COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Ministério da Saúde adota novo medicamento para tratar a tuberculose
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaPacientes com tuberculose terão acesso a um novo tratamento com menor quantidade de comprimidos, passando de três para uma ingestão diária. Isso será possível com a nova apresentação do medicamento Isoniazida de 300 mg, que além de permitir redução dos comprimidos, favorece a adesão ao tratamento. O medicamento estará disponível a partir de maio na rede pública. Para a implantação da Isoniazida 300mg, o Ministério da Saúde vai financiar uma pesquisa, desenvolvida pela Universidade Federal do Espírito Santo e com apoio de pesquisadores externos nos estados do Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e no Distrito Federal.
O Ministério da Saúde vai começar a distribuição pelos estados participantes da pesquisa: Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e no Distrito Federal. Para isso, a pasta adquiriu 5 mil caixas, que correspondem a 2,5 milhões de comprimidos. O objetivo é conhecer o processo de utilização do medicamento, bem como a sua oferta em tempo oportuno pelos serviços de saúde.
Para o secretário de Vigilância em Saúde, Adeilson Cavalcante, esse é mais um avanço no tratamento. “Nosso objetivo é garantir o que há de mais inovador para o tratamento da doença. Estamos investindo na cura, mas precisamos garantir que o paciente inicie e conclua o tratamento. Com a nova apresentação, vamos facilitar a vida do paciente que precisará tomar apenas um comprimido por dia. Com isso, estamos dando mais um passo para incentivar e melhorar cada vez mais a adesão dos pacientes ao tratamento”, destacou.
CAMPANHA
Para marcar o Dia Mundial de Combate à Tuberculose e estimular a adesão ao tratamento da doença, reduzindo a taxa de abandono, o Ministério da Saúde lança a campanha “Tuberculose tem cura. Todos juntos contra a tuberculose”. Para isso, o tratamento precisa ser feito até o final. O Brasil conseguiu atingir as Metas dos Objetivos do Milênio (ODM) de combate à tuberculose com três anos de antecedência e, em 2015, aderiu ao compromisso global de redução de 95% dos óbitos e 90% do coeficiente de incidência da doença até 2035.
Acesse a campanha ‘Tuberculose tem cura. Todos juntos contra a tuberculose’
A campanha vai ao ar entre os dias 23 e 30 de março e visa conscientizar as pessoas a procurarem a unidade de saúde para o diagnóstico e os pacientes a realizarem o tratamento completo, para atingir a cura. Além disso, a campanha pretende alcançar, prioritariamente, os homens entre 30 e 40 anos de idade, das classes C, D e E por meio de um filme com um jingle e peças para internet, outdoors, tv aberta, rádio, jornal e revista.
“Essa campanha enfatiza que a responsabilidade pelo sucesso do tratamento não é somente do paciente, e deve ser compartilhada com a equipe de saúde, família e amigos. Todos são partes importantes no processo de cura da doença”, explicou a coordenadora do Programa Nacional de combate à tuberculose, Denise Arakaki.
TESTE RÁPIDO
Em 2014, o Ministério da Saúde implantou no país a Rede de Teste Rápido para Tuberculose (RTR-TB), que utiliza a técnica de biologia molecular PCR em tempo real. Denominado “Teste Rápido Molecular (TRM), conhecido como Xpert MTB/Rif ®”, o teste detecta a presença do bacilo causador da doença em duas horas e identifica se há resistência ao antibiótico rifampicina, um dos principais medicamentos usados no tratamento.
Foram distribuídos 248 equipamentos para laboratórios de 128 Municípios, em todas as unidades da federação. Os municípios escolhidos notificam, anualmente, cerca de 65% dos casos novos de tuberculose diagnosticados no país. O investimento inicial do Ministério da Saúde para estas ações foi de cerca de R$ 17 milhões. Para monitorar a implantação desta rede, mensurar a realização dos testes e auxiliar a vigilância epidemiológica da doença, o Programa Nacional de Controle da Tuberculose publicou, em dezembro de 2015, um relatório em que estão descritas as principais atividades desenvolvidas pelos programas de controle da doença (nacional, estadual e municipal) e laboratórios municipais e centrais no primeiro ano de implantação da RTR-TB.
Além disso, o Ministério da Saúde vai adquirir 70 mil frascos-ampolas do PPD, produto utilizado no teste tuberculínico para auxiliar no diagnóstico da infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB). O quantitativo é suficiente para atender a demanda nacional e melhorar o rastreamento da doença.
CASOS
Em 2017, foram registrados 69,5 mil casos novos e 13.347 casos de retratamento (abandono ao tratamento) de tuberculose no Brasil. Em 2017, o coeficiente de incidência da doença foi de 33,5/100 mil habitantes em 2017. Os estados com maior proporção de retratamentos foram Rio Grande do Sul (23,3%), Rondônia (19,9%) e Paraíba (19,5%).
Nesse mesmo ano, o percentual de cura de casos novos foi 73%, maior do que se comparado ao ano de 2015 (71.9%). Os estados do Acre (84,2%), São Paulo (81,6%) e Amapá (81,7%) alcançaram os maiores percentuais de cura no mesmo ano. Em relação ao abandono, em 2016, o percentual foi 10,3%, duas vezes acima da meta preconizada pela Organização Mundial da Saúde (<5,0%).
Em 2016, foram registrados 4.426 óbitos por tuberculose, resultando em um coeficiente de mortalidade igual a 2,1 óbitos/100 mil hab., que apresentou queda média anual de 2,0% de 2007 a 2016.
No ano passado, o Ministério da Saúde lançou o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública, que ratifica o compromisso com a Organização Mundial de Saúde (OMS) de reduzir a incidência da doença na população mundial, que hoje é de aproximadamente 100 casos para cada 100 mil habitantes. A meta é chegar, até o ano de 2035, a menos de 10 casos por 100 mil habitantes. Juntamente com a redução da incidência, o Brasil também assume o compromisso de reduzir o coeficiente de mortalidade para menos de 1 óbito por 100 mil habitantes.
Agência Saúde, Por Ana Cláudia Amorim
Foto: Eduardo Gomes (ILMD/Fiocruz Amazônia)
Vacina contra o vírus Zika será testada em Minas Gerais
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaPesquisadores do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade George Washington (EUA) e da Fiocruz Minas estão participando de um grande estudo clínico de fase 2/2b de uma vacina experimental contra a infecção pelo vírus zika, em Belo Horizonte. Feita com parte do material genético do vírus, a vacina poderá produzir anticorpos capazes de promover uma resposta contra a infecção num indivíduo que é imunizado.
Chamada de “vacina de DNA contra zika”, a substância experimental já foi testada em seres humanos nos EUA, e o estudo clínico foi aprovado pelos comitês de ética e agências regulatórias nacionais e internacionais. Agora, será avaliada numa população expandida com a finalidade de estudar novos dados sobre a sua eficácia e segurança. Para essa nova fase, serão recrutados voluntários sadios, entre 15 e 35 anos, que morem em Belo Horizonte ou Região Metropolitana e que tenham disponibilidade para participar do estudo pelos próximos dois anos.
Os voluntários serão selecionados após a realização de uma avaliação clínica e de exames laboratoriais que serão oferecidos gratuitamente pela equipe do Hospital das Clínicas. Já a Fiocruz Minas ficará responsável pelo processamento do sangue e urina de todos os participantes da pesquisa, que serão testados para avaliar a eficácia, a resposta imune, e os efeitos da vacina no organismo.
A partir da esquerda, o imunologista Jeffrey Berthony, pesquisador da Fiocruz Minas e da George Washington (GWU), a infectologista Flávia Ribeiro, pesquisadora do Centro de Pesquisas do Hospital das Clínicas, e o infectologista David Diemert, professor da GWU (Foto: Fiocruz Minas)
“Faremos o processamento e armazenamento das amostras dos participantes. Um dos objetivos do estudo é verificar se a vacina induz anticorpos que protejam contra o vírus zika”, explica o pesquisador e coordenador do estudo na Fiocruz Minas, Rodrigo Corrêa Oliveira.
Para se tornarem aptos a realizar o processamento das amostras, profissionais do Grupo de Imunologia Molecular e Celular da Fiocruz Minas passaram por um treinamento rigoroso e receberam um certificado internacional, habilitando-lhes a realizar esse tipo de trabalho. “É uma atividade que envolve uma série de protocolos a serem seguidos e, por isso, requer todo um preparo. No Brasil, pouquíssimas pessoas estão autorizadas a desenvolver esse tipo de processamento de amostras”, afirma o pesquisador Jeffrey Michael Bethony, da Universidade de George Washington, que há cerca de 15 anos desenvolve projetos em parceria com a Fiocruz Minas como pesquisador visitante.
O estudo é liderado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas do National Institutes of Health (NIH), organização do governo americano. Em Minas Gerais, a pesquisa está sob coordenação da infectologista Flávia Ribeiro, pesquisadora-chefe e coordenadora-técnica do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG. Informações adicionais sobre o vírus zika e a pesquisa clínica poderão ser obtidas por meio do telefone 0800 035 66 35 ou pelo email vacinazikabh@gmail.com.
A DOENÇA
A zika é uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos, tais como Aedes aegypti. Entre os sintomas podem estar erupção cutânea, acompanhada de coceira intensa, bem como febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido (olhos vermelhos e lacrimejantes), dor nas articulações, dor muscular e dor de cabeça. A doença apresenta evolução benigna, e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente após três a sete dias.
Entretanto, embora a infecção pelo vírus zika possa passar sem causar grandes transtornos, os casos confirmados de microcefalia indicam que as mães foram infectadas pelo vírus nos primeiros meses de gravidez. A criança é considerada portadora de microcefalia, quando seu perímetro cefálico é menor do que 32 cm. Estudos indicam também uma ligação entre o zika e a Síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que provoca fraqueza muscular e paralisia que, nos casos mais graves, pode colocar a vida do paciente em risco.
Ainda não há cura ou vacina para prevenir a infecção pelo zika. A principal medida de prevenção, atualmente, é o controle dos mosquitos transmissores.
Fiocruz Minas, Keila Maia
Fonte: Portal Fiocruz
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento lança site especial sobre água
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançou na última quarta-feira (21) o site “Água é Vida”, por ocasião do 8º Fórum Mundial da Água.
Trata-se de uma contribuição do escritório do PNUD no Brasil ao debate sobre recursos hídricos e saneamento. Nele, pessoas interessadas no assunto encontrarão notícias, reportagens, artigos opinativos, fotos, vídeos, entre outros materiais que favorecem a compreensão do tema e, sobretudo, como o PNUD atua nessa área específica, tanto no Brasil quanto em outros países.
Em português, inglês e espanhol, o site reúne conteúdo global, regional e local. A ideia é compartilhar informação com pessoas de diferentes origens e idiomas para que conheçam o que o PNUD e seus parceiros estão realizando mundo afora em relação a água em geral.
Algumas soluções podem ser replicadas, outras não, mas todas servem de inspiração a gestores, pesquisadores, estudantes – qualquer pessoa, enfim, interessada em um leque mais amplo de exemplos e reflexões sobre a temática, hoje crucial para a sustentabilidade do planeta.
A equipe do PNUD Brasil atualizará o site periodicamente. Mais que um repositório de informação, ele poderá servir como subsídio inicial para debates e reflexões sobre a questão da gestão dos recursos hídricos, do saneamento e, especialmente, de sua relação direta e indireta com a mudança global do clima e outros aspectos da Agenda 2030 e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Dois dos ODS focam nessa temática: o número seis, que busca assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todas e todos; e o número 14, que busca promover a conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Gestoras e gestores públicos terão no site a oportunidade de conhecer a atuação do PNUD na área e como ele pode apoiar governos, em diferentes níveis, na gestão de um recurso natural hoje escasso e sob risco constante. O público em geral encontrará no espaço multimídia uma abordagem ao mesmo tempo séria e lúdica de um tema que está na ordem do dia.
Fonte: ONU BR
Vacina de febre amarela será ampliada para todo o país
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaTodo o território brasileiro será área de recomendação para vacina contra a febre amarela. A ampliação, anunciada na terça-feira (20/3) pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, será feita de forma gradual, iniciando neste ano e sendo concluída até abril de 2019. A medida é preventiva e tem como objetivo antecipar a proteção contra a doença para toda população em caso de um aumento na área de circulação do vírus. A parceria entre o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos/Fiocruz) com o laboratório Libbs Farmacêutica, em São Paulo, pretende aumentar a capacidade de produção da vacina de febre amarela. A expectativa é que o laboratório passe a fornecer vacinas ao Ministério da Saúde a partir do segundo semestre deste ano. Atualmente, Biomanguinhos/Fiocruz é o maior produtor da vacina de febre amarela do mundo.
“Estamos agindo antecipadamente ao estabelecer um cronograma para vacinar toda a população brasileira. É uma ação de prevenção, não de emergência. Buscaremos os mecanismos necessários para vacinar todos brasileiros ainda não imunizados dentro da cobertura adequada para cada uma dessas áreas. Vamos fazer por precaução, pois a melhor forma de evitar a doença é vacinando a população”, destacou o ministro Ricardo Barros.
Atualmente, alguns estados do Nordeste e parte do Sul e Sudeste não fazem parte das áreas de recomendação de vacina. Com a ampliação, devem ser vacinadas 77,5 milhões de pessoas em todo o país. O quantitativo corresponde à estimativa atual de pessoas não vacinadas nessas novas áreas.
A estratégia de vacinação em todo o Brasil será feita de forma gradativa, conforme cronograma do Ministério da Saúde de produção e distribuição da vacina. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia são os primeiros a estenderem a vacinação, que começou neste ano, a todos os municípios. Apenas estes três estados continuarão vacinando a população com a dose fracionada, seguindo a Campanha de Fracionamento da Vacina de Febre Amarela deste ano. Serão contempladas 40,9 milhões de pessoas nestes estados.
” Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia iniciaram a vacinação fracionada de febre amarela por conta da circulação do vírus e casos confirmados nessas localidades. Por isso, os três estados concluirão a vacinação com a dose fracionada, que tem a mesma proteção que vacina padrão. A Organização Mundial da Saúde indica a vacina fracionada em localidades onde o vírus está circulando e áreas de grande contingente populacional que precisa vacinar rapidamente”, explicou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Adeilson Cavalcante.
Em seguida, em julho deste ano, os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul adotarão a vacina padrão em todos os municípios para mais 11,3 milhões de pessoas. Em janeiro de 2019, os estados do Nordeste começam a vacinação da dose padrão. Os estados do Piauí, Paraíba, Pernambuco, Ceará, Alagoas e Sergipe e Rio Grande do Norte totalizarão 25,3 milhões de pessoas. O estado do Maranhão não entra nessa medida porque já é considerado área com recomendação de vacina, ou seja, a vacina da febre amarela faz parte da rotina do estado.
Com isso, até abril de 2019, 1.586 novos municípios estarão incluídos como áreas com recomendação de vacina, atingindo 100% do território nacional. Desde 1997, o Ministério da Saúde vem ampliando as áreas de recomendação de vacinação. Até então, a vacina de febre amarela fazia parte da rotina de 23 estados, sendo nove com áreas parciais de recomendação de vacinação.
CASOS
Entre 1º de julho de 2017 e 13 de março de 2018 foram confirmados 920 casos de febre amarela no país, sendo que 300 vieram a óbito. Ao todo, foram notificados 3.483 casos suspeitos, sendo que 1.794 foram descartados e 769 permanecem em investigação, neste período. No ano passado, de julho de 2016 a 13 de março de 2017, eram 610 casos confirmados e 196 óbitos confirmados. Os informes de febre amarela seguem, desde o ano passado, a sazonalidade da doença, que acontece, em sua maioria, no verão. Dessa forma, o período para a análise considera de 1º de julho a 30 de junho de cada ano.
Embora os casos do atual período de monitoramento tenham sido superiores à sazonalidade passada, o vírus da febre amarela circula hoje em regiões metropolitanas do país com maior contingente populacional, atingindo 32 milhões de pessoas que moram, inclusive, em áreas que nunca tiveram recomendação de vacina. Na sazonalidade passada, por exemplo, o surto atingiu uma população de 8,9 milhões de pessoas.
Isso explica a incidência da doença neste período ser menor que no período passado. A incidência da doença no período de monitoramento 2017/2018, até 13 de março, é de 2,7 casos para 100 mil/habitantes. Já na sazonalidade passada, 2016/2017, a incidência foi de 6,8/100 mil habitantes, no mesmo período.
Agência Saúde
Fonte: AFN
Foto: (Rovena Rosa/Agência Brasil)
Nações Unidas farão reunião inédita sobre resposta à epidemia de tuberculose
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO ano de 2018 é crucial para a comunidade internacional impulsionar o progresso no sentido de acabar com a epidemia de tuberculose (TB) até 2030 como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Em setembro, os Estados-membros da ONU se encontrarão em Nova Iorque para a Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Tuberculose para mostrar liderança política e compromisso de acabar com a tuberculose até 2030.
Alguns dos principais desafios na resposta, incluindo a necessidade de equidade e garantia que os grupos vulneráveis tenham acesso aos serviços de TB, serão abordados no encontro, assim como a necessidade de disponibilizar o teste e o tratamento da TB nos serviços de atenção primária e a necessidade urgente de mobilização de recursos.
Em preparação para este evento histórico — a primeira Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Tuberculose — líderes de todo o mundo se encontraram em Nova Deli, na Índia, nos dias 14 e 15 de março, para a ‘Conferência Fim da TB’.
“Vamos garantir que os compromissos para acabar com a tuberculose sejam cumpridos. O cumprimento das metas exigirá inovações, bem como novas ideias de implementação. A Índia está empenhada em apoiar os países vizinhos na luta contra a doença”, disse J. P. Nadda, ministro da Índia para a Saúde e o Bem-Estar da Família.
Em 2016, o déficit estimado de financiamento para os programas de TB era de US$ 2,3 bilhões. Além disso, houve uma queda de US$ 1,2 bilhão nas pesquisas científicas sobre TB. A necessidade urgente de aumentar os investimentos em inovação será destacada na preparação para a Reunião de Alto Nível como parte dos esforços para trazer diagnósticos e tratamentos do século XXI e uma vacina para a resposta à tuberculose.
“Líderes em todo o mundo precisam aproveitar esta oportunidade, assumir compromissos ousados e tomar a decisão de acelerar a resposta para o fim da tuberculose. As ações que seguirão os compromissos deverão ser ousadas e tomadas por ministérios da Saúde, outros ministérios, setor privado, sociedade civil e comunidades”, disse Isaac Folorunso Adewole, ministro da Saúde da Nigéria.
A tuberculose existe há milhares de anos, mas ainda é uma grande crise global de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que, em 2016, cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram devido à tuberculose e que outras 400 mil pessoas vivendo com HIV morreram devido à coinfecção TB/HIV – reportadas globalmente como mortes relacionadas à AIDS.
“Não vamos eliminar a tuberculose com apenas uma abordagem de cima para baixo. Devemos trabalhar juntos para capacitar as comunidades para apoiar a luta contra a TB. Este movimento deve ir muito além da comunidade médica”, disse Soumya Swaminathan, vice-diretora-geral da OMS.
As pessoas que vivem com HIV são particularmente afetadas pela tuberculose. Um em cada 10 casos de tuberculose ocorre entre pessoas vivendo com HIV e uma em cada quatro mortes por TB está associada ao HIV. Apesar de ser evitável e curável, a tuberculose foi a nona principal causa de morte em todo o mundo em 2016.
“Muitas pessoas ainda não têm acesso ao tratamento. Precisamos olhar para as estratégias para aumentar o acesso aos cuidados, particularmente para aqueles que estão mais marginalizados e que não têm acesso no momento”, disse Tim Martineau, diretor-executivo adjunto do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS).
O UNAIDS e a Parceria Stop TB têm uma colaboração de longa data, trabalhando em conjunto para defender, monitorar e apoiar programas para pessoas e países afetados pelas epidemias conjuntas globais de TB e HIV.
O Conselho da Parceria Stop TB oferece liderança e direção, monitora a implementação de políticas, planos e atividades acordados da Parceria e garante uma coordenação harmoniosa entre os componentes da Parceria Stop TB.
Fonte: ONU BR
Foto: John Era
Vacinação contra sarampo é essencial para que países mantenham eliminação da doença nas Américas, reitera OPAS
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaA Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) adverte que, ante os surtos de sarampo nas Américas, os países devem redobrar esforços para vacinar suas populações, fortalecer a vigilância a fim de detectar possíveis pacientes e implementar medidas para responder rapidamente a qualquer caso suspeito, em uma atualização epidemiológica publicada nesta sexta-feira (16).
A região foi declarada por um Comitê Internacional de Especialistas como livre da rubéola e da síndrome da rubéola congênita, em 2015, e do sarampo, em 2016. A eliminação dessas três doenças foi o ponto culminante de um esforço de 22 anos que incluiu a vacinação em massa contra o sarampo, a caxumba e a rubéola em todo o continente. No entanto, como o vírus do sarampo é altamente contagioso e permanece em circulação no resto do mundo, como o vírus da rubéola, a região corre o risco de surtos dessas doenças.
Nos primeiros meses de 2018, são nove os países que relataram casos confirmados de sarampo: Antígua e Barbuda (1 caso), Brasil (14 casos), Canadá (4 casos), Colômbia (1 caso), Estados Unidos da América (13 casos), Guatemala (1 caso), México (4 casos), Peru (2 casos) e Venezuela (886 casos no total, 159 em 2018), aponta a atualização epidemiológica.
Em 2017, quatro países relataram casos confirmados de sarampo: Argentina, Canadá, Estados Unidos e Venezuela. Além disso, os casos na região europeia quadruplicaram em 2017, o que aumenta o risco de casos de sarampo serem importados para países das Américas. A OPAS/OMS vem alertando sobre esta situação desde maio de 2017 e em sucessivas atualizações epidemiológicas.
Ante esta situação, a OPAS/OMS recomenda a seus países:
1 – Vacinar a população para manter uma cobertura homogênea de 95% com a primeira e a segunda dose da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola em todos os municípios.
2 – Fortalecer a vigilância epidemiológica do sarampo para detectar casos suspeitos nos serviços de saúde públicos e privados.
3 – Dar uma resposta rápida ao detectar casos importados de sarampo, com o objetivo de evitar o restabelecimento da transmissão endêmica do vírus (ou seja, que existe de forma contínua e constante dentro de uma determinada região), incluindo a ativação de equipes que deem seguimento aos casos e seus contatos.
4 – Manter uma reserva de vacina sarampo-rubéola para ações de controle de casos importados em cada país da região.
Em 2017, os países das Américas se comprometeram a tomar medidas para manter a eliminação do sarampo, rubéola e síndrome da rubéola congênita, ao aprovar um plano de ação com esse objetivo. O plano enfatiza que, para manter a eliminação, os níveis de cobertura vacinal da população devem ser de 95% ou mais. Nos últimos cinco anos, a cobertura regional com a primeira dose da vacina contra o sarampo, a rubéola e a caxumba variou entre 92% e 94%.
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas e afeta principalmente as crianças. É transmitida por gotas no ar ou contato direto com secreções do nariz, boca e garganta de indivíduos infectados. Os sintomas consistem em febre alta, erupção cutânea generalizada em todo o corpo, nariz entupido e olhos avermelhados. Pode causar complicações graves, como cegueira, encefalite, diarreia grave, infecções de ouvido e pneumonia, especialmente em crianças com problemas nutricionais e pacientes imunodeprimidos.
Fonte: OPAS
Movimento cultural, roda de conversa, e homenagens marcam mês da mulher na Fiocruz Amazônia
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, marca a luta contra o machismo, pelos direitos das mulheres e pelo fim das desigualdades de gênero. Em alusão ao mês da mulher, o Sindicado dos Trabalhadores da Fiocruz no Amazonas (ASFOC/AM) promoveu na última quinta-feira, 15/3, o evento “Entre Mulheres”, reunindo pesquisadoras, bolsistas, técnicas e colaboradoras do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).
A programação teve início com a apresentação do grupo Maracatu Baque Mulher, um grupo de Maracatu de baque Virado, formado somente por mulheres batuqueiras. Fundado em 2016, o grupo ressalta o empoderamento de mulheres cis e trans, prezando pela sororidade, afirmando que as mulheres exibem perfeita condições instrumentais para tocar tambores, e que o fazem com maestria.
O Maracatu Baque Mulher está empenhado com a difusão da cultura afro-brasileira, manutenção e preservação dos saberes tradicionais, igualdade social, igualdade de gênero e racial. Durante a apresentação, Carla De Paula, integrante do grupo e bolsista da Instituição, relembrou a frase de sua autoria, vencedora do concurso cultural que selecionou mensagens sobre empoderamento, para compor a Homenagem da Presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) pelo Dia Internacional da Mulher.
A seleção foi feita pela Campanha do Dia Internacional da Mulher, promovida pela Coordenação de Comunicação Social da Presidência (CCS), com apoio da Editora Fiocruz. A campanha lançou a seguinte pergunta: O que você faz para se empoderar ou empoderar as mulheres ao seu redor? “Acolho as outras mulheres como irmãs, amigas e companheiras. Empoderar-se e empoderar é fortalecer o protagonismo feminino perante à sociedade. Empoderamento é autoconhecimento”, enfatizou Carla.
HOMENAGEM
Na oportunidade, as mulheres da Fiocruz Amazônia juntamente ao diretor, Sérgio Luz, prestaram homenagens à vereadora Marielle Franco, assassinada em seu carro, com o motorista Anderson Pedro Gomes, na quarta-feira (14), na Zona Norte do Rio de Janeiro. “Nos unimos a essas manifestações que estão ocorrendo, devido ao assassinato da Marielle, uma pessoa que tinha ligação direta com a área de ensino da Fiocruz. É com muito pesar que hoje estamos prestando essa homenagem, tentando nos unir aos diversos atos que estão acontecendo pelo Brasil inteiro e pelo mundo”, pontuou Sérgio Luz.
Vereadora do PSOL, mulher, negra, nascida e criada na Maré, ativista dos Direitos Humanos, Marielle era grande parceira e colaboradora da Fiocruz. No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, durante a abertura do ano letivo da Fundação, com o tema Olhares femininos no cárcere, Marielle falou sobre a garantia dos direitos, especialmente das mulheres negras, na sociedade brasileira.
RODA DE CONVERSA
Mediada pela pesquisadora Muriel Saragoussi, socioambientalista e bolsista do Instituto, a roda de conversa: “O empoderamento feminino na sociedade contemporânea” trouxe para o centro do debate o empoderamento das mulheres e suas jornadas nas diversas áreas de atuação profissional, incluindo o campo da pesquisa científica.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes
Nova evidência sobre a alta resistência dos ovos do Aedes aegypti à desidratação
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaApós uma bateria de análises que envolveu mais de 20 mil ovos de quatro espécies de mosquitos, incluindo o Aedes aegypti, pesquisadores identificaram que o grau de presença de melanina, relacionada à pigmentação escura, na casca do ovo influencia diretamente sua resistência à dessecação: quanto mais escuro, mais o ovo conseguirá sobreviver em ambientes secos. Como o ciclo de vida dos mosquitos depende de uma fase aquática – é em ambientes com água que os ovos são depositados – entender a resistência do ovo à dessecação significa responder questões sobre a própria sobrevivência das espécies em ambientes hostis e sua manutenção na natureza mesmo após períodos de seca prolongada. Conduzida por especialistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), em Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, em colaboração com a Universidade da Flórida, a pesquisa foi publicada na revista internacional ‘Plos Neglected Tropical Diseases’.
Inicialmente, foram comparados ovos das espécies Aedes aegypti (transmissor de zika, dengue e chikungunya), Anopheles aquasalis (malária) e Culex quinquefasciatus (filariose linfática e vírus do Oeste do Nilo). Estudos anteriores já haviam demonstrado que os ovos do gênero Aedes apresentam um traço peculiar: são capazes de resistir de oito a 15 meses sem nenhum contato com a água. Ou seja, os ovos permanecem viáveis para eclodir e dar origem a mosquitos adultos mesmo um ano mais tarde. A pesquisa atual preenche uma lacuna na literatura científica apontando a melanina da casca de ovos de insetos, especialmente do Aedes, como uma das razões que explica essa elevada resistência ao ressecamento.
Primeira autora do artigo, a bióloga, especialista em Entomologia Médica, Luana Farnesi, que atualmente desenvolve o pós-doutorado no Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do IOC e realizou o estudo ao longo do curso de doutorado no Programa de Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular do Instituto, explica que o resultado pode lançar luz ao desenvolvimento de novas estratégias de controle do mosquito. Afinal, hoje não existem produtos disponíveis para impedir o desenvolvimento do vetor ainda na fase de ovo – e as alternativas de inseticidas para controle de larvas e de mosquitos adultos esbarram no desafio crescente da resistência por conta do uso indiscriminado. “Ao gerar novos conhecimentos sobre o papel da melanina para a resistência dos ovos, avançamos no conhecimento básico desta fase do ciclo biológico do mosquito que, comparativamente com as outras fases, ainda é pouco estudada. Avanços no conhecimento dos ovos podem abrir um possível caminho para o controle”, salientou.
Ao mesmo tempo, a descoberta reforça o papel fundamental da prevenção, a partir da ação semanal em nossas casas, com a remoção manual de potenciais criadouros onde esses ovos podem ser depositados. A evidência trazida pelo estudo em relação ao alto grau de resistência à dessecação dos ovos, que permite que eles sejam transportados a grandes distâncias em recipientes secos, sem serem percebidos justamente por serem escuros, demonstra a necessidade do combate continuado aos criadouros, em todas as estações do ano. “Este achado reforça a orientação sobre a necessidade de não apenas jogarmos fora a água encontrada em um recipiente, mas de esfregarmos a parede do local com a parte verde da esponja. Isso irá esmagar os ovos, inviabilizando que chegue à fase de mosquito adulto, capaz de transmitir doenças a partir da picada”, alerta a pesquisadora Denise Valle, do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC, que juntamente com o biomédico Gustavo Rezende, da UENF, orientou Luana. “É mais fácil controlar o Aedes em suas fases aquáticas – de ovo, larva e pupa –, pois está confinado em um local, do que na fase adulta, quando pode voar e se esconder”, completa. A bióloga Helena Martins Vargas, da UENF, também assina o artigo.
EM BUSCA DE EVIDÊNCIAS
Para alcançar os resultados, foi preciso percorrer um longo caminho de experimentos no laboratório. Primeiro, uma comparação entre os ovos das espécies Aedes aegypti, Culex quinquefasciatus e Anopheles aquasalis evidenciou diferenças significativas na fase da embriogênese, quando o ovo, colocado pela fêmea, ainda está concluindo sua formação. O experimento consistiu em retirá-los do contato com a água em diferentes momentos do desenvolvimento embrionário e colocá-los em um ambiente seco. Os ovos de Aedes levaram a melhor: foram muito mais resistentes que os de Culex e os de Anopheles.
Como no momento de mudança de ambiente todos os ovos já haviam produzido sua cutícula serosa, uma espécie de película protetora que está envolvida na retenção da água dentro do ovo, os especialistas precisavam, ainda, descobrir o fator adicional que configurava ao Aedes essa característica avançada. Neste momento, foi levantada a possibilidade de que a cor do ovo influenciaria em sua sobrevida fora d’água. Comparados aos ovos do Aedes que eram os mais escuros, os ovos de Anopheles e Culex apresentavam 80% e 40% de taxa de melanização, respectivamente.
Foi então que entrou no experimento uma nova espécie, o Anopheles quadrimaculatus. Para testar a hipótese de que a cor interfere na resistência ao ressecamento, foram analisadas uma linhagem selvagem do mosquito, que deposita ovos de coloração escura, e uma linhagem geneticamente modificada, que também tem a cutícula serosa, mas que produz ovos de coloração clara. Os testes realizados com as três espécies inicialmente contempladas no estudo – Aedes aegypti, Anopheles aquasalis e Culex quinquefasciatus – foram repetidos com as duas linhagens do Anopheles quadrimaculatus na Universidade da Flórida, onde Luana cursou parte do doutorado. O resultado não deixou dúvidas: a resistência do ovo à dessecação nos mosquitos é fortemente dependente da formação da cutícula serosa, ao mesmo tempo em que a melanização da casca do ovo afeta positivamente sua sobrevivência fora da água.
“A introdução dessas duas linhagens na pesquisa foi fundamental para respondermos à pergunta biológica sobre a importância da melanização como indicador da resistência dos ovos à perda de água. Vimos que a casca de ovos da espécie geneticamente modificada, que possuía coloração mais clara, perdia água mais rapidamente do que a casca de ovo da linhagem selvagem, de cor escura. De todos os testes que realizamos, essa foi a única diferença biológica entra elas, evidenciando o importante papel da melanina para a manutenção da espécie”, explicou Luana, que, desde 2003, desenvolve estudos sobre os mecanismos ligados à impermeabilidade de ovos do Ae. aegypti.
DE OLHO NO CONTROLE DO AEDES
O estudo gera novas pistas sobre uma das numerosas características evolutivas que conferem ao Aedes uma elevada taxa de sobrevivência. Silencioso e de medida milimétrica, ele é capaz de picar uma pessoa e passar despercebido. A saliva das fêmeas, que se alimentam de sangue como parte do processo de maturação dos ovos, possui substâncias anestésicas e anticoagulantes que a possibilitam sugar até duas vezes seu peso em sangue sem ser incomodada. Com essa alimentação, ela é capaz de dar à luz uma geração com cerca de 1500 novos mosquitos, ao longo de seus pouco mais de 30 dias de vida. Essa família extensa é derivada de uma estratégia, digamos, interessante: os ovos, de cor escura, são distribuídos por diversos criadouros, muitos também de cores escuras, como vasos de plantas e pneus; de difícil acesso, como calhas, caixas d’água e bandejas de ar-condicionado; ou não convencionais, como vasilhas de água de animais.
Para mais informações, conheça a iniciativa 10 Minutos Contra o Aedes e acompanhe o conjunto de videoaulas Aedes aegypti: introdução aos aspectos científicos do vetor.
IOC/Fiocruz, Por Vinicius Ferreira
Fonte: Portal Fiocruz
Fotos: Josué Damacena