COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Ormezinda Celeste Cristo Fernandes
E-mail – ofernandes@amazonia.fiocruz.br
Endereço para correspondência – Rua Teresina, 476 – Adrianópolis – CEP – 69057-070
Fone: (92) 3621-2337 Fax: (92) 3621-2399
Divulgados resultados da prova oral e do processo seletivo para o Mestrado do PPGVIDA
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) divulgou o resultado da prova oral e do processo seletivo de candidatos ao Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA).
Confira o resultado em: https://amazonia.fiocruz.br/?page_id=39959
SOBRE PPGVIDA
O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
O programa também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
PPGVIDA divulga 4ª Republicação da Chamada Pública 009/2023
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) divulgou a 4ª Republicação da Chamada Pública 009/2023, referente ao período de divulgação do resultado da prova oral e do Processo de seleção de candidatos ao Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA).
Confira o resultado em: https://amazonia.fiocruz.br/?page_id=39959
SOBRE PPGVIDA
O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
O programa também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia é tema de painel da XIV Semana Acadêmica do Instituto de Ciências Biológicas da UFAM
/em Notícias /por Julio OliveiraA diretora eleita da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, apresentou uma panorâmica sobre o funcionamento do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) falando, na terça-feira, 5/12, a um grupo de alunos dos cursos de Ciências Biológicas e Ciências Naturais, presentes à palestra sobre o tema “Oportunidades de atuação na Fiocruz Amazônia”, dentro da programação da XIV Semana Acadêmica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A diretora fez um apanhado sobre os programas de pós-graduação oferecidos pela unidade, os diferentes grupos de pesquisa em atuação, além das atividades desenvolvidas tanto na sede da Fiocruz Amazônia quanto nos laboratórios satélites situados na UFAM, Funasa e Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado (FMT), elencando também as oportunidades de acesso dos estudantes por meio dos programas de Iniciação Científica, Estágio e Serviço Voluntário. A Semana Acadêmica se encerra nesta quinta-feira, 7/12.
Para a diretora da Fiocruz Amazônia, participar do evento é uma oportunidade de interação com jovens estudantes que pretendem atuar na área da pesquisa e produção de conhecimento. “A Fiocruz é uma instituição renomada e que, em seu escopo, possui unidades de produção de medicamentos, vacinas, testes de diagnóstico, para doenças emergentes, reemergentes e negligenciadas, mas também trabalha com o desenvolvimento social, na perspectiva da garantia dos direitos básicos, qualificação de profissionais da Atenção Primária da Saúde, gestores e povos tradicionais, razão pela qual ela está presente em 11 estados do País, mais o Distrito Federal, o que permite uma capilaridade importante”, afirmou, lembrando que a unidade do Amazonas é responsável por pesquisas clínicas, pré-clínicas e testes para o desenvolvimento de medicamentos e vacina.
“Temos muitos alunos da UFAM desenvolvendo trabalhos de pesquisa como bolsistas na Fiocruz Amazônia e egressos da universidade que hoje são pesquisadores da Casa, sendo para nós uma oportunidade enriquecedora estar aqui”, comentou Stefanie, que é bióloga de formação. “Tenho muito orgulho de ter feto esse curso e poder apresentar para vocês um pouquinho do papel que essa profissão pode ter na área da saúde”, pontuou. Stefanie já atuou como coordenadora do Programa de Iniciação Científica e do Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro, tendo sido também vice-diretora de Pesquisa e Inovação, antes de ser eleita diretora da Fiocruz Amazônia.
Atualmente, o ICB oferece quatro cursos – Ciências Biológicas (Bacharelado e Licenciatura), Ciências Naturais e Tecnólogo em Biotecnologia, com aproximadamente 300 alunos. “A Semana Acadêmica visa exatamente proporcionar a esses alunos a oportunidade de agregar conhecimento em ensino, pesquisa e extensão. E termos a palestra da doutora Stefanie Lopes foi uma oportunidade para os nossos formandos entenderem que as Ciências Biológicas não se limitam apenas à parte acadêmica, bem como as chances de desenvolverem trabalhos e projetos”, afirmou a diretora do ICB, Rozana de Medeiros Souza Brandão, acrescentando que o ICB tem hoje 143 servidores, dos quais 89 são professores e pesquisadores. O instituto também administra disciplinas para diversos outros cursos oferecidos pela UFAM, a exemplo de Medicina, Odontologia, Fisioterapia, Enfermagem, Farmácia, Ciências Agrárias, entre outros.
Divulgado cronograma da Prova Oral do Processo Seletivo para curso de mestrado do PPGBIO INTERAÇÃO
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), divulgou o cronograma da Prova Oral do Processo Seletivo, para ingresso no curso de mestrado no Curso de Mestrado Acadêmico do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro.
Confira o resultado AQUI
SOBRE O PPGBIO-INTERAÇÃO
O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro é curso strictu sensu que tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro no âmbito da maior biodiversidade mundial.
O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na eco-epidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.
Estes diversos aspectos são os principais delineadores para escolha da área de concentração da Ciências Biológicas III, por esta ser uma área multidisciplinar e baseada no eixo bioquímica, genética, biológico, celular e molecular. Os alunos recebem uma formação em áreas estratégicas por sua importância e que precisam ser desenvolvidas no Estado.
ILMD Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagens: Mackesy Nascimento
Divulgado resultado final da Prova Escrita, da Chamada Pública 010/2023
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), divulga o Resultado final da Prova Escrita, referente ao processo seletivo de candidatos, para ingresso no Curso de Mestrado Acadêmico do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro.
Confira o resultado AQUI
SOBRE O PPGBIO-INTERAÇÃO
O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro é curso strictu sensu que tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro no âmbito da maior biodiversidade mundial.
O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na eco-epidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.
Estes diversos aspectos são os principais delineadores para escolha da área de concentração da Ciências Biológicas III, por esta ser uma área multidisciplinar e baseada no eixo bioquímica, genética, biológico, celular e molecular. Os alunos recebem uma formação em áreas estratégicas por sua importância e que precisam ser desenvolvidas no Estado.
ILMD Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagens: Mackesy Nascimento
Divulgado Resultado de Pedido de Recurso da Prova Escrita do processo seletivo para ingresso no curso de Mestrado do PPGBIO-Interação
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), divulga o Resultado de Pedido de Recurso da Prova Escrita, referente ao processo seletivo de candidatos, para ingresso no Curso de Mestrado Acadêmico do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro.
Confira o resultado AQUI
SOBRE O PPGBIO-INTERAÇÃO
O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro é curso strictu sensu que tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro no âmbito da maior biodiversidade mundial.
O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na eco-epidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.
Estes diversos aspectos são os principais delineadores para escolha da área de concentração da Ciências Biológicas III, por esta ser uma área multidisciplinar e baseada no eixo bioquímica, genética, biológico, celular e molecular. Os alunos recebem uma formação em áreas estratégicas por sua importância e que precisam ser desenvolvidas no Estado.
ILMD Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagens: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia divulga cronograma da Prova Oral para ingresso no Doutorado Acadêmico do PPGBIO-Interação
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), torna pública cronograma da Prova Oral, referente ao processo de seleção pública de candidatos para ingresso no Curso de Doutorado Acadêmico do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interaç ão Patógeno Hospedeiro.
Confira AQUI o cronograma
O ingresso ao Curso de Doutorado será realizado mediante processo seletivo nos termos desta Chamada Pública e o cronograma com todos os eventos das etapas estão no ANEXO I do edital. O processo de seleção será realizado em 3 etapas. O curso, cujas vagas são oferecidas na presente Chamada Pública, terá sede em Manaus. Ao egresso desse curso será outorgado o Diploma de Doutor em Ciências com área de concentração em Biologia da Interação Patógeno
SOBRE O PPGBIO-INTERAÇÃO
O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro é curso strictu sensu que tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro no âmbito da maior biodiversidade mundial.
O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na eco-epidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.
Estes diversos aspectos são os principais delineadores para escolha da área de concentração da Ciências Biológicas III, por esta ser uma área multidisciplinar e baseada no eixo bioquímica, genética, biológico, celular e molecular. Os alunos recebem uma formação em áreas estratégicas por sua importância e que precisam ser desenvolvidas no Estado.
ILMD Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagens: Mackesy Nascimento
Estudo revela que coloração dos rios está relacionada com a incidência de malária na Amazônia brasileira
/em Notícias /por Julio OliveiraA Fiocruz Amazônia, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento, realizou estudo com abordagem inédita na avaliação da relação entre coloração de rios com a incidência da malária. Segundo a pesquisa, liderada pela pesquisadora Fernanda Fonseca, vice-chefe do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI), observou-se uma relação entre os dois fatores, razão pela qual, em situações extremas, as localidades próximas aos rios de coloração preta apresentam maior incidência de malária, quando comparados aos chamados rios de águas brancas, que possuem cores turvas e barrentas, como é o caso do Solimões, Amazonas, Madeira e Juruá. Os resultados do trabalho, publicado em artigo científico no Malaria Journal (https://doi.org/10.1186/s12936-023-04789-8), apontam que as águas do rios de cor escura, a exemplo do Rio Negro, por carregarem menos sedimentos e serem mais ácidas, podem favorecer a proliferação do mosquito Anopheles darlingi, transmissor da doença.
O trabalho é de autoria dos pesquisadores em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia Fernanda Fonseca, Jesem Orellana e Antonio Balieiro, Naziano Filizola (INPA); Jean-Michel Martinez (Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento) e James Dean Santos (UFAM). Os resultados, segundo os autores, ajudam a identificar os locais com maior risco de transmissão de malária, o que pode contribuir para um planejamento mais preciso de ações voltadas ao controle da doença na região. De acordo com Fernanda Fonseca, a pesquisa foi realizada em uma região com características hidrográficas heterogêneas o suficiente para permitir uma análise que contrastasse as diferentes cores dos rios e abrangendo o Estado do Amazonas, em quase sua totalidade. O trabalho foi tema recente de reportagem da Revista Forbes.
As análises incorporam dados de 50 dos 62 municípios do Estado do Amazonas e foram efetuadas a partir de imagens de satélite do aplicativo Google Earth, de dados do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH), da base de dados do Observatório do Ambiente, Pesquisa em Hidrologia e Geodinâmica da bacia Amazônica e do Sistema de Vigilância Epidemiológica de Malária (SIVEP-Malária), do Ministério da Saúde.
“No Brasil, a malária está concentrada na região amazônica e os rios desempenham um papel importante no ciclo de vida da doença, uma vez que o vetor se reproduz em ambientes aquáticos”, aponta o resumo da pesquisa. As águas dos rios da Amazônia possuem diferentes características químicas, devido principalmente à geologia da região, ao tipo de vegetação, à presença de organismos em decomposição e ao clima. A pesquisa analisou os dados de incidência de malária, entre os anos 2003 a 2019, de 50 municípios do Estado do Amazonas localizados às margens de rios de água preta, branca e mista (preta e branca), com uma probabilidade de 99%; “Nesse contexto, o estudo propôs realizar uma abordagem baseada em hipóteses que correlacionaram as cores das águas e a incidência da doença, a fim de determinar se as características do tipo de cor da água influenciam na distribuição da doença”, explica Fernanda.
A pesquisadora ressalta que, apesar dos avanços dos últimos anos na eliminação da doença, em 2021 países como Venezuela, Brasil e Colômbia foram responsáveis por quase 80% dos casos na região das Américas. “A situação epidemiológica continua preocupante e desafios como ter dados confiáveis sobre a incidência e distribuição da doença, bem como estratégias adaptadas localmente para melhorar o diagnóstico precoce ou o acesso oportuno ao tratamento, continuam sendo desafios importantes, especialmente em grupos e regiões vulneráveis”, afirma a pesquisadora, citando como exemplos os povos indígenas que vivem em áreas remotas e degradadas, geralmente de difícil acesso ou insuficientemente alcançadas pelos serviços de saúde, como o que se observa em áreas de exploração madeireira ilegal e extração mineral na Amazônia.
O estudo revela que, comparando os valores mais baixos do indicador de incidência de malária (IPA) entre as três cores de água avaliadas, os níveis médios dos rios de águas pretas foram substancialmente superiores aos outros dois, uma vez que a probabilidade de incidência da malária é maior nos rios de águas pretas, em comparação aos rios de águas brancas e de águas mistas, ficou próximo de 99%, em ambas as comparações
AMAZONAS
Fernanda observa que, como o Amazonas tem sido historicamente um dos estados com maior incidência da doença no Brasil, a partir de 2002, o Programa Nacional de Controle da Malária, do Ministério da Saúde, incentivou fortemente o Estado no enfrentamento da doença. Foram desenvolvidas ações de fortalecimento da gestão local, com apoio técnico, maior acesso a mosquiteiros inseticidas de longa duração, testes de diagnóstico convencionais e rápidos, melhorias nas redes de laboratórios de diagnóstico, educação sanitária e formação de trabalhadores em saúde.
O estudo mostrou que havia uma tendencia favorável de diminuição da incidência de malária no Amazonas, entre 2003 e 2019. No entanto, o epidemiologista Jesem Orellana, chefe do LEGEPI, destaca que mais recentemente o cenário se tornou desfavorável, já que em 2021, o Amazonas estava entre os cinco estados da região amazônica que não atingiram a meta máxima para casos autóctones, com 17,4% (60.380) casos a mais que o esperado (51.416). Outra informação que também mostra o agravamento da situação epidemiológica da malária no Amazonas é a dos municípios amazônicos considerados de alto risco, já que dos 29 municípios classificados como de alto risco pelo Ministério da Saúde, 14 ou cerca de metade estavam no Amazonas em 2021. (ver: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/malaria/situacao-epidemiologica-da-malaria/boletins-epidemiologicos -de-malaria/boletim -epidemiologico-vol-53-no17-2022-panorama-epidemiologico-da-malaria-em-2021-buscando-o-caminho-para-a-eliminacao-da-malaria-no-brasil/view).
Jesem Orellana ainda destaca o pioneirismo do estudo, já que explora não apenas um tema pouco compreendido, como também combina expertises de cientistas do campo da hidrologia, geoprocessamento e sensoriamento remoto, estatística e matemática aplicada à saúde e epidemiologia. “Trabalho interdisciplinar crucial à consolidação de redes de cooperação em pesquisa e para o entendimento mais ampliado de problemas sanitários desafiadores como é o caso da eliminação da malária”, ponderou.
O pesquisador Antonio Balieiro, que participou da construção do modelo estatístico desenvolvido especialmente para a análise dos dados coletados, explica que foram utilizados os métodos da inferência bayesiana, que consiste na avaliação de hipóteses pela máxima verossimilhança; modelos dinâmicos e mistura de distribuições de probabilidades. “Na verdade, o responsável pela construção de um modelo específico para trabalhar com os dados que tínhamos em mãos sobre malária foi o professor James Dean, da UFAM, um dos colaboradores do artigo. Desenvolvemos um primeiro modelo mas percebemos que precisaríamos ter uma estatística mais refinada para analisar esses dados e a expertise do professor James foi fundamental”, explicou Balieiro.
A expectativa é de que os resultados ajudem a melhorar o controle ou a eliminação da doença, ampliando o conhecimento sobre a identificação de áreas suscetíveis ou de maior risco de transmissão. “Nossos resultados podem ser extrapolados para regiões com características sanitárias e hidrológicas semelhantes às observadas na Amazônia brasileira”, afirmou Fernanda.
SEDIMENTOS
A presença de sedimentos suspensos nos rios, que geralmente são areia, partículas de argila e lodo, modifica as características da água como suas propriedades físico-químicas e, principalmente, a cor das águas. Estas podem prejudicar ou favorecer os locais de reprodução dos vetores da malária e, consequentemente, ter impacto na transmissão da doença. Na Amazônia, as cores dos rios são classificadas como águas brancas, pretas ou claras. Os rios de águas brancas transportam grande quantidade de sedimentos em suspensão e possuem pH próximo do neutro. Dentre eles, destacam-se os rios Madeira, Purus, Juruá e Solimões/Amazonas. Já os rios de águas pretas, recebem esse nome devido à sua cor característica, que resulta das substâncias neles dissolvidas. Esses rios possuem pH ácido, carregam muita matéria orgânica e apresentam baixa concentração de sedimentos suspensos em suas águas. O maior deles é o Rio Negro. Finalmente, os rios de águas claras (por exemplo, o rio Tapajós) apresentam coloração esverdeada ou são transparentes. Esses rios carregam pequena quantidade de sedimentos dissolvidos, possuem certo nível de matéria orgânica dissolvida e pH próximo do neutro. Nesse contexto, o estudo propôs realizar uma abordagem baseada em hipóteses, que correlacionam as cores das águas dos rios da Amazônia e a incidência da malária, a fim de avaliar se as características do tipo de cor da água influenciam na distribuição da doença.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa