Fiocruz Amazônia, UEA e UFAM reúnem docentes para discutir o Plano Diretor da Pós-Graduação em Saúde Coletiva e fortalecer redes de pesquisa e cooperação científica na Região Norte
Docentes, pesquisadores e representações discentes dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Amazonas participaram, na sexta-feira, 6/03, de uma reunião estratégica das linhas de pesquisa em Política, Planejamento e Gestão em Saúde (PPGS). O encontro ocorreu de forma presencial na sala dos Programas de Pós-Graduação da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Manaus.
A atividade foi organizada no âmbito da Comissão de Políticas, Planejamento e Gestão em Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) e teve como objetivo discutir o primeiro Plano Diretor da área, além de construir, de forma colaborativa, uma agenda de prioridades para os programas de pós-graduação do Estado.

Participaram representantes de diferentes instituições e cinco programas, entre eles o Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O encontro reuniu docentes, pesquisadores e estudantes vinculados às linhas de pesquisa em política, planejamento e gestão do sistema de saúde, com foco no fortalecimento da produção científica e da cooperação acadêmica na região.
Durante a reunião, foram debatidos os principais eixos estratégicos do Plano Diretor da área, incluindo temas como desigualdades sociais em saúde, colonialidade e racismo estrutural, mudanças climáticas, soberania alimentar, regionalização do sistema de saúde e desafios contemporâneos para o Sistema Único de Saúde (SUS).
IMPORTÃNCIA ESTRATÉGICA
A elaboração de um plano para a área significa construir coletivamente perspectivas de ação diante dos desafios contemporâneos da saúde pública brasileira, mobilizando a comunidade científica para refletir sobre prioridades de pesquisa, estratégias políticas e agendas acadêmicas. Mais do que um documento orientador, o Plano Diretor funciona como um dispositivo de mobilização política e intelectual, capaz de articular a área de PPGS com outras instâncias da ABRASCO e de estimular um movimento permanente de reflexão e ação — pensar para agir e agir para pensar melhor.
Segundo O professor Dr. Rodrigo Tobias, do Laboratório de História, Política e Saúde da Amazônia (LAHPSA) da Fiocruz Amazônia, membro da Comissão de PPGS e coordenador da Região Norte da comissão, o debate coletivo sobre o Plano Diretor também contribui para avaliar os rumos da área no país. “A análise do plano diretor pelos docentes e representações discentes aqui presentes é uma pauta necessária para avaliarmos se a área da saúde coletiva brasileira está indo no caminho certo na construção de um projeto de sociedade mais justo e mais democrático para o Brasil”, afirma.
Tobias destaca que o encontro representa um passo importante para fortalecer o campo científico na região. “A importância do evento dialoga com os interesses da área da saúde coletiva enquanto vetor de desenvolvimento científico regional e une docentes e linhas de pesquisa no campo da Política, Planejamento e Gestão em Saúde na Região Norte.”
O professor doutor Fernando Herkrath, pesquisador do Laboratório SAGESPI, da Fiocruz Amazônia, e membro da Comissão de Epidemiologia da ABRASCO, destacou a experiência acumulada na construção de instrumentos de planejamento científico na área. “O Plano Diretor da Comissão de Epidemiologia está na sua quinta edição e aprendemos muito nesse processo. O caminho da área de Política, Planejamento e Gestão em Saúde é promissor.”
Herkrath também ressaltou a importância da participação regional nos espaços nacionais da saúde coletiva. “O Congresso de Ciências Humanas e Sociais da ABRASCO, que ocorrerá em setembro deste ano em Manaus, é um momento importante para que os Programas de Pós-Graduação da Região Norte desenvolvam seu papel social e científico, como coletivo protagonista, contribuindo para os debates nacionais a partir da região.”
Entre as prioridades debatidas no encontro esteve o fortalecimento integrado da formação, da pesquisa e da incidência sociopolítica da área de Políticas, Planejamento e Gestão em Saúde no Brasil, ampliando sua capacidade de responder de forma crítica e transformadora aos desafios do SUS e às desigualdades que marcam o sistema de saúde.
Para a professora Dra. Alessandra Salino, docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UEA e anfitriã do evento, o momento atual representa um avanço na inserção científica e política da região Norte no campo da saúde coletiva. “Temos um adensamento científico e político atualmente e estamos ocupando espaços nas instâncias de debates nacionais da saúde pública e instâncias político-científicas na produção de uma ciência comprometida com as populações amazônidas.”
Durante a reunião, também foram destacados alguns eixos estratégicos que orientam o desenvolvimento da área de Políticas, Planejamento e Gestão em Saúde no país, entre eles a atualização e renovação de referenciais teóricos, epistemológicos e metodológicos da área; a qualificação dos currículos e das práticas formativas com fortalecimento da integração entre ensino, serviços de saúde e comunidade; a ampliação da produção científica estratégica para o SUS; o fortalecimento da comunicação científica e da tradução do conhecimento para diferentes públicos; além da expansão das redes de cooperação interinstitucional e da formação permanente de pesquisadores.

Já o professor Dr. Lucas Cabral, docente do PPGVIDA e pesquisador do Laboratório de História e Políticas Públicas de Saúde na Amazônia (LAHPSA), da Fiocruz Amazônia, destacou a importância estratégica do Plano Diretor como instrumento de orientação da área. “A discussão do plano diretor permite compreender os caminhos assumidos e os que ainda precisamos percorrer. Que tipo de SUS queremos deixar para as próximas gerações? E para isso exige da área um posicionamento mais contundente para proteger o Sistema Único de Saúde.”
PROTAGONISMO AMPLIADO
A reunião também reafirmou o papel crescente dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Amazonas na produção de conhecimento sobre políticas públicas, sistemas de saúde e desigualdades sociais na Amazônia. Os participantes destacaram que a articulação entre instituições tem permitido ampliar redes de pesquisa, fortalecer a formação de novos pesquisadores e qualificar a incidência científica nos debates nacionais sobre o SUS na região amazônica.
Nesse processo, as instituições de ensino e pesquisa do Amazonas, com destaque a Fiocruz Amazônia, têm exercido papel fundamental na articulação de redes acadêmicas e na formação de pesquisadores na região, promovendo a integração entre programas, grupos de pesquisa e instituições de ensino superior.
Como encaminhamento geral do encontro, os participantes reafirmaram o compromisso de fortalecer uma área de Políticas, Planejamento e Gestão em Saúde mais crítica, atualizada e profundamente conectada ao Sistema Único de Saúde e às lutas sociais. Diante da agenda discutida, apontou-se para o desenvolvimento de pesquisas com maior relevância social e aplicação prática para os desafios do SUS, bem como para uma formação acadêmica cada vez mais integrada aos territórios e às realidades vividas pelas populações amazônidas. Destacam-se a participação articulada dos programas da região Norte no 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde da ABRASCO, além da proposta de realizar atividades científicas voltadas ao mapeamento das redes de pesquisa em Política, Planejamento e Gestão em Saúde na Amazônia.
A iniciativa busca consolidar um campo científico comprometido com os desafios regionais e com a construção de políticas públicas capazes de responder às especificidades sociais, ambientais e territoriais da Amazônia. E em maio haverá nova reunião estratégica com os mesmos atores.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia


