COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Concurso Super Chef ILMD estimula habilidades culinárias e alimentação saudável
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) por meio do Núcleo de Saúde do Trabalhador (Nust-ILMD) promoveu na última quarta-feira (23/8) a primeira edição do concurso Super Chef ILMD.
O evento voltado ao público interno do ILMD/Fiocruz Amazônia foi realizado em parceria com o Programa Circuito Saudável, da Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST), vinculada à Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas (Cogepe) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As 10 melhores receitas do concurso serão publicadas no “Cantinho Saudável: Guia de receitas autorais, voltadas para a Saúde do Trabalhador”, uma publicação eletrônica que será produzida pelo Nust.
O Super Chef ILMD teve como objetivos estimular, exercitar e partilhar habilidades culinárias dos trabalhadores; promover a integração dos trabalhadores do ILMD; iIncentivar a prática de hábitos alimentares saudáveis; e valorizar e motivar o ato de cozinhar como atividade da vida prática
Segundo Rafael Petersen, coordenador do Nust-ILMD/Fiocruz Amazônia, a atividade foi pensada com base nos seguintes aspectos: estimular produções gastronômicas saudáveis, desenvolvidas por servidores, terceirizados, bolsistas e estagiários do ILMD.
Na primeira etapa da atividade os participantes gravaram vídeos de até 5 minutos, mostrando as etapas do preparo da receita, e fotografando o prato ou bebida saudável para validar a participação. Na etapa final, as 31 receitas selecionadas foram degustadas pela banca avaliadora, que escolheu as 10 melhores receitas.
Para a bolsista Bárbara Salgado, vencedora do “Super Chef ILMD”, a atividade motivou algumas adaptações em sua alimentação. “A ideia da Gincana promovida pelo Nust está sendo, de fato, uma grande reviravolta na mudança de hábitos de todas as pessoas envolvidas nesta Instituição de pesquisa. Um dos benefícios do Circuito Saudável é justamente as adaptações com foco na promoção da saúde”, destacou.
Bárbara contou ainda que foi um desafio pessoal pensar, criar e realizar um prato saudável. “Ouvi conselhos e sugestões do meu orientador e da minha família e, ao final, alberguei todas as dicas e tentei colocar no meu prato. Sou fã de hambúrguer, então, como desafio pessoal, decidi preparar um hambúrguer com elementos que eu não estava acostumar a cozinhar nem a consumir diariamente”.
A comissão julgadora foi formada pela nutricionista e coordenadora do Programa Circuito Saudável da CST-Cogepe/Fiocruz, Wanessa Natividade; pela coordenadora de Saúde do Trabalhador da Fiocruz, Fátima Rangel; pelo Vice-diretor de Gestão e Desenvolvimento Institucional do ILMD/Fiocruz Amazônia, Carlos Henrique Carvalho; pelo diretor de Esportes do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc), Roberto Lopes. A atividade contou ainda com a participação e julgamento do chef do restaurante Banzeiro Cozinha Amazônica, Felipe Schaedler, eleito chef do ano por três anos consecutivos.
Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Brasileiros formados no exterior disputam 1.410 vagas do Programa Mais Médicos
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaProfissionais brasileiros formados no exterior terão nova chance de ingressar no Mais Médicos. As 1.410 vagas remanescentes do atual edital de reposição do Programa estão sendo disputadas por 1.985 médicos com diplomas obtidos fora do país que tiveram a inscrição validada. Os profissionais têm até esta terça-feira (22) para escolher, por meio do site do sistema do Programa, as localidades de preferência entre as vagas disponíveis em 829 municípios e 9 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).
Confira a lista dos municípios com vagas de reposição
As oportunidades foram disponibilizadas pelo Ministério da Saúde após ofertar as vagas em três chamadas aos médicos brasileiros com registro no país, que têm prioridade em todos os editais. Ao todo, o edital lançado em abril deste ano trouxe 2.394 vagas. As localidades em aberto são oriundas de desistências e de encerramentos de atividades de profissionais.
Além disso, também está incluído nesse quantitativo o processo de substituição de médicos cubanos da cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde, que encerraram a participação no Programa. A expectativa é realizar quatro mil substituições de médicos cooperados por brasileiros em três anos.
“O Ministério da Saúde reafirma o compromisso pela manutenção do acesso da população aos médicos do Programa, principalmente nas periferias das regiões metropolitanas e interior do país. O objetivo da reposição é justamente garantir que não haja desassistência nos municípios, dando continuidade ao atendimento prestado aos mais de 63 milhões de brasileiros beneficiados com esta ação”, destaca o ministro da Saúde, Ricardo Barros.
O resultado com a alocação dos profissionais está previsto para esta sexta-feira (25/08). Após a seleção, os profissionais passarão por um módulo de acolhimento, que consiste em um período de três semanas de treinamento e avaliação. O objetivo é assegurar que os profissionais sejam qualificados para atuar no Programa Mais Médicos. O início das atividades desses profissionais está previsto para 9 de outubro.
O PROGRAMA
Criado em 2013, o Programa Mais Médicos ampliou à assistência na Atenção Básica fixando médicos nas regiões com carência de profissionais. O programa conta com 18.240 vagas em mais de 4 mil municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), levando assistência para cerca de 63 milhões de brasileiros.
Por Murilo Caldas, da Agência Saúde
Palestra discute sobre alimentação consciente no ambiente de trabalho
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) promoveu na última terça-feira (22/8), a palestra “Alimentação consciente no ambiente de trabalho”, ministrada pela nutricionista Wanessa Natividade, Tecnologista em Saúde Pública e coordenadora do programa “Circuito Saudável” da Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O objetivo da atividade foi despertar nos trabalhadores um nível de consciência em relação à alimentação que surge quando estamos atentos a todos os sentidos, pois, segundo a nutricionista, além da fome biológica temos a fome dos olhos, nariz, ouvidos, boca, mente e coração.
Em sua palestra, a nutricionista falou sobre o tema alimentação Saudável, abordando alimentação consciente, doenças crônicas não transmissíveis, a questão da obesidade e a política de nutrição saudável brasileira. “Quando passamos a observar a alimentação por um prisma mais ampliado, conseguimos observar que a partir dela, podemos prevenir diversas doenças crônicas como a obesidade, diabetes, hipertensão arterial e outras”, alertou Wanessa Natividade.
A ingestão adequada de líquidos foi outro tema destacado durante a apresentação. “A ingestão hídrica é fundamental, pois se o indivíduo não faz uma ingestão adequada compromete outros mecanismos, ou seja, o seu intestino não funciona bem, pode ocorrer uma desidratação, ou até mesmo casos de cefaleia, explicou.
CIRCUITO SAUDÁVEL
O Programa Circuito Saudável busca conscientizar a comunidade Fiocruz sobre a adoção de hábitos alimentares balanceados e de prática esportiva, visando a prevenção de doenças crônicas como o diabetes. O projeto tem coordenação da equipe de Nutrição do Núcleo de Saúde do Trabalhador (Nust/CST) e parceria com a Caixa de Assistência Oswaldo Cruz (FioSaúde) e Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN).
O programa visa transmitir conhecimentos sobre alimentação saudável e formar agentes multiplicadores, contribuir para o equilíbrio da alimentação individual e para mudanças dos hábitos alimentares, melhorar a qualidade da saúde, controle das doenças crônicas não transmissíveis e melhorar o perfil de sobrepeso e obesidade na instituição.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Cientistas da Fiocruz PE descobrem substância capaz de bloquear vírus zika
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaA descoberta de uma substância capaz de bloquear a produção do vírus zika em células epiteliais e neurais, realizada por pesquisadores do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, foi divulgada recentemente, na revista International Jornal of Antimicrobial Agents. O estudo mostra a atividade antiviral da substância 6-metilmercaptopurina ribosídica (6MMPr) contra o tipo de vírus Zika que circula no Brasil.
O pesquisador Lindomar Pena, que coordena o estudo, explicou como aconteceram os testes in vitro. Utilizando em todos os ensaios células epiteliais e neurais, os cientistas introduziram o 6MMPr, experimentando diferentes tempos e dosagens.
O resultado foi a diminuição da produção de vírus zika em mais de 99%, em ambas as linhas celulares. O estudo também constatou que a 6MMPr se mostrou menos tóxica para as células neurais, o que é um bom indicativo para futuros tratamentos de infecções no sistema nervoso. “Diante das manifestações neurológicas associadas ao zika vírus e os defeitos congênitos provocados pelo mesmo, o desenvolvimento de antivirais seguros e efetivos são de extrema urgência e importância”, afirma o pesquisador.
Tendo a 6MMPr se mostrado como promissor candidato antiviral contra o vírus zika, a pesquisa segue agora para uma avaliação in vivo adicional. O estudo, que teve duração de 1 ano, contou com recursos financeiros do CNPq e da Facepe.
Para acessar o artigo The thiopurine nucleoside analogue 6-methylmercaptopurine riboside (6MMPr) effectively blocks zika virus replication, clique aqui.
Fonte: Fiocruz PB
Palestra aborda práticas de biossegurança e atividades com agentes químicos
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaA jornada de biossegurança do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) encerrou nesta quarta-feira, 16/8, com a palestra “Biossegurança e atividades com agentes químicos”, ministrada pelo técnico em saúde pública do Centro de Pesquisas René Rachou (CPqRR), Rogério de Oliveira Queiroz.
O evento visa sensibilizar, informar e orientar profissionais da instituição para a prática dos conceitos e normas de biossegurança, com o objetivo de garantir a integridade física e patrimonial e a qualidade dos resultados obtidos nas pesquisas científicas e serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Comissão Interna de Biossegurança do Instituo, Sônia Oliveira, a atividade é uma das estratégias de capacitação que visam diminuir riscos nas ações de pesquisa. “Nossa ideia foi fazer com que todos os alunos da instituição tivessem esse contato pessoal, e pudessem interagir com os palestrantes. É importante a participação de toda a instituição nessas atividades para a diminuição dos riscos que estamos sujeitos. A biossegurança precisa capacitar as pessoas dentro das instituições, que desenvolvem determinadas atividades de pesquisa”, explicou.
Durante a apresentação, foram abordados três eixos: Um que destaca melhor compreensão dos agentes de risco químico; A organização correta dos reagentes no laboratório, de forma segura, minimizando chances de acidentes; Abordagem sobre acidentes em atividades de laboratório envolvendo o uso de produtos químicos.
Em sua apresentação, Rogério destacou que biossegurança não é algo que envolve apenas os agentes biológicos, engloba todas as possibilidades de risco que podem ocorrer nos laboratórios. “Ao longo do tempo, a gente percebe que essa questão da segurança química é olhada de forma secundária. Estamos tentando com essas palestras, levar um pouco mais de informação e orientação para as questões de biossegurança nas atividades que envolvem o uso de produtos químicos. Precisamos olhar com mais cuidado para essa classe de riscos”, alertou.
CENTRO DE ESTUDOS
A palestra ministrada por Rogério será validada como atividade do Centro de Estudos da instituição, nesta semana. O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.
SOBRE O PALESTRANTE
Rogério Queiroz é mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/FIOCRUZ). Atua nas áreas de gestão e de saúde coletiva, especificamente em Gestão em Biossegurança, desenvolvendo atividades principalmente nos seguintes temas: Biossegurança, segurança química, gestão ambiental, gestão de resíduos e saúde do trabalhador.
Ascom ILMD/ Fiocruz Amazônia
Fotos e texto: Eduardo Gomes
Jornada de biossegurança aborda práticas e normas na pesquisa científica
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaComeçou nesta terça-feira (15/8), a Jornada de Biossegurança do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia). O evento visa sensibilizar, informar e orientar profissionais da instituição para a prática dos conceitos e normas de biossegurança, para garantir a integridade física e patrimonial e a qualidade dos resultados obtidos nas pesquisas científicas e nos serviços de saúde.
Na programação estiveram inseridas as seguintes palestras: “Qualidade x Biossegurança”, ministrada pelo assessor de gestão da qualidade do ILMD/ Fiocruz Amazonas, Itapuan Abimael; “Segurança em trabalho de campo”, proferida pela pesquisadora Evelyne Mainbourg; “Atividades com gentes biológicos e níveis de biossegurança” ministrada pela pesquisadora Alessandra Nava; “EPIs e EPCs”, tendo como palestrante a pesquisadora Ani Beatriz Matsuura; “Limpeza, desinfecção e esterilização” apresentada pela pesquisadora Priscila Aquino; e “Boas práticas de laboratório”, ministrada por Michele Silva e Giovana Pinheiro, do Núcleo Técnico de Suporte à Pesquisa do Instituto.
No período da tarde, os participantes fizeram uma visita guiada aos laboratórios da instituição. A atividade é voltada para servidores, alunos de iniciação científica, mestrado, doutorado, bolsistas de apoio técnico.
Entre as orientações passadas aos alunos durante o evento, foram destacados alguns cuidados quanto ao desenvolvimento de atividades nos laboratórios: Conhecer as regras para o trabalho com agente patogênico; Conhecer os riscos biológicos, químicos, radioativos, tóxicos e ergonômicos com os quais se tem contato no laboratório; Ser treinado e aprender as precauções e procedimentos de biossegurança; Seguir as regras de biossegurança; Evitar trabalhar sozinho com material infeccioso; Ser protegido por imunização apropriada quando disponível.
ATIVIDADES COM AGENTES QUÍMICOS
A programação da Jornada de biossegurança continua nesta quarta-feira (16/8), às 9h, com a palestra “Biossegurança e atividades com agentes químicos”, que será ministrada por Rogério de Oliveira Queiroz, mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/FIOCRUZ).
Atualmente, Rogério é técnico em saúde pública do Centro de Pesquisas René Rachou. Atua nas áreas de gestão e de saúde coletiva, especificamente em Gestão em Biossegurança, desenvolvendo atividades principalmente nos seguintes temas: Biossegurança, segurança química, gestão ambiental, gestão de resíduos e saúde do trabalhador.
A palestra ministrada por Rogério será convalidada como atividade do Centro de Estudos da instituição, nesta semana. O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.
Ascom ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Estigmas associados ao transtorno bipolar é tema de pesquisa do IRR
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaUma pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento da Fiocruz Minas joga luz sobre um dos distúrbios mentais mais conhecidos e discutidos na atualidade: o transtorno bipolar. O estudo, intitulado As concepções dos psiquiatras sobre o transtorno bipolar e o estigma a ele associado, teve por objetivo compreender os significados e as implicações do estigma vinculado à bipolaridade em relação aos processos sociais e sistemas de valores culturais locais.
Os pesquisadores entrevistaram psiquiatras que atuam em Belo Horizonte (MG) e, com base no referencial da Antropologia Médica, fizeram a análise das respostas. Os resultados mostraram que, embora a bipolaridade esteja menos estigmatizada atualmente, ainda suscita questionamentos em algumas esferas da vida social, como no campo do trabalho, o que pode causar a de recusa do tratamento.
Nesta entrevista, o pesquisador Adauto Clemente, que esteve à frente do estudo, fala sobre os resultados da pesquisa e traça um panorama sobre o transtorno bipolar.
Para iniciar, o que é o transtorno bipolar? Quais seus principais sintomas?
O transtorno bipolar se caracteriza por variações do humor que chegam a interferir significativamente nas relações, nas capacidades e na qualidade de vida dos indivíduos. As variações de humor a que estamos referindo são os estados depressivos, caracterizados principalmente por abatimento do humor ou tristeza e falta de prazer, que podem ser graduados como leves, moderados ou graves; os estados maníacos, caracterizados por exaltação do humor, que consistem na hipomania (mais leve) e na mania moderada ou grave e os estados mistos, em que teremos uma mescla de sintomas de ordem depressiva e maníaca. Tais estados, além dos sintomas-chave acima descritos, também se acompanham com frequência de alterações do sono e do apetite, alterações do ânimo/vontade e de alterações do pensamento, tais como extremo pessimismo e ideias suicidas na depressão e ideias de grandiosidade e poder nos estados maníacos.
É importante frisar que as variações do humor, ou seja, estar mais ou menos animado do ponto de vista físico e/ou psíquico ao longo do tempo, constitui uma característica comum dos seres humanos e, nesse sentido, poderíamos dizer que se trata de um fenômeno normal; especialmente (mas não exclusivamente) quando podemos identificar motivadores para tais variações nas circunstâncias de vida daquele indivíduo. Por exemplo, é clara a influência que os dias mais ou menos iluminados de sol têm sobre o estado de ânimo das pessoas.
Portanto, considera-se que alguém é portador do transtorno bipolar quando a recorrência de tais variações atinge uma intensidade suficiente para que possamos enquadrá-las como episódios depressivos e maníacos/hipomaníacos. De acordo com a gravidade desses estados, frequência com que ocorrem e com a presença ou não de sintomas mistos e sintomas psicóticos, teremos a classificação do transtorno bipolar em diversos subtipos, pois a indicação do tratamento e sua eficácia pode diferir de acordo com tais características.
Trata-se de um transtorno que se manifesta em alguma fase específica da vida? Teria algum fator desencadeante? Quais os números (frequência na população) em relação a este transtorno?
O transtorno bipolar pode se manifestar em qualquer idade e o diagnóstico é habitualmente feito na fase adulta jovem. Os primeiros episódios depressivos ou maníacos costumam ser associados a alguma circunstância de vida, como mudanças do estatuto social ou perdas, porém isso não é a regra, sendo comum que os episódios subsequentes deixem de ter relação com algum desencadeante vivencial, ocorrendo sem qualquer motivo aparente. O atraso no diagnóstico é uma situação comum, especialmente quando os primeiros episódios são depressivos, pois acabam sendo reconhecidos e tratados como uma depressão comum, sem a resposta satisfatória.
Atualmente existe uma tendência a se considerar que sintomas precoces do transtorno podem se manifestar desde idades muito jovens, mesmo durante a infância ou adolescência e que, diante de uma primeira manifestação depressiva, deve-se investigar a ocorrência de tais indícios precoces para não retardar o diagnóstico do transtorno. Isso tem a relação com a pergunta sobre a frequência do transtorno bipolar. Além do estigma, dois outros aspectos sobre o transtorno bipolar foram contemplados na nossa investigação: um deles foi a evolução do próprio conceito do transtorno, cujos critérios para o diagnóstico foram sendo modificados ao longo do tempo, o que incluiu a emergência do conceito mais amplo de “espectro bipolar”, popularmente chamado de “bipolaridade”.
O outro aspecto que estudamos foi a prevalência do transtorno bipolar na população geral que tradicionalmente, girava em torno de 1%. Porém, pudemos constatar que as pesquisas passaram a registrar porcentagens progressivamente mais altas do transtorno bipolar na população geral ao longo dos últimos 30 anos. Uma das explicações para esse aumento foi a mudança nos critérios para o diagnóstico, que se tornaram mais amplos, de modo que pessoas que anteriormente receberiam outros diagnósticos psiquiátricos, passaram a ser identificadas como portadoras do transtorno bipolar. Outra explicação possível é a melhora do reconhecimento do transtorno pelos psiquiatras e por outros profissionais de saúde graças a campanhas de conscientização e à visibilidade que o transtorno adquiriu nos últimos anos. Há outras hipóteses como a de que, por algum motivo, a prevalência do transtorno esteja realmente aumentando.
O transtorno bipolar já foi nomeado de psicose maníaco-depressiva, certo?
Não exatamente. A psicose maníaco-depressiva foi retirada das classificações psiquiátricas oficiais a partir da década de 80, ao mesmo tempo em que se adotou o conceito de transtorno bipolar, que abarcou a maior parte dos pacientes que antes receberiam o diagnóstico de psicose maníaco-depressiva. Não existe, porém, uma correspondência direta entre essas duas condições. O transtorno bipolar é um conceito mais amplo, que inclui pacientes que antes receberiam outros diagnósticos, como algumas condições anteriormente chamadas “neuróticas”. Os termos neurose e psicose perderam a centralidade no diagnóstico e adotou-se o termo “transtorno” para nomear as diversas perturbações mentais, ou seja, não houve apenas uma mudança de nome, mas no próprio conceito.
Quais seriam os principais estigmas relacionados ao transtorno bipolar?
De forma geral, principais características que os entrevistados associaram aos portadores de transtorno bipolar foram a instabilidade, a imprevisibilidade, a cronicidade e o potencial de produzir danos a si mesmo ou ao próprio patrimônio durante os estados depressivos e maníacos. Porém, o estigma a que estão sujeitos dependerá do ambiente cultural em que se inserem (por exemplo, o estigma de incapacidade é prevalente no meio laboral) e vai variar de acordo com a fase do transtorno, com o tipo e gravidade dos sintomas (súbitos ou mais persistentes, presença de sintomas psicóticos associados). Em nossa cultura, pudemos observar que os estados depressivos costumam despertar mais tolerância e empatia que as manifestações maníacas, o que é menos evidente na sociedade americana, por exemplo, em que a produtividade e o consumo são mais valorizados e as condições maníacas mais bem toleradas.
De acordo com os resultados da pesquisa, na concepção dos entrevistados, podemos dizer que os pacientes diagnosticados com transtorno bipolar são menos estigmatizados que no passado? Neste caso, a que se deve esta mudança?
Sim. Eles consideram que houve uma atenuação do estigma em relação ao passado, o pode estar relacionado a muitos fatores; mas, na percepção deles, o abandono do rótulo de “psicótico” foi determinante. A despeito disso, eles consideram que o estigma permanece muito significativo no campo do trabalho, o que frequentemente exige dos psiquiatras intervenções diretas com intenção de proteger os portadores de transtorno bipolar de discriminações que dificultam seu ingresso e a manutenção de suas posições no mercado de trabalho.
Podemos dizer que os pacientes aceitam o diagnóstico com mais naturalidade? Quais as repercussões disto no tratamento? O que é a banalização do diagnóstico apontada pelos entrevistados?
Sim, os pacientes atualmente parecem aceitar bem o diagnóstico do transtorno bipolar, mas não sabemos em que medida isso repercute no tratamento, já que nem sempre existe uma relação direta entre aceitação do diagnóstico e adesão. Além disso, vários outros fatores de ordem prática interferem na adesão ao tratamento psiquiátrico. Apesar de afirmar que os pacientes hoje em dia aceitam melhor o tratamento, os entrevistados relataram várias dificuldades na condução do tratamento como, por exemplo, o comprometimento do “insight” nas fases maníaca e depressiva.
A banalização é o fenômeno pelo qual os pacientes adotam o diagnóstico do transtorno bipolar para entender ou explicar suas experiências pessoais ou patológicas. Ao que parece, a redução do estigma teve como consequência levar a que portadores de outros transtornos mais estigmatizados se identifiquem como portadores de transtorno bipolar como estratégia para minimizar as discriminações que sofrem. Outro aspecto da banalização ocorre quando indivíduos atribuem ao saber psiquiátrico a explicação e a solução para características pessoais ou para problemas com que se deparam durante a vida e passam a demandar tratamento médico(medicalização), o que exige grande habilidade do profissional para evitar o expor esse indivíduos a intervenções médicas desnecessárias.
Houve alguma razão especial que os levou a optar por pesquisar o estigma do transtorno bipolar sob o ponto de vista do psiquiatra?
Sim, houve algumas razões. Poderíamos elencar aqui a importância de se estudar o estigma associado aos transtornos mentais, fenômeno que tem importantes repercussões sobre a vida dos portadores e que interfere no acesso e nos resultados do tratamento. O estigma relacionado ao transtorno bipolar é menos estudado e conhecido que em outros transtornos mentais. Nas últimas décadas, desde sua inclusão nos manuais de classificação psiquiátrica, o transtorno bipolar assumiu grande importância na pesquisa e na clínica psiquiátrica e passou a ser um dos transtornos mais discutidos e conhecidos pelo público em geral. Visando conhecer e compreender as concepções sobre o transtorno bipolar e o estigma, e limitados pela burocracia e restrições de tempo, elegemos estudar os psiquiatras porque eles constituem um elo essencial entre as concepções científicas e as concepções populares sobre as questões médicas. Ao mesmo tempo, a pesquisa deste grupo, permitiu-nos reflexões mais amplas sobre como os profissionais de saúde lidam com as dificuldades reais vivenciadas por seus pacientes e como assimilam as inovações produzidas pela ciência, transformando-as e traduzindo-as em sua atividade clínica e no relacionamento com esses pacientes.
Imagem: Jessi RM/Flickr
Palestra aborda desafios para publicação em periódicos de alto impacto
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaAtualmente, existem milhares de periódicos científicos no mundo. Diante desse vasto universo bibliográfico, como driblar as barreiras na hora de escrever, e escolher a revista onde você vai publicar uma descoberta que acabou de fazer? A palestra desta semana do Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), trouxe em seu título o questionamento “Como escrever e publicar artigos em revistas internacionais?”
A abordagem foi feita pela pesquisadora do Instituto Superior de Agronomia, da Universidade de Lisboa, doutora Marina Temudo. Na ocasião, a pesquisadora falou também sobre temas relacionados a suas pesquisas, desenvolvidas no campo da agronomia política e ecologia política e humana, com abordagem interdisciplinar que inclui técnicas qualitativas e quantitativas.
Para a pesquisadora, uma das principais barreiras na hora de escrever para revistas internacionais é o domínio da escrita em inglês. “Penso que o maior problema não só dos brasileiros, mas também dos portugueses é a escrita em inglês, não só pelo domínio da língua inglesa, mas também pelo estilo de escrita em português ser muito rebuscado, com períodos muito longos. Mesmo quando a pessoa escreve em português e manda traduzir, se não fizerem um esforço de simplificar a redação antes de tradução, o tradutor não vai conseguir traduzir aquilo bem, transformando o conteúdo em algo sem sentido”, destacou.
Segundo Marina Temudo, outra dificuldade é a escolha da revista. “Temos de ser muito criteriosos, pois perdemos muito tempo para encontrar as revistas que se adequam a cada um dos temas que estamos trabalhando. Precisamos ler a revista, saber qual é o público preferencial dessa revista e suas respectivas áreas disciplinares”, explicou.
IMPACTO DE PUBLICAÇÔES
Outro fator que merece atenção dos pesquisadores são os Rankings internacionais, que avaliam o impacto de publicações científicas com base no número de vezes que seus artigos são citados em textos de outros periódicos. Publicar estudos relevantes o suficiente para conseguir um número grande de menções é uma das metas dos autores e das revistas.
ESTRATÉGIAS
Para a escolha da revista, a pesquisadora destacou as seguintes dicas: Saber a experiência de colegas que escrevem para essa revista; Ler muitos artigos publicados na revista escolhida, para conhecer o público; Conhecer o estilo de redação dos artigos; Estar atento as regras do periódico: dimensão, enfoque, estilo, nível de detalhe exigido, citação.
Antes de submeter o artigo, ela sugere que colegas, da mesma área e de outras, possam ler e contribuir com críticas. Mariana também pontua que é importante afinar o título para ser sintético e agarrar os leitores, verificar se o resumo descreve bem o argumento e as principais conclusões, conferir se o argumento está claro e se as secções estão bem ligadas umas às outras por um fio condutor, além de examinar se as conclusões estão bem relacionadas com o argumento, se dialogam com a literatura teórica, e principalmente se respondem às perguntas formuladas na primeira secção do artigo.
Sobre os entraves para publicar nas revistas de alto impacto, Mariana destacou que é importante não desistir. “Publicar um artigo em uma boa revista não é um Sprint, é uma maratona. Se temos confiança de que nosso artigo é bom devemos continuar a tentar publicar das boas revistas, pois essas revistas é que vão valorizar o nosso trabalho. Uma má revista possui milhares de publicações, podemos conseguir publicar nessas revistas, mas é um tiro em falso que estamos dando. Quando temos a certeza de que nosso trabalho é bom, devemos continuar até conseguir publicar em uma revista de alto impacto”, enfatizou.
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes