Fiocruz Amazônia propõe criação do Plano CASA voltado aos desafios da Saúde e do Ambiente durante oficina de planejamento estratégico da pesquisa
O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realizou, no início do mês de fevereiro, a primeira oficina de planejamento estratégico da pesquisa voltada para a elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2026-2030, com a missão de aprofundar o direcionamento do foco das pesquisas para os desafios da saúde e do clima na Amazônia, como forma de contribuir com a formulação de políticas públicas que ajudem a reduzir os impactos das mudanças climáticas na saúde das populações da região. A proposta lançada no evento foi a da criação do Plano CASA (Ciência Ambiente Sociedade Amazônia) com objetivo de posicionar a Fiocruz Amazônia como referência em pesquisa integrada saúde-ambiente-sociedade, gerando evidências que respondam aos problemas reais das populações vulnerabilizadas amazônicas. A oficina contou com a presença dos pesquisadores do ILMD/Fiocruz Amazônia, pesquisadores visitantes e representantes das Vices-Presidências de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) e de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) e da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA 2030).

O coordenador de Saúde e Ambiente da VPAAPS, Guilherme Franco Neto, enalteceu o esforço do ILMD/Fiocruz Amazônia em estabelecer essa discussão num momento crucial – pós-COP30 e de realização do X Congresso Interno da Fiocruz. “A Fiocruz Amazônia tem tido um papel fundamental na implementação das agendas estratégicas da Fiocruz, particularmente no que se refere à questão ambiental e climática, tendo um papel importante em todas as jornadas que a Fiocruz cumpriu em 2025”, enfatizou Franco Neto, destacando que a Fiocruz Amazônia foi a primeira unidade regional que trouxe um debate, já no ciclo de planejamento, frente aos novos desafios da crise climática e desarranjos ambientais, demonstrando a capacidade de liderança que o instituto tem, pensando a partir da Amazônia para o Mundo e vice-versa. “Estamos construindo uma agenda positiva que vai ter incidência importante para a população e fortalecimento das políticas públicas voltadas para a sustentabilidade do nosso país e do nosso planeta”, reforçou.

A diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, explica que a oficina teve como finalidade reunir o coletivo de servidores da Pesquisa e do Planejamento para uma reflexão sobre a Ciência que se pretende produzir neste quadriênio. “Dentro dessa agenda, apresentamos um termo de referência propondo que a agenda estratégica de pesquisa do ILMD/Fiocruz Amazônia, seja focada em eixos estratégicos, que chamamos de CASA, onde abordamos Ciência, Ambiente, Sociedade e Amazônia”, afirma Stefanie. Os quatro eixos centrais com o foco voltado para o rigor científico e inovação na produção do conhecimento, a compreensão e preservação dos ecossistemas amazônicos, engajamento e impacto nas comunidades locais e suas necessidades e integração da saúde humana com a saúde ambiental e animal na região.

“Demos início ao planejamento estratégico com a concordância da nossa comunidade, ouvindo sugestões de forma participativa, o que reafirma a nossa identidade de construção coletiva e democrática do planejamento do ponto de vista prático e pedagógico. É importante que, nesse tipo de movimento, as pessoas comecem a se sentir co-responsáveis também pela construção desse plano coletivo”, ressalta a vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Michele Rocha El Kadri. Segundo ela, o momento é importante e apropriado para isso, “tendo em vista a chegada dos novos servidores, que foram apresentados durante a oficina e que já podem se sentir parte da história que está sendo construída na Amazônia, em pesquisa e saúde”, admitiu.

O plano CASA propõe a execução de um cronograma de ações para os próximos quatro anos, incluindo levantamento das necessidades de formação, dos indicadores mais sensíveis, criação de um programa de formação, captação de recursos para execução de projetos, para 2026. Em 2027, o plano prevê a produção de material didático, formação de facilitadores, formalização de parcerias/acordos de cooperação interinstitucionais, pactuação com as Secretarias de Saúde (Cosems) e qualificação de docentes. Para 2028 e 2029, a execução do programa de formação e avaliação dos indicadores.

Para o coordenador da EFA 2030, Paulo Gadelha, a realização da oficina foi um passo concreto na busca por soluções de problemas centrais que dizem respeito à região amazônica e o Brasil. “O ILMD/Fiocruz Amazônia sempre demonstrou um acúmulo e uma capacidade de pesquisa e de resposta fascinantes. Mais do que isso, essa oficina, como elemento estratégico, está demonstrando que a unidade tem lucidez de como orientar o processo do ponto de vista do que é mais central: responder a necessidade da população olhando para os temas cruciais que estamos vivendo, para os problemas contemporâneos, sustentabilidade, relação clima e saúde, olhando para os territórios e populações vulnerabilizadas, pensando nos conceitos de bem viver, territorialidade, da ação intersetorial. Tudo isso conversa de forma clara e amigável com o que a Fiocruz está pensando em nível nacional”, ressaltou Gadelha.

VIGILÂNCIA EM SAÚDE
Dias antes de embarcar para Genebra, na Suíca, para assumir a diretoria do Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR) da Organização Mundial de Saúde (OMS), o médico infectologista da Fiocruz, Marcus Vinicius Guimarães Lacerda, participou da reunião de planejamento e destacou a importância da pesquisa enquanto suporte para o fortalecimento da vigilância em saúde. “Quando a proposta é de ter um observatório enquanto produtor de síntese desse conhecimento, observatório de clima e saúde, dispositivos institucionais para dar suporte a essa lacuna de necessidade de fortalecimento de vigilância em saúde, entendo que o ILMD/Fiocruz Amazônia tem uma posição estratégica”, afirmou.

Pesquisadoras visitantes da Fiocruz Amazônia, Cláudia Codeço e Sandra Hacon reforçaram o papel fundamental do ILMD na construção dessa agenda de saúde, ambiente e sociedade para o País. “Um hub natural para a pesquisa territorializada no ambiente da Amazônia”, afirma Cláudia. “Fico muito feliz de poder participar desse processo e ver e sentir também como os profissionais do ILMD estão envolvidos com essa nova proposta. A Fiocruz Amazônia tem muito a acrescentar e as parcerias que ele já fez e está fazendo para desenvolver essa agenda são de máxima importância. Acredito que teremos uma proposta consolidada dentro de um processo de conhecimento e formação”, frisou Sandra Hacon.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia


