COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Fiocruz Amazônia fortalece discussão sobre hábitos alimentares nas aldeias visando redução de danos a indígenas
/em Notícias /por Julio OliveiraA Fiocruz Amazônia, por meio do Laboratório de História e Políticas Públicas de Saúde na Amazônia (Lahpsa), conseguiu estabelecer de forma participativa e pioneira, uma discussão sobre a necessidade de implementação de políticas públicas voltadas à mudança de hábitos alimentares nas comunidades e aldeias indígenas no Amazonas. O trabalho foi desenvolvido em pelo menos 15 dos 19 municípios que integram o Distrito Sanitário Indígena de Manaus (DISEI-Manaus), que abrange atualmente 280 aldeias e aproximadamente 33 mil indígenas de 35 etnias, cadastrados no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde. Coordenado pela tecnologista em Saúde Pública e pesquisadora da Fiocruz Amazônia Katia Maria Lima de Menezes, o projeto “Fortalecimento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional através da inclusão das práticas e saberes tradicionais em territórios indígenas” é financiado pelo Programa Inova Fiocruz e desenvolveu oficinas de capacitação voltadas a agentes e conselheiros indígenas de saúde de diversas aldeias do Estado.
O projeto entra agora na fase final, após quase dois anos de atividades de campo, com a realização de três seminários de vigilância alimentar e nutricional indígena, nos municípios de Rio Preto da Eva, Novo Airão e Nova Olinda do Norte, onde estão situados pólos-base do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), órgão de controle social que promove a participação dos povos indígenas na formulação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas de saúde em seus territórios, parceiro do projeto. “Os seminários são devolutivas do projeto que visam reunir representantes das aldeias, conselheiros e agentes indígenas de saúde, juntamente com autoridades públicas municipais, visando apresentar experiências exitosas de resgate da alimentação tradicional indígena nos territórios bem como propostas e encaminhamentos para o fortalecimento da vigilância s devolutivas por meio da realização de seminários”, explica Kátia Lima.
Segundo a coordenadora do projeto, a intenção é chamar a atenção para a questão da alimentação e dos riscos que as mudanças de hábitos vêm causando, a exemplo do aumento comprovado de doenças como hipertensão e diabetes em indígenas aldeados. Nos últimos dias 24 e 25/09, a equipe do projeto, formada pelas nutricionistas Maria Emilia Malveira e Adriana Lima, juntamente com a assessora pedagógica Sílvia Pimenta, estiveram no município de Rio Preto da Eva, para a realização do primeiro seminário da série de três que acontecerão até o final deste ano. O evento reuniu representantes das cinco aldeias existentes no Pólo-Base Beija-Flor, no município, reunindo indígenas das etnias Munduruku, Mura, Saterê-Maué e Apurinã, além de contar com a participação do presidente do Condisi, Kleuton Lopes, representantes das secretarias municipais de Saúde, Produção Rural e Educação e Desportos e do DSEI-Manaus.
O foco dos seminários é a discussão sobre os hábitos alimentares presentes hoje, de forma predominante, nas comunidades indígenas de aldeias localizadas na área de abrangência do Distrito Sanitário Especial Indígena de Manaus (DSEI-Manaus) e sobretudo o resgate das tradições culinárias indígenas e a formulação de propostas que possam incentivar a melhoria da qualidade alimentar dessas comunidades. “Foi um longo percurso até aqui, desenvolvendo oficinas de capacitação com indígenas para discutir a questão da alimentação, das mudanças de hábitos que estão ocorrendo com a população indígena em relação aos alimentos industrializados, embutidos, refrigerantes, entre outros, que infelizmente estão entrando nas aldeias”, enfatiza Kátia, avaliando o projeto como uma experiência promissora, que, além dos seminários, produziu uma cartilha de segurança alimentar e nutricional indígena – feita junto com os indígenas e em breve fará o lançamento de um livro de receitas tradicionais, atualmente em fase de editoração. “Os três seminários marcam o encerramento do projeto e consubstanciam os dados relativos a essa caminhada”, pontua a coordenadora.
Kátia Lima destaca o pioneirismo e a ousadia da iniciativa ao lançar uma proposta de discussão presencial sobre a questão da alimentação dentro das aldeias. “Temos, em Manaus, o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, que integra o sistema oficial institucional da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, porém é a primeira vez que temos uma ação concreta em termos de formação e discussão com os próprios indígenas, vencendo os desafios geográficos e as barreiras logísticas da região, a partir da expertise da Fiocruz. Até então não havíamos tido nenhuma atividade com essa característica”, observa. O projeto realizou mais de 15 oficinas no decorrer do trabalho, chamando atenção não só dos agentes e conselheiros indígenas de saúde, como também da própria comunidade, sobretudo das mulheres das aldeias.
A conselheira de saúde indígena Rosana da Silva Rodrigues, que atua na Aldeia Beija-Flor 5, situada no Km 134 da AM-010, assentamento Ibirá, em Rio Preto da Eva, conta que as oficinas trouxeram um “leque de esperança” para a comunidade. “Esse projeto que estamos recebendo aqui e finalizando ampliou os nossos horizontes, nossa visão sobre alimentação. Aprendemos a colocar para os parentes os ensinamentos que recebemos aqui. Hoje as aldeias têm várias etnias, cada uma com um modo de viver, mas a importância da alimentação é um consenso para todas”, afirmou. Segundo ela, as crianças da aldeia atualmente se alimentam com salsicha, macarrão instantâneo, calabresa e enlatados, saindo totalmente do contexto da tradição alimentar indígena, o que exige um repensar em relação às culturas alimentares.
“No interior, temos que ter muito cuidado com a alimentação, sobretudo com o que tiramos da floresta para alimentar nossas famílias. Se matamos para nos alimentar não estamos cometendo crime. Não podemos deixar essa cultura se perder e passarmos a consumir apenas alimentação industrializada”, ressalta Rosana. A coordenadora explica que a intenção do projeto não é fazer qualquer tipo de repressão aos indígenas. “A finalidade é abrir a discussão, por meio da metodologia ativa participativa, trabalhando junto aos diferentes atores na cartografia social dos territórios, trazendo o que eles produzem e refletindo sobre o que consomem”, detalha Kátia Lima.
PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO
Os seminários também proporcionam a apresentação de propostas de intervenção relacionadas à alimentação saudável que possam vir a ser implementadas nas aldeias. Em Rio Preto da Eva, o evento conseguiu reunir autoridades municipais de diferentes áreas que se comprometeram em estimular ações de vigilância alimentar e nutricional. “Trata-se de uma agenda transversal às pastas da Educação, Saúde, Produção Rural, Meio Ambiente e estamos aqui para contribuir nesse processo”, afirmou o secretário municipal de Produção Rural, Eduardo Castelo, se colocando à disposição para apoiar as aldeias com projetos de cultivo (produção de alimentos). Representantes da Secretaria Municipal de Educação apresentaram dados antropométricos do Diagnóstico Nutricional 2025 da Escola Municipal Indígena Beija Flor, que já indicam a presença de casos de sobrepeso, obesidade e obesidade grave entre os alunos.
Indígena da etnia munduruku, o conselheiro Rosenilson Barbosa dos Santos, o Roni, conta que já conseguiu implementar uma experiencia exitosa de agricultura orgânica na aldeia Beija-Flor 4. “Estamos levando para nossas aldeias tudo que aprendemos e resgatando o conhecimento dos nossos ancestrais. Esse aprendizado só vem a nos engrandecer, pois levaremos esses conhecimentos aos nossos aldeados para que também saibam a importância de se alimentar de forma correta”, complementou.
Nesse processo de discussão nas aldeias, o Condisi tem um papel estratégico. “A parceria com a Fiocruz tem contribuído muito dentro das aldeias, queremos fortalecer isso e levar adiante. As orientações técnicas servem muito para nos orientar. A parceria entre a saúde indígena e a Fiocruz é muito importante. Hoje, no Condisi Manaus, trabalhamos com 260 aldeias, fiscalizando as ações de saúde dos territórios, correndo atrás das problemáticas e buscando a melhoria das comunidades no que se refere à questão da alimentação tradicional”, ressalta o presidente do Condisi, Kleuton Lopes, indígena da etnia munduruku. Segundo ele, o pólo Beija-Flor possui representantes de 12 etnias.
DESEMBALEM MENOS, DESCASQUEM MAIS
São funções do Condisi: controle social, fiscalização e debate, formulação de políticas, deliberação sobre gastos e planejamento de ações de saúde e fortalecimento da representatividade das lideranças indígenas. Para a nutricionista Adriana Lima, a parceria do projeto com o Conselho Distrital de Saúde Indígena foi fundamental na aproximação com as aldeias do DSEI Manaus. “Nesse projeto, buscamos resgatar e fazer com que eles (os indígenas) voltem a ingerir alimentos mais saudáveis, como faziam os mais antigos da aldeia. É comprovado o alto índice de hipertensão e diabetes entre os indígenas do DSEI Manaus por conta da alimentação”, afirma Adriana. A proximidade das aldeias com as cidades facilita o acesso aos alimentos industrializados, enquanto a perda de território e a degradação ambiental dificultam o acesso aos alimentos tradicionais.
Assim como Adriana, a nutricionista Maria Emilia Malveira acompanha as ações do projeto, realizando oficinas de capacitação nas aldeias. “Nessa troca de ideias, todos saímos ganhando. Passamos a conhecer um pouco mais da realidade dos indígenas e pedimos que eles tentem mudar os hábitos alimentares, introduzindo alimentos naturais, como a macaxeira, cará, pupunha, peixe, hortaliças. Nossa orientação é desembalem menos e descasquem mais”, observa Adriana. Por sua vez, Maria Emília alerta devido ao grande índice de ingestão de alimentação industrializada, os indígenas esqueceram o alimento natural. “Há cinco anos, quando comecei a realizar esse acompanhamento junto aos indígenas já havia refrigerante, bolacha recheada, linguiça, salsicha, alimentos com muito sódio, gordura hidrogenada, gordura trans e aditivos colocados para realçar o sabor que são altamente cancerígenos, levando à ocorrência de doenças não-indígenas nas aldeias, como diabetes e hipertensão”, ressalta Malveira.
SOBRE O LAHPSA
O Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia – LAHPSA tem como missão ser referência em pesquisa na área da saúde coletiva, atuando no tripé: desenvolvimento da pesquisa; formação de pesquisadores, profissionais e gestores de saúde; divulgação científica em saúde. Seus membros buscam atuar como sujeitos políticos nos espaços de debate das Políticas Públicas de Saúde e de Ciência, Tecnologia e Inovação na Amazônia. O grupo tem como objetivo discutir, refletir, produzir conhecimento interdisciplinar acerca da saúde coletiva inserido no cenário amazônico. Os estudos e ações buscam contribuir com as instituições e a sociedade na construção de referenciais científicos que influenciam direta e indiretamente na qualidade de vida e da saúde das populações da região amazônica.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Fiocruz Amazônia participa do II Simpósio da Rede de Plataformas Tecnológicas
/em Notícias /por Julio OliveiraRIO DE JANEIRO (RJ) – Representantes de Plataformas Tecnológicas do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) participaram, nesta quarta e quinta-feira (01 e 02/10), do II Simpósio da Rede de Plataformas Tecnológicas (RPT) da Fiocruz, realizado no Museu da Vida, no Rio de Janeiro. A programação celebra os 20 anos de criação da rede, que se consolidou como espaço estratégico de inovação, colaboração e suporte às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS).
O evento reúne integrantes de diferentes plataformas e convidados em um ambiente de reflexão e planejamento coletivo. O foco é fortalecer a atuação da RPT nos próximos anos, promovendo a integração institucional, a excelência em serviços tecnológicos e a construção de perspectivas para o futuro da pesquisa em saúde no País. A Fiocruz Amazônia integra a RPT com sete plataformas tecnológicas – PCR em Tempo Real (RPT09G), Sequenciamento NGS (Next Generation Sequencing) – RPT01O, Microscopia de dissecção a laser (RPT07H), Citometria de Fluxo (RPT08J), Bioprospecção (RPT0C), Bioensaios de compostos biotecnológicos (RPT11H) e Sequenciamento capilar (RPT01H).
Com o lema “II Simpósio da Rede de Plataformas Tecnológicas Fiocruz – 20 anos de conexões, descobertas e futuro em saúde”, o simpósio destaca o papel central da RPT como catalisadora de ciência de ponta no Brasil. “O encontro foi planejado como um espaço de integração e planejamento coletivo, fortalecendo o papel da RPT na promoção da inovação, da excelência em serviços tecnológicos e da colaboração institucional”, detalhou a gestora executiva da RPT, Cássia Pereira.
Ivanildes Bastos, pesquisadora do ILMD/Fiocruz Amazônia e responsável técnica da Plataforma de Bioensaios de Compostos Biotecnológicos (RPT11H) destaca a relevância da Rede. “O simpósio oferece uma oportunidade única para compartilhar experiências, resultados de pesquisa e melhores práticas com outras plataformas e especialistas, enriquecendo o conhecimento coletivo e promovendo colaborações interdisciplinares”, destacou.
Segundo ela, a RPT11H se dedica à avaliação de novas substâncias de diversas origens, com o objetivo de identificar moléculas promissoras para o desenvolvimento de novos antimicrobianos e outras aplicações. “Este trabalho é especialmente relevante em um período em que a busca por novas moléculas se torna crucial devido à resistência bacteriana e à escassez de novos medicamentos para tratar infecções causadas por bactérias patogênicas. Além disso, a plataforma também verifica a eficácia e a segurança das substâncias, incluindo a avaliação de citotoxicidade”, pontuou.
Já Valdinete Alves do Nascimento, responsável técnica pela Plataforma de PCR em Tempo Real do ILMD/Fiocruz Amazônia, ressaltou que o simpósio também é um momento de reflexão estratégica. “O Segundo Simpósio da Rede de Plataformas Tecnológicas da Fiocruz é um momento de comemoração dos 20 anos da rede de plataformas, mas também de avaliar e pensar em estratégias para o futuro. As plataformas tecnológicas da Fiocruz constituem um modelo de compartilhamento de infraestrutura e conhecimento técnico-científico”, salientou.
De acordo com Valdinete, no ILMD, a Plataforma de PCR em tempo real atende à demanda de pesquisa e de diagnóstico, a exemplo do que aconteceu durante a pandemia da Covid-19, quando integrou de forma oficial a rede de diagnósticos. “Atuou também como referência para o diagnóstico do vírus MPOX e, mais recentemente, atendeu à demanda de diagnóstico dos casos de infecção pelo vírus Oropouche, demonstrando sua importância para a região”, informou ela.
Outro cientista do Amazonas presente é Yury Oliveira Chaves, tecnologista em citometria de fluxo e imunofenotipagem do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) membro da equipe técnica da Plataforma de Citometria de Fluxo da Fiocruz Amazônia. Na oportunidade, ele destacou a relevância da integração institucional.
“É uma imensa honra participar da comemoração dos 20 anos da Rede de Plataformas Tecnológicas da Fiocruz. Eu me sinto parte dessa conquista, que representa inovação e fortalecimento da pesquisa no Brasil. Estar aqui é conhecer de perto toda a complexidade e a diversidade de serviços que a Fiocruz oferece por meio de suas plataformas”, disse.
Na visão de Yury, são iniciativas que não apenas fortalecem a própria Fiocruz, mas também outras instituições de pesquisa, criando parcerias e ampliando oportunidades. “Hoje estou aqui também representando o Inpa e a plataforma de citometria de fluxo da Fiocruz Amazônia. Nosso objetivo é firmar colaborações que fortaleçam a ciência regional, especialmente nas áreas de citometria de fluxo e imunofenotipagem. Essa integração entre Fiocruz e Inpa é essencial para levar a ciência amazônica a novos patamares e gerar impacto positivo para todo o País”, destacou.
Com o tema “20 Anos de Conexões, Descobertas e Futuro em Saúde”, o simpósio reafirma o papel da RPT como elemento estratégico da Fiocruz. O encontro projeta os próximos passos para ampliar a autonomia tecnológica, fortalecer a inovação científica e garantir maior impacto social das plataformas. Outro pesquisador presente foi James Lee Crainey, chefe do Laboratório de Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA) e responsável pela Plataforma de Microscopia de Dissecção a Laser (RPT07H).
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Cris Barbosa e Júlio Pedrosa
Fotos: Cris Barbosa, Plinio Souza e Vítor Rangel / Comunicação VPPCB Fiocruz
Pesquisador da Fiocruz é selecionado para o “40 Under 40” da Rede Pasteur no Vietnã
/em Notícias /por Julio OliveiraO pesquisador em Saúde Pública do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Pritesh Jaychand Lalwani, foi selecionado pela Rede Pasteur como um dos 40 jovens cientistas de destaque mundial com menos de 40 anos. A iniciativa integra o Pasteur Network Annual Meeting (PNAM) 2025, que será realizado de 21 a 23 de outubro, em Ho Chi Minh, Vietnã, e tem como objetivo dar visibilidade à nova geração de líderes científicos que já contribuem para a saúde global.
Os selecionados foram reconhecidos por seu potencial científico, liderança e inovação, em trabalhos alinhados aos quatro pilares estratégicos da Rede Pasteur: inteligência e preparação para epidemias, pesquisa e inovação, comunidades de conhecimento multidisciplinares e colaboração equitativa.
Lalwani é o único pesquisador em atuação no Brasil, entre os selecionados, e foi escolhido pelo impacto de suas pesquisas em doenças emergentes, reemergentes e negligenciadas na Amazônia, com ênfase em doenças zoonóticas. Seu trabalho combina virologia e resposta imune com a abordagem One Health, integrando vigilância em humanos, animais e ambiente, desenvolvimento de diagnósticos inovadores e engajamento direto com comunidades indígenas e ribeirinhas.
Formado em Biotecnologia pela University of Pune (Índia), mestre em Virologia pelo National Institute of Virology (Índia) e doutor em Imunologia pela Charité – Universitätsmedizin Berlin (Alemanha), Pritesh atua desde 2014 como pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, no Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia (DCDIA). Em 2024, recebeu homenagem no Dia Estadual do Pesquisador Científico, concedida pelo Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em reconhecimento à sua contribuição para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação no Estado. Atualmente, é presidente da Comissão de Biossegurança do ILMD/Fiocruz Amazônia e docente permanente dos programas de pós-graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGIBIO-Interação), na Fiocruz Amazônia, e Imunologia Básica e Aplicada (PPGIBA), na Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
“Ser selecionado entre os 40 jovens cientistas da Rede Pasteur é uma honra e também uma responsabilidade. Quero aproveitar essa oportunidade para fortalecer colaborações internacionais e dar ainda mais visibilidade à ciência produzida na Amazônia”, destacou Lalwani.
SOBRE A REDE PASTEUR
A Rede Pasteur é composta por 33 institutos de pesquisa em 25 países, sendo um modelo único de cooperação que reúne uma comunidade científica dedicada a prioridades locais de saúde pública e seus impactos globais. Atuando em diversas áreas endêmicas, a Rede tem se consolidado como sentinela para doenças infecciosas emergentes, demonstrando repetidamente sua relevância na detecção precoce, pesquisa e resposta a surtos.
A Rede também busca fortalecer a inteligência e a preparação para epidemias, promover o desenvolvimento de diagnósticos, vacinas e terapias acessíveis, além de incentivar a colaboração e a mobilidade entre seus membros.
No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é membro ativo da Rede Pasteur, contribuindo com sua expertise em ciência, inovação e saúde pública para os esforços coletivos de enfrentamento dos desafios globais de saúde.
É objetivo da Rede Pasteur buscar cultivar a próxima geração de líderes científicos, promovendo intercâmbios científicos inclusivos e expandindo a educação colaborativa e as oportunidades de mobilidade entre seus membros. Por meio de treinamento e recursos de pesquisa, promoção do aprendizado compartilhado e elevação das vozes de cientistas locais em fóruns regionais e globais, a Rede fortalecerá sua capacidade coletiva de enfrentar os desafios de saúde mais urgentes do mundo.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Michell Mello / Fiocruz Amazônia Revista
Mestrado fora da sede para indígenas do Alto Solimões inova nas metodologias de formação e qualifica projetos dos alunos
/em Notícias /por Julio OliveiraOs alunos indígenas do Curso de Mestrado em Saúde Coletiva, oferecido pela Fiocruz Amazônia, por meio do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Saúde na Amazônia (PPGVIDA), com turma fora de sede, exclusiva para indígenas do Alto Solimões, na região da Tríplice Fronteira (Brasil, Peru e Colômbia), já estão concluindo a fase de qualificação de seus projetos. Dois anos após o início das atividades do curso, pioneiro no Brasil, as qualificações começaram e vem apresentando resultados positivos e aprovação absoluta dos alunos, marcando o encerramento de uma etapa importante do processo de formação da primeira turma de sanitaristas indígenas do Brasil, que começam agora a se preparar para a defesa de suas dissertações.
Coordenadora do Mestrado e uma das mentoras do projeto, a pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Maria Luiza Garnelo, explica que, para conseguir esse resultado, foi necessário inovar nas metodologias de formação. “Uma política de ações afirmativas de cotas não significa apenas oferecer vagas. Faz-se necessário uma adequação metodológica que permita a adaptação do aluno ao seu modus operandi. Este ano, completam dois anos que começamos esse processo de formação de indígenas como sanitaristas em nível de mestrado, cumprimos os créditos obrigatórios, os optativos, e não perdemos ainda nenhum aluno, sempre é possível perder, raramente num curso temos 100% de ingressos e saídas, com a mesma velocidade, com a mesma produtividade”, explica.
A turma é composta por 15 alunos indígenas, das etnias tikuna, kambeba, kaixana, marubo e kokama, provenientes dos municípios de Tabatinga, Benjamim Constant, Atalaia do Norte, Amaturá e Santo Antônio do Içá. A iniciativa de criar o primeiro curso de mestrado exclusivo para indígenas é do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e conta com o apoio da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) – que concedeu as 15 bolsas, mais recursos para auxílio em pesquisa para os indígenas aprovados – e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio de projeto aprovado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O pioneirismo do curso reside no fato de que, pela primeira vez no Brasil, são oferecidas turmas exclusivas para formação de sanitaristas indígenas, de forma presencial e na modalidade sala estendida, por um programa de pós-graduação da Fiocruz. “No momento, estamos cumprindo uma agenda programada porque alguns projetos não estão ainda com a qualidade necessária, mas nossa ousadia, digamos assim, é termos optado por realizar pesquisas de campo, mesmo com os tempos curtos de um mestrado e a necessidade de autorizações dos órgãos como Funai, DSEI, CEP, CONEP, entre outros, sabendo que isso vai implicar em alongar um pouco o tempo”, observa Garnelo.
A pesquisadora explica que a “ousadia” de escolher o caminho mais demorado se deu em virtude da expectativa dos próprios alunos. “Todos esperam que os projetos sejam de utilidade e de interesse de suas comunidades. Se quiséssemos optar pelo caminho de outros programas de pós-graduação que adotam dissertações de cunho de revisão bibliográfica, ou abordagens mais teóricas, que não demandassem deslocamento para o campo e autorizações CEP, CONEP e Funai, estaríamos já concluindo o curso, Mas essa alternativa deixaria todos os alunos muito frustrados, porque a motivação principal é fazer algo que traga um benefício, um retorno mais direto e mais perceptível para suas comunidades e os distritos sanitários”, esclarece.
Os projetos da turma de Sanitaristas Indígenas do Mestrado do PPGVIDA versam, em sua maioria, sobre questões indígenas focadas nas necessidades de saúde dos povos que vivem no Alto Solimões e Vale do Javari. “Resolvemos fazer assim porque achamos que seria mais produtivo para eles em ternos de aprendizado e para a relação deles com as comunidades. As pessoas poderem ver um produto que fale com elas, que diga algo sobre elas, ao invés de fazer algo mais genérico, mais abstrato”, reforça. Segundo a coordenadora, a ampliação do prazo de concessão de bolsas é um impasse. “As bolsas normalmente são concedidas para 24 meses e certamente a maioria dos alunos não estará em condições de concluir e de defender suas dissertações neste prazo”, admite.
Para Luiza Garnelo, a questão do tempo de duração das formações de turmas indígenas é uma premissa que precisa ser levada em consideração. “Precisamos refletir e pensar em como lidar com isso em futuras turmas. O tempo tem que ser mais alongado em função dessas características”, pondera.
QUESTÕES LINGUÍSTICAS
Outro aspecto importante a ser considerado no processo formativo dos mestrandos foi o suporte em relação a questões linguísticas no tocante a falantes de língua que não seja o português e ao manejo da língua portuguesa escrita. “Como a maioria dos nossos alunos não tem o português como primeira língua, o que já sabíamos, foi preciso operacionalizar o suporte para que esta barreira fosse vencida. Para isso, buscamos o apoio de especialistas em Linguística”, explica Luiza, referindo-se aos professores doutores Mateus Coimbra de Oliveira, Gabriel Arcanjo Santos de Albuquerque e Sanderson Oliveira, que contribuíram para o processo de escrita dos estudantes no Alto Solimões. Cada membro da equipe de língua portuguesa acompanhou 5 estudantes entre setembro de 2024 e julho de 2025.
“Os colegas linguistas fizeram uma adaptação de um teste para falantes do português como segunda língua, feito para estrangeiros não para indígenas, e a adaptação ficou muito interessante. Aplicaram um teste de proficiência em português escrito e português falado e interpretação de texto escrito, a produção de texto escrito e a interpretação do texto de terceiros”, conta Luiza.
O linguista Sanderson Oliveira explica que o processo de avaliação e assessoria linguística aos discentes do curso da turma se deu por meio de duas ações gerais: avaliação da fluência dos discentes em língua portuguesa e assessoramento da produção oral e escrita dos discentes. “No primeiro caso, fizemos uma adaptação do modelo CELPE-BRAS e aplicamos a todos os 15 discentes indistintamente, haja vista que a informação inicial era de que todos eram falantes de língua indígena e ingressaram no programa sob essa condição e com a exigência de que deveriam fazer a proficiência em língua portuguesa como proficiência em L2 (geralmente os cursos fazem em uma língua estrangeira, principalmente em inglês). A adaptação do modelo CELPE-BRAS considerou o contexto de uma turma indígena, modificando alguns detalhes como os conteúdos das avaliações escrita e oral. Modificaram-se ainda os modelos das avaliações e foram selecionados temas relativos à saúde indígena para as tarefas”, explica o professor.
A avaliação inicial, nesse caso, teve caráter diagnóstico, mas serviu também como prova de proficiência em língua portuguesa, necessária para que os discentes pudessem obter o título. “Alguns resultados obtidos foram importantes tanto para direcionar as ações futuras do trabalho em desenvolvimento quanto para dar subsídios para a continuidade da política afirmativa para indígenas no PPGVIDA”, salienta o docente Gabriel Albuquerque, doutor em Literatura e Língua Portuguesa. Entre os resultados, ele destaca a confirmação de discrepância entre a proficiência oral e escrita dos discentes; e a verificação de sete falantes de português como L1. “Além disso, fatores como pertencimento étnico parecem ser relevantes para a fluência dos discentes em língua portuguesa. É o que mostram nossos resultados”, afirma.
O trabalho de acompanhamento da produção de textos orais e escritos, pelos linguistas, se deu por meio de deslocamentos a Tabatinga, onde o curso ocorre. “Nessas etapas, realizávamos exercícios de textualização e de retextualização assim como de correção individual e coletiva, sempre envolvendo os discentes e tornando-os partícipes dessas atividades. Além disso, no campo da produção oral, eram realizadas simulações de seminários e de defesas”, relata Gabriel.
Nessa segunda etapa, os resultados principais foram as produções dos textos dos discentes para suas qualificações e a preparação para banca, sendo que oito discentes conseguiram fazer a defesa até junho de 2025. “Alguns discentes, que apresentavam mais dificuldades, tiveram um tempo maior para realizar a defesa e, também, de acompanhamento. O grupo de discentes que não logrou êxito na primeira proficiência escrita refez o trabalho e as avaliações ainda em julho”. Este material já foi analisado, tenso se observado melhora expressiva no desempenho dos estudantes no domínio da linguagem escrita.
Apesar de ainda estar em fase de avaliação dos resultados, o entendimento atual é que a assessoria prestada teve resultados positivos. “De um lado, criou-se uma metodologia para a proficiência de alunos indígenas do PPGVIDA, aplicável a outros programas de pós-graduação, algo que não havia até então. Junto a esse processo, foram também apresentados subsídios para ações futuras. De outro lado, os discentes relatam terem melhorado a produção escrita e oral em gêneros acadêmicos e esperam que isso se reflita nos resultados do Mestrado”, avalia. O trabalho dos linguistas prossegue apoiando os orientadores do mestrado na leitura e interpretação e redação de textos.
PROTAGONISMO DO PPGVIDA
Para o professor Gabriel Albuquerque, o trabalho permitiu construir, junto com as professoras Luiza Garnelo e Rosana Parente, um conjunto de procedimentos que qualificam estudantes indígenas no processo de pesquisa em saúde coletiva e possibilitam situar o PPGVIDA como protagonista no uso dos estudos da linguagem como instrumento não só de formação, mas de qualificação de excelência para estudantes indígenas.
“Não menos importante foi um conjunto de práticas e metodologias que buscavam fazer com que os estudantes se sentissem incluídos e não incapazes de dominar a norma de prestígio da linguagem acadêmica. Em outras palavras: respeitando os diferentes usos do português, por meio da textualização e retextualização os estudantes acabavam por dominar a norma culta e compreender que essa norma é um código passível de domínio”, enfatiza.
Embora não sejam uniformes, os resultados são muito animadores, segundo o professor. “O que se mostra em dois diferentes momentos: a apresentação de pôsteres durante evento realizado pelo ILMD/Fiocruz Amazõnia (V Encontro de Pós-Graduação) e as defesas dos projetos. De um ponto de vista mais estrito, somente as defesas das dissertações e os resultados daí provenientes levariam a compreender o alcance das Oficinas de Produção Textual e Redação Científica como também o papel que cumprem no que diz respeito aos estudantes indígenas”, frisa.
Por fim, Gabriel explica que a experiência pode servir de marco para o aperfeiçoamento das políticas de ações afirmativas no Brasil em se tratando de oportunidades de formação acadêmica e qualificação profissional para povos tradicionais. “Não tenho dúvidas quanto a isso. Toda a equipe envolvida tem clareza dos limites que uma primeira experiência dessa natureza contém. De certo, poderíamos fazer mais e melhor se dominássemos previamente alguns elementos tais como um diagnóstico da proficiência dos estudantes em língua portuguesa e a compreensão que podem ter quanto à escrita acadêmica ou não. São elementos que pedem aperfeiçoamento, é claro, mas o que prevalece é a compreensão de que, aqui no Norte do Brasil – e mesmo ao longo de todo o Brasil – não houve iniciativa semelhante”.
O docente ressalta que o conjunto de documentos resultantes desse trabalho (diagnósticos, relatórios, textos produzidos pelos estudantes, metodologias aplicadas pelos professores) e a maneira como a logística de todo o processo foi conduzida gerou resultados novos no campo das ações afirmativas e da qualificação profissional para povos tradicionais. “Mais do que esperança, temos a certeza de que esse processo formativo gera lideranças capazes de lidar com as políticas de saúde para as populações tradicionais como também se abre o campo da pesquisa para elas. Criamos, portanto, mais do que uma ação inclusiva; criamos também uma tecnologia de inserção social”, finaliza Gabriel Albuquerque.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Fiocruz Amazonia celebra os dez anos do PPGVIDA homenageando egressos e avaliando panorama atual e desafios futuros do programa de pós-graduação
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) deu início nesta quarta-feira, 1/10, às celebrações pela passagem do aniversário de dez anos do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Saúde na Amazônia (PPGVIDA), com a realização do Seminário PPGVIDA 10 Anos, oportunidade em que foram homenageados egressos da primeira turma do programa, além de docentes, ex-gestores e colaboradores em reconhecimento às contribuições ao primeiro Mestrado em Saúde Coletiva da Fiocruz na região amazônica. Nesses dez anos, o programa já formou 126 mestres em Saúde Coletiva, tendo contribuído diretamente para o fortalecimento da Ciência e do Sistema Único de Saúde (SUS) na região amazônica. Desse total de egressos, 65% são oriundos de instituições públicas e hoje atuam no setor público (SUS) e instituições públicas de ensino superior.
Com dois dias de duração, o seminário que marca os 10 anos do PPGVIDA visa promover também uma avaliação do programa e seus desafios futuros. Para a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, a data é histórica e uma oportunidade de se refletir sobre quão importante foi a criação do PPGVIDA para os demais programas de pós-graduação da instituição. “O PPGVIDA trata sobre a vida, a saúde da população. É um programa humano que carrega a interdisciplinaridade como característica principal por reunir diferentes olhares e formações. Foi uma escola como primeiro programa da casa e tudo que trilhou foi exemplo para o PPGBIO-Interação (Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro) e experiência para o DASPAM (Doutorado em Saúde Pública na Amazônia), abrindo caminhos para muitas iniciativas”, destacou a diretora, enfatizando a perspectiva de, no futuro, o PPGVIDA oferecer também curso em nível de Doutorado.
Alocado na área de Saúde Coletiva da CAPES, o PPGVIDA se consolidou como um espaço de formação e produção científica de excelência, comprometido com a realidade amazônica e com a defesa da vida. Na palestra de abertura do seminário, a pesquisadora sênior da Fiocruz Amazônia, Luiza Garnelo, uma das responsáveis pela criação do PPGVIDA – e a primeira coordenadora do Mestrado –, destacou a importância do programa no contexto da produção acadêmica da época e da contribuição dada por parceiros como a da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (ENSP), presença forte e potente na estruturação do programa, juntamente com a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas (Fapeam).
“Juntas, essas três instituições ajudaram na construção do alicerce para o PPGVIDA”, enfatizou Luiza, destacando, entre outros indicadores do programa, o número atual de docentes (33) e a expressiva produção intelectual/bibliográfica, com 1.797 produções, entre artigos em periódicos, livros, capítulos de livros, trabalhos em anais e produção técnica, entre 2017 e 2024. Outra característica destacável do PPGVIDA é a de formar mestres para atuarem na região amazônica, fator que permite avaliar como positivo o impacto social do programa de formação. Falando em nome da Vice-Presidente de Educação, Informação e Comunicação, Marly Cruz, a coordenadora geral adjunta de Educação de Stricto Sensu da Fiocruz, Enirtes Caetano Prates Melo, participou do evento – de modo on line na abertura da solenidade e presencialmente no segundo dia – destacando a potência do PPGVIDA no conjunto dos 49 programas de pós-graduação da Fiocruz.
“O PPGVIDA tem sua potência centrada na temática bastante específica e potente na área de saúde coletiva. Ele traz nas duas linhas de pesquisa uma diversidade de temas que abarcam questões que são fundamentais dentro dos desafios que temos para esse milênio, talvez essa seja sua principal potencialidade, com esse grupo de professores envolvidos. É um programa que tem desafios como todos têm, entretanto não se nega a enfrentá-los. Esses dois dias de evento são também de avaliação, onde o programa convida toda a comunidade para discutir seus temas principais e fazer uma reformulação. Ou seja, não são dez anos de constância, mas dez anos de reformulação e temos a clareza de que iremos abrir 2026 com esse programa de uma forma muito potente no conjunto de projetos da Fiocruz”, pontuou. Junto com o PPGVIDA, os demais programas de pós-graduação do ILMD/Fiocruz Amazônia estarão envolvidos numa série de desafios em rede na área da educação e da internacionalização.
MESTRES FICAM NA REGIÃO
Representando a diretora-presidente da Fapeam, Marcia Perales, o professor Hedinaldo Narciso Lima, chefe do Departamento Técnico-Científico da fundação, explica que o PPGVIDA se notabiliza pela formação de recursos humanos “na” e “para” a região amazônica. “Quero destacar que é uma grande alegria estarmos aqui, em nome da presidência da Fapeam, e termos um programa como esse que dá uma importante contribuição para a formação de recursos humanos, como um dos programas em que a Fapeam tem investido fortemente, por meio da concessão de bolsas e financiamentos de projetos que possam dar retorno a sociedade, contribuindo com a melhoria da qualidade de vida das pessoas no Estado. Vale destacar que a maioria absoluta das pessoas apoiadas pela Fapeam permanecem no Estado do Amazonas, na região e no Brasil”, salientou o professor.
Stefanie Lopes ressaltou a trajetória futura do PPGVIDA. “Esse é apenas o começo de uma trajetória de muitas conquistas. Formamos o futuro da Saúde Coletiva na Amazônia. O programa tem uma história linda, focada em vida e em pessoas, que fazem a diferença onde quer que estejam”, afirmou, referindo-se, de modo especial, aos egressos homenageados, entre eles a sanitarista Nayara Macksud, secretária de Estado da Saúde do Amazonas, que integrou a primeira turma do PPGVIDA.
“O Mestrado possibilitou que eu conhecesse outras linhas de raciocínio relacionadas ao serviço da saúde. Tenho orgulho de falar que sou filha da Fiocruz e que cursei meu Mestrado numa instituição que representa a Amazônia, que discute as nossas peculiaridades, o que enriqueceu muito minha forma de defender o SUS nas diferentes instâncias em que atuo representando o Amazonas”, pontuou Nayara.
A secretária de Saúde destacou ainda a importância do olhar do programa para o contexto geográfico desafiante do fazer saúde na Amazônia. “As águas fazem parte do nosso cotidiano. Nós precisamos aprender a fazer saúde no momento da estiagem. A bandeira da Amazônia Legal está muito viva, por conta da COP 30, e eu devo muito a Fiocruz e ao meu Mestrado, que me possibilitou aprofundar a discussão de políticas públicas para nossa região”, complementou. Junto com Nayara, outros egressos também foram homenageados com a entrega de certificado de reconhecimento pela trajetória.
Docente da primeira turma do Mestrado do PPGVIDA, a professora titular aposentada da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UFAM, Ana Cyra dos Santos Lucas, lembrou o quanto o programa de pós-graduação da Fiocruz foi importante para a região amazônica, como um todo. “Estávamos naquele momento de crescimento da pós-graduação na região e principalmente da necessidade de atendimento das demandas dos profissionais de saúde, muitos em atuação nos serviços, o que acabou tendo um impacto na qualificação desses profissionais egressos que estão até hoje no atendimento”, afirmou, lembrando que muitos dos alunos do mestrado vêm de outras regiões do Estado e do Brasil, além de outros países.
NOVO PROCESSO SELETIVO
A pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Ani Beatriz Matsuura, atual coordenadora do PPGVIDA, fez um agradecimento especial a todos os atuais integrantes e os que já fizeram parte do Mestrado, lembrando que está aberto o processo de seleção para a turma 2026 do programa. Estão sendo oferecidas este ano, no total, 23 vagas, número recorde desde a criação do PPGVIDA. A coordenadora destacou também o esforço desenvolvido pela pesquisadora Luiza Garnelo na criação do PPGVIDA, há dez anos, e hoje na formação da primeira turma de sanitaristas indígenas do Brasil. O curso fora da sede do PPGVIDA é ministrado no município de Tabatinga, Regão do Alto Solimões (AM), contando com o apoio de pesquisadores da casa como docentes, a exemplo de Fernando Herkrath, Rodrigo Tobias e Júlio César Schweickardt.
“Nos adaptamos, docentes e discentes, em territórios indígenas e a expectativa é de que a CAPES consiga reconhecer o trabalho e que isso se reflita na elevação da nossa nota”, comentou, enfatizando a importância da parceria com Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Escola de Enfermagem da UFAM, Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM), Escola de Saúde Pública (ESAP), Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto (FVS-RCO), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), e o Programa Vigifronteiras Brasil/Fiocruz.
Também egresso do PPGVIDA, o vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz Amazônia, Cláudio Peixoto, fez parte da primeira turma e lembrou que na época houve uma convergência de forças para que o curso se estabelecesse. “Todas as pessoas que estão aqui e outras das quais sentimos falta por não poderem estar presentes foram importantes nesses primórdios, cujo desafio era pensar um programa que que fortalecesse a formação da Fiocruz, na capital e no interior. Foi um trabalho gigantesco de desbravamento”, frisou. O seminário 10 Anos do PPGVIDA se encerra nesta quinta-feira, 2/10, com a palestra do professor-doutor Bernardo Horta, coordenador de Área CAPES, abrindo a programação, abordando sobre a Nova Ficha de Avaliação da CAPES. Na sequencia, dra Ani Matssuira apresenta o Relatório de Avaliação Quadrienal (2021-2024) e as manifestações de representantes discentes. Após intervalo para almoço, haverá roda de conversa sobre o tema “O que queremos para o futuro do PPGVIDA?”, com apresentação de propostas.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Fiocruz Amazônia promove palestra alusivas ao Setembro Amarelo para trabalhadores e trabalhadoras
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realizou na última sexta-feira, 26/09, uma tarde de atividades alusivas ao setembro amarelo, mês dedicado à valorização da vida e prevenção ao suicídio. Além de dinâmica coletivas, com participação dos colaboradores, a instituição promoveu a palestra “Você não está só, peça ajuda! Vamos aprender a lidar com a depressão em busca da saúde mental”, ministrada pela mestra em Saúde Pública, Glenda Patrícia da Silva Vieira Moura.
Os colaboradores foram recebidos pela diretora do ILMD/Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, e a chefe de Serviço de Gestão do Trabalho e Núcleo de Saúde do Trabalhador, Luciene Araújo, que destacaram a preocupação da unidade em contribuir com a melhoria da qualidade de vida para o corpo e a mente dos profissionais que atuam na unidade.
Para Stefanie Lopes, diretora da Fiocruz Amazônia, a ação é de grande relevância principalmente por orientar os colaboradores. “É super importante a gente trazer essa agenda para discutir no ambiente de trabalho sobre a saúde mental, sobre como não podemos negligenciar e nem ter preconceito contra esse problema de saúde, que é real e muito atual. Recebemos uma egressa do PPGVIDA, para falar um pouco com a nossa comunidade, sobre onde e como procurar ajuda e, como lidar com essas diferenças pessoais, como podemos ter um ambiente de trabalho agradável, e prezar pelo bem-estar de todos”, destaca.
Glenda explica que a ação é um bom indicativo de que a Instituição possibilita aos colaboradores, momentos de reflexão. “Esse é um mês em que a gente precisa intensificar essas ações. A Fiocruz é um Instituição que trabalha com saúde, e trazer essa temática para o diálogo junto aos trabalhadores é super importante, pois demonstra o olhar para todos os que estão aqui. É sempre importante lembrar que precisamos falar sobre prevenção ao suicídio, autocuidado, autoconhecimento, possibilitando através dessas informações que as pessoas possam olhar mais para si e se tornarem protagonistas das suas vidas”.
Glenda é graduada em enfermagem pela Universidade do Estado do Amazonas; especialista em urgência e emergência, pela faculdade Delta; especialista em saúde mental, pela Universidade do Estado do Amazonas e Mestra em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia, pelo ILMD Fiocruz/Amazônia (2022). A palestrante atua como tutora docente ILMD. Realiza atendimento particular em saúde mental e disfunções do assoalho pélvico. Possui experiência como professora assistente e preceptora na área de Bacharelado em Saúde Pública e enfermagem em Saúde mental.
A Fiocruz Amazônia, está engajada nas ações do Setembro Amarelo, campanha mundial de conscientização sobre a prevenção do suicídio. Através destas atividades, a Unidade destaca a importância de cuidar da saúde mental e buscar ajuda quando necessário.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes
Fiocruz lança 2ª republicação do processo de seleção para o programa de pré-incubação de startups FioBiz
/em Imagens, Notícias /por Julio OliveiraA Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Programa de Pré-incubação Fiobiz, torna público a 2ª republicação do edital nº 01/2025 – referente ao processo seletivo para ingresso no programa de pré-incubação de startups FioBiz, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). A republicação apresenta correção no cronograma do edital.
Confira AQUI republicação.
O projeto FioBiz é uma iniciativa do ILMD/Fiocruz Amazônia, de capacitação e mentorias para a inovação e o desenvolvimento de produtos e serviços de base tecnológica na área da saúde, com duração de 12 semanas. Inteiramente gratuito, o Programa de Pré-incubação FioBiz é realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – Fapeam, por meio do EDITAL N. º 011/2023 – Programa De Apoio à Incubadoras – PRÓINCUBADORAS. O presente Edital, convida os (as) interessados (as) a apresentarem proposta, nos termos estabelecidos.
As equipes aprovadas serão submetidas às sessões de capacitação com atividades teóricas e práticas de participação obrigatória, além das mentorias que visam apoiar o desenvolvimento integral de seus modelos de negócios. Serão 12 semanas de atividade, envolvendo: treinamentos, workshops, palestras, mentorias e avaliações que possibilitem mensurar o desempenho de cada equipe.
O Programa de Pré-incubação Fiobiz será realizado de forma hibrida, nas dependências do ILMD/Fiocruz Amazônia e de forma on-line. O processo de seleção envolve as seguintes etapas, sendo cada uma em caráter eliminatório: Análise da documentação; Análise da proposta de negócio, com base no pitch deck; Entrevista e apresentação da proposta para o Comitê de Avaliação; Assinatura do termo de compromisso e início das atividades.
Nessa edição do Programa de Pré-incubação Fiobiz serão disponibilizadas 05 (cinco) vagas, a serem preenchidas em ordem decrescente, pelas empresas classificadas nas etapas anteriores. Os empreendedores selecionados serão comunicados por e-mail e listagem divulgada no site institucional do ILMD, e deverão assinar o termo de compromisso em até 5 dias corridos, sob pena de desistência. O resultado final do processo seletivo, será divulgado no dia 13/10. As atividades iniciam no dia 20 de outubro.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia realiza a primeira reunião da Comissão Executiva local para o X Congresso Interno da Fiocruz
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) está engajado no processo de preparação do X Congresso Interno da Fiocruz, que acontecerá no próximo mês de dezembro. Eleita na última reunião do Conselho Deliberativo da unidade, a Comissão Executiva do ILMD/Fiocruz Amazônia para o X Congresso Interno realizou, no último dia 26/09, a sua primeira reunião com a finalidade de discutir a formação/definição da Comissão Eleitoral, bem como estratégias para divulgar, sensibilizar/motivar e envolver a comunidade nas atividades de estudos/debates acerca das três teses do congresso e definir os papeis dos integrantes da comissão executiva e como se dará a participação de cada membro nos debates/encontros de discussão e Assembleia Geral.
A reunião contou com as presenças do vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação, Cláudio Peixoto; a chefe do Serviço de Gestão do Trabalho, Luciene Araújo; o chefe do Serviço de Gestão da Tecnologia da Informação, Carlos Fabricio (on line); a servidora Anizia Aguiar, coordenadora do Programa de Vocação Científica;;Elen Martins, representante da Associação dos Pós-Graduandos (APG) da Fiocruz Amazônia, e os colaboradores Ivis Cabral Rodrigues e Helter Luiz Rabelo Brito, representando os trabalhadores e trabalhadoras terceirizados (as). Entre as deliberações, a Comissão Executiva definiu que serão realizadas visitas aos setores para mobilização dos trabalhadores para as reuniões e a divulgação de cards por meio dos grupos de whatsapp para informar sobre os encontros.
A comissão entende que caberá à diretoria do ILMD/Fiocruz Amazônia os encaminhamentos para a formação da Comissão Eleitoral e decidiu organizar a participação dos integrantes dividindo a equipe por tarefas (coordenação, relatoria e revisão) para cada debate sobre as Teses 1, 2 e 3, previstos para ocorrer, respectivamente, nos dias 29/09, 06/10 e 10/10, na Sala 101, no horário das 14 às 17h. Ficou definida como metodologia de trabalho durante as reuniões a leitura prévia do texto, apresentação do contexto, motivações e objetivo do X Congresso Interno. O coordenador do debate apresenta na tela a Tese e suas Diretrizes, e explica as regras de participação. Após a apresentação da Tese, o coordenador abre para o debate e análise de cada uma das Diretrizes. A comunidade pode fazer sugestões de supressão, alteração etc., com um tempo de fala estipulado em dois minutos mais um minuto para finalização.
A Comissão Executiva definiu a agenda de encontros periódicos. Eles acontecerão nos dias 3, 7 e 20/10, no horário das 8h às 12h. O primeiro com o objetivo de analisar e distribuir o documento organizado pela relatoria; o segundo, após a reunião do Seminário Preparatório (no YouTube), irá analisar e distribuir o documento organizado pela relatoria a respeito de debate da Tese 2; o terceiro, para consolidar os documentos que irão para a assembleia do dia 21/10. Todos devemos estar atentos ao Calendário Institucional para cumprir o envio das contribuições ao e-mail definido pela diretoria.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa