COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Flebótomos apresentam facilidade de adaptação em áreas de peridomicílios
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaAssociados geralmente a áreas de florestas, alguns insetos apresentam facilidade de adaptação e provável reprodução em áreas de peridomicílio. O alerta foi feito no último encontro do Centro de Estudos do Instituto Maria e Leônidas Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), durante a palestra “Os flebotomíneos estão se tornando sinantrópicos na Amazônia Central”, ministrada pelo pesquisador e professor do ILMD, Dr. Felipe Arley Pessoa.
Segundo Pessoa, “durante muitos anos os flebótomos, vetores de leishmaniose, foram associados a áreas de floresta ou áreas tipicamente rurais”. Acreditava-se que ao adentrarem as florestas, em contato com os insetos infectados, as pessoas eram contaminadas e posteriormente desenvolveriam sintomas da doença.
Nos últimos anos, pesquisas realizadas no Nordeste e no Suldeste do Brasil, indicam que duas espécies apresentaram bom desenvolvimento no convívio humano. “Esses insetos possuem um índice de abundância muito grande no peridomicílio, mas quando você vai investigar a quantidade de espécies de flebótomos associados com sua abundância, o valor fica muito baixo. Em uma região que encontraríamos entre 25 e 30 espécies de flebotomíneos, apenas duas ou três estavam associadas ao ambiente urbano”, explicou Pessoa.
Apesar de estar sendo pouco acompanhado na Região Amazônica, o pesquisador ressalta que alguns estudos realizados na Comunidade do Rio Pardo, distante aproximadamente 200 quilômetros de Manaus, mostram que o comportamento dos insetos pode estar avançando próximo ao convívio humano. “Aqui na região Amazônica, estamos conseguindo acompanhar em um projeto com flebotomíneos, e observamos que o índice de diversidade e abundância desses insetos em áreas de peridomicílio são muito próximo do que estamos encontrando em floresta”.
FLEBÓTOMOS
Os flebótomos são pequenos insetos, que chegam a medir de 1 a 3 mm de comprimento, e podem ser encontrados ao redor das residências em locais sombreados e com matéria orgânica, como galinheiros, chiqueiros, canis e em lixeiras. As fêmeas precisam ingerir sangue para o desenvolvimento dos ovos e, dessa forma, picam tanto o cão quanto o homem, principalmente durante a estação chuvosa quando invadem as residências.
Ao picar o cão ou o homem, o flebótomo pode transmitir o protozoário chamado Leishmania chagasi, responsável, no Brasil, pela Leishmaniose visceral e tegumentar. Uma vez infectado o cão torna-se reservatório da doença, e pode ser fonte de infecção para outros animais ou mesmo para seres humanos que vivem ao seu redor.
(Foto: Eduardo Gomes)
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.
Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.
Especialistas debatem sobre classificação indígena nos censos demográficos
/em Notícias /por Marlucia Almeida“As categorias de identidade indígena se transformaram em termos de percepção social ao longo das últimas décadas”, destacou o pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), Ricardo Ventura, durante a última reunião do seminário de pesquisa do Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena (NEAI), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O encontro realizado em parceria com o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) reuniu indígenas, antropólogos, cientistas sociais e profissionais da área da saúde pública.
A palestra de Ricardo Ventura abordou questões teóricas e metodológicas envolvidas na captação de dados sobre indígenas pelos censos demográficos no País, trazendo exemplos do Amazonas. “As perguntas sobre classificação de cor e raça dentro de um censo estão presentes desde a década de 40. Há uma discussão muito importante de cientistas sociais, participando desse debate sobre sistema classificatório, que certamente influencia nas categorias, no âmbito do censo ao longo dessas décadas”, explicou.
Ricardo Ventura (Foto: Eduardo Gomes)
Na ocasião, o pesquisador lembrou avanços significativos sobre as questões demográficas na classificação dos indígenas no Brasil, conduzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com Ventura, no Censo de 1991 foi incluída a categoria indígena como mais uma opção de resposta para a pergunta sobre cor e raça, presente no questionário aplicado pelo Instituto, o que se repetiu em 2000.
No censo de 2010, o questionamento sobre cor e raça, que até 2000 era investigado apenas no questionário da amostra, passou a contemplar também o questionário básico. Além disso, Ventura lembrou também que no último censo, se a pessoa se declarava indígena, eram feitas perguntas adicionais sobre pertencimento étnico e línguas faladas.
INVISIBILIDADE SOCIODEMOGRÁFICA
Durante a apresentação, o pesquisador chamou a atenção para a redução no número de autodeclarados indígenas em áreas urbanas. Segundo ele, é possível que a inclusão das perguntas sobre pertencimento étnico e língua falada tenha influenciado a declaração de ser ou não indígena, por parte dos entrevistados.
Ventura acredita que a constante interlocução entre demógrafos e antropólogos, poderá estruturar métodos relevantes para a contínua inserção dos povos indígenas nos censos nacionais. “Mesmo frente aos muitos desafios, trilha-se no Brasil uma bem-sucedida trajetória de incluir os indígenas nas estatísticas nacionais e, com isso, reduzir sua invisibilidade sociodemográfica, com implicações importantes para fins de políticas públicas, inclusive na área da saúde”.
(Foto: Eduardo Gomes)
SOBRE O PPGVIDA
O PPGVIDA – ILMD/Fiocruz Amazônia é um programa de pós-graduação que tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
SOBRE O NEAI
O NEAI é um grupo de pesquisa vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) e ao Departamento de Antropologia da Ufam. O grupo reúne pesquisadores, professores e estudantes de diferentes áreas do conhecimento, que se dedicam ao estudo e pesquisas sobre temas relacionados aos povos e comunidades tradicionais.
O núcleo desenvolve suas ações através de pesquisas coletivas e individuais, projetos de extensão, encontros, palestras, seminários, seções de estudo e cursos de curta duração.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Seminário sobre indígenas na Amazônia e censos nacionais
/em Notícias /por Marlucia Almeida“Qual é o indígena da Amazônia que emerge a partir dos censos nacionais?”, este é o tema da palestra que Ricardo Ventura, especialista em demografia indígena, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), abordará no Seminário de Pesquisa do Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena (NEAI), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que será realizado em parceria com o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia).
O evento acontece na próxima quinta-feira, 23/3, às 14h, na sala 12, do NEAI, na Faculdade de Direito da Ufam, à avenida. Gal. Rodrigo Octávio Jordão Ramos, 6200 – Coroado.
A palestra de Ricardo Ventura vai abordar questões teóricas e metodológicas envolvidas na captação de dados sobre indígenas pelos censos demográficos no País, trazendo exemplos do Amazonas. Serão também abordados aos desafios que se colocam para a coleta de dados sobre as populações indígenas no Censo 2020.
SOBRE O NEAI
O NEAI é um grupo de pesquisa vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) e ao Departamento de Antropologia da Ufam. O grupo congrega pesquisadores, professores e estudantes de diferentes áreas do conhecimento, que se dedicam ao estudo e pesquisas sobre temas e problemas relacionados aos povos e comunidades tradicionais.
Os resultados de suas atividades objetivam contribuir para o fortalecimento da pesquisa em Etnologia e subsidiar atividades de ensino, extensão e intervenção. O NEAI desenvolve suas ações através de pesquisas coletivas e individuais, projetos de extensão, encontros, palestras, seminários, seções de estudo e cursos de curta duração.
SOBRE O PPGVIDA
O PPGVIDA – ILMD/Fiocruz Amazônia é um programa de pós-graduação que tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
O seminário é aberto ao público.
SOBRE O PALESTRANTE
Ricardo Ventura é graduado em Biologia pela Universidade de Brasília, Mestre e Doutor em Antropologia pela Indiana University, pós-doutorado em Massachusetts Institute of Technology (MIT) e na University of Massachusetts (1998-99), assim como no Max Planck Institute for the History of Science, Berlin. É Professor Titular no Dept. Antropologia do Museu Nacional – MN/ UFRJ e Pesquisador Titular na Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz.
ILMD Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
*Com informações do NEAI
Foto: ENSP/Fiocruz
De forma descontraída, ex-aluna de Maria Deane fala da cientista
/em Notícias /por Marlucia Almeida“Uma mulher brava, que tinha que se impor num mundo dominado por homens”. Esta e outras lembranças de Maria Deane foram compartilhadas por sua ex-aluna e pesquisadora, Antônia Franco, em palestra sobre a cientista, que juntamente com seu marido emprestam seus nomes à unidade da Fiocruz na Amazônia.
A palestra “Maria Deane: Lembranças de uma vida” foi proferida nesta sexta-feira, 17/3, por Antônia Franco, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e aluna de Maria Deane nos anos 80, em edição especial do Centro de Estudos.
A abertura do evento foi feita pelo diretor do Instituto Maria e Leônidas Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Sérgio Luz, também ex-aluno do casal Deane, que em muito contribuiu com lembranças sobre a dupla de cientistas.
Antônia Franco trabalhou por 12 anos com o casal e lembra que Maria e Leônidas sempre foram parceiros. “Essa cumplicidade entre eles existia desde o tempo de universidade”, pois os dois nasceram no Pará e lá cursaram a universidade de medicina.
Maria Deane. (Foto: Arquivo IOC/Fiocruz)
MARIA DEANE
Maria José von Paumgartten Deane (1916 – 1995) sempre foi uma mulher à frente de seu tempo, não media esforços em sua atuação a serviço da saúde pública. Segundo Antônia, ela dizia que todos a achavam brava, no entanto, as coisas saiam conforme o marido Leônidas queria, ele mais detalhista.
Antônia recorda ainda da perseguição política sofrida pelo casal que fez com os dois saíssem do País. Para ela, Maria era uma mulher firme, que trabalhou até seus últimos dias, sempre pesquisando, sempre atenta a tudo no laboratório.
Ela atuava na área de protozoologia, e ao lado do marido, percorreu o Norte e o Nordeste do País para investigar ocorrências de doenças como leishmaniose visceral, malária e doença de Chagas.
ANTÔNIA FRANCO
Antônia Franco é graduada em Licenciatura Plena e Bacharel em Ciências Biológicas pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, mestre em Biologia Parasitária, e doutora em Biologia Celular e Molecular pela Fundação Oswaldo Cruz, com parte do estudo desenvolvido na Universidade de Yale (EUA). Atualmente é pesquisadora titular do Inpa.
Atuou diretamente com Maria Deane. “Conheci a Dra Deane desde o ano de minha entrada como estagiária na Fiocruz, no ano de 1982. Foi minha orientadora de mestrado, co-orientadora, de doutorado”, lembra.
Saiba mais sobre Antônia Franco.
As atividades do Centro de Estudos ocorrem às sextas-feiras. (Fotos: Eduardo Gomes)
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza semanalmente encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ensino para a promoção da saúde.
Atualmente, o Centro vem promovendo todas as sextas-feiras palestras para os alunos de pós-graduação e pesquisadores do ILMD/ Fiocruz Amazônia e para comunidade em geral.
Para Sérgio Luz, o Centro de Estudos do ILMD está consolidado, na medida em que vem cumprindo sua programação de atividades. “Sempre tentamos engrenar o Centro de Estudos aqui na Unidade, e dessa vez estamos conseguindo, pois nosso maior público são nossos alunos de pós-graduação. Aqui, eles têm oportunidade de encontrar os colegas, partilhar experiências e discutir suas pesquisas e trabalhos, e isso acaba sendo uma grande possibilidade de troca de conhecimento”.
As atividades são gratuitas, e todos podem participar, especialmente estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
Sobre a atividade desta sexta-feira, Sérgio Luz disse que “foi uma excelente oportunidade não só pela experiência que a palestrante passou através do seu conhecimento, do tempo de trabalho, amizade e companheirismo que teve com a Dra Deane, mas também pelo sentido do que é fazer ciência, o que vai além dos papers e produção científica”.
