COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Fiocruz Amazônia participa de visita do ministro da Saúde Alexandre Padilha ao Barco Hospital São João XXIII na COP30
/em Notícias /por Julio OliveiraBELÉM (PA) – A Fiocruz Amazônia acompanhou, nesta terça-feira (12/11), a visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao Barco Hospital São João XXIII, embarcação da Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, que participa das atividades da COP30, em Belém (PA).
A Associação Franciscana mantém atualmente duas embarcações-hospitais em operação na Amazônia: o Barco Hospital Papa Francisco, em parceria com o Governo do Pará, e o Barco Hospital São João XXIII, que atua em cooperação com o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM). Ambas estão em Belém durante a COP30, apresentando o modelo de atenção fluvial especializada que leva equipamentos e serviços de média e alta complexidade diretamente às populações amazônicas.
Durante a visita, o ministro Alexandre Padilha destacou a importância dessas embarcações como instrumentos estratégicos de ampliação do acesso à saúde especializada, levando o cuidado até as pessoas — e não o contrário. Reconhecendo o impacto desse modelo, o ministro anunciou que o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde (MS), garantirá apoio financeiro à manutenção das ações das embarcações-hospitais, fortalecendo essa estratégia inovadora de atenção à saúde na Amazônia.
O ministro foi recepcionado pela equipe da Associação Franciscana, pela secretária de Estado da Saúde do Amazonas, Nayara Maksoud, pela secretária de Estado da Saúde do Pará, Ivete Vaz, pela diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes e pela equipe de profissionais de saúde que atuam na unidade.
Modelo de atenção fluvial especializada
Com 48 metros de comprimento e quatro pavimentos, o Barco Hospital São João XXIII oferece estrutura hospitalar completa, com consultórios médicos, odontológicos e oftalmológicos, centro cirúrgico, salas de vacinação e medicação, leitos de enfermaria e internação, além de equipamentos modernos de diagnóstico, como raio-X digital, ultrassom/ecocardiograma, mamógrafo digital e eletrocardiograma —, laboratório de análises clínicas e farmácia para dispensação de medicamentos.
A embarcação foi construída pela Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, com apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) e outras instituições, e atua por meio de convênio com o Governo do Amazonas. As expedições fluviais são realizadas regularmente, levando a estrutura hospitalar até as comunidades ribeirinhas e indígenas que não dispõem de serviços de atenção especializada, ampliando o alcance do Sistema Único de Saúde (SUS) na região.
UBS Fluviais e o papel da Fiocruz Amazônia
Durante sua fala, o ministro Alexandre Padilha também ressaltou a importância da Atenção Primária na Amazônia e o papel da Fiocruz Amazônia no Projeto Diagnóstico Situacional das Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) — estudo que embasará o lançamento, durante a COP30, de um novo modelo de UBS Fluvial a ser implementado em toda a região amazônica.
O projeto, financiado pelo Ministério da Saúde, visa identificar as condições de funcionamento das UBSF que recebem recursos federais, subsidiando ações de revitalização, ampliação da oferta de serviços e qualificação das equipes de Saúde da Família.
A primeira fase foi conduzida pelo Projeto Saúde e Alegria, em parceria com a Fiocruz Amazônia, abrangendo 53 UBSF em 51 municípios da Amazônia Legal e do Pantanal. Já a segunda fase, coordenada pela Fiocruz Amazônia, aprofunda o diagnóstico técnico e operacional e propõe um novo modelo de unidade fluvial de atenção primária, mais adaptado às realidades territoriais e culturais da região.
O projeto é coordenado pelo pesquisador em Saúde Pública Rodrigo Tobias e pela vice-diretora de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Michele El Kadri, ambos presentes na visita ministerial.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Foto: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Palestra ofertada pelo Cento de Estudos da Fiocruz Amazônia discutirá o papel da biodiversidade amazônica na segurança alimentar
/em Notícias /por Carlos GomesA Amazônia concentra os piores índices de segurança alimentar do Brasil, apresentando taxas de anemia infantil, seis vezes superiores à média nacional, e algumas das maiores concentrações de mercúrio em populações humanas do mundo. Paradoxalmente, esta mesma região abriga uma das maiores riquezas de biodiversidade alimentar do planeta, tanto em termos biológicos quanto nutricionais.
Para apresentar estudos acerca do tema, o Centro de Estudo do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia), apresenta na próxima sexta-feira, 14/11, às 10h (horário de Manaus), a palestra “O papel da biodiversidade amazônica na segurança alimentar”, a ser ministrada por Daniel Joseph Tregidgo, pesquisador no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.
