COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Doutoranda do PPGBIO-Interação ganha 1o lugar na 18a Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Vigilância e Controle de Doenças Infecciosas
/em Notícias /por Julio OliveiraA biomédica Cátia Alexandra Ribeiro Meneses, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO- Interação), do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), ganhou o primeiro lugar na 18a Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Vigilância e Controle de Doenças Infecciosas (ExpoEpi), da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde. A premiação, ocorrida em Brasilia, na ultima sexta-feira, 17/04, foi na modalidade “Utilização de plataformas, métodos e fluxos laboratoriais inovadores para vigilância de doenças infecciosas”. A experiência vencedora – intitulada “Implantação da Vigilância Laboratorial de Bordetellas em amostras destinadas ao monitoramento de vírus respiratórios” e implementada pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Roraima (RR) – permitiu a identificação de surtos de Coqueluche no Estado.
De acordo com Cátia, o trabalho apresentou a implantação do fluxo de monitoramento das bactérias do gênero Bordetella, entre elas a B. pertussis causadora da coqueluche, através das amostras que são encaminhadas para o LACEN/RR para se pesquisar os vIrus respiratórios. “O que motivou é de se tratar de agentes microbianos que causam sintomatologia semelhante e de o Estado apresentar baixa notificação e confirmação de casos de Coqueluche. Através do fluxo incorporamos mais uma pesquisa. Como resultado, tivemos a detecção de casos de coqueluche em amostras que foram coletadas como quadro viral”, explica, observando que o êxito da iniciativa está sendo refletido no compartilhamento da experiência na mostra nacional e do fluxo e metodologia para outros Estados.
Para o virologista Felipe Gomes Naveca, docente do PPGBIO e orientador do projeto da Cátia Meneses, o reconhecimento nacional mostra a capacidade da equipe do LACEN-RR em identificar um problema e conseguir uma solução sólida. “Fico orgulhoso que essa equipe do LACEN RR seja liderada pela Cátia Meneses, nossa aluna de Doutorado”, reforçou.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Foto: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia participa de workshop internacional sobre resiliência em saúde e o papel dos Agentes Comunitários de Saúde com CEE-Fiocruz e Imperial College London
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) integrou o workshop internacional “Resiliência em Sistemas de Saúde Diante das Mudanças Climáticas”, realizado em cooperação entre o Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz) e o Imperial College London, entre os dias 13 e 17/04, no Rio de janeiro. O encontro reuniu pesquisadores, gestores e, sobretudo, agentes comunitários de saúde (ACS) do SUS e dos Community Health and Wellbeing Workers (CHWWs) do sistema de saúde britânico (NHS), de diferentes territórios (Manaus, Duque de Caxias, Londres e Cornwall), destacando o protagonismo desses trabalhadores na resposta aos desafios climáticos e sociais da saúde.
A iniciativa teve como finalidade reforçar a cooperação entre Brasil e Reino Unido na construção de sistemas de saúde mais resilientes, com base na troca de experiências entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o National Health Service (NHS) de forma mais ampliada. Na abertura do evento, o pesquisador Alessandro Jatobá, coordenador-adjunto do CEE-Fiocruz e líder do ResiliSUS, destacou o caráter estratégico da parceria. “Esse projeto envolve o aprendizado bidirecional e ações de base territorial no nível da Atenção Primária. Um sistema de saúde resiliente é aquele capaz de manter funções essenciais mesmo diante de efeitos adversos, como os provocados pelas mudanças climáticas”, enfafizou.
O coordenador britânico e pesquisador da Imperial College Matthew Harris ressaltou o valor da cooperação internacional. “O intercâmbio permite construir um sistema de saúde resiliente frente às mudanças climáticas, com base na atuação dos profissionais nos territórios e na adaptação dos serviços”, afirmou. Já a médica Connie Junghans-Minton, especialista em saúde pública e liderança em projetos de equidade e modelos comunitários no Reino Unido, chamou atenção para a centralidade dos agentes comunitários: “Os agentes podem atuar como mobilizadores locais para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, especialmente em contextos de privações socioambientais.”
O workshop também contou com a presença do parlamentar britânico Simon Opher, médico clínico geral, que destacou a importância de aprender com o modelo brasileiro: “Viemos conhecer e nos inspirar no trabalho dos agentes comunitários do SUS. Essa abordagem, baseada na proximidade com as famílias e na prevenção, é algo que queremos adaptar ao NHS”, disse ele.
PARTICIPAÇÃO AMAZÔNICA E PROTAGONISMO TERRITORIAL
Representando o Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (LAHPSA-Fiocruz Amazônia), o pesquisador Rodrigo Tobias de Sousa Lima destacou o papel estruturante dos ACS nos territórios. “Os agentes de saúde atuam nos determinantes sociais e ambientais, mediando a relação entre as equipes de saúde e as populações. São o elo fundamental na produção do cuidado no território”, salientou.
Rodrigo Tobias ressaltou a importância da presença dos pesquisadores da Fiocruz Amazônia no encontro. Junto com ele, estiveram presentes os pesquisadores do LAHPSA Caroline Nobre e Lucas Cabral, ambos especialistas em gestão e políticas de saúde. “A presença amazônica reforça o protagonismo territorial da região no debate internacional sobre saúde planetária e sistemas resilientes de saúde”, observou, acrescentando que a equipe de pesquisadores do ILMD/Fiocruz Amazônia participará de produções em colaboração entre Brasil e Inglaterra.
ACS NO CENTRO DAS SOLUÇÕES
Com participação ativa de ACS de diferentes contextos — incluindo territórios urbanos, periféricos, indígenas e europeus — o encontro reforçou o papel desses profissionais como articuladores entre comunidade, serviços de saúde e políticas públicas. As discussões abordaram temas como formação, condições de trabalho, supervisão e reconhecimento profissional, além da necessidade de incorporar a dimensão climática na atuação cotidiana dos agentes.
O agente indígena de saúde Iranilson Militão Gabriel, que atua em território amazônico, destacou a dimensão cultural e ambiental do cuidado. “No nosso território, cuidar da saúde não é só tratar doença, é cuidar da água, da floresta e das relações entre as pessoas. As mudanças no clima já estão afetando nossa forma de viver, nossa alimentação e nossa saúde. O agente indígena tem esse papel de proteger a vida em todas essas dimensões, dialogando com o saber tradicional e com o sistema de saúde”, explicou.
Já o agente comunitário Carlos Daniel Rodrigues, ACS indígena de contexto urbano de Manaus, enfatizou os desafios cotidianos e a importância do vínculo com a população. “A gente está na ponta, escutando as famílias, entendendo os problemas antes deles chegarem no posto de saúde. Mas para isso precisamos de mais apoio, de um salário mais digno, formação contínua e reconhecimento profissional. Quando falamos de mudanças climáticas, isso já aparece no nosso dia a dia, nas doenças, nas enchentes e o ACS pode responder a tudo isso junto com a comunidade.”
A pesquisadora Cleo Baskin, da Community Health Impact Coalition (CHIC), ressaltou a importância de fortalecer globalmente a profissionalização desses trabalhadores. “A Community Health Impact Coalition (CHIC) atua para tornar os agentes comunitários de saúde profissionais reconhecidos em todo o mundo. Trabalhamos na construção de diretrizes internacionais, na ampliação do financiamento global e no fortalecimento de políticas nacionais que valorizem esses trabalhadores como parte essencial de sistemas de saúde mais equitativos e eficazes.”
PERSPECTIVAS E RESULTADOS
O workshop teve como objetivo central a cocriação de módulos de formação de CHWW dos diversos países e estratégias de avaliação em saúde planetária, que possam ser incorporados aos sistemas de saúde do Brasil e do Reino Unido e modelos para os demais países.
A iniciativa aponta para o fortalecimento de políticas públicas baseadas no território, na participação social e na integração entre saúde e meio ambiente com protagonismo dos agentes comunitários como atores-chave na construção de sistemas de saúde mais equitativos e resilientes.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia e Suframa iniciam tratativas para captação de investimentos em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) junto às empresas do Polo Industrial de Manaus
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) iniciaram tratativas que visam estabelecer cooperação entre as duas instituições, com o objetivo de ampliar a inserção da Fiocruz Amazônia em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), no âmbito dos recursos da Lei de Informática (Lei nº 8.387/91), sob gestão do Comitê das Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento na Amazônia (CAPDA).
Os recursos são oriundos de investimentos realizados por empresas do Polo Industrial de Manaus no âmbito da Lei de Informática. O CAPDA foi criado em 2002 e, desde 2004, a Fiocruz Amazônia é credenciada junto ao Comitê, com potencial de ampliar sua participação no acesso a esses recursos.
O diálogo para o fortalecimento dessa agenda ocorreu no último dia 10/04, durante visita do superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, às instalações da Fiocruz Amazônia, em Manaus. A comitiva foi recebida pela diretora da instituição, Stefanie Lopes, juntamente com os vice-diretores Aldemir Maquiné e Claudio Peixoto, além de gestores da autarquia.
“Recebemos hoje a equipe da Suframa com o objetivo de aproximar os investimentos que são feitos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação na nossa região, na Amazônia Ocidental e Amapá, pela Suframa, à ciência que é feita aqui, na Fiocruz Amazônia. A ideia foi apresentar nossa instituição e o impacto que temos no desenvolvimento de projetos de inovação em saúde voltados para a melhoria das condições de vida da população”, afirmou Stefanie Lopes. “A ideia é avançar nessa aproximação de forma estruturada, construindo caminhos para ampliar a participação da instituição nesses investimentos”, acrescentou.
Durante a visita, a comitiva conheceu o Laboratório de Diversidade Microbiana com Importância para a Saúde na Amazônia (DMAIS), onde são desenvolvidas pesquisas em biotecnologia a partir de coleções biológicas da região. Leopoldo Montenegro destacou o potencial da instituição na captação de recursos para projetos multidisciplinares.
“A Fiocruz é uma instituição com renome nacional e internacional, fortemente ligada ao Ministério da Saúde, e que possui projetos de imenso interesse para o nosso Estado. A Suframa faz essa aproximação justamente para conectar esses projetos de saúde pública com as indústrias, viabilizando que sejam implementados de forma rápida e precisa, garantindo acesso e benefícios diretos à nossa população”, afirmou Montenegro.
O CAPDA é composto por representantes do governo federal, dos estados da Amazônia Ocidental e do Amapá, além de instituições de fomento, comunidade científica e setor produtivo. Segundo o superintendente executivo da Suframa, Frederico Aguiar, a visita também contribui para aproximar a Fiocruz Amazônia da política pública de inovação associada à Lei de Informática. “Há uma perspectiva positiva de atração de investimentos para laboratórios, pesquisas e soluções na área de saúde pública”, destacou.
No DMAIS, foram apresentadas pesquisas com microrganismos das coleções biológicas da instituição, incluindo estudo conduzido pelo pesquisador Elerson Rocha, voltado à prospecção de metabólitos com potencial para o desenvolvimento de novos antibióticos.
“A estrutura do laboratório é muito importante para a realização deste trabalho, pois disponibiliza espaço, equipamentos e corpo técnico especializado. E a perspectiva de novos investimentos em pesquisa a partir do nosso polo industrial é muito positiva”, afirmou Elerson.
A diretora da Fiocruz Amazônia também apresentou à comitiva a capacidade institucional como um polo de inovação em saúde na região. Stefanie reforçou o compromisso da Fiocruz, com 125 anos de história, e os 30 anos do ILMD/Fiocruz Amazônia, produzindo ciência com forte inserção territorial. “Não somos apenas um centro de pesquisa. Somos um espaço de integração e nosso propósito é fortalecer o SUS, construindo pontes entre a ciência e o bem comum”, afirmou.
Para Stefanie Lopes, o estreitamento de laços com o Polo Industrial de Manaus representa uma oportunidade de fortalecimento institucional. “A aproximação com a Suframa e o setor produtivo pode contribuir para ampliar o alcance da ciência desenvolvida na Fiocruz Amazônia e seu impacto para a sociedade”, avaliou.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia abre inscrições para banco de currículos de candidatos a bolsas de Iniciação Científica
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) abriu as inscrições para o cadastro no Banco de Curriculos de estudantes interessados em participar do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica (PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia 2026-2027), desenvolvido em convênio com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica (PAIC), e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Os interessados devem se inscrever no Banco de Currículos, por meio do link https://amazonia.fiocruz.br/?page_id=23911. Ao todo, estão previstas 32 bolsas financiadas pela Fapeam, sendo 30 destinadas a projetos de pesquisa e 2 a coleções biológicas. O programa também conta com cotas do CNPq, conforme disponibilidade institucional. As inscrições tiveram início nesta quinta-feira, 16/04, e seguem até o dia 5/05.
O Banco de Currículos tem como finalidade reunir estudantes de graduação interessados em iniciação científica, possibilitando que pesquisadores da Fiocruz Amazônia, responsáveis pela submissão de prpostoas de bolsa, identifiquem e indiquem candidatos para o desenvolvimento de projetos.
Paralelamente, encontra-se aberto o edital para submissão de propostas por pesquisadores da Fiocruz Amazôniaa, que são responsáveis pela indicação dos estudantes que irão desenvolver os projetos.
O objetivo do PIC é despertar vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação. O Programa visa ainda contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa e inovação tecnológica nos Determinantes Socioculturais, Ambientais e Biológicos do Processo Saúde-Doença-Cuidado para a melhoria das condições sociossanitárias na Amazônia e estimular pesquisadores produtivos a envolverem estudantes de graduação em suas atividades científicas, tecnológicas e profissionais.
O programa proporciona ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de técnicas e métodos de pesquisa, bem como estimula o desenvolvimento do pensamento científico e da criatividade, decorrentes das condições criadas pelo confronto direto com os problemas estudados ou alvo da pesquisa.
Podem participar estudantes de cursos de graduação de instituições de ensino superior públicas ou privadas reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC). O candidato deve estar regularmente matriculado e não ter reprovação em disciplinas afins às atividades do projeto de pesquisa que pretende desenvolver, além de outras condições, descritas no edital.
O PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia é desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e CNPq. A divulgação do resultado está prevista para o dia 25 de maio de 2026. O início das atividades está previsto para o dia 1º de agosto de 2026. As bolsas serão concedidas por um período de 12 meses, podendo ser renovadas.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Imagem: Mackesy Nascimento / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia participa da apresentação dos resultados da 1ª etapa do diagnóstico das Unidades Básicas de Saúde Fluviais
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) participou da apresentação dos resultados obtidos na primeira fase de execução do Projeto Diagnóstico Situacional das Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) no Ministério da Saúde. Os resultados foram apresentados pela ONG Projeto Saúde e Alegria, que coordenou a 1ª etapa do projeto, na qual foram visitadas 53 UBSFs em 51 municípios da Amazônia, distribuídos entre as calhas dos rios Marajó, Tocantins (PA-AP), Médio e Alto Solimões, Rio Negro e Madeira. A reunião aconteceu na terça-feira, 14/04, em Brasília, e os resultados foram apresentados à secretária de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Ana Luiza Ferreira Rodrigues, pela vice-diretora de Pesquisa e Inovação, da Fiocruz Amazônia, Michele Rocha El Kadri, o sanitarista Eugênio Scannavino Netto, um dos fundadores da ONG Projeto Saúde e Alegria, de Santarém (PA), e o professor da Universidade Federal do Pará, André Vinicius Araújo, consultor do PSA e responsável pela avaliação da parte naval do estudo.
A segunda fase do projeto é uma iniciativa da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS), da Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde (MS) e realizada pela Fiocruz Amazônia, para a realização do diagnóstico nos Estados do Amazonas, Pará e Amapá, com equipes formadas por representantes do Ministério da Saúde, Fiocruz e parceiros institucionais como Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM). Com dois anos de duração, a pesquisa é viabilizada por meio de Termo de Execução Descentralizada (TED), firmado com o Ministério da Saúde, através da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), e visa o fortalecimento das políticas de Saúde Integral das Populações do Campo, das Florestas e das Águas e da estratégia de Atenção Primária à Saúde Fluvial no Brasil.
Criada há 12 anos, a estratégia de Estratégia de Saúde da Família Fluvial só existe no Brasil. No total, existem 96 UBSFs cadastradas pelo Ministério da Saúde. A pesquisa pretende reavaliar as condições de financiamento dessa estratégia de Saúde Básica – bem como identificar oportunidades e desafios, incluindo aspectos como a sazonalidade dos rios, navegabilidade e a fixação dos profissionais de saúde, levando-se em conta sempre a garantia ao direito universal à saúde em contextos desafiadores. A partir do diagnóstico, o MS poderá subsidiar ações como reativação de embarcações, ampliação da oferta do serviço e qualificação das equipes de Saúde da Família que atuam nessas unidades.
De acordo com Michele El Kadri, o relatório apresentado evidenciou situações que já eram de conhecimento geral, como a influência da sazonalidade do rio para navegabilidade das embarcações, necessidade de revisão de financiamento e simplificação do processo para credenciamento das UBS fluviais. “A partir desse diagnóstico é possível dimensionar o impacto de cada um desses aspectos para o pleno funcionamento da saúde da família fluvial”, explica El Kadri. Além do ILMD/Fiocruz, a apresentação contou com a participação de representantes do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS).
“A segunda fase do projeto, já em andamento, levará em conta lições aprendidas com as expedições realizadas no ano passado”, observa Michele. “Essa primeira etapa já trouxe pontos importantes que poderão ser ainda mais robustos com os dados da segunda etapa e quando tivermos diagnóstico de 100% das unidades construídas”, complementa. A reunião contou com diversas áreas da SAPS, como Engenharia, Financiamento e Coordenação de Políticas. Na oportunidade, a vice-diretora de Pesquisa e Inovação do ILMD/Fiocruz Amazônia fez a entrega do volume 10 da Fiocruz Amazônia Revista, que traz reportagem de capa sobre a estratégia de saúde da família fluvial e o projeto de pesquisa em andamento.
ônia ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação / ILMD/Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia e Universidade da Pensilvânia estreitam laços para possíveis cooperações futuras visando intervir nas dinâmicas de saúde em comunidades rurais ribeirinhas do Amazonas
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) recebeu, no último dia 30/03, a visita do professor e pesquisador da Universidade da Pensilvânia (EUA), William Laufer, diretor do Centro Carol e Lawrence Zicklin para Governança e Ética Empresarial da instituição de ensino norte-americana. O objetivo da visita foi dar início às tratativas para cooperações futuras que permitam a realização de estudos integrados e territorializados acerca das dinâmicas de saúde na Amazônia, com base na expertise da Fiocruz no desenvolvimento de projetos de pesquisa na região. Laufer foi recebido pela diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, juntamente com a vice-diretora de Pesquisa e Inovação, Michele Rocha El-Kadri, o vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação, Cláudio Peixoto, e a pesquisadora tecnóloga Luciete Almeida, do Laboratório de Diversidade Microbiana com Importância para a Saúde (DMAIS).
Acompanhado pelo professor Eduardo Saad Diniz, consultor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), o pesquisador conheceu, juntamente com a equipe da Fiocruz Amazônia, a comunidade ribeirinha do São Francisco do Mainã, localizada no Puraquequara, Zona Leste de Manaus. A localidade fica situada em área de transição, entre o meio urbano e rural, às margens do lago do mesmo nome. Na comunidade, a Fiocruz Amazônia desenvolve estudos relativos ao monitoramento da qualidade da água, no âmbito do trabalho desenvolvido pela pesquisadora Luciete Almeida, voltado à Educação Ambiental em comunidades rurais do Estado do Amazonas, com foco especial para os riscos de contaminação por matéria orgânica da água consumida pelos moradores.
“Em análises recentes, feitas na comunidade do Mainã, foram identificados fatores de risco que podiam estar influenciando no adoecimento dos comunitários. Fizemos coleta da água de um dos poços utilizados pela comunidade e os resultados foram positivos para contaminação por coliformes fecais e totais, o que acendeu o alerta para o risco de surtos de doenças de veiculação hídrica, a exemplo de diarreia, que acometeu recentemente a comunidade”, explicou Luciete. Segundo a bióloga, a partir do laudo emitido pela Fiocruz, os moradores se mobilizaram para buscar alternativas de solução no sentido de melhorar a qualidade da água consumida na comunidade. Uma das medidas foi a perfuração de um novo poço artesiano, que teve amostras de água coletadas para novas análises.
