Fiocruz Amazônia sedia curso de abrangência internacional sobre comunicação de risco de eventos climáticos extremos
O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia) em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública, sediou entre os dias 24 e 28 de novembro, o curso Comunicação de Riscos de Eventos Climáticos Extremos, ministrado pela professora Ana Rosa Moreno Sánchez, especialista em saúde ambiental e comunicação de riscos, com ampla atuação na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, e laureada com Prêmio Nobel de Paz, como membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) em 2007
Para a pesquisadora em saúde pública e docente do PPGVIDA, Dra. Michele Rocha El Kadri, o curso é uma oportunidade muito especial para que a comunidade científica do ILMD conheça as estratégias adequadas no enfrentamento aos eventos extremos. “Não vivemos mais em um tempo de “falar” desses eventos, mas o cenário que a ciência vem alertando desde século passado não é um assunto de futuro. Nós na Amazônia sentimos literalmente na pele o quanto essa demanda é real e presente. As ações de mitigação dos efeitos é um problema a ser tratado pela saúde”, reforça El Kadri sobre a importância desse curso na Amazônia.
O curso, que teve como público-alvo, discentes dos programas de pós-graduação do ILMD/Fiocruz Amazônia, bolsistas e pesquisadores, e contemplou temas como: Identificação de eventos hidrometeorológicos associados às mudanças climáticas, comunicação de riscos ambientais; promoção de medidas preventivas de saúde e ambiente; , formas, etapas, elementos e atores envolvidos na comunicação de riscos; sistemas de alerta precoce para que as mensagens de risco cheguem a todas as populações vulneráveis em tempo hábil.

“A importância de abordar a comunicação de riscos é compreender que a atividade humana está causando inúmeros impactos no meio ambiente, particularmente as mudanças climáticas, que afetam a região amazônica. Isso, por sua vez, está causando problemas de saúde. Então, a ideia deste curso de comunicação de riscos é que os participantes, aprendam a identificar esses riscos. Além disso, é crucial que esses riscos sejam compreendidos pelas comunidades. O aspecto mais importante é proteger a saúde das pessoas que vivem na região amazônica, que enfrentam muitos riscos relacionados a questões como escassez de água, qualidade da água, incêndios florestais ou qualquer situação ambiental associada às mudanças climáticas e que terão sérias repercussões para a população amazônica”, explica Sánchez.
PESQUISA
O Brasil tem registado um aumento significativo nas temperaturas e na frequência de ondas de calor, assim como o aumento da intensidade das chuvas, tempestades, descargas elétricas, ciclone extratropical dentre outras. Nas últimas décadas, os efeitos ligados às mudanças climáticas globais, tem se manifestado através de ondas de extremo calor mais intensas e frequentes, seca severas e chuvas muito intensas. Este fenómeno tem impactos na saúde, com aumento de desidratação e casos de insolação, que agravam as condições crónicas de pessoas com comorbidades, assim como de grupos mais vulneráveis biologicamente e socialmente, além de ter impacto importante na produção de alimentos, acesso a água de qualidade e, portanto, um risco para segurança alimentar.
Segundo a professora, Ana Rosa Moreno Sánchez, o Brasil tem produzido algumas pesquisas que já evidenciam cenários de eventos extremos e seus impactos sobre a saúde. Mas, as lacunas entre o conhecimento gerado com o desenvolvimento de pesquisas e a comunicação para a sociedade, ainda é precária e limitada. “Os profissionais de saúde devem desempenhar um papel fundamental na informação e na formulação de uma resposta centrada na saúde às mudanças climáticas, desde a participação em planos de prevenção, preparação e adaptação, passando pela identificação de populações vulneráveis em nível local, até a prestação direta de cuidados de saúde às pessoas afetadas por eventos climáticos extremos”, explica.
Na oportunidade, os participantes puderam debater sobre o quão importante é, que as autoridades e o público em geral compreendam e identifiquem antecipadamente os fatores e condições ambientais, comunitários e individuais que representam riscos potenciais, seja ambiental ou resultando em lesões e morte. A interação e a comunicação claras e confiáveis entre autoridades, influenciadores, mídia, empresas, cientistas e o público são necessárias para alcançar caminhos de desenvolvimento resilientes ao clima e sociedades com maior segurança diante das mudanças climáticas atuais e impactos futuros.

ALCANCE INTERNACIONAL
O curso foi realizado através da chamada da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que apoia a criação de cursos de curta duração com alcance internacional, no período de 13 de outubro de 2025 a 28 de fevereiro de 2026, de acordo com as informações de diversas fontes, como a do Campus Virtual Fiocruz.
A iniciativa, é promovida no âmbito do Programa de Excelência no Ensino e do Programa Institucional de Internacionalização da Fiocruz, visando apoiar os cursos internacionais dos Programas dos Pós-Graduação (PPGs) stricto sensu da Fiocruz com instituições estrangeiras, a Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação, por meio da Coordenação Geral de Educação da Fiocruz.
O curso integra as ações de qualificação institucional e tem como objetivo fortalecer competências relacionadas à comunicação de risco em cenários de eventos climáticos, preparando profissionais para atuar de forma estratégica em situações de emergência ambiental. A chamada objetiva atrair professores de renome, atuantes e residentes no exterior, para ministrar cursos de curta duração, com abrangência internacional no âmbito dos PPGs stricto sensu, transformando a carga horária do curso em créditos para os alunos.
A iniciativa é conjunta com a Escola Nacional de Saúde Pública, com a profa. Dra. Sandra Hacon. No ILMD / Fiocruz Amazônia, o curso está sendo organizado pela pesquisadora, Michele El Kadri, docente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), e também Vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Institutição.
SOBRE
Ana Rosa Moreno Sánchez é uma pesquisadora mexicana, bióloga, especializada em saúde ambiental e mudanças climáticas. Ela é professora do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM) e uma autoridade internacional em sua área. Possui mestrado em Ciências em Ecologia Humana pela Escola de Saúde Pública da Universidade do Texas, EUA.
Atuou como consultora para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em saúde ambiental, mudança climática e comunicação de riscos. É autora e coautora de inúmeras publicações nacionais e internacionais, incluindo capítulos em relatórios globais do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e vários relatórios de avaliação do IPCC.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes


