Fiocruz Amazônia qualifica agentes de saúde na capital e interior do Amazonas em “Qualidade da água e Consciência Sanitária” 

A Fiocruz, por meio do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), deu início, neste mês de janeiro, ao projeto “Educa Saúde Ambiental: formação continuada em saúde e ambiente na Amazônia”, desenvolvido em parceria com o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) e a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), visando a formação de agentes comunitários de saúde, agentes de combate a endemias e agentes indígenas de saúde, no monitoramento da qualidade da água utilizada em comunidades rurais ribeirinhas, localizadas em áreas remotas do Estado. O projeto tem como finalidade qualificar 4.500 profissionais vinculados ao sistema único de saúde nos municípios, visando combater a desinformação acerca dos processos de adoecimento e a importância dos cuidados com a qualidade da água e a consciência sanitária na Amazônia para a redução da ocorrência de doenças. O curso, com carga horária de 20 horas, será oferecido a diferentes turmas ao longo deste ano.

Na próxima sexta-feira, 30/01, a coordenação geral do projeto realizará um seminário na sede da Fiocruz Amazônia, em Manaus, com a finalidade de marcar o lançamento oficial do projeto, que já iniciou as formações de turmas de agentes comunitários de saúde na capital e interior. Na oportunidade, estarão presentes as instituições envolvidas no apoio e execução da iniciativa, juntamente com o Escritório de Captação de Recursos, vinculado à Diretoria Executiva da Fiocruz, responsável pela articulação interinstitucional.

O seminário acontecerá no auditório do Salão Canoas, das 9h às 12h, contando com a presença de representantes da Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM), Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) e Cosems-AM e agentes de saúde, que serão recebidos pela diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, e os integrantes da coordenação do projeto. Após a apresentação pela coordenação geral, será realizada uma mesa-redonda com o tema “Território, saúde e ambiente: os agentes de saúde como protagonistas das transformações locais”, com a finalidade de estabelecer um diálogo entre gestores, pesquisadores, trabalhadores em saúde sobre o papel estratégico dos ACS, ACE e AIS e a importância das parcerias interinstitucionais na promoção da saúde e sustentabilidade nos territórios amazônicos.

Segundo a coordenadora geral do projeto, a pesquisadora em Saúde Pública, da Fiocruz Amazônia, Ani Beatriz Matsuura, pelo menos 22 dos 62 municípios do Estado do Amazonas já confirmaram adesão ao projeto, para a formação de turmas ao longo deste ano. Manaus, Careiro Castanho e Manacapuru foram os primeiros municípios a receberem as equipes de facilitadores do projeto. Em seguida, ocorrerão formações em Borba, Autazes, Tabatinga, Presidente Figueiredo, nos meses de fevereiro e março. As demais turmas ainda estão sendo definidas. Em Manaus, a primeira turma é composta por Agentes de Combate a Endemias da Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP). A formação teve início nesta terça-feira, 27/01, e se estenderá até a quinta-feira, 29/01.

Nos dias 19, 20 e 21/01, duas equipes de facilitadores do projeto estiveram nos municípios de Manacapuru e Careiro Castanho, distantes, respectivamente, 98 e 124 quilômetros de Manaus, para a realização das primeiras formações de turmas de ACS do projeto no interior.   

Ani Matsuura explica que o curso aborda a questão da água sob vários aspectos, entre eles o das doenças veiculadas pela água, os conceitos de potabilidade e os riscos de contaminação da água para o consumo humano. O curso tem um total de cinco módulos que abordam diferentes temáticas como “Acesso a água e o papel das mulheres”, “Escassez da água”, “Qualidade da água e a detecção de microrganismos”, “Esgoto e leptospirose”, “Água e hepatite A”, “Diarreias infecciosas e parasitoses”, “Infecções fúngicas”, “Contaminação química dos rios e a água para consumo”, “Higienização das mãos”, “Desinfetantes e o controle de microrganismos”. As aulas são compostas por atividades práticas e coletivas, estimulando o protagonismo comunitário.

“Com o curso, esperamos obter uma maior compreensão das relações entre ambiente e saúde, especialmente sobre os mecanismos de transmissão de doenças relacionadas à água contaminada, como leptospirose, hepatite A, diarreias infecciosas, parasitoses e infecções fúngicas”, explica a pesquisadora. A iniciativa pretende também fortalecer a capacidade dos profissionais para identificar e orientar a população local sobre práticas de higiene, saneamento básico e cuidados com a qualidade da água, promovendo ações de prevenção; capacitação inicial e aumento do conhecimento dos ACS, ACE e AIS sobre os impactos da seca e cheias na qualidade da água e na saúde das populações ribeirinhas.

O projeto tem também, entre outras expectativas, promover o engajamento ativo dos participantes nas atividades formativas, com aplicação prática dos conhecimentos adquiridos em suas rotinas de trabalho e nas comunidades onde atuam, além de desenvolver redes de comunicação e colaboração entre os agentes de saúde e suas comunidades para troca de informações e suporte mútuo.

A equipe responsável pela execução do projeto é composta pelas pesquisadoras Ani Beatriz Jackisch Matsuura (coordenação geral), Cláudia Nayara da Silva Alves (coordenação executiva/campo), Ormezinda Celeste Cristo Fernandes, Priscila Ferreira de Aquino e Luciete Almeida Silva (coordenação pedagógica/conteudistas). Durante o seminário de lançamento do projeto, além da celebração da parceria, será feita a entrega simbólica de certificados para os agentes de saúde que participaram da formação no mês de janeiro.

ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa

Imagem:Mackesy Nascimento / Fiocruz e Fotos: Júlio Pedrosa e Eduardo Gomes