COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Fiocruz Amazônia divulga relatório de atividades institucionais
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaJá está disponível para consulta o relatório de atividades do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), que apresenta a síntese das ações desenvolvidas pela instituição em 2016.
É possível conferir informações sobre recursos humanos do ILMD, saúde do trabalhador, planejamento e aprimoramento da tecnologia da informação, gestão documental, programação e execução orçamentária, ações de destaques dos laboratórios da Fiocruz Amazônia, cooperação institucional, atividades de extensão e popularização da ciência, além de uma série de outros dados.
O relatório permite ao cidadão acompanhar os trabalhos desenvolvidos pela Instituição, na sua missão de contribuir para a melhoria das condições de vida e saúde das populações amazônicas e para o desenvolvimento científico e tecnológico regional, integrando a pesquisa, a educação e ações de saúde pública.
Para Sérgio Luz, diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, os interessados na ciência como um bem comum a serviço da melhoria da qualidade de vida, devem dedicar, ao menos, parte do seu tempo para divulgar as ações que cientistas, técnicos e instituições brasileiras de pesquisa fazem em prol de toda a sociedade.
“Seguindo essas premissas, o Instituto Leônidas & Maria Deane torna público seu Relatório de Atividades 2016, prestando contas à sociedade sobre suas realizações neste exercício e apresentando, em alguns casos, a trajetória dos últimos quatro anos, como forma de ilustrar os caminhos percorridos para se chegar aos resultados alcançados em 2016”, explicou Luz.
Clique aqui para ler a íntegra do relatório.
O RELATÓRIO
O Relatório Anual do ILMD/Fiocruz Amazônia é fruto do trabalho de uma equipe de alta performance, que forneceu informações e indicadores sobre as atividades desenvolvidas ao longo do ano pela instituição. As informações concentram valores institucionais estabelecidos e seus diversos eixos, dentre eles, o compromisso com o caráter público e estatal, a ética e a transparência e com a democratização do acesso ao conhecimento.
O objetivo é fomentar uma análise quali-quantitativa das atividades da instituição, promovendo a transparência junto ao público: jornalistas, pesquisadores, colaboradores, gestores, usuários do SUS entre outros.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Ufam sedia 13º Congresso Internacional Rede Unida
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaCom o tema “Faz escuro, mas cantamos: redes em re-existência nos encontros das águas”, a Associação Brasileira Rede Unida (Rede Unida) promove, entre os dias 30 de maio e 02 de junho, seu 13º Congresso Internacional. O congresso é realizado com a co-organização do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia).
O evento terá abertura realizada no auditório Eulálio Chaves, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e as demais atividades distribuídas entre os auditórios do Setor Sul do Campus Universitário Arthur Virgílio Filho. Entre os destaques da programação está o Encontro Nacional das parteiras tradicionais e a Conferência do Conselho Nacional de Saúde (CNS).
INSCRIÇÕES ABERTAS
O congresso pretende reunir trabalhadores da saúde, usuários do SUS, pesquisadores, estudantes, professores, gestores e representantes de movimentos sociais das áreas da educação e da saúde, para refletir e dialogar sobre os processos de saúde e vida. Para efetivar a inscrição no congresso é necessário realizar um cadastro no site da Rede Unida. O valor das inscrições varia de acordo com a categoria do participante.
Para a categoria estudantes de graduação, estudantes de nível médio e representantes de movimentos sociais que se inscreverem até o dia 30 de março, o valor das inscrições é de 180 reais. Depois do dia 30 de março o valor sobe para 200 reais.
Para a categoria profissionais, docentes e trabalhadores, o valor das inscrições é de 300 reais até 30 de março. Confira os valores das inscrições para as demais categorias.
SOBRE O 13º CONGRESSO
O 13º Congresso Internacional da Rede Unida visa propor o debate em torno da saúde, educação, arte e cultura, participação cidadã, da gestão e do trabalho em saúde na perspectiva do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
São parceiros desta edição a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Conselho Nacional de Saúde (CNS), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Saúde (MS), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Secretaria de Estado da Cultura (SEC), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Secretaria Municipal de Educação (Semed), Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) e ILMD/Fiocruz Amazônia, co-organizador do Congresso.
Agência Rede Unida de Comunicação, por Márcia Grana (Ascom/Ufam)
Fonte: Rede Unida
Foto: Divulgação
Fiocruz Amazônia abre inscrições para mestrado acadêmico em Condições de Vida e Situações de Saúde
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) abre inscrições para o curso de mestrado acadêmico do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA).
O período de inscrições ocorre de 13 a 29 de março de 2018. Serão oferecidas 17 vagas divididas em duas linhas de pesquisa: Fatores sócio biológicos no processo saúde-doença na Amazônia, com seis vagas; e Processo Saúde-Doença e Organização da Atenção a populações indígenas e outros grupos em situações de vulnerabilidade, com onze vagas.
Poderão participar do processo de seleção candidatos que até a data da matrícula, completarem curso de graduação de duração plena devidamente reconhecido pelo MEC. O curso é em regime integral e as aulas estão previstas para iniciar dia 10 de setembro deste ano. Ao final do mestrado, o egresso do curso receberá diploma de Mestre em Saúde Pública.
As inscrições serão feitas exclusivamente pela internet por meio da Plataforma Siga, que somente poderá ser acessada pelo navegador Internet Explorer. O candidato tem que preencher o formulário de inscrição nesta plataforma e anexar documentos de identificação com foto (carteira de identidade, carteira militar ou de conselho de classe), CPF, RNE (Registro Nacional de Estrangeiros) ou passaporte para candidatos estrangeiros e pagar a taxa de R$ 100,00. A divulgação das inscrições homologadas será no dia 10 de abril.
Para mais informações, consulte a chamada pública.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Marco Legal de CT&I deve trazer mais dinamismo à área
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaFoi publicado, ontem (8/2), no Diário Oficial da União decreto que regulamenta o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei nº 13.243/2016), sancionado em janeiro de 2016. As novas regras buscam aproximar as universidades das empresas, tornando mais dinâmicos a pesquisa, o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação no país, além de diminuir a burocracia nos investimentos para a área.
De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o novo marco legal deve simplificar a celebração de convênios para a promoção da pesquisa pública, facilitar a internacionalização de instituições científicas e tecnológicas e aumentar a interação elas e as empresas. Outros pontos são a simplificação de procedimentos de importação de bens e insumos para pesquisa; novos estímulos para a realização de encomendas tecnológicas e flexibilidade no remanejamento entre recursos orçamentários.
Para o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, “o novo Marco Legal apresenta às instituições de ciência e tecnologia, públicas ou privadas, uma nova perspectiva legal quanto ao enfrentamento dos entraves relacionados à atualização e ao dinamismo necessário para o desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação, tendo como principais objetivos incentivar a área de ciência, tecnologia e inovação, simplificar e flexibilizar seus processos, além de estimular a integração entre os setores público e privado de pesquisa”, explica.
A Fiocruz acompanhou de perto a tramitação do projeto desde 2011, quando foi anunciada a revisão do Código de Ciência e Tecnologia na Câmara dos Deputados. A Fundação participou ativamente do grupo de relatoria no Congresso Nacional, organizou a primeira audiência pública, com a participação da comunidade científica, esteve presente em fóruns especializados de discussão e em outras audiências públicas, além de ter promovido seminários no Rio de Janeiro e em unidades de outros estados.
A Presidência da Fiocruz atuou ainda junto ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações no encaminhamento de subsídios e sugestões para a elaboração do documento que regulamentará o referido diploma legal.
Segundo Krieger, a Fundação vem mantendo um grupo de trabalho ativo para acompanhamento, análise e ações relacionadas a cada etapa do processo de construção e consolidação do novo Marco Legal. Esse grupo será também responsável pela análise detalhada das diretrizes publicadas no decreto para conduzir as ações e normativas para a condução do processo de internalização de seus dispositivos na instituição.
Agência Fiocruz de Notícias, por Pamela Lang
Fiocruz Amazônia promove curso de atualização em análises de políticas públicas
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaEncerra nesta sexta-feira (9/2), o Curso de Atualização em Análises de Políticas Públicas, promovido pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). As apresentações e discussões iniciaram na última segunda-feira (5), e foram ministradas pelas pesquisadoras Tatiana Wargas, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), e Mônica de Rezende, da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Segundo a pesquisadora e coordenadora do curso, Amandia Sousa, o curso é destinado para pessoas que tenham interesse na área de políticas públicas, e que estejam realizando pesquisas dentro desta temática. As vagas foram destinadas para pós-graduandos e pesquisadores com interesse de investigação nessa linha de pesquisa.
A iniciativa foi proposta por meio do Laboratório de Situação de Saúde e Gestão do Cuidado às Populações em Situação de Vulnerabilidade (SAGESC) em parceria com a Vice-Diretoria de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz Amazônia.
De acordo com Amandia Sousa, o curso foi proposto na intenção de instituir uma linha de pesquisa na área de políticas públicas na instituição. “O curso corresponde nossas expectativas. Estamos conseguindo enxergar essa abordagem teórica desenvolvida pelas pesquisadoras dentro dos nossos projetos de pesquisa, o que é importante para a construção dos projetos dos pós-graduandos e também para discutirmos o que os pesquisadores estão desenvolvendo dentro dessa linha.
O SAGESC desenvolve pesquisas voltadas para a análise da produção de perfis de agravos de elevada incidência e prevalência em populações indígenas e outros grupos em condição de vulnerabilidade na Amazônia, e busca ainda equilibrar atividades de pesquisa acadêmica com ações voltadas para a redução das desigualdades sociais e de apoio ao empoderamento dos grupos populacionais junto aos quais atuam em áreas remotas interior da Amazônia.
Atualmente conta com as seguintes linhas de pesquisa: Epidemiologia – aplicação de métodos epidemiológicos à avaliação de programas e serviços de saúde; Perfis de condições de vida e saúde de populações em situação de vulnerabilidade; Políticas de saúde, gestão e avaliação de sistemas e serviços de saúde.
SOBRE AS PESQUISADORAS
Tatiana Wargas é psicóloga, Doutora em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da UERJ. Integra o Grupo de Pesquisa Estado, Proteção Social e Políticas de Saúde da ENSP/FIOCRUZ. Desenvolve atividades de docência e pesquisa nos temas: análise de políticas públicas, sistema político e saúde, relações entre Poderes na saúde, com ênfase no Poder Legislativo. Atua nas seguintes linhas de pesquisa: Relações entre Poderes, políticas e sistemas de saúde e Formulação e implementação de políticas públicas e saúde.
Mônica de Rezende é Doutora em Saúde Pública pela (ENSP/FIOCRUZ), graduada em Fisioterapia pelo Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação (IBMR), especialista e mestre em Saúde Pública pela ENSP/FIOCRUZ, professora adjunta do Departamento de Planejamento em Saúde do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense (MPS/ISC/UFF), atuando principalmente nos seguintes temas: gestão do trabalho e da educação na saúde, formação de profissionais da saúde, análise e avaliação de políticas e programas sociais e Atenção Básica (Estratégia Saúde da Família e Apoio Matricial).
ILMD Ficrous Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes
Técnica inovadora pode viabilizar desenvolvimento de fármacos
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaConsiderada uma das revistas científicas mais importantes, com fator de impacto 13.254, a Nature Protocols traz, em sua edição de fevereiro de 2018, um artigo assinado por pesquisadores do Instituto Carlos Chagas (ICC/ Fiocruz Paraná). O trabalho registra uma técnica inovadora que auxilia na caracterização de estruturas de proteínas homodiméricas – macromoléculas compostas por duas subunidades idênticas, que podem viabilizar o desenvolvimento de novos fármacos, além de possibilitar o maior entendimento de diversos agravos. O resultado terá impacto imediato na pesquisa de vários grupos nacionais e internacionais.
“Criamos uma técnica nova que supre uma dificuldade das técnicas atuais. Geralmente, as estruturas de proteínas homodiméricas são determinadas por ressonância magnética nuclear / difração de raios-x, entretanto; muitas vezes os complexos não são passíveis de análise por estas técnicas por não cristalizarem, gerar cristais que difratam mal, devido ao tamanho do complexo, ou por requerem grande quantidade (mg) de proteína com alto grau de pureza”, explica o pesquisador do ICC, Paulo Costa Carvalho.
Segundo o cientista, a união das expertises dos diferentes grupos que fazem parte desse trabalho permitiu uma solução para este gargalo. O resultado é fruto de colaboração interdisciplinar e internacional. A pesquisa contou com a experiência do grupo da Fiocruz Paraná em desenvolvimento de métodos computacionais voltados a espectrometria de massas e com a atuação da pesquisadora Tatiana Brasil em biologia estrutural; aliada ao conhecimento em metodologias para síntese de homodímeros marcadas com isótopos do grupo do pesquisador americano Sean Davidson, da University of Cincinnati. Sobretudo, o trabalho contempla como primeiro autor, o egresso do Programa de Pós-graduação em Biociências e Biotecnologia da Fiocruz Paraná, Diogo Borges, que hoje integra o quadro de cientistas do Instituto Pasteur, em Paris.
“O grupo liderado pelo Sean Davidson desenvolveu uma técnica capaz de sintetizar homodímeros com aminoácidos de uma subunidade contendo apenas átomos de N14, e a outra subunidade, apenas com N15. Esta diferença de massa entre os nitrogênios, que fazem parte da composição atômica dos aminoácidos, permitiu criar uma metodologia de XL, seguida de analise por espectrometria de massas e acoplado a um método computacional, capaz de discernir entre as ligações intra e intermoleculares. O nosso grupo foi responsável pelo desenvolvimento da metodologia computacional para viabilizar esta análise”, reforça Paulo. Este projeto só foi possível porque reunimos especialistas em espectrometria de massas, estrutura de proteínas e computação. Não existe nada similar a esta solução no meio cientifico”, finaliza o pesquisador.
Os resultados são os primeiros frutos de uma nova linha de pesquisa na Fiocruz Paraná liderada pelos pesquisadores Paulo Costa Carvalho e Tatiana Brasil, onde pretende-se, através da biologia estrutural e espectrometria de massas computacional, elucidar as bases mecanísticas de processos celulares com relevância médica.
Acesse a integra do artigo aqui.
Fiocruz Paraná
Fonte: Agência Fiocruz
Uso de camisinha é o meio mais eficaz de prevenção contra DSTs
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaCom a proximidade do carnaval, as campanhas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) são intensificadas a fim de conscientizar a população sobre os cuidados com a saúde durante a folia e de estimular o uso de preservativos. No entanto, é importante reiterar que a precaução deve persistir durante todo o ano. A camisinha é o método contraceptivo mais barato e de fácil acesso, com distribuição gratuita nos postos de saúde, além de evitar a transmissão de doenças como Aids e sífilis.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde (MS), o Brasil registrou anualmente uma média de 40 mil novos casos de Aids nos últimos cinco anos. E no período compreendido entre 2010 e junho de 2017, foram contabilizados 342.531 casos de Sífilis Adquirida – transmitida através de relação sexual desprotegida.
A coordenadora e a coordenadora substituta do Núcleo Técnico de Artigos de Saúde do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), Michele Feitoza e Renata Dalavia, comentam que o preservativo mais utilizado é o de látex masculino, mas reforçam que existem outras modalidades igualmente importantes, como os preservativos masculinos que não são de látex e os femininos.
De acordo com Michele, o diferencial da camisinha para mulheres é que ela confere maior proteção na área da vulva, a entrada da vagina, permitindo que a própria usuária se preserve, e é feita de material antialérgico. “Não é novidade para a maioria das mulheres a existência da camisinha feminina, ainda que sua utilização não seja muito ampla. Uma das vantagens do seu uso é que são feitos em poliuretano ou borracha nitrílica, materiais antialérgicos, diferente do látex usado na versão masculina. Também podem ser colocados até oito horas antes da relação sexual”, esclarece.
A importância do controle da qualidade dos preservativos
Segundo explicações da coordenadora do Núcleo Técnico de Artigos de Saúde do INCQS, Michele Feitoza, os preservativos masculinos de látex fabricados no Brasil ou importados precisam obrigatoriamente de certificação metrológica e, para isto, passam por avaliações de qualidade que atestam a eficácia e a segurança do seu uso.
O controle da qualidade é feito antes da comercialização, na própria indústria ou importadora e consiste em testes preconizados na legislação, dentre eles: comprimento, largura, integridade da embalagem primária, verificação de vazamento, pressão e volume antes e após envelhecimento. Após todas as avaliações exigidas pela legislação vigente, o produto poderá ser comercializado.
Também são desenvolvidas ações posteriores à venda, como programas governamentais de monitoramento, onde são coletados lotes para análises. Esses programas estão incluídos nas ações chamadas de ações de Tecnovigilância, que buscam verificar desvios da qualidade no produto pós-comercializado e que podem promover coleta e análise fiscal.
Michele conta que além do controle da qualidade dos preservativos realizado pelos detentores, a avaliação de uma amostragem dentro de cada lote, feita por laboratórios acreditados pelo Inmetro, e inspeções realizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nas fábricas e importadoras ainda é compulsória no país. “O controle da qualidade é imprescindível, pois assegura que o preservativo está seguro e eficaz para o uso. Também é importante que os produtos sejam acompanhados após a sua comercialização por meio de programas de monitoramento”, afirma.
De olho no rótulo e na embalagem
Segundo Michele Feitoza e Renata Dalavia, dois tipos de observações são necessários na aquisição dos preservativos: as informações de rotulagem e o aspecto da embalagem.
No caso da embalagem, é fundamental que esteja lacrada e não haja furos, pois a má conservação pode danificar o produto e comprometer a sua eficácia. É também importante ter precaução com objetos cortantes ou pontiagudos na hora de abrir a embalagem primária.
Já com relação aos rótulos, as pessoas devem verificar as informações gerais para todos os produtos, em destaque para data de validade e presença do número do registro, que comprova que o produto está registrado no país pela Anvisa. Além destes dados, devem ainda conter nome/marca, o número do CNPJ do detentor do registro e responsável técnico, que asseguram a identificação, legalidade e a procedência do mesmo.
Para as informações específicas dos preservativos vale ressaltar informações na rotulagem como: tipo de material, aviso de que o látex pode causar alergia, presença do selo do Inmetro (que comprova que aquele lote passou por análises relacionadas à certificação metrológica) e informações sobre o tamanho adequado ao uso de cada consumidor.
– Verificar o tamanho do preservativo é fundamental, pois a utilização inadequada pode comprometer a finalidade do produto impactando a saúde pública. O uso de tamanhos inadequados pode levar ao extravasamento de sêmen pela lateral e também à ruptura – enfatizam.
Observar a rotulagem é imprescindível, conforme atenta Renata Dalavia, porque é nela que o fabricante comunica ao usuário as informações necessárias. “Os dizeres presentes na rotulagem dos preservativos, assim como de outros materiais médicos, representam a melhor forma de estabelecer uma comunicação entre os consumidores e as empresas detentoras, por isto devem ser alvo de muita atenção no momento da aquisição e do uso. O rótulo busca garantir informações sobre a rastreabilidade, vínculo de responsabilidade jurídica, validade e orientações técnicas como cuidados e variedades dentro do mesmo produto” elucida.
INCQS/Fiocruz, Por Penélope Toledo e Gabrielle Araujo
Estudo de pesquisadores da Fiocruz Amazônia aponta para a necessidade de vigilância ativa para a prevenção de doenças infecciosas
/em Outras /por João OliveiraMudanças climáticas, destruição de ecossistemas, desmatamento e urbanização contribuem para o aumento de várias doenças infecciosas como síndrome pulmonar de hantavírus, dengue, febre amarela, malária, tripanossomíases, leishmaniose e leptospirose no Brasil.
A afirmação é da pesquisadora Alessandra Nava, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). Em artigo publicado recentemente, a pesquisadora conclui que “há evidências fortes de que algumas dessas mudanças ambientais se intensificarão no futuro próximo se as principais atividades antropogênicas não forem controladas”, o que hoje é preocupante, diante do aumento dos casos de febre amarela e de outras doenças.
No artigo publicado em 15/12/2017, no National Research Council, Institute of Laboratory Animal Resources (ILAR), Alessandra Nava e os pesquisadores Juliana Suieko Shimabukuro, Aleksei A. Chmura, e Sérgio Luiz Bessa Luz alertam para a necessidade de uma vigilância ativa na prevenção do aparecimento de doenças, especialmente focada em identificar possíveis áreas de risco, antes que estas possam tornar-se ameaça para a saúde humana e animal.
Para a pesquisadora, é necessário que se observe as ações antropogênicas em regiões-chaves que envolvem interações de populações humana, animais e vetores e que dessas interações possam resultar o surgimento de doenças emergentes e reemergentes. Esse cuidado deve estar inserido antes da tomada de decisões e da adoção de políticas públicas para construção de obras que possam alterar significativamente o ecossistema.
“Com esses cuidados seria possível não só estabelecer um sistema de alerta precoce sobre prováveis surtos, bem como fazer a modelagem de propagação, análises e aplicação de medidas rápidas de controle ou mitigação”, reforça a pesquisadora.
Além disso, o artigo sugere que a mortalidade e morbidade humana e animal causada pelas doenças infecciosas emergentes só serão controladas quando for delineada uma abordagem holística e transdisciplinar que seja efetivamente implementada.
BRASIL
No Brasil, a situação é crítica, especialmente dada a ocupação de espaços de florestas e o consequente desmatamento para urbanização, construção de hidrelétricas e expansão da fronteira agrícola, para a produção de alimentos e criação de animais em larga escala.
A consequência disso é que vírus antes identificados apenas em primatas e outros animais, agora estão mais perto de humanos.
Para acessar ao artigo clique.
SOBRE A PESQUISADORA
Alessandra Nava atua no ILMD/Fiocruz Amazônia, é doutora em Ciências em Epidemiologia Experimental e Aplicada às Zoonoses pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, USP. Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade de Marília (Unimar), professora e pesquisadora em Epidemiologia e Saúde Pública, membro da Associação Internacional em Ecologia e Saúde IAEH e do grupo especialista em Taiassuídeos da IUCN e membro da Comissão de Ética no Uso de Animais da Universidade Federal do Oeste do Pará.
A pesquisadora atua principalmente nos seguintes temas: Ecologia de doenças infecto contagiosas, doenças emergentes, Saúde Pública, Medicina da Conservação, Epidemiologia, Biologia da Conservação e Enfermidades Infecciosas.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes