COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Fiocruz Amazônia realiza treinamento de captura inteligente de dados e consolidação da estratégia Vigifeminícídio e de Prevenção do Feminicídio no Acre
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI), realizará um treinamento de captura inteligente de dados para os integrantes da Rede de Observatórios da estratégia denominada Vigilância Digital e de Prevenção do Feminicídio (Vigifeminicídio), no Estado do Acre. O treinamento ocorrerá de 26 a 29/05, na sede da Universidade Federal do Acre, em Rio Branco, com a participação de docentes, discentes, representantes da coordenação do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC-UFAC) e representantes de instituições públicas e organizações não-governamentais ligadas à temática. O objetivo é fortalecer a rede de monitoramento da violência letal contra as mulheres na Amazônia Ocidental, contando com mais uma capital parceira na Região Norte. A rede já conta com campos em Manaus (AM), Porto Velho (RO), Rio de Janeiro (RJ) e prevê a inserção de Boa Vista (RR), ainda em 2025, cobrindo as quatro capitais da Amazônia Ocidental brasileira ou cerca da metade da população feminina dos estados de Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima.
“Há cerca de dois meses, tivemos o mesmo treinamento em Porto Velho e para o campo do Rio de Janeiro. Agora, mais uma capital amazônica, Rio Branco, passa a integrar a Rede digital de observatórios, o que para nós é extremamente gratificante, pois demonstra que estamos ampliando a proposta em direção à consolidação da estratégia Vigifeminicídio. por entendermos que quanto mais corpo tiver a rede de monitoramento da violência letal contra as mulheres, maiores serão não apenas as chances de contribuirmos para a interação com órgãos de controle, atores da segurança pública, movimentos sociais e serviços de saúde na região, como também, de contribuirmos com a visibilização do feminicídio e suas causas, fundamentais ao seu enfrentamento e prevenção”, explica o pesquisador da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana.
O treinamento será ministrado pela pesquisadora e epidemiologista Fernanda Sindeaux Camelo, também mestranda do Programa de Pós-Graduação em Condições de Visa e Saúde na Amazônia (PPGVIDA/ILMD). Na ementa do curso, os participantes conhecerão e usarão o formulário estruturado do projeto, especificamente desenvolvido para a coleta dos dados dos assassinatos femininos, com detalhadas orientações sobre como fazer o preenchimento e validação adequada das cerca de 80 variáveis do estudo, incluindo dados operacionais, voltados a identificação de cada óbito, mas sobretudo, àqueles que garantirão uma inédita caracterização das circunstâncias da vitimização letal dessas mulheres, como o local da ocorrência da agressão letal, características sociodemográficas (cor de pele, estado civil, orfandade, pe.) e as circunstâncias da vitimização em si (tipo de arma usada pelo agressor, uso de álcool, hora da agressão, p.e.).
Além disso, a programação abordará a interpretação e uso do dicionário de dados do projeto, material instrucional fundamental à captura e armazenamento dos dados. Também serão abordados conceitos e estratégias cruciais à consulta e extração de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e do Judiciário brasileiro , além de ferramentas como o GoogleBot, raspagem de dados manual e automizada com e sem o robô de busca do Projeto (FemiBot). Finalmente, será abordada a integração dos dados extraídos das fontes principais do projeto, com os dados de noticiário, mediante atividades práticas para cada uma uma das etapas, uma ez que a parte teórica foi esgotada na semana passada remotamente.
“A expectativa, em médio prazo, é que o campo do Rio Branco, assim como os demais, adquiram autonomia no gerenciamento e análise de dados, fortalecendo não apenas a vigilância de óbitos e a integração entre ensino-pesquisa-serviços de saúde no âmbito do Sistema único de Saúde e no Sistema de Segurança Pública, como também contribuía à produção acadêmica, com dissertações, teses e artigos temáticos e para o aperfeiçoamento de políticas públicas que visem enfrentar e prevenir a violência de gênero, um grave e desafiador problema no Brasil e no mundo”, finaliza o pesquisador da Fiocruz Amazônia.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Imagem: Fiocruz Amazônia Revista e Divulgação/Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia participa da inauguração do Laboratório do Atlas ODS Amazônia e destaca importância do monitoramento dos indicadores como forma de avançarmos nas metas da Agenda 2030 da ONU
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) participou na manhã desta terça-feira, 20/05, da inauguração do Laboratório do Atlas ODS Amazônia, espaço voltado à produção, organização e divulgação de dados e relatórios sobre os Indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (IODS), na Amazônia Legal, fruto do trabalho de pesquisa de extensão desenvolvido pelo Laboratório Multitemático, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Presente à solenidade, a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes – que assina, como pesquisadora em saúde pública, o espaço dedicado à análise dos dados apresentados no boletim ODS 3, lançado na ocasião – destacou a importância do monitoramento dos indicadores como forma de incentivar os municípios a desenvolverem políticas públicas que permitam avançar no atingimento das metas da Agenda 2030 da ONU.
O boletim, que analisa em específico o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável de número 3 (ODS 3), acerca da garantia de saúde e bem-estar para todas as pessoas, tem foco voltado para quatro temas: mortes de mães e bebês recém-nascidos, partos realizados em hospitais ou postos de saúde, e mortes no trânsito. A análise revelou que apenas 31 dos 772 municípios da Amazônia Legal (o equivalente a 4%), teriam alcançado as metas desejadas. A maioria ainda enfrenta desafios sérios, como dificuldades de acesso à saúde por populações tradicionais e comunidades em situação de vulnerabilidade.
Para Stefanie Lopes, a iniciativa do Atlas ODS é de extrema importância no sentido de identificar os gargalos e oportunizar a tomada de decisão por partes dos gestores públicos locais e nacionais. “A integração de várias instituições para pensar a Amazônia e contribuir com reflexões faz toda a diferença. É triste ainda termos que analisar sobre o viés de que a saúde ainda não é acessível a todos no tocante à dignidade ao nascer. Temos na Amazônia diferentes realidades, peculiaridades culturais e étnicas, que devem ser consideradas pelos Governos na hora de pensar em políticas públicas de saúde”, salientou a diretora da Fiocruz Amazônia. O boletim estará disponível na versão on line a partir desta quarta-feira, 21/05, e em breve terá a versão impressa. O lançamento do boletim ocorreu no Auditório Vitória Régia, do Centro de Ciências do Ambiente da UFAM, com a presença de representantes de diversas instituições de saúde, pesquisa e gestão pública.
O Boletim Atlas ODS Amazônia reúne dados atualizados sobre a saúde nos 772 municípios da Amazônia Legal. Elaborado por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas e do Instituto Acariquara, o estudo usa metodologia própria para avaliar 42 indicadores cobrindo todos os 17 ODS. “O boletim mostra onde estão os maiores desafios e desigualdades, ajudando na formulação de políticas públicas”, informa o coordenador técnico do projeto do Atlas ODS Amazônia, Danilo Egle Santos Barbosa. “Nosso primeiro resultado de impacto é que apenas 4% das cidades da Amazônia Legal estão em acordo com as metas da ONU para o desenvolvimento sustentável. Outra informação interessante é que na região do Alto Rio Negro, no Amazonas, temos uma observação a fazer em relação aos indicadores de partos em estabelecimentos de saúde, se ocorrem por questões étnicas ou por conta de crise de prestação de serviço público”, detalhou
Segundo Danilo, dos quatro indicadores pesquisados, o de mortes no trânsito é o mais crítico para toda a região amazônica, sendo a cidade de Palmas, no Tocantins, a que apresenta os maiores índices entre as capitais da região. O coordenador cita também que a série histórica pesquisada, de 2015 a 2023, revela uma mudança de comportamento no período pandêmico em relação aos números de acidentes, que voltaram a crescer após a pandemia.
O coordenador do Laboratório Multitemático, professor Henrique dos Santos Pereira, ressalta que a iniciativa do Atlas ODS Amazônia foi criada em maio de 2029, como uma pesquisa de extensão com o objetivo de realizar o monitoramento dos indicadores da agenda 2030, inicialmente para os municípios do Amazonas, servindo como um apoio aos governos locais para monitorar os progressos no atingimento das metas da Agenda 2030 da ONU. “Agora entramos numa nova fase do Atlas ODS que cobre todos os municípios da Amazônia Legal com a possibilidade de entender quem está ficando para trás e quem avançou no atendimento às metas do Desenvolvimento Sustentável”, pontuou.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Fiocruz e University of Glasgow reúnem pesquisadores para discutir e formular propostas para mitigar impacto das mudanças climáticas sobre a saúde das populações na Amazônia
/em Notícias /por Julio OliveiraManaus sediará, entre os dias 2 e 6/06, o workshop Amazônia BR/UK, que reunirá 22 pesquisadores brasileiros e estrangeiros que desenvolveram ou estão em fase de conclusão de estudos que abordem questões relativas ao ambiente, às mudanças climáticas e aos impactos sobre a saúde das populações amazônicas. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz, por meio do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (CIDACS/Fiocruz), e a Universidade de Glasgow, no Reino Unido, com financiamento do Fundo Internacional de Parcerias Científicas (ISPF), do British Council. Ao todo, 16 jovens doutores ou doutorandos em fase de conclusão de suas teses, foram selecionados por meio de edital lançado em dezembro de 2024, que teve em torno de 30 propostas de adesão ao workshop submetidas, das quais 16 foram aprovadas, sendo 12 jovens doutores e mais quatro candidatos ao título de Doutor, entre brasileiros e estrangeiros.
O British Council é uma organização internacional do Reino Unido para relações culturais e oportunidades educacionais nas áreas de língua inglesa. A coordenação geral do evento é do professor Jonathan Olsen, da School of Health & Wellbeing da University of Glasgow” (UK). A ideia, de acordo com o pesquisador da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, vice-coordenador do projeto, é promover a troca de experiências e a articulação entre grupos de pesquisa que estão trabalhando em torno dos temas Ambiente, Saúde e Mudanças Climáticas na Amazonia para gerar, a partir daí, novas linhas e grupos de pesquisas que possam preencher lacunas e inspirar estratégias de mitigação dos efeitos da crise climática na Amazônia, com projeções futuras, por exemplo.
“Nosso intuito é gerar um relatório com contribuições de acesso público que possam ser encaminhadas aos participantes da COP 30 e que, de alguma maneira, impactem nas discussões da Conferência, com sugestões aos tomadores de decisão e, ao mesmo tempo, com potencial de criar uma jovem e engajada rede internacional de colaboração, formada por acadêmicos e não-acadêmicos, com alternativas para as pessoas que estão sendo impactadas pela emergência climática na Amazônia”, explica Orellana. Os participantes serão acompanhados por uma equipe de seis pesquisadores sêniores, que atuarão como mentores. São eles: Johnathan Olsen (coordenador-geral do evento), Jesem Orellana (Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia da Fiocruz Amazônia), Peter Craig (School of Health & Wellbeing da University of Glasgow), Maria Luiza Garnelo Pereira (ILMD/Fiocruz Amazônia), Helen da Costa Gurgel (Departamento de Geografia da Universidade de Brasília) e Júlia Pescarini (London School of Hygiene & Tropical Medicine).
Orellana destaca, entre os mentores, a contribuição da pesquisadora da Fiocruz Amazônia Luiza Garnelo, que é antropóloga e médica sanitarista com 30 anos de experiência com pesquisas, trabalho político e educacional com diversas sociedades indígenas na Amazônia Brasileira. “Além de atuar na mentoria, Luiza Garnelo irá traçar um panorama da região amazônica para os participantes, comentando aspectos étnicos, demográficos e da saúde das populações amazônicas, em particular indígenas, para esse público heterogêneo formado por novos pesquisadores, que, apesar de trabalharem com os temas saúde e ambiente e os seus impactos na região, nem sempre conhecem a complexidade de um trabalho de campo na Amazônia e dos perigos contemporâneos existentes, como o da violência em regiões remotas, em particular áreas com mula ou limitada presença do Estado brasileiro”, pontua Jesem.
Orellana explica que, entre os participantes selecionados, haverá recém-doutores ou pessoas que estejam terminando suas teses de doutorado, no Brasil e no Reino Unido. “Teremos, por exemplo, participantes estrangeiros nascidos em diversos continentes e brasileiros de diversas regiões do país, os quais estão desenvolvendo estudos em 12 instituições diferentes do Reino Unido e Brasil, o que coloca a Fiocruz Amazônia como protagonista na discussão acadêmica e política dessa temática, com possibilidade de quantificarmos o impacto ambiental das mudanças climáticas na Amazônia Legal e seus efeitos na saúde da população do nível local ao nacional, expressando nossa decepção com a condução dada até hoje ao problema”, ressaltou.
PROGRAMAÇÃO
Na programação do evento, serão discutidas experiências de metodologias e abordagens, que permitam desenvolver uma teoria para a formulação de intervenções que visem mitigar os efeitos das mudanças climáticas na saúde, adaptadas ao peculiar contexto da região amazônica e gerar um relatório abrangente que delineie o conhecimento existente e estabeleça coletivamente uma agenda de pesquisa. “A finalidade é costurar todo esse corpo de conhecimento de diferentes pessoas e diferentes grupos de pesquisas, à luz das ciências de dados climáticos, das ciências sociais e humanos, da saúde pública e ambiental, bem como de um ponto de vista das políticas sociais, econômicas e dos sistemas de saúde”, observa Jesem,
O Workshop Amzônia BR/UK será aberto na segunda-feira, às 9h, no Salão Canoas, pela diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, que dará as boas-vindas aos participantes, seguindo-se de sessões temáticas e apresentações dialogadas. Até a sexta-feira, 6/06, serão realizadas debates, atividades em grupos e apresentações sobre os principais achados, lacunas e perspectivas dos pesquisadores , a partir dos seus estudos e experiências na Amazônia. Em pequenos grupos, os participantes se reunirão para pensar em intervençõs ou estratégias que visem mitigar o impacto das mudanças climáticas sobre a saúde da população na Amazônia Legal, agrupando os principais temas e prioridades.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Michell Mello / Fiocruz Amazônia Revista
Comitiva da Fiocruz participa de workshop na Universidade de Münster, na Alemanha, e fortalece construção de parceria com a instituição
/em Notícias /por Julio OliveiraUma comitiva da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), formada por representantes das Vice-Presidências de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e Comissão Geral de Educação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação. (CGE-VPEIC), participou na Universidade de Munster, na Alemanha, entre os dias 14 e 16/05, de um conjunto de atividades, entre reuniões, apresentações e visitas, como parte da programação do Workshop “Fiocruz-Münster research alliance for infectious disease preparedness”. O evento é o segundo, realizado em parceria entre as duas instituições, a partir do memorando de entendimento firmado em fevereiro deste ano, entre a Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), da Fiocruz, e a Reitoria da instituição alemã.
A delegação da Fiocruz foi formada por Marcelo Pelajo Machado (VPPCB), Vinicius Cotta (CGE/VPEIC), Pritesh Lalwani (ILMD/Fiocruz Amazônia), Aline Matos (IOC), Rafael Freitas (IOC), Thiago Moreno (CDTS; “online”). O evento teve como temas Modelagem de doenças infecciosas; Plataformas e estratégias de pesquisas na perspectiva de One Health, Vírus Respiratórios (influenza, SARS-CoV-2, Vírus Sincicial Respiratório, Papilomavírus Humano, Terapias antivirais); Inflamação e terapias em doenças inflamatórias e câncer. “Houve um conjunto de atividades apresentações, discussões, visitas a universidade e à própria cidade, em mais um passo dentro de um conjunto de iniciativas para a conjunção e o fortalecimento da construção institucional de uma parceria entre a Fiocruz e a Universidade de Münster”, assegura o coordenador-adjunto da Educação Internacional da VPEIC, Vinícius Cotta.
Segundo Cotta, essa parceria vem se consolidando desde 2023, a partir de um conjunto de iniciativas e atividades, iniciadas com a visita do reitor da Universidade de Münster, Johannes Wessels, à sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, e a assinatura do memorando de entendimento, que previa, além de um conjunto de seminários, a construção de um primeiro projeto financiado pelo Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha e coordenado por pesquisadores do Centro Brasil da universidade. “A partir desse projeto, foram montados dois workshops, um no Brasil, em dezembro de 2024, no Rio de Janeiro, e esse agora com a missão da Fiocruz a Münster, com a presença de pesquisadores da Fiocruz, sendo um on line, que não pode estar presente”, explica.
Dentre as atividades programadas para Münster, foram realizadas, no primeiro dia, visitas ao Hospital Universitário da Faculdade de Medicina, ao Instituto de Virologia e Centro de Modelagem de Doenças Infecciosas. Houve também encontros com coordenadores dos centros de Imagem e de Nanotecnologia, e o início do workshop propriamente dito com apresentações e discussões sobre tópicos de relevância global, principalmente relacionados com vírus respiratórios (influenza, SARS-CoV-2, Papiloma vírus), terapias antivirais na área de infamação e imunobiologia, terapias em doenças inflamatórias e autoimunes e em câncer. O segundo dia terminou com uma visita guiada a exposição do Museu de História Natural sobre o tema Genes, mostrando toda a evolução histórica da Genética, suas grandes descobertas e aplicações atuais.
No terceiro dia, a delegação da Fiocruz foi recebida pelo reitor Johannes Wessels e participou da cerimônia de celebração dos 100 anos da Faculdade de Medicina da Universidade de Münster. Em seguida, foi recebida no Brazil Center de Münster para uma visita guiada específica ao centro histórico da universidade, numa interação cultural de conhecimento da história da organização da cidade de Munster
A coordenação da visita ficou a cargo do diretor do Instituto de Virologia, Stephan Ludwig, coordenador da Plataforma de One Health, e do diretor científico do Brazil Center Münster, Bernd Hellingrath.
SOBRE A UNIVERSIDADE
Com mais de 44.000 estudantes a Universidade de Münster é uma das maiores universidades na Alemanha. Sua ampla oferta de estudos e a variedade de linhas de pesquisa, assim como a atmosfera e a qualidade de vida da cidade de Münster, fazem dela um ponto de atração para estudantes e cientistas nacionais e internacionais. Ao contrário dos modernos campi universitários, a Universidade de Münster se desenvolveu ao longo de seus dois séculos de história. Os institutos e departamentos estão distribuídos por mais de 200 edifícios espalhados por toda a cidade. Possui 280 cursos de graduação, 15 faculdades, 44.400 estudantes, 7.600 alunos formados em 2020, quase 600 cátedras, 4.870 colaboradores científicos, mais de 35 cursos de doutorado estruturados com financiamento próprio e externo, cerca de 50 centros e grupos de pesquisa coordenados com financiamento da DFG e 10 com fomento da União Europeia, 2 clusters de excelência.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Projeto Diagnóstico Situacional das UBSF na Amazônia Legal e Pantanal encerra primeira fase de coleta de dados com boas expectativas para próxima etapa
/em Notícias /por Julio OliveiraO Projeto Diagnóstico Situacional das Unidades Básicas de Saúde Fluvial (UBSF) encerrou no início do mês de maio a primeira fase da pesquisa, quando estiveram em campo 24 pesquisadores, divididos na Expedição Marajó, Expedição Belém e Rio Tocantins/Expedição PA-AP, Expedição Médio e Alto Solimões, Expedição Rio Negro/ Expedição Parintins, Expedição Manaus/Expedição Madeira e Expedição Acre. Foram visitadas, no total, 53 UBSF em 51 municípios. A Expedição Médio e Alto Solimões foi coordenada por Marluce Mineiro e teve como integrantes Lia Fuenzalida (pesquisadora de saúde), Kleyphide da Silva (engenheiro naval) e Tales Araújo (assistente de campo). Partiu de Manaus em 17/03, com suas distintas rotas, sendo a segunda equipe com o maior tempo de permanência previsto o campo, finalizando suas atividades no município de Jutaí, após 48 dias de viagem.
A equipe visitou nove municípios: Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Tonantins, Fonte Boa, Uarini e Jutaí. Em cada um deles, a Expedição realizou a avaliação das UBSF, entrevistando gestores, profissionais da Estratégias de Saúde da Família Fluvial (eSFF), agentes comunitários de saúde (ACS) e usuários pertencentes aos povos do campo, da floresta e das águas. Para Marluce Mineiro, diversidade é uma das características da pesquisa, começando pela composição da equipe. “Essa pesquisa teve um formato diferenciado porque agrega uma equipe multiprofissional composta por uma sanitarista brasiliense, um engenheiro naval manauara e um cineasta fortalezense, e esse arranjo se fez necessário considerando que estamos avaliando pela primeira vez uma política implementada e desenvolvida há mais de dez anos no Brasil”, comentou.
Segundo a coordenadora de campo, o cenário amazônico observado pela equipe revelou inúmeras diferenças entre os municípios. “Conhecemos um cenário, lindo, deslumbrante, atravessado por numerosas calhas do nosso imenso Rio Solimões. Em cada município, vimos realidades em comum, como a dificuldade de acesso aos serviços na sede dos municípios, por parte das comunidades rurais e ribeirinhas e o elevado preço do combustível, o que impacta diretamente no planejamento das viagens da UBSF. Por outro lado, chamou mais atenção em toda a expedição, perceber que temos muitas amazônias dentro da Amazônia e precisamos pensar em políticas de saúde que considerem as particularidades de cada município ainda que seja da mesma região, em virtude da quantidade de calhas e da dispersão entre as comunidades”, pontua Mineiro.
SEGURANÇA
Nos períodos de cheia e seca, a depender da localidade, os problemas vão para além das condições climáticas, conforme relata a pesquisadora de saúde da Expedição Médio e Alto Solimões, Lia Fuenzalida. “O isolamento da comunidade nesse período agrava os problemas, especialmente em casos de emergência, adoecimento ou qualquer imprevisto de saúde. A Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF) tem o objetivo de levar assistência às comunidades ribeirinhas, mas esses desafios logísticos dificultam o acesso regular. Além disso, há questões graves de segurança. As comunidades estão localizadas em rotas de narcotráfico, onde atuam piratas de rio e garimpeiros ilegais, frequentemente em confronto entre si. Também há relatos de pesca ilegal. Toda a população vive em constante medo, pois esses grupos circulam armados e impõem o terror, principalmente à noite. Navegar nesse período (cheia) é extremamente arriscado”, afirma Lia. A ausência de segurança pública efetiva se agrava pelo tamanho do município, que possui inúmeras calhas e ramificações de rios, criando áreas desprotegidas onde esses grupos criminosos atuam livremente.
Ao todo, nove embarcações foram avaliadas pela equipe da expedição Médio e Alto Solimões. Segundo o engenheiro naval Kleyphide Silva, no município de Jutaí, por exemplo, a UBSF Clarice Souza apresentou estruturas na quilha, costado e leme bastante degradadas devido à acidez da água e sem monitoramento ou manutenção de sua proteção de barreira (pintura). “A indicação é que seja feita uma análise por ultrassom e, caso seja necessário, a substituição de chapas nessas regiões mencionadas. De um modo geral, a embarcação está tecnicamente razoável, foi pintada, suas estruturas internas estão quase novas, ambientes limpos e zelados, porém se faz também necessária a manutenção da popa após danos estruturais que podem ter se originado após colisões com outros barcos. “Mas digo com um largo sorriso que a tripulação cuida muito bem da embarcação e acredito que está sendo muito bem utilizada na região”, avaliou o engenheiro naval.
Tales Araújo, assistente de campo, observou que “a UBSF de Jutaí promove a atenção básica para uma área do Brasil socioeconomicamente vulnerável, que não tem acesso a medicamentos nem atendimento médico, ou seja, promove a cidadania de todo um povo que foi por muito tempo escanteado pelo Estado. As ações da UBSF estão melhorando a qualidade de vida dos povos da água e fortalecendo o vínculo entre profissionais e moradores de Jutaí”, ponderou o assistente.
EXPECTATIVAS SOBRE A PESQUISA
A pesquisa entrará, a partir deste mês de maio, na segunda fase de atividades do projeto, desenvolvido pelos parceiros Projeto Saúde e Alegria, Fiocruz Amazônia, Universidade Federal do Pará (UFPA) e Ministério da Saúde. O desafio agora será o de realizar a análise dos dados coletados pelas seis expedições, verificando as condições de funcionamento das UBSF nos municípios atendidos pelas unidades, a fim de subsidiar a elaboração de projetos de reativação, ampliação e qualificação da Estratégia de Saúde da Família Fluvial. Saiba quais são as expectativas em relação ao projeto e a aplicabilidade na prática dos seus resultados na região da expedição:
André Vinícius de Araújo – Coordenador Operacional da Pesquisa.
“A expectativa para a segunda etapa da pesquisa é que com o aprendizado, poderemos sugerir melhorias no planejamento e a execução da pesquisa de campo, e como na etapa já executada, os pesquisadores sejam bem recebidos nos municípios para que a coleta de dados possa ocorrer sem preocupações. Minha avaliação sobre a execução do projeto é positiva, pois tivemos uma boa recepção por parte dos municípios, que em alguns casos disponibilizaram transporte. Ainda tivemos em campo colaboradores/as bastante compromissado/as com a pesquisa, que sempre davam feedback do que acontecia em campo, então as ferramentas de comunicação disponíveis são fundamentais para esta execução. Das 52 UBSFs planejadas para a visita, tivemos a acesso total a 50 em 50 municípios. Claro que é necessário adaptar muitos processos em cada etapa, mas considero positivo o saldo da pesquisa”.
Marluce Mineiro – Coordenadora da Experdição Médio e Alto Solimões
“Minhas expectativas em relação ao projeto sempre foram bastante altas, justamente pela sua proposta abrangente. Ele contempla diferentes tipos de questionários que permitem um aprofundamento em várias dimensões das embarcações de saúde — desde aspectos sociais, que envolvem tanto os usuários quanto os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), até questões estruturais e de gestão, voltadas às Secretarias Municipais de Saúde. Também vejo como um diferencial a inclusão da perspectiva da Engenharia Naval, considerando a infraestrutura das Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSFs). É um projeto que dialoga com diferentes setores e atores, e por isso tem potencial para gerar mudanças concretas. Um dos principais pontos levantados nas entrevistas foi a questão do financiamento. Embora a política pública exista e preveja a atuação das UBSFs, os custos operacionais — especialmente em áreas ribeirinhas — são extremamente altos. Isso inclui não só os insumos médicos, mas também o combustível (diesel e gasolina), a manutenção das embarcações e outros aspectos logísticos. Esses foram desafios recorrentes apontados pelas equipes entrevistadas. Acredito que os dados coletados poderão contribuir significativamente para que os gestores do Ministério da Saúde e os pesquisadores consigam aprofundar o diagnóstico e visualizar caminhos reais de melhoria. Tenho confiança de que há disposição do Ministério da Saúde para promover mudanças efetivas que atendam às necessidades das populações ribeirinhas. Acredito que mais do que relatos sobre as necessidades de melhorias, conseguimos captar nos municípios visitados um panorama real das principais dos desafios de cada local. Temos um banco de dados gigante que poderá subsidiar/nortear os diálogos das pactuações da Comissão Intergestores Tripartite, revisando metas, indicadores e estratégias para a atenção à saúde ribeirinha. o que me chamou mais atenção em toda a expedição é ter percebido que temos muitas Amazônias dentro da Amazônia e precisamos pensar em políticas de saúde que considerem as particularidades de cada município ainda que seja da mesma região, em virtude da quantidade de calhas e da dispersão entre as comunidades”
Imagem: Secretária de saúde de Jutaí em entrevista na UBSF Clarice Souza
Genize Kaoany Alves Vasconcelos – Coordenadora da Expedição Baixo Amazonas/AM
“Sob a perspectiva do pesquisador que conduziu entrevistas com os usuários dos serviços, ficou evidente que a presença da UBSF representa o coração da assistência à saúde nas regiões do interior do Amazonas. Em alguns municípios, conseguimos realizar entrevistas diretamente nas comunidades, juntamente com usuários, o que nos permitiu observar dois cenários distintos: locais onde a UBSF estava operante e outros onde se encontrava inoperante. Durante a coleta de dados, experimentamos uma mistura de sentimentos. Por um lado, a alegria dos usuários ao relatarem que a UBSF estava ativa e atendendo às suas necessidades; por outro, a tristeza daqueles que não ouviam mais o apito da embarcação atracando no porto improvisado da comunidade, um som que simbolizava ‘cuidado. A ausência da UBSF impõe um custo alto a essas populações: sem o serviço, os usuários precisam se deslocar até a sede dos municípios ou locais dentro do perímetro rural de referência para buscar atendimento, o que exige tempo, recursos financeiros e físicos, os quais muitas vezes são escassos. Em muitos casos, o pouco que possuem é destinado apenas à própria subsistência. Portanto, espera-se que os resultados do diagnóstico fornecem subsídios para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde dos povos das águas e floresta e ao aprimoramento das estratégias de atenção primária por meio das UBSFs. assegurando sua sustentabilidade e ampliação do acesso à saúde”.
Foto: Kaoani (cordenadora) e ACS de Barreirinha/AM.
Vinicius Yuri Borges dos Santos – Coordenador da Expedição Belém e Baixo Tocantins e PA/AP.
“Como coordenador eu espero que venham melhorias para os municípios de fato e que o ministério reestruture essa política que, como profissional de saúde do SUS, reconheço que é excelente, mas que assim como muitos serviços encontra-se sucateada em algumas cidades. Passei por 9 cidades entre o baixo Tocantins, Amapá e uma parte da região do Marajó e o que eu diagnostiquei e foi repassado no REDCap em sua maioria é que muitas unidades não estão funcionando devido ao processo burocrático de credenciamento, e entre essas unidades a unanimidade entre os gestores foi que a burocratização perante a marinha para emitir as certificações legais foi o pior empasse. Algumas unidades que estão credenciadas relataram que ficaram cerca de dois anos nesse processo junto à Marinha. Das 9 unidades que fui apenas quatro estavam credenciadas e funcionando, as demais estavam se perdendo atracadas no Porto e aguardando a legalização. Existem unidades que estão desde 2017 paradas e largadas ao tempo, unidades que poderiam estar atendendo a população ribeirinha. Por outro lado, na visão dos municípios que estão credenciados a unanimidade foi quanto ao valor do custeio da embarcação, que segundo eles é insuficiente. Passei por municípios de menos de 30 mil habitantes que recebem 90 mil de custeio do ministério e entram com uma contrapartida de 120 mil, algo totalmente desproporcional quando se analisa os dois orçamentos. Muitos municípios gostariam de ofertar mais serviços, mas a realidade orçamentária não permite essa expansão, mas mesmo assim alguns municípios tentam reforçar esses atendimentos que em tese deveriam ser de atenção básica mas acabam passando para média complexidade devido a carência, nos deparamos com alguns municípios ofertando eletrocardiograma, ultrassonografia e atendimentos que não são de Atenção Básica, e ficamos felizes por saber que existiu esse esforço do município para implementar esse serviço. Então, na prática, eu e a minha equipe acreditamos que os relatórios podem nortear muito bem o ministério para reformar essa política, tanto desburocratizando o processo de credenciamento através de um termo de cooperação junto à Marinha, ou a criação de um grupo de trabalho para credenciar essas embarcações, através do aumento do custeio mensal, criação de um programa de informatização destas unidades fluviais ou através de melhorias no projeto”.
Imagem: Equipe da Expedição na UBSF de Abaetetuba/PA.
Claudivan Balbino Mello – Coordenador da Expedição Manaus/Rio Madeira.
“A expectativa é identificar todas, ou a maior parte, das dificuldades enfrentadas pela administração local na execução da assistência em saúde para a população da zona rural por meio da unidade fluvial. É importante compreender o que impediu a implementação eficaz dessa estratégia, considerando que já existe a UBSF, mas a assistência em saúde oferecida por meio da unidade fluvial ainda não funciona adequadamente. Além disso, pretende-se propor cursos de capacitação voltados à estratégia da UBSF. A maioria dos secretários mencionou apenas a dificuldade de manter a unidade fluvial devido à insuficiência de recursos financeiros. No entanto, há pouca atenção para o impacto sobre os profissionais, que enfrentam desafios como a carga de trabalho exaustiva, o tempo prolongado longe de casa, a falta de acompanhamento psicológico e a ausência de compensação financeira adequada. Esses fatores podem resultar em alta rotatividade ou escassez de profissionais qualificados. Assim, o projeto busca propor melhorias de forma abrangente para garantir que a assistência em saúde à população da zona rural, por meio da Unidade Básica de Saúde Fluvial, seja eficaz, resolutiva e mais frequente. Isso inclui medidas para manter a continuidade do serviço mesmo em períodos de maior dificuldade, como a seca dos rios. Esse fenômeno representa um grande desafio para a navegação fluvial e um impacto ainda maior para as comunidades ribeirinhas, que podem ficar completamente isoladas e sem acesso a cuidados essenciais. Na prática, trata-se de flexibilizar ou eliminar os impedimentos que tornam a execução da política inviável, considerando as necessidades específicas de cada região. Isso inclui a adição de mais componentes de saúde, a ampliação do espaço físico, a oferta de mais opções de serviços e a consolidação da Estratégia Saúde da Família Fluvial como uma das principais iniciativas para levar assistência à população ribeirinha, especialmente nos momentos em que mais precisam, garantindo um atendimento de qualidade, com resolutividade e equidade”.
Imagem: UBSF Isaías Viana Carvalho – Anori/AM.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa e Marluce Mineiro
Fotos: Isabella Santos/Marquerelres de Oliveira Freire /Tales Araújo/Marquerelres de Oliveira Freire /Vinícius Santos / Divulgação / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia realiza palestra sobre o tema “Dissecção a laser para o estudo da Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia”
/em Notícias /por Julio OliveiraO Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realizará, no próximo dia 23/05, a palestra intitulada “Dissecção a laser para o estudo da Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia e muito mais”, a ser ministrada pela bióloga-doutora em Biodiversidade e Saúde pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Emanuelle de Souza Farias, integrante do grupo de Pesquisa do Laboratório de Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA) e da rede de compartilhamento de dados e informações sobre diversidade de árvores na Amazônia da Amazon Tree Diversity Network (ATDN).
O evento será transmitido via plataforma Zoom, pelo link https://us06web.zoom.us/j/81203723745?pwd=Hd6B2nndmru0sA8wYbWM33AlIGCmN1.1 (ID da Reunião: 812 0372 3745 e Senha de acesso: 004331), e terá como moderador o pesquisador da Fiocruz Amazônia James Lee, chefe do Laboratório Ecologia das Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA).
De acordo com Emanuelle Farias, a dissecção a laser, ou microdissecção por captura a laser (LCM), tem se mostrado uma ferramenta essencial para o estudo de doenças transmissíveis na Amazônia, região marcada por alta biodiversidade e complexidade ecológica. Segundo ela, a técnica permite a coleta precisa e livre de contaminação de células ou tecidos específicos, o que é fundamental para identificar agentes infecciosos e estudar a interação entre patógenos, vetores e hospedeiros em nível molecular.
‘No contexto amazônico, onde doenças como mansonelose, malária, leishmaniose, febre amarela e arboviroses são endêmicas, a LCM possibilita análises detalhadas de amostras biológicas obtidas de insetos vetores, agentes etiológicos, animais silvestres e humanos. Isso pode contribuir para o mapeamento de padrões de infecção, a caracterização de mecanismos de patogenicidade e a identificação de possíveis alvos terapêuticos ou estratégias de controle”, explana a pesquisadora, ressaltando que a dissecção a laser é uma aliada poderosa na pesquisa em saúde pública na região, permitindo avanços no entendimento e no enfrentamento de doenças transmissíveis em um dos biomas mais vulneráveis e estratégicos do planeta.
A palestrante destaca também que a técnica é útil para entender como o desmatamento e outras alterações ambientais influenciam a ecologia das doenças, permitindo a análise de tecidos afetados por agentes infecciosos em diferentes contextos ecológicos. “No entanto, a eficácia da LCM depende da boa preservação das amostras e de protocolos laboratoriais bem otimizados, o que pode ser um desafio em áreas remotas da Amazônia”, observa.
SOBRE A PALESTRANTE
Emanuelle Farias é Doutora em Biodiversidade e Saúde pelo Instituto Oswaldo Cruz – IOC/FIOCRUZ/RJ; Mestre em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em convênio com o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). Especialista em Gestão Ambiental pela Universidade do Estado do Amazonas, ela é graduada em Ciências Biológicas pela Escola Superior Batista do Amazonas, atuando principalmente em Taxonomia integrativa, Ecologia, estudos genéticos de vetores (Diptera), interação patógeno-hospedeiro, bem como estudos de impacto ambiental, ecologia, biodiversidade amazônica e manejo de animais silvestres. Atualmente pesquisadora, responsável Técnico da plataforma de microscopia de dissecção a laser do ILMD/Fiocruz Amazônia.
SOBRE O CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Imagem: Mackesy Nascimento
9ª edição da “Fiocruz Amazônia Revista” destaca tecnologia que reduz distância na luta contra doenças endêmicas na Amazônia
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia) lançou, recentemente, a 9ª edição da “Fiocruz Amazônia Revista”, publicação institucional de popularização que evidencia as pesquisas, projetos e iniciativas da Fiocruz Amazônia, em prol dos avanços na saúde, ciência, tecnologia e Inovação. Em sua capa, a publicação destaca um exemplo inspirador dessa revolução: o Telemal+, uma ferramenta que reduz distâncias, salva vidas e representa um novo capítulo na luta contra doenças endêmicas na Amazônia.
A reportagem apresenta o projeto, que conta com financiamento do Ministério da Saúde por meio da Secretaria de Informação e Saúde Digital (Seidigi). Através da abordagem, é possível conhecer o trabalho de profissionais de saúde, que, atuando em locais distantes dos grandes centros, com uma simples mensagem de celular, recebem orientações diretas de infectologistas em Manaus, garantindo suporte para uma conduta mais assertiva no enfrentamento da malária e outras doenças febris.
Clique AQUI para ler online ou fazer o Download da publicação.
Nesta edição, a publicação aborda ainda outro problema crescente de saúde pública: a esporotricose, uma infecção fúngica que tem se espalhado entre humanos e animais, revelando problemas associados ao controle populacional de gatos e à integração entre saúde humana, veterinária e ambiental. Em entrevista, pesquisadores da Fiocruz Amazônia alertam que o combate à doença exige uma abordagem multidisciplinar, que inclui educação, políticas públicas e novas soluções diagnósticas, como o kit de teste rápido, que está em desenvolvimento.
Outro tema de suma importância, pautado na nova edição, é a resistência do HIV aos antirretrovirais, especialmente no Amazonas. Estudos recentes revelam que a região apresenta uma das maiores taxas de resistência ao Efavirenz, um dos medicamentos mais utilizados no tratamento da infecção pelo vírus. Uma pesquisa da Fiocruz Amazônia analisou essas características, apontando soluções para que o tratamento continue sendo eficaz para milhares de pessoas.
Em entrevista especial para a Fiocruz Amazônia Revista, Valcler Rangel Fernandes, médico com vasta experiência em Medicina Preventiva e Saúde do Trabalhador, traz reflexões fundamentais sobre as políticas públicas voltadas para a região. A entrevista destaca estratégias para ampliar o acesso à saúde em territórios remotos, a implementação de ações de vigilância e saúde digital para populações quilombolas e o fortalecimento da atenção primária para comunidades ribeirinhas.
Sucesso de público, a exposição “Aedes e Anopheles: que mosquitos são esses?”, promovida pelo Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), realizada em parceria com a Fiocruz Amazônia, que conta com o patrocínio da SC Johnson, é outro assunto abordado na publicação. A exposição está instalada, até novembro de 2025, no Paiol da Cultura, localizado no Bosque da Ciência, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). A exposição conscientiza a população sobre a importância da educação ambiental e da Saúde Coletiva.
A revista conta com sessões que trazem informações adicionais aos leitores, como o espaço Em campo, que tem a proposta de mostrar a cada edição a experiência dos pesquisadores em suas atuações. Nesta edição, Kátia Lima, Tecnologista do ILMD/Fiocruz Amazônia, doutora em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia e graduada em Serviço Social pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), traz seu relato intitulado: Um encontro de saberes e afetos com o povo Pirahã.
Esta edição da Fiocruz Amazônia Revista é financiada pelo Projeto “Fortalecimento do Programa de Comunicação, Divulgação e Popularização da Ciência – CiênciaPop – ILMD/Fiocruz Amazônia”.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Michell Mello / Fiocruz Amazônia Revista
Fiocruz Amazônia e COSEMS AM lançam livros com relatos de experiências bem-sucedidas em Atenção Primária à Saúde no Amazonas
/em Notícias /por Julio OliveiraA Fiocruz Amazônia, em parceria com o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a Rede Unida, promoveu, na tarde da quinta-feira, 8/05, o lançamento de dois livros com relatos de experiências bem-sucedidas de trabalhadoras e trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas. Um deles, no âmbito do Projeto Imuniza-SUS, focando nos desafios do Brasil, em relação às coberturas vacinais e suas consequências, e, o outro, sobre as estratégias de inclusão e promoção da saúde, que revelam a potência do SUS na Amazônia. As duas obras – “Imuniza Amazonas: sobre vidas, afeto e vacinas” e “Aqui tem SUS: promovendo cuidados nos territórios do Amazonas”, integram a série Saúde e Amazônia e já estão disponíveis no site da Rede Unida.
Os livros são iniciativas inéditas, lançadas no âmbito da Mostra Aqui Tem SUS, e tem uma importância fundamental para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, conforme explica o pesquisador do Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia, da Fiocruz Amazônia, Júlio César Schweickardt, que atuou como organizador das duas publicações. O Imuniza Amazonas traz um relato panorâmico acerca das estratégias para que as vacinas chegassem às pessoas nos contextos ribeirinhos, rurais, urbanos e de fronteira no Estado do Amazonas, tendo como autores e autoras os profissionais de saúde que atuaram na definição dessas estratégias, trabalhando nesses territórios. O Projeto Imuniza-SUS, que possibilitou a publicação, é desenvolvido pelo Conasems em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.
Junto com Júlio Schweickardt, atuaram na organização da obra, que possui 314 páginas, Cristiano Fernandes da Costa, Bernardino Cláudio de Albuquerque, Maria Adriana Moreira, Cláudio Pontes Ferreira e Gigellis Duque Vilaça. No “Aqui tem SUS”, o protagonismo também é dos gestores e profissionais de saúde com experiências premiadas na Mostra “Amazonas, Aqui Tem SUS”, edições 2023 e 2024, sobre as dinâmicas locais que permitem aos trabalhadores e trabalhadoras vencerem desafios diários para desempenhar o cuidado com a saúde das populações ribeirinhas e indígenas nos municípios. A publicação, com 518 páginas, é fruto da parceria entre a Fiocruz Amazônia, por meio do LAHPSA, e o Cosems-AM, e teve como organizadores Maria Adriana Moreira, Marcia Cristina Marques Pinheiro e Júlio Cesar Schweickardt.
Para a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, as duas publicações são importantes ferramentas de valorização do trabalho que é desenvolvido na “ponta”, pelas trabalhadoras e trabalhadores do SUS. “A formalização do registro torna perene o trabalho desenvolvido na ponta pelos profissionais de saúde, permitindo a consulta ao conteúdo e dando visibilidade ao trabalho de excelência realizado pelos municípios do Amazonas, bem como a necessidade de adequação dos protocolos e procedimentos da atenção em saúde, devido às características únicas do território amazônico”, afirmou Stefanie, ressaltando o empenho do Lahpsa e Cosems-AM nessa construção e em experiências anteriores.
O lançamento dos livros marcou o encerramento da VI Mostra Amazonas, Aqui Tem SUS, evento que reuniu, durante dois dias, na Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), profissionais de saúde e gestores de 21 dos 62 municípios amazonenses que tiveram trabalhos selecionados para a edição 2025 do evento. Além dos livros, foram anunciados também os vencedores da Mostra, que este ano reuniu mais de 118 experiências de sucesso, e os trabalhos selecionados no Prêmio IdeaSUS Fiocruz. A Mostra teve ao todo 16 vencedores (Manaus, Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Itapiranga, Manacapuru, Urucurituba, Manicoré, Eirunepé, Tefé, Manaquiri, Silves, Nova Olinda do Norte, Parintins e Nhamundá) e, pelo IdeaSUS, foram selecionadas as experiências dos municípios de Atalaia do Norte, Borba e Rio Preto da Eva.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Foto: Júlio Pedrosa