“Esse tipo de trabalho realizado pela Fiocruz em comunidades ribeirinhas da Amazônia é de total interesse para a área de atuação do centro de pesquisa dirigido pelo Doutor William Laufer, razão pela qual viemos conhecer a Fiocruz e o trabalho feito em parceria com as comunidades, visando estabelecer possíveis parcerias entre o centro de pesquisa da Universidade da Pensilvânia e a Fiocruz Amazônia”, afirma Eduardo Diniz, citando também a expertise da instituição na formação de agentes comunitários de saúde, cuja presença na comunidades produz impacto na dinâmica social com relação diversos indicadores, entre os quais os da marginalização, da violência e da degradação socioambiental, elevando os níveis de resiliência comunitária.
“O trabalho desenvolvido pela Fiocruz é extraordinário, porque melhora a qualidade de vida das pessoas. Imagina chegar numa escola e ver crianças tomando água contaminada. O que esperar para o seu futuro?”, observa Eduardo, acrescentando que é intenção da Universidade da Pensilvânia (EUA) viabilizar parcerias destinadas ao financiamento de intervenções socioambientais voltadas exatamente à melhoria da situação de vida e bem-estar de comunidades ribeirinhas.
Para a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, a perspectiva de parceria com a Universidade da Pensilvânia abre um leque de oportunidades de atuação. “Viemos aqui, na comunidade São Francisco do Mainã, para darmos uma mostra ao Doutor William Laufer, da Universidade da Pensilvânia, do que é a realidade das comunidades rurais no território líquido amazônico, estreitando parcerias para a realização de estudos mais integrados e territorializados das dinâmicas de saúde na Amazônia e em especial nas áreas de fronteiras”, salientou. A diretora apresentou também ao pesquisador um panorama atual da projetos desenvolvidos pela Fiocruz Amazônia, em especial no Estado do Amazonas, e a intenção de aprofundar o direcionamento do foco das pesquisas para os desafios da saúde e do clima, como forma de contribuir de efetivamente para a formulação de políticas públicas que beneficiem as populações vulnerabilizadas amazônicas.
“Conhecemos aqui alguns problemas vivenciados por uma comunidade rural na Amazônia, onde temos estudos relacionados à qualidade da água. Nossa intenção é fazer uma integração, uma ciência participativa e acolhedora junto aos comunitários entendendo quais são as reais problemáticas para que possamos planejar e promover intervenções que sejam efetivas para a melhoria da situação de vida e bem-estar dessas comunidades”, frisou. A visita contou com a participação de representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), organização social que luta pelos direitos das populações afetadas pela construção de hidrelétricas, barragens de mineração e outros projetos de infraestrutura que causam impactos socioambientais na região.
Para os comunitários, a atuação da Fiocruz Amazônia foi fundamental para melhoria da saúde na comunidade. Atualmente, residem na área 61 famílias, a maioria sobrevivendo da pesca e agricultura nas terras que são cedidas pela União. “Descobrimos que a água, que é fundamental para nossa vida, estava imprópria para beber. A Fiocruz nos ajudou com orientação sobre como tratar a água e, com o laudo que atestava a contaminação da água, pudemos reivindicar da prefeitura a perfuração de outro poço na comunidade. Aqui enfrentamos problemas na cheia com a contaminação do solo, e na seca sofremos com a falta de água e dos peixes”, afirmou o líder comunitário Francisco Mateus da Silva.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia
Pesquisadores da Fiocruz Amazônia contribuem com o trabalho de atualização do mapa entomológico de Angola
/em Notícias /por Julio OliveiraOs entomologistas Felipe Pessoa e Cláudia Rios, pesquisadores em Saúde Pública do Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA), da Fiocruz Amazônia, participaram entre os dias 16 a 21/03, na cidade de Luanda, capital de Angola, na África, da realização de atividades no âmbito do Projeto “Atualização do Mapa Entomológico de Angola”. A equipe, também composta por especialistas em artrópodes vetores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) e da Fiocruz Rondônia, teve como missão capacitar técnicos dos serviços de vigilância entomológica daquele país em identificação taxonômica de artrópodes vetores, contribuindo para a atualização do Mapa Entomológico de Angola. O projeto é desenvolvido pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde de Angola e financiamento do Banco Mundial.
O mapa entomológico é uma ferramenta estratégica de inteligência geográfica que delimita áreas suscetíveis à presença de insetos, permitindo o direcionamento de ações de prevenção e vigilância. Ele é crucial para a saúde pública e para a agricultura, fornecendo dados sobre a distribuição de vetores de doenças e pragas agrícolas. A atualização permite monitorar vetores de doenças (como mosquitos Aedes aegypti para Dengue, Zika e Chikungunya), facilitando a identificação de áreas de risco e o controle epidemiológico, auxilia na detecção e mapeamento de pragas quarentenárias que podem prejudicar a produção agrícola, permitindo medidas de controle e erradicação mais eficientes; fornece informações essenciais para estruturar planos de prevenção e vigilância, otimizando recursos e focando as ações nas áreas mais críticas, e ajuda na compreensão da biodiversidade local, considerando fatores do meio ambiente que influenciam a presença dos insetos.
Em julho do ano passado, durante uma semana, a Fiocruz Amazônia recebeu a visita de profissionais especialistas do Ministério da Saúde de Angola para a realização de capacitação em técnicas de virologia voltadas ao isolamento e sequenciamento nucleotídico (DNA) de vírus, a partir de insetos transmissores de doenças. O treinamento foi ministrado pela equipe do Núcleo de Vigilância de Vírus Emergentes, Reemergentes ou Negligenciados, da Fiocruz Amazônia, e fez parte do Curso Internacional sobre Técnicas de Detecção Molecular de Patógenos em Artrópodes, realizado no Brasil pelo Projeto de Melhoria dos Sistemas de Vigilância Regional (Redisse IV), desenvolvido pelo Governo de Angola, em parceria com a Fiocruz, tendo como objetivo promover a atualização do mapa entomológico daquele país, além de fortalecer o sistema de vigilância de vírus nos países pertencentes à Comunidade Econômica dos Estados da África Central.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Curso de Doutorado em Saúde Pública na Amazônia abre inscrições para processo seletivo
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), a Universidade Federal do Amazonas – UFAM e a Universidade do Estado do Amazonas – UEA, Instituições associadas que compõem o Curso De Doutorado Acadêmico em Saúde Pública Na Amazônia, por intermédio da Diretora do ILMD/Fiocruz Amazônia, Instituição gestora da Associação, tornam público a Chamada Pública nº 005/2026, referente a abertura de inscrições e estabelecem as normas para o processo de seleção pública de candidatos para ingresso no curso de doutorado acima referido. As inscrições ocorrem de 15/04 a 15/05/2026.
O objetivo do Curso é formar docentes e pesquisadores altamente qualificados para produção de conhecimento científico, acadêmico e tecnológico, comprometidos com a busca de soluções que possam contribuir com transformações sociais e as melhorias das condições de saúde e vida de populações na Amazônia. O Curso possui área de concentração em Estudos de Processo Saúde/Doença/Cuidado na Amazônia, e duas linhas de pesquisas: Linha 1 – Monitoramento de Situações de Saúde, Vigilância e Controle de Agravos de Relevância Epidemiológica na Amazônia. Linha 2 – Práticas, Saberes, Cuidados e Políticas Públicas de Saúde na Amazônia.
Para esta Chamada Pública estão sendo oferecidas até 15 vagas, para ingresso a partir de agosto de 2026. Os docentes do Programa que estão ofertando vagas encontram-se listados no Anexo II desta Chamada Pública. Clique AQUI para acessar o EDITAL.
A Divulgação da lista dos candidatos selecionados ocorrerá no dia 3 de julho de 2026 e será disponibilizado em https://amazonia.fiocruz.br/?page_id=42573. As disciplinas serão ministradas na sede do ILMD/Fiocruz Amazônia, situado à Rua Teresina, 476. Adrianópolis. Manaus – AM.
SOBRE O DASPAM
O curso tem como objetivo capacitar pesquisadores para exercitar análises críticas, utilizando, de forma integrada, conceitos e recursos metodológicos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais aplicadas à saúde, e de outras áreas conexas; Desenvolver modelos analíticos de processos de saúde/doença/cuidados, tomando como referência o quadro epidemiológico, econômico, sócio antropológico, histórico, biológico e ambiental no cenário regional e suas interfaces com os contextos nacional e internacional de globalização da Amazônia; contribuir, teórica e tecnicamente, para a formulação, implementação e gestão de políticas setoriais, bem como atuar, neste campo, na docência e na pesquisa.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento