COLEÇÃO BIOLÓGICA DO INSTITUTO LEÔNIDAS E MARIA DEANE – CBILMD
ILMD/Fiocruz Amazônia
ILMD/Fiocruz Amazônia
O Brasil destaca-se por ser detentor da maior biodiversidade do planeta e parte dela encontra-se na Região Amazônica. Essa tamanha variabilidade genética pode ganhar ainda mais valor quando devidamente organizada, classificada, documentada e disponível para acesso sempre que houver demanda, seja ela para pesquisa ou aplicações tecnológicas. Atento a isso, em 2001, o então Escritório Técnico da Fiocruz na Amazônia hoje Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) insere na sua política institucional a Coleção Biológica como um eixo agregador de suas linhas de pesquisas. As coleções biológicas são recursos estratégicos, de segurança nacional, que podem fazer parte da infraestrutura de inovação do país. As informações contidas nestas coleções são recursos-chave para que o país possa utilizá-las no estabelecimento de estratégias rápidas e eficientes para o desenvolvimento científico e tecnológico.
A Coleção Biológica do ILMD conta com 1455 amostras entre fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificadas, conservadas (sob óleo mineral e bloco de ágar em água destilada e meio liquido TBS-Glicerol 20%, ágar sólido estok). As culturas de fungos filamentosos estão parcialmente caracterizadas quanto à produção de antibiose e enzimas de interesse industrial. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma. Foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica como, por exemplo, solo, água, plantas, frutos e ar. As amostras bacterianas são provenientes de amostras clínica (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais). As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. Já iniciamos os procedimento para liofilização de todo o acervo da CBILMD. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto de linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileiro, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.
Aula inaugural marca início do ano letivo na Fiocruz Amazônia
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaNa próxima terça-feira, 6/3, será dado início ao ano letivo do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD / Fiocruz Amazônia). A abertura das atividades será marcada pela palestra “Capacitação de pessoal para o Sistema Único de Saúde (SUS): desafios e perspectivas”, que será ministrada por Manoel Barral Netto, vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, da Fundação Oswaldo Cruz (VPEIC/Fiocruz).
Na oportunidade, também será a aula inaugural do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da lnteração Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação). O evento terá início às 9h, no Salão Canoas, auditório da Unidade, situada à rua Teresina, 476, Adrianópolis, Zona Sul de Manaus.
Os programas, cursos e atividades de ensinos desenvolvidos pela Fiocruz Amazônia visam qualificar profissionais para funções especializadas nos campos das ciências e tecnologias em saúde, necessários à sociedade, bem como aprofundar conhecimentos e habilidades, voltando-se prioritariamente para a área de Saúde Coletiva e afins, promovendo atualização sobre os avanços de conhecimentos nesse campo e a ampliação das competências profissionais dos discentes.
Atualmente o Instituto conta com os seguintes cursos de Mestrado: Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação) e o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA)
SOBRE O PPGVIDA
O Programa tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.
Além disso, o PPGVIDA também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica
SOBRE O PPGBIO-INTERAÇÃO
O PPGBIO-Interação tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro, no âmbito da maior biodiversidade mundial.
O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na ecoepidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Fiocruz Amazônia e Susam realizam oficina de troca de saberes com parteiras, gestores e profissionais de saúde em Nova Olinda do Norte
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaComeçou hoje, 28/02, e vai até quinta-feira, 01/03, a sexta oficina de trocas de saberes do projeto “Redes vivas e práticas populares de saúde: conhecimento tradicional das parteiras e a educação permanente em saúde para o fortalecimento da rede de atenção à saúde da mulher no Estado do Amazonas”. As atividades acontecem na sede da Associação Pestalozzi, em Nova Olinda do Norte, no horário das 8h às 17h.
O projeto é desenvolvido pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), através do Laboratório de História, Políticas e Saúde na Amazônia (LAHPSA) em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) e conta com aporte financeiro do Ministério da Saúde (MS).
Com apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Nova Olinda do Norte, articulado pela Susam, durante os dois dias, parteiras, gestores e profissionais de saúde do município participam das atividades para explorar os aspectos de atuação, localização e forma de cuidado com gestantes e recém-nascidos.
Segundo o coordenador do projeto, Júlio Cesar Schweickardt, conhecer e reconhecer o trabalho das parteiras tradicionais significa mudar as concepções sobre as ações dessas mulheres no campo da saúde, garantindo o seu lugar como um agente de saúde nos territórios. Para ele, além de ser uma prática milenar de assistência ao parto, essas personagens atuam como lideranças e referência nos seus locais e contextos comunitários. “Estamos operando não somente com conceitos, mas também com formas de realizar a saúde nos diferentes territórios e grupos sociais da Amazônia”, destacou o coordenador.
A cada oficina realizada, o grupo de pesquisa ajuda as parteiras a escrever uma Carta de Demanda que é encaminhada à gestão das secretarias de saúde e maternidades. Amanhã a oficina contará com a participação da Secretária Municipal de Saúde de Nova Olinda do Norte, Romina Alves de Brito.
O projeto tem como área de abrangência 20 regiões de saúde do Amazonas e sua conclusão está prevista para o final de 2018. As oficinas já foram realizadas em Manaus, Lindoia, Tefé, Maués e Parintins e no final de março, o destino da equipe do projeto será o município de Lábrea, distante 702 quilômetros de Manaus.
Lahpsa/Fiocruz Amazônia, por Mirinéia Nascimento
Fotos: Mirinéia Nascimento
1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde vai debater fortalecimento do SUS
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaTem início nesta terça-feira (27), em Brasília, a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde. Organizada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), o objetivo é propor diretrizes para a formulação da Política Nacional de Vigilância em Saúde e o fortalecimento de ações de Promoção e Proteção à saúde.
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, participa da abertura da Conferência, ocasião em que fará um balanço das ações de vigilância em saúde. O fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a democracia, a importância do olhar para o território, as responsabilidades do poder público e o lugar da Vigilância em Saúde no SUS, estão entre os temas que serão discutidos com acadêmicos, especialistas, conselheiros de saúde, trabalhadores, usuários e gestores.
A abertura terá como tema Vigilância em Saúde: Direito, Conquistas e Defesa de um Sistema Único de Saúde (SUS) Público de Qualidade. O evento deverá reunir cerca de 2 mil pessoas de várias partes do Brasil que participaram de centenas de conferências, realizadas em 2017 em todo o país, tanto municipais quanto estaduais, distrital, macrorregionais, livres e plenária. Ao todo 170 propostas consolidadas nas etapas preparatórias serão levadas para a Conferência Nacional.
Para discutir questões nos eixos de Vigilância em Saúde: Direito, Conquista e Defesa de um SUS Público de Qualidade; O Lugar da Vigilância em Saúde no SUS e Saberes, Práticas, Processos de trabalhos e Tecnologias na Vigilância em Saúde; e Responsabilidades do Estado com a Vigilância em Saúde e Vigilância Participativa e Democrática para o Enfrentamento das Iniquidades Sociais em Saúde, a Conferência Nacional vai reunir palestrantes como: o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa; a procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de SP, Élida Graziane; o professor do Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Norberto Rech; e o ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo.
A 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde surgiu a partir dos resultados da 15ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 2015, e em decorrência de diversos debates ocorridos no Conselho Nacional de Saúde em torno de variadas agendas. O evento será realizado, até o dia 02 de março, no Centro de Eventos da Ascade (SCES Trecho 2, Conjunto 10, Lote 18, Asa Sul, Brasília). A abertura oficial será as 18 horas.
Para saber mais:
Conheça a programação e os palestrantes da 1ª CNVS
Conheça o Caderno das Propostas Consolidadas para a 1ª CNVS
Agência Saúde, Por Ana Cláudia Amorim
Fonte: Minstério da Saúde
Entenda o papel de cada inseto na transmissão da febre amarela
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaDados do Ministério da Saúde mostram que o país contabiliza, de julho de 2017 a fevereiro de 2018, 164 mortes por febre amarela, com 545 casos confirmados e 422 em investigação. Até o momento, todas as notificações estão associadas ao ciclo silvestre da doença, afetando pessoas que contraíram o vírus em áreas de mata ou em suas proximidades. Segundo a pasta, os casos de infecção em área urbana não ocorrem no Brasil desde 1942. Uma das diferenças centrais entre as duas formas de aquisição da infecção está nos mosquitos que transmitem o vírus da febre amarela em cada ambiente, como explicam pesquisadoras do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
Enquanto nas florestas insetos dos gêneros Haemagogus e Sabethes disseminam o agravo, nas cidades, o Aedes aegypti, vetor da dengue, zika e chikungunya, tem potencial de transmissão. Em testes de laboratório, foi comprovada a capacidade de mosquitos Aedes do Rio de Janeiro, Manaus e Goiânia na transmissão de linhagens do vírus que circulam no Brasil e na África. Os especialistas ressaltam a importância de medidas preventivas para evitar a reurbanização da doença.
“Os mosquitos Haemagogus e Sabethes vivem na copa das árvores. Por isso, o alvo preferencial das suas picadas são os macacos, que compartilham o mesmo habitat”, relata Dinair Couto, pesquisadora do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários. Assim, no ciclo silvestre da febre amarela, a circulação do vírus é mantida pela interação entre os vetores e os primatas, que são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus: é a partir da picada em primatas infectados que mais mosquitos podem contrair o vírus.
Os símios da América do Sul são muito sensíveis ao vírus da febre amarela. Eles adoecem de forma semelhante aos seres humanos e frequentemente morrem. O óbito de macacos em determinada área é um dos principais indícios de circulação do vírus na floresta. “Nesse ciclo, a infecção humana ocorre de forma acidental. Ao entrar ou se aproximar de uma área de mata onde há epizootia [mortalidade de macacos], as pessoas não vacinadas podem contrair a infecção através de picadas de mosquitos Haemagogus ou Sabethes infectados, que eventualmente descem da copa das árvores para perto do solo. Sem imunidade à doença, elas serão infectadas”, completa Maria Goreti Freitas, pesquisadora do mesmo Laboratório.
Diferentes espécies de mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes podem transmitir a febre amarela em ambientes silvestres. No Brasil, as mais frequentes são Haemagogus janthinomys e Haemagogus leucocelaenus, insetos considerados vetores primários da forma silvestre da doença, uma vez que suas características genéticas, biológicas e comportamentais são favoráveis para a transmissão, tornando-os capazes de desencadear e manter a circulação do vírus. Entre as espécies do gênero Sabethes, as mais comuns são Sabethes chloropterus e Sabethes albiprivus, mosquitos considerados vetores secundários do vírus, pois não são capazes de sustentar a circulação viral isoladamente, mas podem contribuir para a sua manutenção. Os dois gêneros de insetos podem ser encontrados em florestas de Norte a Sul do país.
HÁBITOS E APARÊNCIA
Visualmente, Haemagogus e Sabethes são mosquitos bem diferentes. No entanto, seus hábitos apresentam semelhanças. No primeiro grupo, os Hg. leucocelaenus apresentam o tórax coberto de escamas escuras com uma faixa prateada longitudinal na parte superior, enquanto os Hg. janthinomys possuem o tórax coberto de escamas de tonalidade escura, que varia de verde-escuro a azul. “A olho nu, os Haemagogus se parecem com os Aedes, sendo que os Hg. leucocelaenus se assemelham especialmente aos Aedes albopictus por possuírem a mesma listra longitudinal no tórax. A principal diferença é que eles não apresentam listras brancas nas pernas”, destaca Dinair. Por outro lado, os Sabethes chamam atenção pelo colorido metalizado, com tons de violeta, roxo, azul e verde.
Os Haemagogus e Sabethes são estritamente silvestres, sendo que os Sabethes são ainda mais seletivos na sua dispersão. Os vetores se concentram nos locais de vegetação preservada, e os Haemagogus podem ser encontrados ainda na periferia das florestas, nas chamadas franjas da mata, onde os Sabethes geralmente não se aventuram. Hg. leucocelaenus pode voar alguns quilômetros através de desacampados para atingir porções de mata isoladas pela ação do homem. Para se reproduzir, esses insetos colocam seus ovos nos ocos das árvores e em bambus, no acúmulo de água formado nos internódios (as conexões entre trechos do caule). Assim como os Aedes, os Haemagogus não depositam seus ovos diretamente na superfície aquática, mas sim na parede interna do criadouro próximo à lâmina d’água. Quando os ovos são submersos, as larvas eclodem e passam a se desenvolver, se alimentado da matéria orgânica presente na água, até se tornarem pupas. Cerca de sete a dez dias após a eclosão dos ovos, os Haemagogus chegam à fase de mosquitos adultos. Já os Sabethes lançam seus ovos diretamente sobre a superfície da água e chegam à fase adulta quase um mês depois.
Insetos Haemagogus e Sabethes possuem um tempo de vida considerado longo para mosquitos, o que pode favorecer a propagação dos vírus. Observações em laboratório indicam que o tempo de sobrevivência de ambos ultrapassa meses após os insetos atingirem a idade adulta. “Esse fator é importante porque, uma vez infectado, o mosquito permanece portador e capaz de transmitir o vírus da febre amarela durante toda a vida”, diz Dinair.
COMPARAÇÕES COM O AEDES
Insetos Haemagogus e A. aegypti compartilham uma vantagem reprodutiva: seus ovos podem permanecer viáveis no ambiente por períodos de seca, até que a chuva abasteça novamente os criadouros com água, contribuindo para o nascimento das larvas. A resistência à dessecação é menor para os Haemagogus – cerca de quatro meses – do que para os A. aegypti – pode chegar a um ano. Ainda assim, segundo as pesquisadoras, o período é longo o suficiente para favorecer a continuidade das espécies em locais com variação na frequência de chuvas. Em contrapartida, os ovos de Sabethes precisam entrar em contato com a água logo após a postura ou perdem a viabilidade.
Ainda no aspecto reprodutivo, os Hg. leucocelaenus possuem uma particularidade: apenas partes dos seus ovos eclode após a primeira submersão em água, enquanto o restante permanece latente, pronto para eclodir em submersões subsequentes. Esse mecanismo faz com que um único lote de ovos dê origem a diversos grupos de mosquitos no decorrer do tempo, favorecendo a sobrevivência da espécie no ambiente por um longo período. Ao mesmo tempo, contribui para a manutenção da circulação do vírus da febre amarela, uma vez que as fêmeas infectadas transmitem o vírus para a prole, em um processo chamado de transmissão transovariana.
A capacidade de percorrer longas distâncias também é um diferencial dos Hg. leucocelaenus. Esses insetos podem alcançar um raio de dispersão de até 6 km, distanciando-se bastante dos seus criadouros. Para comparação, os A. aegypti costumam passar toda a vida adulta perto dos locais onde nasceram. Pesquisas apontam que em ambientes com alta densidade, com casas muito próximas, esses mosquitos voam usualmente num raio de 40 a 50 metros. Já em regiões sem barreiras, como montanhas, praias ou grandes avenidas, eles atingem até 800 metros.
Haemagogus e Sabethes são mosquitos diurnos, assim como os A. aegypti. No entanto, enquanto a espécie urbana prefere picar no começo da manhã e no final da tarde, os vetores silvestres apresentam maior atividade do meio-dia até o pôr do sol, com alguns estudos indicando dois picos: das 12h às 14h e das 16h às 17h. “É interessante observar que esses horários coincidem, muitas vezes, com a atividade humana na mata, tanto para trabalho, quanto para lazer”, comenta Goreti.
SAZONALIDADE
A presença do vetor não é o único fator necessário para a ocorrência de casos de febre amarela. Para que a doença seja disseminada, é preciso haver também vírus em circulação e indivíduos suscetíveis, que possam ser infectados. Considerando esse tripé, os registros de febre amarela em áreas silvestres costumam ter um caráter sazonal, com ocorrência de surtos maiores em intervalos de cinco a dez anos. Geralmente, os casos acontecem entre dezembro e maio, meses chuvosos em grande parte do Brasil, o que favorece a proliferação dos vetores. Além disso, embora haja registros da doença anualmente, epizootias de maior escala são observadas em intervalos de cinco a dez anos. Isso ocorre porque, após um surto, grande parte dos primatas infectados morre e aqueles que sobrevivem adquirem imunidade para o resto da vida. Com isso, a circulação da doença se torna limitada pela ausência de indivíduos suscetíveis e só volta a crescer conforme o número de macacos jovens, que não tiveram contato com o agravo, aumenta.
Importância da prevenção e a possibilidade de urbanização da doença
“Quando ocorre uma grande epizootia, o risco de casos humanos acontecerem aumenta, pois a circulação do vírus se torna mais intensa. Porém, é importante destacar que, diferentemente dos animais, as pessoas possuem um meio eficaz de se prevenir: a vacina”, enfatiza Dinair. Considerando a área de circulação do vírus, a vacinação de rotina é recomendada em 21 estados brasileiros. A lista de municípios com recomendação de vacina pode ser conferida no site do Ministério da Saúde. Pessoas que vão viajar para estas localidades também devem se vacinar com, pelo menos, dez dias de antecedência.
Além de seguir as recomendações para imunização, é importante intensificar o combate ao A. aegypti nas cidades, para prevenir um possível retorno da forma urbana da febre amarela. Um estudo liderado pelo IOC em parceria com o Instituto Pasteur, na França, demonstrou, em testes de laboratório, que mosquitos fluminenses das espécies Aedes aegypti, Aedes albopictus, Haemagogus leucocelaenus e Sabethes albipirvus são altamente suscetíveis à transmissão das linhagens virais da febre amarela que circulam no Brasil e na África. A competência vetorial dos mosquitos Aedes também foi verificada em Manaus e, em menor grau, em Goiânia. Confira todos os detalhes do estudo.
“Teoricamente, a transmissão do agravo no ambiente urbano pode vir a ocorrer se uma pessoa doente for picada por um A. aegypti. Portanto, combater o mosquito é fundamental para reduzir o risco da reintrodução, assim como para enfrentar a dengue, a zika e a chikungunya”, diz a pesquisadora Goreti Freitas, lembrando que eliminar os criadouros é uma das principais formas de atacar o vetor. “Diferentemente das espécies silvestres, que colocam seus ovos nos ocos das árvores, o A. aegypti prefere os criadouros artificiais, comuns no ambiente urbano. Por isso, é preciso vedar as caixas d’águas, colocar tela nos ralos e guardar adequadamente os objetos que podem acumular água”, orienta ela.
IOC/Fiocruz, por Maíra Menezes
Fonte: Portal Fiocruz
Projeto busca vírus que possam causar pandemias globais
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaA revista Science publicou, nesta sexta-feira (23/2), um artigo que descreve um projeto que quer fazer diferente usando um velho conselho: é melhor prevenir que remediar. O artigo trata do Projeto Viroma Global (PVG), iniciativa internacional que propõe uma estratégia absolutamente diversa da que tem sido adotada ao combate dos riscos virais. A proposta do PVG é identificar e caracterizar os vírus com potencial de risco, gerando conhecimento que possibilite antever as próximas epidemias e mitigar seus danos. Os cientistas do PVG estimam que há aproximadamente 1,6 milhão de vírus desconhecidos no mundo. Entre eles, de 600 a 800 mil deles podem infectar o homem. Os cientistas do PVG querem saber quem são eles e qual caminho podem seguir. O grupo de cientistas pretende caracterizar os patógenos emergentes, identificar práticas e comportamentos que levam a propagação e ampliação da doença e propor conjunto de medidas para caso de emergências.
A proposta, embora audaciosa, está sustentada em evidências robustas coletadas pelo Predict – um projeto piloto, conduzido pela Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (USAIDS) com foco no fortalecimento de competências e estruturas laboratoriais para detectar e prever pandemias a partir de vírus que são transmitidos da relação entre animais e humanos. Para alcançar seu objetivo, o PVG pretende ampliar e fortalecer laboratórios de virologia existentes e criar uma base de dados de larga escala em ecologia e genética de vírus de alto risco propondo transformar a ciência básica em virologia em uma área de conhecimento baseada em big data.
O Predict, em oito anos, com U$ 170 milhões e mais de 30 países parceiros, conseguiu coletar aproximadamente 250 mil amostras de mais de 90 mil origens e identificou aproximadamente mil novos vírus. Capacitou mais de 4 mil profissionais e tem 50 laboratórios em plena atividade. Os números demonstram o acerto na abordagem OneHealth, que considera a intrínseca relação entre a população, animais e o meio ambiente para o mapeamento de vírus que representam perigo para a saúde.
De fato, 75% dos patógenos emergentes é transmitido por animais. De acordo com o artigo publicado na Science, o PVG estima que a maioria da diversidade viral de nossos reservatórios zoonóticos podem ser descobertos, caracterizados e avaliados em um prazo de dez anos. De acordo com o artigo, a iniciativa dependerá da adoção de tecnologias de ponta para sequenciamento além da colaboração entre virologistas, epidemiologistas e modeladores, novas estratégias para avaliar as relações entre vírus e hospedeiros, e conhecimento nas áreas de biologia evolutiva, modelagem de biodiversidade, veterinária, entre outras.
O Brasil faz parte dessa iniciativa. O coordenador do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias em Saúde (CDTS/Fiocruz), Carlos Morel, é co-autor do artigo da Science e participa da governança do projeto ao lado do diretor da Unidade de Desenvolvimento e Segurança da Saúde Global da Agência Americana para Ajuda Internacional, Dennis Carroll. O Brasil é um hotspot para pesquisas e coleta de amostras dada a alta probabilidade de extrapolação dos vírus de seus reservatórios para o ser humano. Além disso, o país tem cientistas com importantes contribuições para a compreensão e prevenção de doenças emergentes virais, como o especialista em virologia do CDTS Thiago Moreno, que a partir do sequenciamento e análise do comportamento do vírus da zika identificou a trajetória da epidemia e testa medicamentos já aprovados para tratar a doença e evitar que a transmissão do vírus para o feto. O Brasil tem biodiversidade, liderança, ciência e experiência em alianças internacionais.
Os organizadores do PVG estão estabelecendo um desenho de gestão transparente e com participação equitativa de cada país envolvido. Questões éticas, sociais, legais pautam as atividades científicas. Na prática, isso representa um esforço para construir protocolos de acesso a biodiversidade e patrimônio genético em conformidade com Protocolo de Nagoya e as regras dos países envolvidos, acordos para o compartilhamento de amostras, dados e potenciais benefícios na hipótese de desenvolvimento e comercialização de produtos e serviços, além de políticas de proteção da propriedade intelectual e compliance que estabelecem, de antemão, os valores e princípios que os parceiros devem observar, garantindo a proteção das populações e o meio ambiente e a primazia do interesse público e o bem comum. A estratégia de vigilância orientada e baseada no risco, voltada para a detecção de vírus no seu ambiente natural pode conduzir a intervenções eficientes antes do contágio de pessoas ou animais alimentares.
O custo da empreitada foi avaliado em US$ 1,2 bilhão, para aumentar a capacidade de identificação de patógenos, fortalecer capacidades e laboratórios existentes, colher dados e gerar conhecimento. Entre os benefícios, mais conhecimento pode oferecer respostas mais eficientes e rápidas aos surtos, nortear o desenvolvimento e aprimoramento de diagnósticos, medicamentos e vacinas. Entendendo como o vírus se comporta, é possível, inclusive, evitar que se espalhe e criar consciência global e regional e informar políticas para evitar ou mitigar a disseminação dos vírus.
Para fins de comparação, um recente estudo na área da economia da saúde avaliou que o Brasil gastou R$ 2,3 bilhões com dengue, chikungunya e zika, apenas em 2016. Considerado conservador pelos próprios autores, o estudo calculou custos diretos, como atendimento e medicamentos e ausência no trabalho, e indiretos, como o combate ao mosquito vetor, mas excluiu, por exemplo, despesas com tratamento da microcefalia e anos de vida perdidos. Pode-se dizer que o Brasil pagou o preço alto pela inação.
O Boletim Epidemiológico 3/2018 do Ministério da Saúde divulgou que mais de 3 mil crianças nasceram com malformação em virtude do vírus zika entre os anos de 2015 e 2017. Por malformação compreende-se microcefalia, comprometimento do sistema nervoso central, epilepsia, deficiências auditivas e visuais, dificuldade de desenvolvimento psicomotor, além de prejuízos nos ossos e articulações. Entre mais de 15 mil notificações de suspeitas de zika, 507 crianças morreram, desconsiderando abortos e natimortos.
Esse número ganha corpo com a história de Henrique, de 2 anos. Diagnosticado com microcefalia causada pela zika, tem dificuldades de se manter de pé, sentar ou sustentar a cabeça. Pouco fala e mal enxerga. As atividades de fisioterapia, fonoaudiologia, estimulação visual e terapia ocupacional que o menino faz desde o nascimento não têm promovido melhoras expressivas e a mãe de Henrique, apesar da esperança, pouco sabe sobre seu futuro.
Cientistas vêm descobrindo e descrevendo os efeitos das epidemias virais na medida em que seus danos ocorrem. Do mesmo modo que autoridades administrativas na área da saúde tomam decisões no auge dessas emergências. A fragilidade das ações em saúde pública que reagem a propagação de vírus novos e reemergentes não é exclusividade do Brasil. Agora mesmo, assistimos os EUA definindo como lidar com o H3N2, um tipo de influenza A, no meio da crise.
Há muito ainda para ser desenvolvido em termos de tecnologias para diagnósticos e tratamentos. Medicamentos e vacinas levam de 10 a 20 para seu desenvolvimento completo. É um processo longo, complexo, custoso e de alto risco. Por outro lado, aproximadamente três novas doenças virais surgem a cada ano. De acordo com o Ministério da Saúde, em apenas dois anos o número de mortos pelo chikungunya subiu de 14 (2015) para 173 pessoas (2017).
As tecnologias disponíveis não dão conta dos efeitos causados pelas doenças virais emergentes, seja porque pensadas para um grupo limitado de pacientes ou por falta de capacidade de produção e distribuição que garanta o acesso imediato de alto volume de tratamento ou vacinas. O vírus H1N1, por exemplo, foi detectado em 2009 e infectou quase 2 bilhões de pessoas em 73 países. Nesse mesmo prazo, como resposta sanitária, apenas 17% da população global foi imunizada.
Pensar em política públicas de saúde e desenvolver medidas de reparação após a dispersão do vírus expõe a população a danos trágicos, como os de Henrique. Estudos recentes estimam que o mundo conhece apenas 1% dos vírus que podem causar doenças. Mudanças demográficas e ambientais, além do mercado global e trânsito internacional de pessoas, contribuem para o aumento e propagação de vírus novos e reemergentes, como HIV, ebola, Mers, síndrome respiratória aguda grave (SARS), dengue, chikungunya, zika etc.
Detecção precoce é elemento imprescindível para combater as doenças virais emergentes. Nossa capacidade de lidar com as próximas epidemias está limitada pelo desconhecimento sobre essas ameaças. O PVG pretende abastecer a comunidade global com informações necessárias para detectar, prevenir e agir de maneira proativa às epidemias emergentes, mitigando o risco de futuras epidemias reduzindo o impacto das doenças como a zika, que afetou Henrique e sua família. Se o objetivo for alcançado, o preço é insignificante.
CDTS/Fiocruz, por Renata Curi Hauegen
Fonte: AFN
PPGBIO-INTERAÇÃO convoca para matrícula institucional
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaCandidatos aprovados no processo seletivo, para ingresso no Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da lnteração Patógeno Hospedeiro – (PPGBIO-INTERAÇÃO) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) devem realizar a matrícula institucional durante os dias 27 e 28 de feveireiro.
Os convocados devem comparecer munidos dos documentos necessários, conforme descritos na Chamada Pública de Seleçâo – n 002l2017, de 8h às 12h e de 13h às 16h, na Secretaria Acadêmica (SECA), da Fiocruz Amazônia, situada à Rua Teresina, 476 – bairro Adrianópolis, Manaus – AM.
As aulas terão início no dia 6 de março de 2018, às 9h, no Salão Canoas da Instituição
SOBRE O PPGBIO-INTERAÇÃO
O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação) tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro, no âmbito da maior biodiversidade mundial.
O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na ecoepidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.
Para mais informações, consulte a chamada pública por meio da Plataforma Siga. Para esclarecimento de dúvidas, o candidato poderá ligar (092) 3621-2302 ou encaminhar e-mail para seca.ilmd@fiocruz.br
ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento
Inimigos dos livros: cartilha mostra como evitar, detectar e combater insetos
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaFonte de conhecimento e porta de entrada para um vasto universo de histórias e fantasias, os livros não são apenas procurados por quem deseja se alimentar de saberes, mas, também, são os alvos preferidos de algumas espécies de insetos que devoram suas páginas. A partir de agora, os principais espécimes que provocam danos às bibliotecas e seus acervos históricos estão reunidos em um só lugar. Criada por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a cartilha Insetos Bibliófagos – Identificação, prevenção e controle apresenta, com o uso de imagens e de uma linguagem clara, as características básicas e os hábitos de traças, baratas, cupins, dentre outros insetos, e explica as formas mais eficazes para evitar, detectar e combater essas pragas. De autoria dos biólogos Jane Costa e Márcio Felix, do Laboratório de Biodiversidade Entomológica do IOC, o guia está disponível para download gratuito (clique aqui).
Os insetos bibliófagos compõem um grupo diverso que inclui traças, baratas, cupins, besouros e piolhos-de-livro. Alguns consomem e vivem no papel, outros preferem materiais aplicados ao papel, como cola, goma e gelatina. As traças-dos-livros ou traças-de-papel estão entre os principais causadores de danos aos livros e bibliotecas no Brasil. Pragas comuns em climas úmidos, elas possuem hábitos noturnos e podem ser reconhecidas por deixar superfícies ásperas, corroídas e buracos irregulares no papel.
Os cupins, por sua vez, são altamente destrutivos em relação a madeiras estruturais, devido à facilidade com que se espalham em grande quantidade para mobiliários, prateleiras, arquivos e livros. Eles deixam rastros nas formas de buracos profundos, galerias de trajetos irregulares e rasuras. As fezes são geralmente numerosas e em aspecto de diminutos grãos claros.
Geralmente relacionadas a ambientes sujos como esgotos e sarjetas, as baratas também possuem função importante na deterioração de acervos. A cartilha destaca três espécies que apresentam diferentes perfis em relação à temperatura, umidade e tipo de alimentação. No que diz respeito aos danos, elas podem causar desgaste com formato irregular e manchas por conta das fezes escuras.
PREVENÇÃO E CONTROLE
Uma das formas mais eficientes para prevenir os danos causados por insetos bibliófagos é o estabelecimento de um programa de Controle Integrado de Pragas (CIP), que envolve, entre outras ações, a busca regular por sinais de pragas, o uso de armadilhas e o armazenamento dos livros em ambiente limpo e seco. “Essa cartilha tem um enfoque objetivo e pode ser aplicada às questões da preservação dos acervos bibliográficos. É dedicada a todos os profissionais responsáveis por acervos das mais diversas áreas do conhecimento, da saúde à economia, da história da humanidade à ecologia. O material oferece todo um auxílio no passo-a-passo para o monitoramento e controle desses insetos”, esclarece Jane Costa.
Por: Lucas Rocha (IOC/Fiocruz)*
*Edição: Vinicius Ferreira
Fonte: Portal Fiocruz
Acasalamento de Aedes leva à contaminação por vírus zika
/em Notícias /por Marlucia AlmeidaCópula perigosa: o acasalamento de mosquitos Aedes aegypti, contaminados pelo vírus zika, levou à infecção de seus parceiros ou parceiras que até então não estavam contaminados. Essa foi a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazonia), publicada na última edição da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz.
O estudo, conduzido em laboratório, procurou demonstrar a transmissão venérea do vírus zika em mosquitos Aedes. Segundo os autores, não se pode afirmar ainda que isso ocorra também na natureza. Foram realizados dois experimentos.
No primeiro, mosquitos machos virgens da estirpe AaM3V foram inoculados com vírius zika e, quatro dias após a injeção, foram transferidos para uma gaiola contendo fêmeas virgens da mesma estirpe e deixados para copular por cinco dias.
Já no segundo, mosquitos fêmeas virgens dessa mesma estirpe foram infectados oralmente com uma suspensão de zika e, nove dias após contaminação, foram colocadas em gaiolas para copular com machos virgens. Após a cópula, todos os mosquitos foram avaliados.
A taxa média de infecção nas duas experiências foi de 45% e 35%, respectivamente.
Portal de Periódicos da Fiocruz
Fonte: AFN