COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
2º Seminário Interno de Integração do Legepi reúne servidores, alunos de IC, bolsistas e colaboradores para troca científica
/em Notícias /por Julio OliveiraO Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (Legepi), da Fiocruz Amazônia, realizou, ao longo do último dia 17/09, o 2º Seminário Interno de Integração, reunindo servidores, alunos de Iniciação Científica, Mestrado, Doutorado, bolsistas (Pós-doc e de outros projetos), além de colaboradores envolvidos em projetos coordenados por servidores do laboratório, para apresentação dos seus trabalhos. De acordo com a tecnologista em Saúde Pública e pesquisadora da Fiocruz Amazônia, Fernanda Rodrigues Fonseca, chefe do Legepi, o seminário tem por objetivo promover um espaço de troca científica, fortalecimento de vínculos e integração entre os membros do laboratório.
“Ao reunir servidores, bolsistas, colaboradores e estudantes, o encontro estimula a discussão de ideias e resultados, contribuindo para o desempenho acadêmico dos alunos, ampliando a visão crítica, a comunicação científica e a qualidade dos projetos desenvolvidos”, afirma Fernanda. Segundo a pesquisadora, a edição 2025 marcou a integração de novos servidores e bolsistas ao Legepi, fortalecendo a equipe e ampliando as linhas de pesquisa em desenvolvimento. Além da apresentação de projetos em andamento, oito alunos expuseram suas pesquisas, que trataram de temas como epidemiologia, saúde ambiental, análise espacial, violência urbana e doenças infecciosas.
A pesquisadora explica que o Encontro Anual do Legepi vem se consolidando como uma atividade estratégica e permanente do laboratório. “A intenção é mantê-lo com regularidade, fortalecendo sua identidade como um momento de balanço científico, integração da equipe e incentivo à formação acadêmica. A expectativa para os próximos anos é ampliar a participação, incorporando colaborações externas e fortalecendo ainda mais a rede de pesquisa em saúde e ambiente na Amazônia”, enfatiza.
Nesta edição, os alunos participantes são, em sua maioria, estudantes de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado, vinculados à Fiocruz Amazônia e a programas parceiros. “Os trabalhos refletem o caráter interdisciplinar do Legepi, abordando diferentes temáticas em saúde pública, incluindo a análise da qualidade de sistemas de informação, violência urbana, acidentes de trânsito, doenças endêmicas como malária e febre Oropouche, além dos efeitos da poluição atmosférica na saúde da população amazônica”, observou.
SOBRE O LEGEPI
O Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI) é composto por uma equipe interdisciplinar, voltada para a geração e disseminação de conhecimento técnico-científico, bem como para a formação de Recursos Humanos voltados para as necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS), em especial da Saúde Coletiva. O grupo tem interesse em temas envolvendo morbimortalidade de doenças e agravos transmissíveis e não transmissíveis na Amazônia brasileira, bem como suas interfaces com aspectos hidroclimáticos, sociosanitários, espaço-temporais e terapêuticos, em populações humanas.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Fiocruz Amazônia faz doação de equipamentos de informática para instituto responsável por projetos de inclusão digital
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) passou a ser apoiador dos projetos de inclusão digital desenvolvidos pelo Instituto Descarte Correto, organização da sociedade civil sem fins lucrativos, que integra o Programa Computadores para a Inclusão, do Ministério das Comunicações, do Governo Federal. O programa é responsável por cadastrar centros de recondicionamento de computadores e propiciar a criação de pontos de inclusão digital a partir do desfazimento de equipamentos eletrônicos e bens de informática da administração pública direta e das autarquias e fundações. O descarte correto e sustentável é uma iniciativa que se alinha às metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e neste caso contribui para que crianças, jovens e adultos tenham acesso às tecnologias da informação e comunicação.
A primeira entrega feita pelo ILMD/Fiocruz Amazônia ocorreu no dia 18/09. Foram doados 85 equipamentos, entre computadores e servidores de rede de dados, que aguardavam doação há pelo menos dez anos. De acordo com o vice-diretor de Gestão e Desenvolvimento Institucional, da Fiocruz Amazônia, Aldemir Maquiné, a iniciativa de habilitar a unidade como instituição doadora junto ao órgão gestor do Programa Computadores abriu diversas possibilidades de parcerias que fortalecerão o desenvolvimento de atividades sustentáveis relacionadas ao descarte correto de resíduos eletrônicos. “A doação foi a primeira feita no atual modelo do Governo Federal, que é feito através do sistema doações.gov. Além dessa, está sendo preparada uma segunda doação com uma faixa de 150 novos itens”, informou.
O chefe do Serviço de Administração de Materiais da Fiocruz Amazônia, André Ivan Lopes de Oliveira, afirma que os equipamentos estavam aguardando doação há pelo menos uma década. “Todo esse tempo, por questões sistêmicas, ficamos impedidos de dar uma destinação correta aos resíduos até o Governo Federal decidir mudar a forma de realizar as doações, por meio da Lei Lei 14.479. Além de contribuir para o recondicionamento e a reciclagem de equipamentos eletroeletrônicos, outro importante benefício dessa doação foi a liberação de espaço físico, na unidade”, afirmou ele.
A Lei 14.479/2022 institui a Política Nacional de Desfazimento e Recondicionamento de Equipamentos Eletroeletrônicos (PNDREE) e dispõe sobre o Programa Computadores para Inclusão, em conformidade com o caput do art. 215 da Constituição Federal, tendo como base a parceria da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios com a sociedade civil no campo da inclusão digital, a fim de ampliar o acesso às tecnologias da informação e comunicação e o seu uso apropriado pela população brasileira.
São objetivos da PNDREE garantir o pleno exercício do direito ao acesso às tecnologias da informação e comunicação aos cidadãos brasileiros, dispondo-lhes os meios e insumos necessários para produzir, registrar, gerir e difundir conhecimento; contribuir para o descarte de equipamentos e bens de informática da administração pública direta e das autarquias e fundações, de maneira correta e sustentável; contribuir para a qualificação profissionalizante da população brasileira, estimulando a criatividade, a inovação, a geração de renda e o empreendedorismo; fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de soluções nacionais nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.
O Instituto Descarte Correto é membro do Programa Computadores para Inclusão, como Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC), apto a receber desfazimento de bens de instituições e órgãos públicos. Os CRCs são espaços físicos adaptados para o recondicionamento e reciclagem de equipamentos eletroeletrônicos e para a realização de cursos e oficinas, com vistas à formação cidadã e profissionalizante de jovens em situação de vulnerabilidade social, com foco no recondicionamento de equipamentos de informática usados, de modo a deixá-los em plenas condições de funcionamento para a implantação e manutenção de Pontos de Inclusão Digital.
Os equipamentos recondicionados pelos CRC deverão ser redirecionados para escolas da rede pública de educação básica, sobretudo em áreas remotas. O Instituto Descarte Correto está presente em Manaus (AM), Boa Vista (RR), Belém (PA), Santarém (PA) e Porto Velho (RO).
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Fiocruz Amazônia busca parcerias para ampliar alcance das ações de formação e capacitação de profissionais de saúde no Amazonas
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) vem buscando ampliar o alcance das suas ações de Educação, voltadas mais especificamente para a formação e capacitação de profissionais da Atenção Primária em Saúde. Estes profissionais, como agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate a endemias (ACE), atuam na linha de frente dos municípios e sua qualificação visa melhorar a assistência em saúde prestada às populações do interior. Visando estabelecer novas parcerias, no sentido de promover a ampliação desse raio de abrangência, o vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação do ILMD/Fiocruz Amazônia, Cláudio Peixoto, esteve reunido, nesta quinta-feira, 25/09, com a secretária adjunta de Políticas de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), Diana Carla Pinto Lima, para iniciar tratativas no sentido de obter o apoio da SES para a articulação de parcerias com o maior número possível de municípios visando a implementação de um projeto de Educação Permanente em Saúde (EPS) na Atenção Primária, a partir dos programas desenvolvidos pela Fiocruz Amazônia. O encontro ocorreu na sede do órgão, no Aleixo.
“A Fiocruz Amazônia possui um leque de cursos de formação, em nível de atualização, capacitação e especialização, que podem contribuir e muito para o desenvolvimento da Atenção Primária em Saúde nos municípios refletindo diretamente na melhoria dos indicadores da Saúde do Estado. Para isso, estamos buscando fortalecer a aproximação com as secretarias municipais de saúde, por meio do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Amazonas, e através da Secretaria de Estado do Amazonas”, explicou Claudio Peixoto, citando como exemplo o Programa QualificaSUS, desenvolvido desde 2019 pela Fiocruz Amazônia, voltado para a oferta de formações aos ACS e ACE, vinculados as secretarias municipais, bem como cursos de especialização em Saúde Pública para profissionais de nível superior.
A Educação Permanente em Saúde (EPS) na Atenção Primária é uma estratégia político-pedagógica que visa a qualificação e transformação das práticas de saúde a partir da reflexão sobre o cotidiano do trabalho e as necessidades da comunidade. Utilizando o próprio serviço como cenário de aprendizagem, a EPS integra ensino, atenção e gestão, promovendo o aperfeiçoamento contínuo dos profissionais e o fortalecimento da equipe e do vínculo com o usuário. A secretária adjunta de Políticas de Saúde, Diana Lima, destacou a importância da parceria com a Fiocruz no sentido de potencializar a qualificação profissional dos trabalhadores da Atenção Primária e, consequentemente, reduzir a carga da média e alta complexidade da saúde, ofertadas pelo Estado. “Agradeço a parceria da Fiocruz, que será de extrema importância. Investir em capacitação na Atenção Primária significa desafogar a média e alta complexidade”, comentou. Uma nova reunião será agendada para discutir um plano de ação conjunto para a execução dos cursos oferecidos pelo ILMD/Fiocruz Amazônia.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Fiocruz Amazônia divulga resultado dos pedidos de isenção da taxa de inscrição para o processo seletivo do curso de mestrado do PPGVIDA
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), divulgou o resultado dos pedidos de isenção de pagamento da taxa de inscrição, para o processo de seleção pública de candidatos para ingresso no Curso de Mestrado Acadêmico do Programa de Pós -Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), turma 2026. As inscrições se estendem até o dia 18/10.
Confira AQUI o resultado.
O ingresso ao Curso de Mestrado será realizado mediante processo seletivo, composto das seguintes etapas: 1ª Etapa – Homologação das inscrições; 2ª Etapa – Avaliação de conhecimentos em Saúde Coletiva – Prova de múltipla escolha (prova presencial); 3ª Etapa: Avaliação do Currículo Lattes documentado; 4ª Etapa – Prova Oral – Conhecimento Específico e Carta de Apresentação (prova de forma remota). Todas as etapas do processo seletivo são eliminatórias.
O Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia – PPGVIDA possui uma única área de concentração: “Determinantes Socioculturais, Ambientais e Biológicos do Processo Saúde-Doença-Cuidado na Amazônia” e, esta área, possui duas linhas de Pesquisas: Fatores sócio biológicos no processo saúde -doença na Amazônia; Processo Saúde, Doença e Organização da Atenção a populações indígenas e outros grupos em situações de vulnerabilidade.
A divulgação do resultado final está prevista para o dia 5/12/2025. As aulas iniciam no dia 3 de março de 2026.
SOBRE PPGVIDA
O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
O programa também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia realiza expedição para investigar fatores de transmissão da malária no município de Tefé (AM)
/em Notícias /por Julio OliveiraO Laboratório de Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia, do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), realizou excursão ao município de Tefé (AM) para desenvolver atividades relacionadas ao projeto “Dinâmica da Transmissão da malária na Amazônia: influência das intervenções de controle em áreas endêmicas”. O projeto, financiado com recursos da chamada do CNPq/MCTI/FNDCT Nº 19/2024 – Pro-Amazônia, está sendo desenvolvido nos Estados de Acre (Universidade Federal do Acre- UFAC), Rondõnia (Fiocruz-RO) e Amazonas (ILMD/Fiocruz Amazõnia), com a participação de pesquisadores Rodrigo Medeiros, Maisa Araújo e Claudia Maria Rios Velásquez, coordenadores em cada Estado, respectivamente. O objetivo do projeto é investigar como as intervenções de controle da malária influenciam a transmissão em áreas endêmicas da Amazônia, buscando entender a eficácia das ações e propor estratégias mais efetivas.
No Estado do Amazonas, o projeto é desenvolvido no município de Tefé, a 633 quilômetros de Manaus, por via fluvial, e conta com o apoio da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), da Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (SES-AM), e da Secretaria Municipal da Saúde (Semsa) de Tefé. De acordo com a pesquisadora da Fiocruz Amazônia, Cláudia Rios, é a primeira excursão ao município para a realização de um inquérito populacional visando entender o contexto local da malária e as percepções sobre a doença por parte da comunidade e do grupo de pesquisadores participantes. Além de Claudia Rios, participaram nesta etapa do projeto os pesquisadores Felipe Pessoa, do ILMD/Fiocruz Amazônia, e os alunos de pós-graduação Paola Mesa Arciniégas, Rebeca Guimarães e Josinei Nunes, do Programa de Pós-graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PGBIO-Interação), da Fiocruz Amazônia, e Fernando Batista, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia (PPGEnto), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
No Acre, a pesquisa é realizada na zona rural de Cruzeiro do Sul, município localizado a 635 km da capital Rio Branco. A área foi estrategicamente escolhida por possuir a maior incidência parasitária anual de malária dentre as demais regiões do Estado, sendo responsável por 50% dos casos de malária e onde estão concentrados os esforços de controle e eliminação da doença na região. O estudo teve início no Estado de Rondônia numa das principais áreas de circulação da doença, em Porto Velho, a região da Bacia Leiteira, localizada na divisa da capital com o município de Candeias do Jamari. A região é majoritariamente formada por propriedades rurais.
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia e SES AM lideram etapa inédita para construção da Política Estadual de Promoção da Saúde no Amazonas
/em Notícias /por Julio OliveiraPesquisa multicêntrica coordenada pela UFSC mobiliza gestores, técnicos e sociedade civil para consolidar metodologia participativa e inédita no país
Manaus sediou, nos dias 18 e 19 de setembro, um marco importante para a saúde pública brasileira: a realização da Oficina de Implementação da Política Estadual de Promoção da Saúde do Amazonas, no âmbito de uma pesquisa multicêntrica que vem sendo conduzida em cinco estados do país. A iniciativa, coordenada nacionalmente pela Professora Dra Ivonete Teresinha Schulter Buss Heidemann, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), busca desenvolver metodologias que apoiem a formulação e implementação de políticas estaduais de promoção da saúde, a partir de um olhar territorializado e participativo.
No Amazonas, a etapa será conduzida pela Fiocruz Amazônia, por meio do Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (LAHPSA), sob coordenação do pesquisador Rodrigo Tobias. A oficina reuniu gestores da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), apoiadores do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Amazonas (COSEMS-AM), técnicos das regiões de saúde, representantes da sociedade civil organizada e pesquisadores. O objetivo foi experimentar e validar a proposta metodológica, para em seguida avançar na escuta regionalizada e, por fim, consolidar uma minuta de política pública para o Estado.
No caso do Amazonas, a relevância da pesquisa se intensifica diante dos inúmeros desafios de saúde pública enfrentados pelo Estado, que vão desde a dificuldade de acesso aos serviços de saúde em áreas remotas até o impacto das desigualdades sociais, ambientais e culturais sobre a vida da população. “A Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), instituída pelo SUS, orienta que as estratégias de promoção devem ser intersetoriais, sustentáveis e ancoradas no fortalecimento da autonomia dos indivíduos e comunidades. Nesse contexto, protagonizar a construção de uma Política Estadual de Promoção da Saúde é um passo essencial para traduzir as diretrizes nacionais em soluções viáveis, adaptadas às especificidades amazônicas e às realidades dos territórios”, enfatiza Rodrigo Tobias.
De acordo com o edital da pesquisa, o principal objetivo é desenvolver, de forma participativa, uma metodologia de apoio à formulação e implementação de políticas estaduais de promoção da saúde. Para isso, foram escolhidos estados que já participaram da pesquisa de avaliabilidade da promoção da saúde, em articulação com o Ministério da Saúde e o CONASS, garantindo legitimidade e representatividade no processo.
CONSTRUÇÃO COLETIVA EM TRÊS ETAPAS
A metodologia proposta parte da compreensão de que políticas públicas eficazes precisam nascer do diálogo permanente entre governo, academia e sociedade civil. “No Amazonas, esse caminho está organizado em três momentos complementares. O primeiro ocorreu nos dias 18 e 19 de setembro, com a Oficina de Implementação, espaço inicial de experimentação no qual são apresentados e discutidos os caminhos metodológicos que orientarão o processo. Em seguida, serão realizadas as Oficinas Regionais, distribuídas pelas diferentes regiões de saúde do estado, reunindo técnicos da SES-AM e apoiadores do COSEMS-AM para identificar as necessidades concretas de saúde da população e as demandas do território que deverão orientar as ações governamentais prevista para ocorrer até novembro deste ano”, explica o pesquisador.
Por fim, acontecerá a Oficina de Consolidação, etapa de sistematização em que os resultados alcançados serão reunidos e transformados em uma minuta da Política Estadual de Promoção da Saúde, a ser submetida aos fóruns deliberativos do SUS no Amazonas até janeiro de 2026. “Dessa forma, o processo participativo garante que a futura política não se limite a um documento burocrático, mas se constitua como um instrumento vivo, enraizado nas realidades locais, capaz de dialogar com as especificidades amazônicas e responder às desigualdades regionais”, destacou Tobias.
AMAZÔNIA NO CENTRO DO DEBATE
A Fiocruz Amazônia, instituição com histórico de protagonismo na produção científica voltada às necessidades amazônicas, assume papel central nesta etapa do processo. O pesquisador Rodrigo Tobias, que coordena a oficina no estado, ressalta a relevância de incluir a diversidade territorial no debate. “A Amazônia traz especificidades que precisam ser ouvidas. Esta oficina é um espaço de diálogo e de escuta qualificada para que possamos pensar uma política estadual de promoção da saúde que faça sentido para os povos e comunidades daqui”, afirmou.
A coordenadora nacional da pesquisa, Ivonete Heidemann, destaca a importância da inovação metodológica para o fortalecimento do SUS. “O grande diferencial desta iniciativa é a construção participativa. Queremos que cada política estadual de promoção da saúde traduza as realidades e necessidades de seus territórios, fortalecendo o SUS a partir da base”, disse.
Para o governo estadual, a parceria reforça o compromisso com o protagonismo do Amazonas na construção coletiva de políticas públicas. Diana Lima, secretária executiva adjunta de Política de Saúde da SES-AM, sublinha a relevância dessa integração. Segundo ela, a SES-AM reconhece a importância dessa construção coletiva. “Trabalhar junto com a Fiocruz e com os municípios é essencial para consolidar uma política que fortaleça a promoção da saúde em todas as regiões do estado”, completou.
PESQUISA NACIONAL, IMPACTO REGIONAL
Ao articular diferentes realidades do país em torno de uma mesma metodologia, a pesquisa multicêntrica aposta na diversidade como motor de inovação. No Amazonas, essa perspectiva é ainda mais desafiadora, considerando a complexidade logística, geográfica e sociocultural da região.
A expectativa é que a experiência resulte não apenas em uma minuta de política estadual, mas também em um legado metodológico capaz de ser replicado em outros contextos brasileiros, fortalecendo a política nacional de promoção da saúde e reafirmando o princípio de que o SUS se constrói com a participação de todos os seus atores.
Assim, a oficina de Manaus marca um passo decisivo na construção de uma política pública que, nas palavras de seus protagonistas, pretende ser mais do que um documento: busca ser um pacto coletivo em defesa da vida, da saúde e da justiça social no território amazônico.
SOBRE A PESQUISA
A oficina que será realizada em Manaus integra a pesquisa multicêntrica “Construção de Metodologia para a Formulação de Políticas Públicas Estaduais de Promoção da Saúde e Apoio à Implementação”, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (Parecer nº 6.776.987) e financiada pelo Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (DEPPROS/SAPS/MS), em parceria com o CNPq. O estudo envolve cinco unidades da federação – Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, São Paulo e Santa Catarina – e conta com núcleos regionais de instituições de referência em saúde coletiva, responsáveis por organizar e conduzir oficinas nos territórios selecionados.
A equipe de pesquisadore(a)s envolve instituições de ensino e pesquisa como UnB, UFSC, PUC PR, UVA, PUC-RJ, UFMG, USP e Fiocruz Amazônia, das cinco regiões brasileiras e tem experiência com pesquisas de avaliabilidade em políticas públicas e foram responsáveis para a construção e revisão da Política Nacional de Promoção da Saúde do SUS. A entrega final do relatório da pesquisa acontecerá até março de 2026.
Além de estruturar oficinas presenciais com gestores estaduais e municipais, pesquisadores, sociedade civil organizada e instituições de ensino, a pesquisa prevê a produção de materiais técnicos que subsidiem os estados na elaboração e fortalecimento de suas políticas. No caso do Amazonas, a parceria com a Fiocruz Amazônia e a SES-AM coloca o estado em posição de protagonismo de produção de políticas públicas regionais, reforçando o compromisso de transformar a pesquisa em instrumento prático de gestão e inovação no âmbito do SUS.
Foto: Reprodução / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia realiza VII Workshop Estratégico de Educação com acolhida à nova turma do Doutorado em Saúde Pública na Amazônia
/em Notícias /por Julio OliveiraCom a acolhida à nova turma de aprovados no Doutorado em Saúde Pública na Amazônia (DASPAM), formada por 24 alunos (o maior grupo de ingressantes desde a criação do curso), o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realizou no dia 3/09 o VII Workshop Estratégico de Educação, promovido pela Vice-Diretoria de Educação, Informação e Comunicação (VDEIC). Os alunos foram recebidos pela diretora de Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, que destacou a importância da formação propiciada pelo curso – oferecido em associação com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA) – e pelo vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação, Cláudio Peixoto.
“Todos vocês terão papel importante na disseminação, apoio e promoção de melhorias no Sistema Único de Saúde e serão porta-vozes do quanto o SUS é importante. Parabéns pelo ingresso ao DASPAM e por fazerem parte de três instituições de grande peso. A UFAM, com sua história mais longínqua, a Fiocruz e sua trajetória de 31 anos e a UEA, mais recente, porém com um peso importante para a formação acadêmica no Estado do Amazonas”, ressaltou Stefanie Lopes, desejando 48 meses (tempo de duração do Doutorado) profícuos para os discentes e as instituições.
Esta é a 5ª turma do curso de Doutorado Acadêmico em Saúde Pública na Amazônia. O encontro potencializa o processo de integração dos discentes que ingressaram neste ano. Na ocasião, a equipe de Ensino realizou uma exposição dos serviços e fluxos, no intuito de auxiliar na inserção dos discentes, no contexto da pós-graduação e no acompanhamento de sua vida acadêmica.
O vice-diretor de Educação, Comunicação e Informação da Fiocruz Amazônia, Claudio Peixoto, falou sobre a importância do momento para os discentes e uma breve apresentação dos cursos oferecidos pelo ILMD/Fiocruz Amazônia. “O Workshop marca o início de uma jornada acadêmica desafiadora e enriquecedora, fundamentada na busca por conhecimentos e práticas inovadoras em Saúde Pública. A acolhida que oferecemos vai além de uma simples recepção; representa o começo de uma relação de apoio, crescimento acadêmico-profissional e compartilhamento de experiências e saberes”, destacou.
“Aqui, os novos discentes terão a oportunidade de se aprofundar em temas relevantes e atuais da Saúde Pública, desenvolver pesquisas científicas inovadoras e contribuir para a melhoria da saúde da população amazônica. Nossa equipe está comprometida em proporcionar todo o suporte necessário para o êxito dos seus objetivos acadêmicos, profissionais e compartilhar essa jornada de aprendizado, crescimento e desenvolvimento. Sejam bem-vindos! Estamos aqui para apoiá-los em cada etapa dessa importante jornada, oferecendo um ambiente acadêmico inclusivo, estimulante e de sucesso”, enfatizou Cláudio Peixoto.
O DASPAM foi instituído com a missão de formar docentes e pesquisadores altamente qualificados para produção de conhecimento científico, acadêmico e tecnológico, comprometidos com a busca de soluções que possam contribuir com transformações sociais e as melhorias das condições de saúde e vida de populações na Amazônia. O curso tem como objetivo capacitar pesquisadores para exercitar análises críticas, utilizando de forma integrada, conceitos e recursos metodológicos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais aplicadas à saúde, e de outras áreas conexas.
Além disso, o DASPAM visa desenvolver modelos analíticos de processos de saúde/doença/cuidados, tomando como referência o quadro epidemiológico, econômico, socioantropológico, histórico, biológico e ambiental no cenário regional e suas interfaces com os contextos nacional e internacional de globalização da Amazônia, bem como contribuir, teórica e tecnicamente, para a formulação, implementação e gestão de políticas setoriais, bem como atuar, neste campo, na docência e na pesquisa.
“A participação dos discentes é vital para o início dos estudos neste doutorado. É de suma importância conhecer os regulamentos que irão reger os próximos anos de estudos. Vale ressaltar, que fazer um doutorado não se limita a meramente cursar as disciplinas e desenvolver uma tese. Viver o dia a dia de uma instituição como a Fiocruz, que todos os dias oferece oportunidades de desenvolvimento e conhecimento, é aproveitar uma chance de ouro e poder proporcionar a si mesmo uma jornada acadêmica extremamente rica”, explica Eduardo Garcia, Chefe do Serviço de Secretaria Acadêmica (SECA).
Os discentes foram saudados também pelo pesquisador em Saúde Pública Júlio César Schweickardt, coordenador do DASPAM/Fiocruz Amazônia, pelo pesquisador em Saúde Pública Pritesh Lalwani, presidente da Comissão de Biossegurança do ILMD/Fiocruz Amazônia; pelo coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica, Luís André Morais Mariúba; a coordenadora do Programa de Vocação Científica (Provoc), da Fiocruz Amazônia, Anizia Aguiar; o chefe da Biblioteca Dr Antonio Levino, Ycaro Verçosa, e rerpesentantes da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz Amazônia.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Fiocruz lança 1ª republicação do processo de seleção para o programa de pré-incubação de startups FioBiz
/em Notícias /por Carlos GomesA Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Programa de Pré-incubação Fiobiz, torna público a 1ª republicação do edital nº 01/2025 – referente ao processo seletivo para ingresso no programa de pré-incubação de startups FioBiz, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). A republicação apresenta correção no cronograma do edital. As inscrições foram prorrogadas até 25/9, com isso, as demais datas do cronograma também sofreram alterações.
Confira AQUI a republicação.
O projeto FioBiz é uma iniciativa do ILMD/Fiocruz Amazônia, de capacitação e mentorias para a inovação e o desenvolvimento de produtos e serviços de base tecnológica na área da saúde, com duração de 12 semanas. Inteiramente gratuito, o Programa de Pré-incubação FioBiz é realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – Fapeam, por meio do EDITAL N. º 011/2023 – Programa De Apoio à Incubadoras – PRÓINCUBADORAS. O presente Edital, convida os (as) interessados (as) a apresentarem proposta, nos termos estabelecidos.
As equipes aprovadas, serão submetidas às sessões de capacitação com atividades teóricas e práticas de participação obrigatória, além das mentorias que visam apoiar o desenvolvimento integral de seus modelos de negócios. Serão 12 semanas de atividade, envolvendo: treinamentos, workshops, palestras, mentorias e avaliações que possibilitem mensurar o desempenho de cada equipe.
O Programa de Pré-incubação Fiobiz será realizado de forma hibrida, nas dependências do ILMD/Fiocruz Amazônia e de forma on-line. O processo de seleção envolve as seguintes etapas, sendo cada uma em caráter eliminatório: Análise da documentação; Análise da proposta de negócio, com base no pitch deck; Entrevista e apresentação da proposta para o Comitê de Avaliação; Assinatura do termo de compromisso e início das atividades.
Nessa edição do Programa de Pré-incubação Fiobiz serão disponibilizadas 05 (cinco) vagas, a serem preenchidas em ordem decrescente, pelas empresas classificadas nas etapas anteriores. Os empreendedores selecionados serão comunicados por e-mail e listagem divulgada no site institucional do ILMD, e deverão assinar o termo de compromisso em até 5 dias corridos, sob pena de desistência. O resultado final do processo seletivo, será divulgado no dia 3/10. As atividades iniciam no dia 10 de outubro.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento