Alunos testam o PH da água do rio, da chuva e da torneira durante experiências na 22ª SNCT em Parintins
Testes para verificar o PH de diferentes tipos de água a partir do uso de reagentes alternativos e de laboratório foram algumas das experiências inovadoras e curiosas vivenciadas pelos estudantes de Ensino Fundamental e Médio que tiveram a oportunidade de visitar a exposição Aventura Molecular, organizada pela Fiocruz Amazônia para a 22ª Semana de Ciência e Tecnologia (SNCT), promovida pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM) Campus Parintins, nos dias 23 e 23/10. A mostra foi uma das atrações oferecidas pela Fiocruz, que contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas (Fapeam), através do Programa de Apoio à Popularização da Ciência, Tecnologia e Inovação no Amazonas, para levar a iniciativa das mostras científicas ao interior do Amazonas.

Junto com o experimento envolvendo a água, os alunos puderam também ter uma visão microscópica do parasita causador da malária e conhecer os seus diferentes ciclos de vida, por meio da exposição “Desvendando o Ciclo de Vida do Parasita da Malária”, que, entre outras curiosidades, revela como o protozoário do gênero Plasmodium – agente causador da doença – sobrevive e age tanto no corpo humano quanto no do mosquito Anopheles, agente transmissor. A exposição chamou a atenção de alunos e professores, com muita interação e troca de informações, com a equipe formada por alunas de Iniciação Científica e egressas da pós-graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro do ILMD/Fiocruz Amazônia.

Maria Gabriela Santos Vasconcelos, Mestre em Hematologia pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e doutoranda do PPGBIO-Interação, ministrou a oficina “Aventura Molecular: Comparando Métodos de Análises do PH da Água”. Ela explica que se baseou no tema da SNCT deste ano – “Planeta Água: a cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território” – para compor a oficina.

“Montamos um protocolo simplificado para avaliar diferentes métodos de medição de PH, comparando técnicas caseiras e comerciais, como solução de “água de repolho” e fitas de ph de laboratório. A partir disso, simulamos um ambiente com ‘alterações climáticas’, expondo diferentes tipos de água (água mineral, do rio e da chuva) a calor e frio intenso e observar as mudanças no pH e como elas podem influenciar na qualidade da água de forma diferente”, explica.
A expectativa, segundo Gabriela, era de que a água da chuva e a água do rio apresentassem um pH mais ácido, entre 4 e 6, enquanto a água salgada deveria ser mais alcalina, com valores superiores a 8. “Foi o que constatamos. No que diz respeito à água da torneira e à água mineral, observamos que elas estavam com um pH entre 7,5 e 8. Isso é bastante positivo, já que o ideal varia de 7 a 9,5, embora o pH neutro seja o mais recomendado comercialmente”, afirma.

A pesquisadora destaca que a atividade incluiu uma simulação de “alterações climáticas”, onde foi possível observar como o aumento da temperatura impacta na qualidade da água. “O aumento da temperatura pode acidificar a água, enquanto o frio extremo pode torná-la mais alcalina, resultando em um desequilíbrio químico significativo, o que determina o fim da vida de um lago, um rio, por exemplo e até mesmo da vida marinha em regiões que estão ficando muito quentes, como os corais.
Interessante”, enfatiza. Aluna do curso técnico de Recursos Pesqueiros, do IFAM Parintins, Karoline Batalha de Souza, 36, acompanhou atentamente o passo a passo dos experimentos. “Achei a exposição muito interessante e didática. No nosso modulo atual do curso, estudaremos essa parte da química, que é o controle do PH dos viveiros, do rio, das lagoas, uma vez que atuamos na produção de recursos pesqueiros. E pudemos verificar que, com as experiências, que quando o clima muda, a água também muda,”, avalia a estudante.

De forma interativa também, a SNCT permitiu aos alunos participarem da uma oficina de vídeos digitais voltados para a divulgação da ciência. A oficina, denominada Digiciência, está na sua sexta edição e trabalha todo o processo de produção de vídeos sobre Ciência com os participantes. “São jovens que estão entendendo como superar obstáculos como a timidez, aprendendo a conversar com as pessoas, pegar uma entrevista, fazer uma imagem e facilitar a produção do conhecimento científico, produzir a divulgação científica e proporcionar que as pessoas saibam lá fora o que se produz em termos de conhecimento científico e a contribuição da Fiocruz Amazônia para a comunidade”, afirma o jornalista e mestre em Ciências da Comunicação, Helder Mourão, instrutor da oficina.

Matheus Almeida Farias, 16, aluno do primeiro ano do curso de Informática Integrada do IFAM Campus Parintins, foi um dos participantes da oficina de vídeos digitais. Habituado a receber conteúdos, pelas redes sociais, ele conta que pela primeira vez iria produzir um vídeo de forma completa, com roteiro, entrevistas e captação de imagens de apoio. Com o acompanhamento do professor, Matheus se disse empolgado em percorrer as exposições e depois ter os vídeos postados nas redes sociais da instituição.

A bióloga Dandara Brandão, mestre em Saúde Pública e bolsista de apoio técnico da Coleção de Bactérias da Amazônia do ILMD/Fiocruz Amazônia, conduziu as rodas de conversas “Educação Ambiental, Doenças de Veiculação Hídrica e Importância da Qualidade da Água”, enfocando as doenças de veiculação hídrica, suas formas de contaminação e a importância da higiene para evitá-las. “Além da roda de conversa, exibíamos também um vídeo bastante esclarecedor sobre a importância da água nas nossas vidas, os malefícios da água não-potável e o que acontece com o nosso organismo quando a ingerimos”, relata Dandara, que contou com o apoio da assistente Daniele Freitas. Em Manaus, no Espaço ECAM, a mesma atividade foi coordenada pela bióloga e pesquisadora-tecnóloga da Fiocruz Amazônia, Luciete Almeida, responsável pelo Núcleo de Bacteriologia do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS).

Outro espaço bastante visitado foi o da exposição “Pesquisa Participativa: Integrações entre Saberes Amazônicos”, que levou para os estudantes a “Mandala dos Cuidados”, com plantas, sementes de árvores nativas é um dos pontos altos da 5ª trilha do Projeto Começo Meio Começo. O objetivo da dinâmica é promover uma reflexão sobre a interdependência entre saúde humana, natureza e comunidade, reforçando a potência do cuidado no território. São trazidos pelos cursistas sementes variadas de árvores nativas (castanha, açaí, jatobá, frutas), de plantas medicinais, alimentos, artesanato, folhas, flores e elementos naturais coletados previamente pelo grupo (folhas verdes, secas, flores do campo, pequenos galhos e cascas de árvores e plantas utilizadas para remédios.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa



