COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Fiocruz lança a Rede de Observatórios de Vigilância Digital e Prevenção ao Feminicídio com entrega de espaço dedicado ao monitoramento de feminicídios na Amazônia Ocidental
/em Notícias /por Julio OliveiraÀs vésperas do Dia Internacional da Mulher, 8/03, o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realizará, em período integral, na sexta-feira, 6/03, o Seminário Amazônico sobre Vigilância Inteligente do Feminicídio, marcando o lançamento da estratégia Vigifeminicídio e a entrega do primeiro centro de inteligência epidemiológica focado em feminicídios do Brasil, espaço físico que abrigará o primeiro observatório com tecnologia da informação e protocolos voltados especificamente para o monitoramento inteligente de assassinatos femininos na Amazônia Ocidental, cuja sede funcionará oficialmente no ILMD/Fiocruz Amazônia. O espaço físico de referência para a Rede Vigifeminicídio está localizado no Prédio Rio Solimões, anexo 1 do ILMD/Fiocruz Amazônia e contará com o apoio dos Observatórios da Estratégia de Vigilância Digital e de Prevenção ao Feminicídio instalados nas capitais Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Boa Vista (RO) e Manaus (AM), além da frente carioca que monitora os óbitos da capital fluminense, Rio de Janeiro (RJ).
O seminário será o primeiro de vários previstos pela Rede Vigifeminicídio, com a finalidade de apresentar resultados inéditos e recomendações estratégicas à sociedade no tocante aos feminicídios, contribuindo ao aperfeiçoamento de políticas públicas sobre prevenção e combate ao negligenciado problema da violência contra a mulher, sobretudo dos feminicídios. O evento contará com as presenças de representantes da Diretoria de Promoção a Direitos da Secretaria Nacional de Acesso à Justiça, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Coordenação-Geral do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero, do Ministério das Mulheres, Ministério da Saúde, Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (TO), Ministério Público do Estado de Rondônia, Escola Judicial do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, Defensoria Pública do Estado do Amazonas, Ministério Público Estadual do Amazonas, Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher, Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM), Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
O seminário acontecerá das 9h às 17h e está sendo promovido pelo Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI), sob a coordenação do pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, que é epidemiologista e coordenador da Rede de Observatórios Vigifeminicídio. De acordo com Orellana, o intuito é reunir integrantes e colaboradores (as) dos observatórios já existentes, com a participação de representantes de movimentos sociais, colaboradoras de outras regiões do Brasil, imprensa especializada e órgãos públicos estaduais, para apresentar as estratégias de atuação da Rede e reforçar a importância do trabalho interinstitucional para o êxito da iniciativa.
SISTEMA FEMIBOT
“Além do lançamento oficial da estratégia Vigifeminicídio, iremos apresentar resultados preliminares das distintas frentes de trabalho nas capitais que compõem a Rede, as quais estão além de contagens e fatores de risco. Também teremos debates em mesas redondas temáticas, no intuito de contribuirmos para a redução da violência de gênero, em particular do seu mais trágico desfecho, o feminicídio”, afirma Jesem Orellana. Segundo ele, a iniciativa está focada em feminicídios no Brasil, com forte componente interdisciplinar e capacidade instalada para gerar dados robustos e confiáveis, antes mesmo dos controversos apresentados pelo poder público. O evento marcará também o lançamento do sistema FemiBot, que permitirá o uso de modernas e efetivas estratégias de captura e armazenamento de dados “online” sobre assassinatos femininos, disponibilizado pela Fiocruz.
“Neste sentido, esperamos entregar à sociedade uma estratégia ágil, com protocolos claros e padronizados, com baixo custo operacional e, principalmente, replicável em distintos cenários, apta à oportuna e contínua disseminação de dados, facilitando a tomada de decisão baseada em evidências”, explicou.
HISTÓRICO
Recentemente, a Lei 14.994 de 2024, tornou o crime de “feminicídio” como um tipo penal independente, não somente facilitando a classificação do crime, como conferindo-lhe a maior pena da legislação brasileira (até 40 anos). O termo é usado para classificar o assassinato de uma mulher quando este é motivado pelo fato dela ser mulher (misoginia, menosprezo pela condição feminina ou discriminação de gênero). Por meio do LEGEPI, a Rede Vigifeminicídio vem se fortalecendo desde então, a partir da realização de pactuações com movimentos sociais e instituições de ensino e pesquisa, e a realização de treinamentos de captura inteligente de dados para os seus integrantes.
Em 2025, ocorreram os primeiros treinamentos nas sedes das Universidades Federal do Acre, em Rio Branco, e Federal de Rondônia, em Porto Velho, com a participação de docentes, discentes, representantes da coordenação do Programa de Pós-Graduação e representantes de instituições públicas e organizações não-governamentais ligadas à temática. Ainda em 2025, iniciou-se a consolidação dos “trabalhos de campo virtuais” em Boa Vista (RR) e na capital do Rio de Janeiro (RJ).
POLÍTICAS PÚBLICAS
Para a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, a criação do centro de inteligência epidemiológica voltado ao feminicídio se configura numa importante contribuição da Fiocruz ao processo de formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher que assola o País. Em entrevista recente à revista eletrônica Uma Concertação Pela Amazônia, Stefanie ressaltou que existem diversas situações em que os órgãos públicos têm dificuldade em distinguir as mortes de mulheres como feminicídios. “Um exemplo é o de mulheres envolvidas com o tráfico de drogas, cenário em que muitas são assassinadas, por exemplo, ao tentar romper um relacionamento. Porém, pelo contexto de crime organizado em que vivem, suas mortes não recebem o tratamento de feminicídio, o que agrava o cenário de subnotificação”, afirmou.
A diretora esclareceu também que há uma dificuldade inerente ao registro dos feminicídios nos prontuários e outros documentos do sistema de saúde, pois o feminicídio não é um “diagnóstico” propriamente, e sim uma “narrativa” que requer certa dose de interpretação dos dados. “A subnotificação tem graves consequências: sem dados confiáveis, não conseguimos desenvolver políticas públicas eficazes para prevenção e enfrentamento. A sociedade e os profissionais de saúde muitas vezes não reconhecem as mulheres em risco até que seja tarde demais, e isso perpetua um ciclo de violência”, explicou.
Para identificar os casos “invisíveis” de violência letal por gênero, o projeto se apoia num tripé temático que integra ciências humanas (geografia, demografia, antropologia e direito), saúde e engenharia da computação (que incorpora dados estatísticos com uso de inteligência artificial, por exemplo). Atualmente, Jesem Orellana coordena, na Amazônia Ocidental brasileira e na cidade do Rio de Janeiro, a Rede de Observatórios da Estratégia liderada pela Fiocruz, que vem mapeando e fazendo um inédito detalhamento, acerca das circunstâncias em que ocorrem os assassinatos femininos nas capitais da Amazônia Ocidental, bem como na capital do Rio de Janeiro (RJ).
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Imagem: Mackesy Nascimento/ Fiocruz Amazônia, Carla Batista / Fiocruz Amazônia Revista e Fotos: Michell Mello / Fiocruz Amazônia Revista e Julio Pedrosa
Fiocruz Amazônia abre inscrições para seleção de vagas de aluno especial do PPGBIO INTERAÇÃO
/em Notícias /por Carlos GomesO Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro-PPGBIO INTERAÇÃO, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazonas), através da Vice-Diretoria de Educação, Informação e Comunicação, do ILMD/Fiocruz Amazônia, estará com inscrições abertas para candidatos externos interessados nas disciplinas oferecidas para o 1º semestre de 2026. As inscrições ocorrerão no período de 20 a 24 de fevereiro de 2026.
Acesse aqui o edital.
Podem se inscrever no processo de seleção: Alunos de outros cursos de pós -graduação stricto sensu da Fiocruz; Alunos de outros cursos de pós -graduação stricto sensu de outras instituições públicas e/ou privadas; Alunos de curso de pós-graduação lato sensu da Fiocruz; Alunos de outros cursos de pós -graduação lato sensu de outras instituições públicas e/ou privadas; Candidatos com curso de pós -graduação lato sensu concluído, que não estejam no momento da inscrição fazendo outro curso de lato sensu ou cursando stricto sensu.
A divulgação da lista dos candidatos selecionados ocorrerá no dia 03 de março de 2026 e será disponibilizado no site do ILMD https://amazonia.fiocruz.br/?page_id=42573
SOBRE O PPGBIO-INTERAÇÃO
O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro é curso strictu sensu que tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro no âmbito da maior biodiversidade mundial.
O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na eco-epidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.
Estes diversos aspectos são os principais delineadores para escolha da área de concentração da Ciências Biológicas III, por esta ser uma área multidisciplinar e baseada no eixo bioquímica, genética, biológico, celular e molecular. Os alunos recebem uma formação em áreas estratégicas por sua importância e que precisam ser desenvolvidas no Estado.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Júlio Pedrosa
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia abre inscrições para seleção de vagas de aluno especial do DASPAM
/em Notícias /por Carlos GomesO Doutorado em Saúde Pública na Amazônia – DASPAM, programa em associação com o Instituto Leônidas & Maria Deane-ILMD-Fiocruz Amazônia, a Universidade Federal do Amazonas – UFAM e a Universidade Estadual do Amazonas – UEA, através da Vice-Diretoria de Educação, Informação e Comunicação, do ILMD/Fiocruz Amazônia, está com inscrições abertas para candidatos externos interessados nas disciplinas oferecidas para o 1º semestre de 2026. As inscrições ocorrerão no período de 20 a 24 de fevereiro de 2026.
Acesse aqui o edital
Podem se inscrever no processo de seleção: Alunos de outros cursos de pós -graduação stricto sensu da Fiocruz; Alunos de outros cursos de pós -graduação stricto sensu de outras instituições públicas e/ou privadas; Alunos de curso de pós-graduação lato sensu da Fiocruz; Alunos de outros cursos de pós -graduação lato sensu de outras instituições públicas e/ou privadas; Candidatos com curso de pós -graduação lato sensu concluído, que não estejam no momento da inscrição fazendo outro curso de lato sensu ou cursando stricto sensu.
A divulgação da lista dos candidatos selecionados ocorrerá no dia 03 de março de 2026 e será disponibilizado no site do ILMD https://amazonia.fiocruz.br/?page_id=42573. As disciplinas serão ministradas na sede do ILMD/Fiocruz Amazônia, situado à Rua Teresina, 476. Adrianópolis. Manaus – AM.
SOBRE O DASPAM
O curso tem como objetivo capacitar pesquisadores para exercitar análises críticas, utilizando, de forma integrada, conceitos e recursos metodológicos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais aplicadas à saúde, e de outras áreas conexas; Desenvolver modelos analíticos de processos de saúde/doença/cuidados, tomando como referência o quadro epidemiológico, econômico, sócio antropológico, histórico, biológico e ambiental no cenário regional e suas interfaces com os contextos nacional e internacional de globalização da Amazônia; contribuir, teórica e tecnicamente, para a formulação, implementação e gestão de políticas setoriais, bem como atuar, neste campo, na docência e na pesquisa.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia abre inscrições para seleção de Aluno Especial
/em Notícias /por Carlos GomesO Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas & Maria Deane, através da Vice-Diretoria de Educação, Informação e Comunicação, estará com inscrições abertas para candidatos externos interessados nas disciplinas oferecidas para o 1º semestre de 2026. Os interessados podem se inscrever entre os dias 20 e 24 de fevereiro de 2026.
Ao participar do processo seletivo, a pessoa candidata concorda com o Termo de Proteção de Dados para Processos Seletivos dos Cursos e Programas de Pós-graduação da Fiocruz. O resultado deste processo seletivo será divulgado através do nome da pessoa candidata, conforme item III, d da Nota Técnica CGE/VPEIC nº 03/2025.
Confira AQUI as orientações para se inscrever.
SOBRE PPGVIDA
O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
O programa também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia realiza expedição em Território Munduruku, no Amazonas, para pesquisa sobre inter-relação entre impactos climáticos e a saúde indígena
/em Notícias /por Julio OliveiraTeve início, no último dia 7/02, a expedição de campo promovida pelo Projeto Ybyrá, da Fiocruz, financiado pelo Ministério da Saúde, por meio do edital Inova Saúde Indígena, que integra diferentes iniciativas de pesquisa em saúde pública voltadas para populações indígenas isoladas do Amazonas. Composto por equipes de pesquisadores da Fiocruz Amazônia, Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP-Fiocruz), entre outras instituições parceiras, o projeto tem como finalidade promover o levantamento de dados clínicos, epidemiológicos e socioambientais junto às populações de 13 aldeias indígenas da etnia Munduruku, localizadas territórios remotos situados na calha do Rio Canumã, afluente do Rio Madeira, entre os municípios de Borba e Nova Olinda do Norte, a cerca de 300 quilômetros de Manaus.
A equipe vem trabalhando na coleta de amostras biológicas humanas e de animais, para o rastreamento de possíveis patógenos que possam estar circulando nas áreas peridomiciliares, e oferecendo exames, que deveriam ser rotina na assistência, mas se tornam de difícil acesso para indígenas isolados. Estão sendo realizados hemograma, hemoglobina glicada e PCR para diabéticos e hipertensos, HPV para mulheres (protocolo do autocoleta), além de ações de controle social e empoderamento das comunidades, com palestras sobre direitos humanos, acesso à saúde indígena, inseguranças alimentar e hídrica, impacto dos alimentos ultraprocessados na saúde, saúde bucal, qualidade da água para uso e consumo e educação em saúde.
“A ideia do projeto é permitir uma atuação em rede, numa visão integrada de território de saúde, para entender o impacto das mudanças climáticas na vida dos indígenas e o que está acontecendo, por exemplo, em relação às doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, em função do consumo de ultraprocessados nas aldeias, doenças causadas por vetores como insetos e roedores, que não são diagnosticadas, porque as pessoas não saem para fora das aldeias para realizar exames e ter o diagnostico correto”, explica um dos coordenadores do Ybirá, o virologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia, Pritesh Lalwani. Segundo ele, a equipe permanecerá na região ao longo de 16 dias, vivenciando o atual período de cheia dos afluentes. Depois, retornará, entre os meses de agosto e setembro, na seca extrema para um novo levantamento e devolutivas do projeto.
De acordo com o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias, que coordena também a expedição, o Ybyrá visa pesquisar a interrelação entre saúde animal, humana e ambiental numa área indígena remota, em diferentes contextos de extremos climáticos. “A crise climática já chegou como crise de água e comida nos territórios indígenas remotos que já são vulnerabilizados social e ambientalmente. Quando a seca prolonga ou quando a cheia vem extrema e alaga roças e caminhos da floresta , não é só o ‘clima’ que muda: muda o acesso à água segura, a disponibilidade de alimentos tradicionais, a possibilidade de pescar, plantar e armazenar alimentos e até a logística para chegar a um posto de saúde”, explana Tobias.
Segundo o pesquisador, nesses contextos aumentam os casos de diarreia e outras doenças de veiculação hídrica. “Agrava a desnutrição e anemia, piora o controle de doenças crônicas e infecciosas. Por isso, falar de saúde na Amazônia indígena hoje é falar de adaptação climática a partir do território”, aponta Rodrigo Tobias, que tem estudado a interrelação entre inseguranças hídricas e alimentar no território inégna em cenários extremos climáticos.
O Ybyrá utiliza o modo de fazer pesquisa intervenção integrada, em que estão atuando conjuntamente equipes de quatro projetos de pesquisa diferentes da Fiocruz e parceiros como a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade de Campinas (Unicamp), Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), DSEI Manaus, Agência de Gestão do SUS (Agesus), Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e Fundação Nacional do Índio (Funai). “Trata-se de um consórcio de projetos que tem essa característica de pesquisa colaborativa implicada com mudança social junto ao controle social indígena”, afirma Tobias.
“O projeto foi aprovado em comitê de ética e estamos na fase de coleta de dados, empoderamento, educação e controle social, e voltaremos numa segunda etapa, na extrema seca, para fazermos as mesmas atividades e devolvermos parte das pesquisas para as populações”, enfatiza o pesquisador. Pritesh Lalwani destaca também a importância da assistência em saúde oferecida pelo projeto. “Essa é a contribuição social desse projeto em rede, uma vez que atuando juntos estamos trazendo uma visão integrada do território, buscando entender os impactos das mudanças climáticas e ambientais para uma população que também é negligenciada e enfrenta dificuldades”, enfatiza Pritesh, acrescentando que o trabalho busca entender o impacto também na saúde de animais domésticos que atuam como sentinelas de patógenos nessas áreas. “Juntamos pesquisa e assistência para o povo isolado dessa região e estamos desenhando um modelo inédito de execução de pesquisa e assistência que pode vir a se tornar política pública para os territórios indígenas do País”, observa Lalwani.
Antes da expedição, que é a primeira realizada oficialmente pelo Ybyrá, as equipes participaram, em Manaus, de reuniões de alinhamento e treinamento no uso aplicativo, software REDCap, para preenchimento de questionários utilizados durante as atividades de coleta para gerenciamento e disseminação dos dados de pesquisa. “Todos os envolvidos no Ybyrá irão coletar dados sobre Saúde Única, englobando condições de vida, qualidade da água, alimentos, condições climáticas, controle social e educação em saúde”, completa Pritesh.
A expedição, que retorna a Manaus no dia 22/02, ocorre em uma embarcação adaptada que desce o Rio Cunamã e visita aldeias mais distantes. Os indígenas adentram o barco, passam por um circuito previamente pensado para aplicação de questionários, realização de triagem e por fim coleta de amostras de sangue. “Assim, fazemos uma pesquisa interativa e realizamos oficinas temáticas, grupos focais com lideranças e educação em saúde, interagindo com as comunidades em seu ambiente natural”, comenta Tobias, desatacando o ineditismo do roteiro de coleta de dados de forma embarcada e com diversos grupos de pesquisa convivendo no mesmo ambiente.
IMPACTO SOCIAL
Para a tecnologista em Saúde Pública e pesquisadora da Fiocruz Amazônia Katia Maria Lima de Menezes, que também integra a coordenação do Ybyrá, o projeto é de suma importância para o território Mundurucu. “Essa é uma área onde os indígenas têm muitas dificuldades de realizar exames, precisam fazer longos deslocamentos para conseguir realizar um hemograma. O Projeto Ybyrá está possibilitando essa oportunidade de oferecer exames com o comprometimento da entrega dos resultados. Com certeza, é o maior impacto social que o projeto vai gerar”, afirma Kátia Lima, que coordena outro projeto financiado pelo Programa Inova da Fiocruz voltado ao fortalecimento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional em territórios indígenas.
Ela destaca ainda a importância da coleta de amostras para diagnóstico de HPV. “Esse exame (HPV) vai gerar impacto na saúde das indígenas que vivem na região, sobretudo as mulheres que nunca o fizeram, impactando diretamente na prevenção do câncer de colo de útero, principal causa de morte por câncer entre mulheres no Amazonas.
Para as lideranças do controle social indígena na região, a chegada do Projeto Ybirá representa um marco histórico para as comunidades da Calha do Canumã. “O nosso sentimento é de gratidão”, ressalta Pedro Santa Rita, presidente do Condisi e liderança indígena local. “A vinda do projeto para essa região tão isolada é um grande avanço e uma grande conquista para o nosso povo”, afirma Santa Rita. Algumas aldeias ficam situadas a quilômetros de distância da sede do município de Nova Olinda, onde está atracada a embarcação que transporta a equipe do projeto.
“Somos muito gratos por um projeto desse escolher as aldeias da Calha do Canumâ, com povos isolados, muito longínquas da cidade, de difícil acesso e difícil comunicação. Para nós é uma novidade e uma realização histórica, saber que todas as coletas terão retorno. Por isso, agradecemos a todos e em especial à Fiocruz por estar cuidando do nosso povo com muita responsabilidade”, enfatizou.
Outra liderança da região, Kleuton Mundurucu, reforçou a importância da contribuição do projeto para o território, ressaltando as potencialidades do projeto em relação a novas parcerias. “Hoje, sabemos que a saúde indígena tem algumas dificuldades em relação a exames, principalmente os que estão sendo oferecidos pelo Projeto Ybyrá. Estamos muito felizes e orgulhosos de ter vocês aqui no nosso território trazendo melhorias para a qualidade do acesso à saúde das populações indígenas, numa iniciativa que pode se estender a outros territórios”, afirmou.
SOBRE O INOVA SAÚDE INDÍGENA
O Edital Inova Saúde Indígena foi lançado em 2021 pela Presidência da Fiocruz, por meio das vice-presidências de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS), de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS) e de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), lançou o edital Inova Saúde Indígena, com o objetivo de apoiar projetos que contribuam para o aprimoramento do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), desenvolvendo produtos essenciais à diversificação, ampliação e qualidade dos serviços de saúde prestados aos indígenas.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Divulgação / Projeto Ybyrá
Fiocruz Amazônia recebe primeiros servidores excedentes do concurso 2023/2024
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) recebeu os primeiros servidores excedentes do último concurso público realizado pela Fiocruz referente ao biênio 2023/2024. Os novos servidores são Ulisses Arjan Cruz dos Santos, analista de gestão em Saúde Pública; Valdinete Alves do Nascimento, tecnologista em Saúde Pública, e Nayara Begalli Scalco Vieria, pesquisadora em Saúde Pública. Os novos concursados fazem parte do contingente de 25% do total de aprovados, nomeados a título de provimento adicional, conforme portaria do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI). Recentemente, um Decreto Presidencial ampliou para 600 o total de vagas autorizadas para convocação de candidatos(as) aprovados(as) no concurso público da Fiocruz 2023/2024. A medida foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em solenidade realizada em Brasília, no último dia 7/1, com as presenças do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do presidente da Fiocruz, Mário Moreira. Ao todo, o ILMD/Fiocruz Amazônia terá direito a 11 novos servidores excedentes.
Na oportunidade da assinatura, o presidente Mário Moreira destacou que a medida é considerada fundamental para que a Fiocruz possa desempenhar seu papel estratégico para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para a saúde global. Resultado de numerosas articulações da Presidência da Fiocruz junto ao Governo Federal, a ampliação das convocações reforça o compromisso da instituição com a recomposição de sua força de trabalho e com a continuidade de suas ações estratégicas em benefício da saúde pública brasileira. O esforço foi respaldado por amplo trabalho técnico e de articulação da Diretoria Executiva (DE) e da Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas (Cogepe), essenciais para a condução dos trâmites institucionais, além de atuação sólida e persistente da Asfoc-SN, conforme divulgou a Agência Fiocruz de Notícias (AFN).
Entre os novos servidores, Ulisses Arjan foi convocado para atuar na área de Gestão de Pessoas. Já Valdinete Nascimento atuará em diagnóstico, epidemiologia molecular e evolução de vírus emergentes e reemergentes; Nayara Begalli, em Planejamento, Financiamento e Modelos de Gestão e Atenção à Saúde. No último dia 11/02, eles participaram de uma atividade de integração, realizada pelo Serviço de Gestão do Trabalho (SEGET), com a participação da diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia reúne estudantes e pesquisadoras para uma roda de conversa sobre a presença feminina na ciência
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promoveu no último dia 6/02 o primeiro Centro de Estudos de 2026 sobre o tema “Mulheres e Meninas na Ciência: Construindo o Amanhã na Fiocruz”, com palestra da vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz, Alda Cruz. O evento foi também a primeira atividade do Projeto ELAS na Ciência, desenvolvido pelo ILMD/Fiocruz Amazônia, como parte das atividades comemorativas ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, 11/02. A palestra contou com a presença de alunas de Mestrado, Doutorado, Iniciação Cientifica e do Programa de Vocação Científica (Provoc), da Fioruz, juntamente com pesquisadoras em Saúde Pública que atuam como coordenadoras de programas de pós-graduação e servidoras da instituição.
Alda Cruz fez um apanhado histórico do Programa Mulheres e Meninas na Ciência, criado em 2018, por iniciativa da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), mencionando também sua própria trajetória na Fiocruz e os desafios enfrentados até chegar aonde está hoje, enquanto mulher negra. A pesquisadora ressaltou a importância do Programa como fator decisivo de valorização de mulheres cientistas e para o incentivo a meninas, sobretudo de áreas periféricas, a adentrarem nos espaços onde é feita a Ciência na Fiocruz, pensando na possibilidade de seguir carreira.
Alda citou, como exemplo, o caso de uma estudante do Ensino Fundamental que desenvolveu um detergente biodegradável a partir da reutilização da casca da pinha, para ressaltar que a criatividade e o talento para a Ciência podem ser descobertos de forma precoce. Ela destacou ainda o histórico e alcance obtido pelo programa na Fiocruz, com ações desenvolvidas de forma contínua e descentralizada, em todas as unidades técnico científicas da Fiocruz.
O Projeto “STEM na Saúde: Mentoria para a Promoção da Equidade de Gênero em Ciência, Tecnologia e Inovação” foi uma dessas conquistas alcançadas pelo Mulheres e Meninas na Ciência, segundo enfatizou Alda Cruz. O projeto tem hoje 113 pesquisadoras-mentoras e 68 bolsistas, entre estudantes da educação básica à pós-graduação. Dessas, 60% são das Regiões Norte e Nordeste e 64% são pretas, pardas, indígenas e quilombolas. Na Fiocruz Amazônia, o ELAS na Ciência é coordenado pela tecnologista em Saúde Pública Djane Baia. Além do Centro de Estudos, estão programadas atividades em escolas da rede pública estadual e lançamento de vídeos sobre trajetórias de cientistas mulheres, estimulando novas vocações.
O público presente também teve oportunidade de contar suas experiências. Uma delas foi a da aluna do Provoc, Geovana Fabrina,18. “Participar do Programa de Vocação Científica da Fiocruz foi fundamental para minhas escolhas. Não me intimido diante dos questionamentos que recebo, apesar de estar sempre sendo questionada pela carreira que decidi seguir mas não deixo que isso invalide ou diminua meu desejo de seguir na profissão que escolhi”, afirmou.
CONTEXTO INSTITUCIONAL
Criado em 2019, o Programa Mulheres e Meninas na Ciência (PMMC) é uma iniciativa da Fiocruz vinculada à Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), com foco na promoção da equidade de gênero na ciência. O programa tem como objetivo promover um ambiente científico mais justo, diverso e inclusivo, ampliando as oportunidades, a visibilidade e a permanência de meninas e mulheres nas carreiras científicas. Entre as ações desenvolvidas, estão a aproximação de estudantes do Ensino Médio que se identifiquem com o gênero feminino do ambiente de pesquisa da Fiocruz; a valorização de pesquisadoras e suas contribuições para a ciência e a saúde pública; a promoção de oficinas, rodas de conversa, visitas técnicas, mentorias e atividades práticas em laboratórios e espaços de pesquisa; promoção do debate sobre gênero na ciência e organização de eventos, como a celebração do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência;
O Programa Mulheres e Meninas na Ciência é vinculado à Coordenação de Divulgação Científica, da Vice-Presidência de Informação, Educação e Comunicação (CDC/VPEIC), da Fiocruz. Este ano, o Edital Mais Meninas aprovou projetos ba Fiocruz (unidades do Rio de Janeiro), Fiocruz Amazônia, Fiocruz Ceará, Fiocruz Minas, Fiocruz Mato Grosso do Sul, Fiocruz Rondônia, Fiocruz Paraná, Fiocruz Pernambuco e Fiocruz Piauí.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa
Fiocruz Amazônia divulga 1ª republicação do Processo Seletivo para seleção de bolsistas de pesquisa do projeto Diagnóstico Situacional das UBSF
/em Notícias /por Julio OliveiraO Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) divulgou nesta quinta-feira, 05/02, a primeira republicação do edital do Processo Seletivo para seleção de bolsistas pesquisadores do Projeto Diagnóstico Situacional das Unidades Básicas de Saúde Fluviais. A republicação altera a redação dos itens 7.1, 10 e 13, referentes à Análise documental e curricular, Expedições e localidades e Cronograma do processo seletivo. O projeto é realizado pelo Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (Lahpsa), em parceria com o Ministério da Saúde (MS). O objetivo da seleção será a formação de equipes de campo que atuarão no mapeamento dos desafios e potencialidades para o pleno funcionamento das UBS Fluviais em operação nos estados do Amazonas, Pará e Amapá. Inicialmente, serão oferecidas 15 vagas de pesquisador e assistente de pesquisa para os estados do Amazonas e Pará, com um total de cinco expedições previstas para acontecer entre os meses de abril e junho de 2026.
Contira AQUI as alterações.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Julio Pedrosa
Imagem: Mackesy Nascimento / Fiocruz Amazônia