes locais de cuidado e qualificando equipes que permanecerão atuando diretamente nas comunidades após o encerramento da formação”, explica El Kadri.
A enfermeira Paula Limeira Pacheco, 45, foi uma das participantes do curso de inserção de Implanon na UBS Emilly Tassia. “A experiência foi maravilhosa, uma oportunidade de aprendizado que fez com que eu tivesse um novo olhar para o procedimento do implante. Pensei que fosse um procedimento difícil, que só um médico poderia fazer, mas, na verdade, nós, enfermeiros, podemos também estar dividindo essa tarefa com o médico e ajudar as nossas pacientes, principalmente aquelas usuárias que mais precisam”, afirmou. Segundo ela, a formação lhe trouxe mais conhecimento e oportunidade de aprimoramento profissional.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Regimento Interno estabelece as normas e diretrizes da Conferência Amazonas ODS
/em Notícias /por Julio OliveiraA 1ª Conferência Amazonas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabeleceu, por meio do seu Regimento Interno, as normas e procedimentos a serem adotados para a realização do evento, nesta quarta-feira, 20/05, no Auditório Sumaúma, da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com a publicação do Regimento Interno. O tema do encontro será “A Agenda 2030 no Amazonas: Fortalecer a Democracia e Defender os Direitos Humanos para a construção coletiva de um novo modelo de Desenvolvimento Sustentável”. O documento está disponível para consulta nas páginas eletrônicas das instituições promotoras
Confira AQUI o Regimento Interno
O evento é coordenado pela Fiocruz Amazônia e promovido, em parceria, pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEDECTI), Rede de Trabalho Amazônico (GTA), Comissão Nacional para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (CNODS) e Secretaria Geral da Presidência da República. O documento está disponível para consulta nas páginas das instituições.
Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável constituem um apelo global à ação para erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas, garantindo melhores condições de vida para as populações. A Agenda 2030 reúne metas relacionadas a áreas como saúde, educação, igualdade de gênero, trabalho digno, redução das desigualdades, cidades sustentáveis, consumo responsável, preservação ambiental e fortalecimento das instituições democráticas. No Brasil, foi incorporado ainda o 18º ODS, voltado à promoção da igualdade étnico-racial.
A Conferência integra o processo preparatório da 1ª Conferência Nacional dos ODS, prevista para ocorrer em Brasília entre os dias 30 de junho e 3 de julho. A proposta é promover um debate qualificado sobre a Agenda 2030 no território amazonense, identificar desafios e potencialidades locais e formular propostas que contribuam para o desenvolvimento sustentável e inclusivo. A etapa estadual constitui um espaço estratégico de participação social e governança colaborativa, permitindo a articulação entre instituições acadêmicas, gestores públicos e organizações sociais em torno de agendas prioritárias, como redução das desigualdades, sustentabilidade ambiental e inovação para o desenvolvimento.
Os debates estão organizados em 06 (seis) eixos temáticos: Democracia e instituições fortes; Sustentabilidade ambiental; Promoção da inclusão social e o combate às desigualdades; Inovação tecnológica para o desenvolvimento sustentável; Governança participativa; Colaboração multissetorial e o financiamento da Agenda 2030. A Conferência deverá observar os seguintes momentos: Cada eixo correspondera a um Grupo de Trabalho (GT) para elaboração de propostas. A Plenária Final deve resultar na aprovação das propostas, por cada eixo, para envio à Etapa Nacional.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz fortalece discussão sobre interculturalidades e fomento às políticas de ações afirmativas para indígenas na Amazônia
/em Notícias /por Julio OliveiraO Insituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) abriu espaço, durante o último mês de abril, para uma ampla discussão acerca de aspectos da interculturalidade indígena e a importância do fomento às políticas afirmativas voltadas para indígenas na Amazônia, como forma de reparo a uma dívida histórica do País com as suas nações indígenas. De 13 a 29/04, o ILMD/Fiocruz Amazônia realizou uma programação de atividades, dentro do 2º Abril Indígena 2026, da Fiocruz, com o tema “Produção Indígena de Conhecimento em Programas de Pós-Graduação em Saúde – Devolutivas para a sociedade”, reunindo pesquisadores e estudantes indígenas e não-indígenas, além de representantes de instituições de ensino e pesquisa, de associações e coletivos indígenas, com a finalidade de contribuir com as discussões e inspirar jovens indígenas ainda na graduação a conhecerem as trajetórias de mestres e doutores indígenas e construírem suas próprias trajetórias.
A programação contou com mesas-redondas e defesas públicas de dissertações por alunos indígenas da primeira turma de Mestrado em Saúde Coletiva do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia, voltada para indígenas do Alto Solimões, na região da Tríplice Fronteira (Brasil, Peru e Colômbia). Abertas ao público, as defesas foram pontos altos da programação, conforme destacou a professora-doutora Daniele Gonzaga, indígena do povo Munduruku e diretora de Políticas Afirmativas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). “Nós estamos territorializando a Fiocruz, dentro do Abril Indígena potente com um debate muito importante sobre políticas afirmativas e a questão da saúde indígena, a partir de defesas de dissertação de mestrado por nossos parentes”, enfatizou Daniele, presente como debatedora à mesa-redonda, do dia 14/04, sobre o tema “Ações afirmativas e ensino em saúde para indígenas”, com participação de docentes, gestores universitários e lideranças indígenas.
Para Daniele, os trabalhos defendidos no Mestrado ressaltam principalmente o aspecto da valorização do conhecimento indígena, citando a defesa do agora mestre em saúde coletiva Josileno Marubo. “Em sua defesa, Josileno fez um recorte muito importante numa perspectiva indígena e antropológica de saúde para nós, indígenas. Este é um momento histórico, pois é o estabelecimento do diálogo entre povos indígenas e instituições, entendendo a importância dos nossos conhecimentos, entendendo esse marco intercultural efetivo que é a relação das perspectivas e das epistemologias”, salientou. “Enquanto pessoa indígena que ocupa esses lugares, entendam que essa é uma trajetória que se inicia, um caminho que não tem volta, porque a pluridiversidade de nossos conhecimentos e uma perspectiva de sociedade está em construção. Comemoramos e desejamos que esse Abril Indígena se estenda por muitos outros abris indígenas”, afirmou.
Junto com as defesas, a Coordenação do Mestrado inaugurou uma exposição que traz a trajetória tanto pessoal quanto formativa dos sanitaristas indígenas do Alto Solimões. “Mandamos fazer esses painéis comemorativos para marcar esse momento em que as defesas estão sendo finalizadas e termos então o registro desses profissionais que estão emergindo naquela região do Alto Solimões com esse caráter específico de sanitaristas indígenas, o que não tínhamos antes no país, uma turma formada com esse perfil”, enfatiza a pesquisadora sênior da Fiocruz Amazônia, Luiza Garnelo, coordenadora do Mestrado.
Segundo ela, esse cuidado esteve presente desde o início. O processo seletivo dos alunos candidatos ao Mestrado valorizou, para além dos habituais critérios que guiam os processos seletivos na academia (coeficiente de rendimento no histórico escolar, currículo, produção ou experiência científica prévia etc.), a trajetória de vida dos(as) candidatos(as), a participação em coletivos de lutas pelos direitos indígenas e vinculação com suas comunidades de origem”, explica Garnelo. O curso contou com a participação de estudantes graduados nas áreas de odontologia, enfermagem, educação, antropologia, administração, logística, etnodesenvolvimento, biologia e nutrição. “Todos receberam bolsa de estudos e foram equipados com notebooks com office e conexão à web, além de treinamento para acesso às bases nacionais de dados em saúde, bases bibliográficas, BVS indígena, Plataforma Lattes, dentre outros recursos similares”, informa.
Para a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, a iniciativa é um marco histórico e precisa se tornar permanente. “Precisamos trabalhar para que o Mestrado fora de sede para turmas formadas por indígenas seja permanente e que sejam abertos mais espaços de diálogo, a exemplo do Abril Indígena, para aprofundar esse debate. É super necessário escutar os estudantes indígenas. Todos aqui se sentiram provocados e com muita vontade de agir a partir dos relatos daqueles que estão nos espaços de formação acadêmica, conhecem as problemáticas e necessitam que a discussão sobre políticas afirmativas para indígenas seja fortalecida”, ressaltou.
O evento também contou com a presença de mestres e doutores indígenas pioneiros, a exemplo do Jaime Diakara, da etnia Dessana, doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Para ele, o Abril Indígena da Fiocruz sociabiliza o debate sobre a importância da saúde, trazendo a discussão sobre as políticas afirmativas, com a participação da academia, comunidades indígenas e não indígenas. “A partir de iniciativas como essa, começamos a pensar numa participação ativa dos indígenas nesses espaços de discussão sobre a saúde, sob a ótica dos conhecimentos convencionais e os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas”, afirmou Jaime.
Liderança indígena do Rio Negro, Marivelton Baré, assessor da Regional Norte 1 da Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), no Alto Solimões, lembrou da importância da formação descentralizada enquanto oportunidade de qualificação de profissionais indígenas que permanecem nos territórios. “Esse processo é visto como uma forma de fortalecer a comunidade, garantir direitos e aplicar os saberes adquiridos na universidade em prol do próprio povo”, destacou. Ele menciona também o aspecto da valorização profissional a partir das oportunidades como a do Mestrado fora da sede da Fiocruz Amazônia. “Essas oportunidades geram uma valorização muito grande, de participação e acolhimento dos povos indígenas, para que nós mesmos sejamos doutores da Amazônia, e possamos estar à frente da gestão da saúde indígena em nossos territórios. É muito gratificante ver esse acolhimento e respeito dado pela Fiocruz”, declarou o representante da SESAI, que é uma das instituições apoiadoras do projeto da primeira turma de sanitaristas indígenas.
Doutorando da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP-Fiocruz), Luiz Penha, da etnia tukano, é um exemplo desse processo de valorização. Recém-aprovado no concurso da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, ele ocupa o cargo de especialista em indigenismo na unidade da Funai, no município de Tefé (AM). “Entendemos que a Fiocruz tem identidade indígena. E neste momento em que abraça o mês de luta e de afirmação dos povos indígenas fortalece ainda mais essa identidade. Que seja a primeira de muitas ações do Abril Indígena na Fiocruz”, frisou.
EMPREGABILIDADE
De acordo com Luiza Garnelo, o processo formativo oferecido pelo Mestrado já vem apresentando a ampliação da empregabilidade dos alunos. “Ao iniciar as atividades, a turma contava com diversos estudantes que, embora diplomados no ensino superior estavam desempregados ou atuando em três postos de trabalho parcamente remunerados ou sem qualquer vinculação às suas formações prévias. No último ano de atividades surgiram ofertas de trabalho em suas respectivas áreas de graduação e/ou da nova qualificação como sanitaristas”, revela.
O odontólogo Ozeir Fernandes, da etnia Tikuna, primeiro da turma dos novos sanitaristas a defender dissertação, afirma que o Mestrado foi um divisor de águas na sua trajetória profissional. “Hoje atuo como dentista do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI Yanomami), em Roraima, e meu sentimento é de gratidão, em poder contribuir. E percebi, desde quando comecei a atuar, que os indígenas ficam admirados, ao ver que estão sendo atendidos por profissionais indígenas, somando na assistência”, enfatizou. A conquista do cargo no DSEI veio durante o Mestrado.
Com uma rotina de trabalho que inclui 30 dias na comunidade, 20 dias de descanso e 10 dias de curso de qualificação no DSEI, Ozeir conta que foi preciso se adaptar aos costumes dos Yanomami. “Nos dias trabalhados, preciso levar os materiais para as comunidades, para os atendimentos e para as ações em saúde. O diferencial é estar atuando em outra comunidade e com outros povos, precisamos nos adaptar aos costumes e a vivências da comunidade”, relata. Ele lembra que sua escolha profissional decorreu do fato de que na comunidade onde morava, em Benjamin Constante, não havia profissionais indígenas de saúde, principalmente na área da Odontologia. “Com a ampliação da minha visão cientifica, quero agora fazer o doutorado”, admitiu.
Para Garnelo, o seguimento dos egressos permanecerá, estimulando a preservação do vínculo mútuo, com os docentes e com o programa. “O Mestrado vem se mostrando altamente relevante, não apenas pela interiorização da pós-graduação para municípios rurais remotos, mas também pelas lições aprendidas que fertilizaram a experiência de Tabatinga e prosseguirão contribuindo para o aprimoramento das dimensões políticas e pedagógicas das ações afirmativas desenvolvidas pela Fiocruz, através do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia)”, finalizou.
PROXIMIDADE
Tabatinga foi o município escolhido para sediar a primeira turma por ser região com grande concentração de população indígena, contar com expressivo número de graduados(as) no ensino superior e abrigar campi de 2 universidades. Foram aprovados 15 alunos (de um total de 58 inscritos) oriundos de 4 municípios da região do Alto Solimões (Benjamim Constant, Atalia do Norte, Tabatinga e São Paulo de Olivença), das etnias Marubo, Tikuna, Kokama e Kaixana. “O fato de estarem mais próximos aos seus locais de residência facilitou a adesão dos estudantes ao processo formativo. Outro elemento que representou importante diferencial foi termos uma turma formada exclusivamente por indígenas, ou seja, alunos indígenas vinculados a uma turma de mestrado em que eles não eram minoria étnica”, salienta Luiza Garnelo.
A coordenadora ressalta que a experiência da turma especial do Mestrado caminha em articulação com pesquisa sobre a política de ações afirmativas no ensino superior (graduado e pós-graduado) cujos resultados estão sendo analisados e serão objeto de publicação de artigos e livros. Segundo ela, os resultados parciais da pesquisa já contribuíram para identificar problemas enfrentados pelos estudantes indígenas no ensino universitário e para aprimorar estratégias de ensino-aprendizado aplicadas à turma de Tabatinga. “Tivemos evasão de 2 alunos. Os demais já defenderam ou estão encaminhados para defesa. No âmbito das comemorações do Abril Indígena 2026 completamos mais quatro defesas, com plano de totalizar 13 defesas até junho de 2026”, adiantou. A iniciativa contou com apoio de múltiplas fontes financiadoras, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (FAPEAM) e SESAI, por meio de TED gerenciado pela Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção à Saúde (VPAAPS-Fiocruz).
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia levará delegação de 31 estudantes de Manaus, para 3ª Jornada Nacional do Provoc no Rio de Janeiro
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) levará uma delegação de 31 estudantes do Ensino Médio, de escolas públicas de Manaus (AM) vinculados ao Programa de Vocação Científica da unidade, para participarem da 3ª Jornada Nacional do Provoc, que acontecerá nos dias 28 e 29 de maio, na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.
O evento, que integra as comemorações de 40 anos do Programa, vai reunir pesquisadores, professores e cerca de 280 estudantes de diversos estados. A Jornada destaca o compromisso da Fiocruz com a difusão do conhecimento científico e tecnológico, atuando também como agente de cidadania, e tem como objetivos debater políticas públicas para a juventude e promover a iniciação científica no Ensino Médio.
Este é o terceiro ano que a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) reúne jovens de diversas regiões do país para um intercâmbio científico e cultural por meio da Rede Provoc. Instituída a partir de 2022, a Rede Provoc Luiz Fernando Rocha Ferreira da Silva reúne estudantes de 30 escolas de 10 estados onde a Fiocruz está presente.
PROGRAMAÇÃO
A programação tem início às 8h30, com recepção na Tenda Arena da EPSJV, seguida da mesa de abertura do evento, às 9h. Em seguida, serão realizadas homenagens a diretores e pesquisadores de outras unidades da Fiocruz, além de coordenadores, diretores de instituições conveniadas e participantes do Provoc. Ainda pela manhã, estudantes apresentam seus trabalhos de iniciação científica, atividade que se estende também para o período da tarde.
PLANEJAMENTO
Na última terça-feira, 12/05, a coordenadora do Provoc na Fiocruz Amazônia, Priscila Aquino, pesquisadora do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS), realizou uma reunião de alinhamento com os pais dos alunos participantes, para repassar informações referentes à programação de atividades a serem cumpridas pelos filhos durante a estada na capital carioca, bem como toda a parte logística da viagem, que contará com passagem aérea, hospedagem, alimentação e transporte, custeados pela Fiocruz. No Rio de Janeiro, eles participarão de palestras e terão a oportunidade de conhecer o Castelo da Fiocruz, símbolo da Ciência e da Saúde nacionais.
“Essa é uma reunião preparatória que a gente faz com os responsáveis dos alunos, que irão para a nossa terceira jornada. Entre 27 e 30 de maio teremos a III jornada da Rede Provoc, onde teremos uma reunião de alunos de diferentes estados e Unidades da Fiocruz, junto aos alunos que já desenvolvem suas atividades no Rio de Janeiro. Este é um momento onde conversamos com os pais sobre as documentações necessárias, quais atividades eles devem participar durante o evento, que tipos de oportunidades esse tipo de evento poderá ofertar aos alunos, já que teremos a interação entre alunos do Brasil inteiro. Essa é também uma oportunidade de aproximar ainda mais os pais e a Instituição”, destaca Aquino, que também embarcará juntos aos alunos.
Em 2026, a Fiocruz Amazônia manteve o número de escolas participantes do Provoc. Hoje, são 35 alunos de cinco escolas estaduais conveniadas – Ângelo Ramazotti, Terezinha Almeida, Estadual D. Pedro II, Escola Estadual Pedro Silvestre e o Colégio Sant’ana. Deste total, 21 alunos participam da etapa iniciação, enquanto 14 participam da etapa avançado.
Para os pais, as oportunidades geradas aos estudantes através do programa é motivo de orgulho. “Desde o primeiro momento eu vi essa experiência como uma oportunidade única. Pude ver os olhos dela despertaram em função do conhecimento adquirido. Minha filha sempre foi uma menina muito estudiosa, graças a Deus. Sou muito grata aos pesquisadores da Fiocruz. Foi aqui que ela aprendeu sobre comprometimento, responsabilidade e despertou para o universo acadêmico, chegando a ingressar em uma universidade. Creio que essa ida ao Rio de Janeiro para participar da Jornada abrirá novas oportunidades para ela”, explica Elizangela de Oliveira, mãe da bolsista Maria Emanuele Cassiano de Oliveira.
Estudante do primeiro período do Curso de Direito, Geovanna Fabrina está concluindo sua trajetória no Provoc. Em seu terceiro como bolsista do programa, ela vê sua participação na Jornada, como um momento especial para o encerramento deste ciclo. “Desde quando iniciamos, na recepção do Provoc, a gente já consegue perceber que o ambiente é diferente, e naturalmente sentimos o impacto. O lugar onde estamos inseridos, causa muita influência na nossa formação, nas nossas atitudes. Só de ter a oportunidade de conhecer novas pessoas, pesquisas que estão sendo realizadas em outras Unidade da Fiocruz, nos ajudam a pensar de forma mais crítica, desenvolvendo novas perspectivas sobre conceitos que muitas vezes já temos enraizados. Participar do Provoc é uma experiência muito enriquecedora”, pontua.
O estudante de Agronomia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Giovane dos Santos, destacou a relevância do Provoc em sua formação e no processo de preparação para ingresso na universidade pública. “O sonho de todo estudante é entrar em uma faculdade pública. Eu vim do interior do Amazonas, focado em ser aprovado para o curso de agronomia, visto que minha família atua nessa área e, isso acabou se tornando um sonho. Participar do Provoc agregou muito nesse processo, visto que eu nunca tinha participado de algo assim na vida. O programa me possibilitou o primeiro contato com a metodologia científica, produção de artigos, e chegar na universidade sabendo fazer essas coisas é um diferencial”, esclarece.
SOBRE O PROVOC
O Programa de Vocação Científica (Provoc) é uma proposta educacional de iniciação científica (IC) nas áreas de Saúde, Ciência e Tecnologia, direcionada a jovens que estão cursando o ensino médio. No ILMD/Fiocruz Amazônia, o programa é desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc). O Programa sempre foi coordenado pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), no campus da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Manguinhos, sendo dividido em duas etapas: Iniciação e Avançado.
Na etapa Iniciação, cuja duração é de 12 meses (agosto a julho), os alunos se familiarizam com as principais técnicas e objetos de pesquisa de Ciência e Tecnologia em saúde. No Avançado, com duração de 22 meses (contados a partir do segundo semestre), o aluno desenvolve todas as etapas de execução de um projeto de pesquisa em Ciência e Tecnologia em Saúde. O horário de participação do estudante é definido pelo seu turno escolar e pode ser ampliado em função dos interesses e da disponibilidade do orientador, da equipe e do aluno.
Na Etapa Iniciação, o estudante recebe um formulário de frequência que deve ser preenchido, assinado por seu orientador e entregue à coordenação da etapa Iniciação, ao final de cada mês a ausência deve ser justificada e informada ao orientador previamente. É permitido até quatro faltas consecutivas. No caso de três faltas consecutivas é obrigatório também apresentar justificativas ao profissional responsável pelo Provoc na instituição de origem e a coordenação da etapa Iniciação. Caso contrário, estará sujeito ao desligamento do Programa.
No Provoc Avançado, a carga horária pode variar de acordo com o interesse e disponibilidade do orientador, da equipe e do estudante. O período previsto é de 12 horas semanais (manhã e tarde). O aluno deverá elaborar, mensalmente, resumo de atividades, a ser revisado e assinado pelo orientador e encaminhado à coordenação do Provoc. O estudante tem 30 dias de férias acordado previamente com o orientador e posteriormente comunicado à coordenação do Provoc (nas duas etapas).
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes, ILMD / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia e Cosems-AM lançam coletânea de experiências bem-sucedidas no SUS em território amazônico
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) lançaram na última quinta-feira, 6/05, durante encerramento da VII Mostra Amazonas Aqui Tem SUS, a coletânea “Amazonas Aqui Tem SUS-Banzeirando o Cuidado nos Lugares de Vida”. O livro, publicado pela editora Rede Unida, reúne as experiências bem-sucedidas dos municípios do Amazonas que se destacaram na VI Mostra Brasil 2025 e é o segundo da Série Saúde & Amazônia, produzido de forma coletiva, com a coordenação da Fiocruz Amazonia. A obra traz relatos dos profissionais de saúde que atuam nos municípios, com soluções e estratégias de atuação desenvolvidas de acordo com a realidade dos municípios.
A coletânea traz ao todo 28 experiências e foi organizada pelo sanitarista da Fiocruz Amazônia Júlio César Schweickardt, juntamente com os pesquisadores Izi Caterini Paiva Alves Martinelli dos Santos, Gigellis Duque Vilaça, Maria Adriana Moreira e Alcindo Antônio Ferla. A obra está disponível para download gratuito, em versões ePub e PDF, no site da editora (editora.redeunida.org.br). “Encerramos a sétima Mostra Amazonas Aqui tem SUS com muito orgulho de estarmos participando desse momento de construção coletiva e participativa”, enfatizou Julio César Schweickardt, durante o lançamento, ocorrido no Centro de Convenções Vasco Vasquez.
O sanitarista destacou que a Mostra Brasil Aqui Tem SUS é parte de uma estratégia, envolvendo os Cosems estaduais e o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) no sentido de promover o fortalecimento do SUS e proporcionar aprendizado por meio do intercâmbio de experiências inovadoras e exitosas. “A Fiocruz tem participado ativamente da organização das mostras, com várias pessoas participando da organização do evento e como avaliadores dos trabalhos”, salienta Julio Schweickardt.
Durante o encerramento do evento, foram anunciadas aas experiências ganhadoras deste ano. No total, sete municípios foram agraciados: Barreirinha, Itacoatiara, Manaus, Nhamundá, Parintins, Coari e Rio Preto da Eva, com trabalhos, respectivamente, nas áreas de reabilitação infantil, telemedicina, transformação digital na regulação, saúde mental, segurança do paciente, doenças infectoparasitárias e uso de medicamentos.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia