COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Fiocruz Amazônia promove acolhida de novos bolsistas de Iniciação Científica com palestra sobre ciência de dados e Inteligência Artificial com aplicação na pesquisa e na saúde
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove nos dias 19 e 22 de setembro, a acolhida dos novos alunos do Programa de Iniciação Científica (PIC), edição 2025-2026. Durante a abertura, os alunos assistirão a palestra “Ciência de Dados e Inteligência Artificial na Pesquisa e na Saúde”, a ser ministrada por Rubelmar Maia de Azevedo Cruz Neto, professor pesquisador no Samsung Ocean, centro de capacitação tecnológica, instalado na Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA).
No primeiro dia, o evento terá início às 8h, no Salão Canoas, auditório da instituição. Na oportunidade, o pesquisador abordará o uso de chats inteligentes como apoio à análise e interpretação de dados, métodos que permitem novas descobertas e fortalecem pesquisas que impactam diretamente a qualidade de vida da população. “Na saúde, a Ciência de Dados ajuda a transformar informações em conhecimento útil. Com o aprendizado supervisionado, é possível criar modelos que fazem previsões a partir dos dados; com o não supervisionado, identificamos grupos e padrões ocultos; e com a visualização de dados, tornamos tudo mais claro e fácil de interpretar”, explica.
A atividade contará com uma programação especial que inclui palestras de representantes do Núcleo de Inovação Tecnológica, abordando inovações na pesquisa científica, e do Núcleo de Apoio Técnico à Pesquisa, que destacará aspectos importantes do trabalho da instituição. Ao final, os alunos participarão de um passeio guiado pelas instalações da Fiocruz Amazônia. No dia 22, os alunos participarão do treinamento em biossegurança ministrado pela Comissão Interna de Biossegurança do Instituto – CIBio/ILMD.
SOBRE O PIC
O Programa de Iniciação Científica da Fiocruz Amazônia é coordenado atualmente pela pesquisadora Ormezinda Fernandes, chefe do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde – LDMAIS. O PIC visa a formação de recursos humanos para a pesquisa em saúde e o desenvolvimento científico de jovens estudantes de graduação de Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e privadas reconhecidas pelo Ministério da Educação.
O programa foi instituído pela Fiocruz Amazônia em 1999, como um instrumento de formação de recursos humanos que permite colocar o estudante de graduação em contato direto com as atividades de pesquisa e o pensar científico, despertar a vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação. Cada edição anual do PIC, inicia por meio de uma seleção de projetos, mediante o atendimento a editais lançados pelo ILMD/Fiocruz Amazônia. Os projetos apresentados passam por avaliação de mérito realizada por um Comitê de Especialistas, conforme normas e critérios estabelecidos no edital.
A cada edição é realizada a Reunião Anual de Iniciação Científica (RAIC), onde os resultados dos projetos desenvolvidos no período anterior são apresentados para uma avaliação de desempenho do bolsista no período vigente, por meio da exposição e discussão dos trabalhos de pesquisa desenvolvidos, com vistas à avaliação do desenvolvimento dos projetos e ao intercâmbio de experiências entre estudantes, pesquisadores e demais profissionais do ILMD Fiocruz Amazônia.
A integração reforça a importância da iniciação científica na construção do conhecimento e fortalece a sua inserção na própria Instituição, incentivando-o a prosseguir nas carreiras acadêmicas. O PIC atende prioritariamente a formação científica de alunos dos cursos da área de saúde, a exemplo de Biomedicina, Ciências Biológicas, Enfermagem, Farmácia, Biotecnologia, Medicina, entre outros. No entanto, alunos de cursos como Matemática, Engenharias, Ciências Sociais também são atendidos pelo PIC-ILMD Fiocruz Amazônia, de acordo com o interesse dos orientadores.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia lança edital de seleção para curso de mestrado do PPGVIDA
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), torna público a abertura de inscrições e estabelece as normas para o processo de seleção pública de candidatos para ingresso no Curso de Mestrado Acadêmico do Programa de Pós -Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), turma 2026. As inscrições iniciam no dia 18/9, e se estendem até o dia 18/10. O Período para solicitar isenção do pagamento da taxa de inscrição vai até a próxima sexta-feira 19/9.
Confira AQUI o edital.
O ingresso ao Curso de Mestrado será realizado mediante processo seletivo, composto das seguintes etapas: 1ª Etapa – Homologação das inscrições; 2ª Etapa – Avaliação de conhecimentos em Saúde Coletiva – Prova de múltipla escolha (prova presencial); 3ª Etapa: Avaliação do Currículo Lattes documentado; 4ª Etapa – Prova Oral – Conhecimento Específico e Carta de Apresentação (prova de forma remota). Todas as etapas do processo seletivo são eliminatórias.
O Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia – PPGVIDA possui uma única área de concentração: “Determinantes Socioculturais, Ambientais e Biológicos do Processo Saúde-Doença-Cuidado na Amazônia” e, esta área, possui duas linhas de Pesquisas: Fatores sócio biológicos no processo saúde -doença na Amazônia; Processo Saúde, Doença e Organização da Atenção a populações indígenas e outros grupos em situações de vulnerabilidade.
A divulgação do resultado final está prevista para o dia 5/12/2025. As aulas iniciam no dia 3 de março de 2026.
SOBRE PPGVIDA
O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
O programa também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
DASPAM lança chamada interna para programa institucional de doutorado sanduíche no exterior
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane – ILMD/Fiocruz Amazônia, a Universidade Federal do Amazonas – UFAM e a Universidade do Estado do Amazonas – UEA, Instituições associadas que compõem o Curso De Doutorado Acadêmico Em Saúde Pública Na Amazônia (DASPAM), por intermédio de sua Coordenação, torna pública a abertura de inscrições e estabelece as normas para a indicação de 1 (um) discente, por IES associada, à Primeira Chamada do Programa Institucional de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), no âmbito do Edital nº 17/2025, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). As inscrições iniciam nesta segunda-feira, 15/9, e podem ser feitas até 19 de setembro de 2025.
Clique aqui para acessar o EDITAL.
O Programa Institucional de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE) tem por finalidade possibilitar que estudantes regularmente matriculados(as) em cursos de Doutorado Acadêmico ou Profissional da Fiocruz realizem estágio em Instituição de Ensino Superior estrangeira, retornando ao Brasil para integralização dos créditos e defesa da tese. O Programa oferece bolsas de estágio em pesquisa no exterior, alinhadas ao Plano de Internacionalização da Fiocruz, visando complementar os esforços dos programas de pós-graduação stricto sensu brasileiros na formação de recursos humanos de alto nível para inserção nos meios acadêmicos, de ensino e de pesquisa no país.
Poderão se inscrever todos os discentes regularmente matriculados no DASPAM, que já tenha obtido aprovação no exame de qualificação ou ter cursado, pelo menos, o primeiro ano do Doutorado (2 semestres letivos concluídos). O resultado do processo de seleção será divulgado no dia 22 de setembro de 2025
Será considerando selecionado apenas 1 (um) discente por IES associada, ao qual será indicado à CGE/VEIC para receber a bolsa, os demais discentes serão considerados suplentes e podem ser convocados somente em caso de desistência ou impedimento do candidato selecionado, em ordem de classificação, atendendo aos critérios estabelecidos nos itens 11.1 e 11.2. 12.2.
SOBRE O DASPAM
O curso tem como objetivo capacitar pesquisadores para exercitar análises críticas, utilizando, de forma integrada, conceitos e recursos metodológicos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais aplicadas à saúde, e de outras áreas conexas; Desenvolver modelos analíticos de processos de saúde/doença/cuidados, tomando como referência o quadro epidemiológico, econômico, sócio antropológico, histórico, biológico e ambiental no cenário regional e suas interfaces com os contextos nacional e internacional de globalização da Amazônia; contribuir, teórica e tecnicamente, para a formulação, implementação e gestão de políticas setoriais, bem como atuar, neste campo, na docência e na pesquisa.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.
Imagem: Mackesy Nascimento
Estudo da Fiocruz Amazônia aponta extensa e preocupante contaminação por plásticos na Amazônia
/em Notícias /por Carlos GomesUm estudo coordenado pelo Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, faz um alerta para a extensa e preocupante contaminação por plásticos na Amazônia, enfatizando seus riscos não somente em ambientes aquáticos e terrestres como seus potenciais danos à saúde humana, especialmente de populações vulneráveis. O objetivo do estudo foi o de explorar e sintetizar a literatura científica que avaliou a presença de poluição plástica (macro, meso, micro e nanoplástico) em diversos cenários ambientais na Amazônia, como fauna, flora, sedimentos e água.
Com um impacto ainda pouco dimensionado, a poluição por resíduos plásticos na Amazônia, desafia a ciência e levanta uma série de interrogações sobre seus riscos para diferentes formas de vida, incluindo comunidades ribeirinhas e indígenas, diariamente expostas a toneladas de lixo flutuante, descartadas não apenas por moradores de diferentes áreas urbanas e embarcações, mas, também, pelas próprias comunidades, contribuindo para que esse lixo atravesse cidades e países, até os oceanos. O estudo foi publicado na Revista AMBIO, um periódico voltado para uma audiência global e que prioriza avaliações das interrelações entre ambiente e sociedade.
O epidemiologista da Fiocruz Amazônia Jesem Orellana explica que o estudo foi desenhado devido à inadiável necessidade de se encarar o problema, sobretudo em tempos de COP-30 na Amazônia, palco propício para a discussão de soluções e respostas contundentes à mitigação dos seus efeitos. “O dia 14 de agosto de 2025 foi o prazo limite proposto pelas Nações Unidas para que cerca de 180 países concluíssem a elaboração do primeiro tratado global contra a poluição plástica. Por isso, o momento parece oportuno para discutir os intrigantes resultados desta revisão de escopo da literatura científica, a primeira a aplicar um protocolo sistemático (PRISMA-ScR) para avaliar a contaminação por plástico em ecossistemas amazônicos”, afirma.
Segundo Orellana, o impacto pode ser maior que o observado. “Revisamos 52 estudos, avaliados por pares, com uma gama de relatos sobre lixo e fragmentos de plástico em ambientes terrestres e aquáticos do bioma amazônico, o que indica um impacto muito maior do que a maioria das pessoas imagina”, afirmou o pesquisador, citando o resumo da pesquisa,
CRISE GLOBAL
O artigo “Plastic Pollution in the Amazon: the first comprehensive and structured scoping review”, é fruto de uma parceria entre pesquisadoras (es) do Instituto Mamirauá e do ILMD/Fiocruz Amazônia, com coordenação do epidemiologista Jesem Orellana. A bióloga e colaboradora do LEGEPI Jéssica Melo é a primeira autora da revisão que evidencia a presença de plástico do leste a oeste na Amazônia, tanto em ambiente aquático como terrestre, além da necessidade de mais pesquisas na área.
“A poluição por plástico é uma crise global de Saúde Única, mas estudos têm se concentrado em ambientes marinhos. A Amazônia – maior bacia hidrográfica do mundo e que tem o segundo rio mais poluído por plástico – tem recebido atenção científica limitada”, avalia a autora. Ela enfatiza que nenhum estudo relatou presença de nanoplásticos na Amazônia, por exemplo, algo que vem ganhando mais atenção em outras regiões do planeta. “A contaminação de fontes importantes de alimentos e de água representa um grande risco para a Saúde Única de populações tradicionais. Identificamos lacunas urgentes em pesquisas – especialmente em fauna não piscícola, tributários, áreas remotas e outros países amazônicos – e destacamos a necessidade de mitigação direcionada por meio da gestão de resíduos e educação”, observa.
Os autores do Instituto Mamirauá vivem em Tefé, no interior do Amazonas, e trabalham diretamente com comunidades ribeirinhas. “As comunidades não têm infraestrutura para coleta de lixo. Antigamente, os resíduos eram majoritariamente orgânicos ou biodegradáveis — cascas de frutas, espinhas de peixe — mas, hoje, vemos garrafas PET e pacotes de macarrão instantâneo boiando nos rios, com frequência, reforça.
“Enquanto cidades como Rio de Janeiro e Salvador avançam com proibições de alguns derivados de petróleo, como canudos de plástico e embalagens de isopor, não conheço nenhum município no interior do Amazonas que ofereça reciclagem de plásticos ou medidas para reduzir seu impacto. Precisamos de políticas públicas que ofereçam soluções concretas para o crescente acúmulo de lixo plástico na Amazônia, mas que levem em conta desafios cruciais, como o isolamento de muitas comunidades”, admitiu.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa.
Fotos: Michell Mello / Fiocruz Amazônia Revista
Oficina do Pólo Manaus do Projeto Começo Meio Começo fortalece Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas na Amazônia
/em Notícias /por Julio OliveiraO Projeto Começo Meio Começo, desenvolvido pela Fiocruz Amazônia, em parceria com o Ministério da Saúde, realizou, em Manaus, entre os dias 10 e 12/09, a quinta e última trilha do curso de formação destinado a trabalhadoras e trabalhadores da saúde pública em diferentes territórios com a finalidade de promover o fortalecimento da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas na Amazônia. Com um total de 100 participantes, o curso aconteceu no Hotel Tropical Business, na Ponta Negra, reunindo profissionais de saúde de dez municípios – Barcelos, Canutama, Iranduba, Lábrea, Manaus, (zona urbana e rural), Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santa Isabel do Rio Negro, Tapauá e Carauari. A formação foi o segundo encontro presencial da Trilha 5, do projeto, no Pólo Manaus, com vistas à capacitação de trabalhadores e trabalhadoras que atuam no cuidado em saúde das populações do campo, das florestas e águas.
O Projeto Começo Meio Começo tem por objetivo desenvolver um processo de educação permanente em oito estados da Amazônia Legal voltado para a implementação efetiva da política nacional de saúde para campos, florestas e águas. O projeto abrange um total de 255 municípios e 858 equipes de saúde, já tendo formado diretamente mais de 2.400 trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Único de Saúde. Somente no Estado do Amazonas foram contemplados 60 municípios e mais de 700 profissionais. “Devemos entender que a educação pode transformar a vida do indivíduo. Neste sentido, tê-los aqui, na capital, para participar de um curso, oferecido pelo Ministério da Saúde em parceria com a Fiocruz Amazônia, é uma oportunidade de qualificação, que cada um levará para o território onde vive, ampliando os horizontes e permitindo pensarem políticas públicas para o sistema de saúde”, afirmou o vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação, da Fiocruz Amazônia, Claudio de Oliveira Peixoto, durante a abertura da oficina.
Representando a Coordenação de Acesso à Equidade da Secretaria Nacional de Atenção Primária do Ministério da Saúde, a assessora técnica Cibele Lima dos Santos reforçou a importância da formação como referência para a política pública de saúde das populações dos campos, florestas e águas. “Começamos aqui na Amazônia porque entendemos que era chegada a hora de fazermos essa reparação histórica com as populações dos territórios amazônicos. A Política Nacional de Saúde Integral das Populações dos Campos, Florestas e Águas na Amazônia surgiu do anseio de movimentos sociais e é muito cara para o Ministério da Saúde. Ela resultou de um processo de construção coletiva que reuniu várias instituições, que juntos pensaram essa política para populações com modos de vida diferentes”, afirmou Cibele, destacando que a formação incentiva o cuidado a essas populações.
A assessora técnica do MS destacou ainda a capacidade de articulação da Fiocruz Amazônia para a realização das formações do projeto. “A Fiocruz Amazonia topou essa empreitada, enfrentando todos os desafios para chegarmos até aqui, principalmente as barreiras geográficas dos territórios, entregando um produto como esse material tão bem elaborado e com um olhar tão sensível, mostrando que é preciso pisar no chão para conhecer as diferentes realidades”, afirmou Cibele, referindo-se à publicação dos cadernos so curso “Formação de Trabalhadores e Trabalhadoras que Atuam no Cuidado em Saúde da População do Campo, da Floresta e das Águas”.
“Esses cadernos têm que estar na ponta de língua de quem trabalha nos campos, florestas e águas, bem como das pessoas que vivem nesses territórios. Para o SUS, saúde é direito de todos e estamos muito agradecidos por vocês terem deixado os seus territórios e estarem aqui”, afirmou. O material produzido a partir das experiências do Começo Meio Começo na Amazônia será referência para as demais regiões do País, para onde o projeto será expandido.
Para a coordenadora pedagógica do Começo Meio Começo, Viviane Lima Verçosa, a realização das oficinas só foi possível graças à articulação com as secretarias municipais de saúde, por meio dos Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), de cada estado. “O curso envolve as diferentes dimensões do nosso SUS. O processo de construção da proposta envolveu uma articulação com a gestão municipal e estadual nos estados, sendo fundamental a colaboração dos Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), que nos apoiam na divulgação e sensibilização junto aos gestores municipais. Do mesmo modo, as Secretarias Estaduais de Saúde têm sido outro ponto de apoio para o processo de adesão da proposta”, observou.
A quinta e última trilha, segundo a coordenadora pedagógica, é a etapa da formação que busca aprofundar o conhecimento acerca da política nacional e promover a inclusão das populações dos campos, florestas e águas, tão invisibilizadas. “Nos territórios sobre os quais falamos, há também saberes que podem contribuir com a qualificação do trabalho no SUS em todos os lugares e, por isso, o convite é para que aprendamos e compartilhemos o que estiver na nossa caminhada. A formação, para além de um curso, é uma oportunidade de transformarmos o nosso pensamento para a produção de um cuidado compartilhado e situado. A formação é para ser sentida, vivida, dialogada e compartilhada”, pontuou.
No processo formativo, a Trilha 1 propõe uma discussão sobre a Cartografia dos Territórios; a Trilha 2 aborda o trabalho situado: coletivos de trabalho, produção de saúde e os usuários guias; na Trilha 3 discorre-se sobre os temas geradores para aprendizagem embasada em projetos e temas transversais em um projeto cuidador situado; na Trilha 4, propomos o Projeto Territorial Situado: clínica do cuidado, trabalho em equipe e histórias de mudanças, inclusive, com o compartilhamento de histórias de trabalho e de pessoas que vivem nos territórios de atuação. Por fim, a Trilha 5, destaca a relevância da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, Florestas e Águas, entendendo a pluralidade dos nossos territórios e populações.
“Esta política, criada pelo Sistema Único de Saúde, em resposta às lutas travadas pelas populações desses territórios, marca o limite que precisa sempre ser superado para atualizar a potência do fazer saúde como trabalho vivo em ato, é necessário avançar no cotidiano da atenção à saúde nos territórios, ampliar a compreensão dos modos de viver nesses espaços e saltar novas configurações de trabalho, por este motivos estamos nesta caminhada, fecundar a política com o cotidiano nos territórios é a meta da trilha 5”, enfatizou Viviane Verçosa. As oficinas do Polo Manaus foram conduzidas pelo facilitador Claudecir Siqueira de Portela.
Entre os presentes à formação, estavam agentes comunitários de saúde (ACSs), enfermeiros, médicos e gestores que atuam nos campos, florestas e águas. “Quantos aqui estão se lembrando dos remédios caseiros preparados por nossas mães e avós, e sentindo-se acolhidos, lembrando da nossa vida em família e nas comunidades, onde trabalhamos e atuamos com pessoas que sempre vão citar as propriedades das folhas, raízes e frutos que trouxemos para simbolizar os nossos territórios e mostrar que amamos o que fazemos”, comentou Neirilene Viana do Norte, que é coordenadora dos ACS da comunidade Jatuarana, situada à margem esquerda do Rio Amazonas, zona rural de Manaus. Para o agente comunitário de saúde Robert Bentes Rocha Rodrigues, que atua junto aos moradores da Parque das Tribos, participar da formação foi uma oportunidade ímpar de reconhecer a importância do modo de vida e saberes dos comunitários indígenas do território onde trabalha. “Cada quintal de cada morador tem um remédio, uma erva que o representa”, salientou.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Inscrições para a segunda turma do Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz terminam em 19 de setembro
/em Notícias /por Julio OliveiraPós-graduação é gratuita e voltada para profissionais e gestores que atuam na área de vigilância em saúde em regiões de fronteiras do Brasil com os demais países da América do Sul
Profissionais brasileiros e estrangeiros que atuam na área de vigilância em saúde em regiões de fronteira têm até o dia 19 de setembro para se inscrever no processo seletivo da segunda turma do Programa VigiFronteiras-Brasil, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde (SVSA/MS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A iniciativa oferece 75 vagas gratuitas em cursos de mestrado e doutorado acadêmico e profissional, com início previsto para janeiro de 2026.
O programa é voltado para trabalhadores da saúde que atuam na gestão, assistência e avaliação de serviços de vigilância em saúde, com ênfase no enfrentamento de doenças transmissíveis. Além das fronteiras brasileiras, o processo seletivo está aberto também a candidatos de países vizinhos, como Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai, Venezuela e a Guiana Francesa.
Nesta segunda oferta, o Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz apresenta três grandes novidades. As vagas para ações afirmativas foram ampliadas: 55% das vagas estão reservadas a pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e pessoas trans (travestis e transexuais). Além de Manaus (AM), Tabatinga (AM) e Campo Grande (MS), os encontros presenciais também acontecerão em novos polos presenciais: Porto Velho (RO), Recife (PE), Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ). Por último, mais programas de pós-graduação envolvidos: novos cursos da Fiocruz passam a integrar o consórcio, ampliando linhas de pesquisa e o número de docentes engajados.
Para a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, a qualificação proporcionada pelo VigiFronteiras-Brasil é essencial para aprimorar a resposta do sistema de saúde em territórios estratégicos. “Gestores e profissionais atualizados conseguem planejar e executar uma vigilância mais sensível e responder rapidamente a situações de ameaça à saúde. Por isso, investimos na constante preparação dos nossos gestores e profissionais”, destaca.
O representante da Opas/OMS no Brasil, Cristian Morales, também ressalta o papel da iniciativa como referência internacional. “A vigilância em saúde nas fronteiras é um campo essencial para a segurança sanitária das populações e para a solidariedade entre os países. O Programa VigiFronteiras-Brasil/Fiocruz representa um avanço significativo ao reunir saberes, experiências e compromissos dos profissionais que atuam nesses territórios estratégicos”, afirma.
Para Eduarda Cesse, coordenadora geral do Programa e vice-presidente adjunta de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, o programa também colabora para a formação e fortalecimento de redes de cooperação entre países da América Latina. “Ao longo do curso, os participantes recebem uma formação multidisciplinar que os capacita a lidar com os desafios complexos da vigilância em saúde em regiões fronteiriças, como em casos de emergências de saúde pública de interesse nacional e internacional, articulando pesquisa, prática e políticas públicas, já que a maioria deve preferencialmente estar atuando nos serviços”, explica.
COMO PARTICIPAR
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas exclusivamente pelo site Acesso Fiocruz (https://acesso.fiocruz.br). Os editais estão disponíveis em www.campusvirtual.fiocruz.br e formacaovigisaude.fiocruz.br, com informações completas sobre requisitos, etapas da seleção (prova de inglês, análise curricular/documental e entrevista on-line), critérios para reserva de vagas e cronograma.
As aulas serão realizadas em formato híbrido, combinando encontros presenciais obrigatórios nos polos definidos e atividades on-line síncronas. O mestrado terá duração de 12 a 24 meses, e o doutorado, de 24 a 48 meses.
O programa formou, em sua primeira turma, 32 mestres que já concluíram suas dissertações em temas estratégicos para a saúde nas fronteiras, e mantém em andamento a primeira turma de doutorado, com conclusão prevista para o fim de 2025. Aproximadamente 92% dos alunos estão vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Com essa nova oferta, a expectativa é fortalecer ainda mais as ações de vigilância em saúde e preparar profissionais para atuar em situações de risco sanitário em escala nacional e internacional.
Informações e dúvidas sobre os editais e o processo seletivo serão fornecidas apenas por e-mail (selecao.vigifronteiras@fiocruz.br). Outras informações sobre programa no site formacaovigisaude.fiocruz.br e no seu perfil nas mídias sociais @formacaovigisaudefiocruz.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Bruna Cruz / Ascom Programa Vigifronteiras Brasil-Fiocruz
Foto: Divulgação / Ascom Programa Vigifronteiras Brasil-Fiocruz
Fiocruz Amazônia participa de seminário sobre contexto atual e desafios das pesquisas para o enfrentamento do feminicídio no Brasil
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) participou das discussões promovidas pelo Grupo de Pesquisa Violências, Gênero e Saúde do Instituto René Rachou – Fiocruz Minas, durante o Seminário Pesquisas para o Enfrentamento do Feminicídio no Brasil: Contexto Atual e Desafios. O evento teve como objetivo promover o encontro de pesquisadoras e pesquisadores da Saúde Coletiva que trabalham com o tema do enfrentamento do feminicídio no Brasil, por meio da troca de experiências, mapeamento de iniciativas existentes e de desafios, bem como a construção de uma agenda de trabalho com base no Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios. O pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI), foi um dos participantes, representando a Região Norte.
A abertura foi realizada no auditório da Secretaria Municipal de Administração Logística e Patrimonial da Prefeitura de Belo Horizonte, no dia 2/09 e reuniu dezenas de convidados, incluindo mulheres representantes do Legislativo de Minas Gerais, da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Polícia Militar, Universidade Federal de Minas Gerais, Defensoria Pública de Minas Gerais e Defensoria Pública do Amazonas, Senado Federal, Ministério das Mulheres, Observatório Minas – Fundação João Pinheiro, Swiss Tropical and Public Health Institute e representantes de unidades da Fiocruz e da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), que integram a estratégia Vigifeminicídio.
Jesem Orellana considerou o evento uma iniciativa de sucesso pelo ineditismo em reunir tantas representações da sociedade e grupos de pesquisa abordando a temática feminicídio no Brasil. “Realmente um trabalho pioneiro e extremamente promissor”, pontuou o pesquisador. Além de Orellana, da estratégia “Vigifeminicídio”, da Fiocruz estiveram presentes também os pesquisadores responsáveis pelos estados de Rondônia, Ana Emanuela de Carvalho Chagas (UNIR), e Rio de Janeiro, Francimar Oliveira de Jesus. A Rede Vigifeminicídio da Fiocruz Amazônia foi responsável pela articulação para a participação de membros da Defensoria Pública do Estado do Amazonas, a exemplo da coordenadora do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres – Nudem), da DPAM, Carol Braz e sua assessora, a advogada Cássia Oliveira.
“Foi um momento de troca de experiências, mas também, de frustrações, como em relação ao crítico e quase inexistente financiamento de pesquisas exclusivamente orientadas ao tema no país, por parte de agências de fomento e fundações de amparo à pesquisa estaduais. Estamos sentindo na pele esse problema, pois a estratégia Vigifeminicídio, apesar das duas tentativas no último ano, está sem financiamento específico, desde agosto de 2024. No entanto, eventos como este, sem dúvida, servem como fonte de inspiração e fortalecimento do trabalho em rede”, enfatizou o pesquisador.
Segundo Orellana, o evento renovou a esperança e avançou no sentido da consolidação de uma agenda de trabalho em rede, com base no Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, em especial dos seus três eixos estruturantes e no seu eixo transversal, em consonância com as iniciativas pioneiras e o crescente amadurecimento da Estratégia Vigifeminicídio,
“Iniciativas como essa são essenciais à produção de dados de qualidade, abrangentes e coletados de forma sistemática e padronizada, fortalecendo a compreensão dos diferentes contextos que os feminicídios ocorrem e como afetam os diferentes grupos de mulheres, os órfãos do feminicídio e familiares impactados com esse tipo repugnante de fatalidade”, ressalta. Na Região Norte, a rede já conta com campos em Manaus (AM), Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO) e prevê a inserção de Boa Vista (RR), ainda em 2025, cobrindo quatro capitais da Amazônia Ocidental brasileira, além da capital fluminense, Rio de Janeiro (RJ).
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia ministra curso sobre taxonomia de mosquitos transmissores da febre Oropouche no Estado do Ceará
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio do Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA), ministrou durante uma semana (de 1 a 5/09), a 6ª edição do Curso Básico de Taxonomia de Culicoides, desta vez na cidade de Fortaleza (CE), a convite da Escola de Saúde Pública da Secretaria Estadual de Saúde do Ceará. O curso contou com 21 participantes, entre agentes de combate a endemias (ACEs), pesquisadores e professores da Universidade Estadual do Ceará (UeCE) e da Universidade Federal do Ceará (UFC), e foi ministrado pelo pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Felipe Arley Costa Pessoa, juntamente com a pesquisadora-titular do EDTA Cláudia Maria Ríos Velasquez e a pesquisadora Emanuele Sousa Farias, pertencente à Rede de Compartilhamento de Dados e Informações sobre Diversidade de Arvores na Amazônia.
O Culicoide é um dos principais vetores da febre Oropouche no Brasil e o objetivo do curso é compreender a biologia do inseto, a relação patógeno-hospedeiro e como fazer a correta identificação dos maruins, como são popularmente conhecidos os mosquitos do gênero Culicoides paraensis, Com carga horária de 40 horas, o curso tem ênfase na importância da identificação correta das espécies, no sentido de ajudar os técnicos dos serviços de controle a apontar onde estão, qual período, quais as espécies são atraídas pelo ambiente modificado pelo homem. O curso contou com teoria e atividades práticas de campo, abordando métodos de vigilância, captura e controle dos Culicoides (maruins).
Entre os aspectos abordados durante o curso, estiveram os “Desafios na investigação dos vetores da febre Oropouche”, “Bioecologia de Culicoides”, “Técnicas de coleta de Culicoides”, “Morfologia e apresentação da asa do Maruim (com foco no grupo paraensis) e espécies de Culicoides do Ceará”, “Triagem e apresentação da asa do Maruim (grupo paraensis)”, “Morfotipagem de Culicoides”, “Dissecção e montagem de Culicoides”, “Principais espécies de Culicoides do Ceará”, “Montagem de lâminas e identificação morfológica dos maruins”, “Diferenciação de maruins (Culicoides) do gênero paraensis“, “Outros vetores de importância médica para a febre Oropouche”, “Controle de Culicoides” e “Fluxo para encaminhamento de amostras e análise entomovirológica”.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia