COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Palestra aborda desafios para publicação em periódicos de alto impacto
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaAtualmente, existem milhares de periódicos científicos no mundo. Diante desse vasto universo bibliográfico, como driblar as barreiras na hora de escrever, e escolher a revista onde você vai publicar uma descoberta que acabou de fazer? A palestra desta semana do Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), trouxe em seu título o questionamento “Como escrever e publicar artigos em revistas internacionais?”
A abordagem foi feita pela pesquisadora do Instituto Superior de Agronomia, da Universidade de Lisboa, doutora Marina Temudo. Na ocasião, a pesquisadora falou também sobre temas relacionados a suas pesquisas, desenvolvidas no campo da agronomia política e ecologia política e humana, com abordagem interdisciplinar que inclui técnicas qualitativas e quantitativas.
Para a pesquisadora, uma das principais barreiras na hora de escrever para revistas internacionais é o domínio da escrita em inglês. “Penso que o maior problema não só dos brasileiros, mas também dos portugueses é a escrita em inglês, não só pelo domínio da língua inglesa, mas também pelo estilo de escrita em português ser muito rebuscado, com períodos muito longos. Mesmo quando a pessoa escreve em português e manda traduzir, se não fizerem um esforço de simplificar a redação antes de tradução, o tradutor não vai conseguir traduzir aquilo bem, transformando o conteúdo em algo sem sentido”, destacou.
Segundo Marina Temudo, outra dificuldade é a escolha da revista. “Temos de ser muito criteriosos, pois perdemos muito tempo para encontrar as revistas que se adequam a cada um dos temas que estamos trabalhando. Precisamos ler a revista, saber qual é o público preferencial dessa revista e suas respectivas áreas disciplinares”, explicou.
IMPACTO DE PUBLICAÇÔES
Outro fator que merece atenção dos pesquisadores são os Rankings internacionais, que avaliam o impacto de publicações científicas com base no número de vezes que seus artigos são citados em textos de outros periódicos. Publicar estudos relevantes o suficiente para conseguir um número grande de menções é uma das metas dos autores e das revistas.
ESTRATÉGIAS
Para a escolha da revista, a pesquisadora destacou as seguintes dicas: Saber a experiência de colegas que escrevem para essa revista; Ler muitos artigos publicados na revista escolhida, para conhecer o público; Conhecer o estilo de redação dos artigos; Estar atento as regras do periódico: dimensão, enfoque, estilo, nível de detalhe exigido, citação.
Antes de submeter o artigo, ela sugere que colegas, da mesma área e de outras, possam ler e contribuir com críticas. Mariana também pontua que é importante afinar o título para ser sintético e agarrar os leitores, verificar se o resumo descreve bem o argumento e as principais conclusões, conferir se o argumento está claro e se as secções estão bem ligadas umas às outras por um fio condutor, além de examinar se as conclusões estão bem relacionadas com o argumento, se dialogam com a literatura teórica, e principalmente se respondem às perguntas formuladas na primeira secção do artigo.
Sobre os entraves para publicar nas revistas de alto impacto, Mariana destacou que é importante não desistir. “Publicar um artigo em uma boa revista não é um Sprint, é uma maratona. Se temos confiança de que nosso artigo é bom devemos continuar a tentar publicar das boas revistas, pois essas revistas é que vão valorizar o nosso trabalho. Uma má revista possui milhares de publicações, podemos conseguir publicar nessas revistas, mas é um tiro em falso que estamos dando. Quando temos a certeza de que nosso trabalho é bom, devemos continuar até conseguir publicar em uma revista de alto impacto”, enfatizou.
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Estudo sequencia genoma do vírus zika encontrado em Culex
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaProfissionais da Fiocruz Pernambuco isolaram e sequenciaram, de forma inédita no mundo, o genoma do vírus zika coletado no organismo de mosquitos do gênero Culex. Também pela primeira vez, foi fotografada, por meio de microscopia eletrônica, a formação de partículas virais na glândula salivar do inseto. Essas conquistas, obtidas com o uso exclusivo das plataformas tecnológicas da Fiocruz Pernambuco, estão descritas no artigo Zika virus replication in the mosquito Culex quinquefasciatus in Brazil, publicado nesta quarta-feira (9/8) na revista Emerging microbes & infections, do grupo Nature.
A equipe do Departamento de Entomologia da instituição detectou a presença do vírus em amostras naturais de Culex colhidas na Região Metropolitana do Recife e também comprovou em laboratório que esse vírus consegue se replicar no interior do mosquito e alcançar a glândula salivar. Utilizando cartões especiais para a coleta, foi comprovada a presença de partículas do vírus na saliva dos mosquitos, o que indica a possibilidade de transmissão ao picar uma pessoa. Para a coordenadora do estudo, Constância Ayres, o artigo demonstra, “de diversas formas diferentes”, a possibilidade do Culex ser um dos vetores do vírus zika na cidade.
O pesquisador Gabriel Wallau, que também integra a equipe, considera que esse artigo vem mostrar, “com dados consistentes”, que o zika consegue se replicar dentro do organismo de Culex e que existem mosquitos dessa espécie infectados no campo. Responsável pelo sequenciamento do genoma, Gabriel explica que a cepa do vírus isolada de dois pools (grupos) de C. quinquefasciatus é semelhante à que foi previamente sequenciada, a partir de amostras humanas, pela equipe do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, em parceria com pesquisadores da Universidade de Glasgow (com artigo publicado na revista PLoS Neglected Tropical Diseases em outubro de 2016). Ele destaca que o ineditismo de agora reside no fato do vírus ter sido obtido de amostras de mosquito.
Para Gabriel, essa semelhança era esperada, pois trata-se de uma linhagem de vírus que estava circulando no estado. Mas o fato de terem sido encontradas mutações nas amostras corrobora a metodologia utilizada nas análises, mostrando que não houve contaminação no laboratório. O pesquisador explica que os vírus de RNA de fita simples, como o zika, têm uma altíssima taxa de mutação e que já existem trabalhos na literatura científica reportando que a simples replicação desses vírus dentro do organismo, humano ou do mosquito, gera novas mutações.
Os resultados encontrados estão servindo de base para o início de novos estudos. De um lado, na verificação das mutações presentes nos genomas e se elas influenciam na capacidade de replicação do vírus no organismo do mosquito. Por outro lado, agora que estabeleceu a competência do Culex quinquefasciatus como vetor do zika, o grupo parte para estudar a sua capacidade vetorial, ou seja, será analisado o conjunto de suas características fisiológicas e comportamentais, no ambiente natural, para entender o papel e a importância dessa espécie na transmissão do vírus zika.
MAIS DETALHES DA PESQUISA
O estudo foi conduzido pela Fiocruz Pernambuco na Região Metropolitana do Recife, onde a população do Culex quinquefasciatus é cerca de vinte vezes maior do que a população de Aedes aegypti. Os resultados da pesquisa de campo apresentados no artigo mostram a presença de Culex quinquefasciatus infectados naturalmente pelo vírus zika em três pools (grupos) de mosquitos Culex (de um total de 270 pools) e dois pools de Aedes (de um total de 117). Em duas dessas amostras os mosquitos não estavam alimentados, demonstrando que o vírus estava disseminado no organismo do inseto e não em uma alimentação recente num hospedeiro infectado. O vírus foi isolado dessas amostras e seu genoma foi sequenciado.
Na etapa de laboratório, com o objetivo de investigar a competência vetorial das espécies Culex quinquefasciatus e Aedes aegypti, os mosquitos foram alimentados com uma mistura de sangue e vírus, permitindo o acompanhamento do processo de replicação do patógeno dentro do inseto. Foram realizadas duas infecções de mosquitos, cada infecção com duas concentrações de vírus diferente (104 e 106). A menor simula a condição de viremia de um paciente real. Depois os mosquitos foram coletados em diferentes momentos: no tempo zero (logo após a infecção), três dias, sete dias e 15 dias após a infecção pelo vírus.
Um grupo controle, com mosquitos alimentados com sangue sem o vírus, também foi mantido. Cada mosquito foi dissecado para a extração do intestino e da glândula salivar, tecidos que representam barreiras ao desenvolvimento do vírus. Se a espécie não é vetor, em determinado momento o desenvolvimento do vírus é bloqueado pelo organismo do mosquito. No entanto, se ela é vetor, a replicação do vírus acontece, dissemina no corpo do inseto e acaba infectando a glândula salivar, a partir da qual poderá ser transmitido para outros hospedeiros durante a alimentação sanguínea, pela liberação de saliva contendo vírus. Segundo Constância, a partir do terceiro dia após a alimentação artificial, já foi possível detectar a presença do vírus nas glândulas salivares das duas espécies de mosquito investigadas. Após sete dias, foi observado o pico de infecção nessas glândulas.
Além da detecção do vírus nesses tecidos (intestino e glândula salivar), foram investigadas amostras de saliva expelida pelos mosquitos infectados. A carga viral encontrada nas duas espécies estudadas (Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus) foi similar.
Fiocruz Pernambuco, por Solange Argenta
Fonte: AFN
Centro de Estudos vai abordar publicação de artigos em revistas internacionais
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaA palestra desta semana do Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), traz em seu título o questionamento “Como escrever e publicar artigos em revistas internacionais?”
O tema será abordado pela pesquisadora do Instituto Superior de Agronomia, da Universidade de Lisboa, doutora Marina Temudo. O encontro acontece na sexta-feira, 11/8, às 9h, no Salão Canoas, na sede do ILMD/Fiocruz Amazônia, à rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.
Segundo Claudia Ríos, Coordenadora do Centro de Estudos, e Vice-Diretora de Ensino, Comunicação e Informação do Instituto, “a palestrante falará sobre sua experiência como pesquisadora e sobre o processo contínuo de aprendizagem de escrita e publicação de artigos em revistas internacionais de alto impacto”.
Na ocasião, Marina Temudo abordará também temas relacionados a suas pesquisas, desenvolvidas no campo da agronomia política e ecologia política e humana, com abordagem interdisciplinar que inclui técnicas qualitativas e quantitativas. Seus trabalhos abrangem desde o uso da terra e mudanças na paisagem, até seguridade alimentar, conservação de agrobiodiversidade e conservação de recursos naturais indígenas.
CENTRO DE ESTUDOS
O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.
ILMD/ Fiocruz Amazônia
Novos membros do Conselho Deliberativo do ILMD/Fiocruz Amazônia são apresentados
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaForam apresentados nessa segunda-feira (7/8), os novos membros do Conselho Deliberativo (CD) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), durante reunião ordinária do Conselho.
A Comissão Eleitoral apresentou os titulares e suplentes, representantes das áreas de Pesquisa, Ensino e Gestão da Fiocruz Amazônia, eleitos para o biênio 2017-2019.
A eleição ocorreu na última sexta-feira (4/8), e a apuração foi feita em seguida pela Comissão Eleitoral. A Comissão da eleição foi instituída e homologada pelo Conselho Deliberativo do ILMD/ Fiocruz Amazônia, por meio da Portaria número 018, de 19/6/2017, para organizar e coordenar os trabalhos relativos às eleições.
Foram eleitos na área da pesquisa: Priscila Aquino e Pritesh Lalwani, com 67,65% dos votos; Rodrigo Tobias e Fernando Herkrath, com 70,51%; Stefanie Lopes e Amandia Souza, com 58,82%; Ani Beatriz Matsuura e Maria Jacirema, com 79,41% dos votos válidos. Na área da gestão foram eleitos Helena Coutinho e Carlos Fabrício da Silva, com 91% dos votos; e no Ensino foram nomeados Aldemir Maquiné e Anízia Aguiar, com 100% dos votos válidos.
Ascom ILMD/ Fiocruz Amazônia
Pesquisa avalia o processo de trabalho das equipes de saúde no Brasil
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaComeçaram as defesas da primeira turma de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).
“Avaliação da atenção básica com foco no processo de trabalho das equipes de saúde através do Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB – ciclo II)”, é o título da dissertação defendida por Bárbara Castro, sob a orientação da professora doutora, Rosana Parente.
O estudo avaliou a adequação do processo de trabalho das equipes de saúde do Brasil, através do PMAQ-AB, com base nos dados do segundo ciclo de avaliação do Programa, realizado no segundo semestre de 2014. Participaram da pesquisa 29.777 equipes de saúde distribuídas em 4.826 municípios brasileiros.
Segundo Bárbara Castro, seu interesse por estudos avaliativos na área da saúde foi despertado durante a vivência na Atenção Básica, enquanto participava de um programa de residência em saúde. “Essa experiência foi essencial neste processo de formação, para compreensão de como eram oferecidos os serviços de atenção à saúde da mulher, e como se articulavam com o sistema de saúde, de modo mais amplo”, explicou.
METODOLOGIA
O estudo pretende contribuir com a valorização da pesquisa, como ferramenta para fomentar a cultura da avaliação nos serviços de saúde e consequentemente subsidiar a tomada de decisões por parte dos trabalhadores, gestores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), além de fortalecer a Atenção Básica como modelo de atenção à saúde e auxiliar na realização de novas pesquisas avaliativas no Brasil, com foco no trabalho das equipes de atenção básica. “Essa pesquisa poderá contribuir com as autoridades sanitárias, os profissionais de saúde, a sociedade, o meio acadêmico e, em especial, os usuários que poderão exigir qualidade no atendimento integral à sua saúde”, comenta Bárbara.
Para analisar a adequação do processo de trabalho das equipes foram consideradas características demográficas e indicadores de saúde dos municípios do país, como: região geopolítica, porte populacional, índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e Cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF); e, posteriormente, foram realizadas associações dessas variáveis com a adequação do processo de trabalho das equipes.
RESULTADOS
Os resultados da pesquisa revelaram grandes desigualdades no processo de trabalho das equipes de saúde entre as regiões brasileiras, com impactos significativos no acesso e na qualidade da atenção à saúde na Atenção Básica. “A estas desigualdades pode-se atribuir as especificidades locais, assim como também a forte influência do IDHM, porte populacional e cobertura da ESF. No que tange às regiões geopolíticas o Sudeste e o Nordeste apresentaram o melhor perfil de equipes adequadas, em contrapartida a região Norte e o Centro-Oeste apresentaram os piores resultados de adequação do processo de trabalho das equipes de atenção básica. As equipes com a maior proporção de adequação foram encontradas em municípios de elevado porte populacional”, destacou a pesquisadora.
A análise aponta que o processo de trabalho das Equipes de Atenção Básica (EAB) é incipiente, fragmentado, desarticulado e que os entraves para a consolidação da Atenção Básica estão impregnados no contexto de saúde brasileiro. Embora o PMAQ-AB tenha sido instituído com o intuito de garantir um padrão de qualidade assistencial a nível local, regional e nacional, trata-se de uma pesquisa cuja avaliação é realizada com base num padrão de assistência defina pelas políticas nacionais do Ministério da Saúde (MS), sendo reproduzida nos mais diversos contextos de saúde do país.
“No cotidiano do serviço de uma unidade básica de saúde da família pude observar algumas condições estruturais, assistenciais, e inclusive o processo de trabalho da equipe, que comprometiam a continuidade do cuidado e a qualidade da assistência. O serviço contava com a atuação de uma equipe multiprofissional, mas pouco se visualizava a integração destes profissionais no cuidado a saúde dos indivíduos. Era intensa a hegemonia médica nas ações em saúde que deveriam ser em equipe, além das amplas relações de poder”, conclui Bárbara Castro.
SOBRE O PPGVIDA
O PPGVIDA é um programa de mestrado do ILMD/Fiocruz Amazônia, que tem por objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia; planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.
As defesas ocorridas no âmbito dos programas do ILMD/Fiocruz Amazônia são abertas ao público. Outras defesas do PPGVIDA devem ocorrer ao longo deste segundo semestre.
Acompanhe programação de defesas aqui.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Doação de leite humano auxilia desenvolvimento de prematuros
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO bebê prematuro é aquele que nasceu antes de completar 37 semanas de gestação e a amamentação para ele é essencial pois, oferecida de forma exclusiva, diminui significativamente a incidência e a gravidade de algumas doenças específicas, que só ocorrem nessa fase da vida do bebê. O leite materno nutre, auxilia no crescimento e desenvolvimento, além de facilitar a formação do vínculo entre mãe e bebê – um dos aspectos mais importantes para o recém-nascido prematuro.
Geralmente, o bebê prematuro permanece algum tempo internado até ganhar peso para poder ir para casa (a partir de 1.800g) e a alimentação é feita de acordo com esse peso, as condições clínicas e o grau de prematuridade. A pediatra do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Marlene Roque Assumpção explica que, quanto maior a idade do bebê, mais esperto ele será. “Nestes casos, o bebê poderá mamar diretamente no seio materno, mas quando for muito prematuro, o início da alimentação será pela sonda gástrica ou pelo uso do copinho, que é indicado quando a mãe não está presente no momento da mamada, ou quando o bebê cansa e não consegue extrair todo o leite que necessita”, explicou.
O prematuro é um bebê sonolento e, por isso, precisa ser acordado e estimulado nos horários das mamadas. Inicialmente, se houver muita dificuldade para sugar, a mãe deve ordenhar o leite e oferecer a ele em um copinho. “A frequência das mamadas vai depender de quantas vezes o bebê solicita o peito, tanto de dia quanto de noite, sendo indicado sempre a livre demanda. À medida que crescem vão se acomodando a um ritmo próprio de frequência e duração”, enfatizou Marlene Roque.
Para facilitar a interação, que pode ser mais difícil por conta da rotina da unidade de terapia intensiva neonatal (UTI neo), os pais podem falar com o bebê antes de tocá-lo. A voz suave da mãe o acalma e o toque carinhoso dá segurança e tranquilidade ao bebê. “Realizar o contato pele a pele com o bebê mantém a temperatura corporal, auxiliando na função pulmonar e cardíaca dele. Além disso, amamentar e fazer o método canguru também auxiliam bastante na recuperação do peso do bebê, bem como proporcionam o desenvolvimento”, aconselha a pediatra.
CUIDADOS PARA UTILIZAR O COPINHO:
1 – Lave as mãos antes de oferecer leite no copinho para o bebê;
2 – Observe a temperatura do leite (se não for o leite da mãe retirado no mesmo momento);
3 – Coloque o bebê em posição semi-sentada;
4 – Apoie a borda do copo no lábio inferior do bebê para evitar que ele empurre o copo para fora com a língua;
5 – Espere que o bebê sugue o leite e não o obrigue a engolir.
Não é recomendado oferecer o leite em mamadeira, pois o bebê se acostuma ao bico que é oferecido. “Quando o bebê mama no peito, realiza uma ordenha, que trabalha toda a musculatura facial. Na mamadeira, ao contrário, ele chupa o leite como chupamos um canudinho, não usando adequadamente os músculos faciais, podendo apresentar mais tarde, problemas dentários, respiratórios e de linguagem”, alerta a pediatra.
Há casos em que, por conta da prematuridade, a mãe não consegue produzir leite suficiente para alimentar o filho, neste momento o BLH local se faz essencial, pois é o leite doado a esse local que irá alimentar o bebê. “O leite doado aos BLHs e postos de coleta passa por um rigoroso processo de seleção, classificação e pasteurização até que esteja pronto para ser distribuído com qualidade certificada a bebês internados em unidades de terapia intensiva neonatais. Todas as mulheres em fase de amamentação e que produzam um volume de leite que excede a necessidade de seu filho podem doar. As lactantes também devem ser saudáveis e não podem fazer uso de medicamentos que impeçam a doação. Diferente da doação de sangue que necessita de coleta presencial, a doação de leite humano pode ser feita em casa e aos poucos, conforme orientações de higienização e armazenamento adequados”, esclareceu a pediatra.
Para se tornar doadora, basta entrar em contato com o BLH mais próximo e realizar um cadastro mediante apresentação dos últimos exames de sangue. A equipe irá orientar sobre a forma correta de coletar o leite. O leite humano a ser doado pode permanecer congelado por 15 dias. Antes deste período, a nutriz deve entrar em contato para providenciar a coleta em seu domicílio. Para esclarecer dúvidas, consulte o site da rBLH ou ligue gratuitamente para 0800 026 8877.
IFF/Fiocruz, por Juliana Xavier
Foto: Aline Câmera (IFF/Fiocruz).
Eleições para o CD/ ILMD: conheça as chapas
/em Notícias, Outras /por Marlucia AlmeidaNeste ano, servidores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) elegem seus representantes no Conselho Deliberativo (CD) do Instituto.
A Comissão Eleitoral promoveu nesta terça-feira (1/8) encontros para a apresentação das chapas inscritas para o processo de escolha dos membros do conselho para o biênio 2017-2019.
A eleição será realizada na próxima sexta-feira (4/8), no período de 8h às 17h, a ocorrer na sala de reunião da Biblioteca. O servidor que não puder comparecer à urna no dia da eleição, poderá votar por e-mail: comissaoeleitoral.ilmd@fiocruz.br .
A Comissão desta eleição foi instituída e homologada pelo Conselho Deliberativo do ILMD/ Fiocruz Amazônia, por meio da Portaria 018/2017, de 19/6/2017, para organizar e coordenar os trabalhos relativos às eleições.
A apuração dos votos será feita pela Comissão Eleitoral, imediatamente após o término da votação, nas dependências do ILMD.
Confira as chapas inscritas e cartas-compromisso
ENSINO
TITULAR: Aldemir Maquiné
SUPLENTE: Anízia Aguiar
GESTÃO
TITULAR: Helena Guedes Coutinho
SUPLENTE: Carlos Fabrício da Silva
PESQUISA
TITULAR: Priscila Aquino
SUPLENTE: Pritesh Lalwani
PESQUISA
TITULAR: Rodrigo Tobias Lima
SUPLENTE: Fernando Herkrath
PESQUISA
TITULAR: Stefanie Lopes
SUPLENTE: Amandia Souza
PESQUISA
TITULAR: Ani Beatriz Matsuura
SUPLENTE: Maria Jacirema Gonçalves
Concluído o maior mapeamento da diversidade genética do vírus da hepatite B
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaO mais completo levantamento da diversidade genética dos vírus da hepatite B já realizado no Brasil mostra que a pluralidade de origens da população brasileira se reflete também nos microrganismos que circulam no país. Liderado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o estudo é resultado da parceria entre onze laboratórios e instituições de pesquisa de todas as regiões, com apoio do Ministério da Saúde. Mais de mil amostras foram analisadas, referentes a casos crônicos de hepatite B registrados em mais de cem cidades de 24 estados e no Distrito Federal. Os resultados apontam que os casos brasileiros estão relacionados a sete dos dez genótipos do vírus da hepatite B identificados no mundo. A distribuição das variantes virais muda significativamente de uma região para outra e, até mesmo, de um estado para o outro. Os resultados foram publicados na revista científica Journal of General Virology.
Coordenadora do estudo, a chefe do Laboratório de Hepatites Virais do IOC, Elisabeth Lampe, explica que os vírus da hepatite B evoluíram junto com as populações humanas. Dessa forma, a distribuição geográfica das diferentes variantes genéticas – nomeadas por letras de A até J – está relacionada às origens das populações, sendo impactada pelas migrações e pelos deslocamentos populacionais. “O Brasil apresenta um cenário muito diferente dos outros países da América do Sul, onde o genótipo F do vírus da hepatite B – mais associado às populações americanas nativas – é predominante. No território brasileiro, vemos grande presença de genótipos associados com populações europeias e africanas, e chama atenção a ampla variação regional”, ressalta a pesquisadora.
Na literatura científica, apenas um trabalho, realizado no Canadá, apontou a presença de oito genótipos do vírus da hepatite B circulando em um mesmo país – um a mais do que o que acaba de ser verificado no Brasil. “Em comum, temos dois países continentais, com populações formadas por imigrantes de diferentes nacionalidades”, comenta Francisco Mello, pesquisador do Laboratório de Hepatites Virais do IOC e coautor do estudo. “No Brasil, conseguimos observar a presença de sete genótipos virais em um único estado: São Paulo, que além de ser o estado mais populoso da federação é formado por diversas comunidades de imigrantes e atrai um grande fluxo de visitantes internacionais”, completa.
O Laboratório de Hepatites Virais do IOC atua como referência nacional em Hepatites Virais junto ao Ministério da Saúde, e o esforço para traçar o mapa da diversidade genética do vírus da hepatite B no país foi realizado em resposta a uma demanda do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), Aids e Hepatites Virais. Estudos anteriores traziam dados limitados a algumas regiões do país e o trabalho mais abrangente produzido até então continha amostras de apenas nove estados – agora apenas Piauí e Rio Grande do Norte não foram incluídos na pesquisa. Para realizar o levantamento, os cientistas estabeleceram uma rede chamada de Grupo Brasileiro de Pesquisa em Hepatite B, com a participação de nove laboratórios públicos, com representação das cinco regiões do Brasil. Com financiamento do Ministério da Saúde, as unidades foram equipadas e receberam treinamento para realizar os testes de genotipagem que permitiram construir o mapa nacional de circulação do vírus. Em sete estados, esta é a primeira vez que os genótipos do vírus da hepatite B passam a ser conhecidos: no Amapá, Roraima, Ceará, Paraíba, Sergipe e Espírito Santo este tipo de investigação nunca havia sido realizado.
“Com essa grande colaboração, conseguimos obter e analisar mais de mil amostras, não apenas das capitais, mas também de dezenas de cidades do interior. Em grande medida, a origem das amostras reflete a distribuição da população brasileira no território nacional. Por isso, obtivemos um mapeamento abrangente e representativo da distribuição geográfica dos vírus da hepatite B”, destaca Elisabeth.
GENÓTIPOS PREDOMINANTES
Identificado em quase 59% dos casos analisados, o genótipo A do vírus da hepatite B foi o mais frequente no Brasil. Com perfil de distribuição considerado global, essa variante viral é encontrada com mais frequência no Norte da Europa, América do Norte e África Subsaariana, e foi predominante na maioria dos estados do Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Em segundo lugar, o genótipo D foi detectado em 23% dos casos no país. No entanto, essa variante viral – que também apresenta distribuição global, mas é associada principalmente com populações da Europa, Mediterrâneo e Oriente Médio – foi majoritária na região Sul, respondendo por cerca de 80% dos registros. Ligado às populações indígenas americanas, o genótipo F foi o terceiro mais frequente no levantamento nacional, com 11% dos casos. Porém, observando apenas o Nordeste, ficou em segundo lugar (cerca de 23% dos registros na região).
Com distribuição geográfica internacional conhecidamente mais restrita, os vírus B, C, E e G foram encontrados em baixo número de ocorrências. Associado à África Ocidental, o genótipo E respondeu por 1,8% das infecções, enquanto o genótipo G – identificado em alguns países das Américas e Europa – foi identificado em 1,3%. Ambos ligados a populações asiáticas, os genótipos B e C alcançaram apenas 1% dos casos analisados. “É interessante notar que, em São Paulo, esses genótipos raros no país responderam por 12% das amostras, refletindo o caráter cosmopolita do estado”, pontua Francisco. Um dos estados que tiveram o perfil genético dos vírus mapeados pela primeira vez, o Ceará apresentou um resultado surpreendente: foi o único do país a apresentar predominância do genótipo F, identificado em aproximadamente 53% das infecções. “Historicamente, moradores do Ceará se deslocam para áreas isoladas da região amazônica em busca de trabalho, o que pode explicar um contato mais frequente com populações indígenas e a maior presença dessa variante viral no estado”, acrescenta o pesquisador.
CONTRIBUIÇÃO PARA A VIGILÂNCIA
Segundo os cientistas, o mapeamento dos perfis genéticos dos vírus da hepatite B no Brasil deve contribuir para o controle da doença no país. “Esses dados são importantes para a chamada vigilância molecular, que é baseada na análise do genoma viral. Por exemplo, a detecção da introdução ou da maior disseminação de determinada variante viral em uma região pode indicar a necessidade de reforço nas medidas de prevenção da doença, especialmente a vacinação”, explica Elisabeth. Ela afirma também que a relação da variabilidade genética dos vírus com a progressão da doença tem sido investigada em diversos estudos. “Algumas pesquisas apontam que o genótipo viral pode influenciar no desenvolvimento de formas crônicas da hepatite B e na resposta ao tratamento. Até o momento, os dados não são suficientes para justificar alterações nas condutas terapêuticas, mas o conhecimento sobre a diversidade genética dos vírus no Brasil pode ter ainda mais aplicações no futuro”, completa.
O vírus da hepatite B é transmitido principalmente em relações sexuais. Além disso, o contágio pode ocorrer por via sanguínea, incluindo compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos que furam ou cortam. A infecção também pode ser passada da mãe para o filho, durante a gestação, o parto ou a amamentação. O vírus afeta principalmente o fígado e a maioria dos pacientes apresenta quadros agudos, que podem ser assintomáticos ou ter sintomas como enjôo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados. No entanto, 5% a 10% das pessoas infectadas evoluem para formas crônicas da doença, com duração maior do que seis meses e possibilidade de complicações como cirrose e câncer no fígado.
DIA MUNDIAL DE LUTA
A data de 28 de julho é declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, com o objetivo de aumentar a conscientização entre a população e o engajamento dos países no enfrentamento destas doenças. Segundo o Ministério da Saúde, no ano passado, foram diagnosticados 42,8 mil novos casos de hepatites virais no Brasil, sendo aproximadamente 14 mil casos de hepatite B. Elisabeth destaca que o diagnóstico tardio é um dos desafios no enfrentamento do agravo. “Na maioria dos casos, a hepatite B é uma doença silenciosa, que não apresenta sintomas antes do desenvolvimento das complicações crônicas. Por isso, é fundamental realizar o teste, que é oferecido gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS)”, enfatiza Elisabeth.
Os cientistas ressaltam que a infectividade do vírus da hepatite B é maior que a do HIV, mas é possível evitar a doença com a vacinação e outras medidas de proteção. “Atualmente, a vacina contra hepatite B faz parte do calendário de imunização infantil e está disponível para toda a população até 49 anos nos postos de saúde. Portanto, é fundamental que todos procurem se vacinar”, afirma Francisco. Usar camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, seringas e agulhas são outras ações importantes para prevenir o contágio. Os exames para detectar a infecção também devem ser realizados no pré-natal e, em caso positivo, há recomendações médicas especiais para o parto e a amamentação com objetivo de evitar a transmissão para o bebê.
Artigo: Lampe et al. Nationwide overview of the distribution of hepatitis B virus genotypes in Brazil: a 1000-sample multicentre study. Journal of General Virology 2017; 98: 1389-1398
IOC/Fiocruz, por: Maíra Menezes
*Edição: Raquel Aguiar