“Nesta palestra, discutirei como o consumo da biodiversidade alimentar amazônica – peixes, caça, frutas e hortaliças – impacta a saúde das populações tradicionais, apresentando evidências no contexto de nutrição, contaminação por metais pesados e presença de plásticos. Também exploraremos como esses alimentos podem ser melhor aproveitados para promover saúde, por meio da integração entre pesquisa interdisciplinar, conhecimentos tradicionais, políticas públicas, educação alimentar e nutricional e culinária regional”, explica Tregidgo.
A atividade será transmitida via plataforma Zoom, por meio do link: https://us06web.zoom.us/j/88213133635?pwd=vStBipkUNyMb2gqWxpxibN86a5R873.1 utilizando ID da reunião (882 1313 3635) e senha de acesso (641852). A palestra terá como mediador, o pesquisador do ILMD / Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, chefe do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI).
SOBRE O PALESTRANTE
Graduado em Ciências Biológicas pela Lancaster University, Daniel é mestre em Ecologia e Gestão Ambiental pela University of York e doutor de dupla-titulação em Ecologia Aplicada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Lancaster University. Realizei pós-doutorado na UFLA.
É pesquisador no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, uma Organização Social fomentada e supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Há mais de uma década, trabalha com o estudo interdisciplinar de segurança alimentar e ecologia em comunidades tradicionais da Amazônia, em estreita colaboração com nutricionistas, químicos ambientais, gestores ambientais, profissionais de saúde e as comunidades tradicionais.
Sua pesquisa busca entender, como o consumo da sociobiodiversidade afeta a segurança alimentar dessas populações, com foco atualmente na medição de micronutrientes e mercúrio em táxons e regiões negligenciados.
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.
Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.
ILMD Fiocruz Amazônia, Por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento, ILMD Fiocruz Amazônia
Divulgado o resultado dos recursos e resultado definitivo da 2ª Etapa do processo seletivo do curso de mestrado do PPGVIDA
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), divulgou o resultado dos recursos e resultado definitivo da 2ª Etapa (prova escrita) do processo de seleção pública de candidatos, para ingresso no Curso de Mestrado Acadêmico do Programa de Pós -Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), turma 2026.
Confira AQUI o resultado.
O ingresso ao Curso de Mestrado é realizado mediante processo seletivo, composto das seguintes etapas: 1ª Etapa – Homologação das inscrições; 2ª Etapa – Avaliação de conhecimentos em Saúde Coletiva – Prova de múltipla escolha (prova presencial); 3ª Etapa: Avaliação do Currículo Lattes documentado; 4ª Etapa – Prova Oral – Conhecimento Específico e Carta de Apresentação (prova de forma remota). Todas as etapas do processo seletivo são eliminatórias.
O Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia – PPGVIDA possui uma única área de concentração: “Determinantes Socioculturais, Ambientais e Biológicos do Processo Saúde-Doença-Cuidado na Amazônia” e, esta área, possui duas linhas de Pesquisas: Fatores sócio biológicos no processo saúde -doença na Amazônia; Processo Saúde, Doença e Organização da Atenção a populações indígenas e outros grupos em situações de vulnerabilidade.
A divulgação do resultado final está prevista para o dia 5/12/2025. As aulas iniciam no dia 5 de março de 2026.
SOBRE PPGVIDA
O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
O programa também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz participa do lançamento da Rede Saúde e Clima Brasil na Embaixada dos Povos na COP 30
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) é uma das 16 instituições que integram a Rede Brasil Saúde e Clima, fórum formado por instituições públicas e entidades da sociedade civil, academia e governo, com o objetivo de debater e propor soluções para os impactos das mudanças climáticas na saúde pública no Brasil. A Rede será lançada na próxima terça-feira, 11/11, às 15h, na Embaixada dos Povos, durante a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), em Belém (PA), com a participação dos representantes da Fiocruz presentes ao evento. “A Fiocruz, em especial a Fiocruz Amazônia, tem participado diretamente do processo de construção dessa rede nacional, que funcionará como uma comunidade de práticas colaborativas”, afirma o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias, que estará no lançamento junto com a comitiva da Fiocruz Amazônia presente à COP 30.
“A Rede Saúde e Clima atuará na defesa da tese de que a crise climática é também uma crise de saúde pública, sobretudo do ponto de vista dos direitos humanos e dos direitos da natureza. Ela nasce como uma comunidade de prática colaborativa, plural e nacional, que atua de forma coesa e politicamente incidente. Somos um espaço que conecta conhecimento científico, saberes transdisciplinares, intergeracionais e participativos, fortalecendo a ação coletiva para prevenir e enfrentar os impactos das mudanças climáticas na saúde”, enfatiza Tobias.
O pesquisador reforça que o objetivo será fortalecer a ação coletiva de enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas na saúde, utilizando a expertise da Fiocruz por meio da conexão entre seus projetos de pesquisa e os saberes interdisciplinares. “A Rede vai fortalecer a articulação de várias vozes com base na ciência e sobretudo no conhecimento tradicional para que que possa promover então a justiça socioambiental e climática”, observa, acrescentando que a Rede será formada por instituições regionais, nacionais e internacionais, tendo como parceiros organizações da sociedade civil, movimentos sociais e, também, de coletivos territoriais.
“São membros participantes dessa Rede a Fiocruz, Abrasco, Uma Concertação pela Amazônia, Associação Beiradeiro, Instituto Mamirauá, Instituto Árvores Vivas, Médicos Sem Fronteiras, neste caso membro observador, que, por natureza, se posiciona institucionalmente, sem exercer função deliberativa dentro da coletivo”, frisou Rodrigo, salientando a relevância da Rede no pós-COP. “Entendemos que podemos desenvolver um conjunto de ações integradas sobretudo com base nos territórios, promovendo debates sobre a temática e subsidiando o processo de tomada de decisão dos gestores no campo da saúde pública com base em evidências e narrativas das comunidades”. Entre as atividades principais da Rede Saúde e Clima estão: advocacia e incidência política, conscientização e mobilização social, desenvolvimento de políticas públicas e integração de conhecimentos.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Foto: Michell Mello / Fiocruz Amazônia Revista
Fiocruz Amazônia presente na lista dos 107 pesquisadores brasileiros que mais influenciam políticas públicas no Mundo
/em Notícias /por Julio OliveiraDois cientistas do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) estão entre os pesquisadores brasileiros que mais influenciam políticas públicas, segundo levantamento publicado nesta quinta-feira, 6/11, pela Agência Bori. O virologista Felipe Gomes Naveca e o médico infectologista Marcus Vinicius Guimarães Lacerda figuram no relatório, realizado em parceria pela Agência Bori e a Overton, uma plataforma internacional que trabalha com ciência e políticas públicas. A lista, divulgada a quatro dias do início da COP30, reúne, no total, 107 nomes de pesquisadores brasileiros que direta ou indiretamente têm participação na tomada de decisões relativas a políticas públicas, considerando menções em documentos estratégicos, relatórios técnicos e pareceres usados por governos, organismos internacionais e organizações da sociedade civil.
Além deles, o levantamento cita outros nove pesquisadores de instituições sediadas na Regão Norte, especificamente nos estados do Amazonas e Pará, correspondendo a 10,3% do total de pesquisadores citados. Entre os pesquisadores da lista constam nomes vinculados a outras instituições amazônicas como o do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Museu Emilio Goeldi, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e Imazon. Para chegar à lista, Bori e Overton identificaram os cientistas com, pelo menos, 150 citações em documentos estratégicos. Outro nome citado no levantamento foi o do pesquisador visitante sênior da Fiocruz Amazônia, Bernardo Horta, professor da Universidade Federal de Pelotas (RS).
Para a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, a presença da região nesse levantamento denota a importância estratégica desse território para o mundo e a necessidade de termos políticas públicas territorializadas. “É um orgulho ver o reconhecimento do trabalho de nossos pesquisadores”, frisou a diretora.
Felipe Naveca é pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz desde 2008 e tem uma contribuição decisiva para o desenvolvimento das ações de vigilância genômica e controle de doenças no Brasil, com impacto importante no enfrentamento à Covid-19 e às arboviroses. É membro da Rede Genômica Fiocruz, da Rede Genômica de Vigilância em Saúde do Amazonas (Regesam), da Rede Global de Laboratórios de Febre Amarela OMS. Também é membro da Rede de Laboratórios de Diagnóstico de Arbovírus das Américas – Opas/OMS e curador da Coleção Biológica de Vírus da Fiocruz.
Marcus Lacerda é especialista em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, pesquisador da FMT-HVD e professor adjunto da University of Texas Medical Branch (UTMB). Tem como principais focos de pesquisa malária, HIV, histoplasmose, arboviroses, acidentes ofídicos, Covid-19 e outras doenças emergentes. Suas contribuições mais recentes à inovação em saúde pública foram a implementação de profilaxia pré-exposição (PREP) para HIV, a implementação de tafenoquina em dose única para a cura radical de malária vivax, e a implementação da coleta de tecidos post mortem (MITS) para estudo de causas de morte.
Os dados do relatório da Bori e Overton mostram que a produção desses pesquisadores embasou mais de 33,5 mil documentos de políticas públicas publicados desde 2019. Um quarto dos nomes (22) é da Universidade de São Paulo (USP). Os dados também evidenciam desigualdades. Há baixa presença de mulheres entre os pesquisadores do Brasil que mais influenciam políticas públicas: das 107 pessoas mapeadas, apenas 22 são mulheres (20,5%).
Esse é o sétimo relatório publicado pela Bori com parceiros. Documentos anteriores, desenvolvidos com a editora científica Elsevier, revelaram queda inédita na produção científica brasileira e mostraram a distribuição de gênero na produção do país. A ideia dessas publicações é tirar retratos sistemáticos e periódicos da produção brasileira para contribuir com o debate público.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Michell Mello / Fiocruz Amazônia Revista
Divulgado o resultado preliminar da 2ª Etapa do processo seletivo do curso de mestrado do PPGVIDA
/em Notícias /por Carlos GomesO Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), divulgou o resultado preliminar da 2ª Etapa (Prova Escrita), do processo de seleção pública de candidatos, para ingresso no Curso de Mestrado Acadêmico do Programa de Pós -Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), turma 2026.
Confira AQUI o resultado.
O ingresso ao Curso de Mestrado é realizado mediante processo seletivo, composto das seguintes etapas: 1ª Etapa – Homologação das inscrições; 2ª Etapa – Avaliação de conhecimentos em Saúde Coletiva – Prova de múltipla escolha (prova presencial); 3ª Etapa: Avaliação do Currículo Lattes documentado; 4ª Etapa – Prova Oral – Conhecimento Específico e Carta de Apresentação (prova de forma remota). Todas as etapas do processo seletivo são eliminatórias.
O Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia – PPGVIDA possui uma única área de concentração: “Determinantes Socioculturais, Ambientais e Biológicos do Processo Saúde-Doença-Cuidado na Amazônia” e, esta área, possui duas linhas de Pesquisas: Fatores sócio biológicos no processo saúde -doença na Amazônia; Processo Saúde, Doença e Organização da Atenção a populações indígenas e outros grupos em situações de vulnerabilidade.
A divulgação do resultado final está prevista para o dia 5/12/2025. As aulas iniciam no dia 5 de março de 2026.
SOBRE PPGVIDA
O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
O programa também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia e Casa de Oswaldo Cruz realizam primeira etapa do 2º Seminário Brasil-Colômbia de História da Ciência e da Saúde
/em Notícias /por Julio OliveiraA primeira parte do 2º Seminário Brasil-Colômbia de História das Ciências e da Saúde foi realizada nos dias 3 e 4 de novembro de 2025, na Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), no Rio de Janeiro. As atividades ocorreram no Salão de Conferência Luiz Fernando Ferreira, no CDHS do Campus Fiocruz Manguinhos. O evento foi realizado em modalidade híbrida, com participação presencial e transmissão online, como uma atividade interdisciplinar do curso Diálogos Latino-Americanos em Ciência, Saúde e Ambiente, promovido pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e a COC/Fiocruz. O tema central do evento – “Epidemias, políticas de saúde, desenvolvimento e mudanças climáticas na América Latina” – buscou aprofundar as discussões sobre a interface entre história, ciência, saúde e ambiente na região, com um olhar comparativo entre Brasil e Colômbia.
O seminário reuniu pesquisadores de instituições brasileiras e colombianas, incluindo docentes visitantes da Universidade de Antioquia e da Universidade Nacional da Colômbia, sede Medellín. De acordo com o vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz Amazônia, Cláudio Peixoto, o evento é também uma conjunta dos programas de pós-graduação em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS/COC), Saúde Pública na Amazônia (DASPAM), Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA/Fiocruz Amazônia), Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação/Fiocruz Amazônia) e do Programa de Mestrado em História da Universidade de Antioquia (PMHUdeA), envolvendo um público de acadêmicos, estudantes de pós-graduação e profissionais da área.
No primeiro dia, foram apresentados os temas “Amazônia na era do desenvolvimento”, e “Ciência, guerra e diplomacia: desenvolvimento e uso da penicilina durante a Segunda Guerra Mundial”. O seminário incluiu também uma visita às instalações da Casa de Oswaldo Cruz e do Castelo Mourisco. No dia 04/11, pela manhã os temas foram “Conciencia Sanitaria en Colombia: La Campaña Preantibiótica contra el Pian”, “Saberes expertos sobr protección social de los trabajadores rurales en Colombia (1910–1960)”, “Uma história dos Alcoólicos Anônimos no México (1956–1986): saúde local a partir de um movimento global”, “História dos agrotóxicos e da agroecologia no Brasil” e “Uma breve história do sangue no Brasil: história, raça, doença e populações no século XX”.
Participaram Dominichi Miranda de Sá (COC/Fiocruz), Cláudio Peixoto (ILMD/Fiocruz), Rômulo de Paula Andrade (COC/Fiocruz) e Emmanuel Alejandro Giraldo Granada (Universidade de Antioquia). Victoria Estrada Orrego (UNAl), Óscar Fernando Gallo Vélez (UdeA), Alejandro Salazar Bermúdez (UdeA), Leonardo Lignan (Cefet RJ), Julia Gorg (COC/Fiocruz) e Juliana Manzoni (COC/Fiocruz). Os debates em ambos os dias foram mediados por Denis Jogas Jr. (COC/Fiocruz). “As apresentações cobriram áreas como saúde pública, políticas sanitárias, história social da medicina, história ambiental e biopolítica”, observa Peixoto.
Foram abordadas temáticas ligadas à influência de eventos globais (Segunda Guerra Mundial) na ciência local, à história das políticas sanitárias (especialmente campanhas contra doenças), à proteção social no campo, movimentos de saúde comunitária (Alcoólicos Anônimos), ao impacto dos agrotóxicos e à história social do sangue, promovendo um debate sobre os temas. “A realização do evento se utilizou da abordagem histórica para entender os desafios atuais da saúde e do ambiente na América Latina, a necessidade de perspectivas comparadas para identificar particularidades e universalidades nas experiências regionais, e o papel das políticas públicas e da inovação científica na resposta a crises sanitárias e ambientais”, explica Peixoto. A programação do 2º Seminário Brasil-Colômbia de História das Ciências e da Saúde terá continuidade nos dias 10 e 11 de novembro de 2025, na Fiocruz Amazônia, em Manaus.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia participa do Painel Contribuições da Comunidade Cientifica e Tecnológica da Amazônia para a Agenda de Ação do Brasil na COP 30
/em Notícias /por Julio OliveiraEstudos e projetos de pesquisa desenvolvidos pela Fiocruz Amazônia servirão de base para a formulação de propostas que deverão compor a Agenda de Ação do Brasil na COP 30. O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) foi convidado a participar do Painel Contribuições da Comunidade Cientifica e Tecnológica da Amazônia, que acontecerá nos dias 12 e 15 /11, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável (CDESS), vinculado à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. O primeiro evento acontecerá no Museu das Amazônias, dia 12/11, no Porto Futuro, bairro Reduto, e o segundo, dia 15/11, na Green Zone, COP 30, em Belém (PA), ambos das 10h às 12h.
O Painel tem como objetivo reunir representantes da comunidade científica, governos, setor privado, sociedade civil e povos tradicionais da Amazônia para debater e apresentar soluções tecnológicas, sociais e ambientais que contribuam diretamente para a Agenda de Ação do Brasil na COP30. Durante a programação, será apresentado o documento técnico resultante do Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia com a Presidência da COP30, realizado em agosto de 2025, contendo recomendações estratégicas para a política nacional de mudança do clima e para as negociações internacionais.
O material reforça o papel da Amazônia como celeiro de inovação e sustentabilidade global. Na sequência, ocorrerá a apresentação do Livro “Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia”, seguida da exposição dos convidados. Após as exposições, será aberta uma plenária para contribuições dos participantes e definição de encaminhamentos voltados a ações futuras de integração entre ciência, política climática e diplomacia ambiental, à inserção das soluções amazônicas nas negociações e resultados da COP30, bem como à valorização da produção científica e tecnológica da Amazônia no cenário internacional.
A diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, atuará como expositora do painel. Segundo ela, a Fiocruz definiu a Saúde como eixo orientador da ação climática global em Carta Aberta para a COP30. O documento norteará as contribuições à Agenda de Ação do Brasil na COP30, com 11 recomendações para a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30).
A posição da Fiocruz Amazônia é de defesa do protagonismo das instituições acadêmicas e de pesquisa da região amazônica na tomada de decisões relativas ao processo de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas na região, principalmente no tocante ao impacto sobre a saúde das populações dos campos, florestas e águas. Desde 2015, o ILMD/Fiocruz Amazônia vem se dedicando à pesquisa em saúde na região amazônica, com foco nas populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas. O processo passa necessariamente pelo resgate e valorização dos saberes tradicionais, vigilância e pesquisa em saúde e formação de recursos humanos, pilares da atuação da Fiocruz Amazônia
A Carta Aberta da Fiocruz, aprovada durante reunião do Conselho Deliberativo (CD) da Fundação, alerta que “a crise climática é, antes de tudo, uma crise de saúde”. Diante de sua tradição nos estudos da relação entre Clima e Saúde, a Fiocruz assinala que é “imperativo que a saúde seja tratada como eixo orientador da ação climática global”. Entre algumas das principais recomendações feitas pelo CD da Fiocruz estão: dar centralidade à saúde e suas determinações socioambientais nas políticas climáticas; fortalecer a resiliência dos sistemas de saúde; promover a justiça climática e socioambiental; ampliar a cooperação nacional e internacional e a participação social; além do diálogo de saberes e garantir financiamento climático para a saúde.
As propostas trazidas na Carta destacam a centralidade da vida e dos territórios como referência para as decisões globais e locais, ressaltando que a proteção da saúde humana e ambiental deve orientar compromissos, políticas e investimentos. O texto busca, portanto, oferecer diretrizes capazes de influenciar a agenda internacional e nacional, fortalecendo a justiça social e ambiental, a solidariedade entre os povos e a construção de respostas coletivas à altura dos desafios do nosso tempo.
“As mudanças climáticas ampliam doenças transmissíveis e crônicas, comprometem o acesso e a qualidade da água, dos alimentos e do ar, fragilizam territórios e intensificam sofrimentos psicossociais”, destaca o texto. “Esses efeitos se acumulam e pressionam os serviços de saúde com demandas simultâneas, interrupções e sobrecarga, evidenciando que não se trata apenas de um desafio ambiental, mas de uma ameaça direta à saúde coletiva e à sustentabilidade socioambiental”.
A elaboração da carta é resultado de um processo coletivo, participativo e institucionalizado no âmbito da Fiocruz, refletindo o compromisso da instituição com a construção democrática de agendas estratégicas. Para Stefanie Lopes, a COP30 é uma oportunidade histórica para reposicionar a Amazônia como protagonista das soluções climáticas do planeta. “No Encontro da comunidade científica e tecnológica da Amazônia com o embaixador da COP30 André Corrêa do Lago, mostramos que a ciência produzida aqui é estratégica para que o Brasil cumpra seus compromissos climáticos”, afirma Stefanie, que é pesquisadora especialista em malária.
“A Fiocruz, instituição nacional presente na Amazônia desde o início da sua história e há 30 anos com sede na região, reafirma que falar de clima é falar de vidas. É reconhecer que secas extremas, inundações, queimadas e perda de biodiversidade já estão afetando a saúde das populações amazônicas, ampliando desigualdades e ameaçando o bem-estar de milhões”, enfatizou.
A Fiocruz defende a saúde como pilar da agenda climática: saúde planetária, que une justiça socioambiental, proteção da biodiversidade e qualidade de vida para todos. “A ciência feita na e para a Amazônia é um chamado à ação — e a COP30 precisa ouvir essa voz”, reforça a pesquisadora. Além de Stefanie Lopes, compõem o grupo da Fiocruz Amazônia na COP 30 os pesquisadores em Saúde Pública Michele Rocha El Kadri, vice-diretora de Pesquisa e Inovação da instituição; Rodrigo Tobias de Lima, pesquisador do Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (Lahpsa); Jose Joaquin Carvajal Cortes, pesquisador do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (Legepi); Luciete Almeida, responsável pelo Núcleo de Bacteriologia do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS); Rita Bacuri, pesquisadora social vinculada ao Laboratório Instituto de Pesquisa Clínica Carlos Borborema (IPCCB) e Mayra Farias, pesquisadora bolsista do Lahpsa.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Imagem: Mackesy Nascimento