COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Monitoramento da qualidade da água em comunidades rurais do Amazonas é tema do Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia
/em Notícias /por Carlos GomesO Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia) apresenta na próxima sexta-feira, 9/5, às 10h (horário Manaus), a palestra “Educação ambiental em comunidades rurais do Estado do Amazonas: uma proposta de pesquisa-ação para o monitoramento da qualidade da água”, a ser ministrada por Luciete Almeida Silva, pesquisadora tecnóloga do ILMD/ Fiocruz Amazônia.
A palestra será moderada por Priscila Santana, assessora da Vice-Diretoria de Pesquisa e Inovação (VDPI), e será transmitida via Plataforma Zoom, através do link: https://us06web.zoom.us/j/88232891447?pwd=1vgIF8yyFRVJZ01shgghL1g0ZHBhP5.1 , ID da reunião: 882 3289 1447 e, senha de acesso: 508856.
Na oportunidade, a pesquisadora irá apresentar os resultados e metodologias aplicadas em um projeto de monitoramento, que propõe avaliar as condições de saúde e seus determinantes, através da identificação da presença de patógenos provenientes da água do rio, poço ou igarapé utilizada para o consumo, em comunidades contempladas pelo sistema Salta Z, sistema convencional para tratamento da água por meio de uma estrutura física simplificada com filtro e dosadores de características artesanais.
Segundo explica Luciete, em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), a Fiocruz Amazônia observou a necessidade de realizar ações voltadas para a população das comunidades envolvidas no estudo. “Esse projeto busca também capacitar técnicos de laboratório dos municípios de referência para avaliar potenciais fontes de infecção, através de análises microbiológicas da água coletada, antes e depois de passar pelo filtro salta Z, para certificar, se a água está própria ou impropria para o consumo, e realizar oficinas de conscientização sobre as condições socioambientais, com o intuito de propor medidas que melhorem as condições de saúde”, explica.
SOBRE A PALESTRANTE
Luciete é especialista em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas e Mestra em Patologia Tropical pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Doutora em Medicina Tropical pelo Instituto Oswaldo Cruz IOC/Fundação Oswaldo Cruz Rio de Janeiro (Fiocruz) e, pesquisadora tecnóloga do ILMD Fiocruz Amazônia.
Possui experiência na área de microbiologia clínica, com ênfase em bactérias de meio ambientes e espécimes clínicos, atuando principalmente com diagnóstico molecular e tradicional (bioquímica) de Meningite meningocócica, Leptospirose, Enterobactérias, Análise de poluentes bacterianos em águas.
SOBRE O CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia sedia curso da Escola Polítécnica de Saúde Joaquim Venâncio para formação de educadores populares de saúde
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) sedia, entre os dias 5 e 9/05, o curso de formação de educadores populares de saúde voltado para lideranças de movimentos sociais do Amazonas, Roraima e Matogrosso do Sul, como parte do Projeto de Formação de Educadores Populares de Saúde na Amazônia Legal e Pantanal Matosulgrossense, desenvolvido em parceria pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz, e a Secretaria de Atenção Primária em Saúde do Ministério da Saúde. O curso é o sétimo realizado desde o início das formações em fevereiro de 2024, de um total de oito turmas que serão formadas até o final de maio. No total, 192 educadores ficarão responsáveis pela formação de 181 turmas totalizando 3.740 agentes de educação popular em saúde nos dez estados de atuação do projeto. A formação de Manaus é a penúltima e reúne 29 educadores de 15 movimentos sociais diferentes dos estados do Amazonas e Roraima. A equipe foi recebida pela diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, que destacou a importância da oportunidade de aprendizado e troca de experiências proporcionada pelo projeto.
“Esse é um curso de formação de educadores populares de saúde, que faz parte de um projeto coordenado pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz, em parceria com a Secretaria de Atenção Primária em Saúde do Ministério da Saúde, e integra um programa maior do Ministério da Saúde, que é o Programa de Formação de Educadores e Educadoras Populares de Saúde (AgPopSUS). Nós, da Escola Politécnica de Saúde, somos responsáveis pela formação na região da Amazônia Legal e Pantanal sul-mato-grossense. Esses educadores, por sua vez, vão formar agentes de educação popular em saúde nos diversos municípios em cada um desses estados”, explica Edilene de Menezes Pereira, que coordena o curso e o projeto junto com Felipe Bagatoli, ambos da EPSJV.
Stefanie Lopes destaca que o projeto é uma iniciativa pensada e dialogada de forma participativa, desde a sua concepção. “A iniciativa está em consonância com a nossa tarefa diária de fazer junto com os movimentos, com a sociedade e não só fazer para eles, numa troca de saberes muito promissora para todos nós”, salienta. Participam do curso, na Fiocruz Amazônia, lideranças do Movimento Sem-Terra (MST), Movimento das Mulheres Camponesas, Povos de Terreiro, Movimento Indígena, Uniao de Negros e Negras pela Igualdade no Amazonas, Quilombo do Serpa (Itacoatiara-AM), Quilombo do Andirá (Barreirinha-AM), Movimento Popular da Juventude, Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), entre outros.
Edilene Pereira explica que os participantes são todos lideranças, indicados pelos movimentos sociais selecionados por meio de chamada pública realizada pela ESPJV. “Selecionamos os movimentos sociais que iriam fazer parte do projeto e esses enviaram representantes para fazer parte da formação. Até o momento já formamos aproximadamente 160 educadores”, afirma.
VIGILÂNCIA
O Curso de Formação de Agentes Populares de Saúde é a segunda etapa do processo de mobilização, articulação e formação para implementação da Vigilância Popular em Saúde no enfrentamento da COVID 19. É uma iniciativa cunhada no contexto das ações de educação popular idealizadas em vista de ampliar a capacidade de resposta a emergências sanitárias e suas consequências, em especial, em territórios com baixa infraestrutura, com populações em situação de vulnerabilidade social. No caso da pandemia de Covid-19, as consequências dessa que foi a maior crise sanitária da história recente atingiu as múltiplas dimensões da vida: econômicas, ambientais, sociais e humanas, causando impactos na saúde, principalmente, nas populações mais vulnerabilizadas e empobrecidas.
O Programa de Formação de Educadores e Educadoras Populares de Saúde (AgPopSUS) tem como missão fortalecer o Sistema Único de Saúde por meio da capacitação de uma rede nacional de Agentes Educadores e Educadoras Populares de Saúde. Os agentes vão atuar no desenvolvimento de territórios saudáveis e sustentáveis, promovendo a participação social na saúde. O programa integra os saberes e as práticas da educação popular em saúde, incentivando o protagonismo popular e a defesa do direito à saúde, com o propósito de continuar a construção de um SUS acessível a todas e todos.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Foto: Júlio Pedrosa
Conselho Deliberativo homologa eleição que reconduziu Stefanie Lopes à diretoria da Fiocruz Amazônia para quadriênio 2025-2029
/em Notícias /por Julio OliveiraO Conselho Deliberativo do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em reunião extraordinária, homologou na tarde da terça-feira, 29/04, o resultado das eleições ao cargo de diretora da unidade, para o quadriênio 2025-2029. O pleito teve como vencedora a pesquisadora em Saúde Pública, Stefanie Costa Pinto Lopes, que já ocupava a diretoria da instituição (2023-2025). Ela venceu com 53,1% do total de votos válidos e ocupará a direção do instituto nos próximos quatro anos, tendo como prioridade o compromisso com a gestão democrática, sustentável e eficiente. No total, o pleito teve a participação de 45 servidores e 89 alunos como votantes, o equivalente a 100% dos servidores e 82,4% dos alunos aptos a votar. A homologação ocorreu um dia após a realização da eleição e segue agora para a oficialização pela Presidência da Fiocruz, junto ao Ministério da Saúde. A candidata concorrente, Priscila Ferreira Aquino, obteve 46,9% dos votos.
A diretora eleita agradeceu a participação da comunidade e, em especial, a atuação da Comissão Eleitoral na condução do pleito, destacando que, a partir de agora, a união de forças será fundamental para colocar em prática os compromissos constantes nos planos de trabalho. “Quero agradecer e parabenizar a comissão pelo trabalho e disponibilidade e dizer que não foi um processo fácil mas demonstrou que estamos no caminho certo em direção ao futuro e uma Fiocruz Amazônia mais forte”, pontuou.
O servidor Williams Cavalcanti de Oliveira, presidente da Comissão Eleitoral, fez a apresentação do resultado. A servidora Luciene Pereira de Araújo, chefe do Serviço de Gestão do Trabalho e vice-presidente da Comissão, destacou a parceria dos setores envolvidos com a condução do pleito, desejando um excelente mandato para a diretora eleita. “Tivemos bastante trabalho, mas fica o aprendizado organizacional proporcionado pelo processo, com uma disputa acirrada entre duas candidatas mulheres, o que nos enche de orgulho”, ressaltou Luciene.
A comissão eleitoral foi composta também pelos servidores Fabiane Vinente dos Santos, pesquisadora do Laboratório de História e Políticas Públicas de Saúde (LAHPSA);Ycaro Verçosa dos Santos, bibliotecário, e Flor Ernestina Martinez Espinosa, pesquisadora do Laboratório Instituto de Pesquisas Clínicas Carlos Borborema (IPCCB). “Tivemos a participação recorde dos servidores e precisamos valorizar esses momentos que a Fiocruz nos proporciona, como espaço democrático”, comentou Fabiane Vinente.
PERFIL
Stefanie Costa Pinto Lopes é bióloga, doutora em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com atuação na área de parasitologia, especialmente na pesquisa sobre Plasmodium vivax e malária. É pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz e ocupa a diretoria do ILMD/Fiocruz Amazônia. Sua formação inclui graduação, mestrado e doutorado pela UNICAMP, com estágios de pós-doutorado na mesma instituição. Ao longo de sua trajetória, vem liderando projetos inovadores voltados ao controle, tratamento e compreensão da malária vivax, com ênfase no desenvolvimento de vacinas, novas estratégias terapêuticas e na investigação do estágio latente hepático do parasita (hipnozoíta).
A diretora eleita coordena diversos projetos de pesquisa financiados por agências nacionais e internacionais e tem relevante produção científica, com mais de 50 artigos publicados e integra conselhos editoriais de periódicos internacionais, atuando como revisora ad hoc em periódicos de alto impacto. Além da sólida trajetória científica, Stefanie também tem contribuído para a formulação de políticas públicas e para o fortalecimento institucional da Fiocruz na Amazônia, articulando ciência, saúde, inovação e desenvolvimento regional com foco em equidade, sustentabilidade e impacto social. É mãe de duas filhas e registra em sua trajetória acadêmica e institucional o compromisso com a equidade de gênero na ciência, valorizando políticas de cuidado, inclusão e promoção da maternidade como parte fundamental de uma carreira científica plural, ética e sustentável.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Foto: Júlio Pedrosa
Projeto Começo Meio Começo desenvolve encontros presenciais para trabalhadoras e trabalhadores da Saúde na capital e interior do Maranhão
/em Notícias /por Julio OliveiraO Projeto Começo Meio Começo, desenvolvido pela Fiocruz Amazônia em parceria com o Ministério da Saúde, desenvolveu encontros presenciais para trabalhadoras e trabalhadores da Saúde na capital e no interior do Maranhão, entre os dias 19/03 e 2/04. O projeto visa promover a formação de trabalhadores e trabalhadoras que atuam no cuidado em saúde das populações do campo, floresta e águas, e vem atuando desde o último dia 17/03 em 33 polos educacionais, nos Estados do Tocantins, Maranhão, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará e Amazonas. Nos encontros, são trabalhadas temáticas diversas, ligadas ao cotidiano de cada território, tratando de temas como violência, injustiça e racismo ambiental, entre outras. O projeto conta com o apoio do Cosems-PA, Cosems-AC e Cosems-AM.
Situado às margens da Baia de São Marcos, na Baixada Maranhense, o município de Pinheiro, a 113 quilômetros de São Luís, no Maranhão, foi o polo escolhido para receber a equipe de facilitadores do projeto e os profissionais de saúde de aproximadamente 50 municípios do interior maranhense. No Estado, foram contempladas seis turmas de profissionais de saúde, com mais de 300 trabalhadores e trabalhadoras reunidos, em São Luiz e Pinheiro. Participaram agentes comunitários de saúde, enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos e gestores. A coordenadora estadual do Começo Meio Começo, no Maranhão, Ana Lúcia Nunes, da Escola de Saúde Pública do Estado, destaca a importância da iniciativa para os territórios com campos, florestas e águas do Maranhão.
“Sediamos dois módulos presenciais do projeto de formação, sendo o primeiro em São Luís, com duas turmas e mais de 96 participantes, e o segundo, o município de Pinheiro, com dois momentos, o primeiro com três turmas, com mais de 100 participantes e o segundo modulo presencial com 102 presentes oriundos de mais de 50 municípios do Estado com essas características”, ressalta Ana Lúcia, acrescentando que a dinâmica do curso mobiliza e estimula os trabalhadores e trabalhadoras a pensarem seus territórios a partir das cartografias apresentadas. “É para isso que os processos formativos servem: dar sentido, voz e vez aos usuários do sistema de saúde em suas múltiplas diversidades, servindo para responder as necessidades do Sistema Único de Saúde”, pontuou.
VOZES
Walter José Alves, 52, fiscal sanitário municipal, foi um dos participantes da formação no município de Pinheiro. Trabalhando há 23 anos na área da saúde, ele considerou o curso uma oportunidade de despertar para temas importantes que podem ser tratados em rede junto aos usuários do sistema municipal de saúde. Uma das questões é a ambiental, em específico a situação do Rio Pericumã, que corta a cidade. “Pinheiro é quase uma ilha, com campos alagados no entorno, que são bonitos, mas apresentam muitos problemas ambientais, agravados pela ação humana. Como fiscal sanitário, sei que isso já deveria ter mudado, mas falta mais vontade política”, salientou.
Para a maioria dos participantes, o diferencial da formação está no aprendizado que pode ser replicado no trabalho diário. A agente comunitária de saúde Lourdes Maria Pereira conta que o contato próximo com a comunidade permite que ela possa orientar também os comunitários acerca da importância do cumprimento de políticas públicas. “O curso chegou em um momento difícil da minha vida pessoal, mas aqui encontrei conhecimento, que eu posso levar para minha comunidade”, relata. Segundo ela, a capacitação ajuda a otimizar o relacionamento com os usuários que buscam sempre uma saúde de qualidade.
Uma das metodologias trabalhadas no curso é a da Cartografia, que permite representar espacialmente elementos de um território, contribuindo para sua interpretação. “Aprendi muito com a cartografia do território, onde pude conhecer locais e serviços que nem imaginava que existissem. Pude conhecer as crenças da comunidade, temas sobre os quais ouvia falar, mas não tinha oportunidade de sentar com as pessoas para conversar”, observou Lourdes Maria, que trabalha há 23 anos como ACS no município de Miranda do Norte, a 147 quilômetros de Pinheiro.
Outro participante do curso, o ACS José de Ribamar Soares Braga, que trabalha no Povoado Quilombola de Vitória dos Bragas, em Pinheiro, conta que ficou motivado a participar do curso por valorizar a vivência e os conhecimentos dos trabalhadores da saúde que atuam no campo, floresta e águas. “Minha comunidade compreende quilombolas e ribeirinhos. Vim para buscar mais saberes acerca desses povos, para aprender a trabalhar, encontrar metodologias que possa aplicar e termos dias e condições melhores para nosso povo”, comentou ele, que tem descendência quilombola.
Para a enfermeira Flávia Galvão, a experiência proporcionada pelo Projeto Começo Meio Começo trouxe um olhar diferenciado sobre a saúde das populações do campo, floresta e águas. “O curso ampliou nossa visão sobre o cuidado e saúde nesses territórios. Cada módulo foi uma oportunidade de aprimorar meu trabalho e enxergar novas formas de atuação na atenção à saúde, compreendendo a realidade dessas populações, fortalecer o meu compromisso como o atendimento humanizado e de eficiência”, explicou. Segundo ela, a metodologia da cartografia social foi uma experiência transformadora. “Mapear os territórios com os próprios moradores nos permite entender as necessidades reais, respeitando a cultura e seus modos de vida, essencial para o cuidado em saúde, mais efetivo e participativo”, assegurou Flávia.
O encontro proporcionou também a troca de experiência entre os profissionais. “Compartilhar vivências e fortalecer essa rede de aprendizado faz toda a diferença. Sem dúvida, uma experiência enriquecedora que levo para minha prática profissional. Sou muito grata por essa oportunidade e recomendo essa experiência para todos que desejam um olhar mais amplo e humano sobre o cuidado em saúde”, destaca a enfermeira.
TRILHAS FORMATIVAS
A comunicóloga Denise Rodrigues Amorim de Araújo, que atuou no Projeto Começo Meio Começo como facilitadora no Estado do Maranhão, observa que todas as impressões dos participantes convergem para o objetivo principal da formação, que é fortalecer a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, Floresta e Águas. “O trabalho tem se revelado uma grande oportunidade de trazer reflexões e saberes aos trabalhadores e trabalhadoras que atuam no cuidado dessas populações. As trilhas formativas, para além da possibilidade de esclarecer conceitos, provoca movimentos de integração e participação dos trabalhadores e equipes, permite imersões nos territórios e redes vivas das comunidades que culminam em produções incríveis sobre os saberes e práticas locais, conectando ainda mais os trabalhadores e os serviços de saúde com os usuários e dinâmicas do lugar”, avalia.
Denise destaca ainda a importância do caráter participativo da formação. “A facilitação é a costura de um tecido que alinhava, por meio do diálogo e reflexões críticas, trabalhadores e trabalhadoras, equipes de saúde, movimentos sociais, usuários, gestores, em uma produção de conhecimento que se apresenta como produções cartográficas, de uma profundidade e beleza capazes de mobilizar transformações importantes para o cuidado em saúde”, analisa. A facilitadora coordenou três encontros em Pinheiro e deverá realizar mais duas formações, sendo que o último encontro acontecerá no encontro acontecerá no município de Pinheiro (MA). “Saímos todos, facilitadores, apoiadores, articuladores, coordenadores e trabalhadores, fortalecidos e motivados a seguir construindo aprendizados que serão disparadores para o fortalecimento do cuidado em saúde dessas populações”, resume.
PUXIRUM
Taiza de Jesus Sarges Garcias, aluna do curso, afirma que a construção do mapa social do território foi uma experiência com resultados satisfatórios. “Nos divertimos, aprendemos e nos aprimoramos, tanto pessoalmente como profissionalmente. Uma experiência ímpar, proporcionada pelo curso Começo Meio Começo. Por ser algo corriqueiro e comum para nós, às vezes não nos damos conta da magnitude e riqueza que possuímos”, disse ela, exemplificando a importância de conhecer personagens interessantes dentro do trabalho do puxirum (mutirão) da trilha 1. Alguns nos deram a honra de participar no dia do puxirum conosco e outros, por conta da logística, fomos ao encontro nas suas respectivas moradias, coletar os seus relatos, diz ela, citando personagens como o agricultor Celso Nunes, morador do Povoado Pampilhosa, exemplo de superação após ter sofrido um AVC.
“Ainda no Povoado de Pampilhosa, visitamos o engenho de cana de açúcar, que ainda guarda resquícios da colonização portuguesa, onde o presidente da comunidade Júlio Moreira nos explicou o passo a passo para a fabricação da cachaça de cana de açúcar, muito apreciada e conhecida na região”, relata Taiza. No Povoado Maranhão Novo, ela conta que tiveram contato com o curandeiro Justino dos Santos e a parteira Maria do Socorro, que nos contaram relatos acerca dos seus ofícios.
No povoado Vitória dos Braga, foram coletados relatos de moradores que atuam na atividade de pesca artesanal e extração do coco babaçu. “Um povo batalhador que traz consigo as marcas de uma vida simples e difícil, mas que também carregam o orgulho do seu passado e da sua cultura e isso transparece em cada palavra”, frisou a participante.
PUBLICAÇÃO
Para Júlio Schweickardt, coordenador do Projeto Começo Meio Começo, que acompanhou as atividades, as experiências das formações têm sido bastante produtivas no sentido de buscar um resgate e a revalorização do Sistema Único de Saúde (SUS) em territórios peculiares como o da floresta, campo e águas. “Estamos atuando de forma simultânea em diferentes territórios, com atividades já realizadas em Tocantins (MS), Parintins e Tefé (AM), Abaetetuba e Belém (PA), São Luiz e Pinheiro (MA) e Porto Velho (RO), numa verdadeira força tarefa para conseguir reunir as equipes, com o apoio das secretarias municipais de Saúde, por meio do Conselho de Secretários de Saúde dos Estados envolvidos”, reforça. Ao final, todas as vivências dos alunos, facilitadores e coordenadores serão consubstanciadas em uma publicação.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Fiocruz e Ministério da Saúde realizam projeto voltado para o cuidado com a saúde mental na Atenção Primária
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Ficoruz Amazônia), em parceria com o Ministério da Saúde (MS) e a Vice-Presidência de Ambiente, Assistência e Promoção à Saúde (VPAAPS), da Fundação Oswaldo Cruz, realiza, no Amazonas, o Projeto Saúde e Bem Viver: Cuidar de si e do Território, voltado para a promoção do cuidado e formação de equipes multidisciplinares (e-Multi) e/ou equipes de saúde da família (eSF), da Atenção Primária à Saúde, com foco na saúde mental. A finalidade é ampliar e qualificar a atenção à saúde aos usuários e trabalhadores por meio de tecnologias de cuidado integral. O público-alvo são profissionais das equipes eMulti e eSF de até dez municípios, com no máximo 70 mil habitantes, por cada estado brasileiro que adote Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). No útlimo dia 28/04, tiveram início as atividades de formação dos profissionais de saúde dos 10 municípios amazonenses contemplados pela iniciativa – Careiro, Barreirinha, Eirunepé, Iranduba, Lábrea, Silves, Urucurituba, Novo Airão, Tabatinga e Tefé.
O projeto de formação em serviço de 120 horas é coordenado pelo Instituto Aggeu Magalhães/Fiocruz Pernambuco, responsável pela criação e coordenação do Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde – ObservaPICS, da Fiocruz. No Amazonas, aproximadamente 300 alunos participam do projeto sob coordenação do ILMD/Fiocruz Amazônia, em parceria com a Scretaria de Estado da Saúde (SES-AM). O pesquisador da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias, que atua como coordenador estadual do Saúde e Bem Viver, explica que as atividades formativas se estenderão até setembro/2025. Ao final, será possível realizar um diagnóstico abrangente das ações e intervenções em cuidado integral na promoção à saúde mental e uma mostra estadual de experiências que resultarão num documento reunindo exemplos de práticas integrativas e complementares que darão suporte aos trabalhadores da saúde no cotidiano dos serviços no Amazonas.
“Este curso representa uma oportunidade concreta de fortalecer o cuidado em saúde mental na atenção primária, valorizando saberes do território e promovendo práticas que colocam a vida e o bem viver no centro da ação do cuidado em saúde”, comenta Luana Alpires, coordenadora pedagógica do curso. O projeto é uma iniciativa do Núcleo de Gestão da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS do Departamento de Gestão do Cuidado Integral da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (NTG-PNPIC/DGCI/SAPS/MS), coordenado pelo ObservaPICS,
De acordo com Rodrigo Tobias, o foco está na promoção do cuidado integral às demandas de saúde mental presentes na Atenção Primária à Saúde nos municípios com equipes multiprofissionais e da Estratégia de Saúde da Família habilitadas e que possuam coordenação de Saúde Mental e registro de ofertas de sessões de PICS. Pela SES-AM, atuam no projeto as enfermeiras Lívia Lima, articuladora territorial do projeto, e Diana Oliveira, gerente da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), da SES-AM. O projeto conta com uma equipe de tutore(a)s que farão o acompanhamento das turmas no interior, com atividades virtuais e presenciais.
SOBRE AS PICS
As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) são abordagens terapêuticas que visam a promoção, prevenção e recuperação da saúde, utilizando recursos que complementam o tratamento convencional. São práticas que enfatizam a escuta acolhedora, a construção de laços terapêuticos e a conexão entre o indivíduo, o meio ambiente e a sociedade. As PICS buscam a prevenção de doenças e a promoção da saúde, utilizando conhecimentos tradicionais e abordagens integrativas, baseadas em uma visão holística do ser humano, considerando a interconexão entre corpo, mente, espírito e ambiente.
São exemplos de PICS: acupuntura, yoga, meditação, fitoterapia, homeopatia, biodança, aromaterapia, arteterapia, ayurveda, entre outros. No total, 29 práticas e terapias são reconhecidas pelo SUS, tendo como benefícios prevenção e tratamento complementar de doenças crônicas – como hipertensão, diabetes, fibromialgia e depressão –, redução do estresse e da ansiedade, melhoria da qualidade de vida com a promoção do bem-estar físico, mental e emocional, fortalecimento do vínculo terapêutico, com a escuta acolhedora e a construção de laços entre o paciente e o profissional de saúde.
OBSERVAPICS
O Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde (ObservaPICS) está vinculado à Vice-Presidência de Ambiente, Promoção e Atenção à Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (VPAAPS/Fiocruz). Tem como objetivo gerar evidências científicas, a partir das evidências práticas acerca dos saberes tradicionais e práticas integrativas no Sistema Único de Saúde (SUS), para contribuir para a tomada de decisão, no campo das políticas públicas, tanto no Brasil quanto na América Latina.
O ObservaPICS tem como missão promover a reflexão teórico-conceitual e observar, com mapeamento e análise crítica o conhecimento e modos de cuidar da saúde preservados por povos tradicionais, como indígenas e comunidades afrobrasileiras, e o diálogo dessas experiências com o SUS, bem como as 29 Práticas Integrativas e Complementares em Saúde reconhecidas pelo Ministério da Saúde no Brasil, sua validação e interação com o modelo biomédico predominante.
Para desenvolver suas atividades, o ObervaPICS conta com apoiadores técnicos (bolsistas) e pesquisadores colaboradores de diferentes unidades da Fiocruz e de instituições parceiras. A pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, Dra. Islândia Sousa, coordenadora nacional da iniciativa e do ObservaPICS, afirma que “a formação Saúde e Bem Viver nasce da realidade dos territórios do SUS e promove o cuidado com quem cuida”.
ENCONTROS EM MANAUS
Na Fiocruz Amazônia, a preparação de tutores do Projeto Saúde e Bem Viver envolveu a realização de dois encontros em Manaus, um que permitiu a aproximação desses temas para fortalecer os encontros com os alunos e o outro que estabeleceu as diretrizes de atuação pedagógica da trilha de formação em serviço. A psicóloga sanitarista Ana Elisabeth Reis, estudante de Doutorado em Psicologia Clínica e Cultura na Universidade de Brasília (UNB), atua no projeto como tutora da equipe da Saúde da Família do município de Tabatinga. Para ela, a formação foi extremamente enriquecedora.
“Tivemos a oportunidade de conhecer as práticas integrativas que estão sendo desenvolvidas pelos profissionais nos municípios, práticas que estão fortalecendo e promovendo saúde mental. Isso ampliou nossa visão sobre saúde na Amazônia, evidenciando o potencial e a inovação que surgem mesmo em contextos desafiadores, como o da falta de acessibilidade, infraestrutura e qualificação. Estou na expectativa de encontrar profissionais com grande potencial, pois vejo este momento de aprendizagem como uma troca de saberes, temos muito mais a aprender com eles que promovem a saúde mesmo com tantos desafios”, afirmou.
Junto com Ana Elizabeth, atuam como tutores do projeto no Amazonas, Ândria Tavares (Barreirinha), Viviane Verçosa (Careiro), Glenda Moura (Iranduba), Diana Oliveira (Lábrea), Walessa Bentes, Carolina Fadoul (Novo Airão), Nilson Bezerra (Silves), Gustavo Zanatta (Tefé), Sandra Cavalcante (Urucurituba). Cada município terá uma turma com 30 alunos, sendo 15 de nível superior e 15 de nível médio, e ao final do curso em setembro cada turma fará uma mostra de experiências.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Foto: Júlio Pedrosa
Pesquisador da Fiocruz Amazônia alerta para precarização sanitária da região no Atlas da Amazônia
/em Notícias /por Julio OliveiraLançado no último dia 23/04, o Atlas da Amazônia Brasileira já está disponível na versão digital e deve se tornar leitura obrigatória para quem deseja se aprofundar no tema Amazônia, no ano em que os olhares do Mundo se voltam para a região em função da COP 30, que ocorrerá em novembro, na cidade de Belém (PA). Com um total de 32 artigos assinados por estudiosos, pesquisadores, lideranças comunitárias e entidades da sociedade civil organizada, a publicação traz, entre seus trabalhos, o artigo assinado pelo epidemiologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia Jesem Orellana, do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI), Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). No capítulo Saúde e Medicinas, ele alerta para o agravamento da precarização sanitária da Amazônia, como resultado do avanço de atividades predatórias, incluindo o desmatamento e a exploração mineral. O Atlas pode ser acessado, gratuitamente, pelo site da Fundação Heinrich Böll, nos formatos impresso e digital. O link está disponível neste endereço eletrônico.
Segundo Orellana, o avanço de atividades predatórias tem impactos sanitários, sobretudo numa região onde o acesso à saúde pública é dificultado por peculiaridades territoriais e saneamento básico precário. Promover acesso à saúde e valorizar conhecimentos tradicionais é importante para combater esse quadro, conforme explica o autor. “Devido a sua extensão territorial, diversidade sociocultural e peculiaridades do clima, vegetação e relevo, os desafios sanitários na Amazônia são historicamente complexos e contrastantes, não apenas ao se confrontar cenários entre populações urbanas e rurais, acesso a serviços de saúde em municípios de menor e maior porte populacional, condições de vida e saúde entre indígenas e não-indígenas, mas ao se comparar indicadores de saúde da população geral da região Norte àqueles da sudeste e sul do país”, pontua.
O pesquisador ressalta que, nas últimas quatro décadas e em contexto de extremas mudanças climáticas, o bioma amazônico tem sido criticamente ameaçado pelo avanço predatório do agronegócio e da pesca industrial, da extração ilegal de madeira e de ouro, bem como pelas devastadoras queimadas de extensas áreas florestais. “Essas intervenções, em maior ou menor intensidade, têm impactado negativamente a saúde humana, seja mediante resíduos potencialmente tóxicos no ar, água e solo ou mesmo alterando a relação entre humanos e diferentes seres vivos, a exemplo do que ocorre com doenças endêmicas, dentro e fora de centros urbanos”, afirma. Na região Norte, segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento de 2017 do IBGE, a porcentagem para os volumes diários de esgoto gerado e tratado foi de apenas 16,4%, a menor entre as regiões do Brasil.
“Os dados são condizentes com a elevada ocorrência de Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI). Não é coincidência que, em 2021, o número de internações hospitalares por dengue no Norte aumentou 27%, em comparação a 2020, contrariando o padrão nacional de queda. Em geral, este padrão se repete para internações por leptospiroses ou diarreia e gastroenterite com origem infecciosa presumível. Nesse precário cenário de saneamento, há um leque de doenças infecciosas e negligenciadas, endêmicas em regiões de baixo desenvolvimento humano e social, associadas a incapacidades, adoecimento e mortes evitáveis”, destaca Orellana, no artigo.
O pesquisador explica que, entre os exemplos mais impactantes, em termos de carga de doença, estão a malária, a tuberculose, o HIV/AIDS e a febre amarela. “O mosaico sanitário amazônico, ainda conta com o trágico desenvolvimento de epidemias de doenças emergentes e reemergentes, como a febre oropouche em 2024, com inéditos 5.644 casos confirmados até 03 de setembro ou 71,2% do total nacional. A pandemia de Covid-19, além do seu indiscutível impacto sobre a mortalidade, sobretudo em Manaus, ao protagonizar chocantes colapsos funerários, hospitalares e ambulatoriais, parece ter ampliado vulnerabilidades assistenciais e socioeconômicas, fertilizando o cenário à deflagração de mais efeitos residuais pandêmicos”, revela.
O epidemiologista chama a atenção também para o excesso de suicídios, entre março de 2020 e fevereiro de 2022, em mulheres com 30-59 anos (27%), bem como os cerca de 70% de mortes maternas excedentes no norte amazônico, entre março de 2020 e fevereiro de 2022. “Esses dados refletem bem a gravidade da crise sindêmica, dado o claro comprometimento de indicadores de Saúde e Bem Estar que o Brasil havia se comprometido a melhorar no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Outra grave ameaça é a recusa vacinal, sobretudo em crianças com um ano ou mais. No fim de 2022, as coberturas vacinais da tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), da tríplice bacteriana (difteria, tétano e pertussis) e da hepatite A, se situaram abaixo de 7%, 55% e 60%, respectivamente. Abaixo das coberturas de outras regiões do Brasil e longe dos 95% esperado”, evidencia.
MEDICINA INDÍGENA
Na publicação, Jesem Orellana divide espaço com o líder indígena, ativista e educador amazonense Gersem Baniwa, que aborda a questão da Medicina Indígena. Para ele, assim como na Medicina, a arte de cuidado de saúde e cura dos povos indígenas é balizada pelas teorias, fundamentos e concepções que constituem um conjunto de elementos concretos e “abstratos” (elementos fitoquímicos e metafísicos), e praticados de forma especializada pelas pessoas que passaram por formação para exercer tal ofício. “Cada povo tem suas próprias instituições de formação de seus especialistas. Assim, os especialistas indígenas são pessoas que passaram por uma rigorosa formação e treinamentos, sob orientação de especialista formador. As noções de doença e saúde não se restringem ao aspecto biológico”, descreve.
De acordo com Baniwa, esse é o ponto central que diferencia a medicina indígena do modelo biomédico de cuidado de saúde, que intervém sobre o corpo a partir da noção do meramente biológico. “Os estudos entre os povos indígenas do Alto Rio Negro, mostram que as tecnologias de cuidado de saúde e cura são fundamentalmente: Bahsesse (benzimentos), fórmulas metaquímicas e metafísicas evocadas pelos especialistas para proteção, tratamento e curar de doenças, além de plantas medicinais”, explica.
SOBRE O ATLAS
O Atlas da Amazônia Brasileira é uma iniciativa da Fundação Heinrich Böll, da Alemanha. Com conselho editorial formado pelas jornalistas Kátia Brasil e Elaíze Farias, fundadoras da agência Amazônia Real, a ambientalista Ângela Mendes, o geógrafo Aiala Colares Couto, o antropólogo João Paulo Barreto e a pesquisadora Marcela Vecchione-Gonçalves, entre outros, o Atlas busca descontruir estereótipos da região. “Trata-se de um conteúdo que visa contribuir para uma urgente mudança de perspectiva, para que pessoas do Brasil e do mundo possam conhecer a Amazônia novamente, desta vez sob a perspectiva dos diversos habitantes da região”, explica o conselho editorial, citando a gama de artigos produzidos por uma maioria de autores originários de diferentes partes da Amazônia, considerando também uma diversidade racial, étnica e de gênero.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Foto: Michell Mello / Especial para a Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia e Semsa-Manaus fortalecem sistema de vigilância epidemiológica para respostas rápidas a doenças infecciosas em comunidades rurais ribeirinhas
/em Notícias /por Julio OliveiraUm projeto piloto, desenvolvido pela Fiocruz Amazônia, por meio do Edital Inova Emergências em Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz, vem desenvolvendo desde maio de 2024 uma série de atividades em duas comunidades rurais ribeirinhas de Manaus, com a finalidade de fortalecer o trabalho de vigilância em saúde para respostas rápidas a doenças infecciosas emergentes, a partir do desenvolvimento de uma ferramenta digital capaz de promover a coleta, gerenciamento e disseminação de dados sobre casos suspeitos que ocorram nas comunidades e entorno. A iniciativa, desenvolvida de forma participativa, junto com lideranças comunitárias e profissionais de saúde que atuam nos territórios, conta com a parceria da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Manaus, por meio da Gerência de Vigilância Epidemiológica, do Distrito de Saúde Rural, e é coordenada pelo pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Pritesh Lalwani.
Lalwani, que é membro do Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia (DCDIA), explica que o projeto atua em duas comunidades rurais ribeirinhas na região do Baixo Rio Negro – Santa Maria e Fátima – e em mais dez localidades situadas nas áreas de abrangência no entorno das duas. Todas atendidas pela Unidade Básica de Saúde Fluvial Ney Lacerda, tendo como unidade de apoio a Unidade de Saúde da Família de Santa Maria, do Distrito de Saúde Rural, da Semsa Manaus. “O Saúde nas Margens tem como principal fundamento o fato de que, nos últimos dez anos, estamos sofrendo ameaças de doenças emergentes, como zyka, chicungunha, febre amarela, covid-19, dengue e, mais recentemente, a febre oropouche, e percebemos que estamos precisando trabalhar para identificar e fazer uma vigilância mais rápida dessas ameaças, não só no nível laboratorial, mas também populacional”, explica.
A ideia foi criar um aplicativo, por meio do software REDCap, com questionários que possam ser utilizados no levantamento de suspeitas tanto pelos agentes comunitários de saúde (ACS) quanto pelos agentes de combate a endemias (ACE), nas dez comunidades. O software é utilizado na coleta, gerenciamento e disseminação de dados de pesquisa. “Primeiro, identificamos os gargalos existentes nas comunidades para desenvolvermos o questionário, composto por mais de … perguntas, e agora daremos início à fase de coleta de dados propriamente dita”, afirmou o pesquisador, durante reunião na comunidade São Francisco do Chita, no dia 11/04, com representantes da Disa Rural, Vigilância Epidemiológica, ACS, ACE e lideranças comunitárias com a finalidade de testar o aplicativo. A vigilância de base participativa e comunitária é algo inédito em Manaus e visa não só identificar as doenças respiratórias causadas por mosquitos (arboviroses) como também diarreias, lesões de pele, mordeduras de animais domésticos ou silvestres, como morcegos, entre outras.
“Estamos começando a entender como é a percepção da população em termos de risco associado a doenças emergentes e como podemos trabalhar para melhorar essa vigilância com a participação efetiva da comunidade, contribuindo para a coleta de dados pelos ACS e ACE, e a consequente notificação pela Semsa-Manaus, em caso de confirmação de diagnóstico”, ressalta Pritesh. O pesquisador destaca que, além do cenário de mudanças climáticas, as populações ribeirinhas da Amazônia enfrentam o desafio diário de conviver em conjunto com a floresta. “Nossa intenção é exatamente entender os gargalos e como trabalhar no sentido de buscar esse equilíbrio, com a parceria fundamental da Semsa-Manaus. O desafio agora é levar esse aplicativo em campo para coleta de dados, o que permitirá entender o quanto é eficiente essa ferramenta e como vão reagir em cima das suspeitas”, pontuou.
As coletas de dados permitirão um mapeamento que poderá se expandir para outras comunidades. Segundo a gestora da USF Santa Maria, Maria Tereza Silva Rocha, as comunidades estão situadas em área endêmica para malária, mas registram também casos de leishmaniose, doença de Chagas, filariose. “Estamos aqui na comunidade do Chita com a Fiocruz apoiando esse projeto de aplicativo para identificar as doenças porque sabemos o quanto é importante somarmos esforços para a melhoria do atendimento básico em saúde da unidade. Muitas vezes acontece de não termos como notificar casos porque não tomamos conhecimento. Com o aplicativo, esse processo se torna mais rápido e eficiente, não só em relação às síndromes que aparecem, como também as lesões na pele, picadas de animais, entre outras ocorrências, contando com o apoio da Fiocruz no diagnóstico”, afirma.
Para os moradores, a presença da Fiocruz é motivo de alegria. Maria Miranda de Souza Filha, 69, mora há 20 anos na comunidade do Chita, que tem pouco mais de 100 habitantes. Ela comemora a implementação do projeto como uma oportunidade que surge de atenção à saúde dos ribeirinhos. “Nossa comunidade estava precisando que esses órgãos se manifestassem. Temos muito que aprender com vocês, mas também temos muito a repassar através dos nossos conhecimentos tradicionais e a convivência que temos na comunidade. Estamos aqui para ajudar uns aos outros”, argumentou, citando, como exemplo, a força terapêutica dos remédios caseiros, até hoje utilizados no tratamento de várias doenças na comunidade.
Liderança religiosa do Chita, o pastor Antônio Daniel é também um dos moradores mais antigos, convidado a participar do processo de elaboração do aplicativo, contribuindo para a mobilização da comunidade para que apoie principalmente na fase de coleta dos dados, que se inicia a partir desta fase do projeto. “Estamos hoje aqui com a Semsa e a Fiocruz nos trazendo a possibilidade de podermos participar e contribuir para a prevenção em saúde na comunidade. É o início de um período de boas novas e um privilégio recebê-los aqui. Estamos aproveitando ao máximo e é de suma importância o que vocês estão fazendo aqui”, observou.
Junto com Pritesh Lalwani, participam da implementação do projeto a gerente de Vigilância Epidemiológica do Disa Rural, Maria Aparecida Santos da Silva, os enfermeiros Jeferson Castilho Moraes e Patrícia Conceição Cabral e Silva, técnicos da Vigilância, e médica veterinária Maria dos Santos, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação), da Fiocruz Amazônia. O treinamento, realizado ao longo do dia, incluiu a aplicação simulada de questionários na comunidade e posterior análise dos dados coletados.
O questionário está estruturado em três elementos: Saúde Humana, Saúde Animal e Saúde Ambiental. Dentro de cada um desses, terão tópicos específicos a serem respondidos, sobre ocorrências como, por exemplo, casos de diarreia e vômito, problemas respiratórios, lesões de pele, intoxicações, acidentes de trabalho e óbitos humanos, agressão por animais, lesões de pele, mortes de animais, infestação por pulgas e carrapatos, mudança de comportamento animal, problemas com lixo, problemas hídricos, contaminação do solo, desmatamento ou queimadas, estiagem e alagamento.
Para a gerente de Vigilância Epidemiológica da Disa Rural, Aparecida Silva, a participação no projeto Saúde nas Margens está focado na preparação dos comunitários, dos ACS e ACE para serem agentes de mudança dentro das comunidades. “Por meio do projeto, eles (moradores e agentes de saúde) estarão fazendo vigilância constante, identificando situações/problemas para que possamos identificar possíveis subnotificações, sinalizadas pela própria comunidade, e a partir daí reestruturar o processo de trabalho da Vigilância da DISA Rural em si”, afirmou. Segundo Aparecida, através do aplicativo, será possível identificar necessidades de capacitação continua e fortalecer o trabalho de Vigilância do município de Manaus, uma vez que propicia que rumores, suspeitas de doenças e agravos em animais e humanos sejam identificados pela própria população local, a partir daí, sinalizando para que a Vigilância entre em ação fazendo a identificação direta e tomando as medidas cabíveis.
SOBRE O PROJETO
O Projeto Saúde nas Margens: Um Modelo One Health para Vigilância Participativa e resposta rápida a doenças infecciosas em comunidades ribeirinhas de Manaus” propõe uma abordagem inovadora de Vigilância de base participativa e comunitária, com ênfase em áreas remotas, populações de ribeirinhos. A iniciativa visa desenvolver e implementar um Modelo Uma Só Saúde no contexto amazônico, frequentemente afetado por surtos de doenças e exige uma abordagem integrada e adaptada às complexidades geográficas e limitações socioeconômicas.
O projeto reconhece a interconexão entre fatores ambientais e surtos, destacando a necessidade da abordagem Uma Só Saúde, que compreende as interações entre saúde humana, animal e ambiental. A fragilidade dos sistemas de vigilância nessas áreas remotas, juntamente com a falta de acesso à comunicação e internet, são desafios significativos. O projeto propõe uma estrutura de vigilância participativa que integra líderes comunitários, agentes de saúde e serviços de telemedicina. O objetivo é capacitar as comunidades para a detecção precoce de doenças infecciosas, considerando fatores de saúde humana, variáveis ambientais e saúde animal.
Para superar desafios de comunicação, o projeto visa implementar postos de comunicação eficientes, promovendo o acesso à internet e facilitando a troca de informações por dispositivos móveis. A abordagem personalizada busca adaptar e implementar eficientemente a vigilância participativa em duas comunidades ribeirinhas Santa Maria e Nossa Senhora de Fátima, considerando suas particularidades culturais, sociais e ambientais. A principal pergunta do projeto é: Como implementar eficientemente postos de comunicação como parte de uma abordagem participativa em duas comunidades ribeirinhas, uma localizada nas proximidades da capital e outra situada a uma distância de aproximadamente 5 horas de barco da mesma, considerando as nuances culturais, sociais e ambientais específicas de cada uma?
Os objetivos específicos incluem o levantamento de informações preliminares, a formação de comitês locais de vigilância de saúde, o desenvolvimento de manuais de treinamento, a implementação de tecnologias de comunicação, o treinamento em telemedicina, teste piloto e avaliação contínua. Indicadores de sucesso incluem a efetividade na coleta de informações, participação ativa nas atividades, estabelecimento eficiente da rede de comunicação e melhorias nos indicadores de vigilância ao longo do tempo.
Os resultados esperados abrangem desde o empoderamento de líderes comunitários até o estabelecimento de um sistema de vigilância participativa eficiente e adaptativo. O projeto busca fortalecer a resiliência comunitária e os sistemas de saúde, preparando as comunidades para enfrentar desafios presentes e futuros na região amazônica.
INOVA EMERGÊNCIAS EM SAÚDE PÚBLICA
O edital Emergências em Saúde Pública é uma chamada do Programa Inova Fiocruz que visa atender demandas específicas de saúde pública. O objetivo é dar respostas rápidas e ações para emergências sanitárias, órgãos internacionais e demandas do Ministério da Saúde. As emergências em saúde pública são situações que exigem medidas urgentes de prevenção, controle e contenção de riscos, podendo ser epidemiológicas (surtos e epidemias), de desastres ou de desassistência à população.
O Programa Fiocruz de Fomento à Inovação, o Inova Fiocruz, lançado em 2018, apoia propostas que visem melhorar as condições de vida da população e do SUS. O programa seleciona projetos que usem os resultados das pesquisas em saúde pública e busca fomentar a pesquisa e a inovação resultando na entrega de produtos/conhecimento/serviços para a sociedade, tendo como valores a inovação, excelência, transparência, inclusão e colaboração.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Estudo faz análise científica dos custos financeiros para funcionamento das UBS Fluviais na Amazônia
/em Notícias /por Julio OliveiraInserida há 12 anos na Política nacional de Atenção Primária do Ministério da Saúde, a estratégia de assistência à saúde por meio de Unidade Básica de Saúde Fluvial e suas equipes fluviais e ribeirinhas só existe no Brasil. Recentemente, uma dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde (PPGVIDA), desenvolvida pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (LAHPSA), realizou uma análise científica sobre os custos financeiros para o funcionamento das Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) na Amazônia, fornecendo subsídios para uma avaliação aprofundada acerca da estratégia visando o fortalecimento da política. A pesquisa, intitulada “Custos da Atenção Primária à Saúde em um Contexto Ribeirinho e Rural da Amazônia Brasileira”, foi realizada entre os meses de junho de 2018 e março de 2019, segundo descreve o autor, o administrador e contabilista Cláudio Pontes.
O estudo tomou como referência os custos de uma UBSF em funcionamento no município de Tefé, a 523 quilômetros de Manaus. A dissertação foi publicada na coleção britânica Intechopen de livros internacionais sobre economia da saúde em conteúdos específicos. Na apresentação, o autor descreve a UBSF como uma estratégia inovadora para levar cuidados de saúde a populações ribeirinhas isoladas na Amazônia. Durante o período analisado, foram realizadas nove viagens, atendendo dez áreas e 30 comunidades, com um custo total de R$ 761.705,87 (US$ 190.426,47). Os principais custos foram com recursos humanos (64,62%), insumos de saúde (17,72%) e combustível (12,11%).
Os recursos estimados apresentam uma realidade de viagens nos períodos de cheia, onde o acesso fluvial até as comunidades é facilitado e expressa que nessa época do ano os repasses federal e municipal somados são considerados suficientes para as viagens das equipes da estratégia saúde da família, embora não se tenha feito estimativas no período da seca onde os leitos dos rios estão mais secos e os custos das expedições aumentam sobremaneira. O autor recomenda que novas pesquisas sobre custo-efetividade e eficiência do serviço possam ser realizadas para aprimorar o modelo. Como fatores limitantes, ele aponta a falta de controle informatizado e a ausência de comparações com outras UBSFs.
A pesquisa aponta também os desafios enfrentados pelas populações ribeirinhas, entre os quais acesso limitado a serviços de saúde, sendo a principal dificuldade a distância e o tempo necessário para se chegar aos serviços de saúde, levando em média 4,2 horas para alcançar áreas urbanas; condições geográficas e climáticas, sobretudo relacionadas à sazonalidade dos rios e às condições climáticas que dificultam o transporte, a logística e o acesso às comunidades; altas taxas de doenças, com prevalência de hipertensão (26% da população adulta) e outras condições de saúde devido à falta de acesso regular a cuidados médicos; desigualdade histórica, uma vez que antes da criação das UBSFs, não havia um modelo institucionalizado de atendimento adequado para essas comunidades, e custos elevados de atendimento para levar serviços de saúde (transporte, combustível e manutenção de equipes).
Claudio Pontes explica que esses desafios reforçam a necessidade de estratégias específicas, como as UBSFs, atendendo as demandas únicas dessas populações e reduzindo desigualdades. Além de recursos humanos, insumos de saúde e combustível, outros custos associados às UBSF apontados pelo estudo são alimentação (4,02%), materiais de escritório e TI (0,82%), Manutenção (0,34%), materiais de higiene e limpeza (0,24%) e gás de cozinha (0,13%).
O trabalho teve como orientador o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias de Sousa Lima. Para Tobias, a principal colaboração do estudo é o fato de ter dado uma contribuição científica inédita no campo da saúde coletiva, do ponto de vista dos custos da Atenção Primária à Saúde, que pode vir a se tornar referência para o Brasil e outros países. “Com sua formação nas ciências gerenciais, Cláudio Pontes oferece uma contribuição estratégica ao estimar os custos das UBS Fluviais na Amazônia. Sua obra se torna referência indispensável para o planejamento e financiamento da saúde fluvial, além de fomentar e fortalecer uma linha de pesquisa no campo da gestão, do planejamento e das políticas de saúde voltadas à realidade amazônica”, comenta Tobias.
DIAGNÓSTICO
Claudio Pontes e Rodrigo Tobias destacam a importância da pesquisa como referencial de consulta sobre saúde fluvial, uma vez que realizam atualmente uma pesquisa com a finalidade de promover diagnóstico situacional das 54 UBSFs, de um total de 96 cadastradas pelo Ministério da Saúde na Amazônia. “Esse indicador é essencial para se compreender as condições de financiamento dessa estratégia de Atenção Primária em Saúde em regiões fluviais e ribeirinhas – bem como identificar oportunidades e desafios, incluindo aspectos como a sazonalidade dos rios, navegabilidade e a fixação dos profissionais de saúde, levando-se em conta sempre a garantia ao direito universal à saúde em contextos tão desafiadores”, explica Tobias. A partir do diagnóstico, o MS poderá subsidiar ações da PNAB como reativação de embarcações, ampliação da oferta do serviço e qualificação das equipes de Saúde da Família que atuam na região amazônica.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Foto: Divulgação / Fiocruz Amazônia