COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Livro que aborda crise e futuro da esquerda é tema de debate virtual (1/6)
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaOs desafios de uma esquerda enfraquecida frente à abertura de um novo ciclo político serão analisados no próximo debate online da série Futuros do Brasil, realizada pelo Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz. A discussão se dará em torno do livro Esquerda: crise e futuro, do professor e pesquisador José Maurício Domingues, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj e pesquisador associado do CEE-Fiocruz. Ao seu lado, participará do debate a professora Ingrid Sarti, do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional (Pepi-UFRJ), fazendo comentários à exposição do autor. O evento será realizado em 1 de junho de 2017, e como nos demais debates online da série, a participação é virtual. Qualquer pessoa pode se conectar pelo CEE-Fiocruz, acompanhar o debate em tempo real e fazer perguntas aos participantes.
No livro, José Maurício Domingues discute as perspectivas da esquerda, do século 19 às alternativas contemporâneas, conectando a discussão às escolhas feitas pela esquerda brasileira nas últimas décadas. “Busco apresentar que novos processos se apresentam e que respostas a esquerda precisa construir estrategicamente, para além do social liberalismo e do neodesenvolvimentismo, com o apoio ao combate à corrupção (neopatrimonialismo) que grassa no Estado brasileiro e com uma nova coalizão”, explica.
Segundo o professor, o longo ciclo democratizante iniciado nos anos 1970 se esgotou, juntamente com o fim do ciclo de hegemonia do Partido dos Trabalhadores na esquerda e na centro-esquerda, “desaguando em uma crise geral do sistema político, que acabou se caracterizando como gangsterismo político”. Como observa, “um novo ciclo está se abrindo e sua direção está em disputa no momento”.
José Maurício defende a importância de se buscar traçar uma nova agenda política calcada no aprofundamento radical da democracia e direitos universais. “Essa agenda precisa estar baseada numa aliança dos setores populares com as classes médias, pequenos empresários etc. Isso tem que se fundar na aliança de uma nova centro-esquerda, emergente, e a esquerda que hoje é pluralizada e na qual os jovens reivindicam mais horizontalidade nas relações de poder”, aponta.
Fonte: CEE/Fiocruz
Centro de Estudos apresentará tecnologia capaz de diferenciar resposta humoral entre vírus semelhantes
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) oferece na próxima sexta-feira 26/5, a partir de 9h, no Salão Canoas, auditório da Instituição, a palestra “Microarrays de peptídeos de alta resolução: da pesquisa básica ao desenvolvimento de vacinas, testes diagnósticos e anticorpos monoclonais terapêuticos”, que será ministrada pelo representante da Empresa BioAlbra Biotecnologia, Dr. Pedro Simonini.
Segundo o palestrante, o desenvolvimento de Microarrays de peptídeos de alta resolução possibilitou a elaboração de projetos complexos de proteômica high-throughput. Através de exemplos concretos, a palestra tem o objetivo de demonstrar o potencial único e as inúmeras aplicações dessa tecnologia tanto em pesquisa básica como aplicada.
A plataforma tem capacidade de sintetizar desde pequenas sequências peptídicas até proteomas completos, como por exemplo: Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela. “A flexibilidade de síntese de peptídeos nos permite adaptar a plataforma para qualquer organismo cujo genoma tenha sido sequenciado. Usando microarranjos de peptídeos de alta resolução podemos, por exemplo, caracterizar e diferenciar a resposta humoral entre vírus semelhantes, distinguindo inclusive entre infecção e vacinação”, explicou Simonini.
Os Microarrays de peptídeos é um equipamento indispensável para diversas aplicações moleculares. O problema principal dessa tecnologia é a sua produção, pois cada peptídeo necessita ser sintetizado individualmente. Após sua síntese cada peptídeo precisa passar por um processo para se ligar ao suporte do microarranjos.
Esse processo tem limitações intrínsecas, pois além do custo elevado, não permite a produção de microarranjos de peptídeos de alta densidade. Para superar essas limitações, pesquisadores do German Cancer Reserach Center, em Heidelberg, desenvolveram a tecnologia. Usando o princípio de impressão a laser, os peptídeos são sintetizados diretamente sobre a superfície do microarranjo. Essa tecnologia garante uma flexibilidade única e quase ilimitada para sintetizar microarranjos de peptídeos de alta densidade.
A grande flexibilidade dessa plataforma permite sintetizar microarranjos personalizados cobrindo desde pequenas sequências peptídicas até proteínas inteiras ou genomas virais completos. Os microarranjos demandam amostras pequenas de soro e podem ser usados em diversas aplicações, como mapeamento de epítopo e análise de substituição, desenvolvimento de vacinas, monitoramento imunológico, descoberta de biomarcadores, perfil de anticorpos do soro, antes e depois de infecções, administração de vacinas, ingestão de medicamentos, perfil de anticorpos autoimunes no soro de pacientes e perfil de anticorpos relacionados com processos alérgicos.
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.
SOBRE O PALESTRANTE
Pedro Simonini é graduado em Biologia, pela Universidade de Kiel, Alemanha e mestre trinacional e trilíngue em Biotechnologia, pelas Universidades de Strasbourg (França), Basel (Suiça), Freiburg (Alemanha) e Karlsruhe (Alemanha). Possui doutorado em Biologia Molecular do Câncer, pela Universidade de Heidelberg / German Cancer Research Center (DKFZ), Alemanha. Atua nas áreas de biotecnologia e biologia molecular, atuando principalmente nos seguintes temas: biotechnologia, oncologia molecular, biologia de microRNAs, epigenética.
Divulgada a homologação das inscrições do curso de mestrado do PPGVIDA
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaDivulgado hoje (24/5) o resultado da primeira etapa do processo seletivo do curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), área de Saúde Coletiva.
O resultado refere-se à homologação das inscrições e fornece informações sobre o local das provas de Saúde Coletiva e conhecimentos específicos.
Os candidatos que tiveram suas inscrições homologadas estão aptos a seguir para a segunda etapa, que compreende a submissão à prova escrita discursiva, a ser realizada no Salão Canoas do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), no dia 31/5, de 9h às 11h (Prova de Saúde Coletiva, e de 14h às 17h (Prova de conhecimentos específicos).
O resultado da homologação das inscrições está disponível no sistema Sigass em http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120 .
O ILMD/Fiocruz Amazônia situa-se na rua Teresina, 476, Adrianópolis, Manaus (AM).
SOBRE O CURSO
O PPGVIDA – ILMD/Fiocruz Amazônia é um programa de pós-graduação que tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
Neste processo seletivo foram oferecidas 12 vagas, divididas em duas linhas de pesquisa: Fatores sócio biológicos no processo saúde-doença na Amazônia, com nove vagas; e Processo Saúde-Doença e Organização da Atenção a populações indígenas e outros grupos em situações de vulnerabilidade, com três vagas.
O curso é em regime integral e as aulas estão previstas para iniciar dia 28 de agosto deste ano. Ao final do mestrado, o egresso do curso receberá diploma de Mestre em Saúde Pública.
Ascom-ILMD/Fiocruz Amazônia
Genoma de caramujo causador da esquistossomose é sequenciado
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaUm artigo publicado na Nature Communications, uma das mais influentes revistas científicas, apresenta o sequenciamento do genoma do Biomphalaria glabrata, espécie de caramujo que é o principal e mais importante hospedeiro do Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose, doença que afeta 240 milhões de pessoas em todo o mundo. O estudo que deu origem ao artigo envolveu instituições de onze países, entre elas a Fiocruz Minas.
O mapeamento fornece uma descrição completa acerca das características do caramujo, incluindo informações relacionadas à estrutura física do molusco e ainda à forma como ele se comporta. Isso torna possível, por exemplo, entender como funciona os sistemas digestivo, respiratório, reprodutivo, entre outros, além de jogar luz sobre questões comportamentais, que podem explicar a forma de interação entre o Biomphalaria glabrata e o ambiente. Ao todo, foram identificados 14.423 genes.
“A partir de agora, será possível melhor entender e compreender a funcionalidade desse molusco e encontrar formas mais eficazes para controlá-lo ou torná-lo, se possível, um molusco resistente à infecção pelo S. mansoni. Talvez possamos entender como o mecanismo de defesa da B. glabrata permitiu que o parasita se adaptasse tão bem a ele”, afirma o pesquisador Omar dos Santos Carvalho, do Grupo de Helmintologia e Malacologia Médica (HMM) da Fiocruz Minas.
O estudo, que durou 15 anos, teve início na Fiocruz Minas, com a captura e caracterização dos caramujos, realizadas pelos pesquisadores Omar Carvalho, Roberta Caldeira e José Amorim da Silva. Nos laboratórios da unidade, os caramujos foram submetidos a diferentes experimentos, visando assegurar que a espécie coletada era de fato a B. glabrata.
“Fizemos a identificação morfológica, ou seja, uma análise dos órgãos internos de vários exemplares do caramujo e, para ampliar a confiabilidade, realizamos estudos moleculares para confirmação da identificação da espécie”, explica a pesquisadora Roberta Caldeira, do Grupo de HMM. Segundo ela, os moluscos coletados foram ainda submetidos à infecção com duas cepas de Schistosoma mansoni, já que uma característica relevante da B. glabrata é a alta taxa de infectividade.
Os pesquisadores da Fiocruz também fizeram análise de dados genômicos, proteômicos e transcritômicos, bem como a Identificação de proteínas envolvidas na via de pequenos RNAs . Os resultados dessas metodologias de nomes complicados fornecem informações importantes acerca da biologia do caramujo, bem como da relação entre ele e o hospedeiro. Possibilitam também compreender melhor os mecanismos de suscetibilidade e resistência de B. glabrata ou ainda as condições que a torna mais propensa à infecção.
“O grande diferencial desse estudo é a enorme quantidade de possibilidades que ele gera. Para se ter uma ideia, foram publicados, em forma de suplementos neste artigo da Nature, cerca de outros 50 artigos explorando os dados genômicos gerados por esse projeto”, destaca Caldeira.
O estudo envolveu o trabalho de 118 pesquisadores. Só na Fiocruz Minas e na Universidade Federal de Uberlândia, 16 pessoas estiveram envolvidas: Roberta Caldeira, Omar Carvalho, Liana Passos, Guilherme Oliveira, Juliana Assis, Yesid Cuesta-Astroz, Sandra Gava, Fernanda Ludolf, Francislon Oliveira, Fabiano Pais, Izinara Rosse, Larissa Scholte, Matheus de Souza Gomes, Elio Baba, Laurence Amaral e Wander Jeremias. Dentre esses, Guilherme Oliveira, agora no Instituto Tecnológico Vale em Belém, foi um dos membros do comitê que editou a versão final do artigo.
“O sucesso desse trabalho é resultado do esforço de uma equipe internacional. Foi um grande prazer e muito gratificante participar deste grande grupo”, ressalta Omar Carvalho.
Conheça o artigo.
ESQUISTOSSOMOSE NO PAÍS
Segundo a responsável técnica pelo Programa de Esquistossomose do Ministério da Saúde, Jeann Marie Marcelino, dados do Inquérito Nacional de Prevalência da Esquistossomose e das Geo-helmintíases mostram que aproximadamente 1,5 milhão de pessoas possam estar infectadas com o Schistosoma mansoni no país. A transmissão ocorre de forma endêmica nos Estados de Alagoas, Bahia, Maranhão, Pernambuco e Sergipe, na região Nordeste, e em Minas Gerais e no Espírito Santo, na região Sudeste. Há registro de focos de transmissão no Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo e no Pará.
De acordo com o inquérito, no período de 2001 a 2015, foram detectados cerca de 38 mil casos na área endêmica. Nesse mesmo período, houve uma média de 195 internações e 488 óbitos. Em 2015, foram 193 internações e 459 óbitos.
No restante do país, são notificados casos, em sua maioria importados de áreas endêmicas, devido ao fluxo migratório de pessoas. Em 2015, foram notificados 4.356 casos, incluindo as formas graves da doença.
De acordo com uma publicação do Ministério da Saúde de 2008, o caramujo da espécie Biomphalaria glabrata está distribuído em 806 municípios, de 16 estados brasileiros (AL, BA, DF, ES, GO,MA, MG, PA, PB,PR,PE,PI,RJ,RN,RS,SP e SE) e no Distrito Federal.
A DOENÇA
A esquistossomose é uma doença causada pelo Schistosoma mansoni, parasita que tem no homem seu hospedeiro definitivo, mas que necessita de caramujos, como B. glabrata,como hospedeiros intermediários para desenvolver seu ciclo evolutivo. A transmissão desse parasita se dá pela liberação de seus ovos através das fezes do homem infectado. Em contato com a água, os miracídios eclodem e penetram nos caramujos e, algum tempo depois, liberam novas larvas. Na água, as larvas (cercarias) penetram na pele e/ou mucosa do homem, reiniciando o ciclo.
A doença apresenta duas fases durante seu processo evolutivo: aguda e crônica. Na primeira fase, os principais sintomas podem ser vermelhidão e manifestações de coceiras e dermatite na pele, febre alta, inapetência, fraqueza, enjoo, vômitos, tosse, diarreia e rápido emagrecimento. Na fase crônica, a mais grave, os sintomas são o aumento do abdômen e de órgãos como fígado e baço, hemorragias ao defecar, fadiga, cólica, prisão de ventre, cirrose e o aparecimento de ínguas em diversas partes do corpo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, as esquistossomoses são consideradas o segundo maior problema de saúde pública em todo o mundo, ficando atrás apenas da malária.
Por: Keila Maia (CPqRR/Fiocruz Minas)
Editora Rede Unida lança livros sobre educação e práticas de saúde na Amazônia
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaEditora Rede Unida lança três livros, sendo dois da série Políticas e cuidados em saúde (volumes 1 e 2) e um da série Saúde & Amazônia (Volume 2). Os dois primeiros são produções compartilhadas da pesquisa “Rede de Avaliação Compartilhada (RAC) / Observatório Nacional da Produção de Cuidado em Diferentes Modalidades à Luz do Processo de Implantação das Redes Temáticas de Atenção à saúde no Sistema Único de Saúde: avalia quem pede, quem faz e quem usa”. Já o Livro “Educação e práticas de saúde na Amazônia: Tecendo redes de cuidado”, fruto de Trabalhos de conclusão de curso, residência, dissertações de mestrado e teses de doutorado, traz a discussão sobre prática de cuidados com a saúde realizadas nos Estados do Amazonas e Pará.
Os resultados das pesquisas desenvolvidas em municípios do Amazonas, formam ferramenta para o desenvolvimento das publicações. “Nós acompanhamos e analisamos várias mulheres, usuárias da rede de Saúde, buscando o cuidado pessoal, no período de gravidez, e acompanhamos parteiras, analisando os seus modos de cuidar das mulheres em período de gestação”, diz a pesquisadora e uma das autoras dos capítulos, Ângela Carla Schiffler.
A pesquisa foi coordenada nacionalmente pelo Dr. Emerson Merhy, docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas teve o envolvimento dos grupos locais em Estados e municípios. No Amazonas, foi formado um grupo de pesquisadores da Rede de Avaliação Compartilhada (RAC), que pesquisou três cenários: Estratégia da Saúde da Família em Manaus, Unidade Básica de Saúde Fluvial, no município de Borba, e as parteiras do município de Manaus e de Itacoatiara.
Durante o evento, os participantes da pesquisa falaram de suas experiências ao longo dos trabalhos e agradeceram às pessoas que colaboraram com as atividades. “A pesquisa avalia quem pede, isto é, o gestor; quem faz, ou seja, o profissional e quem usa, isto é, o usuário. Então, essas pessoas possuem uma perspectiva distinta e temos de olhar os três”, diz Schiffler.
Entre os convidados, estava a agente de saúde, parteira e moradora da comunidade Vila de Lindoia, em Itacoatiara (176 quilômetros de Manaus), Nazaré Amaral, que contribuiu para o trabalho dos pesquisadores. “Ser parteira é um dom e queremos que o trabalho das parteiras seja divulgado, conhecido por outras pessoas. Nós ajudamos a trazer vidas ao mundo e contribuímos para a saúde da mulher”, concluiu.
Os livros intitulados “Avaliação Compartilhada do cuidado em saúde: surpreendendo o instituído nas redes”, volume 1 e volume 2, estão disponíveis na Biblioteca Digital da Editora da Rede Unida.
Febre amarela: pesquisa identifica mutações na sequência genética do vírus
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) realizou os primeiros sequenciamentos completos do genoma de amostras do vírus da febre amarela referentes ao atual surto da doença no Brasil. Foram investigadas duas amostras de macacos oriundos do Espírito Santo, mortos em final de fevereiro de 2017. A análise apontou que os microrganismos pertencem ao subtipo genético conhecido como linhagem Sul Americana 1E, que é predominante no país desde 2008.
No entanto, a partir da análise da sequência completa do genoma do vírus foi possível constatar a presença de variações em sequências genéticas que estão associadas a proteínas envolvidas na replicação viral. Não há registro anterior dessas mutações na literatura científica mundial. Os pesquisadores envolvidos na descoberta reforçam que os impactos para a saúde pública ainda precisam ser investigados e apontam para a necessidade de se avaliar mais amostras, relativas a locais diferentes e incluindo casos em humanos, macacos e mosquitos.
Os resultados das análises foram divulgados na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. Os dados foram comunicados pela Presidência da Fiocruz ao Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde. Adicionalmente, dados ainda não publicados apontam os mesmos resultados para a análise de mosquitos coletados no Espírito Santo e para um macaco que veio a óbito no Estado do Rio de Janeiro.
O estudo partiu de uma constatação que vem ganhando cada vez mais espaço: a atual situação de febre amarela no país conta com lacunas de entendimento sobre sua dinâmica de dispersão. O surto é o mais severo das últimas décadas, e a doença tem se espalhado de forma rápida, com epizootias e casos humanos diagnosticados inclusive em locais considerados livres do agravo há quase 70 anos.
Os pesquisadores do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus e do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC se dedicaram a buscar evidências que possam contribuir para esclarecer uma pergunta importante: existe algo de diferente no vírus da febre amarela que está circulando atualmente? “Nesse momento, o compromisso de cada um de nós, pesquisadores, deve ser de gerar conhecimento na sua área de especialidade e compartilhar essas descobertas, de forma acelerada, para que possamos contribuir para preencher um mosaico de evidências que permita ajudar a explicar o cenário atual”, afirma a pesquisadora Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC, que coordenou o estudo com o pesquisador Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC. Ambos integram a Sala de Situação para Febre Amarela Silvestre criada pela Presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Origem das amostras sequenciadas
Em uma colaboração com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS), o Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários vem atuando na coleta de amostras de primatas e mosquitos em locais estratégicos para o estudo do risco de transmissão e de re-emergência do ciclo urbano da febre amarela. Foi neste contexto que, em final de fevereiro de 2017, o grupo coletou sangue de dois macacos bugios (da espécie Alouatta clamitans) que adoeceram em uma área de mata no Espírito Santo, confirmou a infecção pelo vírus e obteve o material genético para o sequenciamento do genoma.
“Os bugios são especialmente importantes nas investigações sobre a febre amarela por serem considerados ‘sentinelas’: como são muito vulneráveis ao vírus, estão entre os primeiros a morrer quando afetados pela doença. Além disso, estes animais amplificam eficientemente o vírus em seu organismo, favorecendo a infecção de mosquitos que habitam as matas e a disseminação da transmissão silvestre, na qual os seres humanos são infectados acidentalmente. Por isso, sua morte dispara um alerta para a possível presença do vírus em uma localidade”, descreve Ricardo, que combina as experiências como veterinário e entomologista.
As coletas foram realizadas por Filipe Abreu, estudante de pós-graduação em Biologia Parasitária do IOC, que atua na equipe liderada por Ricardo. “Como há décadas não se registrava febre amarela na mata atlântica, pensei que não veria suas consequências na prática. Foi um enorme aprendizado ter a oportunidade de visualizar e trabalhar, em campo, com objeto de estudo da minha tese”, o jovem biólogo comenta. [Conheça as atividades desenvolvidas pelo grupo em Casimiro de Abreu, município onde foi registrado o primeiro óbito pela doença no Estado do Rio de Janeiro].
Análise do genoma do vírus
Após a extração do material genético (RNA) das amostras, foi realizado o processo de sequenciamento completo do genoma, atividade que contou com o apoio da Plataforma Tecnológica de Sequenciamento de DNA do IOC. As análises apontam para três principais evidências. Como primeira evidência, foi observada 100% de identidade entre as sequências genéticas dos vírus presentes nos animais – ou seja: os vírus tinham sequências genéticas idênticas.
A segunda evidência foi a constatação da presença de modificações no código genético dos vírus. Essas mutações foram identificadas quando a sequência genética completa obtida foi comparada à sequência genética completa de vírus relacionados a surtos ocorridos desde a década de 1980 no Brasil e na Venezuela, país onde a linhagem Sul Americana 1E também é predominante. Para a comparação, foram usados bancos de dados internacionais dedicados ao depósito de sequências genéticas. “As modificações que observamos são inéditas, não estão descritas em achados anteriores”, Myrna detalha.
A terceira evidência foi obtida na análise das proteínas virais, em um passo seguinte à constatação de mudanças na sequência genética. “De forma muito simplificada, o genoma é um código que tem o papel de orientar a produção de proteínas. Essas proteínas são a base da própria estrutura do vírus, formando seus elementos constitutivos, como as paredes do vírus, por exemplo. Podemos comparar o genoma a um roteiro: o vírus tem um repertório de proteínas que são fabricadas a partir da informação do genoma. Algumas mudanças genéticas não impactam as proteínas do vírus. Por isso, é importante observar se as variações genéticas poderiam modificar o repertório das proteínas fabricadas”, descreve a virologista molecular, que é especialista em flavivírus, grupo dos vírus dengue, Zika e febre amarela.
Tendo em vista que foram verificadas modificações na composição de proteínas importantes para a replicação viral, os pesquisadores consideram que é possível haver uma vantagem seletiva, refletindo-se na capacidade de infecção e disseminação do vírus. Entretanto, novas pesquisas são fundamentais para determinar se essas modificações no genoma são específicas dos microrganismos envolvidos no surto atual. “Nesse momento, estamos buscando amostras de genoma do vírus da febre amarela oriundas de diferentes hospedeiros – incluindo seres humanos, macacos e mosquitos – e de diversificadas origens geográficas – especialmente no Sudeste do Brasil, onde a epidemia tem sido mais intensa – para compreender melhor esse fenômeno”, informa Ricardo.
Sobre um possível impacto para a vacina disponível, os pesquisadores explicam que o imunizante adotado atualmente protege contra genótipos diferentes do vírus, incluindo o sul americano e o africano. Além disso, as alterações detectadas no estudo não afetam as proteínas do envelope do vírus, que são centrais para o funcionamento da vacina. Eles ressaltam que as sequências genéticas completas dos vírus analisados no estudo já foram publicadas no GenBank, de modo a estarem disponíveis para comparações que possam ser realizadas por outros cientistas do Brasil e do mundo.
Fonte: IOC/Fiocruz
Foto: Gutemberg Brito (IOC/Fiocruz)
Centro de Estudos vai abordar legalidade dos processos de P&D que fazem uso da biodiversidade brasileira
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) oferece na próxima sexta-feira 19/5, a partir de 9h, no Salão Canoas, auditório da Instituição, a palestra “Nova legislação de acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado e seu impacto nas pesquisas”, que será ministrada pela assessora da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e ex-integrante do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente (CGEN/MMA), Manuela da Silva.
A apresentação vai abordar a Lei da Biodiversidade e o impacto da regulamentação da legislação na pesquisa, e no desenvolvimento tecnológico. Na oportunidade, a palestrante vai falar também sobre o Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen).
Segundo Manuela, desde 2015 existe uma nova legislação de acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado e repartição de benefícios, que trouxe mudanças importantes em relação à legislação anterior (MP 2.186/2001). “Há consideráveis avanços, no entanto temos uma situação complexa que é a indisponibilização até o momento, do sistema eletrônico (SisGen) para cadastro e notificação. Outro aspecto importante é o fato de termos apenas 1 ano, a partir da disponibilização do SisGen, para a regularização de todos os projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico”, explicou.
Serão debatidos temas relacionados ao uso da biodiversidade brasileira, acesso ao patrimônio genético, conhecimento tradicional associado e repartição de benefícios, além de esclarecimentos a respeito das medidas adotadas por instituições públicas e privadas para a implementação da Lei da Biodiversidade. O evento é voltado para membros da comunidade científica regional, entidades de apoio produtivo, interessados ou envolvidos diretamente com os assuntos em pauta.
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.
SOBRE A PALESTRANTE
Manuela da Silva é assessora da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Científicas, coordenando as Coleções Biológicas da Fiocruz. É professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária (INCQS/FIOCRUZ) desde 2003. Coordena a área de Coleções de Culturas da Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM) e é membro do diretório executivo da World Federation of Culture Collection (WFCC).
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Edimilson Bibiani, ILMD/Fiocruz Amazônia
Livros sobre educação, políticas e cuidado em saúde serão lançados na Fiocruz Amazônia
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaNa próxima sexta-feira (12), às 16h, será realizado no Salão Canoas, do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), o lançamento dos livros da Editora Rede Unida: Educação e Práticas de Saúde na Amazônia: Tecendo Redes de Cuidado e Políticas e Cuidados em Saúde – Livros 1 e Livro 2, que reúnem discussões sobre a educação e as práticas de cuidado em saúde realizados nos diferentes Estados do País, tomando como eixo as formas de organizar essas práticas no Sistema Único de Saúde (SUS).
O livro Educação e Práticas de Saúde na Amazônia: tecendo redes de cuidado traz textos frutos de diferentes atividades acadêmicas: Trabalho Conclusão de Curso de especialização e residência; dissertações de Mestrado e teses de Doutorado. Os trabalhos foram desenvolvidos em várias instituições e Programas de Pós-Graduação, mostrando o potencial de produção na região amazônica.
“Os estudos e pesquisas na região na área da saúde coletiva e políticas públicas de saúde tem crescido devido ao aumento de grupos de pesquisa, às redes de cooperação com outras instituições e pesquisadores e ao reforço do financiamento através das Fundações de Amparo à Pesquisa e das iniciativas do governo federal para fomentar desenvolvimento da ciência nas regiões Norte e Nordeste do país”, destaca Júlio Cesar Schweickardt, um dos organizadores do livro.
Os dois volumes do livro Políticas e cuidados em saúde – Avaliação compartilhada do cuidado em saúde Surpreendendo o instituído nas redes nasceram da escrita de centenas de pessoas que compuseram o corpo de pesquisadores pelas várias regiões do Brasil, que compartilharam da aposta de produção de conhecimento com a ideia de avaliar a produção do cuidado em saúde. “Era necessário viabilizar a participação de todos os sujeitos trabalhadores e cidadãos, que compunham os cenários de produção das práticas de saúde. Constituímos coletivos e formamos grupos de investigação nas regiões: Norte, Nordeste, Sudeste e Sul”, explica Emerson Elias Merhy, coordenador nacional da pesquisa e um dos organizadores dos livros.
Durante o lançamento será realizada uma mesa redonda com organizadores e autores para falar sobre obras na área da Saúde Coletiva, Política, Educação e Ensino da Saúde.
SOBRE A EDITORA
As obras na área da Saúde Coletiva, Educação e Ensino da Saúde estão disponíveis para download gratuito, tendo atualmente no acervo o total de 68 títulos e mais oito que serão lançados em 2017. Vinculada à Associação Brasileira da Rede Unida, a Editora Rede Unida ultrapassou no mês de março de 2017 a marca de 55 mil acessos de exemplares em seu acervo digital.
De acordo com o Coordenador da Editora, Alcindo Ferla, o processo editorial inclui a avaliação entre pares dos manuscritos submetidos e das coletâneas publicadas pela Editora. “A avaliação de pares e do mérito científico, acadêmico e de relevância social das publicações são critérios que a comissão da Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] atribui para a classificação das editoras dos livros”, explicou Ferla.
A Editora Rede Unida foi criada em agosto de 2013 e possui vários títulos de áreas sobre saúde, educação, arte popular, cultura, poesia, Amazônia, economia, entre outros. As publicações são resultado de parcerias com instituições, grupos, pesquisadores e autores que visam compartilhar produções em rede.
Os livros, disponíveis no acervo digital da Editora Rede Unida, estão em três formatos: PDF, ePub e Flash. O acervo digital pode ser acessado pelo endereço eletrônico http://www.redeunida.org.br/editora/biblioteca-digital.
A Fiocruz Amazônia está localizada na Rua Teresina, 476. Adrianópolis.
LAHPSA, por Mirineia Nascimento