COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Fiocruz Amazônia recebe diretoria da ENSP em Manaus para ampliação da cooperação entre as unidades
/em Notícias /por Carlos GomesA Diretora do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia), Stefanie Lopes, juntamente com os Vice-Diretores de Pesquisa e Inovação, Michele El Kadri; Educação, Informação e Comunicação, Cláudio Peixoto; e de Gestão e Desenvolvimento Institucional, Aldemir Maquiné, receberam, em Manaus, a diretoria da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP): o Diretor Marco Antônio Carneiro Menezes; a Vice-Diretora de Pesquisa e Inovação (VDPI/ENSP), Andrea Sobral; o Vice-Diretor de Ensino (VDE/ENSP), Gideon Borges.
A atividade faz parte de uma agenda de visitas da ENSP junto às Unidades da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em Manaus, o encontro teve como foco principal a pesquisa, projetos que possuam relação com a agenda clima, saúde e ambiente, formação na área do ensino e vigilância em saúde na região amazônica, especialmente no contexto da Amazônia Legal. Pesquisadores da ENSP frequentemente participam de atividades conjuntas com o ILMD/Fiocruz Amazônia em pesquisas sobre populações ribeirinhas, indígenas e estudos sobre a saúde da família e atenção primária em áreas remotas.
Michele El Kadri, Vice-Diretora de Pesquisa e Inovação, destacou a importância da cooperação entre a Fiocruz Amazônia e a ENSP. “Historicamente o ILMD já possui uma cooperação importante com a ENSP, que foi uma das unidades da Fiocruz, importantes para nossa criação, e até hoje mantemos parcerias, em especial com pesquisadores visitantes sêniores. Essa visita é importante, pois permite ampliar a integração entre as unidades, reunindo expertises, considerando o nosso território e o fato de estarmos na Amazônia, um grande laboratório vivo, além de fortalecer áreas que ainda precisamos desenvolver, como monitoria e avaliação de programas e saúde indígena em que a ENSP já possui forte atuação”, explica.
Na oportunidade, a equipe da ENSP visitou ainda a Unidade de Saúde da Família (USF) Parque das Tribos, que compõe a Rede de Atenção Primária à Saúde da Prefeitura de Manaus. Com uma área de 1,2 mil metros de área construída, a USF tem capacidade para realizar 24 mil procedimentos por mês. O prédio também conta com dois pisos e 54 ambientes equipados para atendimentos básicos à saúde.
A USF oferece consultas médicas em clínica geral, odontologia, exames laboratoriais, ultrassonografia, preventivo, teste do pezinho, testes rápidos para sífilis, HIV e hepatites virais, dentre outros serviços. Ao todo, oito equipes profissionais são responsáveis pela assistência da população.
Durante a visita, Marco Menezes, falou da satisfação de prosseguir com as parcerias entre as Unidades, e destacou a importância da visita ao Parque das Tribos, junto aos territórios. “Estamos fazendo essa visita, para darmos continuidade a uma parceria de muitos anos entre a ENSP e o ILMD. Parceria essa que já rendeu bons frutos, na formação, e no desenvolvimento de pesquisas territorializadas. Tem sido muito importante para nós da ENSP, fortalecer essa parceria, que é muito importante passo para ampliar essa capilaridade, onde nós da Escola podemos estar junto, construindo junto aos territórios”, pontua.
A delegação, formada pelos gestores da ENSP e da Fiocruz Amazônia visitou ainda o Centro Cultural do Parque das Tribos, representado por uma grande maloca (oca), local de reuniões e rituais que fortalecem a identidade multiétnica (Kokama, Witoto, Mura, Sateré-Mawé, etc.). A Fiocruz Amazônia atuou no Parque das Tribos, primeiro bairro indígena de Manaus (zona Oeste), por meio do “Projeto Manaós”, focado na saúde indígena urbana. A instituição mapeou o perfil de saúde das 35 etnias locais, promovendo ações de atenção básica, proteção social e valorização dos sistemas tradicionais indígenas de saúde.
A Vice-Diretora de Pesquisa e Inovação da ENSP, Andrea Sobral, destacou a importância da cooperação entre as Unidades. “Estamos em um processo de estabelecimento de redes e parcerias com algumas das nossas regionais, e o ILMD é uma unidade muito importante para a gente, principalmente na perspectiva do trabalho com saúde e ambiente. Buscamos identificar afinidades, tanto na perspectiva da nossa contribuição, quanto das expertises encontradas no próprio ILMD”.
Gideon Borges, Vice-Diretor de Ensino da ENSP, esclareceu que neste momento, a estratégia é verificar pontos em comum, tanto na área da pesquisa como na formação, focadas na relação clima e saúde. “Estamos visitando a unidade e avaliando a possibilidade de desenvolvermos a projetos em comum. Essa agenda tem sido realizada em outras unidades do país e, e aqui em Manaus, assume uma característica específica ao discutir a relação entre clima e saúde. Uma temática, que é um ponto em comum entre as duas unidades. Também visitamos uma Unidade de Saúde, o que é bastante interessante, por ser uma USF, que atende majoritariamente, populações indígenas, bem diferente da realidade do Rio de Janeiro”, disse.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes.
Fotos: Eduardo Gomes
Fiocruz Amazônia produz livro didático sobre vigilância e monitoramento da exposição mercurial em populações indígenas
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) finalizou a produção do livro“Mercúrio na Amazônia – Aspectos Introdutórios sobre Vigilância e Monitoramento em Populações Indígenas Expostas e Potencialmente Expostas”. A obra é resultado do Acordo de Cooperação Técnica celebrado entre Ministério Público do Trabalho, Procuradoria Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ), Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec) e foi utilizada como material didático do Curso de Capacitação Profissional em Vigilância e Monitoramento da Exposição Mercurial em Populações Indígenas, oferecido pela Fiocruz Amazônia, com a finalidade de instrumentalizar trabalhadores da saúde atuantes na Atenção Primária à Saúde (APS) nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Porto Velho e Vilhena, responsáveis por cuidados em saúde e socioambientais junto a indígenas dos estados do Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, historicamente atingidos pela contaminação mercurial.
O livro é de autoria do pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia Jesem Orellana, com coautoria da pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas, Lihsieh Marrero, e do supervisor do Centro de Formação do Museu das Culturas Indígenas de São Paulo, Aly David Arturo Yamall Orellana.
Na apresentação da obra, o autor explica que o livro se propõe a discutir alguns aspectos introdutórios sobre a vigilância do mercúrio em terras indígenas na Amazônia, destacando que a poluição ambiental por contaminantes químicos se constitui, cada vez mais, como uma séria ameaça à saúde humana. “O mercúrio, em particular, está entre os três contaminantes mais importantes, sendo que a maior fonte de exposição na Amazônia a esse metal é o garimpo de ouro. Há mais de 50 anos, diferentes gerações de amazônidas têm testemunhado e sido fortemente impactadas pela extração predatória do ouro na região, especialmente ribeirinhos e povos indígenas”, relata.
De acordo com o pesquisador, nas últimas três décadas, as estratégias e maquinário usado para a extração ilegal de ouro têm amplificado os danos ambientais, especialmente em solos e corpos d ́água o que, consequentemente, agrava ainda mais a exposição de populações reconhecidamente vulneráveis aos efeitos negativos da poluição ambiental. “Exposições em quantidades acima do tolerável, segundo critérios da Organização Mundial da Saúde, podem resultar em danos aos sistemas nervoso central e periférico, renal, cardiovascular, digestivo, pulmonar, imunológico, endócrino e, até mesmo, à morte”, alerta. Estudos sugerem que a exposição pré-natal ao metilmercúrio pode estar relacionada com atrasos cognitivos, quadros de retardo mental leve e até mesmo danos na audição e visão, após o nascimento.
Com 68 páginas, o livro está dividido em cinco capítulos/seções: “Introdução à toxicologia do mercúrio e aspectos históricos”; “Ciclo do mercúrio no ambiente e atividades antrópicas”; “Exposição aguda e crônica ao mercúrio na Amazônia”; “Principais ameaças e riscos do mercúrio à saúde humana”, e “Desafios da vigilância do mercúrio em indígenas da Amazônia”. Jesem observa que o preocupante cenário põe em evidência a importância não apenas de monitorar os efeitos da contaminação mercurial em indivíduos expostos ou potencialmente expostos, como também de prevenir ou manejar da melhor maneira possível a exposição humana ao mercúrio, em particular no segmento materno-infantil indígena. “De um lado, pouco se sabe sobre o assunto e, de outro, permanecem substanciais desafios na atenção qualificada à saúde, o que inclui a formação profissional focada na contaminação/exposição ao mercúrio”, enfatiza. Segundo Orellana, a produção do livro esteve articulada ao planejamento e oferta de um curso de capacitação profissional, alinhado às prioridades do Ministério da Saúde, contribuindo à exploração do tema na região.
CURSOS NOS DSEIs
Entre os últimos dias 17 e 25 de março, sob coordenação de Orellana, com o apoio da UEA, e dos docentes da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Cristiano Lucas de Menezes Alves e Maurício Viana Gomes de Oliveira, bem como o apoio direto de técnicos designados pelos DSEIs Porto Velho e Vilhena, foi conduzido um curso de capacitação profissional nos municípios de Cacoal (RO) e Humaitá (AM) sobre os riscos associados à exposição mercurial, estratégias de vigilância, monitoramento e mitigação dos dados nas populações potencialmente expostas e expostas a contaminação mercurial. O curso, com duração de 20 horas, foi preparado para trabalhadores de saúde atuantes na APS dos dois DSEIs.
“Foi uma experiência que utilizou estratégias de ensino e aprendizagem, centradas em metodologias participativas, que potencializam a fixação de novos conhecimentos, a partir da articulação com os saberes e vivências dos profissionais participantes,” Destaca Lihsieh Marrero. Para Orellana, a pauta da exposição mercurial em populações indígenas ainda é pouco valorizada ou inexistente no processo formativo de trabalhadores de saúde, não apenas na região Amazônica, mas no Brasil como um todo. “O uso indiscriminado do mercúrio existe, há pelo menos 40 anos, em garimpos ilegais, acarreta não apenas a destruição e contaminação dos nossos solos e águas, como também gera uma variedade de efeitos negativos à saúde humana, deixando populações historicamente vulneráveis como os indígenas da Amazônia Legal, em risco ou ameaça ainda maior”, enfatizou Jesem.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Pesquisador da Fiocruz Amazônia integra a Lista de Consultores de Controle de Tabaco da OPAS/OMS
/em Notícias /por Julio OliveiraO pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Lucas Manoel da Silva Cabral, foi selecionado para compor a Lista de Consultores de Controle de Tabaco da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), vinculado à Rede de Centros Colaboradores da OPAS/OMS. Pelos próximos dois anos, Lucas integrará o banco de especialistas de referência para o tema no Brasil e na América Latina.
A lista foi criada para apoiar a implementação de atividades regionais de controle do tabaco em todos os países da América Latina e do Caribe. Doutor e mestre em Saúde Coletiva, com ênfase em Política, Planejamento e Administração, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Lucas já atuou como consultor em políticas públicas em controle do tabaco no SUS, junto à Divisão de Controle do Tabagismo (DITAB), do Instituto Nacional do Câncer (INCA).
O pesquisador integra há oito meses o Laboratório de História e Políticas Públicas de Saúde na Amazônia (Lahpsa), do ILMD/Fiocruz Amazônia, e possui formação complementar internacional nas áreas de monitoramento da indústria do tabaco, desenvolvimento de lideranças e tributação de produtos relacionados ao tabagismo, tendo participado de cursos oferecidos por instituições de referência no tema. Atualmente, Lucas coordena o projeto de pesquisa “Integration and Innovation in Tobacco Control”, financiado pela organização internacional Vital Strategies.
Para Lucas, a oportunidade de contribuir junto à Rede de Centros Colaboradores representa a possibilidade de introduzir a Fiocruz Amazônia na discussão acerca do controle do tabagismo em cenário nacional e internacional. “O aumento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes no Brasil, evidenciado por dados recentes da IBGE, acende um alerta importante para a saúde pública. Estar nessa rede nos permite contribuir ativamente com evidências e estratégias para enfrentar esse desafio de forma qualificada, tanto no cenário nacional quanto regional”, destacou.
A vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Michele Rocha El Kadri, ressaltou que a indicação representa um reconhecimento relevante para a trajetória do pesquisador . “Trata-se de um reconhecimento importante que fortalece a visibilidade institucional e reafirma a excelência técnica do nosso ILMD/Fiocruz Amazônia”, enfatizou El Kadri.
Além de sua atuação na Fiocruz Amazônia, Lucas participa de iniciativas nacionais como a Secretaria Técnica da Rede Brasileira de Escolas de Saúde Pública (STE RedEscola) e o Grupo de Pesquisa Atenção Primária à Saúde (APS) em Territórios Rurais Remotos (Fiocruz).
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Michell Mello / Fiocruz Amazônia Revista
Fiocruz Amazônia realiza formação de candidatos ao processo seletivo dos bolsistas de pesquisa do Projeto Diagnóstico Situacional das UBS Fluviais na Amazônia Ocidental
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) deu início nesta segunda-feira, 23/03, a uma formação voltada aos 28 candidatos selecionados para a etapa final e classificatória do processo seletivo para escolha dos bolsistas de pesquisa que atuarão na Fase 2 do Projeto Diagnóstico Situacional das Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF), desenvolvido pela Fiocruz Amazônia em parceria com o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Nacional de Atenção Primária à Saúde. A formação integra a programação da qualificação de pesquisadores e assistentes de campo que farão parte das equipes, etapa que precede o início das expedições do projeto cuja finalidade é avaliar as condições de funcionamento das UBSF nos estados do Amazonas, Pará e Amapá. No total, o processo seletivo teve 353 inscritos.
As expedições estão previstas para iniciar dia 13/04. De acordo com o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias, coordenador do projeto, o objetivo do processo seletivo é identificar, selecionar e qualificar pessoas com o perfil técnico e ético de interesse da pesquisa adequado para contribuir de forma consistente com a produção de conhecimento científico orientado ao desenvolvimento da Atenção Básica do SUS na Amazônia. “As expedições têm um caráter fundamental para a pesquisa, tendo em vista que fazem parte do processo de coleta das informações referentes ao funcionamento efetivo das UBSF, que devem estar em consonância com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e portarias correlatas às UBS Fluviais”, explica Tobias. Dos 28 participantes da formação, 15 serão selecionados para ocupar as vagas.
Segundo o pesquisador, a partir do diagnóstico, o MS poderá subsidiar ações como reativação de embarcações, ampliação da oferta do serviço e qualificação das equipes de Saúde da Família que atuam nessas unidades. Para esta fase da pesquisa estão previstos mais 43 municípios. O cronograma de viagens poderá sofrer alterações mediante deliberação da coordenação do projeto. Cada equipe de campo será composta por quatro profissionais, sendo dois pesquisadores, um(a) assistente de pesquisa e um(a) engenheiro(a) naval.
Os candidatos(as) às vagas de pesquisador(a) devem ter graduação completa na área de Saúde ou Ciências Humanas, com no mínimo dois anos de experiência efetiva na área específica/objeto do projeto, além de experiência prévia em pesquisa de campo, coleta de dados qualitativos e quantitativos, conhecimento da Política Nacional de Atenção Básica e portarias relativas às UBSF, habilidade de entrevistas com gestores, profissionais e usuários, disponibilidade para viagens a trabalho. Para a vaga de assistente de pesquisa, o candidato deve possuir nível médio completo e experiência com o Processo Seletivo, experiência com organização logística, controle de dados e apoio à equipe de campo.
O projeto visa promover a melhoria da qualidade da assistência básica à saúde, para as populações do campo, floresta e das águas. As UBSF são equipamentos efetivos de assistência e cuidado com a saúde de populações ribeirinhas. A pesquisa é realizada pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (Lahpsa), com apoio do Laboratório de Situação de Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros grupos vulneráveis (Sagespi), ambos da Fiocruz Amazônia, tendo como parceiros institucionais a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amzonas (Cosems-AM). A pesquisa é viabilizada por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED), firmado com o Ministério da Saúde, através da Secretaria de Atenção Primária à Saúde, e visa o fortalecimento das políticas de Saúde Integral das Populações do Campo, das Florestas e das Águas e da estratégia de Atenção Primária à Saúde Fluvial no Brasil.
Ao todo, o projeto do diagnóstico terá dois anos de duração. Na fase 2, que se inicia agora, as expedições que irão avaliar as condições de funcionamento de 43 UBSFs nos estados do Amazonas, Pará e Amapá. No Amazonas, as expedições foram divididas em três rotas: Amazonas I (calhas do Purus/Juruá), Amazonas II (Baixo Solimões/Amazonas) e Amazonas III (Médio Solimões e Madeira). No eixo Pará e Baixo Amazonas, as equipes se dividirão nos polos Santarém (Baixo Amazonas/Tapajós) e Pará (Marajó, Tocantins e Xingu). O trabalho de formação das equipes está sendo acompanhado por representantes da Coordenadoria de Acesso e Equidade da Coordenação Geral de Saúde da Família e Comunidade da SAPS.
A assessora técnica da Coordenadoria de Acesso à Equidade da SAPS, Cibele Lima dos Santos, ressalta que a Política Nacional de Atenção Básica reconhece a singularidade dos territórios amazônicos e a importância das UBS fluviais como equipamentos que garantem o acesso, levando serviços de saúde diretamente a populações ribeirinhas, provendo atendimento médico, ambulatorial, odontológico, saúde da mulher, exames laboratoriais, vacinação e ações de educação em saúde. Além da formação, Cibele acompanhará alguns recortes das expedições.
A formação acontecerá de 23 a 27/03, dividida em: Fundamentos e Contexto; Metodologia e REDCap; Simulação de Instrumentos (Gestão e Profissionais); Usuários, Ética e Visita Técnica, e Logística e Prontidão.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Michell Mello / Especial para Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia tem startup premiada por inovação em diagnóstico rápido
/em Notícias /por Julio OliveiraA Fiocruz Amazônia ampliou sua atuação no campo da inovação em saúde com a conquista do segundo lugar no 12º Startup Day (Amazonas) pela startup BioTrace, originada de atividades de pesquisa desenvolvidas no Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). O evento ocorreu neste último sábado, 21/03, por uma iniciativa nacional do Sebrae Startups voltada ao fortalecimento do ecossistema de inovação no país.
Desenvolvida por alunos e servidores vinculados ao Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia (DCDIA), Laboratório de Ecologia de doenças transmissíveis na Amazônia (EDTA) e Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS), a BioTrace tem como base uma tecnologia patenteada pelo ILMD/Fiocruz Amazônia, em parceria com o SENAI, voltada à detecção de material genético de patógenos em amostras biológicas. O principal produto da startup é o dispositivo CEL (Colorimetric Endpoint LAMP), um equipamento portátil que realiza amplificação isotérmica e permite a leitura dos resultados por mudança de cor, dispensando infraestrutura laboratorial complexa. Essa característica torna a tecnologia especialmente adequada para regiões com acesso limitado a serviços diagnósticos, como áreas remotas da Amazônia.
A tecnologia foi desenvolvida no âmbito da Fiocruz Amazônia pelo pesquisador Felipe Gomes Naveca, com apoio do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), coordenado pelo pesquisador Luis André M. Mariúba, evidenciando o potencial de transformação do conhecimento científico em soluções aplicadas. A trajetória da BioTrace inclui a participação na incubadora InBiota (Universidade Nilton Lins) e no primeiro edital de pré-incubação vinculado à FioBiz, incubadora em estruturação na Fiocruz Amazônia, coordenada pelos analistas Analice Pereira e Carlos Henrique Carvalho, fomentada pelo Programa de Apoio à Incubadoras – Pró-Incubadoras da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e atualmente em organização, conforme as diretrizes do modelo CERNE.
Nesse processo, a startup avançou no desenvolvimento do produto e na estruturação do modelo de negócio, culminando na apresentação no Startup Day. “Retomamos o desenvolvimento da tecnologia com foco em diagnósticos rápidos e avançamos ao longo do processo de pré-incubação na Fiobiz e na Inbiota, o que nos permitiu apresentar uma solução mais estruturada no evento”, afirma a CEO da BioTrace, Maria Gabriella Santos de Vasconcelos, discente de Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação), da Fiocruz Amazônia. Como reconhecimento, a representante da startup participará do Startup Summit 2026, um dos principais eventos de inovação da América Latina, que ocorrerá em agosto em Florianópolis – SC.
DOENÇAS-ALVO
A tecnologia será aplicada inicialmente ao diagnóstico da esporotricose no Amazonas, doença que vem se consolidando como um problema endêmico no Estado. Dados recentes do Amazonas indicam cerca de 2 mil casos humanos confirmados e mais de 4.900 casos em animais, com forte concentração em Manaus e expansão para outros municípios. A doença apresenta transmissão zoonótica e impacto relevante na saúde pública, incluindo risco ocupacional, abandono de animais e sobrecarga dos serviços. Nesse contexto, o dispositivo CEL pode reduzir o tempo de diagnóstico e apoiar respostas mais rápidas e eficientes por parte dos serviços de saúde.
Além da esporotricose, a tecnologia foi padronizada para outros agravos relevantes na região, como malária, tuberculose, mayaro e oropouche. O modelo é estruturado como uma plataforma escalável, que integra equipamento, kits diagnósticos, protocolos e treinamento, com potencial de inserção em diferentes níveis do sistema de saúde.
Para a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, o reconhecimento da BioTrace evidencia o amadurecimento institucional na área de inovação. “A trajetória da BioTrace também reflete o esforço da Fiocruz Amazônia em estimular jovens pesquisadores a pensar o empreendedorismo científico como caminho para transformar conhecimento em soluções aplicadas à saúde pública. Entendemos como fundamental ampliar a inserção da instituição acadêmica no ecossistema de inovação, especialmente na área da saúde, considerando o potencial do ambiente local no Amazonas, que reúne iniciativas de fomento, investimentos e oportunidades associadas, por exemplo, à Zona Franca de Manaus”, destacou.
Luis André M. Mariúba destaca que a conquista da BioTrace, em uma competição com startups do Amazonas, reforça o potencial da região como polo de inovação. “Essa é a primeira iniciativa do instituto voltada à transformação de uma tecnologia própria em uma startup com coordenação pelo Núcleo de Inovação Tecnológica, contando com a participação de alunos do Programa de Vocação Científica (Provoc), da Iniciação Científica e do Doutorado, tanto da área administrativa quanto biológica”, afirma, acrescentando que o desenvolvimento do equipamento levou cerca de três anos de pesquisa, desde a concepção até o protótipo.
“Seguimos avançando na validação da tecnologia para aplicação prática. A premiação, além do reconhecimento, nos garante a participação no SUMMIT 2026, ampliando a visibilidade da tecnologia e as oportunidades de parceria”, salientou o pesquisador. Além de Gabriella, compõem a equipe Fausto Ramos (PIBIC-ILMD), Raquel Stefanni Silva (PIBIC-ILMD), Victor Calebe (PPGBIO-Interação), Débora Soares (PIBIC-ILMD), Maria Chrysfane (PROVOC-ILMD).
DEMO DAY FIOBIZ
No dia 17 de março, a FioBiz promoveu o Demo Day 2025, etapa final do processo de pré-incubação, no qual cinco startups — Eterna, BioTrace, Mov Health, Startgo e Simetry.AI— apresentaram seus produtos mínimos viáveis (MVPs) e modelos de negócio a uma banca avaliadora. A iniciativa integra os esforços da Fiocruz Amazônia para consolidar um ambiente estruturado de inovação em saúde, voltado ao desenvolvimento de soluções tecnológicas alinhadas às demandas da região.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia aborda desafios da pesquisa e dos programas de pós-graduação diante das mudanças climáticas na abertura do ano letivo
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) abriu o ano letivo 2026 lançando o desafio de reflexão sobre as diferentes formas de conexão entre saúde e ambiente na Amazônia, neste que é o maior laboratório vivo do mundo, a floresta amazônica. A discussão foi a tônica da palestra da pesquisadora sênior da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), Sandra Hacon, que proferiu a aula inaugural da instituição, no último dia 5/03, para uma plateia formada por novos alunos ingressantes e veteranos dos programas de pós-graduação, além de docentes e coordenadores, abrindo oficialmente o ano letivo. Cientista com formação em Biologia e atuação na área de avaliação de riscos à saúde humana, ecotoxicologia e avaliação de impactos à saúde das mudanças climáticas e grandes empreendimentos, Sandra há 25 anos se dedica ao estudo da conectividade entre saúde e ambiente.
Segundo Hacon, a política de adaptação do Sistema Único de Saúde brasileiro às mudanças climáticas à Saúde (AdaptaSUS), lançada durante a COP 30, em Belém, é um avanço importante. “A Amazônia possui vulnerabilidades e é preciso que os cursos de pós-graduação fomentem essa discussão e passem a atuar de forma integrada as questões ligadas à saúde e às mudanças climáticas”, afirmou, lembrando que o assunto vem sendo objeto de discussão desde a primeira reunião da ONU sobre o clima em 1972, quando propuseram o congelamento do desenvolvimento tecnológico por conta dos impactos ambientais que ele produz, mas não houve acordo. “É preciso reconhecer que a questão da saúde ficou adormecida. De lá pra cá, ocorreram mutas discussões e foram produzidos relatórios fantásticos, mas somente a partir de 2007, o tema passou a ser incorporado ao debate”, lembrou.
A mesa de abertura da Aula Inaugural contou com a presença da diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, do diretor técnico-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Hedinaldo Narciso Lima (na oportunidade, representando a diretora-presidente da instituição, Márcia Perales), do vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz Amazônia, Claudio Peixoto e da representante da Associação dos Pós-Graduandos da Fiocruz Amazônia, Ellen Sabrina dos Reis Martins. A solenidade foi prestigiada também pelas presenças do diretor da ENSP/Fiocruz, Marco Antônio Carneiro Menezes, acompanhado do vice-diretor de Educação, Gideon Borges dos Santos, e a coordenadora de Pesquisa do Departamento de Endemias Samuel Pessoa, Andrea Sobral de Almeida. Os alunos receberam as boas vindas também da vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Cruz, e da pesquisadora da ENSP, Enirtes Melo.
A diretora Stefanie Lopes fez a saudação aos alunos lembrando a importância da pós-graduação para a vida de cada um deles. “A pós-graduação é um período desafiador e uma das fases mais enriquecedoras da vida acadêmica e neste processo a troca intelectual permite o avanço do conhecimento e seu impacto real na sociedade. Assim, a cada ano letivo, renovamos o compromisso com o debate, com as pesquisas inovadoras e o espírito colaborativo que fazem dessa experiência única e inovadora”, afirmou. A diretora destacou também a relevância do papel e do ingresso das mulheres nesse mundo acadêmico como forma de trazer mais evidência e força para o combate à violência contra as mulheres. “Precisamos empoderar mulheres nos espaços e, neste mês de março, tão simbólico, a agenda é de todos”, ressaltou.
Stefanie sublinhou também a contribuição fundamental das instituições parceiras, a exemplo da Fapeam e da ENSP Fiocruz. “A ENSP foi essencial para essa casa formar doutores e para o processo de amadurecimento dos programas de pós-graduação que oferecemos, formando quadros. Hoje, temos pernas próprias, mas nunca estamos sozinhos. As parcerias são necessárias para superar os desafios colocados no dia a dia. Como resultado, temos o PPGVIDA e o PPGBIO-Interação há dez anos titulando, cada vez mais fortalecidos com o apoio da Fapeam, que é parceira dos estudantes e da instituição, nos apoiando desde a Iniciação Cientifica até os pesquisadores visitantes sênior. Importante que vocês estejam prontos para o cenário da pesquisa do amanhã, para os processos educacionais que precisamos continuar e o desafio de repensar as estruturas das ciências. A ciência e o Mundo se movem cada vez mais rápidos, sejam questionadores. Bom início de ano letivo a todos”, finalizou.
Hedinaldo Lima enfatizou que é motivo de orgulho para a Fapeam apoiar os programas de pós-graduação, por meio da concessão de bolsas de estudos, e poder contribuir para os excelentes resultados nas avaliações. “Percebemos esse avanço e, para a Fapeam, isso é motivo de alegria, fruto do investimento e do trabalho, não apenas uma questão do avanço no conceito, mas um avanço com soluções de problemas por meio das teses e dissertações. Estamos com diversos editais de pesquisa abertos e aguardamos mais concorrentes. Desejamos a todos aqueles que estão vindo e chegando ao Mestrado e Doutorado da Fiocruz Amazônia que estabeleçam bons desafios nos seus trabalhos de pesquisa e que consigam resultados que sejam revertidos em soluções para problemáticas do Amazonas e do País”, salientou.
Claudio Peixoto frisou que Pesquisa, Educação e Comunicação em saúde são os pilares da Fiocruz que propiciam o desenvolvimento de ideias para melhoria das condições de vida e situações de saúde na Amazônia. “Nosso trabalho possui um impacto social muito grande dentro da formação superior em saúde na Amazônia e é um prazer recebê-los para essa jornada nesta casa”, finalizou.
DESAFIO FUTURO
Durante a Aula Inaugural, Sandra Hacon enumerou desafios futuros que podem servir como norteadores para projetos de pesquisa na Amazônia. “A nova abordagem é pensar e agir de forma transdisciplinar, buscando integrar os determinantes sociais de saúde aos impactos da crise climática. Qualidade da água, incêndios florestais, arboviroses, insegurança alimentar são grandes desafios para nós”, observou, lembrando cada vez mais as políticas públicas exigem evidências científicas para embasá-las. “A abordagem ecossistêmica está passando por essa transição, com ênfase nos determinantes sociais da saúde, nas diferentes dimensões. Populações tradicionais, ribeirinhos, quilombolas. A saúde planetária depende desse olhar diferenciado”, mencionou.
A abordagem ecossistêmica é uma estratégia de gestão integrada da terra, água e recursos vivos que promove a conservação e o uso sustentável de forma equitativa. Ela reconhece os seres humanos como componentes essenciais, equilibrando saúde humana, ecológica e econômica, focando nas interações entre organismos e ambiente, e não apenas em espécies isoladas.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia
Divulgado o resultado das inscrições para o processo seletivo do curso de Mestrado Profissional em Saúde
/em Notícias /por Carlos GomesO Mestrado Profissional em Saúde da Família – ProfSaúde divulgou o resultado das inscrições para o processo seletivo de candidatos(as). No total, 600 vagas serão distribuídas em 45 Instituições de Ensino Superior (IES) de todas as regiões do país, com carga horária de 975 horas e duração prevista entre 18 e 24 meses.
Confira aqui o Resultado das inscrições.
O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia) vai ofertar 12 vagas, sendo oito para médicos do Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB), e quatro vagas para profissionais com diploma de graduação reconhecido pelo MEC, em áreas relacionadas diretamente à saúde, com reserva para ações afirmativas.
A seleção é destinada a profissionais com diploma de graduação reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) em áreas relacionadas diretamente à saúde, definidas pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) pela Resolução n° 287/1998. São elas: bacharelado em educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia; fonoaudiologia, nutrição, odontologia, psicologia, saúde coletiva, serviço social, terapia ocupacional e medicina.
A ação possui foco na formação de profissionais, professores e preceptores para a área de Saúde da Família. O curso é destinado especialmente àqueles profissionais ligados à Atenção Primária à Saúde (APS) no Sistema Único de Saúde (SUS).
A seleção se dará em três etapas: prova de conhecimentos, análise do Currículo Lattes e entrevista. Mais informações sobre os documentos obrigatórios, cronograma e outras, confira a chamada pública.
COMO FAZER A INSCRIÇÃO:
Acesse a plataforma SIGA: www.sigass.fiocruz.br > Link inscrição > Saúde da Família – PROFSAÚDE. No campo “Área de Concentração”, informe o polo da Fiocruz Amazônia. Preencha o formulário de inscrição on-line na plataforma, envie os documentos obrigatórios para o e-mail: profsaude.ilmd@fiocruz.br – Escreva o título do e-mail da seguinte forma: INSCRIÇÃO – PROFSAÚDE 2025 – SEU NOME.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Rede Vigifeminicídio disponibiliza manual que sistematiza e padroniza processo de captura de dados sobre assassinatos de mulheres
/em Notícias /por Carlos GomesA Fiocruz Amazônia passa a disponibilizar de forma gratuita o acesso à versão digital do Manual de Uso do Vigifeminicídio – Padronizando e Sistematizando a Captura e o Armazenamento Inteligente de Dados sobre Assassinatos Femininos. Para acessar, basta fazer o download da publicação. O Manual é a referência da estratégia de atuação da Rede de Observatórios de Vigilância Digital e Prevenção ao Feminicídio, coordenada pelo epidemiologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana. Com 150 páginas, a publicação tem por finalidade sistematizar e padronizar o processo de captura, coleta e armazenamento de dados, garantindo transparência, consistência e reprodutibilidade ao processo de coleta de dados sobre assassinatos femininos da estratégia Vigifeminicídio.
De acordo com Jesem Orellana, o Manual foi desenvolvido por trabalhadores de saúde (não necessariamente profissionais de saúde), com nível superior, que atuam na produção ou aperfeiçoamento de estatísticas vitais, em particular de dados de mortalidade associados a eventos violentos, tal como os assassinatos femininos. “O Manual é fruto de aproximadamente três anos de compilação de dados, com consulta e extração criteriosa de dados, a partir de milhares de reportagens, dados oficiais de mortalidade, bem como da segurança pública e judiciário”, explica Orellana, destacando que, assim como o Manual, a Rede Vigifeminicidio, também disponibilizou à sociedade o acesso ao Sistema FemiBOT, ferramenta digital que permite ao usuário comum (qualquer pessoa com acesso a internet) acessar diretamente dados qualificados e atuais acerca de assassinatos femininos. O FemiBOT, na realidade, é um sistema mais abrangente, com sete módulos. No entanto, esse acesso mais amplo é de acesso exclusivo da equipe responsável pelo gerenciamento dos dados.
A criação do sistema foi anunciada durante a realização do 1º Seminário Amazônico sobre Vigilância Inteligente do Feminicídio, promovido no dia 6/03, na sede da Fiocruz Amazônia, em Manaus, envolvendo as quatro capitais da Amazônia ocidental (Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista e Manaus) e uma frente carioca que monitora os assassinatos femininos no Rio de Janeiro, além de autoridades e especialistas no tema da violência contra a mulher de todo o País.
“A Rede Vigifeminicídio é um projeto multicêntrico denominado “Monitoramento epidemiológico e espaço-temporal da mortalidade por agressão e do feminicídio: vigilância da informação e equidade de gênero”. O objetivo é desenvolver recursos computacionais, aperfeiçoar e popularizar estratégia de monitoramento epidemiológico e espaço-temporal dos feminicídios, mediante recursos da vigilância digital inteligente, visando a equidade de gênero e o fortalecimento do enfrentamento intersetorial da violência contra mulher, em linha com o histórico Decreto Nº 12.145 disseminado em 11-fev-2026 no Diário Oficial da União e que, na prática, propõe a integração entre a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) e o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra das Mulheres, Márcia Lopes”, informa o Manual, na Mensagem da Coordenação.
E continua: “Este manual resulta de uma experiência de amadurecimento metodológico iniciada em 2017, a qual passou de uma modesta estratégia de análise de assassinatos femininos, baseada em raspagem de dados manualmente na internet, inspeção visual de jornais/tabloides impressos de Manaus e integração com dados oficiais de mortalidade, anonimizados, com classificação independente por criminalistas, para um projeto que hoje cobre todas as capitais da Amazônia Ocidental (Porto Velho-RO; Rio Branco-AC; Manaus-AM; e Boa Vista-RR), alcançando cerca de metade da população de mulheres maiores de nove (9) anos desses quatro estados e usando modernos recursos computacionais à captura de dados, incluindo busca automatizada de notícias mediante motor de busca especialmente desenhado para o Vigifeminicídio, o FemiBot, por exemplo”.
Atualmente, o Vigifeminicídio conta com espaço físico próprio nas dependências do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), incluindo tablets, computadores e um servidor, exclusivamente dedicado ao armazenamento de dados sensíveis do Vigifeminicídio. Ademais, os dados de Manaus-AM e Porto Velho-RO, configuram como as mais longas (2016-2025) e abrangentes (82 variáveis sobre a vitimização letal) séries históricas de feminicídios entre as capitais brasileiras que temos conhecimento, permitindo análises inéditas e estimações com elevado potencial não apenas de contribuírem ao aperfeiçoamento de políticas públicas focadas na redução da violência contra a mulher, como também, uma interessante oportunidade de qualificação dos dados oficiais de mortalidade nas cidades/estados parceiros.
Por fim, a Coordenação esclarece que o manual de uso reúne e sintetiza, em um só documento, anos de experiência acumulada com a captura, tratamento e análise de dados sobre assassinatos femininos, com instruções detalhadas acerca da coleta/captura manual de dados na “internet” (mineração de dados), tanto da imprensa online, geográficos e de autarquias dedicadas ao problema como as secretarias de segurança pública, tribunais de justiça e órgãos de controle como o Ministério Público estadual. Há também orientações personalizadas ao processo de integração dos dados oficiais de mortalidade das secretarias estaduais de saúde ao projeto, bem como de uso e manuseio do sistema/aplicação voltada à coleta, armazenamento e processamento de dados automatizado, o FemiBot.
ILMD Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Foto: Júlio Pedrosa, ILMD Fiocruz Amazônia
Ilustração da Capa: Mackesy Nascimento, ILMD Fiocruz Amazônia