INSTITUTO MARIA E LEÔNIDAS DEANE
Especialmente neste mês de março, a Unidade da Fiocruz na Amazônia, que se chama Instituto Leônidas e Maria Deane, em homenagem a mulher cientista está sendo chamado de Instituto Maria e Leônidas Deane.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Centro de Estudos do ILMD vai abordar a trajetória da cientista Maria Deane
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaEm edição especial, o Centro de Estudos do Instituto Maria e Leônidas Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) vai apresentar nesta sexta-feira (17/3), às 9h, no Salão Canoas, auditório da Instituição, a palestra “Maria Deane: Lembranças de uma vida”, que vai abordar a trajetória da cientista que junto ao seu marido, Leônidas Deane, deu nome ao ILMD. A palestra será conferida pela Dra. Antônia Franco, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), aluna de Deane nos anos 80.
A ação é uma homenagem à protozoologista por sua extensa contribuição científica. A iniciativa faz parte de um ciclo de atividades alusivas ao Dia Internacional da Mulher, desenvolvidas especialmente neste mês de março, na Instituição.
De acordo com a pesquisadora, a ideia é mostrar que exemplos como o de Maria Deane podem ser úteis, como um incentivo a mulher na carreira cientifica, não ficando aquém do crescimento profissional, mesmo que a mulher tenha diversas outras ocupações como ser mãe, esposa, cientista, educadora ou dona de casa.
Segundo Antônia, Maria Deane fez parte de sua trajetória na carreira científica. “Conheci a Dra Deane desde o ano de minha entrada como estagiária na Fiocruz, no ano de 1982. Foi minha orientadora de mestrado, co-orientadora, de doutorado, coordenadora de projetos no qual participei com bolsa de recém-doutor pelo CNPq e como pesquisadora visitante na FIOCRUZ até janeiro de 2000”.
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ensino para a promoção da saúde. A entrada é gratuita e podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
MARIA DEANE
Mais que uma cientista pioneira, Maria Deane foi uma mulher à frente de seu tempo: na década de 1930, formou-se em medicina, tornou-se cientista e desbravou o interior do país para investigar doenças até hoje negligenciadas. Deane registrou significativas descobertas durante a carreira científica iniciada em 1936, no Pará, sua terra natal.
Sempre a serviço da saúde pública, dedicou-se ao enfretamento de importantes endemias e registrou contribuições ímpares para o desenvolvimento do conhecimento científico na área da protozoologia. Ao lado de Leonidas, integrou diferente serviços de saúde pública e percorreu o Brasil para investigar a ocorrência de doenças como leishmaniose visceral, malária e doença de Chagas.
Uma das mais importantes descobertas da pesquisadora foi registrada em 1984, quando Maria Deane atuava como chefe do Departamento de Protozoologia do IOC. O estudo descreve pela primeira vez o duplo ciclo de multiplicação do agente etiológico da doença de Chagas, o Trypanosoma cruzi, no gambá, reservatório mais antigo do parasito. Os resultados esclarecem a dinâmica de transmissão oral do parasito por este animal e representam contribuição fundamental para a compreensão da epidemiologia da doença em áreas livres de barbeiros domiciliados.
O legado do casal Deane ainda é visível, presente na formação de gerações de pesquisadores que foram seus alunos e hoje atuam como consagrados especialistas. “Sempre é muito bom lembrar das pessoas e de suas histórias de vida, é um bom exemplo a seguir pela força de ir a frente e enfrentar os desafios”, destacou Franco.
SOBRE A PALESTRANTE
Antônia Franco é graduada em Licenciatura Plena e Bacharel em Ciências Biológicas pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques, mestre em Biologia Parasitária pela Fundação Oswaldo Cruz, e doutora em Biologia Celular e Molecular pela Fundação Oswaldo Cruz, com parte do estudo desenvolvido na Universidade de Yale (EUA). Atualmente é pesquisadora titular do Inpa, e bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq),
Atua nas áreas de Parasitologia Humana, com ênfase em Protozoologia de Parasitos, com experiência principalmente nos seguintes temas: Trypanosomatidae, gêneros Leishmania e Endotrypanum, ensaios in vitro e in vivo, caracterização e tipagem de parasitos, epidemiologia molecular, imunologia, tratamento e diagnóstico das Leishmanioses.
Participou entre 2011 e 2016 do Programa Marie Curie Fellowships, pela Universidade de Helsinki-Finland (Departamento de Química inorgânica) em parceria com o INPA, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Conselho Nacional de Pesquisas da Itália, Conselho de Pesquisas da Ucrânia/Química orgânica, tendo como objetivo o desenvolvimento de novas drogas e tecnologias a serem aplicadas no SUS.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
*Com informações do IOC
Acervo de moluscos da Fiocruz ultrapassa marca de 10 mil lotes
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaDe grande importância para o conhecimento e conservação da biodiversidade brasileira, a Coleção de Moluscos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) alcançou o número de 10 mil lotes depositados no acervo. O espaço reúne conchas e partes moles de aproximadamente 200 mil espécimes de moluscos provenientes de mais de 60 países. Este acervo variado inclui exemplares de importância para a saúde humana e animal, incluindo caramujos capazes de transmitir doenças parasitárias, como a esquistossomose, caracóis e lesmas que podem atuar como pragas agrícolas e mexilhões que causam grandes perdas econômicas à geração de energia.
A partir de investimentos institucionais e financiamentos de editais externos, o espaço recebeu uma série de melhorias de infraestrutura, com destaque para a modernização de armários e equipamentos. Pesquisadores do Laboratório de Malacologia do IOC, que abriga a Coleção, publicaram estudo sobre a diversidade e a distribuição geográfica dos espécimes incluídos na Coleção, que servem como fonte para estudos sobre biodiversidade, taxonomia e evolução. O artigo foi publicado no periódico científico Arquivos de Ciências do Mar, que reuniu trabalhos sobre diversas coleções de moluscos. A Coleção é credenciada como fiel depositária de amostras de patrimônio genético pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN/Ministério do Meio Ambiente).
Quem são? De onde vêm?
De acordo com o estudo, os mais de 10 mil lotes catalogados contemplam cerca de 200 mil espécimes que habitam rios, lagos e córregos e ambientes terrestres, além dos chamados bivalves (moluscos com concha dividida em duas partes, como os mexilhões, por exemplo). Com mais de nove mil lotes, os espécimes de água doce representam o maior grupo presente na Coleção. É o caso das espécies do gênero Biomphalaria, incluindo hospedeiras intermediárias do helminto Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose. Já os moluscos terrestres passaram a fazer parte da Coleção em 2015. O acervo conta com exemplares do caramujo africano, uma das espécies terrestres mais conhecidas atualmente, que atua como praga urbana, muito comum em quintais, praças, jardins e terrenos baldios. Um dos principais riscos para a saúde pública, nesse caso, é o seu potencial como agente transmissor da meningite eosinofílica ou angiostrongilíase cerebral, infecção causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis.
“Conhecer a origem, a distribuição e a diversidade das diferentes espécies de moluscos é um passo importante para a realização de estudos científicos. O conhecimento gerado pode, por exemplo, auxiliar na formulação de estratégias de prevenção de doenças, assim como melhorar técnicas, cuidados e formas de controle desses animais em plantações agrícolas”, destacou Silvana Thiengo, chefe do Laboratório de Malacologia do IOC e curadora da Coleção.
No que diz respeito à origem, o acervo conta com amostras de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. O Rio de Janeiro é o estado de maior representatividade, com amostras referentes a todos os 92 municípios. Além do Brasil, países como Argentina e Uruguai estão entre os mais expressivos. O acervo também abriga amostras de países das Américas, Europa, Ásia e Oceania.
Modernização
Investimentos recentes possibilitaram a modernização do espaço onde a Coleção fica instalada, garantindo melhorias na infraestrutura para acondicionamento das amostras. Isso incluiu novas salas e a aquisição de novos armários deslizantes de metal. As medidas ampliaram a capacidade de preservação e a oferta de serviços, como consultas e empréstimos de exemplares depositados, e o atendimento a profissionais e estudantes interessados em identificações taxonômicas feitas pela Coleção. Para evitar a degradação dos exemplares, a coleção foi separada em duas salas, uma para partes secas (conchas) e outra para partes úmidas (corpo dos moluscos). O sistema de rotulagem dos lotes também passou por mudanças ampliando o cuidado do material.
No quesito informatização, uma das recentes conquistas do acervo foi a aquisição de um novo microscópio, a partir de um projeto institucional submetido a um edital de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O equipamento possibilita a digitalização dos espécimes, ampliando o acesso, pela internet, à base sobre a biodiversidade presente na coleção. A iniciativa tem por objetivo reduzir a necessidade de empréstimos, viagens e manipulação dos espécimes a partir da oferta de imagens digitais de alta qualidade. Desde 2012, a base de dados da Coleção está disponível para consultas online, com acesso livre, por meio da plataforma SpeciesLink.
Serviços
A Coleção de Moluscos do IOC teve início em 1948 e, hoje, atua a pleno vapor, desempenhando um papel importante para pesquisas na área da Malacologia. O acervo oferece serviços de identificação taxonômica de moluscos e disponibiliza a consulta e empréstimos de espécimes a pesquisadores de instituições nacionais e estrangeiras, assim como o depósito de material biológico de espécimes utilizados para a elaboração de teses e artigos. A Coleção também fornece suporte a diversas atividades, como a identificação de espécimes para órgãos ligados à saúde e à agricultura do Brasil e de outros países. Para conhecer mais sobre uma das mais representativas coleções de moluscos de água doce das Américas, com representantes das principais espécies brasileiras de moluscos terrestres, clique aqui.
IOC/Fiocruz, por Lucas Rocha
Centro de Estudos aborda entrevistas na pesquisa de saúde
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaDestacar e apresentar as especificidades dos diferentes tipos de entrevistas é o principal objetivo da palestra “A entrevista como instrumento de pesquisa em saúde”, promovida pelo Centro de Estudos do Instituto Maria e Leônidas Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), a ser ministrada pelo Dr. Maximiliano Loiola Ponte, pesquisador do Instituto.
Segundo o pesquisador, a ideia é apresentar a entrevista como um instrumento de forma mais complexificada. “A entrevista é um instrumento que todo mundo usa, mas a gente não pensa nas especificidades dessa ferramenta no campo da pesquisa. Ela é uma espécie de interação social que acontece no campo das relações de poder entre as pessoas”, explicou.
Na oportunidade, serão abordados os aspectos envolvidos no processo de retorno da informação, os tipos de informações que podem ou não ser obtidas através de uma entrevista, os limites e possibilidades do uso dessa ferramenta. “A proposta é fazer uma explanação, a partir da literatura e também da minha experiência como pesquisador no campo da saúde”, disse Ponte.
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ensino para a promoção da saúde. A entrada é gratuita e podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
SOBRE O PALESTRANTE
Maximiliano é graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará, com residência médica em Psiquiatria, mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia, pela Universidade Federal do Amazonas, e doutor em Ciências pelo Instituto Fernandes Figueiras, da Fundação Oswaldo Cruz. Pesquisador do ILMD/Fiocruz Amazônia, atua principalmente nas seguintes áreas: saúde indígena, antropologia da saúde e saúde mental.
A palestra ocorrerá na sexta-feira (10/3), às 9h, no salão Canoas, situado na rua Teresina, 476, Adrianópolis, Manaus- AM.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Eduardo Gomes
Ciência em Pauta apresenta “A Trajetória da Mulher na Ciência”
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaEspecialmente neste mês de março o Instituto Leônidas e Maria de Deane/ILMD Fiocruz Amazônia será Instituto Maria e Leônidas Deane. A mudança foi anunciada pelo diretor da unidade, Sérgio Luz, durante atividade de popularização da ciência, alusiva ao Dia Internacional da Mulher, destinada a estudantes do ensino médio.
Na pauta da atividade, foi discutida A Trajetória da Mulher na Ciência, em painel apresentado pelas pesquisadoras Claudia Rios Velasquez, Michele de Araújo El Kadri, e Evelyne Marie Mainbourg. A ação integra o ciclo de palestras de popularização e divulgação científica Ciência em Pauta.
Claudia Rios Velasquez, Evelyne Mainbourg e Michele El Kadri
Para a pesquisadora Michele El Kadrin, o esforço que a mulher tem que desempenhar como pesquisadora, não é muito diferente da dedicação que ela tem que assumir em outras carreiras profissionais, ou seja, muito estudo e empenho.
Claudia Velasquez destacou a importância de se fazer conexões com áreas que se tem habilidade e preferência na hora de se ter que optar uma profissão, e exemplificou com sua trajetória até chegar à pesquisa, pois ainda muito jovem já sabia que queria atuar com biologia ou com biblioteconomia, então reuniu as duas coisas e hoje é pesquisadora.
Para Evelyne Mainbourg, a curiosidade foi um dos ingredientes que a levaram à pesquisa. Ela admite ser desde muito jovem curiosa para saber o porquê das coisas e como elas acontecem. Lembra que as aulas no laboratório de biologia sempre a impressionaram bastante e já sinalizavam sua escolha em ciências da saúde, conhecimento complementado posteriormente com outras formações na área de humanas.
EQUIDADE
Com a exposição sobre suas experiências acadêmicas e profissionais, as pesquisadoras suscitaram também o debate sobre a luta das mulheres pela equidade profissional e salarial, momento em que os estudantes manifestaram-se sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho, bem como fizeram perguntas sobre a atuação da mulher na academia.
Para a estudante Isabele Moraes, o encontro com as pesquisadoras foi muito proveitoso, pois pensa em cursar Biologia, “por motivos pessoais, penso em seguir na área da pesquisa, em especial pesquisa na área da saúde”, admite.
O estudante Caio Oliveira disse ter ficado muito satisfeito com o bate-papo com as pesquisadoras, pois “tirou várias dúvidas sobre as atividades de pesquisa e adquiriu mais conhecimento”, o que é relevante para um finalista do ensino médio.
Emilly de Souza disse ter gostado muito da palestra, mas ainda está em dúvida entre arquitetura e dança. Já Anna Júlia, admitiu que sempre teve curiosidade sobre o trabalho na pesquisa, principalmente em área diferente da que ela já escolheu, com a conversa com as pesquisadoras pode ter contato com outras experiências e saber de outras realidades profissionais.
CIÊNCIA EM PAUTA
Com o objetivo de divulgar e popularizar a ciência, o ILMD/Fiocruz Amazônia inicia com o painel A Trajetória da Mulher na Ciência, um ciclo de palestras com pesquisadores do instituto e a sociedade, visando promover o diálogo entre cientistas e público em geral sobre diversos assuntos, integrando a pesquisa, a educação e ações de saúde pública.
Para Sérgio Luz, o ciclo de palestras Ciência em Pauta inicia num momento bastante significativo, não só por ser o Dia Internacional da Mulher, mas principalmente pelo fato da Fiocruz, em seu centenário, estar sendo pela primeira vez presidida por uma mulher, além disso hoje a representatividade da mulher no mercado de trabalho e na educação é superior à participação dos homens.
A próxima atividade do Ciência em Pauta está prevista para o mês de maio, em data a ser confirmada.
Maria Deane
MARIA DEANE
Em reconhecimento a uma vida dedicada à saúde pública no Brasil, principalmente na Amazônia, a Fiocruz homenageou os cientistas Leônidas de Mello Deane e Maria José Von Paumgartten Deane, dando à sua unidade na Amazônia, o nome do casal.
Neste mês de março, a unidade adotará em suas matérias de divulgação científica o nome Instituto Maria e Leônidas Deane, em homenagem especial à Maria Deane (1916-1995), protozoologista, que registrou significativas descobertas sobre leishmaniose visceral, malária e doença de Chagas, durante a carreira científica, iniciada em 1936. Sobre a doença de Chagas, desenvolveu importantes estudos a respeito do agente desta moléstia: Trypanosoma cruzi.
A expectativa é de que com essa alteração simbólica o instituto chame a atenção da sociedade sobre a responsabilidade de homens e mulheres na luta pelo respeito às diferenças e à luta das mulheres pela garantia de seus direitos sociais, econômicos e políticos.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes, e do arquivo IOC/Fiocruz