COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Fiocruz vai produzir mais de 8 milhões de cápsulas de Oseltamivir
/em Notícias /por Carlos GomesA chegada do inverno traz a preocupação com uma possível epidemia de influenza, mais conhecida como gripe. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, foram registrados 3.122 casos em todo o país até 16 de junho, levando 535 pessoas ao óbito. Do total, 1.885 notificações e 351 mortes foram por H1N1.
Para enfrentar este cenário, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) finaliza a produção de mais de 8 milhões de cápsulas do antiviral Oseltamivir 75 mg, considerado o mais eficiente contra a enfermidade. A unidade ressalta que o medicamento não substitui a vacina contra a gripe que, por sua vez, está disponível em todos os postos de saúde do país até a próxima sexta-feira (22/6).
Ao todo, serão disponibilizados no Sistema Único de Saúde (SUS) 867.650 tratamentos de Oseltamivir 75 mg para pessoas acima de 40 quilos. Farmanguinhos/Fiocruz produz ainda o medicamento na concentração 45 mg, voltado para crianças entre 15 e 23 quilos. Além disso, a unidade trabalha no desenvolvimento de uma nova formulação de 30 mg, destinada a crianças abaixo de 15 quilos, além de cobrir também a faixa de peso entre 23 e 40 Kg, com a administração de duas cápsulas.
“No momento, temos a etapa de desenvolvimento tecnológico do medicamento concluída, e estamos iniciando os estudos de bioequivalência frente ao produto de referência, de modo a avaliar a disponibilidade do medicamento no organismo do ser humano. Finalizados todos os testes, podemos solicitar registro à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”, explica Graça Guerra, gerente do projeto na Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico da unidade. Segundo ela, a previsão é de que, em 2019, Farmanguinhos/Fiocruz entre com pedido de registro junto ao órgão regulatório.
PRODUÇÃO EMERGENCIAL
O Instituto demonstrou mais uma vez sua missão estratégica para o país em 2009, quando, no auge da pandemia da influenza A (H1N1), popularmente conhecida como gripe suína, a unidade desenvolveu o Oseltamivir e, com a obtenção do registro na Anvisa, produziu 2,1 milhões de cápsulas em caráter emergencial. Ao longo desses anos, Farmanguinhos fabricou mais de 50 milhões de unidades farmacêuticas do antiviral. Atualmente, tem capacidade instalada para produzir até cinco milhões de cápsulas do medicamento por mês.
Farmanguinhos/Fiocruz, por Alexandre Mattos
Fundação Bill and Melinda Gates anuncia na Fiocruz financiamento para eliminar malária
/em Notícias, Outras /por Carlos Gomes“Uma possibilidade de cura radical para a malária, através da combinação de um novo medicamento em uma única dose, com um diagnóstico que garante que o tratamento é adequado para a pessoa”, foi assim que a CEO da Fundação Bill and Melinda Gates, Sue Desmond-Hellmann, definiu o tratamento que está sendo testado pelo Instituto Elimina, um consórcio de cerca de trinta organizações – que incluem o Ministério da Saúde, a Fiocruz e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “É medicina de precisão sendo usada para populações mais pobres”, destacou.
Sue esteve pela primeira vez no Brasil como CEO da Gates e visitou a Fiocruz, na última terça-feira (19/6), para anunciar um investimento de US$ 600 mil (cerca de R$ 2,2 milhões) para acelerar os esforços para eliminação da malária no Brasil. Além disso, Sue e sua equipe participaram de reuniões e visitas a projetos da Fiocruz já apoiados pela Fundação.
A tafenoquina é a primeira nova droga em 60 anos contra a malária causada por P. vivax, tipo prevalente em 90% dos casos no Brasil, e reduz o tratamento contra recaídas para um único dia. Atualmente, o tratamento dura de 7 a 14 dias. No entanto, tanto o atual quanto o novo tratamento apresentam riscos para cerca de 5% da população, uma vez que sua interação com a a enzima G6PD, uma condição genética, pode causar efeitos colaterais nestes pacientes, como anemia e até morte. Por isso, o diagnóstico preciso sobre a presença da enzima é essencial para determinar qual tratamento é adequado para cada paciente.
A dose única, por outro lado, tem um papel importante nos esforços para a eliminação. A redução facilita que as pessoas completem o tratamento, evitando a recaída. Como a recaída é a principal forma de contaminação na Amazônia, onde a malária é endêmica no Brasil, é prioritário preveni-la. Além disso, a incidência da doença tem um histórico de altos e baixos, e um único caso incubado é potencialmente responsável pela ressurgência da epidemia, explica Marcus Lacerda, pesquisador chefe do Instituto Elimina.
É o que estamos vivendo agora nas Américas, uma ressurgência após uma década de queda. Toda a região registrou aumentos da malária no último ano – no Brasil, os casos cresceram 50%. A atual crise de saúde pública na Venezuela resultou num grande aumento de casos dentro do país, o que gera mais preocupações para as fronteiras de toda a América Latina. De acordo com os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registrados 216 milhões de casos de malária no mundo e 445 mil mortes em 2016.
Lacerda esclarece que as causas do retorno da doença não são totalmente claras e podem ser influenciadas por muitos fatores. No entanto, o desinvestimento e o desmantelamento de programas após o controle da doença são citados como fatores que contribuem para que ela retorne ainda pior. “Por isso, precisamos entender a importância de eliminar a malária”, defendeu Cássio Peterka, representante do Ministério da Saúde e do Programa Nacional contra Malária.
O pesquisador também defende que se passe do controle à eliminação como meta. Apesar de parecer inalcançável, ele acredita que este objetivo pode ser atingido em alguns anos, com esforços e investimentos para tal. “Já reduzimos muito o mapa da malária”, lembrou o pesquisador, ao demonstrar que em 1950 a doença era endêmica em quase todo território nacional e agora está concentrada apenas na região amazônica. Na semana passada, o Paraguai foi declarado um país livre de malária pela OMS. É o segundo país do continente a conseguir esse reconhecimento. Cuba está livre da doença desde 1973.
“O Brasil está em uma excelente posição para liderar outros países nos esforços para eliminar a malária”, ressaltou a CEO da Fundação Gates. “Trabalhando em colaboração com o Ministério da Saúde, a Fiocruz e outros parceiros importantes, nosso objetivo é encurtar substancialmente o tempo necessário para disponibilizar novos tratamentos e testes para a malária”, afirmou ainda. A expectativa é que o tratamento esteja aprovado para ser utilizado já em 2019.
A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima também comemorou a parceria entre as duas instituições, que já dura mais de uma década, e destacou a importância do nosso Sistema de Saúde (SUS) na luta contra a malária e outros problemas de saúde. “É importante pensar o SUS como a principal inovação em saúde, tanto na dimensão tecnológica como social”, afirmou Nísia. Para a presidente, a medicina personalizada abre novas perspectivas de tratamento, mas também traz o risco de gerar novas desigualdades. Por isso, iniciativas em saúde pública são importantes. “Quando falamos de malária, não se trata mais de uma doença negligenciada, mas sim de uma população negligenciada”, definiu Nísia.
Apoio à inovação
Na parte da manhã, a equipe da Fundação Gates teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criadouro de mosquitos Aedes aegypti com o método Wolbachia e alguns resultados da iniciativa World Mosquito Project (WMP) no Brasil. O programa está presente em 12 países e é financiado pela Fundação Gates.
O método permite a redução da incidência de doenças cujo transmissor é o Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, através da introdução de mosquitos com a bactéria Wolbachia em ambientes com alta prevalência de mosquitos. Foi comprovado que, quando a bactéria está presente no mosquito, estes vírus não se desenvolvem bem, reduzindo a sua transmissão. Além disso, o método tem sustentabilidade comprovada, já que a bactéria é transmitida naturalmente da fêmea para seus descendentes.
No Brasil, o método ganhou escala após uma fase piloto devido à necessidade de resposta rápida as crises de zika, chikungunya e dengue no Rio de Janeiro e em Niterói. Em novembro de 2016 teve início a expansão em larga escala para 28 bairros de Niterói, que abrangem 270 mil pessoas. Atualmente, em Niterói, 13 bairros recebem a segunda rodada de liberação de mosquitos. No Rio de Janeiro, a liberação em larga escala começou em de agosto de 2017, com a previsão de atingir 90 bairros, nos quais vivem 2,5 milhões de habitantes. Na etapa atual, 28 bairros do Rio de Janeiro, com 886 mil habitantes, recebem os mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia.
Alguns projetos contemplados pelo Grand Challenges, co-financiado pela Fundação Gates, também forma apresentados. O Grand Challenges é uma série de iniciativas que promovem a inovação para resolver os principais problemas globais de saúde e desenvolvimento. No Brasil, foram lançadas duas chamadas para o desafio, em 2013 e 2014, com o tema saúde materno-infantil e 21 projetos foram contemplados. Em 2018, duas novas chamadas foram lançadas e os projetos estão em análise.
Na parte da manhã, a equipe da Fundação Gates teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o criadouro de mosquitos Aedes aegypti com o método Wolbachia
Selecionado na primeira chamada, o projeto de José Simon, professor e pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), busca desenvolver um leite humano enriquecido com o próprio leite humano. Para isso, criou-se um leite humano congelado e desidratado (liofilizado) que pode melhorar a nutrição de recém-nascidos com muito baixo peso, ou seja, bebês que nascem com menos de 1500g. O projeto deve lançar seus primeiros resultados em breve na revista Plos. As evidências indicam que o método é seguro, de baixo custo e fácil de ser implementado em na rede de bancos de leite do Brasil. A partir de agora, a pesquisa deve iniciar sua fase de testes clínicos.
Outro projeto apresentado foi a coorte dos 100 milhões de brasileiros, do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz). A pesquisa trabalha com grandes bases de dados, como o Cadastro Único para programas sociais, para analisar como políticas públicas sociais, como o Bolsa Família, podem interferir em variáveis de saúde, como mortalidade infantil. A importância desse projeto é que ele provê uma escala muito maior para pesquisas, além de possibilitar recortes em subpopulações e múltiplas interações.
O Cidacs/Fiocruz participou de uma chamada do Grand Challenges Brasil como provedor de dados, disponibilizando a Coorte de 100M Sinasc-SIM. Além disso, ele é um exemplo de boas práticas de proteção de dados para pesquisas em saúde no país, podendo se tornar referência após a aprovação de uma legislação de dados pessoais no país. Atualmente, estão em discussão no país dois projetos de lei para regular esse tema, que se encontra em um vazio legal. “A Fiocruz tem a possibilidade de assumir esse papel de guardiã e curadora de um patrimônio de dados em saúde”, explicou Maurício Barreto, pesquisador do projeto.
Agência Fiocruz de Notícias, por Julia Dias.
Fotos: Pedro Linger
Formulação da hipótese na ciência é discutida durante palestra na Fiocruz Amazônia
/em Notícias /por Carlos GomesCom o tema “In science there is no correct answer”, a palestra do Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), apresentada nesta quarta-feira, 20/6, por Adolfo José da Mota, professor adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), abordou a importância da formulação da hipótese na ciência.
Para o palestrante, a atividade é uma oportunidade de debater relevantes aspectos que devem ser considerados sobre as perguntas e respostas encontradas no desenvolvimento da pesquisa científica.“A ideia é promovermos uma reflexão sobre as hipóteses científicas, interpretação de resultados, além de pontuar e discutir sobre as frustrações pela quais os pesquisadores e acadêmicos passam quando os resultados das investigações científicas não saem como o esperado”.
Na tradução, o título da palestra significa “Na ciência não há resposta correta”, uma expressão que Adolfo ouviu de outro colega pesquisador, e o inspirou para a apresentação realizada no Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia.
“O nosso sistema de formação vai nos treinando para respostas prontas, somos treinados para questões e respostas objetivas. Qualquer questão que dependa de uma profundidade, de uma relação maior com o tema, de melhor elaboração de uma pergunta ou resposta, você irá sentir dificuldade. É um reflexo do nosso processo de formação básica”, explicou.
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.
Os eventos são gratuitos e as atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Eduardo Gomes
Evento debate abertura de dados para pesquisa na Fiocruz
/em Notícias /por Carlos GomesO evento Abertura de dados para pesquisa na Fiocruz: perspectivas de um novo paradigma da Ciência reuniu (15/6) pesquisadores, gestores e estudantes e marcou o início das discussões sobre Ciência Aberta com a comunidade da instituição. Durante o encontro, que aconteceu no auditório do Museu da Vida, no campus Manguinhos, no Rio de Janeiro, foi apresentado o Termo de Referência, documento produzido pelo Grupo de Trabalho em Ciência Aberta (GTCA) com objetivo de subsidiar o debate sobre o tema e orientar o processo que resultará na implementação de uma nova política de abertura de dados para pesquisa na Fiocruz.
“Essa é uma discussão que está na porta e o que temos que fazer é ter uma discussão madura do nosso papel nesse processo”, explicou o vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz), Manoel Barral, que conduziu a abertura do evento a partir da visão estratégica da Fiocruz sobre a abertura de dados para pesquisa.
Coordenadora de Informação e Comunicação da Vpeic/Fiocruz e também do GTCA, Paula Xavier apresentou um panorama da abertura de dados, conceitos, desafios e seus impactos no processo científico. “Alguns estudos comprovam que 80% do tempo da pesquisa é dedicado a organização dos dados. Essa capacidade de reuso em novos contextos e pesquisas futuras é profundamente importante”, apontou Paula, que defendeu ainda que o debate aconteça de forma ampla na Fiocruz.
Paula lembrou que a Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, em vigor na Fiocruz desde 2014, significou um salto na sistematização da produção científica da instituição. “Fomos desafiados a pensar na ampliação do acesso aberto agora também com a abertura de dados”, pontuou, lembrando da realização do Livro Verde, pelo GTCA, publicação que mapeou países protagonistas na discussão e apresenta um amplo panorama sobre o assunto. “A gente não quer se posicionar só por pressões externas, é importantes sermos propositivos. Nenhuma outra instituição no Brasil está pensando numa política como essa”, afirmou Paula, que apresentou ao público as diretrizes presentes no Termo de Referência.
PALESTRAS
O diretor de documentação da Universidade do Minho (Portugal) e referência mundial no assunto, Eloy Rodrigues iniciou as apresentações que tinham como objetivo abordar as dimensões da abertura de dados em saúde. Rodrigues falou sobre dados abertos no Horizonte 2020 e das estratégias da União Européia para o assunto, além de apresentar alguns documentos do contexto europeu para financiamentos. “Não há Ciência Aberta sem acesso aberto universal e sem dados FAIR”, afirmou.
Rodrigues explicou também como funciona o Projeto Foster, iniciativa realizada em Portugal, Holanda, Reino Unido, Espanha, Dinamarca e Alemanha, sob o objetivo de investir em capacitação e contribuir para uma mudança real na prática dos pesquisadores europeus, no sentido de promover uma transformação cultural e tornar a Ciência Aberta uma norma no continente. “É necessário aplicar essa metodologia no dia a dia”, defendeu.
O potencial do uso de dados administrativos com finalidade de pesquisa, a partir da perspectiva da produção de conhecimento em saúde, foi apresentado pelo coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) Maurício Barreto, que abordou o uso de dados coletados sem finalidade de pesquisa no Sistema de Saúde e a mudança veloz no cenário de investigação. “Hoje grande parte de nossas pesquisas tem etapas de produção de dados muito grande e é comum ver as pesquisadores se sobrepondo em suas pesquisas”, comentou. “Esse novo modelo vai ser cada vez mais intersetorial e compartilhado”, defendeu.
A abertura de dados no contexto de emergência sanitária foi o tema abordado pela pesquisadora do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde da Fiocruz (INCQS/Fiocruz) e do Grupo de Trabalho em Ciência Aberta, Vanessa Arruda. Ela compartilhou os resultados preliminares do trabalho de Doutorado em Ciência da Informação no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), no qual ouviu pesquisadores atuantes durante a epidemia do vírus zika, uma reflexão sobre a abertura de dados nesse cenário e experiências como a do Reino Unido, com o ebola, em 2014.
Especialista em proteção de dados e privacidade e assessor jurídico do GTCA, o advogado Danilo Doneda encerrou a programação das palestras do evento. Membro da equipe que incide sobre os marcos regulatórios no contexto da Ciência Aberta, ele falou sobre ausência de leis e princípios que abordem especificamente este tema e mostrou como as normas já existentes ou em andamento (como o PLC 53/2018) sobre a proteção dados pessoais podem influenciar na abertura de dados para pesquisa.
DEBATE
Após as apresentações, o público presente aproveitou o espaço de fala para elogiar a iniciativa do GTCA, trocar experiências, fazer sugestões e tirar dúvidas com os palestrantes.
“Adorei a discussão e o fato da Fiocruz estar se organizando para entrar nessa frente, que é mundial, de compartilhamento de dados de informações para aumentar a capacidade de análise na área científica, para a gente dar respostas melhores para necessidades da humanidade”, elogiou a pesquisadora da Fiocruz, Maria do Carmo Leal.
“Não é um caminho que a gente vai trilhar de um dia para o outro, nós devemos enfrentar algumas incompreensões de pesquisadores, devemos ter também outro conjunto de pesquisadores que vai aderir facilmente porque já sabem da discussão e já compartilham dessa ideia de democratizar ao máximo todo conhecimento científico. Espero que a gente construa essa condição que vai implicar em uma série de questões de infraestrutura, repositório das pesquisas, por exemplo, e também criar essas condições como se falou hoje, de harmonização institucional em relação a questão, compartilhando o que tem de mais atual e avançado do ponto de vista da ciência em benefício da humanidade”, complementou.
PRÓXIMOS PASSOS
Após a abertura do diálogo firmada nesta sexta, os próximos três meses serão marcados por ampla divulgação e circulação em canais de comunicação. Em seguida, o debate será levado para grupos, Câmaras Técnicas, Fórum das Unidades Regionais, Acervos, Redes de Pesquisa e outros espaços, onde o diálogo será amadurecido e o Termo de Referência aprimorado. No final de agosto, uma consulta pública será realizada para receber contribuições da sociedade. A última etapa é a apreciação do documento pelo Conselho Deliberativo, em novembro.
Na ocasião também foi lançada a página da Ciência Aberta no Portal da Fiocruz. Clique aqui para conferir.
Vpeic/Fiocruz, por Maira Baracho
(foto: Pedro Linger)
Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia abordará a importância da formulação da hipótese na ciência
/em Notícias /por Carlos GomesEm edição especial, o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove nesta quarta-feira, 20/6, a partir de 14h, no Salão Canoas, auditório do Instituto, a palestra “In science there is no correct answer”, a ser ministrada por Adolfo José da Mota, professor adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Segundo o palestrante, a ideia é falar sobre as hipóteses científicas, interpretação de resultados, além de exemplificar e discutir sobre as frustrações pela quais os pesquisadores e acadêmicos passam quando os resultados das investigações científicas não saem como o esperado. O título, que traduzido significa “Na ciência não há resposta correta”, é uma expressão que Adolfo ouviu de outro colega pesquisador, e o inspirou para a apresentação que será realizada no Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia.
“O nosso sistema de formação vai nos treinando para respostas prontas, somos treinados para questões e respostas objetivas. Qualquer questão que dependa de uma profundidade, de uma relação maior com o tema, de melhor elaboração de uma pergunta ou resposta, você irá sentir dificuldade. É um reflexo do nosso processo de formação básica”, explicou.
SOBRE O PALESTRANTE
Adolfo é Doutor em Biologia Genética pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), e possui Pós-doutorado (biopolímeros de interesse biotecnológico) pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia: Centro de Energia, Ambiente e Biodiversidade (INCT/CEAB).
É Professor Adjunto das disciplinas de Genética e Biotecnologia na Ufam, onde também atua como Diretor da Divisão de Biotecnologia do Centro de Apoio Multidisciplinar; Vice-coordenador do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia; Vice-coordenador do Núcleo de Biotecnologia; Coordenador do Laboratório de Biotecnologia; Chefe do Departamento de Ciências Fundamentais e Desenvolvimento Agrícola
Desenvolve pesquisas nas áreas de biotecnologia; genética, com ênfase em genética molecular humana e de micro-organismos.
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.
Os eventos são gratuitos e as atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia aborda resistoma marinho
/em Notícias /por João OliveiraO Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) recebeu nesta sexta-feira, 15/6, a pesquisadora Ana Carolina Vicente, chefe do Laboratório de Genética Molecular de Microorganismos, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), para apresentar a palestra “O resistoma marinho”.
A apresentação faz referência ao estudo “The Resistome of Low-Impacted Marine Environments Is Composed by Distant Metallo-β-Lactamases Homologs”, desenvolvido por pesquisadores do IOC, e publicado em abril de 2018, na revista Frontiers in Microbiology.
Segundo a pesquisadora, o estudo traz importante dados científicos, frente à questão das bactérias que tem se tronado resistentes aos antibióticos aplicados nas clínicas, gerando uma aflição na saúde pública, “pois à medida que elas passam a se tornar mais resistentes, os sistemas de saúde do planeta deixam de possuir ferramentas para debelar algumas infecções”, disse.
A pesquisa busca entender de onde vem essa resistência que surge, às vezes, de forma muito imediata. “Buscamos entender dentro dos ambientes marinhos, se bactérias ou outros organismos poderiam estar atuando como reservatório destes genes”, explicou Ana Carolina. O conjunto de genes associados à resistência das bactérias aos antimicrobianos, presentes em um determinado ambiente, é conhecido como “Resistoma”.
Segundo o estudo, evidências caracterizam a microbiota de ambientes naturais como fonte e/ou reservatório destes genes. O estudo revelou que nos ambientes marinhos, não impactos pela ação do homem, não foram encontradas evidências de que eles seriam reservatórios dos gens relacionados à resistência aos antibióticos
SOBRE A PALESTRANTE
Ana Carolina Vicente é pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz e foi criadora do Laboratório de Genética Molecular de Microrganismos. Possui graduação em Biologia, mestrado em Ciências Biológicas (Biofísica), e doutorado em Ciências Biológicas (Genética) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Atua nas seguintes áreas de interesse, produção científica e formação de pesquisadores: Genômica de Microrganismos, Genética de População de Microrganismos (vírus e bactérias), Taxonomia e Evolução de Vírus e Bactérias, além de Genética e evolução da resistência das bactérias aos antimicrobianos.
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.
Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos Eduardo gomes
Pesquisadores da Fiocruz Amazônia alertam para o elevado risco de suicídio entre indígenas no País
/em Notícias /por Carlos GomesA taxa de mortalidade por suicídio em indígenas do Brasil chega a ser dez vezes maior do que a taxa observada na população não indígena, principalmente nos Estados do Amazonas, Mato Grosso do Sul e Roraima. Diferentemente do observado entre os não indígenas, no Brasil são verificadas taxas de mortalidade por suicídio mais elevadas entre os jovens indígenas. Embora os jovens indígenas do sexo masculino apresentem taxas de mortalidade por suicídio mais elevadas do que as das jovens indígenas do sexo feminino, estas últimas apresentam taxas muito maiores do que a das jovens não indígenas. Tanto entre indígenas como entre não indígenas o enforcamento é o principal método utilizado para lograrem o suicídio.
Por outro lado, o uso da intoxicação e da arma de fogo para este propósito é menor, comparativamente, entre os indígenas. Essas são algumas das constatações de estudos científicos realizados ao longo de quase 10 anos por pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). O suicídio é reconhecido como um importante problema de saúde em algumas áreas do Brasil, entretanto não há estudos nacionais ou regionais sobre a ocorrência, motivações e distribuição do suicídio na população indígena.
Nesse sentido, o grupo coordenado pelo médico psiquiatra Maximiliano Loiola Ponte de Souza, pesquisador e doutor em Ciências pelo Instituto Fernandes Figueiras, que atuou por 11 anos no então Laboratório de Estudos Interdisciplinares em Saúde Indígena (LEIS) do ILMD/Fiocruz Amazônia, começou a estudar a temática em 2010.
A ideia desde o princípio era que o grupo pudesse agregar no mesmo projeto investigações do ponto de vista qualitativo e quantitativo sob uma ótica interdisciplinar, por isso os estudos envolveram nove profissionais, sendo 1 médico psiquiatra, 2 epidemiologistas, 2 enfermeiras, 1 antropóloga, 1 estatístico, 1 profissional de georreferenciamento e 1 assistente social. Essas pessoas ligadas a outras instituições se envolveram de forma direta ou indireta no trabalho, dada a complexidade do tema de investigação. O trabalho foi realizado também em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Brasil Plural.
“Entendemos que o suicídio indígena é um daqueles objetos chamados rebeldes aos limites disciplinares que demandam tanto uma compreensão em profundidade quanto uma descrição em extensão”, frisou Maximiliano Ponte de Souza. A produção foi intensa, resultando em oito artigos científicos publicados, um capítulo de livro e duas dissertações de mestrado. Além disso, os pesquisadores colaboraram com duas entrevistas para revistas de grande porte. A expectativa é de publicar mais dois artigos que já foram aprovados.
Sobre os principais desafios em trabalhar com a temática, Jesem Orellana, pesquisador do ILMD/Fiocruz Amazônia, disse, que lidar com o suicídio é, e sempre será, uma árdua tarefa, dado o seu significado (cultural, social e moral) e impacto sobre as pessoas e familiares, os quais muitas vezes “escondem” ou negam o evento e, principalmente, suas motivações. “Em populações indígenas, é ainda mais desafiador lidar com a problemática do suicídio, pois conhecer seus determinantes é algo que requer tempo, observação e acurada interpretação, já que aspectos históricos, culturais, biológicos, sociais e ambientais podem estar influenciando, muitas vezes de forma sinérgica ou antagônica”, apontou Orellana.
Leia a reportagem completa no volume 2 da Fiocruz Amazônia Revista.
Cristiane Barbosa (Fiocruz Amazônia Revista).
Oficinas culinárias e atendimentos fazem parte da segunda edição do Programa Circuito Saudável na Fiocruz Amazônia
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaDando continuidade às atividades do Programa Circuito Saudável, o Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) iniciará no próximo dia 20, o atendimento individual clínico nutricional para os trabalhadores que fazem parte da segunda turma do Programa.
Segundo a nutricionista do Nust-Fiocruz Amazonas, Sarah Cordeiro, nesse grupo estão sendo atendidos 20 trabalhadores do ILMD e seus familiares. “A expectativa é incentivar essa turma a adotar hábitos de vida mais saudáveis, através do resgate da prática culinária, além de promover interação social no ambiente de trabalho”, explica.
Uma das atividades oferecidas nesta segunda edição do Programa Circuito Saudável foi a Oficina Culinária, realizada no último dia 5/6, na Oca da farinha, na qual foram elaborados os seguintes pratos: sanduíche natural prático, patê de ricota termogênico, tapiocas coloridas, bolinho de banana e aveia na caneca, além de café estimulante e suco verde.
A Oficina Culinária teve como prática educativa o tema “Lavagem das mãos: pontos críticos no controle da higienização”, comentários sobre as “Propriedades funcionais das receitas produzidas” e, ao final, degustação das receitas.
Para Luciene Araújo, chefe do Serviço de Gestão do Trabalho (Seget-Fiocruz Amazônia) e uma das integrantes da segunda turma do Programa Circuito Saudável, “a mudança de hábito alimentar depende muito de cada pessoa, no entanto, as atividades do Programa e os encontros da turma servem para incentivar o grupo a adoção de práticas alimentares mais saudáveis”.
CIRCUITO SAUDÁVEL
O Programa Circuito Saudável é uma iniciativa da Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST/Fiocruz). Na Fiocruz Amazônia é desenvolvido pelo Nust. Seu objetivo é conscientizar a comunidade Fiocruz para a adoção de hábitos alimentares balanceados e de prática esportiva, visando transmitir conhecimentos sobre alimentação saudável e formar agentes multiplicadores, além de melhorar a qualidade da saúde, controle das doenças crônicas não transmissíveis e melhorar o perfil de sobrepeso e obesidade na instituição.
Sarah Cordeiro adianta que as inscrições para uma nova turma do Programa Circuito Saudável, na Fiocruz Amazônia, estarão abertas a partir do próximo mês de julho.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes