COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Ormezinda Celeste Cristo Fernandes
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Fiocruz Amazônia participa de abertura da Campanha Dezembro Vermelho
/em Notícias /por Julio OliveiraA diretora eleita do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Stefanie Lopes, participou na última sexta-feira, 1º de Dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, da abertura da Campanha Dezembro Vermelho, cujo objetivo é reforçar a mobilização e a integração de diversos atores para o enfrentamento à doença. O ato foi organizado em parceria pela Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto (FVSRCP) e a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa-Manaus). Durante a ação, foram oferecidas rodas de conversa com pessoas vivendo com HIV/Aids, testagem rápida para HIV, Hepatites B/C e Sífilis, atividades culturais e distribuição de materiais educativos e de prevenção.
Stefanie destacou a importância da união das instituições em busca da melhor qualidade de vida para as pessoas vivendo com HIV/Aids no Estado, ressaltando que, embora não esteja na ponta, realizando testagem, a Fiocruz Amazônia possui um trabalho intenso de pesquisas na área de HIV/Aids, realizado pelo Laboratório Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia (DCDIA), em parceria com a Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Veira Dourado. “Não estamos na ponta fazendo diagnóstico, mas tentamos trazer conhecimento e ciência para que esse enfrentamento seja mais justo e célere e que seja cada vez melhor para evitarmos mortes e suicídios, com um atendimento mais humano e acessível”, afirmou.
O Ambulatório de Retrovirologia Humana, que funciona por meio da parceria Fiocruz Amazônia/FMT, trabalha com a investigação das características clínicas e imunologias relacionadas ao risco de óbitos nas internações, comorbidades neurocognitivas, sarcopenia e doenças ósseas em pessoas vivendo com HIV/AIDS. “Trabalhamos desde a trilha de vida dessa pessoa vivendo com HIV junto com as comunidades e organizações sociais. Trabalhamos juntos como atores de pesquisa, especialistas e pessoas vivendo com HIV/AIDS”, salientou.
Fiocruz Amazônia alerta para impacto da crise climática e iniquidades regionais sobre a insegurança alimentar e hídrica
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) foi uma das instituições presentes ao I Simpósio de Insegurança Alimentar e Nutricional e Segurança Hídrica da Amazônia, organizado pela Universidade Federal do Amazonas e pela Universidade Federal de São Paulo, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas (Fapeam), entre os dias 29/11 e 1/12. Representando o ILMD/Fiocruz Amazônia, o epidemiologista Jesem Orellana, chefe do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia, palestrou no terceiro dia do evento sobre o tema “Condições de saúde e vulnerabilidades em populações tradicionais na Amazônia”, alertanso para o impacto da crise climática e das iniquidades regionais sobre a insegurança alimentar de populações vulnerabilizadas, tais como indígenas, migrantes, povos de terreiro de matriz africana, quilombolas, ciganos, pescadores artesanais e populações em situação de rua, que coabitam essa região, muitas das vezes na invisibilidade.
Orellana defendeu o processo de regionalização da saúde como forma de atendimento às reais necessidades de grupos que vivem na Amazônia. “É crucial promover o acesso à saúde oportuno e de qualidade na Amazônia, sobretudo em comunidades com limitada ou inexistente rede de atenção primária, de média e alta complexidade. Tão importante quanto garantir a proteção sustentável do meio ambiente”, defendeu o epidemiologista, observando que pesquisas, políticas e práticas adequadas às múltiplas realidades amazônicas são urgentemente necessárias em contexto de crise climática. “Não cabe mais falar em mudanças climáticas, já estamos mergulhados numa crise climática”, frisou.
O epidemiologista ressaltou que os eventos extremos ocorridos no Norte e no Sul do Brasil, e em países como a França e a Itália, ao longo de 2023, demonstram a magnitude do problema. “Se continuarmos a falar de mudança climática continuaremos naturalizando a gravidade do problema e isso é uma chave para, de fato, mitigarmos os problemas de insegurança alimentar e nutricional, bem como da crise hídrica. Será que o Rio Negro quebrando um recorde atrás do outro de seca extrema, em menos de dez anos já não configura uma crise climática?”, questionou. Para Orellana, a classe política precisa atentar para essa realidade de crise climática e estabelecer mecanismos de abastecimento de água potável e alimento para essas populações que se mantém isoladas e vulneráveis aos riscos de contaminação e morte.
O simpósio reuniu pesquisadores e especialistas de diversas instituições, que brindaram a audiência com a apresentação de estudos relativos ao tema da insegurança hídrica e alimentar preocupantes, segundo os quais a insegurança alimentar moderada e grave afetou 30,4% da população mundial em 2020 e em países da América Latina e Caribe, o percentual foi de 40,9%. No Brasil, entre 2004 e 2013, houve declínio da tendência de insegurança alimentar, porém entre 2017 e 2018 registrou-se um crescimento da tendência de insegurança alimentar (IA) grave, alcançando a assustadora cifra de 33,1 milhões de pessoas no início de 2022 e a Região Norte do País foi a mais impactada, com 25% das famílias em IA grave.
EXPERIÊNCIAS
A finalidade do simpósio foi identificar experiências que possam contribuir com a construção de uma agenda de pesquisa cidadã para o Amazonas. Jesem Orellana apresentou resultados de um apanhado de estudos realizados pelo LEGEPI demonstrando, na prática, o impacto causado pelo peso das desigualdades regionais, no Brasil, acentuado pelos efeitos da crise climática mundial na Região Norte do Brasil. “Tivemos excesso de mortes entre indígenas e não-indígenas no Brasil, em 2020, bem como nos diferentes impactos diretos e indiretos da pandemia de Covid-19. Além disso, em 2021, o número de internações por doenças como leptospirose, diarreias e gastroenterites de origem infecciosa presumível, mostraram-se mais desfavoráveis para a Região Norte, quando comparado ao ano anterior e às demais regiões do País”, citou.
Também foi destacado o desenvolvimento de epidemias de doenças emergentes como Covid-19 e Mpox, caracterizando uma autêntica sindemia (sinergia entre diferentes epidemias ou desafios sanitários em contexto social ou econômico igualmente desafiador), coexistindo com doenças infecciosas e negligenciadas (malária, tuberculose, HIV/AIDS e febre amarela), e com a conhecida gravidade da desnutrição crônica em crianças indígenas menores de cinco anos (interação entre doenças). Segundo o pesquisador, eventos climáticos extremos têm efeitos diretos e indiretos sobre a saúde humana, tanto em termos de morbidade como de mortalidade. As doenças infecciosas de transmissão vetorial e àquelas veiculadas pela água e alimentos estão entre os exemplos mais comuns.
Jesem também alertou, de um lado, para o excesso de mortes por desnutrição (36,8%) em crianças menores de cinco anos da Região Norte, em 2021, comparado com 2020. De outro, o epidemiologista frisou a elevada taxa de mortalidade da diabetes melitus, em 2021 (33.1 por 100 mil habitantes) na Região Norte gerada por conta Diabetes melitus, doença associada à obesidade, sedentarismo e hábitos alimentares não saudáveis. No Amazonas, essa taxa chega a 40,3 por 100 mil, valor aproximadamente 50% maior que a média brasileira. “E estamos falando de números recentes, não de décadas passadas”, ressaltou, citando também como fator preocupante a recusa vacinal na Região Norte, sobretudo em crianças com um ano ou mais. “No fim de 2022, as coberturas vacinais da tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), da tríplice bacteriana (difteria , tétanos e pertussis) e da Hepatite A se situaram abaixo de 7%, 55% e 60%, respectivamente”, pontuou.
Fiocruz Amazônia recebe equipe de manutenção preventiva e corretiva da COGIC
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) recebeu, nas duas últimas semanas, a visita da equipe multidisciplinar do Departamento de Manutenção de Equipamentos Científicos (Demeq) da Coordenação Geral de Infraestrutura dos Campi (COGIC), da Fiocruz, responsável por prestar serviços de manutenção preditiva (inspeções), preventiva e corretiva, além de qualificações de performance, nos equipamentos das unidades da Fundação em todo o País. Essa foi a segunda manutenção direcionada realizada pela COGIC, este ano, no ILMD/Fiocruz Amazônia, em cumprimento ao cronograma semestral elaborado pela Vice-Diretoria de Gestão e Desenvolvimento Institucional, por meio do Núcleo Técnico de Suporte à Pesquisa (NUTP), Serviço de Infraestrutura (Seinfra) e Assessoria de Sistema de Gestão de Qualidade do ILMD/Fiocruz Amazônia. O objetivo, segundo o vice-diretor de Gestão e Desenvolvimento Institucional, Ademir Maquiné, é manter o perfeito funcionamento dos equipamentos, garantindo assim a excelência na prestação dos serviços da unidade.
No total, foram feitas manutenções em 270 equipamentos. Maquiné explica que esse trabalho, que já é feito pela COGIC há mais de dez anos, será incorporado a um plano executivo que deverá compor o processo de certificação dos laboratórios do ILMD/Fiocruz Amazônia. “Agradecemos muito a disponibilidade da COGIC em atender as demandas, numa relação de parceria que vem de muito tempo, trazendo sempre a equipe completa de profissionais de diferentes áreas para a realização das inspeções e manutenções preventivas e corretivas. Esse é um trabalho essencial para o cumprimento dos requisitos necessários às certificações”, explica Maquiné. Nesta quinta-feira, 30/11, representantes dos setores envolvidos e a equipe da COGIC se reuniram para um balanço das atividades realizadas.
Hilne Arndt Cabral, coordenador de atendimento das Regionais e supervisor da equipe, explica que dos 270 equipamentos analisados, apenas oito precisarão ser encaminhados para uma revisão mais completa no Rio de Janeiro. “Um percentual pequeno em relação ao universo de equipamentos avaliados”, admite Hilne, explicando que apenas quando não há, de fato, condição local de conserto, envia-se o equipamento ao RJ. Além de manter o funcionamento dos equipamentos dentro da normalidade, a Gestão de Manutenção da COGIC presta também assessoria às unidades regionais com relação a fornecedores, para aquisição de peças, serviços, e, quando demandada, fiscaliza serviços contratados pelas unidades.
Entre os equipamentos avaliados, estão microscópios, balança de precisão, cabines de segurança biológica, medidores de PH, entre outros. “Na gestão de metrologia, que é a parte de cabines de segurança biológica, a norma exige que seja feita manutenção uma vez ao ano, portanto nem sempre que acontece a manutenção semestral em Manaus, a Metrologia está presente, porque ela atua conforme a norma exige”, explica Rodrigo Farias Santos, da equipe de Gestão de Oficinas de Manutenção, pertencente à Cogic, Os demais componentes da equipe são Sérgio Silveira (Demeq), Luiz Cláudio Guimarães (Gemec), Felipe dos Santos Silva (Gemec), Marcelo Santos Câmara (Gemec).
Projeto da Fiocruz Amazônia é citado como referência para o cuidado em saúde do DISA Rural de Manaus
/em Notícias /por Julio OliveiraO Projeto Comunitário de Saúde Santa Maria, desenvolvido pelo Laboratório SAGESPI, da Fiocruz Amazônia, apresentou nesta quarta-feira, 29/11, os resultados das etapas iniciais das ações voltadas para a promoção da saúde na comunidade ribeirinha Santa Maria, situada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista, a 57 quilômetros da área urbana de Manaus. Pertencente ao território de abrangência de uma equipe do Distrito de Saúde Rural, da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus, a comunidade foi responsável pelo levantamento histórico e o mapeamento georreferenciado do território, além de terem sido elencadas as prioridades em saúde, que fizeram parte da fase inicial do projeto. Nas próximas etapas será desenvolvido um plano de ação conjunto, que envolverá discussão e tomada de decisões conjuntas entre comunidade e os diversos atores que atuam na localidade, incluindo os gestores e profissionais de saúde da Estratégia Saúde da Família Fluvial. O projeto, previsto para encerrar em julho de 2024, tem por objetivo promover a construção coletiva de políticas públicas de saúde, por meio de tecnologias sociais.
Foram os próprios comunitários que fizeram a apresentação dos resultados durante solenidade no Salão Canoas, na sede da Fiocruz Amazônia. O projeto, formalmente denominado “Participação comunitária no processo de planejamento, organização e oferta dos serviços de saúde em localidades ribeirinhas da Amazônia”, é fruto de um edital de incentivo às pesquisas em Ciência, Tecnologia e Inovação, lançado pelo Programa Inova Fiocruz, e conta com a parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Vem sendo desenvolvido desde 2022, sob a coordenação dos pesquisadores da Fiocruz Amazônia, Fernando Herkrath e Amandia Sousa e da pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Denise Gutierrez. O relato das atividades desenvolvidas foi feito pelos comunitários Harlem Sanchez, Cleane Costa, Euzilene Amorim e Alef Lopes, também agente comunitário de saúde, envolvidos com o projeto desde o início. Eles representaram a comunidade, falando para uma plateia formada por gestores, profissionais de saúde, pesquisadores, alunos e bolsistas da Fiocruz Amazônia.
“É muito bom abrir as portas da instituição e ver um projeto ser desenvolvido por nós com esse tema e esse ímpeto de fazer junto”, ressaltou a diretora do ILMD/Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes. Para ela, criar evidências, trabalhar e fazer ciência como pacto social é um exercício que o cientista precisa fazer para produzir de fato algo que faça a diferença para quem está na ponta. “A Fiocruz tem essa cara porque trabalha na importante e única missão de olhar para o Sistema Único de Saúde, que é um direito e deveria estar igual e acessível para todos. Porém, os desafios são muitos e precisamos entender o que está acontecendo. Vocês (comunitários) sabem quais os problemas que precisam ser vencidos para se ter uma melhor saúde na comunidade”, afirmou Stefanie, destacando a importância de parceiros como a Fapeam, responsável pelo financiamento do projeto.
Vice-coordenadora do Inova Fiocruz, Denise Gutierrez, presente à abertura, disse considerar o Projeto Comunitário de Santa Maria uma experiência inovadora no campo da tecnologia social na área da saúde. “A iniciativa tem um potencial muito grande em termos de participação da comunidade nos assuntos que interessam à comunidade. A tecnologia social sempre tem que ter relevância social e um conhecimento construído coletivamente. Estamos numa região (amazônica) em que isso pode acontecer e muito, com respeito a buscarmos temas que mobilizem as comunidades para solução de problemas práticos, da vida concreta das pessoas”, pontuou. A intenção do edital Inovação Amazônia era exatamente fomentar o desenvolvimento de processos inovadores para que essa participação social seja efetivada na busca por soluções sustentáveis para os problemas na vida das comunidades, particularmente na saúde.
“A perspectiva da tecnologia social tem esse mérito: de poder gerar um espaço em que múltiplos atores interajam em função de um bem comum e fazendo convergir esforços. Temos na Fiocruz uma massa crítica, um conjunto de capacidades e habilidades que está muito consolidada, mas temos que fazer esse esforço de aproximação dos atores no território. O projeto tem muito desse compromisso, reconhecer o saber e as potências de intervenção que as comunidades já tem, mas nós, digo academia, poder público, invisibilizamos”, complementou.
PARÂMETRO
A estimativa é de que o projeto se estenda até julho do ano que vem, com o envolvimento da Semsa Manaus. Rubem de Souza, diretor do DISA Rural, explica que o projeto tem a magnitude de dar luz e voz a uma população tão negligenciada como a ribeirinha. “Ele (o projeto) vem fortalecer a parceria federal com o município e destacar quais são as características rurais no eixo saúde. Para nós, vai servir como parâmetro para a tomada de decisões no sentido de promover melhorias na assistência em saúde na área rural”, admitiu, ressaltando que os moradores são nativos das comunidades, têm a vivência com a natureza, a caça, a pesca, o rio, a plantação. “Nós, como mediadores e, também, prestadores de serviço, queremos ter essa participação integral e aprender junto com o projeto”, ressaltou.
O DISA Rural é responsável pela assistência básica em saúde a toda zona rural de Manaus, prestando atendimento odontológico, assistencial, médico, de enfermagem, vacinação, controle de vetores, vigilância em saúde, todos serviços preconizados pelo SUS na área urbana e realizados também na área rural, seja por meio da unidade fluvial ou nas UBS. “Ao todo, a área rural de Manaus possui nove unidades básicas de saúde, sendo sete terrestres e duas fluviais, além de 11 unidades de apoio, das quais seis na área do Rio Amazonas e cinco na área do rio Negro, onde a unidade fluvial atraca mensalmente e atende as comunidades do entorno”, informou Rubem.
Um dos coordenadores do projeto, o pesquisador Fernando Herkrath, chefe do Laboratório de Situação da Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros Grupos Vulneráveis (SAGESPI), explica que existe a possibilidade de replicar as ações do projeto em outras localidades. “Esse está sendo um piloto pois tínhamos que começar com um território definido. A partir dos resultados alcançados, a intenção é de que possamos replicá-lo para outros territórios com os ajustes necessários para atender as especificidades de cada localidade”, explicou. Fernando destacou a importância dos parceiros das secretarias de Saúde (Semsa Manaus) e Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), como atores que atuam no território de Santa Maria.
“Esse momento é simbólico, de apresentação pela comunidade do que eles já fizeram e o que se pretende fazer para que se envolva os demais atores porque só é possível essa mudança de realidade com a participação coletiva. A parceria com a Semsa é de fundamental importância porque eles já estão atuando fazendo assistência no território. A intenção agora é trabalhar com os demais atores, a exemplo da Semmas, que preside o Mosaico de Áreas Protegidas do Baixo Rio Negro, conjunto de 11 unidades de conservação localizadas entre os municípios de Manaus, Novo Airão, Iranduba e Manacapuru. “Vocês estão levando humanidade para esses jovens, que são os verdadeiros responsáveis pela área de Santa Maria, que precisa ser protegida. Contamos com a ajuda de todos vocês”, afirmou a representante do Mosaico do Baixo Rio Negro, Angeline Ugarte. O evento contou também com o lançamento do vídeo Projeto Comunitário de Saúde Santa Maria, mostrando como se deu o processo de envolvimento da comunidade com a proposta e as atividades do projeto. O vídeo é dirigido por Rafael Ramos e está disponível no Canal do You Tube do ILMD/Fiocruz Amazônia.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Fiocruz Amazônia apresenta rede de plataformas tecnológicas e portfólio de patentes na ExpoAmazônia Bio&TIC 2023
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) está participando pela primeira vez da ExpoAmazônia Bio&TIC 2023, feira de tecnologia e inovação que reúne empresas, institutos e órgãos que desenvolvem pesquisas na área de inovação e startups, aberta nesta terça-feira, 28/11, no Studio 5 Centro de Convenções. Com um estande voltado para a prestação de serviços de tecnologia em saúde, a Fiocruz Amazônia apresenta no evento sua rede de plataformas tecnológicas, portfólios de patentes e serviços de tecnologia em saúde desenvolvidos pelo ILMD/Fiocruz Amazônia, numa oportunidade de mostrar ao público participante os trabalhos realizados nessa área e angariar novos negócios visando a melhoria da qualidade da saúde da população da Amazônia. A exposição se encerra nesta quinta-feira, 30/11.
A diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, presente à abertura do evento, destacou a importância do pioneirismo da instituição em participar da ExpoAmazônia juntamente com grupos empresariais e órgãos públicos, com o foco voltado ao mercado de startups e tecnologia da inovação. “Estamos aqui pela primeira vez mostrando nossos trabalhos, com a possibilidade de angariar novos negócios, mas sobretudo de compartilhar com os visitantes as nossas descobertas”, afirmou Stefanie Lopes, que recebeu no estande da Fiocruz Amazônia autoridades, como o secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Rodrigo Rollemberg, representando o Governo Federal na exposição.
Na oportunidade, ele destacou a importância do papel da Fiocruz para o País. “A Fiocruz é indispensável, tem enormes serviços prestados ao País. Hoje, na nova política de industrialização, na neoindustrialização, temos uma missão importante que é a do complexo industrial de saúde, que tem como objetivo reduzir muito a dependência em relação a insumos internos. Portanto, temos aqui a Fiocruz Amazônia desenvolvendo pesquisa, tecnologia e produtos, a partir da realidade da Amazônia, é extremamente positivo para todo o País”, salientou Rollemberg, que visitou o estande na companhia do ex-deputado estadual Serafim Correia, atual secretário estadual de Desenvolvimento, Indústria e Tecnologia (SEDECTI).
Para Serafim, a Fiocruz é pioneira no campo da tecnologia em saúde. “É uma alegria muito grande que Fiocruz Amazônia esteja participando desta feira expondo aqui seus avanços tecnológicos e principalmente marcando sua presença em relação a três áreas das quais a humanidade não pode se distanciar: ciência, tecnologia e inovação”, destacou. A Rede de Plataformas Tecnológicas da Fiocruz é um conjunto de tecnologias e equipamentos destinados à pesquisa, desenvolvimento tecnológico, inovação e vigilância e assistência disponível para atender as demandas de instituições públicas e privadas. Os espaços tecnológicos da Rede de Plataformas está presente em nove estados do Brasil, entre os quais o Amazonas.
No portfolio de patentes da Fiocruz Amazônia, estão inventos destinados a criação de anticorpos para tratamento de infecções intestinais, método de solubilização e ativação de nanotubos de Carbono para imunização animal; Diagnóstico da Escherichia coli Enterotoxigênica; Composição vacinal contra Clostridiose (doenças que acometem rebanhos de gado); Método para detectar anticorpos contra orthohantavírus; Iniciadores e sondas para a detecção do vírus mayaro e Oropouche por PCR em tempo real; e equipamento portátil para esterilização de EPIs (equipamentos de proteção individual).
O pesquisador Luís André Mariúba, coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica do ILMD/Fiocruz Amazônia, observa que a ExpoAmazônia é um evento importante para se apresentar as tecnologias do instituto, bem como os serviços que podemos prestar para comunidades, empresas e demais institutos de inovação. “Além das nossas plataformas tecnológicas, temos também uma boa oportunidade para apresentarmos nossas primeiras startups na área de saúde, mostrando ao público em geral que trabalhamos com isso. Temos grandes empresas participando aqui e temos que nos fazer presentes. Ao final, será possível termos um balanço da iniciativa e se teremos oportunidades de ofertas de tecnologia futuras”, adiantou. No estande da Fiocruz Amazônia, o visitante recebe material informativo, sendo atendido por equipes de pesquisadores e alunos da instituição.
BIOECONOMIA NA AMAZÔNIA
Com a temática “Tecnologia Sustentável da Amazônia para o Mundo”, a proposta da ExpoAmazônia Bio&TIC 2023 é alavancar os polos de Bioeconomia (Bio) e de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) como dois vetores econômicos viáveis e sustentáveis para a manutenção da floresta amazônica e o desenvolvimento socioeconômico da Amazônia. Para isso, o evento vem proporcionando palestras divididas em seis “trilhas de conhecimento”: bioeconomia, biotecnologia e mercados; empreendedorismo e gestão de negócios; valorização dos saberes tradicionais; produções acadêmicas em BIO&TIC; tecnologia da informação e comunicação e mercado; e economia criativa e cultura.
A ExpoAmazônia Bio&TIC 2023 é uma realização da Associação do Polo Digital de Manaus (APDM), Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), Governo do Amazonas – por meio da Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti-AM) -, Prefeitura de Manaus – por meio da Secretaria Municipal do Trabalho, Empreendedorismo e Inovação (Semtepi) e Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA).
Além de discutir, integrar, consolidar e alavancar os polos de Bioeconomia e de Tecnologia da Informação e Comunicação da região como dois vetores econômicos viáveis e sustentáveis para a manutenção da floresta amazônica e para o desenvolvimento socioeconômico dos povos da Amazônia, a feira visa fortalecer os ecossistemas de Bio&TIC e integrá-los constantemente com os atores dos ecossistemas nacionais e internacionais de inovação.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Fiocruz Amazônia realiza 1º Encontro Vhiva Mais – Unidos na Prevenção e na Esperança: Vencendo a AIDS Juntos no Dia Mundial de Combate à Aids
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realizará na próxima sexta-feira, 1º de dezembro, Dia Mundial da Aids, o 1º Encontro Vhiva Mais – Unidos na Prevenção e na Esperança: Vencendo a AIDS Juntos”. O encontro visa reunir a comunidade, profissionais de saúde e autoridades para uma discussão abrangente e comprometida sobre a realidade da AIDS e a importância da prevenção. O evento acontecerá das 8h às 13h, no Salão Canoas, na sede do ILMD/Fiocruz Amazônia, com uma programação de palestras com temas variados, a exemplo de “Panorama do HIV/Aids no Amazonas: Dados Atualizados sobre Abandono ou Não-Aderência à Terapia Antiretroviral”, “Prevenção Combinada: Atualizações PREP Oral e Injetável”, “A Era TARV e a Crescente Expectativa de Vida”, “Acompanhamento Médico para que o Indetectável seja = a Instransmissível”, “Avanços no Tratamento”, entre outros.
De acordo com o pesquisador da Fiocruz Amazônia, Paulo Nogueira, coordenador do Laboratório Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia (DCDIA), o 1º Encontro Vhiva Mais tem como propósito central promover a conscientização sobre o HIV/AIDS, compartilhando informações essenciais sobre prevenção, tratamento e apoio, buscando construir pontes entre a ciência e a comunidade, bem como a criação de estratégias eficazes e inclusivas para enfrentar os desafios relacionados à AIDS. “Será uma oportunidade de acompanhar palestras de especialistas renomados que abordarão temas atuais e compartilhar experiências com pessoas vivendo com HIV/AIDS, oferecendo uma perspectiva valiosa sobre a jornada dessas pessoas nos dias atuais”, ressalta Nogueira.
Na oportunidade, estandes informativos fornecerão materiais educativos com temas como educação sexual, prevenção e tratamento. O evento tem entrada gratuita e o público-alvo são a sociedade civil, estudantes e profissionais de saúde. O número de vagas é limitado e as inscrições foram encerradas no primeiro dia. Os participantes registrados receberão certificados de participação.
Criado há dois anos, o Vhiva Mais é um seguimento do DCDIA (Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia) que realiza estudos científicos tendo como público-alvo as pessoas vivendo com HIV/AIDS. Os trabalhos se iniciaram tendo como linhas de pesquisa a investigação das características clínicas e imunologias relacionadas ao risco de óbitos nas internações, amadurecendo para a criação do Ambulatório de Retrovirologia Humana, direcionado para comorbidades neurocognitivas, sarcopenia e doenças ósseas em pessoas vivendo com HIV/AIDS.
“O 1º Encontro Vhiva Mais pretende se configurar como um marco na luta contra o HIV/AIDS, unindo a comunidade em um esforço coletivo para prevenção, apoio e esperança, na direção de um futuro mais saudável e inclusivo”, ressaltou Nogueira. Na programação, haverá também a apresentação do primeiro podcast do Vhivacast, sobre o Histórico do HIV no Amazonas: Realizações e Conquistas no Enfrentamento da Aids pelo SUS e Ministério da Saúde, com a presença da médica sanitarista Adele Schwartz Benzaken como entrevistada.
Fiocruz Amazônia apresenta devolutiva de projeto Modernização de laboratório de pesquisa financiado pela FINEP
/em Notícias /por Carlos GomesO pesquisador Felipe Naveca, coordenador do Núcleo de Vigilância de Vírus Emergentes, Reemergentes ou Negligenciados do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), apresentou na última quinta-feira, 23/11, para a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) a devolutiva dos resultados obtidos através do projeto: Modernização do laboratório multiusuário da Fiocruz-Amazônia, Chamada Pública MCTIC/FINEP/FNDCT/AT – AMAZÔNIA LEGAL – 04/2016. A apresentação ocorreu na sede da Fiocruz Amazônia, com a presença da analista Gilka Soares Rodrigues, representante da FINEP.
O projeto teve a finalidade de modernizar a infraestrutura do Laboratório Multiusuário do ILMD-FIOCRUZ através da aquisição de novos equipamentos que atendiam a demanda de projetos de pesquisa internos e de parceiros externos da Região Norte e outras regiões do país. “Fazer a prestação de conta para a Finep, que é uma das grandes agências que financiam a pesquisa no país, é um momento importante. A gente precisa dar essa devolutiva, afinal de contas são recursos públicos que foram empregados aqui”, destaca o coordenador do projeto Felipe Naveca.
O financiamento beneficiou diversas atividades de modernização na infraestrutura do Laboratório, que resultam em melhores condições para o atendimento de demandas relacionadas aos estudos realizados na instituição. Reordenamento dos espaços reservados destinados ao recebimento dos equipamentos; Aquisição de equipamentos que darão suporte ao desenvolvimento dos projetos; Garantia do Suporte institucional Vice-Presidência da FIOCRUZ e/ou a Direção do ILMD para que os equipamentos tenham contratos de manutenção custeados; Disponibilização dos novos equipamentos adquiridos para os programas de pós-graduação do ILMD e de parceiros externos; Preparação e realização dos procedimentos no laboratório multiusuário, foram algumas das ações atendidas no período de realização do projeto, que coincidiu com o período da Pandemia de COVID-19.
“Quando nós fizemos esse projeto, não tínhamos como prever que iria acontecer uma pandemia, mas mostrou-se com o tempo que o investimento feito importante e utilizado durante a pandemia e, nos ajudou a responder melhor. Essa preparação para estarmos respondendo a essas demandas, nos mostra que a gente precisa estar cada vez mais preparado, pois essas situações vão ocorrer. Ter a FINEP como parceira foi fundamental para fortalecer essa estrutura na Fiocruz Amazônia, para darmos a resposta que demos durante a pandemia no Estado do Amazonas e na Amazônia como um todo, visto que nós apoiamos outros estados também”, explicou.
Durante a apresentação, Naveca destacou algumas ações oportunizadas por meio da aquisição de equipamentos que possibilitaram o processamento de amostras por PCR em Tempo Real. O pesquisador apresentou ainda, o indicador físico de testes realizados por ano, o que demonstra a importância da continuidade do trabalho realizado. As reações de PCR em tempo real, foram realizadas para detecção de arbovírus, vírus respiratórios e outros agentes infecciosos.
Algumas aquisições como o termociclador Mic qPCR Cycler, possibilitaram a realização de processamento de amostras in loco, durante duas viagens para campo, realizadas pela equipe do laboratório. Utilizado pelos melhores institutos do mundo, o equipamento garante resultados rápidos e altamente precisos.
Para a representante da FINEP, Gilka Soares Rodrigues, apesar de não ter recebido uma verba tão alta, o projeto possui méritos que precisam ser parabenizados, em especial pelo bom emprego do recurso público. “Dinheiro público temos que usar da melhor forma possível e, esse foi muito bem utilizado. Eu acompanho muito projetos, já trabalho nessa área há 20 anos e, escolho a dedo os que a gente pode colocar nessa lista de melhores. Me chamou bastante atenção, esse período pelo qual enfrentamos a pandemia, pois eu não tinha ideia do quanto eles fizeram aqui na Amazônia. Muitas vezes não temos essa ideia por estarmos muito longe. Os laboratórios novos estão excelentes, com equipamentos muito bem utilizados. Acredito que mereciam até um suporte maior, inclusive iremos conversar com nossa direção para ver o que podemos fazer nesse sentido, pois agora estão surgindo novas demandas”, destaca Rodrigues.
A analista enfatizou também a importância de pensar a descentralização de recursos para regiões do país que necessitam de incentivo por serem regiões menos favorecidas. “As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste sempre foram muito carentes, e acabam ficando sempre para depois. Precisamos melhorar essa nossa ideia antiquada de que são regiões iguais as outras. Na hora de distribuir verbas, os recursos acabam se concentrando mais no Sul e Sudeste, e isso não é justo. Na maioria das chamadas sempre temos um percentual maior para ser aplicado nessas regiões menos favorecidas”.
FORTALECIMENTO DA INFRAESTRUTURA DAS INSTITUIÇÕES DE PESQUISA
A Chamada pública MCTIC/FINEP/FNDCT/AT – AMAZÔNIA LEGAL – 04/2016, visou o apoio à infraestrutura de projetos de pesquisa de Instituições Científicas e Tecnológicas da Amazônia Legal. Através deste edital de financiamento, a Finep selecionou propostas para apoio financeiro a projetos de infraestrutura básica para pesquisa em instituições de pesquisa científica e tecnológica públicas ou privadas sem fins lucrativos, sediadas nos Estados que integram a área de abrangência da Amazônia Legal.
A iniciativa teve foco no fortalecimento da infraestrutura das instituições de pesquisa científica e tecnológica sediadas e com atuação específica na região que compreende a Amazônia Legal, bem como seus projetos de pesquisa com foco exclusivo nas questões regionais, por meio da aquisição e manutenção de equipamentos básicos, preferencialmente para uso compartilhado.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes
Fiocruz Amazônia apresenta resultados de projetos no Seminário Avanços e Desafios da Saúde Indígena no Brasil
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) estará presente, de 28 a 30/11, no Seminário “Avanços e Desafios da Saúde Indígena no Brasil: contribuições dos projetos da parceria Fiocruz/Sesai”, apresentando os resultados obtidos até agora com a implementação de projetos de saúde indígena em territórios urbanos e rurais no Estado do Amazonas. Os projetos são desenvolvidos pelo Laboratório de História, Políticas Sociais e Saúde na Amazônia (Lahpsa), do ILMD/Fiocruz Amazônia, por meio do Edital Saúde Indígena, do Programa Inova Fiocruz. O evento acontece no Museu da Vida, na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, reunido cerca de 220 participantes, entre lideranças indígenas, pesquisadores, gestores e representantes de instituições governamentais que fazem parte dos 20 projetos concluídos.
As experiências apresentadas no seminário serão os projetos “Manaós: Saúde da População Indígena em Contexto Urbano” e “Capacitação de Conselheiros Indígenas de Saúde do DSEI/Manaus, com uso das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação)”, coordenados, respectivamente, pelos pesquisadores em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias e Kátia Lima. O objetivo do seminário é promover o debate sobre a saúde indígena no Brasil a partir da apresentação dos resultados dos projetos, razão pela qual parte do seminário é reservada apenas para os integrantes e parceiros dos projetos. Haverá também a Tenda Cultural “Diálogos e Saberes”, ao lado do Museu da Vida. A Tenda contará com estandes dos projetos e de produtos indígenas, além de dois espaços especiais: “Práticas e Saberes Ancestrais Indígenas em Saúde”, onde ocorrerão rodas de conversa e vivências sobre os conhecimentos ancestrais em saúde, e o Cine Saúde Indígena com exibição de curtas e documentários sobre o tema.
O Projeto Manaós encontra-se em sua segunda fase de execução de atividades voltadas para as 750 famílias de 35 etnias indígenas, que vivem no Parque das Tribos, primeiro bairro indígena de Manaus. Lideranças indígenas da localidade, a cacica Lutana, presidente da Associação Indígena dos Moradores do Parque das Tribos (AIMPAT), e Lecia Witoto estarão presentes ao seminário. O projeto atuou inicialmente no diagnóstico da realidade dos indígenas desaldeados e as dificuldades enfrentadas por eles no acesso aos serviços de saúde. Na etapa atual, desenvolve linhas específicas de ação, voltadas ao empoderamento comunitário, formação de agentes indígenas de saúde e a investigação de fatores de risco cardiovasculares dos indígenas que vivem na área urbana. O projeto deu origem ao livro “A saúde indígena nas cidades: redes de atenção, cuidado tradicional e intercultural”, que será lançado durante o seminário, trazendo relatos sobre trabalhos e incursões junto aos povos indígenas no Brasil, com especial atenção aos que vivem em contextos urbanizados. Entre as experiências abordadas, está o Projeto Manaós.
As pesquisadoras Kátia Menezes Lima e Fabiane Vinente apresentarão os resultados do Projeto Capacitação de Conselheiros Indígenas de Saúde do DSEI/Manaus, com uso das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação)”, pesquisa-ação cujo objetivo foi o de analisar as formas de enfrentamento à COVID-19 nas aldeias dó Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), de Manaus, a partir da realização de oficinas de capacitação com conselheiros e agentes indígenas de saúde para discutir mecanismos de prevenção. A pesquisa foi viabilizada por meio do Edital de Saúde Indígena No 1/2021, do Programa Fiocruz de Fomento à Inovação, o Inova Fiocruz. Por conta do projeto, o DSEI Manaus foi pioneiro na implantação da iniciativa de capacitação on line no Estado. O programa, lançado em 2018, tem como objetivo fomentar a pesquisa e a inovação, resultando na entrega de produtos/conhecimento/serviços para a sociedade, a partir de pesquisas na área de saúde.