COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Ações afirmativas da Fiocruz Amazônia ganham destaque com êxito do Mestrado em Saúde Coletiva para indígenas do Alto Solimões
/em Notícias /por Julio OliveiraTABATINGA (AM) – O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) realizou, de 9 a 11/03, na cidade de Tabatinga, mais uma etapa do processo de defesas de dissertações dos discentes indígenas do Mestrado em Saúde Coletiva, oferecido pela primeira vez na modalidade turma estendida, exclusiva para indígenas do Alto Solimões, na Tríplice Fronteira (Brasil, Peru e Colômbia), no Amazonas. A atividade marca o processo de consolidação da política de ações afirmativas da Fiocruz na Amazônia, com o êxito obtido no processo formativo da turma composta por 13 dos 15 alunos que ingressaram no curso. “Chegarmos a essa etapa final do processo, com a apresentação de trabalhos de pesquisa de qualidade que refletem a transformação vivenciada pelos alunos, é motivo de muito orgulho e uma grande conquista para todos nós que fazemos o Programa de Pós-graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia”, comemorou a médica sanitarista Luiza Garnelo, pesquisadora sênior da Fiocruz Amazônia e coordenadora especial da turma de mestrado.
Iniciada em 2023, a primeira turma de mestrado fora da sede do ILMD/Fiocruz Amazônia é também um marco da interiorização das ações afirmativas da pós-graduação da Fiocruz, que se tornou possível a partir de parcerias e do apoio fundamental das vice-presidências de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC) e de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS), da Fundação Oswaldo Cruz, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde. Durante três dias, foram realizadas atividades de avaliação – com debates e reflexões acerca das vivências e processos de aprendizado no curso –, defesas de três dissertações (todas aprovadas), juntamente com um evento comemorativo e uma mesa de debates que reuniu lideranças indígenas, docentes de pós-graduação e representante discente, para abordar o tema “Vozes indígenas em diálogo com os formadores em saúde coletiva”.
Luiza Garnelo explica que o objetivo da programação em Tabatinga foi “demarcar” esse momento com uma atividade que permitisse o fortalecimento e a proximidade entre as instituições. “As defesas estão acontecendo por módulos, que nos permitirão também estabelecer outros importantes momentos de discussão acerca das políticas de ações afirmativas no Brasil, e decidimos fazer aqui em Tabatinga um debate reunindo dirigentes institucionais, lideranças indígenas, docentes e discentes para demarcar nossa presença nesse território”, enfatizou Garnelo.
O evento contou com a presença da vice-presidente adjunta de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz), Eduarda Ângela Pessoa Cesse, da diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Costa Pinto Lopes, do diretor do Centro de Estudos Superiores de Tabatinga da UEA, Edilson de Carvalho Filho, do vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz Amazônia, Cláudio de Oliveira Peixoto, da coordenadora do PPGVIDA, Ani Beatriz Jackisch Matsuura, e do apoiador de saúde Nilson Alexandre, da Coordenação do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI Alto Solimões). Participaram da Mesa “Vozes Indígenas em Diálogo com os Formadores em Saúde Coletiva” Luiza Garnelo, o médico e coordenador da área de Saúde Coletiva na CAPES Bernardo Lessa Horta, pesquisador visitante sênior do ILMD/Fiocruz Amazônia; o cacique da comunidade indígena Tauaru, Flávio Curico Lopes, da etnia Kokama; Gilson Mayoruna, representante do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena do Estado do Amazonas; Taffarel Nogueira de Carvalho, representante discente da turma de Sanitaristas Indígenas, e a chefe do AgSUS Tabatinga e egressa do PPGVIDA Cristiane Ferreira da Silva.
“Hoje faço parte da mesa com muito orgulho e feliz de ver a parenta Tikuna fazer a defesa de seu trabalho”, disse, emocionado, Gilson Mayoruna, destacando a necessidade de novas iniciativas de formação para estudantes indígenas que desejam se desenvolver e atuar em outros territórios indígenas do Estado. “Nessa turma, temos alunos das etnias Kanamari, Mati, Kulina e Mayoruna, mas muitos outros esperam uma oportunidade e não podem estar aqui. Agradeço a Fiocruz e a UEA pela iniciativa do curso e por terem acolhido os nossos parentes, mas queremos dizer que somos capazes e somos inteligentes como vocês. Sonhamos um dia ter a nossa língua falada numa universidade”, defendeu.
IMPACTO
Bernardo Lessa Horta parabenizou todos os envolvidos no processo e classificou o curso de mestrado para indígenas como um exemplo para o País em termos de ações afirmativas da pós-graduação. “Além do acesso e da permanência do aluno no seu território, existem também os aspectos didáticos que a coordenação do curso, na pessoa da professora doutora Luiza Garnelo, teve o cuidado de estabelecer e causar o impacto na vida de cada um de vocês e das suas comunidades de origem”, mencionou o pesquisador, citando como exemplo desse impacto a dissertação do discente Taffarel Nogueira de Carvalho, que abordou a questão da alimentação escolar indígena na comunidade Tauaru, apontando as disparidades existentes entre o cardápio oferecido na escola da comunidade e o que prevê a Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009, que reformulou o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no Brasil.
“São trabalhos que produziram impactos e estão mudando rotinas nas comunidades, estamos dando o primeiro passo para atingirmos outras dimensões de impacto”, reforçou Horta. Além de Taffarel, foram realizadas, em Tabatinga, as bancas de defesa dos discentes Josimar Carneiro Fernandes, morador da terra indígena Filadelfia, na comunidade Santo Antonio, e de Delcilene Juvito Mariano, da comunidade Porto Cordeirinho, ambos do município de Benjamim Constant e pertencentes à etnia Tikuna. “Minha pesquisa contribuiu para melhorar tanto minha vida profissional quanto pessoal e pude ajudar a instituição de saúde indígena do meu território na parte de logística”, explica Josimar, cuja dissertação, sob orientação de Luiza Garnelo, abordou de forma qualitativa a logística de abastecimento de materiais e medicamentos do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Solimões (DSEI ARS/AM).
“Hoje consigo raciocinar como um pesquisador e agradeço ao PPGVIDA que proporcionou esse momento tão maravilhoso da minha vida”, observou Josimar. Na sua pesquisa, Delcilene enfocou aspectos da Saúde e Proteção da Medicina Indígena Tikuna, ressaltando práticas ancestrais difundidas pelos pajés, rezadeiras e parteiras da comunidade e o verdadeiro significado de bem-viver ligado à cura, espiritualidade e uso de plantas medicinais. Delcilene teve como orientador o sanitarista e pesquisador da Fiocruz Amazônia, Julio César Schweickardt. As bancas examinadoras contaram ainda com as presenças da docente do PPGVIDA Rosana Parente; do pesquisador e coordenador geral da Rede Unida, Alcindo Antonio Ferla; o antropólogo João Paulo de Lima Barreto, da etnia Tukano e fundador do Centro de Medicina Indígena; as pesquisadoras doutoras em Saúde Pública na Amazônia Sônia Canto (UEA) e Roberta Cerri (MGI) e o professor doutor Reginaldo Conceição da Silva, docente da UEA.
Luiza Garnelo explica que as pesquisas desenvolvidas ao longo dos últimos dois anos surgiram a partir de problemas vivenciados pelos alunos nas suas comunidades, além de permitir a criação de postos de trabalho e qualificação da força de trabalho que atua na saúde na região. “Sou usuário do polo que presta serviço de saúde aos indígenas e havia muita demanda da comunidade por conta da falta de abastecimento do DSEI e isso me incentivou a indagar quais os motivos da falta de medicamentos e como trabalham nesse processo administrativo e logístico até que esse material chegue ao Pólo Base. Constatamos, entre outras evidências, que os povos indígenas não conheciam o processo logístico”, exemplifica Josimar, que passou a atuar profissionalmente no DSEI.
AMPLIAÇÃO
Para a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, o curso é um exemplo claro de uma ação de formação com impacto social direto. “Assumimos o desafio para que o Mestrado fora da sede acontecesse e estamos aqui no desfecho desse curso, que é a defesa dos alunos, que agora serão mestres sanitaristas indígenas, motivo de muito orgulho para todos os envolvidos no processo e para a Fiocruz Amazônia, que é a primeira unidade da Fiocruz a ter uma turma de Mestrado na modalidade fora da sede exclusiva para indígenas. Para Stefanie, o desafio agora será o de ampliar as ações afirmativas da Fiocruz Amazônia, levando um novo curso de mestrado para indígenas de outra região do Amazonas.
“Essa iniciativa está sendo um sucesso e nada mais justo do que comemorarmos esse momento. Vejo este encontro em Tabatinga como um ato de celebração e de transformação. O processo educacional é transformador e assim deve ser para todos que fazem parte dele, sejam docentes, orientadores, estudantes e instituições apoiadoras. É um momento em que precisamos reconhecer a transformação institucional, onde a Fiocruz sai fortalecida e transformada a partir dessa iniciativa e de tê-los como alunos da casa”, frisou a diretora, dirigindo-se aos alunos da turma especial e destacando também a importância da união das instituições para viabilização do projeto.
Edilson de Carvalho Filho, diretor do Centro de Estudos Superiores da UEA em Tabatinga, salientou a importância da participação da universidade estadual como parceira nessa trajetória. “A demanda por cursos de pós-graduação stricto sensu é antiga aqui na região e a Fiocruz Amazônia, de modo pioneiro, trouxe essa primeira experiencia de turma na modalidade sala estendida e temos agora como resultado uma taxa de sucesso elevada e o que comprova o sucesso dessa turma. Vimos a evolução de todos eles, e sabemos da importância que o Mestrado terá para todos e para a região do Alto Solimões, que demandava essa qualificação”, afirmou.
Segundo ele, o Mestrado da Fiocruz plantou a semente de dois programas de pós-graduação que a UEA implantará de maneira fixa no campus Tabatinga. “Esse movimento começou com a vinda do Mestrado da Fiocruz. Sempre tivemos o desejo mas ele só se consolidou com a vinda da turma para cá. Demanda não falta”, observou, garantindo que a parceria continua de pé.
A coordenadora do PPGVIDA, Ani Matsuura, ressaltou que o Mestrado é uma das conquistas obtidas pelo programa de pós-graduação ao completar dez anos, tendo sido um dos casos de sucesso que contribuiu para a elevação da nota do programa na avaliação quadrienal da CAPES. “Esse momento é muito especial para o PPGVIDA”, frisou. Claudio Peixoto, vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação, salientou que a finalização do curso com as defesas da turma de sanitaristas indígenas é um marco histórico para Fiocruz Amazônia.
Para a vice-presidente adjunta da VPEIC, Eduarda Cesse, o Mestrado eleva o PPGVIDA da Fiocruz Amazônia a uma categoria diferenciada. “O Programa saiu dos padrões, discutiu e negociou com a CAPES de forma perene as necessidades de adaptações. Isso é política inclusiva e isso a Fiocruz sabe fazer. Temos alcançado um número significativo de pessoas por meio das políticas afirmativas que estão aí para garantir a acessibilidade de pessoas indígenas, negras, com deficiência, pessoas trans. Temos agora a obrigação de seguir em frente”, finalizou, falando em nome da vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, da Fiocruz, Marly Cruz.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia realiza Demo Day do Fiobiz e apresenta etapa final do programa de pré-incubação de startups do Instituto
/em Notícias /por Carlos GomesO programa de pré-incubação de startups do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Fiobiz,promove no dia 17/3, a partir das 16h, o Demo Day – Fiobiz (2025), programa evento que representa a etapa final de capacitação, onde projetos focados em soluções para a saúde na região amazônica apresentam seus resultados, MVPs (Produto Mínimo Viável) e pitches para banca avaliadora.
O evento marca o encerramento da fase de pré-incubação, onde startups apresentam seus modelos de negócios e protótipos para uma banca de especialistas e investidores. A atividade celebra a evolução dos projetos, marcando a transição da ideia de sala de aula para o mercado.
Composta por convidados externos e especialistas da Fiocruz, a banca avaliará a viabilidade dos modelos de negócios e dos MVPs (Mínimo Produto Viável). Os avaliadores irão selecionar as três soluções mais viáveis para os problemas de saúde identificados. Embora haja um “pódio”, o Fiobiz reforça o compromisso de continuar apoiando todas as startups que participaram do processo, garantindo o fortalecimento do ecossistema local.
Segundo o coordenador executivo do projeto Fiobiz, Carlos Henrique Carvalho, a interação com as startups, foi um processo de grande aprendizado.“A Fiobiz foi um projeto voltado para a criação de uma incubadora, no âmbito da Fiocruz, que seria a primeira criada nas suas unidades. Entre os seus objetivos está fomentar, tanto a cultura da inovação entre os seus colaboradores, quanto o empreendedorismo científico como uma alternativa para fazer a translação do conhecimento que é produzido na Fiocruz, até a sociedade. Esse processo foi um aprendizado também para nossa equipe, sobre como se relacionar com as startups, em um movimento que é cada vez mais importante e reconhecido principalmente pelos órgãos de governo dessa complementaridade do sistema de saúde, entre o que é produzido nas ICTs e a inovação que é executada pelas Startups”, esclarece.
Serão apresentados os resultados de 6 startups no total: Eterna, Biotrace, Mov Health, Startgo, Simetry.AI e Susi, todas aprovadas no programa de pré-incubação Fiobiz. A apresentação ocorrerá no Salão Canoas, auditório da Instituição.
Para a Mentora Olinda Marinho, membro do time Fiobiz, essa etapa representa um marco para a área de inovação em saúde na região. “Este é um momento histórico para a inovação em saúde na nossa região. O caminho percorrido pelas startups selecionadas no Edital Fiobiz 01/2025 do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) é a prova de que a ciência produzida na Amazônia tem força para se transformar em soluções de mercado escaláveis e de alto impacto”, explica Marinho.
SOBRE O FIOBIZ
O FioBiz é uma iniciativa do ILMD/Fiocruz Amazônia, de capacitação e mentorias para a inovação e o desenvolvimento de produtos e serviços de base tecnológica na área da saúde, com duração de 12 semanas. Inteiramente gratuito, o Programa de Pré-incubação FioBiz é realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – Fapeam, por meio do EDITAL N. º 011/2023 – Programa De Apoio à Incubadoras – PRÓINCUBADORAS.
As equipes aprovadas, foram submetidas à sessões de capacitação com atividades teóricas e práticas de participação obrigatória, além das mentorias que visam apoiar o desenvolvimento integral de seus modelos de negócios. Durante 12 semanas, os selecionados puderam participar de atividade, envolvendo: treinamentos, workshops, palestras, mentorias e avaliações que possibilitaram mensurar o desempenho de cada equipe.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia destaca papel da instituição como centro estratégico de vigilância na Amazônia durante visita do senador Omar Aziz
/em Notícias /por Julio OliveiraA Fiocruz Amazônia recebeu na manhã desta quinta-feira, 12/03, a visita do senador Omar Aziz, para um momento de escuta e diálogo do parlamentar com a comunidade científica local durante encontro institucional promovido pela instituição. O objetivo foi o de possibilitar a escuta de propostas para o fortalecimento das políticas públicas de saúde e desenvolvimento de pesquisas que reforcem o papel da Fiocruz Amazônia enquanto centro estratégico de vigilância, formação e qualificação profissional e inovação científica na Amazônia, e buscar o apoio do senador à pauta do cumprimento do acordo firmado pelo Governo Federal com os trabalhadores da Fiocruz referente ao decreto que regulamenta o benefício do Reconhecimento de Resultado de Aprendizagem (RRA) para os servidores.
O RRA é um mecanismo de valorização profissional que reconhece a qualificação acadêmica e técnica dos trabalhadores da Fiocruz, permitindo aumento remuneratório. Trata-se de uma luta nacional encampada por todas as categorias de trabalhadores das unidades da Fiocruz no País. Omar Aziz destacou a importância do papel da Ciência e da valorização dos trabalhadores da área, se solidarizando com o movimento e assumindo o compromisso de defender a pauta junto ao Poder Executivo, no sentido de fortalecer a luta e cobrar a agilização do processo de regulamentação.
Apoiador da Ciência, o senador foi recebido pela comunidade do ILMD/Fiocruz Amazônia, representada pela diretora Stefanie Lopes, e o dirigente da Regional Amazonas do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-AM), André Ivan Lopes de Oliveira. Stefanie Lopes fez uma breve apresentação da instituição, ressaltando o papel estratégico do Amazonas para o Brasil na produção de conhecimento científico e na resolução de problemas complexos, como possíveis novas epidemias, o impacto das mudanças climáticas na saúde e o apoio científico ao SUS na produção de evidências para tomada de decisões.
Outra importante contribuição, destacada pela diretora, é a da produção de tecnologia com o DNA da Amazônia. “Por meio da Fiocruz, contribuímos para o desenvolvimento de plataformas de Inovação em Saúde e Biotecnologia, exames moleculares e testes rápidos adaptados à realidade local e uso estratégico de biodiversidade para novos fármacos, sendo também um importante pólo para atração de investimentos”, resumiu. Stefanie ressaltou ainda a relevância do monitoramento contínuo desempenhado pelas instituições de ciência e pesquisa no tocante às doenças tropicais e emergentes e da detecção precoce para barrar possíveis surtos.
“Por esses e outros tantos motivos, necessitamos de investimentos e apoio para o desenvolvimento de nossas atividades e, de forma especial, ao projeto da nova estrutura física para sede da Fiocruz Amazônia, que já está com planta arquitetônica e licenças aprovadas e é de grande importância para o futuro da saúde e da ciência na Amazônia”, enfatizou, mencionando o apoio concedido por meio de emendas parlamentares do senador que possibilitaram, entre outras ações, o desenvolvimento do Programa QualificaSUS, destinado à interiorização contínua da formação em saúde, capacitando entre 2019 e 2023, 6.476 profissionais de saúde nos 62 municípios do Amazonas, e entre 2024 e 2025, mais 474.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Eduardo Gomes / Fiocruz Amazônia
Prorrogadas as inscrições para o processo seletivo do curso de Mestrado Profissional em Saúde da Família (ProfSaúde) / Turma 6
/em Notícias /por Carlos GomesAs inscrições para o curso de Mestrado Profissional em Saúde da Família (ProfSaúde) / Turma 2026, foram prorrogadas até o dia 16/03. No total, 600 vagas serão distribuídas em 45 Instituições de Ensino Superior (IES) de todas as regiões do país, com carga horária de 975 horas e duração prevista entre 18 e 24 meses.
O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia) vai ofertar 12 vagas, sendo oito para médicos do Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB), e quatro vagas para profissionais com diploma de graduação reconhecido pelo MEC, em áreas relacionadas diretamente à saúde, com reserva para ações afirmativas.
A seleção é destinada a profissionais com diploma de graduação reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) em áreas relacionadas diretamente à saúde, definidas pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) pela Resolução n° 287/1998. São elas: bacharelado em educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia; fonoaudiologia, nutrição, odontologia, psicologia, saúde coletiva, serviço social, terapia ocupacional e medicina.
A ação possui foco na formação de profissionais, professores e preceptores para a área de Saúde da Família. O curso é destinado especialmente àqueles profissionais ligados à Atenção Primária à Saúde (APS) no Sistema Único de Saúde (SUS).
A seleção se dará em três etapas: prova de conhecimentos, análise do Currículo Lattes e entrevista. Mais informações sobre os documentos obrigatórios, cronograma e outras, confira a chamada pública.
COMO FAZER A INSCRIÇÃO:
Acesse a plataforma SIGA: www.sigass.fiocruz.br > Link inscrição > Saúde da Família – PROFSAÚDE. No campo “Área de Concentração”, informe o polo da Fiocruz Amazônia. Preencha o formulário de inscrição on-line na plataforma, envie os documentos obrigatórios para o e-mail: profsaude.ilmd@fiocruz.br – Escreva o título do e-mail da seguinte forma: INSCRIÇÃO – PROFSAÚDE 2025 – SEU NOME.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia, UEA e UFAM reúnem docentes para discutir o Plano Diretor da Área de Políticas, Planejamento e Gestão em Saúde da ABRASCO
/em Notícias /por Julio OliveiraDocentes, pesquisadores e representações discentes dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Amazonas participaram, na sexta-feira, 6/03, de uma reunião estratégica das linhas de pesquisa em Política, Planejamento e Gestão em Saúde (PPGS). O encontro ocorreu de forma presencial na sala dos Programas de Pós-Graduação da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Manaus. A atividade foi organizada no âmbito da Comissão de Políticas, Planejamento e Gestão em Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) e teve como objetivo discutir o primeiro Plano Diretor da área, além de construir, de forma colaborativa, uma agenda de prioridades para os programas de pós-graduação do Estado.
Participaram representantes de três instituições – o Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) – que compreendem cinco programas. O encontro reuniu docentes, pesquisadores e estudantes vinculados às linhas de pesquisa em política, planejamento e gestão do sistema de saúde, com foco no fortalecimento da produção científica e da cooperação acadêmica na região.
Durante a reunião, foram debatidos os principais eixos estratégicos do Plano Diretor da área, incluindo temas como desigualdades sociais em saúde, colonialidade e racismo estrutural, mudanças climáticas, soberania alimentar, regionalização do sistema de saúde e desafios contemporâneos para o Sistema Único de Saúde (SUS).
IMPORTÃNCIA ESTRATÉGICA
A elaboração de um plano para a área significa construir coletivamente perspectivas de ação diante dos desafios contemporâneos da saúde pública brasileira, mobilizando a comunidade científica para refletir sobre prioridades de pesquisa, estratégias políticas e agendas acadêmicas. Mais do que um documento orientador, o Plano Diretor funciona como um dispositivo de mobilização política e intelectual, capaz de articular a área de PPGS com outras instâncias da ABRASCO e de estimular um movimento permanente de reflexão e ação — pensar para agir e agir para pensar melhor.
Segundo O professor Dr. Rodrigo Tobias, do Laboratório de História, Política e Saúde da Amazônia (LAHPSA) da Fiocruz Amazônia, membro da Comissão de PPGS e coordenador da Região Norte da comissão, o debate coletivo sobre o Plano Diretor também contribui para avaliar os rumos da área no país. “A análise do plano diretor pelos docentes e representações discentes aqui presentes é uma pauta necessária para avaliarmos se a área da saúde coletiva brasileira está indo no caminho certo na construção de um projeto de sociedade mais justo e mais democrático para o Brasil”, afirma.
Tobias destaca que o encontro representa um passo importante para fortalecer o campo científico na região. “A importância do evento dialoga com os interesses da área da saúde coletiva enquanto vetor de desenvolvimento científico regional e une docentes e linhas de pesquisa no campo da Política, Planejamento e Gestão em Saúde na Região Norte.”
O professor doutor Fernando Herkrath, pesquisador do Laboratório SAGESPI, da Fiocruz Amazônia, e membro da Comissão de Epidemiologia da ABRASCO, destacou a experiência acumulada na construção de instrumentos de planejamento científico na área. “O Plano Diretor da Comissão de Epidemiologia está na sua quinta edição e aprendemos muito nesse processo. O caminho da área de Política, Planejamento e Gestão em Saúde é promissor.”
Herkrath também ressaltou a importância da participação regional nos espaços nacionais da saúde coletiva. “O Congresso de Ciências Humanas e Sociais da ABRASCO, que ocorrerá em setembro deste ano em Manaus, é um momento importante para que os Programas de Pós-Graduação da Região Norte desenvolvam seu papel social e científico, como coletivo protagonista, contribuindo para os debates nacionais a partir da região.”
Entre as prioridades debatidas no encontro esteve o fortalecimento integrado da formação, da pesquisa e da incidência sociopolítica da área de Políticas, Planejamento e Gestão em Saúde no Brasil, ampliando sua capacidade de responder de forma crítica e transformadora aos desafios do SUS e às desigualdades que marcam o sistema de saúde.
Para a professora Dra. Alessandra Salino, docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UEA e anfitriã do evento, o momento atual representa um avanço na inserção científica e política da região Norte no campo da saúde coletiva. “Temos um adensamento científico e político atualmente e estamos ocupando espaços nas instâncias de debates nacionais da saúde pública e instâncias político-científicas na produção de uma ciência comprometida com as populações amazônidas.”
Durante a reunião, também foram destacados alguns eixos estratégicos que orientam o desenvolvimento da área de Políticas, Planejamento e Gestão em Saúde no país, entre eles a atualização e renovação de referenciais teóricos, epistemológicos e metodológicos da área; a qualificação dos currículos e das práticas formativas com fortalecimento da integração entre ensino, serviços de saúde e comunidade; a ampliação da produção científica estratégica para o SUS; o fortalecimento da comunicação científica e da tradução do conhecimento para diferentes públicos; além da expansão das redes de cooperação interinstitucional e da formação permanente de pesquisadores.
Já o professor Dr. Lucas Cabral, docente do PPGVIDA e pesquisador do Laboratório de História e Políticas Públicas de Saúde na Amazônia (LAHPSA), da Fiocruz Amazônia, destacou a importância estratégica do Plano Diretor como instrumento de orientação da área. “A discussão do plano diretor permite compreender os caminhos assumidos e os que ainda precisamos percorrer. Que tipo de SUS queremos deixar para as próximas gerações? E para isso exige da área um posicionamento mais contundente para proteger o Sistema Único de Saúde.”
PROTAGONISMO AMPLIADO
A reunião também reafirmou o papel crescente dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Amazonas na produção de conhecimento sobre políticas públicas, sistemas de saúde e desigualdades sociais na Amazônia. Os participantes destacaram que a articulação entre instituições tem permitido ampliar redes de pesquisa, fortalecer a formação de novos pesquisadores e qualificar a incidência científica nos debates nacionais sobre o SUS na região amazônica.
Nesse processo, as instituições de ensino e pesquisa do Amazonas, com destaque a Fiocruz Amazônia, têm exercido papel fundamental na articulação de redes acadêmicas e na formação de pesquisadores na região, promovendo a integração entre programas, grupos de pesquisa e instituições de ensino superior.
Como encaminhamento geral do encontro, os participantes reafirmaram o compromisso de fortalecer uma área de Políticas, Planejamento e Gestão em Saúde mais crítica, atualizada e profundamente conectada ao Sistema Único de Saúde e às lutas sociais. Diante da agenda discutida, apontou-se para o desenvolvimento de pesquisas com maior relevância social e aplicação prática para os desafios do SUS, bem como para uma formação acadêmica cada vez mais integrada aos territórios e às realidades vividas pelas populações amazônidas. Destacam-se a participação articulada dos programas da região Norte no 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde da ABRASCO, além da proposta de realizar atividades científicas voltadas ao mapeamento das redes de pesquisa em Política, Planejamento e Gestão em Saúde na Amazônia.
A iniciativa busca consolidar um campo científico comprometido com os desafios regionais e com a construção de políticas públicas capazes de responder às especificidades sociais, ambientais e territoriais da Amazônia. E em maio haverá nova reunião estratégica com os mesmos atores.
ILMD/Fiocruz Amazônia
Fotos: Divulgação / Fiocruz Amazônia
Sistema FemiBOT lançado pela Fiocruz Amazônia integra bases de dados para melhor caracterizar os crimes de feminicídio
/em Notícias /por Julio OliveiraA Fiocruz Amazônia colocou à disposição da sociedade o Sistema FemiBOT, ferramenta digital que permite ao usuário acessar dados qualificados acerca de assassinatos femininos, com base na integração de diferentes bases de dados. A criação do sistema foi anunciada na última sexta-feira, 6/03, durante o 1º Seminário Amazônico sobre Vigilância Inteligente do Feminicídio, promovido pela Rede de Observatórios de Vigilância Digital e Prevenção ao Feminicídio (Vigifeminicídio), envolvendo as quatro capitais da Amazônia ocidental (Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista e Manaus) e uma frente carioca que monitora os óbitos no Rio de Janeiro..
De acordo com o epidemiologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, que coordena o projeto, o desafio agora é fortalecer a Rede, buscando apoio de novos parceiros e, sobretudo, apoio financeiro para o escalonamento das atividades existentes. “Queremos consolidar a Rede Vigifeminicídio e ampliar a nossa capacidade de estimar feminicídios, não apenas na região norte, mas em outras regiões do país, diante da inegável necessidade de melhorar a compreensão de facetas pouco exploradas do fenômeno, usando, inclusive, metodologias qualitativas”, afirmou Jesem. Segundo ele, a iniciativa está focada em feminicídios, com forte componente interdisciplinar e capacidade instalada para gerar dados robustos e confiáveis que possam atuar como indutores de políticas públicas mais efetivas ao enfrentamento do feminicídio no Brasil.
O sistema FemiBot permite o uso de modernas e efetivas estratégias de captura e armazenamento de dados “online” sobre assassinatos femininos, que passam a ser disponibilizados pela Fiocruz, bastando para isso o usuário se cadastrar no sistema pelo www.vigifeminicidio.fiocruz.br. “O FemiBOt usa Inteligência Artificial (IA) para capturar as notícias on line e outros dados relacionados às mulheres assassinadas. Fazemos o cadastro do registro e coletamos um conjunto significativo de dados envolvendo a vitimização letal dessas mulheres, incluindo local da agressão, tipo de lesão ocasionada, perfil do agressor, contexto em que ocorreu a violência, se em domicílio, na rua, horário, entre outros”, afirma Orellana..
As capturas de notícias são feitas diariamente de forma automatizada. Além da imprensa on line, o sistema faz a integração entre as bases de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), da Segurança Pública e do Poder Judiciário. “Quando promovemos a integração desses dados, conseguimos melhor caracterizar a vitimização, com um total de 82 variáveis para descrever cada um dos assassinatos e suas circunstâncias, permitindo, por exemplo, saber se já havia processos atrelados àquela vítima, medidas protetivas vigentes, se o agressor já tinha histórico de agressão contra a vítima, entre outros dados que aumentam as chances dele ser classificado como feminicida. Estamos prontos para ampliar parcerias e compatilhar nossos dados com o poder público, sobretudo o Judiciário. Esta é a nossa intenção, gerar informação para a ação, com uma metodologia relativamente simples, de baixo custo e tempestiva”, enfatiza o pesquisador.
SEMINÁRIO
O Seminário Amazônico sobre Vigilância Inteligente do Feminicídio contou com a participação presencial de aproximadamente 20 pessoas, vindas de sete estados diferentes do Brasil e mais 25 convidadas de Manaus, além das dezenas de participações remotas, asseguradas pela Escola do Judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas. Estiveram presentes autoridades do poder público constituído dos estados envolvidos com a estratégia, além de representantes de institutos de ensino e pesquisa, bem como de movimentos sociais, incluindo as colaboradoras que integram a Rede Vigifeminicídio, que puderam apresentar resultados de estudos e levantamentos analisando o fenômeno da violência contra as mulheres. O evento teve a participação da professora da Universidade Federal do Acre, Danúzia Silva Rocha, que abordou o tema “O Desafio dos feminicídios no estado do Acre: um olhar sobre o impacto das mídias e dos serviços de saúde”. Danúzia integra a Rede Vigifeminicídio e é docente na UFAC.
Segundo ela, que orienta um doutorando e uma mestranda no Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da UFAC, com a pauta feminicídio no estado do Acre, a temática demorou para entrar em pauta enquanto tema de pesquisa. “O feminicídio é um crime que vem acontecendo por décadas e a lei do feminicídio já completou dez anos. É um crime que já está instalado há muito tempo na sociedade, mas ainda é invisibilizado, carece de estudos e de investimento em políticas públicas para que consigamos mudar esse cenário e conscientizar a população da importância de se prevenir esse tipo de crime, sobretudo na Região Norte, onde estamos vendo vários estados encabeçando o ranking do feminicídio no País. O meu Estado, o Acre, é o primeiro em nível nacional, chamando atenção não só para o número de ocorrências, mas para a brutalidade com que os crimes são cometidos”, salientou.
FACETAS TERRITORIAIS
O geógrafo André Moraes, vinculado ao Observatório Vigifeminicídio da Fiocruz Amazônia, como pesquisador independente, apresentou a palestra “Inteligência geográfica aplicada aos assassinatos femininos: proposta metodológica para mapeamento de processos pontuais em nível intraurbano”. Segundo ele, o aspecto geográfico da estratégia se destina à criação de uma metodologia para mapear as ocorrências visando a definição de estratégias territoriais de como se antecipar ao feminicídio ou como melhor qualificá-lo para as providências devidas.
“Nesse processo, temos que lidar com uma leitura de milhares de informações de jornais e outras fontes jornalísticas que trazem esses dados sobre os feminicídios e sobre o seu lugar, extraindo o teor geográfico para mapear esse fenômeno. Neste sentido, nossa perspectiva é de aperfeiçoar o método o máximo possível para que ele possa realmente revelar facetas territoriais do fenômeno e que possa se antecipar de preferência prevenindo o feminicídio e subsidiando políticas públicas voltadas ao combate da violência contra mulheres”, explicou.
Uma das formas, segundo o geógrafo, seria a definição de protocolos de coletas de informações que pudessem ser compartilhadas pelos profissionais de imprensa. “O feminicídio é uma questão estrutural, onde o gênero de quem coleta a informação é uma questão importante. Se é um jornalista homem ou mulher pode interferir na captação. Neste sentido, a qualificação da informação espacial pode ser aprimorada com um eventual contato com as entidades de classe dessa categoria para fazermos parcerias e a definição de um protocolo de apuração pelos profissionais seria de fundamental importância”, observou.
O seminário contou com mesas-redondas sobre “Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências: um olhar sobre as violências contra meninas e mulheres no Brasil”, por Naíza Nayla Bandeira de Sá; “A atuação estratégica da Secretaria Nacional de Acesso à Justiça (SAJU), no enfrentamento à violência contra a mulher: avanços e desafios”, por Raphaela de Araújo Lima Lopes; “Violência Letal e não letal contra a mulher e suas diferentes configurações”, com mediação de Leonísia Moura Fernandes (UFAC); “Feminicídio, além do crime e da pena”, por Janaína Lima Penalva da Silva, da Universidade de Brasília (UnB); “Silenciamento do feminicídio na perspectiva de familiares”, por Fernanda Costa de Castro Oeiras, do Movimento Justiça Por Viviane, de Manaus.
Em seguida, as mesas-redondas versaram sobre “Vigilância participativa do feminicídio “, com a mediação de Munique Therense Costa de Morais Pontes, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); “Atuação no Projeto Risco de óbito e fatores associados às violências contra mulheres”, por Paula Dias Beviláqua, pesquisadora especialista da Fiocruz Minas; “Rede Lilás e Observatório do Femincídio em Porto Velho (RO), por Rosimar Francelino Maciel, da Rede Liás, de Rondônia, e, por fim, “Particularidades e desafios operacionais do monitoramento de assassinatos femininos em Porto Velho e resultados preliminares sobre a caracterização das vítimas de feminicídios”, por Ana Emanuela de Carvalho Chagas, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).
O lançamento da estratégia Vigifeminicídio marcou também a entrega do primeiro centro de inteligência epidemiológica focado em feminicídios do Brasil, um espaço físico que abriga o observatório com tecnologia da informação e protocolos voltados especificamente para o monitoramento inteligente de assassinatos femininos na Amazônia Ocidental, incluindo o seu Manual de uso. A sala funciona na sede da Fiocruz Amazônia, em Manaus, e está localizada no Prédio Rio Solimões, anexo 1, contando com o apoio dos Observatórios da Estratégia de Vigilância Digital e de Prevenção ao Feminicídio instalados em Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Boa Vista (RO) e Manaus (AM), além do Rio de Janeiro (RJ).
EDUCAÇÃO
Presente à abertura do seminário, a titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher, Débora Mafra, destacou a importância da iniciativa da Fiocruz Amazônia. “A Rede Vigifeminicídio chega num momento importante em que constatamos o aumento significativo do número de crimes em dez anos de existência da Lei do Feminicídio, inclusive com a atualização da pena – a maior do Código Penal Brasileiro (40 anos), e que mesmo assim não inibe que o agressor mantenha esse ato cruel com a vítima”, destacou a delegada, enfatizando a necessidade de atuação na educação de meninos e meninas e no incentivo para que as mulheres denunciem.
A diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, ressaltou que a Fiocruz Amazônia abraçou a causa, apoiando o trabalho da Rede Vigifemincídio, desenvolvido pelo Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI). “Esse é um tema que urge e sobre o qual essa casa sempre se colocou de maneira tímida. Dentro desse cenário, o pesquisador Jesem Orellana trouxe a agenda para a instituição e junto com ela uma provocação que reconhecemos como de absoluta importância, fazendo com que nos víssemos cada vez mais visíveis nessa agenda e o quanto ela é necessária”, afirmou Stefanie. O seminário contou também com o apoio da Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) e da sua diretora-presidente, Tatyana Amorim.
ILMD/Fiocruz Amazônia, Por Júlio Pedrosa
Fotos: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia
Fiocruz Amazônia divulga resultado do processo seletivo para vagas de Aluno Especial do PPGBIO-Interação
/em Notícias /por Carlos GomesFiocruz Amazônia divulga resultado do processo seletivo para vagas de Aluno Especial do PPGBIO-Interação
O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO Interação), do Instituto Leônidas & Maria Deane, através da Vice-Diretoria de Educação, Informação e Comunicação, divulgou o resultado do processo seletivo de candidatos externos, interessados nas disciplinas oferecidas para o 1º semestre de 2026.
Confira AQUI o resultado.
SOBRE O PPGBIO-INTERAÇÃO
O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro é curso strictu sensu que tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro no âmbito da maior biodiversidade mundial.
O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na eco-epidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.
Estes diversos aspectos são os principais delineadores para escolha da área de concentração da Ciências Biológicas III, por esta ser uma área multidisciplinar e baseada no eixo bioquímica, genética, biológico, celular e molecular. Os alunos recebem uma formação em áreas estratégicas por sua importância e que precisam ser desenvolvidas no Estado.
ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia divulga resultado do processo seletivo para vagas de Aluno Especial do PPGVIDA
/em Notícias /por Carlos GomesO Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas & Maria Deane, através da Vice-Diretoria de Educação, Informação e Comunicação, divulgou o resultado do processo seletivo de candidatos externos, interessados nas disciplinas oferecidas para o 1º semestre de 2026.
Confira AQUI o resultado.
SOBRE PPGVIDA
O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
O programa também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.
ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento